Em uma tentativa de encontrar solução para os principais problemas encontrados no diagnóstico da logística reversa das embalagens de agrotóxicos, foram elaborados alguns Planos de ação.
O Quadro 5 apresenta o Plano de Ação 1 destinado aos usuários das diferentes finalidades de uso no Município para efetivarem o retorno das embalagens, devidamente lavadas, segregadas e com transporte adequado.
Quadro 5 - Plano de ação 1
O que fazer (What)
Retorno das embalagens vazias de agrotóxicos pelos usuários, que devem estar devidamente lavadas, quando necessário, segregadas e com transporte adequado
Onde (Where) Nas propriedades rurais e agropecuárias
Por que (Why)
Para evitar possíveis riscos decorrentes da destinação incorreta das embalagens vazias de agrotóxicos, riscos no transporte e para serem recicladas após a devolução
Quando (When)
Após o uso das embalagens e no prazo máximo de um ano após a compra Quem (Who)
Todos os usuários de agrotóxicos
Como (How)
- Após utilizar todo o produto da embalagem lavável, deve-se realizar a tríplice lavagem ou lavagem sob pressão e armazená-la na caixa de embarque em um local separado no galpão - Após o uso a embalagem não lavável deve ser armazenada na embalagem de resgate que deve ser adquirida nas agropecuárias, mas essas embalagens são vendidas apenas por quatro empresas disponibilizadas no site do INPEV, localizadas no Estado de São Paulo, devendo haver disponibilidade de ter a venda dessas embalagens em todas as agropecuárias que realizam a venda desses produtos
- Realizar o retorno das embalagens até o local estipulado na nota fiscal e receituário, dentro do prazo determinado e cumprir todos os procedimentos necessários com as embalagens
para essa devolução
- O transporte deve ser feito de maneira adequada, com carro aberto para que as embalagens sejam transportadas sem o contato com pessoas, animais e alimento
No Quadro 6 é apresentado o Plano de Ação 2, onde tem o objetivo de reduzir as quantidades de agrotóxicos usados pelos diferentes grupos amostrais.
Quadro 6 - Plano de Ação 2
O que fazer (What)
Redução da quantidade de resíduos de embalagens de agrotóxicos geradas Onde (Where)
Na lavoura, no pátio das residências, no pasto da criação extensiva de gado, em todos os locais de uso de agrotóxicos
Por que (Why)
Para não gerar sobrecarga nos canais de distribuição e destinação final das embalagens e diminuir os custos com a logística reversa de embalagens de agrotóxicos
Quando (When)
No Plantio e manejo das pragas e doenças, que seriam durante todo o ano e para alguns usos principalmente no verão
Quem (Who) Todos os usuários de agrotóxicos
Como (How)
- Rizicultura – Análise de metodologias para implantar na região controle biológico de pragas e doenças como a Rizipsicultura que é o cultivo de arroz junto com a criação de peixes e uso de Marrecos de Pequim, que é o cultivo do arroz junto com marrecos que evitam o uso de agrotóxicos no cultivo
- Olericultura – Uso de inseticidas e fungicidas alternativos, como a calda bordalesa, fumo e sabão, produtos biológicos a base de fungos, óleo de nim
- Domiciliar – Adoção da capina manual e/ou mecânica pelos usuários
- Pastagem – Análise de técnicas de manejo como o PRV (Pastoreio Racional Voisin) que é um tipo de manejo agroecológico de pastagens e é desenvolvido no Município no IFC – Campus Camboriú, no setor de Bovinocultura de leite. Adoção de capina manual e/ou mecânica.
O Quadro 7 é referente ao Plano de Ação 3 destinado as oportunidades de melhorias identificadas nas agropecuárias.
Quadro 7 - Plano de Ação 3
O que fazer (What)
Cobrança das agropecuárias aos usuários pelo retorno das embalagens Onde (Where)
Nas agropecuárias
Por que (Why)
Para aumentar o percentual de retorno das embalagens aos estabelecimentos e evitar o descarte incorreto no ambiente
Quando (When) No momento da venda do produto
Quem (Who) Os estabelecimentos agropecuários
Como (How)
- Realização de todas as vendas com receituário, independente da quantidade de produtos comprados, fazendo com que o usuário fique responsável pelo produto que está levando - Manter um cadastro de cada usuário com a relação de todo tipo de agrotóxico que é comprado por ele para o controle do retorno das embalagens
- Orientar os usuários com relação aos procedimentos que devem ser realizados com as embalagens após o uso, dependendo do tipo de embalagem, lavável ou não lavável e disponibilizar ao usuário a venda de embalagem de resgate para as embalagens não laváveis
- Orientação ao usuário quanto ao transporte correto das embalagens para evitar riscos aos mesmos
- Emitir na nota fiscal e receituário o local de devolução das embalagens e também fazer o aviso verbal do local
- Tornar obrigatório o retorno das embalagens pelos usuários, só realizando a venda de novos produtos com o retorno dos frascos vazios que já foram comprados
No Quadro 8 é apresentado o Plano de Ação 4, elaborado para propor melhorias no gerenciamento do armazenamento das embalagens vazias de agrotóxicos.
Quadro 8 - Plano de Ação 4
O que fazer (What)
Melhorar o gerenciamento dos locais de armazenamento das embalagens vazias de agrotóxicos
Onde (Where) Nas propriedades e nos canais de distribuição
Por que (Why)
Para evitar riscos de contaminação de pessoas, animais e tornar mais eficiente o gerenciamento do armazenamento das embalagens
Quando (When) Sempre
Quem (Who) Os próprios usuários e os canais de distribuição
Como (How)
Os usuários devem armazenar as embalagens laváveis na caixa de embarque e as embalagens não laváveis nas embalagens de resgate e todas devem ser dispostas em local coberto, arejado, com identificação e longe de alimentos e animais.
As agropecuárias devem realizar a ampliação do local de recebimento de embalagens vazias, correta identificação do local, que deve ser separado do local das embalagens cheias e de outros produtos, também deve ser disponibilizado EPI para circulação de
pessoas no ambiente de armazenamento
Os canais de distribuição através de melhorias nas instalações, com a área toda cercada do galpão com altura mínima de 2 [m], caixa de contenção, sinalização de toda a área, instalação sanitária com vestiário e chuveiro.
O Quadro 9 apresenta o Plano de Ação 5 que propõe através de programas educativos de conscientização aos usuários o aumento do retorno das embalagens vazias de agrotóxicos.
Quadro 9 - Plano de Ação 5
O que fazer (What)
Programas educativos de conscientização e orientação aos usuários de agrotóxicos Onde (Where)
Em encontros dos agricultores e moradores da área rural, nas escolas, reuniões do sindicato e nas próprias propriedades
Por que (Why)
Para aumentar o nível de consciência dos usuários quanto aos riscos associados a má disposição das embalagens vazias no ambiente e orientá-los quanto aos procedimentos que devem ser feitos com as embalagens após o uso, armazenamento e transporte das mesmas
Quando (When)
A cada 6 meses, de preferência próximo a época de aplicação dos agrotóxicos para cada tipo de usuário
Quem (Who)
Os canais de distribuição (estabelecimentos agropecuários, unidades de recebimento) órgãos públicos e fabricantes
Como (How)
Através de várias ações, que podem ser realizadas em parcerias entre os canais de distribuição, órgãos públicos e fabricantes, como palestras, reuniões, atividades em escolas, visitas de rotina do técnico da EPAGRI, podendo aproveitar o Dia Nacional do Campo Limpo, que é dia 18 de agosto para a realização de algumas destas atividades
No Quadro 10 é apresentado o Plano de Ação 6 que propõe melhorias diretamente no fluxo de logística reversa das embalagens vazias de agrotóxicos para o Município de Camboriú, SC.
Quadro 10 - Plano de Ação 6
O que fazer (What)
Incentivo à compra de agrotóxicos em Cooperativas Agropecuárias que o Município está dentro da área de abrangência ou em agropecuárias do próprio Município, quando estas estiverem adequadas à legislação e cumprindo com suas responsabilidades na questão da logística reversa das embalagens de agrotóxicos
Onde (Where)
O Município pertence à Mesorregião do Vale do Itajaí e possui nesta área uma cooperativa agropecuária onde já são realizadas compras de agrotóxicos pelos usuários de Camboriú, o estabelecimento agropecuário D, que está de acordo com a legislação, cumprindo suas obrigações e tendo bons resultados de retorno das embalagens pelos usuários
Por que (Why)
Para tornar o caminho da logística reversa das embalagens menor e incentivo as cooperativas que são associações de pessoas com interesses comuns, economicamente organizadas de forma democrática, e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais presta serviços, sem fins lucrativos
Quando (When) A cada início de safra e durante todo o ano
Quem (Who) A cooperativa e os órgãos públicos
Como (How)
Através de reuniões e palestras para sensibilização e informação aos usuários
O Quadro 11 apresenta o Plano de Ação 7 que têm por objetivo aprimorar o fluxo da logística reversa das embalagens de agrotóxicos abrangendo todos os elos da cadeia.
Quadro 11 - Plano de Ação 7
O que fazer (What)
Melhorias no fluxo da logística reversa das embalagens de agrotóxicos Onde (Where)
Em todos os elos da cadeia de logística reversa Por que (Why)
Para haver eficiência no fluxo de retorno das embalagens, com a menor quantidade de caminhos diferentes até a destinação final
Quando (When)
Sempre deve haver a análise dos caminhos em que estão ocorrendo o fluxo reverso das embalagens e análise da melhor alternativa possível
Quem (Who) Todos os elos da cadeia de logística reversa
Como (How)
A compra do produto pelos usuários siga as orientações do Plano de Ação 6
Das agropecuárias, que as embalagens sejam destinadas preferencialmente à central de recebimento, devendo passar pelo posto de recebimento apenas quando não houver uma central de recebimento que abranja sua área de atuação
Das centrais de recebimento, que sejam destinadas até as empresas de reciclagem e incineração mais próximas, como atualmente não existe nenhuma empresa de reciclagem ou incineração no Estado de Santa Catarina, sendo que a mais próxima é uma de reciclagem localizada no Estado do Paraná, analisar a viabilidade de ser instalada no Estado uma empresa recicladora e/ou incineradora que irá abranger os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A partir da aplicação desses Planos de Ação, será possível melhorar e adequar à legislação toda a cadeia de logística reversa das embalagens vazias de agrotóxicos que partem da utilização do Município de Camboriú, SC.
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ONSIDERAÇÕESF
INAISOs objetivos da pesquisa foram todos alcançados, o levantamento dos aspectos legais relacionados à logística reversa de embalagens de agrotóxicos foi realizado através de pesquisas principalmente bibliográficas e serviu de base para o desenvolvimento de todo o projeto.
A Identificação das principais atividades agrícolas do Município de Camboriú – SC foram realizadas através do IBGE (2011), onde foram identificadas aquelas que utilizam agrotóxico no cultivo.
A definição dos grupos amostrais dos atores envolvidos foi feita de acordo com a identificação das principais atividades agrícolas do Município que utilizavam agrotóxicos, que foram arroz e hortaliças, e após o início da coleta de dados foram definidos mais dois grupos amostrais de usuários que possivelmente faziam o descarte incorreto das embalagens, que utilizavam o produto apenas para capina química no uso domiciliar e domiciliar mais pasto.
A elaboração e aplicação das ferramentas de coleta de dados referentes à gestão ambiental das embalagens de agrotóxicos das propriedades rurais, nos canais de distribuição e nos órgãos públicos envolvidos no sistema de logística reversa foram feitas baseadas nas legislações e foram aplicadas através de visitas in loco, contato via telefone e e-mail.
A elaboração do diagnóstico e o mapeamento do sistema de logística reversa foram feitos a partir da análise dos resultados obtidos da coleta de dados.
A elaboração dos Planos de Ação foram feitos baseado nos principais problemas identificados no diagnóstico da logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos em propriedades rurais do Município de Camboriú – SC, a fim de propor melhorias e criar estratégias para aperfeiçoar a logística reversa.
Existe adequação à Política Nacional dos Resíduos Sólidos no que diz respeito à logística reversa das embalagens vazias de agrotóxicos em Camboriú – SC para a rizicultura e de um modo geral para os usuários que compram os produtos em agropecuárias que cobram o retorno das embalagens e orientam nos procedimentos de lavagem após o uso. A assistência técnica também teve influência sobre o retorno das embalagens assim como as campanhas de conscientização realizadas pelas agropecuárias em parceria com órgãos públicos.
As agropecuárias que não orientam e nem cobram dos clientes o retorno das embalagens no momento da venda tiveram um percentual muito baixo de retorno das mesmas, que demonstra uma falta de fiscalização adequada nesses estabelecimentos que não estão agindo de acordo com a legislação, para que se adequem ou se não possuírem estrutura física e técnica suficiente, que deixem de vender esse tipo de produto.
Os acordos setoriais e termos de compromisso firmados entre o poder público e o setor empresarial, como determinada na Lei nº 12.305 de 10 de agosto de 2010, são alternativas para implantar procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados, disponibilizar posto de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis e atuar em parcerias com cooperativas ou outras formas de associação, aprimorando todo o sistema de logística reversa das embalagens vazias de agrotóxicos.
Os resultados encontrados nessa pesquisa mostraram que ainda há muito a ser feito na área de logística reversa de embalagens vazias em todos os elos da cadeia e seguindo os Planos de Ação elaborados pela mesma, será possível aperfeiçoar todo o caminho de retorno das embalagens vazias até o destino ambientalmente correto.
O cenário que foi encontrado no Município de Camboriú provavelmente não é diferente de outros Municípios com características semelhantes da região e do Estado, que possui base na agricultura familiar, sendo interessante a repetição desta pesquisa em outros Municípios.
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