5.1 Diagnóstico
5.1.1 Usuários de agrotóxicos
Ao todo foram entrevistados 56 usuários de agrotóxicos no Município de Camboriú – SC, agrupados por finalidade de uso como mostra a Tabela 10.
Tabela 10 - Número de usuários para cada finalidade de uso de agrotóxicos do Município de Camboriú – SC.
Finalidade de uso do agrotóxico Número de usuários
Rizicultura 22
Olericultura 10
Domiciliar 18
Domiciliar + pasto 6
Total de usuários entrevistados 56
5.1.1.1 Locais de abrangência das entrevistas
Os questionários foram aplicados em seis localidades do Município de Camboriú - SC, sendo estes: Macacos, Cerro, Morretes, Rio Pequeno, Rio do Meio e Braço. As localidades Macacos, Cerro, Rio do Meio e Braço ficam localizadas na ZMR – Zona Multifuncional Rural, a localidade Morretes na ZTUR - Zona de Transição Urbano-Rural e o Rio Pequeno fica na ZEE2 - Zona de Expansão Especial 2 como apresenta a Figura 7.
Figura 7 - Zoneamento Municipal de Camboriú – SC e localidades.
Fonte: Prefeitura Municipal de Camboriú (2008).
A ZMR é onde há o predomínio do cultivo de arroz pela baixa altitude e proximidade dos rios que favorecem os alagamentos e o desenvolvimento da cultura.
A Figura 8 está demonstrando as localidades de Camboriú – SC que foram abrangidas e o percentual de entrevistados de cada uma.
Macacos Cerro
Morretes Rio Pequeno Rio do Meio
Braço
ZMR ZTUR
ZEE 2
Figura 8 - Localidades abrangidas por percentual de entrevistados nas áreas rurais do Município de Camboriú – SC.
De acordo com a Figura 8 é possível observar que 36,4% dos rizicultores foram entrevistados no Bairro Braço, 50% dos produtores de hortaliças foram entrevistados do Bairro Rio Pequeno. Os usuários de uso domiciliar (56,3%) foram entrevistados no Bairro Rio do Meio e os que utilizam além da capina química de casa também no manejo da pastagem na criação de bovinos em modo extensivo com herbicida seletivo no pasto (domiciliar mais pasto), foram 66,7% no Bairro Braço. A maior concentração de todos os tipos de usuários, agrupados por uso do produto, foi no bairro Braço, que possuiu a junção dos quatro usuários diferentes e onde são encontrados 38,2% de todos os usuários de agrotóxicos pesquisados. O tipo de utilização de agrotóxico que mais abrange localidades diferentes é da rizicultura, estando presente em cinco das seis localidades pesquisadas e o que menos abrange é do uso de domiciliar mais pastagem estando presente em apenas duas localidades diferentes.
5.1.1.2 Relação do usuário de agrotóxico com a propriedade
Na Figura 9 é demonstrada a relação que os diferentes usuários possuem com a propriedade.
22,7
9,1 9,1
22,7
36,4 30,0
50,0
20,0 56,3
43,8 33,3
66,7
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Macacos Cerro Morretes Rio Pequeno Rio do Meio Braço
Percentual (%)
Localidades
Localidades abrangidas de Camboriú - SC
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
Figura 9 - Relação dos diferentes usuários com a propriedade no Município de Camboriú, SC.
Na relação do usuário do agrotóxico com a propriedade, no caso da rizicultura 45,5%
são proprietários da terra onde plantam, 40,9% plantam somente em terras arrendadas e 13,6% plantam nas suas próprias terras e mais terras arrendadas, isso mostra que do total, cerca de 52,4% arrendam terras para plantio de arroz. Essa grande quantidade de arrendamentos de terra no cultivo do arroz é reflexo das mudanças que ocorrem a cada ano no sistema de produção, com novos métodos de preparo do solo, plantio, pulverização e colheita do arroz mecanizados, onde os menores produtores que muitas vezes não conseguiram se ajustar a esse novo modelo de produção, vão tendo que pagar por esses serviços a terceiros e acabam tendo uma redução na margem de lucro, optando pelo arrendamento da terra por considerar mais viável.
No caso das hortaliças, 80% são proprietários da terra onde cultivam, cerca de 10%
é arrendatário da propriedade e 10% é por contrato de comodato. No uso apenas doméstico, 58,8% são proprietários e 41,2% são caseiros, o que significa que boa parte desses usuários, que são apenas caseiros, não possuem o poder de decisão para algumas atitudes que devem ser tomadas para que ocorra a logística reversa das embalagens na propriedade. Nos que utilizam para uso domiciliar e no pasto, 83,3% são proprietários e 16,7% arrendam a terra.
45,5
40,9
13,6 80,0
10,0 10,0
58,8
41,2 83,3
16,7
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Proprietário Arrendatário Proprietário + Arrendadtário
Contrato de Comodato
Caseiro
Percentual (%)
Relação do usuário com a propriedade
Relação do usuário com a propriedade
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
5.1.1.3 Tempo de uso de agrotóxico
O tempo de utilização de agrotóxico pelos diversos usuários está expresso na Figura 10.
Figura 10 - Tempo de uso por percentual de utilização de agrotóxicos dos usuários no Município de Camboriú, SC.
De acordo com a Figura 10 pode-se observar que a maior parte dos rizicultores, cerca de 45,5% possuem um tempo de utilização de agrotóxicos de 15,1 a 30 anos e 31, 8% acima de 30 anos, isso se deve ao fato da rizicultura ser um cultivo antigo e possuir história no Município e por existir alguns usuários que possuem o tempo de uso recente, de até 5 anos e de 5,1 até 15 anos, quer dizer que existem pessoas que começaram a cultivar arroz nos últimos anos. A olericultura segue um padrão próximo da rizicultura, possuindo a maior parte de seus usuários com um tempo alto de uso, cerca de 50% estão entre o tempo de uso de 15,1 a 30 anos e 40% acima de 30 anos. Para somente uso domiciliar é observado que o maior tempo de uso dos usuários, cerca de 50% está usando agrotóxicos há 5,1 a 15 anos e 31,3% até 5 anos de uso e acima de 30 anos não houve nenhum caso, demonstrando que esse hábito de utilização de herbicida para capina química na grande maioria dos entrevistados, cerca de 81,3%, foi adquirido de 15 anos pra cá. No caso do uso domiciliar mais pasto, o maior tempo de uso, cerca de 50%, ficou entre 15,1 a 30 anos de utilização, seguido de 33,3% de 5,1 a 15 anos.
4,5
18,2
45,5
31,8
10,0
50,0
40,0 31,3
50,0
18,8 16,7
33,3
50,0
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
até 5 anos de 5,1 a 15 anos de 15,1 a 30 anos acima de 30 anos
Percentual (%)
Tempo [anos]
Tempo de uso dos agrotóxicos
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
5.1.1.4 Associação ao sindicato ou cooperativa
A Figura 11 apresenta o percentual de usuários nas diferentes finalidades de uso, relacionados a algum tipo se associação, no sindicato ou em alguma cooperativa.
Figura 11 - Associação do usuário de Camboriú ao sindicato ou cooperativa.
Com relação à Figura 11, é possível observar que somente 63,6% dos rizicultores são associados ao sindicato, que seria o SITRUC – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Camboriú e o percentual de rizicultores que não possuem associação ao sindicato nem cooperativa, que são instituições que lhes oferecem vários tipos de benefícios, correspondendo a 27,3% do total, correspondendo a 6 dos 22 entrevistados. Essa participação pequena dos rizicultores no sindicato pôde ser observada entre aqueles que cultivam em menores áreas, sendo necessário fazer um levantamento dos motivos que os levam a não serem associados para criar estratégias de incentivo para a participação dos mesmos. O SITRUC é uma entidade que pode auxiliar na conscientização dos agricultores quanto à importância de se lavar e devolver as embalagens. Existem no Município 2 rizicultores, 9,1%, que são associados ao sindicato e à uma Cooperativa localizada em Massaranduba, onde toda a compra de agrotóxicos para a safra é realizada lá, sob a orientação dos técnicos, é fornecido EPI aos cooperados, assistência técnica duas vezes por ano na propriedade, recolhimento das embalagens vazias entre outros benefícios.
Entre os produtores de hortaliças, 90% possuem associação ao SITRUC e 10% a nenhum tipo de associação. No uso apenas domiciliar somente 29,4% são associados ao
63,6
90,0
29,4
83,3
9,1 27,3
10,0
70,6
16,7 0,0
10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
Percentual (%)
Grupos Amostrais
Associação ao Sindicato ou Cooperativa
Sindicato Coop/sind Nenhum
SITRUC, pois nem todos são agricultores e no uso domiciliar e pastagem, cerca de 83,3%
possuem associação.
5.1.1.5 Área de cultivo
A área de cultivo só foi considerada para os produtores de arroz e hortaliças, não houve essa pergunta para quem usa agrotóxico somente no uso domiciliar e no domicílio mais pasto.
A Figura 12 apresenta os percentuais de rizicultores distribuídos nas suas diferentes áreas de cultivo.
Figura 12 - Áreas em [ha] cultivadas de arroz no Município de Camboriú, SC.
Pode-se observar pela Figura 12 que a maior parte dos rizicultores, cerca de 68%, cultivam em uma área entre 5,1 a 30 [ha], ou seja, pequenas propriedades, característica do Município que tem base na agricultura familiar. Cerca de 14% do total produzem em áreas acima de 60 [ha], variando entre 60 e 70 [ha], porém, há um agricultor que cultiva 220 [ha], que é o maior produtor do Município. No somatório de todas as áreas de cultivo da rizicultura pode-se observar que foi abrangida a pesquisa em 703 [ha] de área cultivada, considerando que a área apresentada pelo Plano Anual de Trabalho da EPAGRI é de 970 [ha] é possível ver que a pesquisa atingiu cerca de 72,5% do total de área cultivada de rizicultura no Município.
Com relação aos produtores de hortaliças, todos cultivam em uma área de até 4 [ha], sendo que a média da área produzida fica em torno de 2,2 [ha], são cultivos que utilizam menores quantidades de área quando comparados a rizicultura.
9%
68%
9%
14%
Área cultivada - Arroz
até 5 ha de 5,1 a 30 ha de 30,1 a 60 ha acima de 60 ha
5.1.1.6 Locais de compra dos agrotóxicos
A compra dos agrotóxicos pelos usuários nem sempre é feita somente em uma agropecuária, sendo que cerca de 21,4% de todos os entrevistados compram os agrotóxicos em duas agropecuárias diferentes, para esse usuários foi atribuído o peso 0,5 em cada uma das duas agropecuárias, para se chegar no percentual total de compra em cada uma delas.
Alguns usuários relataram que mudam seu local de compra de agrotóxicos dependendo do preço, por isso foi levado em consideração apenas o local ou locais da última compra de agrotóxicos, que é para onde deve ser feita a devolução da embalagem, mas em geral os usuários possuem um histórico longo de compras no mesmo estabelecimento.
A compra de agrotóxicos aconteceu em sete estabelecimentos diferentes, porém um deles no momento da pesquisa já não vendia mais agrotóxicos, em função disso ele não foi incluído nos dados da pesquisa, pois não faz mais parte de um dos elos da logística reversa das embalagens. Foram feitas ainda visitas a outras agropecuárias de Camboriú que não foram identificadas a partir do relato de compra pelos usuários, mas por estarem localizadas no Município e haver a necessidade de saber se elas realizavam vendas desses produtos.
Foram visitados mais quatro estabelecimentos no Município, fora os dois que realizam vendas para alguns usuários e verificado que um desses quatro vendia um tipo de agrotóxico (Roundup), neste estabelecimento também foi aplicado o questionário. As agropecuárias foram nomeadas por letras para evitar exposição, sendo elas: A – Tijucas; B – Tijucas; C – Camboriú; D – Itajaí; E – Camboriú (sem compra dos usuários pesquisados);
F – Massaranduba e G – Brusque. Os estabelecimentos D e F são cooperativas.
As agropecuárias A e B, que são as de Tijucas, possuem vendedores a campo que vão até as propriedades rurais de Camboriú vender agrotóxicos, em todas as outras os usuários têm que ir comprar o produto no estabelecimento. A Figura 13 apresenta os locais de compra de agrotóxicos relacionados aos usuários de Camboriú – SC.
Figura 13 - Locais de compra dos agrotóxicos pelos usuários do Município de Camboriú, SC.
Como pode se observar na Figura 13, a agropecuária que mais realiza vendas no Município é a D, localizada em Itajaí, é a única que vende para todos os grupos de usuários.
Nela ocorrem um percentual de 56,8% de vendas para os rizicultores e de 83,3% para o uso domiciliar mais pasto. A segunda agropecuária que realiza mais vendas no Município é a B de Tijucas, seguida da agropecuária C, de Camboriú. O estabelecimento de Tijucas (A) só realiza vendas para a rizicultura, cerca de 18,2% de vendas, sendo o segundo maior percentual para o grupo dos rizicultores.
Os estabelecimentos agropecuários onde ocorrem os menores percentuais de venda entre os usuários são de Massaranduba (F), com 6,9% de vendas para rizicultores e de Brusque (G), com 3,4% de vendas também para os rizicultores e 5,3% de vendas para o uso apenas domiciliar.
Entre os rizicultores, o maior percentual de compras, 56,8%, ocorre em Itajaí (D), seguido de Tijucas (A) com 18,2% e o menor percentual de compras é em Brusque (G), tendo 2,3%. O grupo dos rizicultores compram em 5 dos 6 estabelecimentos que foram pesquisados, só não comprando agrotóxico no Município de Camboriú. No caso da olericultura o maior percentual de compras ocorre em Tijucas (B), apresentando 65% das compras, seguido de Itajaí (D), com 30% e o outro estabelecimento onde realizam compras desse produto é o (C), em Camboriú, com 5% das compras. No uso domiciliar o maior
18,2
13,6
56,8
9,1
2,3 65,0
5,0
30,0
2,8
50,0
41,7
5,6 16,7
83,3
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Tijucas (A) Tijucas (B) Camboriú (C) Itajaí (D) Massaranduba (F)
Brusque (G)
Percentual (%)
Agropecuárias
Locais de compra dos agrotóxicos
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
percentual de compras é feito na agropecuária (C), de Camboriú, com 50%, seguido da agropecuária D, em Itajaí, com 41,7% das compras, as outras compras ocorrem ainda nos estabelecimentos (G) e (B), com percentuais mais baixos. No grupo que utiliza o produto para uso domiciliar mais pasto, é feita a compra em apenas dois estabelecimentos diferentes, o que possui maior percentual é o de Itajaí (D), com 83,3% das compras e o segundo é Camboriú (C), com 16,7% das compras.
Os locais de compra dos agrotóxicos são determinantes no processo de logística reversa, sendo necessário analisar os principais estabelecimentos para propor melhorias e estratégias para aumento da devolução do percentual de embalagens e assim aperfeiçoar a cadeia de logística reversa de uma grande parte dos usuários. O local onde são feitas mais compras desse produto, no geral de todos os usuários, é o estabelecimento D de Itajaí.
Foi também questionado aos usuários se a compra desses produtos era feita com receituário agrônomo, sendo os percentuais de cada grupo apresentados na Figura 14.
Figura 14 - Compra com receituário agronômico pelos usuários do Município de Camboriú, SC.
De acordo com a Figura 14, cerca de 95,5% dos rizicultores compram agrotóxico com receituário agronômico e 4,5% compram ilegalmente, sem o receituário. Com os olericultores o percentual de compra do produto com receituário é de 80% e no uso domiciliar é onde ocorre o maior percentual de compras sem receituário, cerca de 66,7%. Os estabelecimentos agropecuários que mais vendem agrotóxico para esse grupo são o de Camboriú (C), seguido de Itajaí (D), revelando uma falta de preocupação por parte dos estabelecimentos que por se tratar de quantidades pequenas de produto comprado, efetuam
95,5
80,0
33,3
66,7
4,5
20,0
66,7
33,3
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
Percentual (%)
Grupos amostrais
Receituário agronômico
Sim Não
a venda de forma ilegal. No caso dos usuários de uso domiciliar mais pasto, cerca de 66,7% dos usuários compram os produtos com receituário e 33,3% sem receituário. As maiores vendas de produtos sem receituário são para os grupos domiciliar e domiciliar mais pasto, que utilizam menores quantidades de agrotóxicos e pouca diversidade de produtos, contemplando em sua maioria alguns tipos de herbicidas, porém esses grupos são o mais abundantes no Município.
O receituário agronômico é um documento obrigatório para a venda de agrotóxicos, possuindo um capítulo específico no Decreto nº 4.074 de 2002, que regulamenta a Lei nº 7.802 de 1989. No receituário segue recomendações técnicas essenciais para a utilização do produto como: nome dos produtos que deverão ser utilizados, cultura e área que serão aplicados, doses de aplicação e quantidades totais a serem adquiridas, modalidades de aplicação, época de aplicação, intervalo de segurança, orientação de manejo integrado de pragas e resistência, orientação da obrigatoriedade da utilização de EPI, local de devolução das embalagens, entre outras. É preocupante a compra dos produtos sem receituário, pois significa que estão sendo vendidos sem orientação, podendo ter o uso em culturas diferentes do que são feitos para serem usados e aplicação de doses erradas, o que pode acelerar o processo de resistência ao produto de algumas culturas, perdendo seu efeito. O local para devolução da embalagem também está inserido no receituário, sendo mais um lembrete e aviso importante ao agricultor.
5.1.1.7 Tipos de agrotóxicos usados e suas embalagens
A Tabela 11 apresenta os diferentes tipos de agrotóxicos usados pelos entrevistados, sua classificação, grupo químico pertencente e classificação toxicológica. A definição da classificação e grupo químico foi feita de acordo com Andrei (2005).
Tabela 11 - Tipos de agrotóxicos utilizados por classe, grupo químico, classificação toxicológica e por finalidade de uso do Município de Camboriú, SC.
Formulação Comercial
Classe – Grupo Químico
Class.
Toxicol.
Rizicultura (%)
Olericultura (%)
Dom.
(%)
Dom. + Pasto
(%) Actara Inseticida sistêmico –
neonicotinóide III 2,2 3,2
Ally
Herbicida seletivo e sistêmico – sulfonilureias
III 4,4
Amistar Fungicida sistêmico –
estrobilurinas IV 3,2
Arrivo Inseticida – piretróide
sintético III 1,1
Aurora Herbicida seletivo
condicional não II 1,1
sistêmico – triazolona Basagran
Herbicida seletivo não sistêmico – benzotiadiazinona
III 23,3 Bravonil Fungicida de contato –
ftalonitrila I 3,2
Cercobin Fungicida sistêmico –
benzimidazol IV 3,2
Decis
Inseticida de contato e ingestão – piretróide
sintético
III 2,2 16,1 4,5
Diazitop Inseticida –
organofosforado II 4,5
DMA Herbicida seletivo –
fenoxiacético I 1,1 15,4
Evidence Inseticida sistêmico –
neonicotinóide IV 6,5
Furadan Inseticida nematicida
sistêmico – carbamato I 14,4 Glifosato
Herbicida sistêmico não seletivo – glicina
substituída
IV 3,2 9,1
Gramoxone Herbicida – bipiridílios I 9,7 Infinito Fungicida sistêmico –
carbamato II 1,1 3,2
K - Othrine Inseticida (formicida) -
piretróide I 9,1
Lorsban
Inseticida (acaricida) não sistêmico de
contato – organofosforado
II 3,2
Manzate Fungicida –
ditiocarbamatos III 3,2
Mirex - S
Inseticida (formicida) – sulfonamidas fluoralifáticas
IV 4,5
Nativo
Fungicida mesostêmico e
sistêmico – estrobilurina e triazol
III 1,1
Only
Herbicida seletivo sistêmico – imidazolinona
III 4,4
Provado Inseticida sistêmico –
nicotinóide IV 3,2
Ricer
Herbicida seletivo e sistêmico – Sulfon.
Triazolopirimidina
II 18,9
Ridomil
Fungicida sistêmico e de contato –
fenilamidas
III 6,5
Roundup Herbicida não seletivo
de ação sistêmica – IV 17,8 22,6 68,2 46,2
glicina substituída Rovral Fungicida de contato –
hidantoínas IV 3,2
Sirius Herbicida seletivo –
sulfonilureia IV 4,4
Tordon
Herbicida sistêmico e seletivo – picloram
derivado do ácido picolínico e o 2,4-D do
grupo dos fenoxiacéticos
I 1,1 38,5
Vertimec
Acaricida, inseticida de contato e ingestão –
avermectina
III 6,5
Zapp Herbicida sistêmico –
glicina substituída III 1,1
De acordo com a Tabela 11 é possível observar os agrotóxicos mais utilizados por grupo amostral. A maior parte dos usuários utiliza mais de um tipo de agrotóxico, sendo que o de uso apenas domiciliar e domiciliar mais pasto são os que menos utilizam agrotóxicos diferentes.
Na rizicultura os mais utilizados entre os usuários são:
Basagran (23,3%) - herbicida seletivo e de contato, tendo efeito localizado e não sistêmico, seu tipo de formulação é concentrado solúvel, são tolerantes a ele as gramíneas em geral, leguminosas e algumas outras espécies. Possui classificação toxicológica III – medianamente tóxico e periculosidade ambiental III – perigoso ao meio ambiente.
Ricer (18,9%) - é um herbicida seletivo recomendado para o controle de plantas infestantes de folhas estreitas (gramíneas), ciperáceas e folhas largas na cultura de arroz irrigado, em aplicação em pré-emergência, pós-emergência inicial ou pós-emergência.
Possui classificação toxicológica II – altamente tóxico e periculosidade ambiental III – perigoso ao meio ambiente.
Roundup (17,8%) - herbicida não seletivo recomendado para o controle não seletivo de plantas e de ação sistêmica, seu tipo de formulação é concentrado solúvel. Possui classificação toxicológica IV – pouco tóxico e periculosidade ambiental III – perigoso ao meio ambiente, é corrosivo ao ferro comum e galvanizado. Agrupando todos os usuários é possível perceber que este é o agrotóxico mais utilizado entre os usuários.
Furadan (14,4%) - inseticida nematicida sistêmico, é uma suspensão concentrada para tratamento de sementes. Possui classificação toxicológica I – extremamente tóxico e periculosidade ambiental II – muito perigoso, sendo tóxico para peixes e aves.
Com relação aos produtores de hortaliças, o mais utilizado é Roundup, com cerca de 22,6% do total e Decis com 16,1% que é um inseticida de contato e ingestão, seu tipo de formulação é um concentrado emulsionável. Possui classificação toxicológica III – medianamente tóxico e periculosidade ambiental I – altamente perigoso ao meio ambiente.
No uso apenas domiciliar o mais utilizado é o Roundup, com cerca de 68,2% e no uso domiciliar mais pasto também é Roundup, com 46,2% seguido de Tordon com 38,5%
que é um herbicida seletivo e sistêmico, seu tipo de formulação é solução aquosa concentrada. Possui classe toxicológica I – altamente tóxico e periculosidade ambiental III – perigoso ao meio ambiente.
5.1.1.8 Épocas de aplicação
A Figura 15 apresenta as épocas de aplicação de agrotóxicos por grupos amostrais.
Figura 15 - Épocas de aplicação dos agrotóxicos entre os entrevistados no Município de Camboriú, SC.
De acordo com a Figura 15 é possível observar que a maior parte dos usuários aplica agrotóxicos durante o ano todo, principalmente os usuários de uso apenas domiciliar, com 94,4% e domiciliar mais pasto com 83,3%. No verão é mais intenso o uso de agrotóxicos pelos olericultores, com 30% de uso nesse período. No inverno é quando menos se usa agrotóxicos entre os usuários, apenas 10% dos produtores de hortaliças que utilizam.
A rizicultura possui um padrão bem definido de época de uso, sendo que todos os 100,0
50,0
30,0
10,0 10,0
94,4
5,6 83,3
16,7
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
ano todo verão inverno ago/set/out/nov corretivo
Percentual (%)
Épocas do ano
Épocas de aplicação
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
entrevistados aplicam agrotóxicos nos meses de agosto, setembro, outubro e novembro, pois a aplicação geralmente começa a ser feita 30 dias após o plantio do arroz. No caso de uso corretivo, apenas quando se faz realmente necessário, cerca de 10% dos olericultores aplicam. É importante saber a época de aplicação de cada grupo amostral para se ter uma ideia de quando os produtos serão usados e acontecerá a geração de embalagens vazias, sendo armazenadas na propriedade e também um tempo antes do ao período de aplicação é feita a compra de agrotóxicos, onde geralmente os usuários aproveitam para devolver as embalagens.
5.1.1.9 Utilização de EPI (Equipamento de Proteção Individual)
A Figura 16 apresenta os grupos amostrais segundo a utilização de EPI. Os que utilizam o EPI completo compreendem a utilização de luvas, respiradores, viseira facial, jaleco, calça hidro-repelente, boné ou toca árabe, avental e botas, os que utilizam apenas alguns itens, em sua maioria máscara e luva, sendo os de uso parcial, os que não utilizam nenhum tipo de EPI e os que não utilizam apenas em dias quentes. O EPI deve conter o número do certificado de aprovação emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O uso de EPI previne a contaminação do usuário por via nasal, oral, ocular e dérmica.
Figura 16 - Utilização de EPI pelos usuários de agrotóxicos entrevistados no Município de Camboriú, SC.
De acordo com a Figura 16, a maioria dos rizicultores relatou que utiliza o EPI completo, cerca de 45,5% do total, seguido de 31,8% que utiliza parcial e 22,7% que apenas
45,5 50,0
11,1 31,8
40,0
72,2
100,0
10,0 16,7
22,7
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Rizicultura Olericultura Domiciliar Domiciliar + Pasto
Percentual (%)
Grupos amostrais
Utilização de EPI
completo parcial nenhum em dias quentes não