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Empreendedorismo: Conceito e características

No documento Leslie Digner.pdf - Univali (páginas 30-36)

A  criação  de  negócios  e  a existência de  indivíduos dispostos  aos  riscos  de  empreender  é  um  dos  pilares  do  desenvolvimento  econômico.  Compreender,  descrever  e  analisar  o  fenômeno  do  empreendedorismo  é,  portanto,  fundamental  para o desempenho de ações de promoção do progresso e do bem­estar. 

O  conceito  de  empreendedorismo  teve  sua  origem  no  final  do  século  XVII,  cuja  ação  se  constituía  no  ato  de  fazer  qualquer  coisa.  Já  no  século  XX,  os  empreendedores  eram  os  grandes  empresários  do  setor  automobilístico  tais  como  Ford,  Peugeot,  Cabury.  Uma  palavra  com  interpretação  ampla,  porém  com  significado  cientifica  ainda  indefinido.  A  palavra  do  verbo  francês  entreprender,  denomina  o  empreender,  ou  entrepreneur,  que  significa  empreendedor,  segundo  Donabela (1999). Logo, empreendedorismo, segundo o autor (op. cit.): 

É uma livre tradução que se faz da palavra entrepreneursship. Designa uma  área  de  grande  abrangência  e  trata  de  outros  temas,  além  da  criação  de  empresas:  geração  de  auto­emprego  (trabalhador  autônomo); 

empreendedorismo  comunitário  (como  as  comunidades  empreendem); 

intra­empreendedorismo  (o  empregado  empreendedor);  políticas  gorvenamentais para o setor) (DONABELA, 1999, p.29). 

O empreendedorismo se forma segundo Hisrich e Peters (2004, p.29) para a 

“criação  de  algo  novo  dedicando  tempo  e  o  esforço  necessário,  assumindo  riscos  financeiros,  psíquicos  e  sociais  correspondentes  e  recebendo  as  conseqüentes  recompensas  da  satisfação  e  independência  econômica  e  pessoal”.  Já  Venturi; 

Lenzi  (2003),  alega  que  o  empreendedorismo  é  tido, como  um  comportamento,  ou  até mesmo uma atitude pessoal para iniciar uma ação ou um processo, que poderá

desenvolver um  conjunto  de  atividades na  busca constante  de  resultados  positivos  para si mesmo e criando valor para a organização, na qual esta inserido. 

Em síntese, embasando­se ainda em Dolabela (1999) o empreendedorismo  tem  sua  linhagem  da  palavra  entrepeurschip  e  foi  criado  para  indicar  os  estudos  relativos ao empreendedor, seu perfil, as suas origem, seus princípios de atividades,  e a natureza de atuação. 

Para  um  maior  discernimento  do  movimento  empreendedor,  recorre­se  ao  trabalho  de  Colbari  (2007),  “A  retórica  do  empreendedorismo  e  a  formação  para  o  trabalho na sociedade brasileira”. 

Presença  constante  nos  meios  de  comunicação,  o  discurso  atual  sobre  o  empreendedorismo  abrange  uma  área  grande  de  atuação  e  assume  múltiplos  significados.  Pode  ser  identificado  em  várias  situações:  no  trabalho  por  conta  própria;  na  atividade  empresarial  bem  sucedida;  na  dimensão  empreendedora  do  trabalhador  assalariado;  e  na  afirmação  de  uma  liderança  no  local  de  trabalho,  na  comunidade (empreendedorismo comunitário) e na gestão pública. 

Trata­se de uma força social desencadeada por comportamentos, atitudes e  valores  que  conduzem  à  inovação,  à  mudança,  potencializando  a  geração  de  riqueza e a ação transformadora das condições sociais e políticas. 

Conforme  Lopez­Ruiz  (2007),  no  registro  clássico,  o  empreendedorismo  aparece como fenômeno cultural que expressa hábitos, práticas e valores, referindo­ 

se  inicialmente  a  um  sujeito,  mas  depois  se  deslocando  para  a  organização. 

Segundo  esse  autor,  a  função  empresarial  se  torna  independente  de  uma  pessoa  física,  podendo  ser  empreendedor  um  sujeito  coletivo,  ou  uma  forma  cooperativa,  como o Estado ou outras organizações. 

Prossegue  o  autor  Lopez­Ruiz  (2007),  afirmando  que  na  vertente  da  economia, associou os empreendedores à personificação da força do novo traduzida  na  capacidade  de  imaginar  e  no  espírito  inovador  (destruição  criadora).  A  elaboração  e  a  execução  de  novas  combinações  produtivas  faz  deles  agentes  desencadeadores  de  mudanças  (pela  introdução  de  novos  produtos  e  serviços,  criação de novos métodos de produção e formas de organização, ou exploração de  novos  recursos,  novos  materiais  e  novos  mercados)  que  alavancam  o  desenvolvimento econômico. 

No ângulo da gestão, entre os autores contemporâneos, destaca­se Drucker  (1991)  que  associa  a  dinâmica  organizacional  empreendedora  ao  conhecimento,  à

tecnologia  e  à  capacidade  de  inovar  e  de  lidar  com  a  incerteza.  Para  o  autor  (op. 

cit.), o empreendedor sempre busca a mudança, reage diante dela e a converte em  uma  oportunidade.  Sendo  assim,  a  essência  do  espírito  empreendedor  não  se  realiza, necessariamente, no ato de criar uma nova empresa, no exercício da função  de proprietário­gerente ou de empregador; ela reside na postura assumida diante da  mudança, da novidade e do incerto. 

Frente ao contexto, Pamplona (2001) ressalta que é pertinente indagar sobre  o  que  há  de  novo  na  retórica  recente  a  respeito  do  empreendedorismo,  freqüentemente apresentado como desdobramento do novo paradigma produtivo ou  como  solução  para  as  crises  do  mercado  de  trabalho:  ora  como  um  fenômeno  promissor que  impulsiona  o  progresso econômico,  ora como  estratégia  meramente  defensiva  diante  da  crise  do  assalariamento.  Aparece  associado  tanto  ao  perfil  de  competências  das  empresas  quanto  ao  trabalho  por  conta  própria  e  ao  pequeno  negócio, cujo retorno no cenário econômico e social contraria correntes opostas do  pensamento econômico – a abordagem neoclássica e a marxista – que apontavam o  caráter  declinante  desses  fenômenos  em  decorrência  do  predomínio  da  grande  corporação capitalista. 

Prossegue  o  autor  (op.  cit.)  comentando  que  a  flexibilidade  –  associada  à  desverticalização  e  à  terceirização  que  acompanham  os  processos  de  reestruturação  produtiva  e  sustentam  a  organização  em  rede  e  as  cadeias  produtivas – tem contribuído para o deslocamento dos empregos para as pequenas  e  médias  empresas  e  para  a  emergência  de  uma  pluralidade  de  tipos  de  vínculo  entre  unidades  de  produção,  bem  como  entre  contratadores/compradores  e  empregados/prestadores de serviços. A subcontratação envolve tanto empresas de  diferentes portes quanto indivíduos inseridos em diversas formas de trabalho, sendo  uma delas o trabalho autônomo. 

Aqui,  considera­se  pertinente  ressaltar  Krein  (2001)  o  qual  cita  que  o  auto­ 

emprego tem sido um fenômeno relevante na história econômica da América Latina  e  o  Brasil  não  foge  à  regra,  pois  sua  incidência  recuou  com  a  aceleração  da  industrialização,  até  aproximadamente  a  década  de  60  e  70,  e  cresceu  significativamente a partir dos anos 90. 

Prosseguindo com Colbari (2007), a mesma afirma que contraditoriamente à  evidência  de  que  as  atividades  empreendedoras  foram  e  continuam  sendo  a  força  matriz  da  sociedade  ocidental,  a  alta  taxa  de  empreendedorismo  é  um  indicador

pouco alvissareiro; caracteriza os países mais pobres, onde fatores demográficos e  econômicos  – a não estabilização do crescimento populacional e a carência de um  patamar  razoável  de  afluência  –  fomentam  os  negócios  motivados  tanto  pela  percepção das oportunidades quanto pela necessidade de sobrevivência. 

Complementando, o contexto acima, Gem (2003) menciona que, além disso,  no Brasil, ainda é muito significativa a taxa de empreendedorismo por necessidade,  ou seja, as pessoas enveredaram por esse caminho empurradas pelas adversidades  da  pobreza  e  pela  falta  de  alternativa  no  mercado  formal  de  trabalho,  e  não  motivados pela identificação de oportunidades, de uma vocação para o mundo dos  negócios.  Reconhecer  a  necessidade  como  fator  impulsionador  do  empreendedorismo, não significa negar que, em algumas situações, necessidade e  oportunidade  podem  caminhar  passo  a  passo  na  definição  de  uma  carreira  empresarial, o que é mais freqüente entre os segmentos portadores de capital e de  conhecimento, sobretudo quando direcionado aos setores de tecnologia de ponta. 

Porém,  segundo  o  autor  (op.  cit.),  essa  não  é  a  regra:  a  maior  parte  dos  empreendimentos  mantém­se  voltada  para  produtos  e  serviços  tradicionais  com  nenhum ou pequeno potencial de expansão de mercado, enquanto nos países mais  ricos  são  significativos  os  empreendimentos  de  alta  expansão  tecnológica  e  de  mercado e com impactos na geração de emprego e no comércio internacional. 

Deve­se  ainda  ressaltar  que  de  acordo  com  estudo  realizado,  ou  seja,  a  pesquisa  de  fonte  bibliográfica  para  a  realização  do  presente  estudo,  constatou­se  que  o  fato  de  o  empreendedorismo  estar  se  tornando  matéria  curricular  nos  diferentes  níveis  de  ensino  (fundamental,  médio  e  superior)  é  mais  um  dos  sinais  das  mudanças  no  cenário  econômico  que  repercutem  na  socialização  para  a  atividade profissional (GEM, 2003). 

Portanto,  nos  estudos  e  pesquisas  realizados  sobre  o  fenômeno  do  empreendedorismo  observa­se  que  não  há  consenso  entre  os  estudiosos  e  pesquisadores a respeito da exata definição do conceito de empreendedor. Segundo  alguns  autores,  as  dificuldades  encontradas  para  o  estabelecimento  desta  conceituação são  decorrentes  de concepções  errôneas  postuladas,  principalmente,  pela mídia e o senso comum que, obscurecem e distorcem alguns conceitos. 

No  entanto,  após  o  breve  estudo  do  tema  empreendedorismo,  pode­se  constatar  o  quanto  o  mesmo  é  importante  para  todo  o  crescimento  e  desenvolvimento  do  país,  pois, sendo o  empreendedor  uma  pessoa  observadora  e

criativa,  nascem  dele  as  principais  idéias  que  serão  colocadas  em  prática,  e  que  permitirão o progresso empresarial. 

2.3.1 Perfil do empreendedor 

A  existência  de  indivíduos conhecidos como  empreendedores é  a condição  básica para o surgimento de novos empreendimentos, visto serem considerados os  agentes  responsáveis  pelo  desencadeamento  e  condução  do  processo  de  criação  de  unidades  produtivas,  os  quais  através  de  sua  ação  inovam  e  desenvolvem  o  universo empresarial permitindo, que o fluxo e desenvolvimento da economia sejam  incentivados. 

Para  Dolabela  (1999)  os  empreendedores são  pessoas motivadas capazes  de transformarem um sonho, uma dificuldade ou uma oportunidade de negócios em  um  empreendimento  viável.  Salienta  ainda  o  autor  (op.  cit.,  p.44)  que  o  empreendedor  deve  ter  “uma  visão,  mas  não  só,  deve  saber  persuadir  terceiros,  sócios,  colaboradores,  investidores,  convencê­los  de  que  sua  visão  poderá  levar  todos a uma situação confortável no futuro”. 

Na visão de Chiavenato (2004, p. 5), o empreendedor é: 

A  pessoa  que  consegue  fazer  as  coisas  acontecerem,  pois  é  dotado  de  sensibilidade  para  os  negócios,  tino  financeiro  e  capacidade  de  identificar  oportunidades.  Transforma  idéias  em  realidade,  para  beneficio  próprio  e  para  beneficio  da  comunidade.  Por  ter  criatividade  e  um  alto  nível  de  energia,  o  empreendedor  demonstra  imaginação  e  perseverança,  aspectos  que,  combinados  adequadamente  o  habilitam  a  transformar  uma  idéia  simples e mal estruturada em algo concreto e bem sucedido no mercado. 

Outra  definição  a  ser  considerada  neste  estudo  é  a  de  Shumpeter  (1982,  apud  CHIAVENATO,  2004,  p.  5)  o  qual  caracteriza  o  empreendedor  como  “a  essência  da  inovação  no  mundo,  tornando  obsoletas  as  antigas  maneiras  de  fazer  negócios”. Retornando aos ensinamentos de Chiavenato (2004) o que caracteriza o  ímpeto  do  empreendedor  é  a  necessidade  de  realização  que  para  determinadas  pessoas  se  apresentam  de  forma  diferente.  Existem  pessoas  com  pouca  necessidade  de  realização  e  que  se  contentam  com  o  status  atual.  Contudo,  as  pessoas  com  alta  necessidade  de  realização  gostam  de  competir  com  o  certo  padrão  de  excelência  e  preferem  ser  pessoalmente  responsáveis  por  tarefas  e

objetivos  que  atribuíram  a  si  próprias.  A  auto  confiança  é  uma  característica  dos  empreendedores  de  sucesso  que  “são  pessoas  independentes  que  enxergam  os  problemas e acreditam em si mesmo para superá­las”. 

Embora nos estudos e pesquisas relacionados com o empreendededor haja  muitas diferenças e disparidades a respeito das exatas definições, pode­se perceber  que  há um  consenso entre  os  estudiosos de que,  o  que distingue o  empreendedor  das  outras  pessoas  é  a  maneira  como  este  percebe  a  mudança  e  lida  com  as  oportunidades. 

Segundo  Dornelas  (2001)  as  habilidades  requeridas  de  um  empreendedor  podem  ser  classificadas  em  três  áreas;  técnicas,  gerenciais  e  características  pessoais. As habilidades técnicas envolvem saber escrever, saber ouvir as pessoas,  captar  informações,  saber  liderar  e  trabalhar  em  equipe  e  possuir  um  know­how  técnico  em  sua  área  de  atuação.  As  habilidades  gerenciais  incluem  áreas  de  marketing,  administração,  finanças,  operacional  e  tomada  de  decisão.  As  características  pessoais  de  um  empreendedor  constituem­se  em  “ser  disciplinado,  assumir  riscos,  ser  inovador,  ser  orientado  a  mudanças,  ser  persistente  e  ser  um  líder excêntrico” (DORNELAS, 2001, p.40). 

Sendo  assim,  pode­se  afirmar  que  a  existência  desses  indivíduos  conhecidos como empreendedores é a condição básica para o surgimento de novos  empreendimentos.  Estes  são  os  agentes  responsáveis  pelo  desencadeamento  e  condução  do  processo  de  criação  de  unidades  produtivas.  Os  empreendedores  através de sua ação inovam e desenvolvem o universo empresarial permitindo, que  o fluxo e desenvolvimento da economia. 

De  acordo  com  McClelland  (1961,  apud  CHIAVENATO,  2004,  p.17)  as  principais  características  que  um  empreendedor  bem  sucedido  deve  possuir  ou  desenvolver  são  as:  Iniciativas  e  buscas  de  oportunidades,  perseverança,  comprometimento,  busca  de  qualidade  e  eficiência,  coragem  para  assumir  riscos,  fixação  de  metas  e  objetivos, busca  de  informação,  planejamento  e  monitoramento  sistemáticos,  capacidade  de  persuadir  e  de  estabelecer  redes  de  contatos,  independência, autonomia e controle. 

É fato que, se uma pessoa tem características e aptidões mais comumentes  encontradas  em  empreendedores  de  sucesso,  terá  melhores  condições  para  empreender,  por  isso  é  importante  conhecer  algumas  das  características  mais  marcantes  do  perfil  empreendedor,  pois  são  estas  características  pessoais  do

empreendedor que podem alavancar ou inviabilizar um projeto. 

Logo, para Leite (1991, p.130) as principais características são: 

§  A  capacidade  de  assumir  riscos,  o  empreendedor  não  tem  fracassos,  ele vê os "fracassos" como oportunidades de aprendizagem e segue em  frente; 

§  Auto­ Avaliação do seu potencial, crê no que faz. 

§  Decisão e responsabilidade, o empreendedor não fica esperando que os  outros decidam por ele. Ele toma decisões  e aceita a responsabilidade  que acarretam. 

§  Segurança,  a  segurança  que  o  empreendedor  dará  ao  seu  publico  é  aquela  baseada  na    racionalidade  e  profundidade  do  conhecimento  do  seu negócio. 

§  Ter  autonomia,autoconfiança,  otimismo,  necessidade  de  auto  –  realização e forte intuição. 

§  Ter  iniciativa,  fazer  acontecer  é  uma  atividade  que  requer  talento  e  esforço na busca de seus objetivos e metas a cumprir. 

§  E finalmente uma das mais importante delas, a criatividade. 

Leite (1991, p. 129) comenta que o empreendedor é aquele homem que não  precisa  sair  da  empresa  onde  se  encontra  para  montar  outro  negócio.  Orientado  para a ação, “transforma, através de sua visão global e seu espírito empreendedor,  um  produto  e/ou  serviço  em  uma  nova  área  de  negócios  dentro  de  sua  empresa  atual”. 

Porém,  apesar  de  muitas  vezes  a  maioria  dos  conceitos,  estudos  e  pesquisas  efetuados  sobre  empreendedores  refiram­se  a  área  de  negócios,  é  importante  frisar  que  este  deve  ser  vislumbrado  em  todos  os  ramos  de  atividade  humana como as artes, o esporte, a política, música, entre outras. 

No documento Leslie Digner.pdf - Univali (páginas 30-36)