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QUANDRO 13: Os princípios da DSI

3.4 O gari e o reconhecimento intersubjetivo

3.4.2 Esfera do direito

A esfera do direito é a esfera do reconhecimento jurídico. É o direito de ser reconhecido pelas normas do ordenamento jurídico. A primeira observação que constatamos com a pesquisa é a diferença de direitos entre os garis da SLU e da empresa KTM. A segunda é terceirizada e não paga os direitos como seguro de vida e quinquênio. O trabalhador terceirizado, de certa forma, possui uma série de direitos reduzidos. Já os garis da SLU não recebem cesta básica. Entendemos a falta reconhecimento no campo jurídico.

Constatamos que 63,40% dos garis não se sentem reconhecidos pelo Estado. O governo se insere na esfera do âmbito jurídico. Esse fato representa para os garis, as condições de salário, estudo e moradia. O salário não atinge a sobrevivência digna em suas vidas. Por exemplo, é a constatação de que 70% dos garis não possuem casa própria. A pesquisa demonstrou que 53,3% acreditam que o salário não é justo e 80% dos garis pagam aluguel.

Os garis afirmaram que possuem o sindicato que luta pelos interesses da categoria. O sindicato é uma instituição legal com reconhecimento internacional e nacional nos ordenamentos jurídicos. A convenção nº 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) defende a liberdade sindical e a proteção do direito sindical. Declara em seu artigo 2º:

Os trabalhadores e as entidades patronais, sem distinção de qualquer espécie, têm o direito, sem autorização prévia, de constituírem organizações da sua escolha, assim como o de se filiarem nessas organizações, com a única condição de se conformarem com os estatutos destas últimas.

A OIT protege a liberdade sindical e a proteção do direito sindical. É um direito internacional que visa à proteção dos interesses dos trabalhadores e dos patrões. O sindicato é

base da mediação legal para debater sobre os direitos trabalhistas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) declara em se artigo 23º: “Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses”.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos defende o direito ao trabalho, condições equitativas e satisfatórias, proteção contra o desemprego, igualdade de salário por igual valor, a sobrevivência digna da família e por fim, a pessoa tem o direito de fundar sindicatos e de filiar-se em defesa dos seus direitos. A Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) brasileira, afirma o seguinte a respeito do sindicato nos artigos 511º e 513º respectivamente:

Art. 511. É lícita a associação para fins de estudo, defesa e coordenação dos seus interesses econômicos ou profissionais de todos os que, como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos, ou profissionais liberais, exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou profissão ou atividades ou profissões similares ou conexas.

Art. 513. São prerrogativas dos Sindicatos:

a) representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias, os interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou os interesses individuais dos associados relativos à atividade ou profissão exercida;

b) celebrar contratos coletivos de trabalho;

c) eleger ou designar os representantes da respectiva categoria ou profissão liberal;

d) colaborar com o Estado, como órgãos técnicos e consultivos, no estudo e solução de problemas que se relacionam com a respectiva categoria ou profissão liberal;

e) impor contribuições a todos aqueles que participam das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas.

Parágrafo único. Os Sindicatos de empregados terão, outrossim, a prerrogativa de fundar e manter agências de colocação.

A CLT protege a associação sindical voltada aos interesses econômicos e profissionais dos empregados e empregadores. Apresenta as prerrogativas dos sindicatos na defesa do trabalhador, a celebração de contratos coletivos de trabalho, colaboração com o Estado na solução de conflitos relacionados à categoria. Por fim, a Constituição Federal de 1988 afirma em seu Artigo 8º, inciso III: “É livre a associação profissional ou sindical [...] III – ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”.

O sindicato é a via legal de luta por reconhecimento no âmbito jurídico para os garis em relação aos seus direitos e respeito à profissão e ao trabalho que realizam. A pesquisa constatou que 10% não recebem equipamentos para o exercício da profissão. O trabalhador deve ser munido de equipamentos devidos ao exercício da profissão, é uma forma de proteção

à saúde do profissional. O sindicato é a mediação para os garis exigirem o cumprimento da lei e o respeito à dignidade do trabalhador.

O primeiro fato do reconhecimento dos garis refere-se à profissão por meio da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). O CBO é o número 5142 que se refere aos

“Trabalhadores nos serviços de coleta de resíduos, de limpeza e conservação de áreas públicas”. A partir daí, temos quatro categorias: 5142-05 - Coletor de lixo domiciliar, Agente de coleta de lixo, Coletor de lixo, Lixeiro; 5142-15 - Varredor de rua, Gari, Margarida; 5142- 25 - Trabalhador de serviços de limpeza e conservação de áreas públicas; 5142-30 - Coletor de resíduos sólidos de serviços de saúde, Coletor de lixo hospitalar, Coletor de resíduos de saúde, Coletor de resíduos hospitalares.18 Em síntese, os garis são:

os trabalhadores nos serviços de coleta de resíduos, de limpeza e conservação de áreas públicas coletam resíduos domiciliares, resíduos sólidos de serviços de saúde e resíduos coletados nos serviços de limpeza e conservação de áreas públicas. Preservam as vias públicas, varrendo calçadas, sarjetas e calçadões, acondicionando o lixo para que seja coletado e encaminhado para o aterro sanitário. Conservam as áreas públicas lavando- as, pintando guias, postes, viadutos, muretas e etc. Zelam pela segurança das pessoas sinalizando e isolando áreas de risco e de trabalho. Trabalham com segurança, utilizando equipamento de proteção individual e promovendo a segurança individual e da equipe.19

Compreendemos que somente o reconhecimento legal da profissão não qualifica o reconhecimento intersubjetivo do gari. A dimensão jurídica defende a integridade do sujeito e sua dignidade humana. O trabalho do gari não deve ser desqualificado e menosprezado.20 É um trabalho que possui sua importância e o seu valor social, econômico, cultural e ecológico.

Os garis possuem o direito de aposentar com 25 anos de atividade.21 O argumento se baseia no exercício de uma profissão insalubre. Muitos garis não sabem do referido direito e a

18 MINISTÉRIO DO TRABALHO. CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES. Disponível em:

<http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTituloA-Z.jsf>. Acesso em: 19 dez. 2017.

19 Idem.

20 Os garis exercem uma atividade insalubre e de risco porque estão expostos a poeiras, ruídos excessivos, fumaça e diversidade de agentes biológicos presentes no material recolhido, responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças. Por meio da Portaria/MTE nº 3.214/78, NR 15, anexo 14, assegura o adicional de insalubridade, no grau máximo, para o trabalho exercido pelos garis em contato permanente com lixo urbano (coleta e industrialização). O referido anexo não distingue o lixo coletado pelos garis que trabalham em caminhões e usinas de processamento daquele proveniente da varrição de rua. No entendimento de alguns julgados, tanto os garis que estão na varrição de ruas quanto os que trabalham na coleta ou industrialização estão expostos a uma série de riscos à saúde e, portanto, todos possuem o direito ao adicional de insalubridade integral

21 Muitos garis acabam se aposentando com 35 anos de trabalho. Ressaltamos que, “para ter direito à aposentadoria especial, o trabalhador deverá comprovar junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) 25 anos de atividade permanente, não ocasional nem intermitente”. In: PROJETO DE APOSENTADORIA ESPECIAL PARA GARIS AGUARDA VOTAÇÃO EM PLENÁRIO. Disponível em: <

maioria das empresas de serviço de limpeza urbanas são terceirizadas e se furtam à devida orientação aos trabalhadores.22

O gari deverá comprovar a exposição aos agentes químicos. Apesar do trabalho do gari ser nocivo à saúde, não é oficialmente considerado insalubre. O direito à aposentadoria aos 25 anos de serviço não é reconhecido pelo INSS. Os garis têm de recorrer à Justiça e precisam apresentar laudo da empresa para comprovar a efetiva exposição ao risco.23 Para o referido reconhecimento previdenciário, os garis devem lutar por reconhecimento na justiça de que exercem uma profissão insalubre, inclusive os que trabalham na varrição das ruas.

Atualmente, os garis possuem uma jornada de trabalho até de oito horas diárias de atividade laboral.24 O PL se justifica pelas condições adversas do trabalho que o gari realiza.

O objetivo da diminuição da carga horária de trabalho de 8 horas para 6 horas visa resguardar a saúde dos trabalhadores.

Os garis, enquanto categoria trabalhadora possui o direito jurídico à filiação sindical.25 A Constituição Federal de 1988 defende a livre associação sindical e afirma no Artigo 8º, https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/07/23/projeto-de-aposentadoria-especial-para-garis-

aguarda-votacao-em-plenario>. Acesso em: 20 dez. 2017.

22 “Centenas de prefeituras municipais em todo o Brasil repassam a concessão da limpeza urbana para empresas privadas, que se furtam de pagar o adicional de insalubridade por entender que o gari não se expõe a risco biológico ou de contaminação. Com isso, o patrão também deixa de fornecer o Perfil Profissiográfico”.

Disponível em: <http://blogs.diariodepernambuco.com.br/espacodaprevidencia/gari-tem-direito-a-aposentadoria- com-25-anos/>. Acesso em: 20 dez. 2017. In: GARI TEM DIREITO RECONEHCIDO A ADICIONAL DE

INSALUBRIDADE EM GRAUL MÁXIMO. Disponível em: <

http://manualdotrabalhador.blogspot.com.br/2013/11/gari-tem-reconhecido-direito-adicional.html>. Acesso em:

19 dez. 2017; GARI TEM DIREITO A GRAU MÁXIMO DE INSALUBRIDADE. Disponível em:

<http://www.trt18.jus.br/portal/noticias/gari-tem-direito-a-grau-maximo-de-insalubridade/>. Acesso em: 19 dez.

2017.

23 Idem.

24 A Câmara dos Deputados Federal aprovou (02/04/2014) por meio da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo, proposta que estabelece carga de trabalho de seis horas diárias e 36 semanais para garis e motoristas de veículos coletores de lixo. A medida está prevista no Projeto de Lei 1590/11, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/43). In: CÂMARA APROVA JORNADA

DE SEIS HORAS PARA GARIS. Disponível em: <

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/465108-CAMARA- APROVA-JORNADA-DE-SEIS-HORAS-PARA-GARIS.html>. Acesso em: 21 dez. 2017.

25 Na cidade de Belo Horizonte, a representação dos garis é realizada pelo Sindicatodos Servidores Públicos, Municipais de Belo Horizonte (SINDIBEL) e pelo Sindicato dos Empregados em Edifícios e Condomínios, Empresas de Prestação de Serviços em Asseio, Conservação, Higienização, Desinsetização, Portaria, Vigia e dos Cabineiros de Belo Horizonte (SINDEAC). In: “O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (SINDIBEL) é uma entidade autônoma, desvinculada do Poder Público e sem fins lucrativos, que objetiva a defesa, coordenação e representação legal da categoria dos servidores e empregados públicos municipais de Belo Horizonte. É o maior sindicato de servidores públicos municipais de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil, com cerca de 8 mil trabalhadores filiados atualmente. O SINDIBEL é o sindicato geral dos servidores da Prefeitura de Belo Horizonte, composto por várias categorias que têm um patrão em comum: o prefeito. Por isso, é fundamental que todas as categorias estejam unificadas no SINDIBEL, para que o enfrentamento seja cada vez mais forte. A direção atual, que assumiu o SINDIBEL em 2014 e fica até o final de 2017, não tem qualquer ligação com governos, partidos políticos ou correntes ideológicas a única bandeira é a dos servidores públicos. As decisões do Sindicato são tomadas de modo aberto e democrático, sempre com

inciso III: “ao sindicato cabe à defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”.

O SINDIBEL26 é o sindicato que representa os garis que trabalham na Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), fundado em 19 de outubro de 1988. A SLU é uma autarquia da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, que vem sofrendo o processo de terceirização e precarização das condições de trabalho e, atualmente, mais de 80% está sob a direção de empreiteiras.

O sindicato é uma forma legítima de luta por reconhecimento. A centralidade dos sindicatos é a defesa da dignidade do trabalho e da vida dos trabalhadores. Por meio dos sindicatos os trabalhadores são representados frente ao sindicato patronal visando às políticas de negociação salarial e de direitos, conforme a CLT e a Constituição Federal.

O SINDEAC27 é o sindicato que representa os garis terceirizados que trabalham na Empresa KTM Engenharia. O seu objetivo é lutar em defesa e valorização do “profissional e a profissão nas categorias que fazem parte da instituição junto às autoridades, às entidades patronais e a sociedade”.28 A instituição está sempre atenta e disposta “a sair a campo na

ampla divulgação, participação e debate com a base. Os próprios servidores, inclusive, é que decidiram pela filiação do SINDIBEL à central sindical e federação”. Disponível em: < http://sindibel.com.br/quem-somos/>.

Acesso em: 21 dez. 2017.

26“O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte nasceu à luz da Constituição Federal de 1988, a chamada “Constituição Cidadã”, responsável pela conquista de importantes direitos trabalhistas e sociais aos brasileiros. Entre eles, o direito de sindicalização aos servidores públicos de todo o país. Neste contexto de efervescência política, luta e mobilização social, trabalhadores de diversas categorias do funcionalismo municipal se uniram para formar um Sindicato amplo, plural e democrático; capaz de representar todos os servidores e empregados públicos da Prefeitura de Belo Horizonte. Surge então, em 1988, o SINDIBEL:

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte. Nestes quase 30 anos de luta, o SINDIBEL sempre ao lado dos servidores municipais – conquistou inúmeras melhorias e avanços para os trabalhadores da capital, como planos de carreira, reajustes salariais, melhorias das condições de trabalho, direitos trabalhistas e concursos públicos; realizando greves e mobilizações que ajudaram a construir a história do sindicalismo mineiro e nacional”. Disponível em: < http://sindibel.com.br/historico/>. Acesso em: 21 dez. 2017; O Estatuto do SINDIBEL afirma em seu 2º Artigo: I – unir toda a categoria na luta em defesa de seus interesses e direitos. II estimular a organização da categoria nos locais de trabalho. III desenvolver atividades na busca de soluções para os problemas a categoria, tendo em vista a melhoria de suas condições de vida e trabalho. IV – promover a solidariedade entre as demais categorias de trabalhadores, procurando elevar sua unidade e prestando apoio aos povos na luta pelo fim da exploração do homem pelo homem [...].

27 A história do SINDEAC é respaldada pelo crescimento de uma instituição que começou pequena e sem pretensões e que se tornou um dos mais estruturados e mais produtivos sindicatos de todo o Brasil, com 30 mil associados. Nos primeiros tempos, o SINDEAC chegou a funcionar em uma acanhada salinha no centro da cidade e conviveu até com aluguéis atrasados. Mas o tempo passou e, graças ao esforço da diretoria e a participação dos associados, a entidade não para de crescer e de oferecer benefícios aos trabalhadores de Asseio e Conservação, Condomínios e Limpeza Urbana de Belo Horizonte e região. Instalado em ampla e moderna sede própria no bairro Prado, o sindicato oferece serviços como assistência jurídica, orientação, fiscalização de condições de trabalho, negociações coletivas e tudo que se fizer necessário para a defesa dos profissionais e das profissões. Disponível em: <http://sindeac.org.br/nossa-luta/>. Acesso em: 21 dez. 2017.

28 LUTA SINDICAL. Disponível em: < http://sindeac.org.br/nossa-luta/>. Acesso em: 21 dez. 2017.

defesa e na valorização de cada categoria, garantindo que os benefícios sejam para todos os trabalhadores associados”.29

Na luta por reconhecimento, os garis têm o apoio e a participação dos seus respectivos sindicatos. A luta dos sindicatos está relacionada à justiça social. O trabalho e as condições laborais são direitos dos trabalhadores. Os garis contam também com a fiscalização e o apoio da Superintendência Regional do Trabalho,30 que em 2016, proibiu que os trabalhadores permanecessem na traseira dos caminhões.

A Superintendência Regional do Trabalho lavrou aproximadamente 100 autos de infração por descumprimentos da legislação trabalhista e de segurança e saúde no trabalho: a falta de realização de exames médicos; a ausência de elaboração de Análise Ergonômica do Trabalho; falta de treinamento; instalações sanitárias nas garagens em condições precárias de higiene e limpeza; horas extras além do limite legal; trabalho em domingos e feriados sem autorização; a falta de comunicação de acidente de trabalho à Previdência Social;

fornecimento de equipamentos de proteção individual inadequados; elevado índice de afastamento dos trabalhadores; e muitos caminhões estão com pneus carecas e fora dos padrões de segurança.31

A luta dos garis por reconhecimento em Belo Horizonte é um processo constante.

Citamos a seguir, alguns exemplos da mobilização dos garis pelo reconhecimento da dignidade do trabalho e de suas vidas. Em 24/04/2014, os garis se manifestam no centro de Belo Horizonte, visando melhorias das condições de trabalho e salariais. A reinvindicação se dava pelos seguintes motivos: garis trabalhando com botas rasgadas, luvas rasgadas, aumento salarial de R$ 960,00 para R$ 1,5 mil reavaliação da política de tíquetes-alimentação e plano de saúde familiar.32

29 Idem.

30 A Superintendência Regional do Trabalho lavrou aproximadamente 100 autos de infração por descumprimentos da legislação trabalhista e de segurança e saúde no trabalho: a falta de realização de exames médicos; a ausência de elaboração de Análise Ergonômica do Trabalho; falta de treinamento; instalações sanitárias nas garagens em condições precárias de higiene e limpeza; horas extras além do limite legal; trabalho em domingos e feriados sem autorização; a falta de comunicação de acidente de trabalho à Previdência Social;

fornecimento de equipamentos de proteção individual inadequados; elevado índice de afastamento dos trabalhadores; e muitos caminhões estão com pneus carecas e fora dos padrões de segurança. In:

SUPERINTENDÊNCIA PROÍBE GARIS NA TRASEIRA DE CAMINHÕES EM BH. Disponível em: <

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2016/11/superintendencia-do-trabalho-proibe-garis-na-traseira-de- caminhoes-em-bh.html>. Acesso em: 21 dez. 2017.

31 Idem.

32 GARIS TERCEIRIZADOS SE MANIFESTAM NO CENTRO DE BELO HORIZONTE. Disponível em: <

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2014/04/garis-terceirizados-se-manifestam-no-centro-de-belo- horizonte.html>. Acesso em: 21 dez. 2017.

O reconhecimento na esfera do direito proporciona ao indivíduo autorrespeito e integridade social. As relações jurídicas proporciona a inclusão da pessoa no âmbito social. O direito reconhece que todas as pessoas são iguais perante a lei. O sujeito deve ser tratado um fim em si mesmo e não como meio. A esfera jurídica reconhece o princípio da dignidade humana. Todo gari deve ser reconhecido e tratado com respeito pelo Estado, pela empresa e pela sociedade. A falta de reconhecimento jurídico provoca a exclusão social de uma série de direitos: a moradia, a educação e o lazer. Esses são direitos básicos garantidos pela Constituição Federal de 1988.

No documento “TRABALHO E RECONHECIMENTO INTERSUBJETIVO” (páginas 151-157)