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Como já mencionado no item 3.4.1 a fase externa do Pregão tem início com a publicação do edital. É a partir desse momento que as empresas tomam conhecimento das Licitações públicas e analisam as peculiaridades exigidas para a participação no certame.

Como bem assevera Justem Filho (2005, p. 271), “as regras do Regulamento do Pregão Eletrônico são basicamente as mesmas já contempladas no Regulamento do Pregão Comum, que explicitam as normas da Lei n° 8.666/93.”

No que concerne a publicação do edital ao analisar o artigo 17, do Decreto Federal nº 5.450/05 em comparação com o artigo 11, do Decreto Federal nº 3.555/00, a única diferença que se verifica é com relação aos valores. Ou seja, cada Decreto, estipulou valores próprios a serem observados em cada publicação de edital, porém manteve-se as mesmas exigências de publicação. (GASPARINI, 2006).

Art.17.A fase externa do pregão, na forma eletrônica, será iniciada com a convocação dos interessados por meio de publicação de aviso, observados os valores estimados para contratação e os meios de divulgação a seguir indicados:

I - até R$ 650.000,00 (seiscentos e cinqüenta mil reais):

a) Diário Oficial da União; e b) meio eletrônico, na internet;

II - acima de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinqüenta mil reais) até R$

1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais):

a) Diário Oficial da União;

b) meio eletrônico, na internet; e c) jornal de grande circulação local;

III - superiores a R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais):

a) Diário Oficial da União;

b) meio eletrônico, na internet; e

c) jornal de grande circulação regional ou nacional

Outra diferença com relação ao edital em comparação com o Pregão Presencial é em relação à impugnação. O Decreto Federal nº 5.450/05, prevê em seu artigo 18 o prazo de dois dias úteis antes da data previstas para abertura das propostas para

impugnar o edital. A Lei nº 10.520/02, bem como o Decreto Federal nº 3.555/00, não faz qualquer menção sobre a impugnação. Desta forma, aplica-se subsidiariamente a regra da Lei nº 8.666/93, que prevê no § 1º do artigo 41 o prazo de até cinco dias úteis da data previstas para abertura da Licitação. Assim a criação de um novo prazo mediante Decreto é ilegal, bem como é ilegal o §1º do artigo 18 do Decreto Federal nº 5.450/05, que prevê o prazo de vinte e quatro horas para que o pregoeiro decida sobre a impugnação. Novamente a Lei nº 10.520/02 não fez qualquer menção sobre tal prazo, devendo aplicar subsidiariamente a Lei nº 8.666/93, porquanto na sistemática dela, não é o pregoeiro (comissão de Licitação), quem responde a impugnação, mas sim a autoridade competente, somente ela agrega poderes para fazer, uma vez que foi ela quem fez o edital. Ressalta-se ainda que a Lei nº 8.666/93 não traz prazo estabelecido para responder a impugnação. (NILEBUHR, 2005).

Com relação ao conteúdo do edital, prazo de publicidade dos avisos de editais, nas alterações do edital adota-se os mesmos procedimentos do Pregão Presencial já analisados no item 3.3.2 e 3.4.1.

4.3.1 Credenciamento

O Decreto Federal nº 5.450/05 regulamentou em seu artigo 3º a forma de credenciamento no Pregão Eletrônico que dispõe:

Art. 3º Deverão ser previamente credenciados perante o provedor do sistema eletrônico a autoridade competente do órgão promotor da licitação, o pregoeiro, os membros da equipe de apoio e os licitantes que participam do pregão na forma eletrônica.

§ 1º O credenciamento dar-se-á pela atribuição de chave de identificação e de senha, pessoal e intransferível, para acesso ao sistema eletrônico.

§ 2º No caso de pregão promovido por órgão integrante do SISG, o credenciamento do licitante, bem assim a sua manutenção, dependerá de registro atualizado no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores - SICAF.

§ 3º A chave de identificação e a senha poderão ser utilizadas em qualquer pregão na forma eletrônica, salvo quando cancelada por

solicitação do credenciado ou em virtude de seu descadastramento perante o SICAF.

§ 4º A perda da senha ou a quebra de sigilo deverá ser comunicada imediatamente ao provedor do sistema, para imediato bloqueio de acesso.

§ 5º O uso da senha de acesso pelo licitante é de sua responsabilidade exclusiva, incluindo qualquer transação efetuada diretamente ou por seu representante, não cabendo ao provedor do sistema ou ao órgão promotor da licitação responsabilidade por eventuais danos decorrentes de uso indevido da senha, ainda que por terceiros.

§ 6º O credenciamento junto ao provedor do sistema implica a responsabilidade legal do licitante e a presunção de sua capacidade técnica para realização das transações inerentes ao pregão na forma eletrônica.

Verifica-se que o aludido artigo 3º do Decreto Federal n° 5.450/05, não trouxe deforma minuciosa os procedimentos atinentes ao credenciamento. Resumiu-se em dizer que as pessoas interessadas no certame, desde o pregoeiro, devem estar cadastrados no sistema de apoio eletrônico e que o credenciamento dar-se-á pela atribuição de chave de identificação e de senha, nada disse sobre os requisitos exigidos para o credenciamento.

Justem Filho (2005), acrescenta que em tese, o credenciamento prévio não pode funcionar como instrumento de restrição à participação do certame. Afinal, o credenciamento destina-se a verificar a identidade dos interessados e a assegurar a autenticidade dos atos posteriores. Neste sentido, busca-se apenas atestar por verdadeiros os atos praticados, bem como implica na integral responsabilidade pelos atos praticados por parte dos licitantes, bem como por parte da Administração Pública.

Tendo em vista, que o credenciamento, não se refere a habilitação, uma vez que esta é uma fase posterior e tendo o Decreto Federal silenciado quanto aos requisitos para cadastrar-se, as exigências devem ser mínimas,ou seja, suficientes para que os interessados possam participar do certame e atestar a autenticidade dos atos praticados.

Embora o Pregão Eletrônico possua peculiaridades diferenciadas em seu credenciamento, a de se destacar que o objetivo do credenciamento em ambas as modalidades de Pregão, é o mesmo, qual seja, atestar que os Licitantes são pessoas aptas a participar da Licitação e responder por todos os atos praticados.

Niebuhr (2006, p. 310), acrescenta:

[...] no Pregão Presencial, o não credenciamento não implica desclassificação do licitante ou não impede o licitante de participar do certame. Ele apenas não poderá oferecer lances orais e praticar outros atos que exijam intervenção na própria sessão. Sob outro ângulo, somente os credenciados conseguem participar do Pregão Eletrônico.

Sem o credenciamento, a pessoa sequer tem acesso ao oferecimento de lances: ela apenas tem condições de acompanhar o Pregão Eletrônico, como se fosse qualquer outro expectador, não participante da Licitação.

Diante do exposto, justifica-se a necessidade do credenciamento anterior a participação dos licitantes, uma vez que os lances são oferecidos virtualmente. Assim sem o credenciamento impossível será a participação na disputa, pois não se poderá ter nem mesmo a proposta inicial de lance.