3.4 FASE EXTERNA
3.4.4 Julgamento das Propostas
Uma das principais inovações do Pregão é a inversão de fases. Na Lei nº 8.666/93, o processo licitatório inicia-se com a habilitação dos proponentes. Já no Pregão, a primeira fase é a de abertura das propostas.
A fase de abertura das propostas antecede a fase de habilitação com objetivo de otimizar o processo de aquisição.
A legislação disciplinou qual o procedimento a ser adotado na fase do julgamento, a fim de viabilizar quais os participantes integrarão, a 2º fase, em seus incisos VIII e IV do artigo 4º da Lei nº 10.520/02:
Art. 4º [...]
VIII no curso da sessão, o autor da oferta de valor mais baixo e os das ofertas com preços até 10% (dez por cento) superiores àquela poderão fazer novos lances verbais e sucessivos, até a proclamação do vencedor;
IX - não havendo pelo menos 3 (três) ofertas nas condições definidas no inciso anterior, poderão os autores das melhores propostas, até o máximo de 3 (três), oferecer novos lances verbais e sucessivos, quaisquer que sejam os preços oferecidos;
Niebuhr (2005, p. 173), sintetiza que a possibilidade de uma segunda disputa entre os participantes é um dos diferenciais da modalidade do Pregão, que assim dispõe:
O que caracteriza e diferencia o julgamento da modalidade Pregão em relação ao das demais modalidades de Licitação é que nele os licitantes das melhores propostas escritas são convidas a participar de uma segunda etapa do julgamento, em que se faculta aos mesmos apresentar lances orais, reduzindo o preço inicialmente ofertado, um cobrindo o lance do outro, até que se alcance o menor valor.Nas demais modalidades, os Licitantes não dispõem dessa oportunidade para renovar as suas propostas, reduzindo o preço inicialmente proposto.
Nesse, o preço consignado por escrito é definitivo.
Nota-se que a norma estabeleceu dois critérios pra selecionar quais propostas fariam parte da segunda fase, ou seja, dos lances orais. Desta forma, o primeiro critério seria os dos 10% (dez por cento) e o segundo o dos três menores preços.
Niebuhr (2005), acrescenta que muitas são as dúvidas dos leitores, porque o legislador estabeleceu critérios de julgamento para uma segunda fase, tendo em vista que todos poderiam participar emitindo lances até chegar-se em valores vantajosos para o erário. Busca-se com tais limites induzir os licitantes que já na própria oferta escrita apresentem valores deveras reduzidos, coibindo os licitantes a ofertarem o objeto com valores elevados já na oferta inicial.
No primeiro critério, os dos 10% (dez por cento) o pregoeiro selecionara as propostas que atenderem ao requisito previsto no inciso VIII do artigo 4º da Lei nº 10.520/02, a fim de proporcionar as melhores propostas na participação dos lances orais.
Com intuito de ilustrar de forma mais objetiva, Justem Filho (2005, p. 121) traz um exemplo para melhor compreensão da aplicabilidade do critério dos 10% (dez por cento):
Suponha-se que a menor proposta tenha sido de 100. Ademais disso, existiram propostas de 101, 105, 107, 110, 111 e 115. Passarão a segunda etapa as propostas de valor até 10% superior à de menor valor.Ou seja, serão desclassificados os proponentes que ofereceram 111 e 115. No exemplo, participarão da etapa de lances nada menos do que cinco licitantes (os que formularam as propostas de 100,101,105, 107 e 110).
Nesse contexto, a norma não estabeleceu número mínimo de licitantes, assim poderão participar tantos quantos estiverem dentro dos limites dos 10% (dez por cento) acima da oferta mais baixa.
O segundo critério, o dos três menores preços, está prevista no inciso IX do artigo 4º da Lei nº 10.520/02. Justifica-se a previsão de um segundo critério, uma vez que a situação do critério dos 10% (dez por cento) pode vir a não ocorrer. Assim objetivando viabilizar a competitividade do certame, estabeleceu-se uma segunda opção.
Como bem acentua Niebuhr (2005): não havendo duas propostas em condições de participar da segunda etapa, porque não há duas propostas dentro da margem de 10% (dez por cento) do menor preço deve-se convidar, para oferecer os lances orais, o autor da melhor proposta e o das duas subseqüentes.
De forma exemplificativa Justem Filho (2005, p. 121):
Imagine-se que tivesse havido propostas no valor de 100, 110,111 e 115. Como a fase de lances deve abranger no mínimo três licitantes, admitir-se-á a participação do licitante que ofereceu 111, ainda que sua proposta tivesse ultrapassado a diferença de 10%. Nesse caso incide o inc.IX do art.4º.
Em tais situações, deve-se observar que serão chamados tão somente os dois valores subseqüentes ao das menores propostas, objetivando-se uma competição com no mínimo três participantes. Portanto, os demais estarão desclassificados para os lances orais.
Mas também podem ocorrer situações na seleção dos lançadores não condizentes com os dois critérios estabelecidos na norma, assim utilizar-se-á às
exemplificações expostas por Fernandes (2003, p. 534), com o intuito de resolver tais impasses:
a) no intervalo de 10% não foi alcançado o número mínimo de três, mas não há outros licitantes fora do intervalo. O certame terá seguimento normal, com dois lançadores na fase subseqüente;
b) ocorre empate nas propostas. Nessa situação não há nenhum inconveniente. Se o empate se der na menor proposta, todas as empatadas serão selecionadas. O mesmo ocorre se o empate se der no intervalo superior, da margem de 10%, todas serão selecionadas. O que não se permite no Pregão é o empate de lances, porque na prática inviabiliza a disputa.
c) no exame de conformidade são selecionadas mais de uma proposta, mas somente um licitante possui credenciamento para fazer lance. O Pregão terá continuidade normal, passando-se à fase de lances, onde o mesmo poderá reduzir o valor da sua proposta.
d) não foi obtido três lançadores no intervalo de 10%, mas há vários licitantes com proposta empatada. Por exemplo:1 com R$ 1.000,00, 1 com R$ 1.050,00 e 9 com R$ 1.400,00. Parece correto convocar todos que estão com o mesmo preço, ao invés de sorteá-los, pois o fator definidor da convocação foi o valor da proposta. Fundamenta este entendimento o princípio da competitividade. O sorteio não seria útil, mas um critério discriminador, aleatório.
Deveras,sempre existiram exceções as regras, a fim de dar prosseguimento ao ato licitatório, nada mais aceitável que a possibilitar enquadramentos dentro dos limites da Lei.
Após a seleção dos lançadores, o pregoeiro passará para etapa dos lances orais.