4 PROJETO DO JOGO
O jogo foi desenvolvido com base no estudo do tema água, feito pelos alunos no segundo bimestre nas escolas municipais. Como já mencionado na parte anterior, o enredo é muito importante em um jogo de RPG e os personagens devem estar muito bem caracterizados, afinal, a junção de ambos irá proporcionar a aceitação ou rejeição do jogo. É o enredo que vai cativar e prender a atenção dos jogadores ou desestimular e tornar monótono o RPG de mesa, que é o tipo utilizado nessa pesquisa.
É interessante mencionar que “A falta de jogos [...] que envolvessem conteúdos curriculares foi por muito tempo um grande empecilho para a aplicação dos mesmos no processo educativo” (SCHAFFEL; MOURA, 2011, p. 7). Os jogos eletrônicos auxiliam no raciocínio dedutivo dos alunos, pois estes necessitam usar muitas estratégias e exercitarem o trabalho em equipe.
E o jogo de RPG faz exatamente isso, trabalha com a imaginação dos jogadores, criando situações que deverão ser resolvidas pelos personagens.
Na sequência, serão apresentados os detalhes do jogo desenvolvido.
Foram escolhidos cinco cenários para os alunos participarem, contudo, pode-se apenas utilizar dois e meio deles, pois o tempo disponibilizado pelo docente foi curto e o desenvolvimento dos participantes ocupou boa parte deste tempo.
A figura 27 apresenta a imagem utilizada para o primeiro cenário, a região Nordeste.
Figura 27 —Primeiro Cenário: Região Nordeste
No primeiro cenário, os participantes interagiram com a região árida do Nordeste. A imagem foi montada com as ideias desenvolvidas neste cenário. A terra rachada pela falta de água e o calor excessivo resultam num pequeno lago quase desaparecendo. Uma família de retirantes está em frente à sua casa, o caminho por onde os personagens caminharam apresentava as marcas da desolação: animais mortos, vegetação seca e alguns cactos. Tudo isso montava os desafios que os personagens deveriam enfrentar.
O objetivo deste cenário foi trabalhar as questões da seca, desidratação, formação de chuva, conceito de água e diferenciação entre água potável e água poluída. Os personagens, presos por uma divindade e retirados de seus locais foram lançados nessa região para aprenderem um pouco mais sobre a humanidade. No nordeste eles encontraram uma família de retirantes com um filho doente. A seca era tanta que a criança apresentou sinais de desidratação e os personagens deveriam usar suas habilidades para ajudar a família até que a chuva caísse novamente.
O grupo se dividiu para procurar água para saciar a sede e comida para alimentar a todos. A presença de um animal como personagem foi fundamental para ajudar na caça de alimento e também para encontrar água. Contudo, a água poderia não ser potável e por isso deveriam saber as diferenças entre água poluída e água potável e as formas de purificá-la.
O poder de cura dos deuses não seria suficiente para manter a família bem por todo o jogo, só inicialmente quando trataram do personagem doente. Para manter a família bem, deveriam buscar os itens necessários à sobrevivência por todo o cenário e contar com a ajuda de todos.
O segundo cenário seria na cidade de São Paulo. A figura 28 mostra a imagem utilizada neste cenário.
Figura 28 — Segundo Cenário: São Paulo
Saindo do ambiente seco, os personagens sentem o chamado da divindade que os
“sequestrou” e eles devem locomover-se para outra região. A região da cidade foi menos problemática inicialmente porque eles não deveriam mais conviver com o sol castigante.
Contudo, esse cenário traz seus próprios problemas. A poluição na cidade grande, tanto no ar quanto na água, gerou um grande problema, um ser que se alimenta da poluição e do lixo crescente deseja destruir a humanidade e ocupar o planeta pois já estava se sentindo em casa.
Esse ser não acredita que a humanidade tenha jeito e faz um acordo com os personagens nesse cenário, eles teriam um tempo determinado para tentar evitar que a destruição ocorresse.
Neste cenário os objetivos estavam relacionados ao problema da poluição para o ambiente e do lixo para as cidades. Os alunos deveriam saber relacionar o problema das
enchentes com o lixo lançado nas ruas. E deveriam também saber o quão importante é a conscientização das pessoas para diminuir a degradação da Natureza.
O inimigo desse cenário alega que a culpa era dos seres humanos que estavam destruindo o planeta. Ele apenas estava se fortalecendo. Nem mesmo os deuses com seus poderes poderiam vencer esse inimigo porque ele estava poderoso demais. Então, para diminuir os poderes dele, os personagens deveriam conscientizar as pessoas do problema causado pelo lixo. Os deuses revoltavam-se com a situação da natureza e do ambiente, mesmo querendo destruir a humanidade também, conseguem ver que isso não era bom e começaram a auxiliar na conscientização da população. Isso faz com que o inimigo perca os poderes e todos juntos conseguem eliminar esse mal.
O terceiro cenário é uma montanha com as suas peculiaridades. Foi escolhido o pico da neblina como imagem do cenário.
A figura 29 apresenta o que foi utilizado.
Figura 29 — Terceiro Cenário: Pico da Neblina
Essa figura foi modificada, acrescentando-se uma imagem de um homem no topo da montanha. Na figura original não havia uma imagem do topo e desejava-se que os personagens chegassem a este ponto.
Neste cenário, os personagens deveriam lidar com a pouca visibilidade causada pela neblina presente no local, o ar ficando rarefeito à medida que subiam a montanha e a diferença de temperatuda causada pela altitude. Os objetivos estavam relacionados à diferença de temperatura e às mudanças de estado físico da água causando neblina, o conceito de ar rarefeito.
Os personagens sentem-se melhor nesse cenário, mas ainda insatisfeitos. Se teriam que aprender mais sobre a humanidade, não estavam gostando da experiência. Eles teriam que lidar com um grupo que se perde na trilha e correr contra o tempo para salvar a vida deles.
Animais estão espalhados pela montanha e iriam lutar com os personagens ao longo do caminho. A vista final no topo da montanha seria a recompensa extra para os personagens, um belo nascer do sol.
O quarto cenário levava os personagens à terra da mitologia brasileira. Eles iriam para a floresta amazônica. Este cenário não chegou a ser desenvolvido com os alunos.
A figura 30 apresenta a imagem utilizada para o cenário.
Figura 30 — Quarto Cenário: Amazonas e o Aquífero Guarani
Neste cenário, foram coletadas algumas imagens para representar a floresta Amazônica, colocando o S.O.S propositalmente para chamar a atenção para a degradação
daquele ambiente, um mapa mostrando o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do mundo e uma imagem da água proveniente de um aquífero.
Para chegar a esse cenário os personagens da mitologia brasileira e os deuses indígenas sentiriam um chamado de sua terra e um forte desejo de fazer uma visita. Os objetivos estão relacionados à formação de lençóis subterrâneos e aquíferos, preservação da natureza e importância da vegetação para a manutenção das águas subterrâneas.
Neste cenário, os personagens terão que enfrentar o perigo da destruição da floresta e consequente destruição do Aquífero Guarani.
Os cenários devem ser selecionados aleatoriamente com a ajuda de um dado. A cada cenário corresponde uma situação-problema específica e um grupo de personagens específicos que devem interagir com o local e as situações que surgem para serem solucionadas. Este foi montado formando uma espécie de tabuleiro a ser apresentado aos alunos.