Lá vem o navio negreiro Com carga de resistência Lá vem o navio negreiro Cheinho de inteligência Solano Trindade
A literatura caroliniana está firmada também sob um sólido fundamento. O alicerce é necessário para que se tenha firmeza e para que essa construção não seja destruída pelas intempéries. Dentro da literatura, a autora está fincada na literatura negra, literatura essa que está incutida na luta e resistência da população negra, que constantemente se vê obrigada a resistir ao preconceito que vivencia, seja nos seus corpos negros, seja na cultura que produzem: nas artes, na literatura, no teatro, na música.
Esta discussão inicial leva a outro problema que ocupou a bibliografia sobre o negro na literatura brasileira, enquanto personagem de ficção, de forma central: a questão das construções de estereótipos literários acerca deste sujeito social. O aspecto degradado, ocupado por séculos no espaço social, atinge a construção ficcional, caracterizando o negro como elemento potencialmente perigoso, entrave, lascivo, maligno, estupido, interesseiro, etc. Resultados do período escravocrata e de suas decorrências na vida social brasileira, os estereótipos literários associados ao negro, segundo vários autores cumpriram a função de delimitar espaços, melhor dizer, barreiras sociais e literárias, em suas mais amplas acepções. (SILVA, 2013, p. 39-40)
O preconceito social também é revelado nas artes quando o negro não é visto como cidadão de bem, porém como um sujeito ameaçador e perigoso. Esses conceitos pré-
concebidos geram uma falsa identidade de quem é o negro. Finalmente, é importante destacar que a utilização das artes e literaturas como meios de resistência não são recentes, mas têm cada vez mais se revelado como atos de reafirmação de identidade, ancestralidade e cultura para mulheres e homens negros na sociedade brasileira.
A literatura sempre foi uma expressão artística conhecida no mundo e se inicia, no Brasil, com a chegada dos portugueses e do processo de letramento que possibilitou a brasileiros a criação de obras literárias, que até então tinham origem em Portugal. Ela se tornou algo exclusivo da elite brasileira, que procurava sempre mantê-la como algo particular, negando o acesso às outras camadas da população. O motivo dessa ocultação se dá pelo poder que a literatura possui de inspirar o pensamento crítico.
Figura 6 - Resistência
Fonte: FERREIRA, 2018.
Romances, contos e poemas começaram a estabelecer um caminho singular dentro do cânone literário, fazendo do Brasil um país que produzia a sua própria literatura. Todavia, nota-se a ausência de um povo que sempre esteve presente e formou a nação: o negro. Um silêncio se fez ao ocultar autoras e autores negros, além de protagonistas que fugissem do senso comum: até na literatura eram escravos, serviçais, antagonistas ou coadjuvantes. Os mais de três séculos de escravidão não estavam somente presentes nos corpos negros, mas na
forma de pensar, escrever e se expressar de negros/as. Conhecimentos que eram cativos da sociedade brasileira amordaçavam o falar da pessoa negra.
A literatura negro-brasileira tem mostrado sua força ao longo dos tempos. A literatura passa a mostrar a sua força com a divulgação das obras de Domingos Caldas Barbosa, produzidas no século XVIII. Já em meados do século XIX, Maria Firmino Reis, escritora nascida em São Luiz do Maranhão, publica o primeiro romance afrodescendente de língua portuguesa, Úrsula, em 1859, mesmo ano de publicação de Trovas burlescas, de Luís Gama.
Agora fazemos a seguinte indagação: qual é a importância da literatura negro- brasileira? Ora, se trabalhamos com estudantes negras e negros, essa literatura dará prioridade à pessoa negra como protagonista e não como personagem à margem, oculta e não participativa dentro da história. A literatura negro-brasileira sempre procurou dialogar com a literatura brasileira. Um dos pontos importantes que destacamos é a autoria dessa literatura:
não são brancos falando sobre negros ou criando personagens negros, mas são os próprios negros criando sua própria história e priorizando a sua raça como protagonista.
A linguagem é outro ponto que queremos destacar. A literatura negro-brasileira tem uma linguagem específica e dialoga com a realidade de seus leitores e leitoras. Ela cria um vocabulário novo com práticas linguísticas oriundas da África e que estão inseridas dentro desse escopo.
Ora, se metade da população brasileira é constituída de pessoas negras, por que ainda existe dentro do cânone literário pouca representação de autoras e autores negros e de protagonistas que se declarem negros ou negras? Isso é importante sobretudo na fase da adolescência, quando essas referências serão buscadas por estudantes negras e negros, que já vêm da infância com farto referencial de personagens brancos. Se analisarmos o cenário de super-heróis que faz parte do imaginário coletivo infantil, todos, sem exceção, são brancos.
Portas do negro na literatura
Ao longo do século XX, muitas vertentes têm apontado a presença da pessoa negra tanto na autoria quanto no protagonismo narrativo, cada uma com uma linguagem própria.
Trazemos à baila para problematizar o conceito que cada uma traz. Segundo nossa pesquisa, destacamos quatro classificações para designar a presença da pessoa negra na literatura, a saber: literatura afro-brasileira, literatura negra, literatura negro-marginal, literatura negro- brasileira. Tais conceituações foram criadas pelos seguintes pesquisadores e pesquisadoras:
Zilá Bernd (2007), Mário Augusto Medeiros da Silva (2013), Eduardo Assis Duarte (2010) e Cuti (2010).
Bernd (2007, p. 78) usa o termo “Literatura Negra” por essa literatura ter características específicas, como não fazer parte do cânone literário, tampouco estar nos canais de reconhecimento, justamente para não lançar luz ao oprimido. A autora afirma que:
Optar por literatura negra implica reconhecer que há um estilo, um léxico, uma temática, etc. que particularizam um discurso literário de forma marcante e definitiva; optar por literatura afro-brasileira corresponde a reconhecer uma literatura empenhada em resgatar uma ancestralidade africana. Preferimos a designação literatura negra, por ser menos limitadora e por transcender os limites de nacionalidade, época, idioma, geografia, etc, remetendo a um espaço ou território supra-nacional e supra-idiomático no qual os autores constituem uma mesma comunidade de destino. (BERND, 1987, p. 80)
Mário Augusto Madeiros da Silva (2013, p. 32) nomeia essa literatura como literatura negra e marginal. O autor não fecha o assunto, mas reforça que esses conceitos são tratados como ideias. Tais ideias se encontram em constante movimento e exigem que se pense continuamente sua posição e seus diálogos:
Entretanto, a literatura negra e a marginal possuem agravantes particulares: o que faz dessa literatura negra ou ligada à condição social marginal/periférica? São pontos nevrálgicos e sob os quais o consenso é igualmente difícil. E as respostas mais simples, como a de que a literatura negra é aquela escrita por um autor autorreferenciado ou identificado, ou, ainda, um eu lírico/narrador que se queira negro, o mesmo valendo para a questão marginal ou periférica, também abrem brechas significativas para divergências. (SILVA, 2013, p. 33)
O autor continua sua análise sobre o conceito:
Interessa-se prioritariamente pelo sujeito autorreferenciado negro e periférico como autor e narrador de sua construção artística na forma de prosa (diário, romances e contos), bem como sua visão social de mundo, política e culturalmente construída.
(SILVA, 2013, p. 34)
Duarte (2010) destaca alguns elementos que distinguem a literatura afro-brasileira: a temática, a autoria, o ponto de vista, a linguagem e o público são elos que conectam e estão atrelados a essa literatura. O autor ressalta que, para Bernd (2007), esses elementos não se atêm à cor da pele do escritor, mas enunciam seu pertencimento (DUARTE, 2010, p. 117).
Sobre a literatura negro-brasileira, Cuti elabora:
Denominar de afro a produção literária negro-brasileira (dos que se assumem como negros em seus textos) é projetá-la à origem continental de seus autores, deixando-a à margem da literatura brasileira, atribuindo-lhe, principalmente, uma desqualificação com base no viés da hierarquização das culturas, noção bastante disseminada na concepção de Brasil por seus intelectuais. “Afro-brasileiro” e ‘afro-
descendente” são expressões que induzem a discreto retorno à África, afastamento silencioso do âmbito da literatura brasileira para se fazer de sua vertente negra um mero apêndice da literatura africana. Em outras palavras, é como se só à produção de autores brancos coubesse compor a literatura do Brasil. O aval do Estado Brasileiro dá à denominação “afro-brasileira” um caráter compulsório, enquadrando a produção literária em seus pressupostos ideológicos. O interesse de intercâmbios econômico com os países africanos sustenta as iniciativas de intercâmbio cultural.
(CUTI, 2010, p. 35-36)
Às pessoas negras foram negados o letramento e a leitura, já que o ato de escrever e gerar literatura produz um pensamento crítico, questionando o que se está a volta e entendendo a potência que há em sua voz. A literatura produzida por negras e negros é um instrumento que vai de encontro ao imaginário coletivo de hierarquia das raças. A literatura é um instrumento de instrução e resistência.
Mesmo o Brasil sendo um país multicultural, com diversas etnias dentro de uma nação, a literatura brasileira nasce sob a inspiração das letras portuguesas, ignorando por completo as literaturas indígenas e africanas já existentes. Todo o padrão de literatura no Brasil foi obedecendo à estética da literatura portuguesa: burguesa, branca e masculina. Cuti (2010) desvela:
Até então, nesse contexto, os descendentes de escravos são utilizados como temática literária predominante pelo viés do preconceito e da comiseração. A escravização havia coisificado os africanos e sua descendência. A literatura como reflexo e reforço das relações tanto sociais quanto de poder, atuará no mesmo sentido ao caracterizar as personagens negras, negando-lhes complexidade e, portanto, humanidade. (CUTI, 2010, p. 16)
A literatura não é uma disciplina isolada que reflete o racismo: sociologia e história também o são quando não trazem uma visão positiva sobre a pessoa negra. Todavia, hoje essas matérias procuram ver com um outro olhar e perceber a luta sempre existente desses grupos minoritários.
No início do século XX, o Brasil busca uma identidade nacional e o faz por diversos vieses, entre eles a literatura. O lugar que deram a negros, pobres e índios está designado a personagens folclorizados que não correspondiam às suas realidades. Grupo minoritários são completamente desprovidos de voz dentro da historiografia literária seja em personagens ou autoria. Escritores canônicos como, por exemplo, José de Alencar descreve as mulheres negras como “morenas ardentes”, e Jorge Amado lança ao mundo a imagem da mulher quente e hipersexualizada ao descrever personagens célebres como Teresa Batista e Gabriela.
Esse lugar de fala dentro da narrativa sempre se encontra no poder do homem branco que monopoliza esse discurso se sobrepondo à personagens de outra etnia (DALCASTAGNÈ, 2005, p. 15)
O racismo é caracterizado também pelo ato de tomar a fala desses grupos minoritários como se eles não fossem intelectualmente capazes de falar por si mesmos. Como uma “meia verdade”, a saída foi lançá-los a uma posição inferior na literatura, isentos de fala e personalidade.
Figura 7 - Elas e eles escrevem
Fonte: FERREIRA, 2018.
Escrever, falar e denunciar o racismo foi uma das estratégias para sinalizar o seu lugar de fala, por meio de livros, jornais e poesias para denunciar o racismo.
Uma das formas que o autor negro-brasileiro emprega em seus textos para romper com o preconceito existente na produção textual de autores brancos é fazer do próprio preconceito e da discriminação racial temas de suas obras, apontando-lhes as contradições e as consequências. Ao realizar tal tarefa, demarca o ponto diferenciado de emanação do discurso, o “lugar” de onde se fala. (CUTI, 2010, p. 25)
O ato de escrever não se atém somente à criação de personagens ou de um romance que pudesse fazer parte de algum gênero literário específico, mas a um ato de existir. Segundo Ribeiro (2017, p. 64), “O falar não se restringe ao ato de emitir palavras, mas de poder existir.
Pensamos no lugar de fala como refutar a historiografia tradicional e a hierarquização de saberes consequentemente da hierarquia social.”
Quando descrevemos as nuances da literatura escrita por pessoas negras, percebe-se que ela sempre esteve marginalizada, sendo plantada e colhida nas periferias das grandes editoras e mídias. Mesmo com as classificações geradas pelos autores e autoras supracitados, é pertinente destacar que toda literatura produzida por pessoas negras brasileiras é e deve ser considerada Literatura Brasileira. Mesmo que ainda hoje tais autores e autoras sofram preconceito de alguns especialistas, faz-se necessária sua inclusão no cânone literário.
O fato de as obras estudadas serem escritas por uma mulher negra e favelada não tira o seu mérito, tampouco as lança a uma literatura marginalizada; pelo contrário, são obras que precisam ser vistas como um instrumento que rompe com a hegemonia literária e trazem multiplicidade à literatura. Dalcastagnè (2008) destaca que:
Quase sempre expropriado na vida econômica e social, ao integrante do grupo subalterno lhe é roubada ainda a possibilidade de falar de si e do mundo ao seu redor.
E a literatura, amparada em seus códigos, sua tradição e seus guardiões, querendo ou não, pode servir para referendar essa prática, excluindo e marginalizando. Perde, com isso, uma pluralidade de perspectivas que a enriqueceria. (DALCASTAGNÈ,
2008, p. 81)
A autora reforça, ainda, que ler Carolina Maria de Jesus como literatura é colocá-la ao lado dos grandes nomes da literatura, não a diminuindo a apenas um documento ou um testemunho, mesmo que essa escrita não esteja dentro dos padrões normativos constituídos pelos escritores da elite (DALCASTAGNÈ, 2008, p. 82).
Segundo a autora supracitada, em sua pesquisa de analise, constatou que 72,7% dos escritores brasileiros são homens e 93,9 %, brancos. Nos 258 livros pesquisados apenas 3 protagonistas eram mulheres e negras e apenas 7,9 dos personagens são negros/as.
Faz-se necessário compreender que a literatura, sobretudo aquela escrita por pessoas negras, encontra-se dentro de um conceito literário em que traz significados e expressões para a compreensão de uma determinada obra. Os livros usados como objeto de estudo entram dentro desse aporte cujo debate nos levará à sua importância dentro da escola. A literatura escrita por pessoas negras é violentamente apagada, assim como tudo que é originado por elas.
Quando autores afrodescendentes pertencentes ao cânone literário brasileiro são inseridos na bibliografia de leitura, tais autores passam por um branqueamento, processo que apaga suas raízes negras, levando estudantes em geral a compreenderem que tais autores são brancos. Somente há alguns anos atrás, graças a pesquisadores e militantes, foi revelado que pessoas negras contribuíram eficazmente na construção literária do país, como os autores mencionados anteriormente Machado de Assis e Lima Barreto. Um exemplo desse branqueamento ocorreu em 2011, quando uma campanha publicitária do banco Caixa
Econômica trouxe um ator branco interpretando Machado de Assis. A veiculação, que se deu tanto na mídia escrita quanto televisiva, reforçou o imaginário coletivo de um autor, que, para grande parte da população, sempre foi branco; contudo, graças à pressão dos movimentos negros, o debate revelou à sociedade a verdadeira identidade étnica do autor, pressionando a Caixa a retirar do ar a propaganda (G1, 2011). Assim, a articulação de pessoas e movimentos sociais permitiu quebrar o conceito hegemônico, branco e classista.
Na atualidade, mesmo diante de todo o debate e da lei 10639/03 que incentiva o ensino de história e cultura afro-brasileiras, quase não há representatividade da pessoa negra dentro da literatura. A negação da existência da literatura negra também reforça o apagamento da história, cultura e civilização africanas que sempre fizeram parte da história brasileira.
A escrita foi um instrumento usado na comunicação entre pessoas negras, além de um veículo de combate ao racismo. Impedidos de se expressarem e com pouco ou nenhum espaço na mídia escrita, militantes começam a criar periódicos que apresentavam poemas, crônicas, cartas e variados tipos de textos com o intuito de mostrar a sua resistência através da escrita.
Boa parte dessas narrativas eram imbuídas de memórias que procuravam reafirmar a identidade negra e denunciar o racismo presente na sociedade. Esse trabalho ambicionava que as pessoas negras pudessem se unir e se orgulhar da sua identidade, trajetória e história. Era a esperança de um país onde todos e todas pudessem falar e ser ouvidos. Esses poetas e escritores deleitavam-se em palavras e transbordavam em pensamentos que procuravam modificar a visão dos afro-brasileiros.
Ter a compreensão do espaço em que se encontra e das opressões existentes, como o racismo, é um passo importante para se chegar aos lugares de denúncia e de fala que possibilitam sujeitos de se expressarem e ressignificarem a sua história. Assim, é essencial conscientizar alunos/as negros/as de que à população negra foi designado o “quarto de despejo”. A leitura de ambas as obras carolinianas faz com que esses sujeitos entendam em que parte dessa casa eles estão, como ela os influencia e qual o meio de se chegar aos outros espaços.
2 O CORREDOR DA RESISTÊNCIA
Nós devemos escolher um lado...
o silêncio encoraja o algoz, nunca o oprimido.
Elie Wiesel A reflexão fundamental a ser feita é perceber que, quando pessoas negras estão reivindicando o direito a ter voz, elas estão reivindicando o direito à própria vida.
Djamila Ribeiro
Continuamos a travessia pela casa. O presente capítulo caminha pelo corredor que nomeamos de “resistência”, que é o ato de resistir. No primeiro capítulo, entendemos o que o conceito de casa representa para a população negra e o quanto o direito à moradia, aos diretos básicos e a ser cidadão lhes foram negados
Segundo o dicionário (AULETE, 2004), a palavra “corredor” traz o significado de
“passagem, ger. Estreita, em uma casa, em um edifício [...] que serve para ligar um compartimento a outro. Espaço virtual de passagem, ou de trânsito de coisas ideias, pessoas, etc.”
Dentro dessa casa iniciamos pelo quarto, amparados pelo conceito construído por Carolina Maria de Jesus ao identificar as condições dos favelados e o lugar onde estão instalados que ela denomina de “quarto de despejo”. Ressignificar esses cômodos, esse lugar de intimidade é dar voz a esses excluídos, como também compreender que esses espaços lhes pertencem e lhes foram tomados.
Diferentemente do “quarto” e da “sala”, o corredor é um elo entre esses cômodos. Ele conecta, é um ambiente necessário pelo qual é preciso passar para se chegar a um determinado lugar. Embora não seja um ambiente para se habitar, é de extrema importância para se chegar a um espaço.
A resistência se faz necessária para se alcançar determinados lugares. Construir essa passagem se faz necessário não só para quem a edifica, mas também gera um lugar onde outros possam andar por esse espaço.
É essencial atravessar o corredor para se chegar ao destino que se quer. No presente capítulo, debateremos os conceitos sobre memória trazendo à baila alguns autores que se debruçaram sobre o tema.
Figura 8 - O corredor do resistir
Fonte: FERREIRA, 2018.
Analisaremos, também, o histórico de negações que foram imputadas às pessoas negras, ao não receberem a oportunidade ao letramento e à escola. Mesmo com esse quadro, destacamos grupos que lutaram para que fosse viável esse letramento não só em caráter de conhecimento, mas de resistência.
Percebemos que a abertura desse espaço para os alunos e alunas negras no qual trabalhamos a relação com a escrita se torna intrínseca. A escrita não está relacionada somente ao tema de uma redação ou a um tema que alguém sugere, mas a suas próprias vivencias e experiências que possibilitam ter uma aproximação íntima com o letramento.
E, por fim, debateremos sobre o multiculturalismo como provocação no meio educacional e os desafios que ele traz para docentes.