2.1 Capacidade dinâmicas
2.1.1 Capacidade absortiva
2.1.1.2 Medidas da capacidade absortiva
Versiane et al. (2010) tiveram a preocupação de analisar trabalhos importantes e que tiveram suas medidas validadas para contribuir com a consistência teórica do tema. Os autores tiveram a preocupação de estruturar uma proposta com antecedentes e mecanismos da capacidade absortiva. Na literatura internacional, os trabalhos de Camisón e Forés (2009) e Flatten et al. (2011), que são apresentado na sequência, são um dos mais completos e de qualidade a respeito da mensuração dos constructos.
Camisón e Forés (2009), em seu trabalho, tiveram o objetivo de criar e validar duas escalas, a capacidade absortiva potencial e realizada. Os autores usaram essa distinção, pois acreditam que dois grandes blocos de capacidades, têm uma melhor e mais fácil compreensão.
Camisón e Forés (2009) conseguiram validar as escalas propostas e facilitar a sua aplicação como instrumento utilizado para medir a capacidade absortiva.
O trabalho de Camisón e Forés (2009), acompanhou a linha de estudo de Van den Bosch et al. (2003), Jansen et al. (2005), Fosfuri e Tribó (2008), entre outros. Van den Bosch et al. (2003) apresentam a necessidade de uma distinção entre a medida do construto e a mensuração de seus antecedentes e consequências, a fim de especificar sua operacionalização.
Os autores ainda afirmam que existem antecedentes chaves que influenciam a capacidade de absorção, que pode ser o conhecimento prévio e fatores organizacionais, tais como estrutura de comunicação e de distribuição do conhecimento.
Van den Bosch et al. (2003), Jansen et al. (2005), Fosfuri e Tribó (2008) utilizam a distinção proposta por Zahra e George (2002), que faz a distinção entre a capacidade absortiva potencial (aquisição e assimilação) e a capacidade absortiva realizada (transformação e aplicação).
Flatten et al. (2011) desenvolveram e validaram escalas para mediar a capacidade absortiva. Os autores ressaltam que um grande número de estudos, como por exemplo, Cohen e Levinthal (1990), ignora a variedade de dimensões e suas implicações para os diferentes resultados organizacionais e acaba considerando as saídas referentes à pesquisa e desenvolvimento (P&D), como por exemplo, patentes. Além disso, os insumos, tais como a intensidade de P&D, definido como gastos em P&D divididos por vendas e investimentos em pessoal (COHEN; LEVINTHAL, 1990).
Flatten et al. (2011) questionam o uso desses dados como representantes da capacidade absortiva. Os autores sugerem que essas informações podem trazer resultados enganosos e conflitantes sobre as contribuições da capacidade absortiva. Além disso, vale ressaltar que a capacidade absortiva é potencialmente um constructo multidimensional (ZAHRA; GEORGE, 2002). Com base nessas constatações, Flatten et al. (2011) sugerem a necessidade de uma medida melhor que capture as múltiplas dimensões da capacidade absortiva.
Flatten et al. (2011) realizaram três pré-testes com executivos e acadêmicos para avaliar a qualidade dos 52 itens, os quais foram resumido a 36 itens, sendo sete descritos para a dimensão de adquirir, 12 para a dimensão assimilar, 12 para a dimensão transformar e cinco para a dimensão explorar.
Flatten et al. (2011), assim como os demais trabalhos de mensuração da capacidade absortiva citados, utilizam o trabalho de Zahra e George (2002) como base para os seus estudos. Os autores utilizaram as principais revistas de gestão, selecionando os artigos que trabalhavam as dimensões capacidade absortiva de 1990 a 2007. Dessa pesquisa os autores conseguiram 269 estudos, que na sua grande maioria eram estudos teóricos ou qualitativos, nos quais não havia instrumento de medição. Flatten et al. (2011) conseguiram filtrar 33 trabalhos que continham pelo menos uma dimensão da capacidade absortiva e que foram úteis no desenvolvimento da sua escala. A partir dos 33 trabalhos os autores obtiveram 52 diferentes itens, sendo 12 itens descritos para a dimensão de adquirir, 15 para a dimensão assimilar, 19 para a dimensão transformar e seis para a dimensão explorar.
Para Flatten et al. (2011), o desenvolvimento e a apresentação de uma medida de quatro fatores da capacidade absortiva ajuda a assegurar resultados válidos e facilita as comparações entre os estudos. Conforme o quadro 6 as perguntas propostas avaliam o grau em que a empresa se engaja em atividades de aquisição de conhecimento, assimila a informação adquirida em conhecimentos existentes, transforma o conhecimento recém- adaptado e explora comercialmente o conhecimento transformado para a sua vantagem competitiva.
Após a aplicação dos testes estatísticos, somente 14 itens tiveram significância, conforme apresentados no Quadro 5.
Quadro 5 - Escala final da Capacidade Absortiva
Aquisição
Por favor, especifique em que medida sua empresa utiliza recursos externos para obter informações (por exemplo, redes pessoais, consultores, seminários, internet, banco de dados, revistas especializadas, publicações acadêmicas, de pesquisa de mercado, regulamentos e leis sobre meio ambiente / técnica / saúde / segurança):
1 A busca de informações relevantes sobre a nossa empresa é uma prática diária da nossa organização.
2 Nossa administração motiva os funcionários a usar fontes de informação dentro da nossa empresa.
3 A administração espera que os funcionários lidem com informações além das fornecidas pela empresa.
Assimilação
Por favor, avalie até que ponto as seguintes afirmações se referem à estrutura de comunicação na sua empresa:
1 Na nossa empresa ideias e conceitos são comunicados para todos os departamentos.
2 Nossa administração enfatiza o apoio interdepartamental para resolução de problemas.
3 Na nossa empresa há um rápido fluxo de informações, por exemplo, se uma unidade de negócios obtém informações importantes comunica imediatamente essas informações a todas as outras unidades de negócios ou departamentos.
4 Nossa administração exige reuniões interdepartamentais periódicas para trocar novidades, problemas e realizações.
Transformação
Por favor, especifique em que medida as seguintes afirmações cabem no processamento do conhecimento em sua empresa:
1 Nossos funcionários têm a capacidade de estruturar e usar o conhecimento coletado.
2 Nossos funcionários são usados para absorver novos conhecimentos, bem como prepará-lo para outros fins e para torná-lo disponível.
3 Nossos funcionários ligam facilmente conhecimentos existentes com novos insights.
4 Nossos funcionários são capazes de aplicar os novos conhecimentos em seu trabalho diário.
Exploração
Por favor, especifique em que medida as seguintes afirmações cabem na exploração comercial de novos conhecimentos na sua empresa (Obs.: Por favor, pense sobre todas as divisões da empresa, como a P & D, produção, marketing e contabilidade):
1 Nossa administração apoia o desenvolvimento de protótipos.
2 Nossa empresa regularmente reconsidera tecnologias e adapta de acordo com os novos conhecimentos.
3 Nossa empresa tem a capacidade de trabalhar de forma mais eficaz por meio da adoção de novas tecnologias.
Fonte: Flatten et al. (2011)
Por fim, como pode se perceber pelos trabalhos propostos anteriormente, muitos autores e trabalhos importantes, como por exemplo, os 269 estudos filtrados por Flatten et al.
(2011), tiveram a intenção, de alguma forma, por meio teórico, empírico ou por medições explicar a teoria da capacidade absortiva. Da para concluir que ao medir a capacidade absortiva, deve-se considerar a sua abrangência multidisciplinar que contribui para a partilha de conhecimentos, aprendizagem organizacional e a construção de diferentes capacidades.
Como já citado, a capacidade de absorção é a capacidade dinâmica que permite a empresa criar valor e ganhar uma vantagem competitiva por meio da gestão do conhecimento externo (CAMISÓN; FORÉS, 2009). Como o objetivo principal do trabalho é compreender que valores são criados a partir das ferramentas de BI2.0, o próximo subcapítulo irá trabalhar as conceituações da criação de valor.