108
3.2 Vendas totais 3.97 0.93 -0.71 0.09 0.26*** 0.14** 0.13**
3.3 Realização dos resultados financeiros 3.82 0.93 -0.45 -0.24 0.28*** 0.20*** 0.15**
3.4 Metas de satisfação do cliente 3.91 0.9 -0.77 0.61 0.2*** 0.14** 0.13**
3.5 Retenção de clientes 3.96 0.87 -0.56 0.01 0.22*** 0.11* 0.08
cont. 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 2 2.1
1.3 Capacidade meta-cognitiva —
1.4 Compromisso pró-social c. as dif. individuais 0.33*** —
1.5 Comunicação com qualidade pró-social 0.53*** 0.44*** —
1.6 Priorizar o bem comum 0.45*** 0.38*** 0.63*** —
1.7 Assumir a complex. de rel. humanas 0.43*** 0.37*** 0.62*** 0.61*** —
2 Capacidade de Inovação 0.40*** 0.15*** 0.38*** 0.36*** 0.32*** —
2.1 Inovação gerencial 0.41*** 0.17*** 0.39*** 0.36*** 0.34*** 0.87*** — 2.2 Inovação de produtos e serviços 0.34*** 0.13** 0.32*** 0.32*** 0.25*** 0.92*** 0.65***
2.3 Inovação de processo 0.30*** 0.10* 0.30*** 0.29*** 0.26*** 0.89*** 0.63***
3 Desempenho geral 0.22*** 0.09* 0.30*** 0.27*** 0.25*** 0.52*** 0.45***
3.1 Lucro líquido 0.25*** 0.14** 0.33*** 0.26*** 0.25*** 0.50*** 0.44***
3.2 Vendas totais 0.19*** 0.09* 0.27*** 0.24*** 0.24*** 0.47*** 0.40***
3.3 Realização dos resultados financeiros 0.21*** 0.09* 0.29*** 0.25*** 0.22*** 0.51*** 0.46***
3.4 Metas de satisfação do cliente 0.12** 0.07 0.21*** 0.18*** 0.17*** 0.42*** 0.35***
3.5 Retenção de clientes 0.18*** 0.05 0.25*** 0.19*** 0.20*** 0.43*** 0.36***
cont. 2.2 2.3 3 3.1 3.2 3.3 3.4
2.2 Inovação de produtos e serviços —
2.3 Inovação de processo 0.78*** —
3 Desempenho geral 0.46*** 0.46*** —
3.1 Lucro líquido 0.45*** 0.45*** 0.65*** —
3.2 Vendas totais 0.43*** 0.43*** 0.67*** 0.62*** —
3.3 Realização dos resultados financeiros 0.46*** 0.44*** 0.62*** 0.50*** 0.66*** —
3.4 Metas de satisfação do cliente 0.36*** 0.42*** 0.58*** 0.45*** 0.48*** 0.51*** — 3.5 Retenção de clientes 0.38*** 0.40*** 0.73*** 0.64*** 0.73*** 0.57*** 0.48***
Nota. m: média. dp: desvio padrão. ass: assimetria. cur: curtose. *p<0.05. **p<0.01. ***p<0.001.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
109 2019). E ainda, considerando que o constructo de Liderança Pró-social é recente e está em desenvolvimento, resolveu-se adotar outro critério com uma abordagem de análise utilizando os itens associados aos constructos e mantendo o mesmo modelo estrutural, ou seja, aplicando o modelo estrutural com os constructos como variáveis de primeira ordem. Esse tipo de procedimento já foi utilizado anteriormente (Santos et al., 2020). O resultado mostrou um modelo válido, onde as hipóteses são confirmadas.
Os constructos foram tratados como variáveis latentes e consideradas reflexivas e independentes. Hair Jr. et al., (2014) define as variáveis reflexivas como itens que estão correlacionados entre si, normalmente representados por escalas, a causa ocorre em direção do constructo para as variáveis e estas devem representar consequências, ou dimensões, dos constructos. O primeiro passo consistiu em eliminar as cargas fatoriais baixas dos itens dos constructos, o modelo final resultou em seis itens de três dimensões para o constructo liderança pró-social, dez itens das três dimensões em capacidade de inovação e todos os seis itens relativos ao desempenho organizacional. Somente três itens do constructo capacidade de inovação mostram cargas próximas à 0.7, todos os demais foram iguais ou superiores.
Os itens resultantes na relação teórica nas hipóteses do constructo de liderança pró- social foram referentes à dimensão de comunicação com qualidade pró-social (CQP) que apresentavam as afirmações “Eu dou a informação suficiente, pertinente, representativa e relevante” (CQP9) e “Antes de discutir um problema complexo com a equipe e/ou colegas, procuro estabelecer regras claras e consensuais de interação e métodos participativos, apropriados ao contexto e ao conteúdo, para a tomada de decisões conjuntas” (CQP11). Os itens referentes à dimensão priorizar o bem comum são expressos pelas afirmações “Exponho e facilito o estabelecimento de regras específicas, nas inter-relações e nos processos, que sejam operacionais e eficientes para o bem comum” (PBC1) e “Quando tenho um conflito, antes de discutir pontos de vista ou soluções, faço o exercício de diferenciar o tipo de conflito para procurar as estratégias mais apropriadas para facilitar a comunicação” (PBC2). E os outros itens da dimensão de assumir a complexidade de relações humanas foram “Em todas as situações conflituosas, sempre tento encontrar alternativas diferentes que favoreçam as metas ou objetivos do grupo antes de um interesse individual” (CRH1), e “Em uma discussão ou conflito, dou segurança ao meu interlocutor, mesmo dando-lhe argumentos a seu favor, quando a sua aparente confusão torna difícil para chegarmos a um acordo” (CRH2).
110 Após a eliminação das cargas fatoriais baixas dos itens do constructo liderança pró- social, o modelo final ficou constituído de seis itens das três dimensões, conforme pode ser observado no Quadro 18.
Quadro 18 - Novo modelo liderança pró-social
Dimensões Itens
Comunicação com qualidade
pró-social (CQP)
CQP9 - Eu dou a informação suficiente, pertinente, representativa e relevante.
CQP11 - Antes de discutir um problema complexo com a equipe e/ou colegas, procuro estabelecer regras claras e consensuais de interação e métodos participativos, apropriados ao contexto e ao conteúdo, para a tomada de decisões conjuntas.
Priorizar o bem comum
(PBC)
PBC1 - Exponho e facilito o estabelecimento de regras específicas, nas inter-relações e nos processos, que sejam operacionais e eficientes para o bem comum.
PBC2 - Quando tenho um conflito, antes de discutir pontos de vista ou soluções, faço o exercício de diferenciar o tipo de conflito para procurar as estratégias mais apropriadas para facilitar a comunicação.
Assumir a complexidade
de relações humanas
(CRH)
CRH1 - Em todas as situações conflituosas, sempre tento encontrar alternativas diferentes que favoreçam as metas ou objetivos do grupo antes de um interesse individual.
CRH2 - Em uma discussão ou conflito, dou segurança ao meu interlocutor, mesmo dando- lhe argumentos a seu favor, quando a sua aparente confusão torna difícil para chegarmos a um acordo.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
Do constructo de capacidade de inovação restou somente um item da dimensão de inovação gerencial visto na afirmação “A empresa adota uma sistemática interna que visa o bem-estar de seus funcionários para que possa fornecer incentivos para suas equipes de trabalho” (IG3). Da dimensão inovação de produtos e serviços restaram os itens: “A empresa muitas vezes desenvolve novos produtos e serviços bem aceitos pelo mercado” (IS1), “A empresa muitas vezes pode lançar novos produtos e serviços mais rápidos do que seus concorrentes” (IS4), “A empresa tem uma melhor capacidade de desenvolver novos produtos ou serviços do que seus concorrentes” (IS5), e “A empresa sempre desenvolve novas habilidades para transformar produtos antigos em novos para o mercado” (IS6). E os itens da dimensão de inovação de processo foram: “A empresa muitas vezes tenta realizar procedimentos diferentes em suas operações para apressar a realização de seus objetivos” (IP1),
“A empresa sempre adquire novas habilidade ou equipamentos para melhorar seu processo de fabricação ou processo de prestação de serviços” (IP2), “A empresa desenvolve um processo de fabricação ou prestação de serviços mais eficiente” (IP3), “A empresa é flexível diante da fabricação de produtos ou prestação de serviços de acordo com as demandas de seus clientes”
(IP4), e “Os procedimentos de fabricação ou prestação de serviços adotados pela empresa sempre despertam a imitação de seus concorrentes” (IP5).
Após a eliminação das cargas fatoriais baixas do constructo capacidade de inovação, o modelo final resultou em dez itens, das três dimensões, apresentadas no Quadro 19:
111
Quadro 19 - Novo modelo capacidade de inovação
Dimensões Itens
Inovação Gerencial
IG3 - A empresa adota uma sistemática interna que visa o bem-estar de seus funcionários para que possa fornecer incentivos para suas equipes de trabalho.
Inovação de Produtos e
serviços
IS1 – A empresa muitas vezes desenvolve novos produtos e serviços bem aceitos pelo mercado.
IS4 – A empresa muitas vezes pode lançar novos produtos e serviços mais rápidos do que seus concorrentes.
IS5 – A empresa tem uma melhor capacidade de desenvolver novos produtos ou serviços do que seus concorrentes.
IS6 – A empresa sempre desenvolve novas habilidades para transformar produtos antigos em novos para o mercado.
Inovação de Processo
IP1 – A empresa muitas vezes tenta realizar procedimentos diferentes em suas operações para apressar a realização de seus objetivos.
IP2 – A empresa sempre adquire novas habilidade ou equipamentos para melhorar seu processo de fabricação ou processo de prestação de serviços.
IP3 – A empresa desenvolve um processo de fabricação ou prestação de serviços mais eficiente.
IP4 – A empresa é flexível diante da fabricação de produtos ou prestação de serviços de acordo com as demandas de seus clientes.
IP5 – Os procedimentos de fabricação ou prestação de serviços adotados pela empresa sempre despertam a imitação de seus concorrentes.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
E no que diz respeito ao constructo desempenho, todos os itens apresentaram cargas fatoriais superiores a 0.7., ou seja, os seis itens relativos ao desempenho se mantiveram.
Refletidos na percepção dos participantes sobre a “lucratividade” (DES1), “crescimento das vendas” (DES2), “captação de clientes” (DES3), “retenção de clientes” (DES4), “faturamento mensal” (DES5) e “desempenho geral” (DES6). Conforme apresentado no Quadro 15.
A representação gráfica do modelo final obtido, disposto na Figura 13, mostra que os efeitos diretos propostos nas relações das hipóteses H1a, H1b e H2a são significativas (p<0.01).
Em resumo, foi possível manter no modelo seis itens referentes às três dimensões de Liderança Pró-social (CQP, PBC e CRH), dez itens de todas as três dimensões da Capacidade de Inovação (IG, IS e IP) e mais os seis itens do instrumento referente ao consctruto Desempenho.
Totalizando 22 itens do instrumento utilizado.
O resultado no teste de adequação das variáveis reflexivas e dos modelos compostos mostrou um resultado de SRMR=0.0551, esse valor segue o recomendado por Henseler et al., (2014) para avaliar se o ajuste geral do modelo está adequado a partir de um modelo estrutural saturado que busca a discrepância entre a matriz de variância-covariância dos indicadores empíricos e implícitos no modelo.
112
Figura 13 - Representação gráfica do modelo obtido
Nota. SRMR<0.080. ***p<0.001.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
Durante o processo de verificação das cargas fatoriais também foi executado tanto o processo de verificação dos índices de confiabilidade quanto o de validade do modelo com objetivo de estimar e avaliar as variáveis reflexivas. Concretamente, foram observados os resultados da confiabilidade da consistência interna, e das validades convergentes e discriminante (Henseler et al., 2009; Cruz, Frezatti, & Bido, 2015; Bido & Silva, 2019).
Os índices observados referentes à confiabilidade dos constructos e de validez convergente podem ser observados na Tabela 6. Foram apresentados três índices de confiabilidade dos constructos atendendo uma discussão que ainda é realizada sobre a validez do índice alfa de Cronbach para realizar tal aferição (Benitez et al., 2020). O que se pretende é avaliar se as pontuações do constructo representam de forma confiável o próprio constructo subjacente, os valores devem ser > 0,707 para garantir que mais de 50% da variância nas pontuações das variáveis que representam o constructo pode ser explicada pela mesma variável latente subjacente. Os três indicadores utilizados indicam confiabilidade nos constructos. A avaliação da variância compartilhada nos indicadores que explicam a variável latente subjacente representa o critério de validez convergente (AVE), os valores devem ser > 0.5 para garantir que mais de 50% da variação dos indicadores é explicada. O modelo apresentou validez convergente porque todos os constructos logram explicar mais de 50% da variação.
113
Tabela 6 - Confiabilidade dos constructos e validez convergente do modelo
Confiabilidade dos constructos Validez convergente
Constructo ρA ρc α AVE
Desempenho 0.9016 0.9217 0.8973 0.6633
Capacidade de Inovação 0.9101 0.9237 0.9079 0.5490
Liderança Pró-social 0.8175 0.8640 0.8120 0.5146
Nota. ρA: Dijkstra-Henseler's rho. ρc: Jöreskog's rho. α: Cronbach's alpha. AVE: Variância média extraída.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
Dois procedimentos foram utilizados para avaliar a validez discriminante. O primeiro consistiu em calcular a razão Heterotrait-Monotrait de Correlações (HTMT). Esse indicador serve para avaliar se duas variáveis latentes são estatisticamente diferentes, se a diferença é obtida com valores de HTMT < 0.85, os fatores possuem validez discriminante (Benitez et al., 2020). Os valores podem ser observados no quadrante superior direito da Tabela 7. O segundo procedimento foi o critério de Fornell-Larcker (1981), o qual aponta que os valores obtidos nas correlações ao quadrado entre os constructos devem ser menores que os valor obtido no indicador de validez convergente AVE. Em ambos os procedimentos é possível concluir que o modelo final obtido apresenta validez discriminante.
Tabela 7 - Validez discriminante do modelo
Constructo Desempenho Capacidade de Inovação Liderança Pró-social
Desempenho 0.6633 0.6483* 0.4100*
Capacidade de Inovação 0.3473 0.5490 0.4492*
Liderança Pró-social 0.1285 0.1544 0.5146
Nota. Critério de Fornell-Lacker. Correlação ao quadradas e AVE na diagonal. *HTMT.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
Uma avaliação sobre as variáveis emergentes geradas pelos itens foi realizada pelos indicadores de cargas, pesos e multicolinearidade, pode ser observada na Tabela 8. A carga do item indica a contribuição absoluta do indicador para o constructo, valores acima de 0.7 representa alta força de contribuição (Benitez et al., 2020). O modelo apresentou 19 cargas acima desse valor e quatro cargas com valores muito próximos a este limiar. Os pesos dos indicadores indicam a contribuição relativa de cada indicador no constructo ao qual pertence, é possível comparar os itens entre si para identificar qual possui contribuição relativa maior dentro da variável emergente (Benitez et al., 2020). E ainda, é possível observar na Tabela 8 os resultados obtidos para o fator de inflação da variança (VIF) que indica a multicolinearidade entre os itens. Essa avaliação consiste em verificar como os erros padrão das estimativas de peso são afetados pelas correlações dos indicadores, se as estimativas sofrem de
114 multicolinearidade, pesos obtidos pelos pesos predeterminados podem ser usados quando VIF
< 0.5 (Benitez et al., 2020). Todos os indicadores encontrados apresentam valores < 0.3.
Tabela 8 - Cargas, pesos e multicolinearidade dos itens restantes no modelo
Item Cargas Pesos VIF
Liderança Pró-social
CQP9 0.7018 0.2108 1.5101
CQP11 0.7446 0.2721 1.5477
PBC1 0.7551 0.2604 1.6206
PBC2 0.7029 0.1933 1.5566
CRH1 0.6886 0.2121 1.5158
CRH2 0.7087 0.2412 1.4694
Capacidade de Inovação
IG3 0.6680 0.1478 1.5966
IS1 0.6947 0.1379 1.6426
IS4 0.7916 0.1418 2.6894
IS5 0.7958 0.1395 2.9260
IS6 0.8211 0.1515 2.4418
IP1 0.6833 0.1244 1.6221
IP2 0.7411 0.1314 1.9490
IP3 0.7834 0.1358 2.2690
IP4 0.7109 0.1294 1.7706
IP5 0.7013 0.1098 1.7812
Desempenho
DES1 0.7991 0.2194 2.0252
DES2 0.8535 0.2029 2.8266
DES3 0.7933 0.2143 2.0193
DES4 0.7073 0.1816 1.6132
DES5 0.8463 0.1818 2.8953
DES6 0.8757 0.2275 2.9092
Nota. VIF: Fator de inflação da variância.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
Considera-se os itens representativos nos constructos. Os itens com maior contribuição no constructo de liderança pró-social foram CQP11 e PBC1. No constructo de capacidade de inovação foram os itens IS4, IS5, IS6 e IP3 os que mais contribuíram. E no constructo de desempenho foram os itens DES2, DES5 e DES6 os de maior contribuição.
A Tabela 9 mostra as cargas cruzadas entre os itens do modelo. Espera-se que as cargas cruzadas internas nos constructos sejam maiores do que aquelas cruzadas com os outros constructos (Hair Jr. et al., 2014). No constructo de liderança pró-social as cargas cruzadas internas são maiores que 0.68, enquanto nos outros dois constructos são menores que 0.40. Nos constructos de capacidade de inovação as cargas internas são maiores que 0.66, enquanto nos outros dois constructos são menores que 0.49. E no constructo desempenho, as cargas internas são maiores que 0.70, enquanto nos demais constructos são menores que 0.53. Em base a estes resultados, é possível verificar que os valores na diagonal ascendente as cargas internas de cada
115 constructo superam os valores obtidos com os outros constructos, o que demonstra validez no modelo de mensuração.
Tabela 9 - Cargas cruzadas dos itens do modelo
Item Desempenho Capacidade Inovação Liderança Pró-social
Liderança Pró-social
CQP9 0.2429 0.2428 0.7018
CQP11 0.2883 0.3364 0.7446
PBC1 0.2934 0.3060 0.7551
PBC2 0.1962 0.2468 0.7029
CRH1 0.2168 0.2696 0.6886
CRH2 0.2842 0.2720 0.7087
Capacidade de Inovação
IG3 0.4622 0.6680 0.3361
IS1 0.4476 0.6947 0.2886
IS4 0.4670 0.7916 0.2872
IS5 0.4543 0.7958 0.2901
IS6 0.4413 0.8211 0.3928
IP1 0.3918 0.6833 0.2785
IP2 0.4169 0.7411 0.2898
IP3 0.4818 0.7834 0.2229
IP4 0.4262 0.7109 0.2613
IP5 0.3524 0.7013 0.2358
Desempenho
DES1 0.7991 0.4975 0.3329
DES2 0.8535 0.4758 0.2822
DES3 0.7933 0.5016 0.2998
DES4 0.7073 0.4359 0.2361
DES5 0.8463 0.4327 0.2424
DES6 0.8757 0.5202 0.3385
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
As correlações entre os constructos do modelo podem ser observadas na Tabela 10. O maior valor obtido pode ser percebido entre desempenho organizacional e capacidade de inovação (0.59), seguido pela relação entre capacidade de inovação e liderança pró-social (0.39) e entre liderança pró-social e desempenho (0.36). A menor relação entre liderança pró-social e desempenho sugere a existência de um efeito mediador, já que todas as correlações encontradas foram significativas a p<0.001.
Tabela 10 - Correlações entre os construtcos do modelo
Constructo Desempenho Capacidade Inovação Liderança Pró-social
Desempenho 1.0000
Capacidade Inovação 0.5893 1.0000
Liderança Pró-social 0.3585 0.3929 1.0000
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
A Tabela 11 mostra as correlações empíricas entre os itens resultantes do modelo. Todos os itens de liderança pró-social apresentaram correlação abaixo de 0.30, podendo ser
116 considerada como de força baixa, com exceção da correlação entre CQP11 e IS6 que apresentou valor de 0.37.
Tabela 11 - Correlações empíricas entre os itens
CQP9 CQP11 PBC1 PBC2 CRH1 CRH2 IG3 IS1 IS4 IS5 IS6
CQP9 1.00
CQP11 0.42 1.00
PBC1 0.48 0.48 1.00
PBC2 0.39 0.46 0.40 1.00
CRH1 0.34 0.35 0.44 0.47 1.00
CRH2 0.43 0.40 0.38 0.40 0.43 1.00
IG3 0.19 0.26 0.26 0.20 0.25 0.28 1.00
IS1 0.19 0.28 0.24 0.16 0.16 0.19 0.43 1.00
IS4 0.17 0.23 0.22 0.18 0.20 0.22 0.43 0.47 1.00
IS5 0.20 0.27 0.23 0.18 0.15 0.19 0.38 0.51 0.75 1.00
IS6 0.25 0.37 0.27 0.28 0.25 0.24 0.54 0.52 0.62 0.65 1.00
IP1 0.14 0.21 0.22 0.19 0.21 0.23 0.42 0.40 0.46 0.43 0.52
IP2 0.19 0.25 0.20 0.18 0.22 0.19 0.48 0.50 0.47 0.51 0.57
IP3 0.13 0.19 0.15 0.13 0.19 0.16 0.41 0.44 0.61 0.61 0.57
IP4 0.14 0.21 0.26 0.12 0.20 0.17 0.44 0.41 0.48 0.46 0.52
IP5 0.16 0.18 0.20 0.20 0.17 0.11 0.36 0.44 0.54 0.58 0.52
DES1 0.23 0.28 0.26 0.19 0.18 0.27 0.40 0.37 0.35 0.39 0.42 DES2 0.18 0.21 0.21 0.19 0.18 0.25 0.36 0.39 0.41 0.38 0.31 DES3 0.21 0.25 0.25 0.17 0.18 0.21 0.38 0.40 0.41 0.40 0.39 DES4 0.17 0.16 0.22 0.10 0.15 0.20 0.35 0.28 0.36 0.29 0.32 DES5 0.15 0.22 0.18 0.14 0.14 0.20 0.34 0.33 0.35 0.34 0.29 DES6 0.23 0.28 0.29 0.16 0.21 0.25 0.43 0.39 0.40 0.40 0.41
Cont. IP1 IP2 IP3 IP4 IP5 DES1 DES2 DES3 DES4 DES5 DES6
IP1 1.00
IP2 0.48 1.00
IP3 0.49 0.58 1.00
IP4 0.46 0.48 0.57 1.00
IP5 0.44 0.41 0.52 0.48 1.00
DES1 0.32 0.37 0.37 0.35 0.33 1.00
DES2 0.30 0.34 0.40 0.32 0.30 0.62 1.00
DES3 0.36 0.31 0.40 0.35 0.29 0.50 0.66 1.00
DES4 0.32 0.31 0.38 0.38 0.26 0.45 0.48 0.51 1.00
DES5 0.28 0.31 0.39 0.29 0.26 0.64 0.73 0.57 0.48 1.00
DES6 0.33 0.38 0.42 0.38 0.27 0.65 0.67 0.62 0.58 0.73 1.00 Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
As correlações entre os itens de liderança pró-social e desempenho foram todas abaixo de 0.30. E no que diz respeito às correlações entre os itens de capacidade de inovação e desempenho, 13 correlações apresentaram valores acima de 0.40, 38 acima de 0.30 e 9 acima de 0.20. O item de capacidade de inovação que apresentou menores correlações com o desempenho foi IP5.
117 Uma vez terminada a análise do modelo de mensuração, foi iniciado o processo de avaliação do modelo estrutural. Os resultados foram organizados apresentando primeiro os efeitos diretos, depois os efeitos indiretos, e por último, os efeitos totais expostos na avaliação das hipóteses do modelo final.
Depois de determinar que o ajuste geral do modelo estimado em SRMR=0.0551, aceitou que o valor da medida de discrepância está abaixo do quantil de 95% da distribuição de referência correspondente, o que fornece evidência empírica para o modelo postulado. Ou seja, é possível aceitar que os dados empíricos se referem à uma realidade que funciona conforme teorizado pelo modelo.
Uma vez determinado isso, passou-se a considerar as estimações dos coeficientes de caminho e seus níveis de significância. Os coeficientes de regressão padronizados (β) são interpretados como uma mudança nos desvios padrão da variável dependente, se uma variável independente é aumentada em um desvio padrão, enquanto todas as outras variáveis independentes na equação permanecem constantes. Assim, o efeito das variáveis independentes nas variáveis dependentes é determinado se é ou não estatisticamente significativo (Benitez et al., 2020).
A Tabela 12 mostra os resultados obtidos nos efeitos diretos. A direção das relações diretas propostas no modelo estrutural se mostrou significativas. Existe um efeito direto entre capacidade de inovação e desempenho (β=0.5303, p<0.001). Existe um efeito direto entre liderança pró-social e desempenho (β=0.1501, p<0.001). E existe um efeito direto entre liderança pró-social e capacidade de inovação (β=0.3920, p<0.001).
Tabela 12 - Inferência dos efeitos diretos
Efeitos diretos Β M se t-valor p-valor
Capacidade Inovação -> Desempenho 0.5303 0.5304 0.0412 12.8769 0.0000 Liderança Pró-social -> Desempenho 0.1501 0.1530 0.0430 3.4950 0.0005 Liderança Pró-social -> Capacidade Inovação 0.3929 0.3984 0.0388 10.1318 0.0000 Nota. β: coeficiente original. m: média. se: erro padrão.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
A Tabela 13 mostra os valores do único efeito indireto proposto no modelo estrutural.
Também significativo, os indicadores confirmam a existência do efeito (β=0.0.2084, p<0.001).
O fato de existir esse efeito indireto aponta para uma possível ação mediadora da capacidade de inovação sobre a relação entre liderança pró-social e capacidade de desempenho.
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Tabela 13 - Inferência do efeito indireto
Efeito indireto Β M se t-valor p-valor
Liderança Pró-social -> Desempenho 0.2084 0.2112 0.0252 8.2648 0.0000 Nota. β: coeficiente original. m: média. se: erro padrão.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
O modelo final de avaliação da estrutura teórica proposta pode ser visto na Tabela 14.
Além de ser possível observar os coeficientes caminho, também é possível notar os resultados da variância explicada das variáveis dependentes (R2) e do tamanho do efeito (f2). O indicador da variância explicada mostra o grau da força de um efeito - seja direto, indireto ou combinado -, quando um fenômeno já é conhecido dos estudiosos se espera que haja valores altos de R2, não obstante, valores baixos de R2 podem ser aceitáveis quando o fenômeno estudado ainda não é bem conhecido (Benitez et al., 2020). A medida do tamanho do efeito é independente do tamanho da amostra, e indica a relevância prática de um efeito, ou seja, o grau de força de um efeito. Como referência é sugerido que f2 < 0.020 seja considerado como a não existência de efeito substancial, valores entre 0.020 ≤ f2 < 0.150 considerados como tamanho do efeito fraco, entre 0.150 ≤ f2 < 0.350 como tamanho do efeito médio e valore de f2 ≥ 0,350 como tamanho do efeito grande (Cohen, 1998).
Tabela 14 - Modelo final (Efeitos totais)
Efeito β M Se t-valor R2 aj. p-valor f2 Hipótese
Capacidade Inovação ->
Desempenho 0.5303 0.5304 0.0412 12.8769
0.3638
0.0000 0.3753 Confirmada Liderança Pró-social ->
Desempenho 0.3585 0.3642 0.0413 8.6809 0.0000 0.0301 Confirmada Liderança Pró-social ->
Capacidade Inovação 0.3929 0.3984 0.0388 10.1318 0.1527 0.0000 0.1825 Confirmada Nota. β: coeficiente original. m: média. se: erro padrão. R2 aj.: coeficiente de determinação ajustado. f2: Tamanho do efeito de Cohen.
Fonte: Elaboradora pela autora (2020).
A Hipótese 1a que estabeleceu que a liderança pró-social se relaciona positivamente com a capacidade de inovação foi confirmada no modelo estrutural (Tabela 14), o coeficiente original possui sentido positivo, o coeficiente de determinação indica que a relação é válida em 15.27% da amostra, a relação é significativa (p<0.001) e o tamanho do efeito obtido possui grau médio (f2=0.1825).
A Hipótese 1b que estabeleceu que a liderança pró-social se relaciona positivamente, com um efeito direto, com o desempenho organizacional foi confirmada no modelo estrutural (Tabela 12). O coeficiente original apresentou sentido positivo e significativo (β=0.1501, p<0.001).
119 A Hipótese 2 onde foi estabelecido que a capacidade de inovação se relaciona positivamente com o desempenho organizacional também foi confirmada (Tabela 14). O coeficiente original mostrou-se com sentido positivo e significativo (β=0.5303, p<0.001), o coeficiente de determinação do constructo desempenho indicou que é representativo de 36.38%
da amostra e o tamanho do efeito encontrado pôde ser classificado como grande.
E por último, a Hipótese 3 onde preconizou-se que a liderança pró-social exerce um efeito indireto sobre a relação entre a capacidade de inovação e o desempenho, foi confirmada (Tabela 13 e 14). O efeito indireto apresentou coeficiente original de sentido positivo e significativo (β=0.2084, p<0.001), entretanto, com um tamanho do efeito considerado pequeno (f2=0.0301).
A indicação da existência de um efeito mediador levou à execução de um modelo direto entre liderança pró-social e desempenho para avaliar se ao inserir o constructo de capacidade de inovação haveria diminuição da relação inicial. Foi detectada uma diminuição da força de relação, entretanto, a força inicial não apresentou grau suficiente (> 0.71) para poder ser determinada a existência da mediação. Porém, como as relações obtidas no modelo se apresentaram significativas, conforme preconiza Hair et al., (2014) e Bido e Silva (2019), é possível concluir que há um efeito mediador parcial da capacidade de inovação sobre a relação entre liderança pró-social e desempenho organizacional.