5.3 Análise dos Casos
5.3.5 Nutrilite (Amway)
168
169 localidades cogitadas pela Nutrilite no momento da entrada, é preciso utilizar “muito mais insumos para poder controlar as pragas e doenças” (N2).
A empresa adquiriu a fazenda no Ceará “por um valor que era inferior porque ela devia ao Estado e o Estado pegou a propriedade como dívida e nós adquirimos a propriedade a um valor bem mais baixo”(N2).
A fazenda emprega cerca de 500 pessoas, um número que flutua dependendo da produção, mas que já chegou perto de 1000 (N1). Está na região do semi-árido do Nordeste e desenvolve uma produção integrada. “Temos uma produção própria que é mais ou menos 20% da produção da fábrica e 85% ela é pequenos produtores industrial que é na própria fazenda e na região da Paraíba que é no Piauí que fica uns 60km da fazenda” (N2).
Apesar de que outros estados tentaram atrair a empresa, mas “Temos todo um investimento, toda uma logística, todo um relacionamento, já atuamos 20 anos ali na região” (N2). A região enfrentou problemas com seca no passado e a empresa investiu em infraestrutura para amenizar o problemas, beneficiando a população local, seus fornecedores. “Hoje somos muito mais eficientes [no] uso da água, hoje a gente compartilha também com a comunidade”. Antes a fazenda gastava quase 1.300 litros por quilo de acerola e hoje gasta entre 750 e 800 litros. “Reduzimos pela metade (...) tudo que fazemos ali que seja um benefício pra comunidade, nós tentamos compartilhar”(N2).
Em relação ao aprendizado local, a empresa tem estudado algumas plantas do Brasil.
“Não temos aplicados ainda, mas temos descoberto bastante potencial, como no potencial nutritivo, que pode ser aplicado nos nossos produtos”. Com o apoio da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agrícolas) e outros parceiros, “a gente também tem melhorado muito a questão da variedade da acerola”. (N2)
A Embrapa é um parceiro fundamental. “Nós contratamos a Embrapa pra fazer as mudas para nós e para implantar todos os pomares. (...) começamos com 60 variedades (...) e com o tempo fomos melhorando junto com a Embrapa”(N2). Foi feito inclusive o
“lançamento de uma variedade que é a mais plantada hoje, a variedade Jaburu, que tem nos ajudado a fazer mais com meno” (N2). Houve um aumento na qualidade do pó.
Antes “a gente começava com 13% de vitamina C, hoje a gente está com 20%” (N2).
Essas foram desenvolvidas no Brasil e têm sido aproveitadas na matriz. “imagina você aumentar 5% de um ingrediente ativo, isso significa uma cápsula menor no final, a gente trabalha com suplementos também”(N2).
170 A empresa encontrou no local a mão de obra abundante, “por ser uma região pobre, a oferta da mão de obra é boa. A qualidade também, na parte operacional”(N2). Em relação à parte de gestão, a maioria é de fora, de Fortaleza e de outros estados, como Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais. “Mas ultimamente a gente tem visto uma melhoria significativa de talentos locais principalmente pela região de Fortaleza e Sobral”, no Ceará (N2).
A empresa investe em programas de qualificação e no momento não possui estrangeiros nas posições de gerência. A porcentagem, de expatriados sempre foi baixa, já que a empresa depende mais dos produtores locais (N1).
Dentre as barreiras encontradas, destaca-se a tecnologia e a falta de adequação das empresas à própria lei brasileira em relação ao trabalho para fornecerem os equipamentos necessários. Para ficar dentro da lei, tiveram que “trazer empresas de Fortaleza e até de São Paulo” (...) por questões trabalhistas e técnicas. Acaba tendo um adicional de deslocamento” (N2).
N2 considera o incentivo que receberam da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) importante, mas não relevante. O ganho destacado foi com a compra da fazendo a um preço mais baixo.
A unidade brasileira produz basicamente a matéria prima para a matriz, a vitamina C em pó, “que é exportada para o Estados Unidos e para a China e quando vem para o Brasil, já é um suplemento elaborado”(N2). A exportação chega ao redor de “99%, não chega nem 1% o que a gente vende para o Brasil” (N1).
A Nutrilite é pioneira no trabalho com suplementos vitamínicos a base de extrato de botânicos, sendo boa parte da vitamina vinda de fontes naturais. Eles tentaram produzir no Havaí, no México e em Porto Rico, “mas não deu certo e eles desceram para o Brasil” por uma “questão climática, (...) no Nordeste a qualidade das frutas é muito superior e várias opções”(N2).
Os parceiros locais “são os pequenos produtores, são 16 famílias que de produtores de acerola que são nossos parceiros”(N2). Além da Embrapa,” temos a Universidade Federal do Ceará e a prefeitura de Ubajara que apoia alguns projetos”(N2). A empresa mantém um setor de P&D no local.
A autonomia em termos de investimento é considerada alta, em torno de 70%, um pouco menos quanto às especificações do produto e um pouco mais em termos de marketing. A empresa tem hoje “dois tipos de clientes: a nossa Nutrilite, que é o nosso
171 principal cliente e também a empresa Nutribotânica, que não é Nutrilite, são outras empresas, às vezes até concorrentes”, instaladas na Europa e Estados Unidos (N2). Para otimizar a capacidade instalada, a divulga o produto, visita feiras. Basicamente, produzem 4 produtos: a acerola fruta, os insumos agrícolas, o concentrado que é o xarope da acerola, e o pó que é o nosso principal produto”(N2). Boa parte do concentrado, das frutas e dos insumos vão para terceiros e alguns parceiros. A autonomia em compras é quase total e configuração da manufatura local segue os padrões da empresa, mas as estratégias podem ser locais.
A empresa possui competidores no Brasil, como, a Uniagro, em Pernambuco, e a Eba em Sergipe. Em alguns casos, também são parceiros, como é o caso da Duas Rodas, em SC. Os insumos são obtidos no Brasil (80%) e de fora (20%). Cerca de 45% das vendas da Amway são da Nutrilite.
Em termos de inovações gerenciais, a empresa está trabalhando com o Modelo de Excelência em Gestão, desenvolvido pela Fundação Nacional da Qualidade e que está sendo aplicado “ao nosso processo e temos tido bastante questionamento (...) e isso tem trazido muita dificuldade por parte de outras unidades do grupo (...) a gente espera que no futuro possa passar esse modelo para toda a organização”(N2).
A Nutrilite desenvolve ações de responsabilidade social com algumas “as escolas ou alguma unidade da região em relação à reciclagem de lixo ou agricultura, música, teatro” (N2). Além disso, a empresa tem o Little Bits, um suplemento desenvolvido pela Nutrilite para cerca de 500 crianças em idade de crescimento de 5 a 8 anos. “Temos uma médica que acompanha as crianças e todos os dias fornecemos tipo um lanche com esses vitamínicos minerais que uma criança precisa por dia” (N2) A região Nordeste, é “muito pobre em termos nutricional, a criança às vezes não tem uma carne ou uma verdura, então esse suplemento é só voltado para crianças”(N2). As pessoas estão “engajadas em relação a isso, tem até um vídeo no youtube do programa, contando a história que já faz três anos que está em pratica” (N2). Esse programa começou no Brasil. O empresa usa o que tem na nossa fazenda e a nutricionista ensina as mães a aproveitar o que têm no seu quintal de casa, na região. Tudo o que é fácil de encontrar na região, por exemplo, “a folha da mandioca para fazer um bolo(...) ou no mingau, aí evoluiu para o Little Bits, que já é uma coisa mais elaborada, ela fica na nossa matriz e voltou uma coisa mais elaborada” (N2).
O mercado brasileiro é considerado o número 1 em desenvolvimento pela Amway, com 20% de crescimento no número de empresários no sistema de marketing multinível. A
172 empresa possui lojas no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e um centro de distribuição em Jundiaí, interior de SP (AMWAY, 2017).