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O Objeto da pesquisa: Cemitério da Recoleta

No documento PPGTH UNIVALI TÉRCIO PEREIRA Dark Tour (páginas 49-52)

3. METODOLOGIA

3.1 O Objeto da pesquisa: Cemitério da Recoleta

cemitério público”. Para cumprir esse ponto, é determinado pelo decreto de 8 de julho de 1822 que o cemitério da Recoleta será chamado Cemitério do Norte, sendo responsável por um capelão que também será seu administrador. É determinado que o depósito da polícia será o local de estacionamento do carro funerário. Quatro soldados são designados para dirigir os carros que serão equipados anualmente com roupas financiadas pelo governo. Os corpos devem ser levados diretamente da casa mortuária para o cemitério quando o administrador concorda com as partes interessadas. E a polícia ficará encarregada de controlar toda a atividade do cemitério. O cemitério do Norte abre no domingo, 17 de novembro de 1822 (MORITA; ANDRUHOW, 2017).

O desenho do plano foi solicitado ao diretor do departamento de arquitetos engenheiros da província de Buenos Aires, Ing. Próspero Catelin. Com o plano aprovado e já em execução, é emitido o decreto do governo de 3 de setembro de 1823, onde a escala de preços é estipulada de acordo com a localização dos lotes e os interesses do objetivo deste trabalho, uma vez que determina que as sepulturas preferidas são ocupadas pelos corpos daqueles cujas virtudes ou serviços relevantes à sociedade os tornaram um lugar distinto na apreciação da autoridade e de seus concidadãos, que sempre considerarão um dever perpetuar a memória de tais pessoas.

cidadãos dignos de depositar suas cinzas (MORITA; ANDRUHOW, 2017). Segundo os autores, o governo, seguindo o tom da fundação do decreto, retém para si mesmo os espaços no cemitério, como apresentado no Decreto 705. “Sepulturas”. 3 de septiembre de 1823. En: Prado y Rojas, Aurelio. 1877. Leyes y decretos promulgados en la provincia de Buenos Aires desde 1810 hasta 1876 "... algumas sepulturas para designá-las oficialmente àquelas pessoas que se distinguem por seus méritos contratados em qualquer ramo do serviço público ...", assim reserva um Espaço em lote para sepulturas destinadas ao panteão de cidadãos meritórios, à direita da rua principal de entrada do cemitério.

Entre 1810 e 1850 a população de Buenos Aires dobrou, chegando a 80 mil hab. e em 1890, alcançou a marca de 530 mil hab. Essa realidade teve uma maior preocupação por parte dos governadores no âmbito de urbanização da cidade e ao mesmo tempo de seus cemitérios (MAGAZ; AREVALO, 1993). Para isso, foi confiada ao engenheiro Próspero Catelin o planejamento, que não ocorreu como o esperado, uma vez que as inundações permaneceram ocorrendo. Além do mais, o cemitério foi crescendo com a aquisição de terrenos, porém sem um plano regulador, esquecendo do planejamento feito pelo engenheiro (MAGAZ; AREVALO, 1993).

Segundo Magaz e Arevalo (1993), durante o mandato de Torcuato de Alvear, ele se opôs ao fechamento ou transferência do cemitério com base nas considerações apresentadas pelo higienista francês Robinet, antes do projeto de Daron Haussmann para mover os três cemitérios

mais importantes de Paris. Ele também considerou para defender sua posição quanto à existência de sepulturas monumentais que foram construídas desde 1860. Na reforma de Torcuato junto com seu colaborador Juan Buschiazzo o cemitério foi organizado em forma de necrópole, contendo ruas e praças, tendo como inspiração os cemitérios europeus. Em 13 de outubro de 1882 foi estabelecido um plano para a construção de sepulcro para dar certa uniformidade. Na entrada se construiu um “propileo” formado por quatro colunas com 1,10m de diâmetro e 6,70m de altura, sem base.

“Sua cornija (moldura superior) de 2 m de altura é ornamentada com mútulos e tríglifos em cujos metópicos existem baixos-relevos alegóricos como uma borboleta, símbolo da ressurreição, a serpente enrolada da eternidade; a ampulheta que representa o tempo etc. No topo da cornija corre um sótão com uma caixa e a inscrição "requiescat in pace". O lado oposto do peristilo que olha para dentro do cemitério é igual à frente. Esta construção, perfeitamente sólida e confeccionada com os melhores materiais, possui teto com suspensórios e material de ferro, teto de gesso cartonado em forma de cassetes, piso de mármore com soleiras nos intercolúnios, largas como as colunas, onde foram simplesmente gravadas a data da criação do cemitério e na qual essas obras foram executadas "(MAGAZ; AREVALO, 1993).

. Os primeiros sepulcros em meados do século XIX foram muitos simples, porém com o passar do tempos, se manifestaram influências italianas em consequência da chegada dos imigrantes e por seu progressivo ascenso social integrando na burguesia da cidade de Buenos Aires, impondo seu gosto por modelos greco latinos, tendo forte prevalência no romanticismo classista. Já em meados do século XX o cemitério passou a ter influência francesa. Além das duas já mencionadas, a arte tumular teve influências góticas, bizantinas, romanas, egípcias etc.

(MAGAZ; AREVALO, 1993).

Invocações poéticas, discursos de despedida, anúncios de funeral e homenagens póstumas foram postos a serviço das celebrações póstumas recorrentes realizadas na cidade de Buenos Aires, no início do século XX. Juntamente com essas expressões escritas, foram combinadas expressões materiais majestosas e belas reproduções iconográficas que atestam a importância social e política da morte. Nos discursos, nos mausoléus, nas pinturas, nas fotografias, nos funerais ou na visita ao cemitério, é possível detectar como a morte invade o espaço público e como suas cerimônias denotam, por um lado, hierarquias sociais e, por outro, sua estreita conexão com a arte. O progresso da família burguesa desde as últimas décadas do século XVIII e até o primeiro do século XX, ocorreu nas sociedades ocidentais, surgiu, como sabemos nas obras de Philippe Aries, com desespero diante de " morte dos outros ", a dos entes queridos. Essa lágrima que os depoimentos de Buenos Aires invocaram em frases como

"intensidade da dor", "arrependimento eloquente", "sensação profunda" e "infame novo”

alimentaram - além de possíveis reflexões sobre a própria morte - o medo ao esquecimento ou

que os entes queridos não são valorizados de maneira adequada e suficiente. Ao mesmo tempo, as transformações colossais da sociedade provocaram o medo da perda de visibilidade social entre as elites de Buenos Aires. Como lembrar os mortos e como manter a primazia social e política tornaram-se necessidades prementes e prioridade neste momento específico, de modo que a intenção deste artigo é começar a explorar esses medos, analisar alguns dos vários dispositivos criados para exorcizar esses medos (GAYOL, 2009).

Entre 1881 e 1914, observa Gayol (2009), a população da Argentina triplicou e seus habitantes eram três vezes mais ricos. Sendo assim, houve um crescimento espetacular do cemitério da Recoleta. Embora os preços dos túmulos tenham aumentado substancialmente, pois os recursos eram usados para financiar a reforma dele, a procura por eles era maior que a oferta, principalmente por terem diversas construções ao redor do cemitério que limitava sua expansão.

Com isso começou uma disputa arquitetônicas, estimuladas principalmente pelos jornais, que traziam em suas matérias os nomes e sobrenomes, os custos dos mausoléus, bem como materiais.

De forma resumida, passou a ser um evento social.

Em 1940, a lei N 12.655 criou a comissão nacional dos museus e monumentos e lugares históricos com a finalidade de preservar, defender e acrescentar o patrimônio histórico e artístico da nação, a partir dela, muitos dos mausoléus foram considerados patrimônios. Em 1946, o General Edelmiro J. Farrel, afirmou pelo decreto Nº 2039 que de acordo com a lei 12665 aumentou o número de sepulcros declarados como patrimônios. Muito deles fazem parte da história da argentina. Durante a crise de 1930 nos Estados unidos, a estrutura monumental do cemitério se limitou. A austeridade e simplicidade empregou novos materiais como por exemplo o blindex. Hoje em dia o cemitério está se transformando em cemitério jardim, continuando com sua evolução estilística de acordo com a mentalidade da atualidade (MAGAZ; AREVALO, 1993).

No documento PPGTH UNIVALI TÉRCIO PEREIRA Dark Tour (páginas 49-52)