Art. 13. Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as finalidades para as quais forem realizados, atendidos os critérios indicados no art. 2º desta Lei.
Tais dispositivos trazem consigo as lições trazidas pelo princípio da economia processual, uma vez que se extrai a validade dos atos quando alcançarem a sua finalidade, podendo ser solicitado pelo juiz atos processuais em outras comarcas por qualquer meio idôneo de comunicação, bem como a gravação dos atos processuais em fita magnética que será inutilizada após o transito em julgado da decisão160.
Advém também a idéia de que não será necessário registrar todos os atos processuais, mas aqueles que demonstrarem ser essenciais para o processo.
O diploma legal acima menciona dispõe sobre o horário dos atos processuais, que poderão ser realizados à noite, independentemente de autorização judicial, o que não ocorre nas Varas Cíveis comuns, vez que o artigo 172 do Código de Processo Civil viabiliza somente em dias úteis, das seis às vinte horas.
Vejamos então as possíveis vantagens: 1ª) princípio da oralidade em grau máximo (= simplicidade, informalidade, rapidez e efetividade do processo); 2ª) inexistência de sucumbências em primeiro grau de jurisdição; 3ª) possibilidade de postular em juízo desacompanhado de advogado, nas causas valoradas até vinte salários mínimos; 4ª) opção pela arbitragem durante o processo já instaurado; 5ª) cognição restrita a certas matérias, no plano horizontal (=amplitude) e cognição ampla no plano vertical (=profundidade); 6ª) impossibilidade jurídica de intervenção de terceiros e de declaratória incidental; 7ª) grande possibilidade de ser o processo concluído num único ato; 8ª) sentenças e acórdãos concisos; 9ª) sistema recursal reduzido, hábil em facilitar a efetivação do processo (=rapidez).
As possíveis desvantagens: 1ª) polêmicas e incertezas criadas por alguns operadores do Direito a respeito da aplicação dos institutos da tutela antecipatória e acautelatória ao sistema dos Juizados Especiais (=dúvida – no nosso entende infundada – sobre a aplicação subsidiária do CPC à Lei 9.099/1995);2ª) não utilização dos ritos especiais diversificados previstos no CPC ou em leis extravagantes os quais viabilizam tutela diferenciada; 3ª) renúncia a crédito excedente a quarenta vezes ao salário mínimo; 4ª) restrição à prova pericial e ao número de testemunhas; 5ª) em geral, redução dos prazos para prática de atos processuais; 6ª) possibilidade de se verificar a extinção do processo por complexidade da matéria probatória, inadequação procedimental ou necessidade de prosseguimento com citação editalícia; 7ª) possibilidade de as audiências virem a ser presididas por conciliadores não bacharéis ou por juizes não togados; 8ª) inexistência de fase de alegações finais; 9ª) sistema recursal reduzido; 10ª) limitação ao duplo grau de jurisdição (envio das decisões para os Colégios Recursais como segunda e última instância); 11ª) descabimento de ação rescisória162.
O Autor ao optar pelo Juizado Especial estará optando conjuntamente por um Procedimento sumaríssimo, com referência aos Princípios
162 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais: comentários à Lei 9.099/1995. p. 88
norteadores, quais sejam: da simplicidade, da informalidade, da economia processual e da celeridade.
Figueira163 discorre sobre o Procedimento sumaríssimo:
Note-se que o procedimento estabelecido na Lei 9.099/1995, como dissemos, não é sumário, mas, sim, sumaríssimo – como fez questão de ressaltar o constituinte de 1988 – isto é, um rito extremamente sumário, cujas características são a rapidez, a simplicidade, a informalidade, a concentração dos atos e a economia processual. Em outros termos, um processo fundado na oralidade em grau máximo. Com o advento da Lei 8.952/1994, parece que, finalmente, conseguimos chegar a uma boa técnica procedimental e terminológica, o procedimento sumário, previsto no art. 272 c/c 275 do CPC, e o sumaríssimo regulado nesta lei especial, cuja distinção entre ambos é,sem dúvida, flagrante.
Claro que a escolha caberá ao Autor que avaliará o melhor juízo para a impetração de sua demanda, podendo até se for o caso renunciar o valor excedente cabível na Competência dos Juizados Especiais com a finalidade da obtenção de um processo mais célere e a satisfação de seu direito num curto tempo e sem tantas formalidades.
3.2.1. Do pedido
O pedido dentro dos Juizados Especiais será admitido digitado ou manuscrito pelo interessado, podendo ser reduzido a termo junto à Secretaria do Juizado Especial, possibilitando com isso um maior Acesso à Justiça para as pessoas carentes tanto financeiramente como juridicamente, o que se vê pelas lições de Figueira164:
De uma forma geral, o que constatamos nacionalmente é a facilitação normativa e fática do acesso à Justiça e, a cada dia que passa, tem- se a sensação de que a notícia da “boa nova” se espalha, e cada vez
163 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais: comentários à lei 9.099/1995. p. 74
164 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais : comentários à Lei 9.099/1995. p. 172
mais o jurisdicionado, em particular as camadas mais carentes da comunidade, tem acorrido às secretarias dos Juizados para formularem seus requerimentos, simples e informais.
Por André Luis Melo165 o pedido “é um dos pontos mais importante da ação, pois a fundamentação é facilmente modificada até na sentença, mas o pedido não”.
O artigo 14 da Lei 9.099 de 1995 ordena os requisitos do pedido, que deverão obedecer a uma linguagem clara, simples e acessível, constando o nome, a qualificação, endereço das partes, os fatos e fundamentos de forma sucinta, o objeto e seu valor, sendo lícito formular pedido genérico quando não for possível determinar a extensão da obrigação.
No caso de pedidos alternativos e cumulados, deverão satisfazer os requisitos da Competência dos Juizados Especiais e sua soma não poderá exceder o limite de quarenta salários mínimos e ultrapassando os vinte salários mínimos deverá ser acompanhado de advogado166.
O Autor que procurar a Secretaria do Juizado Especial para formular seu pedido, sairá intimado para a audiência de Conciliação que será designada no próprio ato pelo servidor judicial167.
Situações raras podem ocorrem no caso de ambas as partes procurarem o Juizado Especial na tentativa de uma composição, será instaurada sessão de Conciliação, dispensando o registro de prévio pedido e citação e no caso de existir pedido contraposto poderá ser dispensada a contestação formal e ambos serão apreciados na mesma sentença168.
165 MELO, André Luis Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais comentada. p. 26.
166 MELO, André Luis Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais comentada. p. 27
167 Artigo 16 da Lei 9.099, de 05 de novembro de 1995.
168 Artigo 17 da Lei 9.099, de 05 de novembro de 1995.
Das lições do doutrinador Hélio Costa169 extrai-se:
O registro do pedido inicial não é de todo desnecessário. Se da pretensão das partes, levadas imediatamente à sessão conciliatória, resultar o acordo entre os contendores, os registros do pedido inicial e mesmo do pedido contraposto serão prescindíveis. É que o acordo estabelece os limites das obrigações das partes e, homologado por sentença, torna-se inatacável por meio de recurso (art. 41 desta lei). Assim, se houver inadimplemento do acordo homologado por sentença, a parte interessada poderá promover a execução (art. 52 desta lei), sem prejuízo da ausência do registro.
Assim dos entendimentos doutrinários, entende-se que existirá a necessidade de formalização de pedido nos casos de acordos homologados mesmo que comparecendo as partes para autocomposição junto ao Juizado Especial, para que ocorra a segurança jurídica da parte que poderá valer- se de uma possível execução ou recurso.
3.2.2. Da citação, intimação e revelia
Nos entendimentos de Humberto Theodoro Júnior a efetivação da citação é a relação completa do autor, do juiz com o lado passivo da demanda, estabelecendo assim o início do contraditório e da ampla defesa,não podendo a parte autora modificar seu pedido inicial ou a causa de pedir, sem o consentimento da parte adversa170.
Objetivando a celeridade do processo, a Lei dos Juizados Especiais estabeleceu a realização da citação por correspondência, com aviso de recebimento em mãos próprias para as pessoas físicas e com relação as pessoas jurídicas ou firma individual, mediante entrega ao encarregado da recepção, que será obrigatoriamente identificado, conforme disposto no artigo 18 da mencionada lei.
169 COSTA, Hélio Martins. Lei dos juizados especiais cíveis: anotada e sua interpretação jurisprudencial. p. 78
170 THEODORO, Humberto Júnior. Curso de direito processual civil. p. 274
Hélio Costa171 discorre sobre a citação pelo correio, considerando válida quando assinada por pessoa devidamente identificada no domicílio do réu, devendo conter advertência expressa quanto aos efeitos do não- comparecimento do réu:
Se o aviso de recebimento é assinado por pessoa devidamente identificada no domicílio do réu, e que não tenha nenhum interesse na ação, é de se considerar válida a citação. A Lei 9.099 não exige a citação pessoal. A expressão “mão própria” contida na lei não quer dizer, a meu ver, que a citação deverá ser entregue à pessoa do réu. (..) A citação deve conter advertência expressa quanto aos efeitos do não-comparecimento do réu.
Figueira172 adianta que a citação deverá ser realizada no prazo não inferior à dez dias, independentemente da data da junta aos autos do respectivo mandado ou aviso postal, mas do recebimento da citação.
A citação por oficial de justiça será admitida quando infrutífera a possibilidade de procedência por correia, incidindo a sua realização sobre o pagamento das diligências do oficial da justiça.
O doutrinador Chimenti173 racionaliza sobre a citação por oficial de justiça:
A necessidade, em regra, decorre de dois fatores: 1) o local onde o destinatário pode ser localizado não é servido pelos correios; 2) o destinatário oculta-se ou cria outros óbices para que a citação postal possa ser formalizada.
No Juizado Especial Cível é inadmissível a citação editalícia, ocorrendo a sua necessidade serão remetidos os autos à redistribuição para uma Vara Cível, possibilitando a economia das peças e atos praticados anteriormente.
171 COSTA, Hélio Martins. Lei dos juizados especiais cíveis : anotada e sua interpretação jurisprudencial. p. 81
172 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais: comentários à lei 9.099/1995. p. 206
173 CHIMENTI, Ricardo Cunha.Teoria e prática dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. p. 140/141
No que se refere às intimações, o artigo 19 da Lei 9.099 apregoa a similitude aos atos praticados para a citação, acrescentando também a possibilidade de realização por qualquer meio idôneo de comunicação.
Chimenti174 acrescenta sobre as conseqüências e possibilidade de intimação:
A intimação será feita na forma prevista para a citação ou por qualquer outro meio idôneo de comunicação (fac-símile, fonegrama, etc). A intimação por telefone deve ser considerada válida se acompanhada de comprovante de seu recebimento (normalmente via fac-símile emitido pelo recebedor). Havendo advogado constituído nos autos, o assistido será considerado intimado com a simples publicação do ato no órgão oficial. A parte ou o advogado presente em Cartório serão diretamente intimados pelo escrivão ou escrevente da Secretaria. Caso o intimado se recuse a apor seu ciente, a ocorrência deverá ser certificada pelo Servidor.
Sobrepondo a matéria, o §1º e §2º do mencionado diploma legal traz consigo a intimação das partes em audiência relacionadas aos atos praticados e concomitantemente a ciência da obrigatoriedade de aviso no caso de mudança de endereço, reputando-se eficazes as intimações enviadas ao local anteriormente indicado.
3.2.3. Audiência de Conciliação e Julgamento
A Conciliação é vista por Chimenti175 como uma vantagem recíproca das partes, obtendo soluções que muitas vezes a própria sentença de mérito não poderia trazer, trazendo como exemplo aqueles casos em que as pessoas desejam solucionar uma dívida, mas só conseguem faze-lo mediante o parcelamento de débitos, os quais são presenciados frequentemente nas tentativas de Conciliação.
174 CHIMENTI, Ricardo Cunha. Teoria e prática dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. p. 148
175 CHIMENTI, Ricardo Cunha. Teoria e prática dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. p. 158
A audiência de Conciliação é expressamente prevista na Lei dos Juizados Especiais, disposta nos artigos 21 e 22:
Art. 21. Aberta a sessão, o Juiz togado ou leigo esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação, mostrando- lhes os riscos e as conseqüências do litígio, especialmente quanto ao disposto no §3º do art. 3º desta Lei.
Art. 22. A conciliação será conduzida pelo Juiz togado ou leigo ou por conciliador sob sua orientação.
Parágrafo único. Obtida a conciliação, esta será reduzida a escrito e homologada pelo Juiz togado, mediante sentença com eficácia de título executivo.
A audiência de Conciliação será presidida pelo Juiz togado ou leigo ou por Conciliador que orientará as partes sobre as vantagens da Conciliação. Obtendo composição, o mediador reduzirá o acordo que será posteriormente homologado pelo Juiz togado, incidindo efeitos de título executivo.
Não comparecendo o demandado à audiência de Conciliação ou instrução e deixando de apresentar defesa, embora devidamente citado ou intimado para o ato, será aplicada a pena de revelia, presumindo-se verdadeiros os fatos alegados na inicial, conforme disposto no artigo 20 da Lei Especial.
Muito embora sejam presumidos verdadeiros os fatos alegados na inicial, André Melo176 ressalta que “a presunção de verdade não é absoluta, podendo o juiz julgar o pedido improcedente”, seja pela falta de provas produzidas pelo autor ou por dados contidos no processo.
O momento mais oportuno para a apresentação da resposta do réu é ao final da audiência de Conciliação, a qual poderá ser oral ou escrita, contendo toda a matéria de defesa. Porém, é defeso a argüição de suspeição ou impedimento que deverá se processar em peça apartada.
176 MELO, André Luís Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais anotada.
p. 31
Ainda, extrai-se no artigo 31 da Lei a proibição da reconvenção nos Juizados Especiais, podendo o autor formular pedido contraposto em contestação.
Não obtida a composição amigável e tampouco tendo havido opção pelo juízo arbitral, proceder-se-á imediatamente à audiência de instrução e julgamento, desde que não resulte prejuízo para a defesa. Não sendo possível sua realização imediata, será a audiência designada para um dos quinze dias subseqüentes, cientes desde logo, as partes e testemunhas eventualmente presentes177.
Na audiência de instrução e julgamento serão ouvidas as testemunhas que deverão ser arroladas no prazo de cinco dias antes da audiência e depoimentos pessoais, sendo o ato presidido tanto pelo juiz togado como pelo Juiz Leigo.
Nogueira178 elucida de forma clara:
O rol de testemunhas deve ser apresentado à Secretaria no mínimo cinco dias antes da audiência, e, não comparecendo a testemunha intimada, o juiz poderá determinar sua imediata condução.
Assim, a finalidade da audiência de instrução e julgamento é justamente para produção de provas, como oitiva de testemunhas e depoimentos pessoais das partes.
3.2.4 Sentença
Encerrada a audiência de instrução e julgamento, tem-se o início da fase de julgamento e publicação da sentença, o que no entendimento de Figueira a sentença atinge um fim único, específico e muito nobre, qual seja, o de fazer Justiça no caso concreto, extinguindo a lide através do dispositivo de acolhimento ou de rejeição do pedido179.
177 NOGUEIRA, Paulo Lúcio. Juizados especiais cíveis e criminais. p. 30
178 NOGUEIRA, Paulo Lúcio. Juizados especiais cíveis e criminais. p. 32
179 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais: comentários à lei 9.099/1995. p. 261
Ao analisar os dispositivos legais que convergem a matéria, representados pelos artigos 38 à 46 extrai-se várias particularidade no âmbito do Juizado Especial Cível, sendo a primeira delas a dispensa de relatório na sentença, buscando com isso a celeridade processual.
Advém, ainda, a inviabilidade de sentenças condenatórias por quantia ilíquida, ainda que em pedido genérico, tendo em vista que poderá a parte de imediato requerer a execução da sentença, sem que passe por uma desgastante liquidação de sentença presente no Juízo Comum.
O artigo 39 estabelece a ineficácia da sentença quando exceder a alçada estabelecida pela Lei, mas no entendimento de André Melo nada impede que a sentença nos Juizados Especiais exceda o valor de quarenta salários mínimos, mas o excesso não terá força de execução180.
Nos casos de sentenças proferidas por Juizes leigos, serão submetidas à apreciação do Juiz togado que poderá proferir nova sentença ou homologará de imediato a decisão.
3.2.5. Dos recursos
A Lei dos Juizados Especiais prevê um único recurso inominado, que será julgado por uma turma composta por três juízes togados, em exercício no primeiro grau de Jurisdição, reunidos na sede do Juizado, existindo nesta fase processual a obrigatoriedade da presença de advogado constituído para ambas as partes181.
O recurso será interposto no prazo de dez dias, contados da ciência da sentença, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente, sendo que o preparo deverá ser realizado no prazo de quarenta e oito horas seguintes a interposição, sob pena de deserção. Após o preparo será o
180 MELO, André Luís Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais anotada. p. 38
181 NOGUEIRA, Paulo Lúcio. Juizados especiais cíveis e criminais. p. 33
recorrido intimado para apresentar suas contra-razões no prazo de dez dias, conforme apreciação do artigo 42 e seus parágrafos da Lei dos Juizados Especiais.
Com relação ao efeito do recurso, este será somente devolutivo, podendo ser conferido efeito suspensivo para evitar dano irreparável para a parte, não suspendendo a execução182.
André Melo183 subtrai do artigo 46 a menção do julgamento de segunda instância, mas esclarece que a expressão é equivocada, pois não existe uma uniformização das decisões das Turmas, o que não ocorre nos Tribunais de Justiça.
Na verdade, não existe uma regra para os julgamentos nas Turmas, as quais tentam copiar o modelo dos Tribunais, o que entendemos ser equívoco, pois é um sistema totalmente diferente.
Não há necessidade de relator, revisor, relatório e membro do Ministério Público como custos júris e outras formalidades típicas do antigo sistema.
Assim, a lei não exige uma elaboração complexa das decisões das Turmas de Recurso, o que não é visualizada nos casos habituais em que os juizes usam de palavras rebuscadas para elucidar seu posicionamento, dificultando com isso a principal finalidade da criação dos Juizados Especiais, que seria o Acesso à Justiça.
A Lei Especial ainda possibilita o cabimento de embargos de declaração quando na sentença houver obscuridade, contradição, omissão ou dúvida, que serão interpostos por escrito ou oralmente, no prazo de cinco dias, contados da ciência da decisão, suspendendo o prazo para recurso184.
182 MELO, André Luís Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais anotada. p. 41
183 MELO, André Luís Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais anotada. p. 41
184 MELO, André Luís Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais anotada. p. 42
3.1.6. Execução
A Seção XV da Lei Especial trata especificamente da execução, inovando o processamento ao determinar a subsidiariedade das normas processuais civis com a aplicação da fase executória nos Juizados Especiais.
Figueira185 divulga a sistemática da execução por título judicial e a execução por título extrajudicial:
Não usando de boa técnica, o legislador sistematizou separadamente e regulou em dispositivos diversos as execuções fundadas em título judicial e extrajudicial, quando o procedimento e as formas de satisfação dos créditos são absolutamente idênticos.
Os processos não diferem em nada, enquanto a única distinção reside na natureza do título exeqüendo.
Na forma apresentada, não existirá diferenciação dos procedimentos para o título executivo judicial ou para o título executivo extrajudicial procedente da mesma forma, nos moldes apresentados pelos incisos do artigo 52 da Lei.
As características marcantes da execução, vislumbra-se na liquidez das sentenças, as quais conterão a conversão em Bônus do Tesouro Nacional, ou índice equivalente.
Para Figueira186 “a execução inicia-se informalmente, nos próprios autos, sem citação do executado, bastando a sua intimação pessoal ou de seu advogado, se for o caso” e nos casos de execução por quantia certa “não havendo o cumprimento voluntário da sentença, expedir-se-á mandado de penhora para pagamento em 24 horas, sob pena de penhora”.
Os Juizados Especiais tendem a uma outra particularidade, a ausência da citação em fase executória de título judicial, procedendo desde a
185 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais : comentários à lei 9.099/1995. p. 313
186 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais : comentários à lei 9.099/1995. p. 315
ocorrência do trânsito em julgado e do descumprimento da obrigação com a intimação para oferecimento de garantia da obrigação judicial187.
Chimenti188 elucida sobre o processamento da execução nos Juizados Especiais demonstrando que não havendo bens passíveis para a garantia do juízo, tampouco apresentando os executados bens passíveis de penhora, o processo será extinto e desentranhado os documentos para posterior execução quando encontrados bens em nome do devedor.
Das execuções, caberão ainda embargos ao devedor, objetivando desconstituir, no todo ou em parte, o título executivo, caracterizando o principal instrumento de defesa do executado e somente podem ser opostos após o juízo estar garantido pela penhora ou pelo depósito189.