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PRINCÍPIOS

No documento Monografia Joana - Univali (páginas 54-64)

O artigo 2º da Lei 9.099/95 elucida diversos Princípios norteadores dos Juizados Especiais Cíveis Estaduais, os quais convergem na

111 SOUSA, Álvaro Couri Antunes. Juizados especiais federais cíveis : aspectos relevantes e o sistema recursal da Lei nº 10.259/01. p. 57

112 CHIMENTI, Ricardo Cunha. Teoria e prática dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. São Paulo : Saraiva, 2005. p. 05

113 TOURINHO NETO, Fernando da Costa e outro. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais : comentários à Lê 9.099/1995. 4 ed. São Paulo : Revista dos Tribunais, 2005. p. 39

viabilização do amplo Acesso à Justiça e na busca da Conciliação entre as partes, sem a violação das garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa.

Antes de iniciar a taxionomia dos Princípios que orientam os Juizados Especiais, vale a classificação da palavra Princípios e a sua amplitude no ordenamento jurídico brasileiro.

Silva114 esclarece que a palavra princípio apresenta a acepção de começo, de início ou um mandamento nuclear de um sistema ou também como sendo ordenações que se irradiam e imantam os sistemas de normas, são núcleos de condensação, os quais confluem valores e bens constitucionais.

Grinover115 ressalta a especificidade dos Princípios em determinados ordenamentos jurídicos especiais, o que pode ser implantado na Lei dos Juizados Especiais, na forma que se apresenta:

Através de uma operação de síntese crítica, a ciência processual moderna fixou os preceitos fundamentais que dão forma e caráter aos sistemas processuais. Alguns desses princípios básicos são comuns a todos os sistemas, outros vigem somente em determinados ordenamentos. Assim, cada sistema processual se calca em alguns princípios que se estendem a todos os ordenamentos e em outros que lhe são próprios e específicos. É do exame dos princípios gerais que informam cada sistema que resultará qualifica-lo naquilo que tem de particular e de comum com os demais, do presente e do passado.

O que se vê ao analisar o artigo 2º da Lei nº. 9.099/95 é o aparecimento da nomenclatura critérios e não Princípios, o que gera uma controversa na sua aplicabilidade, uma vez que critério é aquilo que serve de base para a comparação, ao ponto que o princípio é categoria constitucional, elemento predominante na constituição, existindo diversos deles relacionados com o processo.

114 SILVA, Afonso da Silva. Curso de direito constitucional positivo. p. 95

115 GRINOVER, Ada Pellegrini. Teoria geral do processo. p.50

Muito embora o legislador tenha utilizado a terminologia critérios, o que se vê é a aplicabilidade de Princípios, uma vez que sua força implica afronta não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema processual.

O doutrinador Joel Dias Figueira116 aborda com clareza a presente análise, ressaltando que em que pese ao legislador ter-se utilizado da expressão “critérios” orientadores do processo nos Juizados Especiais, estamos diante de verdadeiros princípios gerais.”

Proclama pela mesma ideologia os ensinamentos de Hélio Martins Costa117:

Cuida o dispositivo dos princípios gerais que orientam o processo em sede de Juizado Especial. Este elenco de princípios tem por principal objetivo a desformalização do processo tradicionalmente arraigado de formalismo, de modo a torná-lo mais simples, ágil, eficiente, democrático e, principalmente, mais próximo da sociedade, facilitando o acesso à justiça.

Elucidando a temática, Nogueira118 ressalta:

Todo processo, por mais simples que seja, precisa estar cercado de certos princípios que lhe dêem a devida garantia legal. Há os tradicionais princípios do “processo legal”, sem os quais este não reveste da necessária legalidade e que podem inclusive ensejar possíveis nulidades.

Vencendo a controversia da distinção entre critérios e Princípios, conclui-se que os Princípios orientadores dos Juizados Especiais são levados ao mundo jurídico para tornar o processo mais ágil para solucionar os

116 FIGUEIRA JUNIOR, Joel Dias e outro. Juizados especiais estaduais cíveis e criminais:

comentários à Lei 99.099/1995. 4 ed. São Paulo : Revista dos Tribunais,2005. p. 68

117 COSTA. Hélio Martins. Lei dos juizados especiais cíveis : anotada e sua interpretação jurisprudencial. 2ed. Belo Horizonte : Del Rey Editora, 2000. p. 20

118 NOGUEIRA, Paulo Lúcio. Juizados especiais cíveis e criminais. São Paulo : Saraiva, 1996. p. 07

conflitos sociais, trazendo efetividade às partes com um resultado mais rápido e com o objetivo principal de pacificação dos litígios.

Ademais, especificamente são os Princípios da Lei 9.099/95:

o da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e efetividade, sendo relevante a sua apreciação discriminadamente.

2.3.1. Princípio da oralidade

O princípio da oralidade incumbe ao juiz colher diretamente as provas, compreendendo um conjunto de outros Princípios integrativos como: o da imediação, o da concentração dos atos processuais, da irrecorribilidade das interlocutórias, o da identidade física do juiz.

A oralidade gera como consectuário a compressão procedimental do processo perante os Juizados Especiais, tendente a reduzir o Procedimento a uma só audiência, ou em outra designada em curto prazo, visando preservar os fatos causais na memória do magistrado, levando-se em conta a imediação, consistente no contato direto do juiz com as partes, a intermediação das alegações com as provas, a identidade física do juiz com a decisão da causa, gerando assim uma satisfação na aplicação da sentença.

Para o doutrinador Pedro Manoel Abreu119 a oralidade, num sentido comum, significa o predomínio da palavra oral nas declarações perante juízes e tribunais.

Na visão de Ricardo Cunha Chimenti120:

Visando à simplificação e à celeridade dos processos que tramitam no sistema especial, o legislador priorizou o critério da oralidade desde a apresentação do pedido inicial até a fase da execução dos julgados, reservando a forma escrita aos atos essenciais.

119 ABREU, Pedro Manoel. Acesso à justiça e juizados especiais. p. 213

120 CHIMENTI, Ricardo Cunha. Teoria e prática dos juizados especiais cíveis estaduais federais. p. 08/09

Tal foco pode ser nitidamente encontrado na possibilidade de as partes formularem seu pedido inicial oralmente perante o juizado, o que vem precedido pelo artigo 14, §3º da mencionada lei, realizada diretamente na secretaria do Juizado Especial.

Não obstante, existem ainda outros procedimentos encontrados que condizem com o princípio da oralidade elencados de forma clara pelo doutrinador Abreu121, quais sejam:

a) Presença da outorga de mandato verbal ao advogado, (artigo 9º, §3º. O mandato ao advogado poderá ser verbal, salvo quanto aos poderes especiais).

b) decisão de plano de todas as questões processuais obstativas do prosseguimento da audiência, remetendo-se para a sentença as demais (artigo 28 e 29. Na audiência de instrução e julgamento serão ouvidas as partes, colhida a prova e, em seguida, proferida a sentença, bem como serão decididos de plano todos os incidentes que possam interferir no regular prosseguimento da audiência, sendo as demais questões decididas na sentença)

c) faculdade de formular-se contestação oral (artigo 30. A contestação, que será oral ou escrita, conterá toda matéria de defesa, exceto argüição de suspeição ou impedimento do juiz que se processará na forma da legislação em vigor)

d) relatório informal acerca de inspeção de pessoas ou coisas (artigo 35, parágrafo único. No curso da audiência, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento das partes, realizar inspeção em pessoas ou coisas, ou determinar que o faça pessoa de sua confiança, que lhe relatará informalmente o verificado).

e) oposição de embargos de declaração orais (artigo 49. Os embargos de declaração quando, na sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição, omissão ou dúvida)

121 ABREU, Pedro Manoel. Acesso à justiça e juizados especiais. p. 213/214.

f) solicitação verbal do início da execução de sentença (artigo 52, inciso IV. Não cumprida voluntariamente a sentença transitada em julgado, e tendo havido solicitação do interessado, que poderá ser verbal, proceder-se-á desde logo à execução, dispensada nova citação).

O princípio da oralidade deve ter sua aplicação mais efetiva quando tratada no âmbito do Juizado Especial, pois só assim poderá haver realmente a tão desejada Justiça célere.

2.3.2. Princípio da simplicidade

O princípio da simplicidade tem sua finalidade aplicada no artigo 13 da Lei dos Juizados Especiais, ao estabelecer a validade dos atos processuais por mais simples que sejam no âmbito processual.

Art. 13. Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as finalidades para as quais forem realizados, atendidos os critérios indicados no art. 2º desta Lei.

O que se observa é a simplicidade nos atos processuais, inexistindo as severas formalidades que os juízos comuns exigem, podendo ser aplicada a Justiça de forma mais simples e objetiva, desta forma, os atos processuais por mais simples que sejam terão validade quando alcançar seu objetivo.

Ricardo Cunha Chimenchi122 explicita as diversas aplicações do princípio da simplicidade na legislação especial:

A citação postal das pessoas jurídicas de direito privado é efetivada pela simples entrega da correspondência ao encarregado da recepção, enquanto o CPC impõe a entrega a pessoa com poderes de gerência ou administração formal, utilizando-se os próprios argumentos do pedido inicial como resposta. Caso alguma das partes mude de endereço sem a devida comunicação ao juízo, reputar-se-á efetivada sua intimação com o simples encaminhamento da correspondência ao seu

122 CHIMENTI, Ricardo Cunha. Teoria e prática dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. p. 12/13

endereço, tendo a nota de devolução da correspondência o mesmo valor do aviso de recebimento. Na execução do título judicial é dispensável nova citação do devedor, que presumivelmente já tem ciência da existência do processo (ainda que revel). O credor pode requerer a adjudicação do bem penhorado em vez da realização de leilões.

Já no entendimento de Luiz Cláudio Silva123 o princípio da simplicidade não pode ser confundido com o princípio da informalidade, visto a complexidade exigida nos procedimentos:

Este princípio se confunde um pouco com o principio da informalidade. Orienta que o processo deve ser simples, sem a complexidade exigida no procedimento comum. As causas complexas, não se recomenda processa-las perante os Juizados Especiais Cíveis, considerando que as referidas causas, via de regra, exigem a realização de prova pericial, o que não é recomendado pelo procedimento, salvo quando o reclamante já adunar à inicial a prova técnica necessária para a comprovação de seu direito articulado na peça inaugural da ação.

Analisando a presente disparidade, Fellippe Borring Rocha124 ao conceituar o princípio da simplicidade fundamenta partindo do ponto de vista literal do termo simplicidade:

Partindo-se do ponto de vista literal temos que simplicidade, conforme ensinam os bons dicionários, é a qualidade daquilo que é simples. Portanto, parece-nos que o legislador pretendeu enfatizar que todo o procedimento da Lei nº 9.099/95 deva ser conduzido de modo claro e acessível para ser melhor compreendido pelas partes, que aqui tem papel processual decisivo. Seria, assim, uma espécie de princípio lingüístico, a afastar a utilização de termos rebuscados ou técnicos, em favor de uma melhor compreensão daqueles que não têm vivência jurídica.

123 SILVA, Luiz Cláudio. Os juizados especiais cíveis na doutrina e na prática forense. Rio de Janeiro : Forense, 1997. p. 07

124 ROCHA, Felippe Borring. Juizados especiais cíveis : aspectos polêmicos da lei nº 9.099 de 26/9/1995. Rio de Janeiro : Lúmen júris. 2003. p. 09

Assim, o princípio da simplicidade se coaduna com o princípio da informalidade, os quais serviram de base para o Acesso à Justiça de maneira mais efetiva, buscando a celeridade no processo como foco principal, uma vez ausente a necessidade de excesso de formalidades apresentados nas demais varas cíveis, bem como o exagero de palavras rebuscadas e técnicas que dificultam o entendimento para a classe juridicamente leiga.

2.3.3. Princípio da economia processual

O princípio da economia processual visa a obtenção do máximo de rendimento da lei com o mínimo de atos processuais125, o qual vem interligado com o princípio da gratuidade no primeiro grau de Jurisdição.

Motivado pela isenção do pagamento de custas iniciais, pode ser enquadrado dentro da busca pelo Acesso à Justiça.

Existem exceções na regra apresentada, uma vez que constatando a existência da litigância de má-fé, será o vencido condenado ao pagamento das custas e honorários advocatícios, na forma apresentada pelo artigo 54 e 55 da Lei 9.099/95126.

Art. 54. O acesso ao Juizado Especial independerá, em primeiro grau de jurisdição, do pagamento das custas, taxas ou despesas.

Art. 55. A sentença de primeiro grau não condenará o vencido em custas e honorários de advogado, ressalvado os casos de litigância de má-fé. Em segundo grau, o recorrente, vencido, pagará as custas e honorários de advogado, que serão fixados entre 10% (dez por cento) e 20% (vinte por cento) do valor da condenação ou, não havendo condenação, do valor corrigido da causa.

Para muitos doutrinadores a isenção do pagamento das despesas, taxa e custas iniciais são motivos para dificultar o Acesso à Justiça,

125 CHIMENTI. Ricardo Cunha. Teoria e prática dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. p.

13

126 Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995.

haja vista que será utilizada como motivo de vingança privada, conforme leciona o doutrinador André Melo127:

O motivo da isenção absoluta é o chamado acesso à justiça.

Contudo, isto dificulta o acesso, pois muitos utilizam o sistema como motivo de vingança privada. Justiça gratuita sim, mas para quem não pode pagar. Aliás, justiça acessível não precisa ser necessariamente gratuita, e, sim, estar disponibilizada e com rapidez, pois senão questões extrajudicialmente, bastaria agravar as conseqüências da derrota em um processo judicial, como uma espécie de multa.

Porém, deve ser levado em consideração que o princípio da gratuidade da Justiça é de extrema relevância no âmbito dos Juizados Especiais, uma vez que foi criado com a finalidade de efetivar o Acesso à Justiça para a classe menos favorável financeiramente.

Desta forma, enfocando o princípio da economia processual, têm-se de acordo com Felipppe Rocha que o poder judiciário deve tirar o máximo de proveito de um processo para torná-lo efetivo, transformando-o num processo de resultados128.

Tal princípio consiste na concentração dos atos processuais, tornando o Procedimento o mais célere possível. Um exemplo verificado na Lei 9.099/95, condiz com a admissibilidade de um único recurso contra as decisões proferidas pelo juiz de primeira instância, na forma apresentada pelo artigo 82:

Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser julgada por turma composta de 3 (três) juizes, em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado129.

127 MELO, André Luis Alves de e outros. Lei dos juizados especiais cíveis e criminais comentada: jurisprudência, legislação e prática. São Paulo : Iglu, 2000. p.17

128 ROCHA, Felippe Borring. Juizados especiais cíveis : aspectos polêmicos da lei nº 9.099 de 26/9/1995. p. 10

129 Lei 9.099/95, de 26 de setembro de 1995.

Contudo, verifica-se que o princípio da economia processual visa o máximo de resultados com o mínimo de esforço ou atividade processual, proporcionando às partes um resultado satisfatório com um mínimo de esforço processual.

2.3.4. Princípio da celeridade ou efetividade

O processo, em geral, no que tange ao seu andamento, pauta-se sobre o binômio rapidez e segurança. Quanto mais dilatado é um Procedimento, mais profunda é a atividade cognitiva do julgador e maiores as possibilidades de intervenção das partes na construção da decisão final130.

Porém, muito embora seja realidade a dilação probatória como sendo a melhor forma da busca pela verdade real, o que este princípio busca dentro do ordenamento jurídico brasileiro é a celeridade apregoada de forma sintética, recaindo sobre a rapidez processual o principal enfoque para a segurança jurídica.

Segundo Felippe Borring Rocha131 os Juizados Especiais foram construídos sobre a tônica equacionando tempo e dinheiro, de um lado, com as restrições do Procedimento sumaríssimo fica basicamente restrito às questões referentes aos direitos patrimoniais, por outro lado, como a celeridade é da essência do Procedimento, o autor, ao optar por esta via excepcional, implicitamente está abrindo mão da segurança jurídica que teria no juízo comum em favor da celeridade.

A essência do processo no juízo especial consiste na dinamização da prestação jurisdicional, que, em última análise, é objetivada como meta principal, por representar o elemento que mais o diferencia do processo comum.

130 ROCHA, Felippe Borring. Juizados especiais cíveis : aspectos polêmicos da lei 9.099, de 26/9/1995. p. 10

131 ROCHA, Felippe Borring. Juizados especiais cíveis : aspectos polêmicos da lei 9.099, de 26/9/1995. p. 11

Exemplos dessa dinamização, subsumida a efetividade são elencadas por Abreu132 de forma clara:

Instauração imediata da conciliação quando ambos os litigantes comparecem ao juizado (artigo 17); impossibilidade de realizar-se citação por edital (artigo 18, §2º); prolação imediata de sentença ausente o demandado (artigo 23);condução de testemunha faltosa (artigo 34, §2º); inspeção pessoal no curso de audiência (artigo 35, parágrafo único), solução do litígio pelo meio mais rápido e eficaz, preferencialmente com dispensa de alienação judicial (artigo 53, §2º)

A redução e simplicidade dos atos e termos, a unicidade da recorribilidade das decisões, a concentração dos atos, tudo foi disciplinado com a finalidade de fornecer ao Procedimento maior celeridade.

No documento Monografia Joana - Univali (páginas 54-64)

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