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OS PRINCIPAIS ATORES DO NON-COMPLIANCE PROCEDURE

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LEONARDO ESTRELA BORGES

5. NON-COMPLIANCE PROCEDURE NO PROTOCOLO DE MONTREAL

5.3 OS PRINCIPAIS ATORES DO NON-COMPLIANCE PROCEDURE

Teses de Estudantes de Graduação/ Papers of Law School Students 71

das substâncias controladas, prevista no artigo 7; e transmitir informações sobre as medidas destinadas à cooperação com outras Partes do Protocolo, prevista no artigo 9.

por uma das Partes. Neste caso, ele poderá requerer à Parte que preste informa- ções necessárias acerca do possível descumprimento. Caso o problema não seja resolvido por ação administrativa ou pela negociação diplomática, o Secretariado poderá incluir a questão em seu relatório a ser apresentado à Reunião das Partes bem como informar o Comitê de Implementação63. Neste ponto, vale notar que este é o primeiro caso em que o Secretariado de um Acordo Multilateral de Meio Ambiente recebeu poderes sufi cientes para invocar um procedimento formal de solução de disputas64.

5.3.2 O Comitê de Implementação

O Comitê de Implementação é formado por 10 representantes de Estados- Partes eleitos pela Reunião das Partes para um mandato de dois anos. A com- posição do Comitê respeita o princípio da distribuição geográfi ca eqüitativa que visa o equilíbrio político ao lidar com questões que envolvem interesses de toda a comunidade internacional.

Com o propósito de “assegurar uma solução amigável para as disputas, ba- seada no respeito às disposições do Protocolo”65, o Comitê de Implementação exerce 4 papéis de extrema relevância. Em primeiro lugar, ele recebe e analisa os relatórios enviados pelo Secretariado do PNUMA acerca do comportamento de uma Parte frente às suas obrigações contratuais, à respeito de qualquer in- formação ou observação quanto ao cumprimento das normas do Protocolo ou quanto à produção e comércio de substâncias controladas recebidas e enviadas pelo Secretariado do PNUMA, e ainda sobre qualquer submissão relevante66. Ao analisar os relatórios, o Comitê deve determinar as razões específi cas subjacentes ao descumprimento para que possa fazer recomendações apropriadas. Em caso de necessidade, ele pode ainda requerer maiores informações ao Secretariado do PNUMA67.

Num segundo momento, o Comitê de Implementação deve submeter relató- rios incluindo qualquer recomendação sobre casos individuais de descumprimento à Reunião das Partes68. Além disso, o comitê pode também fazer recomendações onde e quando considerá-las apropriadas, mesmo que as Partes envolvidas não possam participar do processo decisório69, desde que observadas as regras de pro- cedimento adotadas na Reunião de Helsink70. Ainda que tais recomendações não apresentem caráter jurídico obrigatório, elas carregam o chamado “peso político”

e, em muitos casos, são rigorosamente seguidas71.

63 Ibidem, Annex IV(3).

64 YOSHIDA, O, supra nota 24, p. 113.

65 Montreal Fourth Report, supra note 51, Annex IV(8).

66 Ibidem, Annex IV(7).

67 Ibidem, Annex IV(7)(c).

68 Ibidem, Annexes IV(7e), IV(8); Veja também HANDL b, supra nota 22, pp. 327 e 328.

69 Ibidem, Annex IV(9).

70 Montreal First Report, supra nota 41, Annex I(26)(6).

71 YOSHIDA, O, supra nota 24, p. 116.

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Em terceiro lugar, o Comitê de Implementação pode arrecadar informações no território nacional de uma das Partes, com o seu consentimento. Esta é um tipo de verifi cação denominada “on-the-spot investigation”72.

Por último, tendo em vista que a assistência fi nanceira e técnica, em regra, está intimamente ligada à capacidade da Parte de cumprir com suas obrigações, o Comitê de Implementação, então, irá trocar informações com o Comitê Executivo do Fundo Multilateral para a determinação da assistência73.

5.3.3 A Reunião das Partes

A Reunião das Partes é a última instância decisória no regime do non-com- pliance procedure no Protocolo de Montreal. Na condição de instituição suprema do regime, A Reunião das Partes detém controle direto sobre as disputas entre Estados-membros74.

Ao receber os relatórios enviados pelo Comitê de Implementação, a Reunião das Partes deverá analisar as circunstâncias do caso, decidir e requerer a tomada de medidas para trazer o pleno cumprimento do Protocolo, além de incluir me- didas direcionadas para auxiliar as Partes no cumprimento de suas obrigações efetivando os objetivos do Protocolo75. Durante a Reunião de Copenhagen, foi estabelecida uma Lista Indicativa de Medidas a serem tomadas pela Reunião das Partes nos casos de descumprimento do Protocolo76:

a) Assistência apropriada, incluindo assistência para a coleta e envio de da- dos, assistência técnica, transferência de tecnologia e assistência fi nanceira, trans- ferência de informação e treinamento;

b) Emissão de advertência;

c) Suspensão, em conformidade com as normas aplicáveis do direito inter- nacional relativas à suspensão da execução de um tratado, de determinados direi- tos e privilégios no âmbito do Protocolo.

As decisões emanadas da Reunião das Partes normalmente estipulam que as Partes devem tomar medidas complementares necessárias para alcançar os propó- sitos do regime regulamentar de cooperação, mas muitas vezes apenas reiteram obrigações já previstas nos artigos do tratado. Em decorrência de seu compromis- so político com o regime internacional de proteção ao meio ambiente, suas deci- sões normalmente são vagas e abertas a uma variedade de interpretações77. Como resultado, o status jurídico de tais decisões resta incerto, sendo questionado se o descumprimento das mesmas pode ser considerado descumprimento do Protocolo em si. Neste ponto é importante destacar que os poderes implícitos desta insti- tuição não são bem defi nidos pelo costume tampouco pelo Direito Internacional

72 Montreal Fourth Report, supra note 51, Annex IV(7-d).

73 Ibidem, Annex IV(7)(e).

74 YOSHIDA, O, supra nota 24, p. 117.

75 Montreal Fourth Report, supra note 51, Annex IV(9).

76 Ibidem, Annex V.

77 YOSHIDA, O, supra nota 24, p. 118.

Público, mas se baseiam principalmente no Protocolo de Montreal na condição de um tratado criador de normas.

Não é correto afi rmar, contudo, que instrumentos jurídicos não-obrigatórios não produzem efeitos legais. Muitas decisões demonstram evidências da existên- cia de consenso entre os atores do regime e têm formado certas normas jurídicas capazes de criar um direito internacional costumeiro aplicável ao sistema jurídico internacional do regime do non-compliance procedure no Protocolo de Montre- al. Ao mesmo tempo, muitas decisões fornecem indicadores essenciais para uma compreensão adequada do regime.

Por todo o exposto, nota-se que as soluções multilaterais apresentadas pelo non-compliance procedure fazem dele um mecanismo apropriado para solucionar confl itos no âmbito dos acordos multilaterais de proteção ao meio ambiente, ten- do em vista o caráter também multilateral destas disputas. A despeito de ser um mecanismo ainda pouco utilizado, muito provavelmente pela falta de especialistas neste tipo de procedimento, trata-se de um mecanismo adequado às preocupações ambientais internacionais, o que é claramente percebido quando observamos a efetivação dos princípios da prevenção e da precaução, ao contrário do que ocor- re nos procedimentos tradicionais de solução de controvérsias ambientais. Para fi nalizar nossa explanação acerca do non-compliance procedure no Protocolo de Montreal faremos breves considerações sobre o caso da Rússia, no qual o meca- nismo foi aplicado.

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