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Os registros dos bens imateriais

No documento Turismo e Patrimônio (páginas 73-79)

Um grande desafi o para a institucionalização do reconhe- cimento e da preservação desse tipo de patrimônio foi a defi nição da terminologia. Como se deveria chamar um bem que não perten- cesse à esfera material: intangível, tradicional, imaterial, popular?

A preferência pelo imaterial – ainda que intangível também seja usado – foi acompanhada pela decisão de usar o termo registro no lugar de tombamento, considerando que práticas sociais e pro- cessos culturais, por seu caráter vivo e dinâmico, necessitavam de uma abordagem diferenciada das usadas tradicionalmente.

Figura 4.2: O protocolo de intenções do pedido de Registro do Complexo Cultural do Bumba-meu-

As tradições culturais costumam ser transmitidas de for- ma espontânea por gerações seguidas, sofrendo durante esse processo transformações, interpretações e recriações constantes, o que foge ao padrão rígido de preservação, comum aos bens materiais. Dessa forma, a idéia de se preservar bens de natureza imaterial envolve, inicialmente, a realização de um levantamento de sua história, seu surgimento e desenvolvimento, visando à compreensão dessas manifestações – tanto para os grupos nelas envolvidos quanto para a região onde ocorrem.

Os bens para os quais é solicitado o registro como patri- mônio imaterial são separados por sua natureza específi ca para que possam ser inscritos em um dos quatro Livros de Registro, segundo as categorizações que seguem:

1) Livro de Registro dos Saberes – para conhecimentos e modos de fazer que se desenvolveram e se enraizaram no coti- diano das comunidades (exemplo: Ofício das Paneleiras de Goia- beiras, Espírito Santo; Modo de Fazer Viola-de-Cocho, Região Centro-Oeste; Ofício das Baianas de Acarajé, Bahia).

2) Livro de Registro de Celebrações – para festas e rituais que marcam as relações coletivas de trabalho, da religiosidade, do entretenimento e práticas diversas da vida social (exemplo:

Círio de Nossa Senhora de Nazaré, Pará).

3) Livro de Registros das Formas de Expressão – para as manifestações artísticas de forma geral: literárias, cênicas, lúdi- cas, musicais e plásticas (exemplos: Kusiwa — Linguagem e Arte Gráfi ca Wajãpi, Amapá; Samba-de-Roda do Recôncavo Baiano, Bahia; Jongo do Sudeste; Frevo, Pernambuco; Tambor de Crioula do Maranhão; Samba, Rio de Janeiro).

4) Livro de Registro dos Lugares – para locais que, indepen- dentemente de valores arquitetônico, urbanístico, estético ou pai- sagístico, sirvam como suporte fundamental a atividades culturais importantes: mercados, feiras, santuários, praças, locais onde ocorrem essas práticas culturais coletivas (exemplo: Cachoeira do Iauaretê, Amazonas; Feira de Caruaru, Pernambuco).

O IPHAN, buscando localizar segmentos da vida so- cial cujos valores constituam marcos de referência de identidade para determinados grupos sociais, criou o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC).

O INRC realiza pesquisas e produz informação sobre bens imateriais, classifi cando-os nas categorias estabe- lecidas nos livros de Registro. Há 25 inventários em andamento e outros que foram realizados em parce- rias: confi ra no portal do IPHAN, na janela destinada ao patrimônio imaterial.

http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=10 852&retorno=paginaIphan

Atividade

Atende ao Objetivo 1

1. A compreensão de que a memória cultural de uma comunidade não pode limitar-se apenas a seus testemunhos materiais levantou a questão sobre a preservação de bens considerados não-tangíveis.

a. Explique o conceito de patrimônio cultural imaterial.

b. Considerando o processo que está em andamento para reco- nhecimento como patrimônio imaterial da Linguagem dos Sinos nas Cidades Históricas Mineiras, responda em qual dos livros de tombo esse tipo de manifestação deveria ser inscrito e justifi que.

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Respostas Comentadas a. O patrimônio cultural imaterial diz respeito às práticas, às repre- sentações, às expressões, aos conhecimentos e técnicas, juntamente com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que estão associados a essas práticas e técnicas e que são reconhecidos por suas comunidades como importantes dentro de seu contexto cultural.

b. A comunicação feita por meio do badalar de sinos, tradicional nas cidades mineiras, lança mão de um código específi co que usa notas musicais para informar à população. Portanto, deve ser inscrita entre as manifestações artísticas de forma geral no Livro de Registros das Formas de Expressão.

Até o fi nal de 2007, o IPHAN já realizou o registro de 12 manifestações culturais imateriais, sendo que há mais de 25 in- ventários em andamento. A seguir, os bens já registrados:

Arte Kusiwa dos Índios Wajãpi – técnica de pintura e arte gráfi ca da popu- lação indígena Wajãpi, do Amapá (regis- trada no Livro das Formas de Expressão em 20/12/2002).

Confi ra a certidão da inscrição no Livro de Registro da Arte dos Índios Wa- jãpino portal do IPHAN.

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=1 2554&sigla=Institucional&retorno=detalheInstitucional

Ofício das Paneleiras de Goiabeiras – fabricação artesanal de panelas de barro da cidade de Goiabeiras Velha, no Espíri- to Santo (registrado no Livro dos Saberes em 20/12/2002).

Samba-de-Roda no Recôn- cavo Baiano – expressão musical, coreográfi ca, poética e festiva que exerceu infl uência sobre o samba carioca (registrado no Livro das For- mas de Expressão em 5/10/2004).

Círio de Nossa Senhora de Nazaré – celebração religiosa de Belém do Pará, que reúne devotos e turistas do Brasil e exterior (registrado no Livro das Celebra- ções em 5/10/2005).

Ofício das Baianas de Acarajé – prática tradicional de produção e venda de comidas baianas em tabuleiro (registrado no Livro dos Saberes em 14/1/2005).

Viola-de-Cocho – instrumento musi- cal, produzido de forma artesanal com ma- térias-primas existentes na Região Centro- Oeste do Brasil (registrado no Livro dos Saberes em 14/1/2005).

Jongo do Sudeste – canto, dança e percussão de tambores, conhecidos como tambu, tam- bor e caxambu: cultura herdada dos negros de língua banto do

Reino do Congo (registrado no Livro das Formas de Expressão em 15/12/2005). Confi ra o dossiê do Jongo do Sudeste no por- tal do IPHAN: http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.

do?id=722.

Feira de Caruaru – conjunto de equipamentos e feiras: Feira do Gado;

Feira do Artesanato, incluindo o Mu- seu do Cordel; Mercados da Carne e da Farinha; Feira Livre e do Troca-Troca. O local é ponto de produ- ção e reprodução de expressões artísticas populares (registrada no Livro de Registro dos Lugares em 7/12/2007).

Frevo – forma de expressão mu- sical, coreográfi ca e poética: típicas das cidades de Recife e Olinda (registrado no Livro das Formas de Expressão em 9/2/2007).

Tambor de Crioula – forma de manifestação cultural popular, ligada à criatividade e resistência dos descen- dentes dos escravos do estado do Ma- ranhão (registrado no Livro das Formas de Expressão em 18/6/2007).

Cachoeira do Iauaretê, Ama- zonas – Lugar Sagrado dos Povos In- dígenas dos Rios Uaupés e Papurí.

A salvaguarda da cachoeira conta com as parcerias institucionais e apoio de

Samba do Rio de Janeiro – samba de terreiro, partido-alto e sam- ba-enredo (registrado no Livro das Formas de Expressão em 9/10/2007).

Confi ra o dossiê das Matrizes do Sam- entidades indígenas do contexto multicultural de Iauaretê (inclu- ído no Livro de Registro dos Lugares em 18/10/2006).

ba do Rio de Janeiro no portal do IPHAN: http://portal.iphan.gov.

br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=771

O Samba do Rio de Janeiro constitui-se no mais recente patri- mônio cultural imaterial a ser registrado. Acompanhar o processo de reconhecimento do samba como bem imaterial auxilia a com- preensão das etapas que envolvem o registro das manifestações de natureza intangível. O Centro Cultural Cartola, com apoio de Nil- cemar Nogueira – presidente desse Centro e neta do compositor Cartola – e das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, encaminhou ao Ministério da Cultura (MinC) o pedido de registro dessa expressão

popular pelo temor do enfraquecimento de suas matrizes. Seguiu- se uma pesquisa, realizada pelo Centro Cultural Cartola sob a orien- tação do IPHAN, que realizou um inventário reunindo dados e re- ferências sobre o tema: livros, vídeos, reportagens, discos antigos, assim como depoimentos de sambistas da velha-guarda do samba.

A partir desse material, produziu-se um dossiê que foi entregue ao Departamento de Patrimônio Imaterial para que fosse dado um pa- recer. Após a emissão do parecer favorável pelo IPHAN, foi feito fi nalmente o registro no Livro das Formas de Expressão.

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No documento Turismo e Patrimônio (páginas 73-79)