O valor de uma cidade é o que lhe é atribuído por toda a comunidade e se, em alguns casos, este é atribuído apenas por uma elite de estudiosos, é claro que estes agem no interesse de toda a comunidade, porquanto sabem que o que hoje é ciência de poucos, será amanhã cultura de todos (ARGAN, 1993, p. 228).
Monumenta
O programa conta com a parceria do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), com o apoio da Unesco e com fi nanciamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
O programa destina recursos fi nanceiros para organização de cursos de restauro e também para eventos culturais e atividades econômi- cas, que possam servir para fortalecer centros históricos e desenvolver as estruturas turísticas locais. O programa incentiva municípios e estados a participarem da captação de recursos e do esforço de cultivar junto à população uma atitude positiva de valo-
rização e cuidado para com os bens históricos e culturais da região.
É comum que o restauro de antigas construções degrada- das colabore para uma signifi cativa valorização dos espaços que ocupavam. Há que se ter cuidado, entretanto, para que o desen- volvimento resultante da reativação desse local não contribua para a descaracterização do antigo espaço. A atividade turística também necessita ser normatizada e adequada às características específi cas da região para que não comprometa o equilíbrio harmônico do cotidiano dos núcleos históricos. O grande desafi o é exatamente conseguir harmonizar as novas demandas econômicas e sociais da população local com o modelo urbanístico original do antigo tecido urbano sem comprometer sua identidade e autenticidade.
Figura 3.4: Convento de São Francisco, conjunto arquitetônico que inclui a Igreja de Nossa Senhora das Neves e a Capela de São Roque.
Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:OlindaConventoNSNeves2.jpg
Um grande instrumento para a preservação desses núcleos históricos são os inventários, que se constituem em instrumento fundamental nas ações de preservação patrimonial. Um inven- tário reúne registros e descrições minuciosas sobre os bens imóveis dos sítios urbanos tombados, servindo como orientação
e apoio aos projetos de planejamento e participando no estabe- lecimento de critérios para as ações de prevenção e restauração.
Essa documentação serve como base ao desenvolvimento de projetos que desejem atuar na preservação do aspecto físico e da memória cultural de um sítio histórico. O Inventário Nacional de Bens Imóveis (INBI) é disponibilizado pelo IPHAN e pode ser consultado em sua página na internet.
Cada um dos bens tombados conta com uma fi cha técnica com todas as informações fundamentais sobre eles. No Quadro 3.1, temos o exemplo da fi cha técnica de tombamento da cidade de Diamantina, na forma pela qual foi disponibilizada pelo portal do IPHAN.
Quadro 3.1: Ficha técnica de um tombamento
Diamantina Ficha Técnica
Nome: Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Diamantina Município: Diamantina
Estado: Minas Gerais SR Iphan: 13ª
Características do Tombamento Federal Data: 16/05/1938
Livro de Tombo: LBA vol.1 insc. 66 fl . 12 Área (em ha): 66 ha
Histórico
Diamantina foi formada com a descoberta de ouro no Vale do Cór- rego do Tijuco, em 1713. A população começou a aumentar em 1729, com a descoberta de diamante. A cidade conservou signifi cativas referências culturais, mantém um acervo arquitetônico e urbanístico.
O centro urbano de Diamantina apresenta uma confi guração carac- terística de cidades do período colonial, com padrão irregular e arrua- mentos transversais à encosta, marcados principalmente pelas ruas paralelas com pequenas variações de abertura ou desvio de alguns becos e ruas estreitas.
A cidade conta com monumentos signifi cativos para a História da Arte e da Arquitetura no Brasil, como as igrejas das Mercês, do Amparo, do Carmo, do Rosário, de São Francisco de Assis e do Senhor do Bonfi m.
Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=13188&si gla=Institucional&retorno=detalheInstitucional
A necessidade de proteger patrimônios de valor histórico, artístico e cultural, monumentos e paisagens, evitando que esses bens venham a ser descaracterizados ou mesmo destruídos, levou à criação pelo IPHAN do Plano de Preservação de Sítio His- tórico Urbano (PPSH) em julho de 2004. Esse plano busca conse- guir estabelecer um equilíbrio entre o valor econômico e o valor cultural dos sítios históricos tombados e, entre outras determinações, estabelece como objetivos:
Art.5º – O PPSH tem por objetivo:
a) preservar o patrimônio cultural da cidade para a sua população e para a coletividade;
b) propiciar o estabelecimento de diretrizes e regulamentos para orientação, planejamento e fomento das ações de preservação de sítios históricos urbanos;
c) promover uma atuação pública concertada;
d) integrar ações propostas com vistas a alcançar um processo de preservação urbana;
e) focalizar e territorializar políticas setoriais nos sítios históricos urbanos;
f) promover o compartilhamento de responsabilidades entre os diversos agentes públicos envolvidos e a sua aplicação comum.
(Fonte: BRASIL. MEC/IPHAN, 2004.)
A página ofi cial do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) é uma ferramenta útil na divulgação dos bens tombados, incluindo as cidades históricas. Essas podem ser encontradas na parte referente ao Patrimônio Material / Sítios Históri- cos, listados por região. Ainda que o site disponibilize fi chas de tombamento de algumas poucas cidades tombadas, ele ajuda à compreensão do processo e critérios que fazem com que esses locais sejam clas- sifi cados como sítios especiais dentro do restante do território. Na parte inferior das páginas que apresen- tam a fi cha de tombamento de um núcleo histórico, podemos ter acesso às fi chas dos bens que fazem parte do conjunto tombado dessas cidades.
Atualmente, são sessenta as cidades históricas brasileiras tombadas pelo IPHAN, conforme a relação da primeira etapa do Inventário Nacional de Bens Imóveis (INBI), que apresenta os con- juntos de bens imóveis tombados em sítios urbanos.
Quadro 3.2: Cidades históricas do Brasil Região Norte
Pará Belém
Tocantins Natividade
Região Nordeste
Alagoas Penedo, Piranhas
Bahia Andaraí, Cachoeira, Ilha de Itaparica, Lençóis, Monte Santo, Mucugê, Porto Seguro, Rio de Contas, Salvador, Santa Cruz de Cabrália
Ceará Aracati, Iço, Sobral, Viçosa
Maranhão Alcântara, São Luís
Pernambuco Igarassu, Olinda, Recife
Sergipe Laranjeiras, São Cristóvão
Região Centro-Oeste
Distrito Federal Brasília
Mato Grosso Cuiabá
Mato Grosso do Sul Corumbá
Goiás Goiânia, Goiás, Pilar de Goiás
Região Sudeste
Rio de Janeiro Angra dos Reis, Cabo Frio, Nova Fri- burgo, Niterói, Paraty, Petrópolis, Rio de Janeiro, Vassouras
São Paulo Carapicuíba, Jundiaí, São Paulo Minas Gerais Belo Horizonte, Caeté, Cataguases,
Itaverava, Mariana, Nova Era, Piranga, São João del Rey, Congonhas, Dia- mantina, Ouro Preto, Serro, Tiradentes Região Sul
Paraná Lapa
Rio Grande do Sul Antônio Prado, Porto Alegre Santa Catarina Laguna, São Francisco do Sul