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Quanto á pessoa do fallido

No documento DAS FALLENCIAS (páginas 153-169)

§ 1-°

Restricções aos direitos políticos Summario. — 231. O fallido não soffre restricções em seus direitos políticos.!

231. A capacidade politica tem o seu fundamento no Direito!

Constitucional. Esta capacidade somente se suspende ou se perde nos casos expressamente taxados pela Constituição Federal. I

O cidadão brazileiro não perde nem fica com os seus direitos políticos suspensos em virtude da declaração da fallencia. Se, porém, é con-demnado criminalmente, fica privado do exercício dos direitos políticos] emquanto durarem os effeitos da condemnação (*). Não é ao fallido que se despe dos direitos políticos, é ao sentenciado.

(*) Decr. n. 917, art. 17; Const. Federal, art. 71.

— Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Directoria do Interior. — l.a secção — Capital Federal, 25 de Novembro de 1897 — Sr. Presidente do Estado de Espirito Santo. — Em officio de 13 de Outubro ultimo, consulta o presidente do governo municipal do Cachoeiro de Itapemirim, nesse Estado, se o negociante declarado fallido pode ser admittido a votar e também fazer parte das mesas eleitoraes.

Conforme se acha estabelecido, ao poder executivo falta competência para responder a consultas e resolver duvidas que occorrem a respeito da execução das diversas disposições sobre matéria eleitoral.

Entretanto, como simples esclarecimento e afim de que vos digneis com--]

municar áquelle presidente, declaro que ás commissões seccionaes de alista-J mento (art. 19 da lei n. 35, de 26 de Janeiro de 1892), cabe mencionar, como informação á commissão municipal, os nomes dos eleitores que tiverem perdido a capacidade politica, e a esta (art. 25, n. I, da mesma lei), revendo os alistamentos, compete eliminar os cidadãos naquellas condições, desde que haja prova; sendo que da decisão da referida commissão. municipal, ex-of/ieio ou a requerimento de' eleitores, ha sempre recurso, sem effeito suspensivo,) para a junta eleitoral, que decide definitivamente e é composta do juiz seccional, de seu substituto e do procurador (art.

26 da cít. lei n. 35). B A suspensão, porém, dos direitos políticos, com referencia ao fallido, só deve ser imposta depois da classificação da fallencia e quando esta for julgada culposa ou fraudulenta; e nem outra interpretação se pode dar ao art. 17 de | Decr. n. 917 de 24 de Outubro de 1890, o qual ficou subordinado á Constituição da Republica, visto que esta, em o art. 71, repetido textualmente no art. 1, § 2, n. 1 da lei de 26 de Janeiro de 1892, determina expressamente os dois únicos casos em que se suspendem os direitos de cidadão brazileiro, incapacidade physioa ou moral, e condemnação criminal emquanto durarem os seus effeitos.

Assim, é evidente que, quando haja prova da condemnação do fallido, deve ser este excluído do alistamento em quanto durarem os effeitos da mes- j

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§2.

Incapacidade civil do fallido

ISummario. — 282. Conceito da incapacidade civil do fallido. — 233. E' antes uma indisponibilidade, oreada no interesse da massa. — 234. Consequência. — 235. Direitos personalíssimos do fallido. Poder marital —I 236. Pátrio poder.

232. A fallencia priva o devedor da administração dos seus bens, a qual se desloca para a massa (n. 193).

Mas a fallencia não affecta nem prejudica direitos personalíssimos do!

devedor, nem são arrecadados certos e determinados bens do fallido. nem os próprios e particulares da mulher ou dos filhos (ns. 438 a 442). I O fallido fica no pleno goso do exercício daquelles direitos e na administração destes bens.

Ve-se, assim, que o fallido é relativamente incapaz; ou por outra, é, ao mesmo tempo, capaz e incapaz de exercer direitos (*). 0 principio que serve de critério director acha-se formulado no art 17 § 3.°| do Decr. n. 917: o exercício da capacidade de direito é garantido ao fallido em tudo quanto não se referir directa ou indirectamente aos \vnteresses, direitos e obrigações da massa.

A incapacidade do fallido restringe-se aos actos que não pode praticar e a respeito dos quaes os representantes da massa obram exclusivamente por si. Assim também o fallido obra por si só os actos que pode praticar!2).

ma condemnação. Saúde e fraternidade. Amaro Cavalcante. (Do Diário Offi-

\oial de 27 de Novembro, de 1897).

^;V~ Na Monarchia a lei eleitoral n. 3029 de 9 de Janeiro de 1881, no art. 8, § 5, mandou eliminar o fallido do alistamento de eleitores. Nenhum outro documento legislativo anterior privou o fallido do exercício de seus direitos políticos. A Const. do Império, no art. 8, § 2, apenas se referia á suspensão dos direitos políticos por incapacidade moral. As reformas eleitoraes de 1864 e 1875 também não estabeleceram a incapacidade politica do fallido. P (') TEIXEIRA DE FBEITAB, Vocabulário Jurídico, pag. 393, nota 7: «Quanto á capacidade de facto, a aptidão pode ser completa ou incompleto: E" incompleta na incapacidade relativa, e assim uma pessoa relativamente incapaz é ao mesmo tempo capaz e incapaz; como a mulher casada, por exemplo, que é capaz para praticar certos actos por si só, qual o de fazer testamento; e incapaz para praticar outros actos, que só são validos, quando auctorisados pelo marido.»

(*) TEIXEIRA DE FBEITAS,Vocabulário Jurídico, pag. 420, nota 38.

TEIXEIRA DE FREITAS,no Esboço de Código Civil, art. 42, inolue os fallidos, declarados taes em juízo, entre os incapazes, mas sâ em relação aos actos que

forem declarados, ou ao modo de os exercer.

NABOCO,no Projecto de Código Civil, art. 16, § 3, oontempla-os entre os \relatwamente incapaxes.

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B 233. Pode-se dizer que o fallido não é ferido com uma verdadeira incapacidade; descobre-se antes abi uma indisponibilidade decretada pela lei.

O fallido conserva a faculdade de praticar todos os actos da vida) civil, mas estes actos não podem ser oppostos á massa; a lei não quer

que a prejudiquem. _■

E' no interesse da massa que os actos do fallido são destituídos] de efficacia a respeito delia. Procura-se collocar a massa ao abrigo das consequências de actos que tornariam possível a diminuição ou a dis-|

sipação do penhor commum dos credores (r).

Do exposto ve-se, ainda, quanto é erróneo dizer-se que da sen- tença declaratória da fallencia decorre o estado de interdicção para pi fallido (2). Este não fica sujeito á curatella dos representantes da massa.

234. Consequência do que fica exposto no n. 232: os contractos ] que o fallido celebrar e as obrigações que assumir, no exercício da ca- pacidade de direito que lhe é garantido, ficam inteiramente alheios á massa; esta não tem a menor responsabilidade(8).

COELHO RODRIGUES,Projecto do Código Civil, art. 14, § 4: «Restringe-se I o exercício da capacidade civil dos fallidos desde a data da fallencia até á" sua rehabilitação.»

FELÍCIO DOS SANTOS,no seu Projecto, não inclne os fallidos entre os incapazes, e no Commentario, vol. 1, pag. 83, diz: «Os autores ordinariamente enumeram os fallidos entre os incapazes. O fallido não é nem deve ser con-siderado incapaz dos actos da vida civil; só lhe é interdicta a administração dos bens, que possuia ao tempo da abertura da fallencia, em quanto não forem integralmente pagos os seus credores;

si a lei os tira do seu poder, 6 somente para garantia dos credores. Ninguém dirá que o executado por divida civil, e que não 6 commerciante, cujos bens todos são penhorados, torna- I se incapaz por esse facto. Com a abertura da fallencia veriftca-se uma espécie de penhora dos bens do fallido. A funcção dos administradores da massa é liquidal-a para pagamento dos credores->

— O Decr. n. 917 podia ter reduzido a poucas palavras a matéria que consta dos arts. 17, §§ 2, 3 e 4. Bastaria que imitasse o Cod. Com. do Chile, no art. 1360: «La declaracion de quiebra no priva ai fallido dei ejercicio de los derechos civiles, salvo en los casos espresamente determinados por la lei.»

- (') MASSÉ,Le Droit Com., vol. 2, n. 1190; CUZZEBI,II Cod. Com. Boi. Com- j mentato, vol. 7, n. 120; NAMTJB, Cod. Com. Belge, vol. 3, n. 1641.

O O Decr. n. 917, no art. 90, emprega incorrectamente a palavra inter- ) dicção. Não se lhe deve dar o verdadeiro sentido jurídico, mas sim tomai-a ^ como synonyma de prohibição, privação do exercício de certos direitos. Só temos | duas ordens de pessoas incluídas na definição de interdicto: os loucos e os pródigos declarados taes por sentença. LAFAYETTE,Direito das Cousas, § 196, J

nota 1. • ,

— 0«Cod. Com. Portuguez, art. 700, creou uma «interdicção civil do fallido pelo que respeita aos seus bens havidos e por haver.»

(") Decr. n. 917, art. 17, § 4. A redacção deste § 4 não é tão clara como seria para desejar. Na ultima parte dispõe que os contractos que o fallido celebrar e as obrigações que assumir poderão ser annullados se por occasião I

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Se o fallido pratica qualquer acto que tenha relação directa com

■ massa ou que se refira a bens que devam ser arrecadados, tal acto I nullo de pleno direito (1).

235. Dissemos também, no n. 232, que a fallencia não affecta o Kercicio de direitos personalíssimos do devedor, nem a

administração

ps bens próprios e particulares da mulher ou dos filhos.

Voltamos a esse assumpto. S8

|j Os direitos personalíssimos são os que se exerce como homem e [membro da família. O Direito Romano define-os — personce cujusque wpokc&rent, nee transeunt ad alios^).

Entre esses direitos podemos enumerar o de casar-se, de divor- Iciar-se, de fazer testamento, de promover processos de injuria e ca- humnia e de exercer os poderes marital e o pátrio.

Estes dois últimos, pela sua importância, exigem particular estudo. O poder marital, direito de disciplina interna e governo domestico, Icreado pela necessidade de unificar as preponderantes relações fami-Jliares, não soffre a menor alteração com a fallencia. O direito de fixar lo domicilio da família, o de representar e defender a mulher nos actos Ijudiciaes e extrajudiciaes, etc, etc, continuam em toda a sua effectivi- Idade durante o estado de fallencia do marido.

Ao esposo também incumbe, em virtude do poder marital, admi Inistrar os bens communs e aquelles que, por contracto antenupcial, ou, I em virtude de lei, devam ser administrados por elle (s).

No regimen da communhão de bens, todas as dividas contrahidas no decurso da sociedade conjugal egualmente se communicam(4). Sob [este regimen todos os bens do casal são arrecadados para a massa;

jfica pois o marido privado de exercer direitos sobre elles.

Nos outros regimens os bens particulares da mulher são exclui- dos da fallencia, e o marido fallido continua a exercer sobre elles plena administração na conformidade das leis e clausulas dos pactos ante-I nupciaes.

\ Ae celebral-os ou assumil-as não tiver sido denunciado pelo fallido o sen estado ou delle não tiver conhecimento a outra parte contractante. Que quer dizer isso? Ao fallido é garantido o exeroicio da capacidade de direito em tudo quanto se não refere aos interesses, direitos e obrigações da massa. Será preciso para a validade de acto alheio á fallencia que o terceiro conheça o estado de >i fallencia da parte com quem contracta? Que capacidade então 6 esta?

(') Decr. n. 917, art. 28.

() L. 7, Dig. 44, 1. %'

(') Decr. n. 181 de 24 de Janeiro de 1890, art. 5b, § 2. • (*) Arg. da Ord. Liv. 4, tit. 95, § 4.

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236. O pátrio poder pode reflectir-se já sobre a pessoa, já sobra | os bens dos filhos:

a) Os direitos de o pae dirigir a educação do filho ('), tel-o em sua companhia, posse e guarda (2), nomear-lhe tutor em testamento $ | quando não sobreviver o outro cônjuge (*), e represental-o nos actos da vida civil e nos processos criminaes (5), etc, nada soffrera com a fallencia. |

b) Os bens dos filhos recebem em direito civil a denominação]

de pecúlio, que, conforme a sua origem, se classifica em quatro ordens:) profecticio, castrense, quasi-castrense e adventício. Com excepção àoj profecticio, que é arrecadado para a massa (n. 441), todos os outros' se conservara sob a guarda e administração do pae que, com relação ao pecúlio adventício, tem, alem da administração, o usufructo (6). Este usufructo não reverte em beneficio da massa, pois tem annexas a obri- gação de alimentar o filho e outras muito importantes ('). Somente as sobras, depois de satisfeitos esses encargos e quando os rendimentos são avultados, entram para a massa (n. 442).

§ 3.» 1

Qualidade jurídica do fallido para estar em juizo

Summario, — 237. O fallido não pode estar em juizo relativamente a questões]

sobre interesses, direitos e obrigações da massa. — 238. Corollariós deste principio. — 239. O fallido pode praticar actos conservatório»! de direitos e acções da massa.

237. As leis do processo, escreve o MARQUEZ DE S. VICENTE,de- vem guardar accordo e harmonia com as leis civis que regulam o estado | e condições das pessoas; assim, não devem consentir que figurem em juizo indivíduos que as ditas leis civis declaram incapazes de exercer) por si mesmos, ou por si só, actos civis, porquanto entre estes muito

(l) Decr. n. 181 de 24 de Janeiro de 1890, art. 56 § 2.

(') Decr. n. 181 art. cit; Ord. L. l.o tit. 88 § 6.

(•) Ord. Liv. 4, tit. 102 § 1.

(4) Decr. n. 181, arg. do art. 94.

(6) Decr. n. 181, art. 56 § 5; Cod. Penal, art. 407 § 1.

(«) Ord. Liv. 4, tit. 97 § 19 e tit. 98; Liv. l.o tit. 88.

O TEIXEIBA DE FREITAS,Consol. das Leis Civis, art 174, nota 10. ALMEIDA | E

SOUZA,Notas a Mello, Liv. 2.° tit. 4 § 13 n. 26.

Outras..., taes como: reparar e bemfeitorisar os bens do nlhoa, defender taes bens em juizo, etc.

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Suportam as acções. Ainda quando a incapacidade não seja absoluta,

■nda quando seja mais ou menos modificada, por pender de circums- fcncias ou condições legitimas, é de necessidade guardar o respectivo lecordo, e proceder consequentemente (').

Applicando esta regra ao que ficou expendido no § 2.° anterior, leduz-se que: o fallido não tem qualidade jurídica para estar em juizo gomo auctor ou como réo relativamente a questões que se referirem a Interesses, direitos e obrigações da massa.

Ás acções pendentes contra o devedor na occasião da declaração Ha fallencia e as que surgirem ex-novo serão continuadas ou intentadas montra a massa (2), cujos direitos e interesses são defendidos activa e massivamente pelos seus legítimos órgãos (3).

238. Como corollarios: não é vedado ao fallido:

a) Propor e defender todas aquellas acções que tutellam os seus [direitos estrictamente pessoaes, ou aquelles que são estranhos aos direitos, (interesses e obrigações da massa.

O curador fiscal pode, porém, intervir nestas questões como assis- tente (n. 408, 7." attribuição).

b) Intervir directamente no processo da fallencia, requerendo e interpondo os competentes recursos, como interessado nas decisões ju- diciaes que tiverem relação com o seu estado de fallencia e consequên- cias deste (4). Assim, o Decr. n. 917 concede ao fallido o direito de embargar a sentença declaratória da fallencia ou aggravar (art. 8), de requerer a continuação do negocio durante o 1.° período da fallencia (art 37), de oppor as reflexões que julgar a bem de seus direitos, na teunião dos credores (art. 40 § único), de falar sobre as contas dos pyndicos (art. 52), de propor concordata em qualquer estado da fallen-

«áa (art 55), de requerer rehabilitação (art. 86), de appellar da sentença que a negar (art. 88), etc, etc.

c) Intervir como assistente em todas as acções já existentes na epocha da declaração da fallencia e nas que surgirem ex-novo (Decr.

n. 917, art 25 § 1.°). Comquanto privado da administração dos bens, não pode o fallido ser indiferente á sorte delles. Conserva, com o ca- racter legal de proprietário, um interesse actual em que o activo,

(') Processo civil, pag. 30.

(') Decr. n. 917, art. 25.

() Decr. n. 917, art. 36, k, e art. 59. M , xo («) Dec. de agg. do Presid. do Trib. do Com. da Corte, de 1857, em tAHDO, Cod. Com., nota 1297. Vide também MAFKA,Jurtsprud. dos Irv verb. fallido.

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mesmo quando inferior ao passivo, seja empregado de maneira a Ir tal-o o mais completamente possível de suas responsabjjíu^ides («).

O fallido constituirá advogados, á sua * custa, para representai-»]

como assistente (*). 9

239. Tem-se perguntado se o fallido pode praticar actos conse:

vatorios de direitos e acções da massa, quando os representantes desta) são negligentes no cumprimento de deveres.

O fallido, coroquanto privado dá administração de seus bens, con- tinua a ser proprietário (n. 193), e tem o maior interesse em ver eu>

danosamente aproveitado o seu activo (3). Por essa razão os mais auctorisados escriptores reconhecem no fallido a faculdade de praticar actos conservatórios de direitos e acções (*).

Ao fallido só não é permittido propor acções relativas a direitos, interesses e obrigações da massa; romperia a unidade da administração,!

se o fizesse (5). Assim mesmo não está prohibido de pedir a destituição dos syndicos quando estes não saibam cumprir seus deveres (n. 603).!

(*) RENOUABD,Iraité das Failiites, vol. 1, pag. 437.

(') Peor. n. 917, art. 25, § 1.

(•) PESCATOBE,na Filosofia e Dottrine Qiuridicke, voL I, pag. 311, argumenta engenhosamente: emquanto o devedor está no livre governo do sen] património, os credores são co-inieressados e têm todo o direito de fazer com que seja conservado aquelle património; desde que a posse, a administração, o governo titular (in titolo) do património passa para a massa dos credores, re-l presentada pelos syndicos, é o fallido que, ao contrario, fica só com a qualidade de co-interessad-o no bom governo, na guarda, na exacta e leal administração do património perdido. Antes da falieneis o devedor tinha o governo do seu! património, e os credores eram co- interessados na conservação deste; depois da fallencia, trocam-se os papeie, do governo do património é investida a massa dos credores, e o fallido, em substituição da posse perdida do patri-í monio, adquire a qualidade de co-mteressado.

{*) LYON-CAEN & RENAULT,Traitê, vol. 7, n. 226; DAIXOZ,Repert., verb. I faiUite, n. 206.

(*) Contra, CUZZEBI,Cod. de Com. Ital. Commentato, n. 134; RUBEN DE COUDEB, Diot. de Droit Com., verb. faillite, n. 234, os quaes entendem qne o fallido pode mesmo propor quaesquer acções para reivindicar créditos, direi-l tos e acções e outros bens pertencentes ao património, no caso de negligencia dos syndicos.

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§ 4-8

Assistência aos actos do processo; auxilio aos syndicos e ausência do domicilio

Kummario. — 240. O fallido é auxiliar obrigatório dos syndicos. -*r 241. Deve assistir pessoalmente a todos os actos e reuniões. — 242. Não pode afastar-se do domicilio commercial sem licença. 9 240. Ninguém mais habilitado a dar informações ao juiz, aos

■yndicos e ao curador fiscal sobre tudo quanto se possa referir aos in-

■eresses compromettidos na fallencia, do que o próprio fallido. Por Isso o Decr. n. 917. no art 14, impõe-lhe a obrigação de, não só «assistir a todos os actos e reuniões, como prestar aquellas informações, fcuando solicitadas, auxiliando diligentemente aos syndicos e curador ■fiscal (!). Vem o fallido a ser, assim, um auxiliar obrigatório dos syn-Idicos na verificação do activo e passivo, um collaborador na liquidação; lé esse também um meio que se lhe offerece para patentear a liztira, a ■boa fé e probidade com que por ventura se houve no commercio.

241. O fallido deve assistir pessoalmente a todos aquelles actos Se reuniões. Se occorrer justo motivo que lhe não permitta comparecer pessoalmente, pode fazer-se representar por procurador, cumprindo para lisso obter previa licença do juiz (2).

242. Sendo dever do fallido prestar as informações exigidas pelo tjuiz, syndicos e curador fiscal, foi-lhe prohibido afastar-se do seu domicilio salvo com auctorisação do juiz que, para concedel-a, deverá ouvir os syndicos e o curador fiscal (3).

A lei, falando de domicilio, refere-se ao domicilio commercial, isto é, áquelle onde está localisada a sede do principal estabelecimento do devedor, e comprehendido na jurisdicção do juiz que declarou aberta a fallencia (*).

' (*) O art. 14 do Decr. n. 917 foi inspirado na disposição do art. 698 do Cod.

Com. Italiano.

(a) Decr. n. 917, art. 14.

Note-se que o fallido pode constituir advogado ou procurador que lhe de fenda os interesses no processo da fallencia e nas acções que tiverem relação i com a massa, independentemente de licença do juiz. A. licença, de que fala o art.

14 do Decr. n. 917, é exigida somente para a representação da pessoa J do fallido nos actos da fallencia e reuniões dos credores. (") Decr. n. 917, art. 14. («) Decr. n.

917, arts. 4 e 91.

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§ 5.»

E* Prisão administrativa do fallido.

Summario. — 243. Oaraoter desta medida.

I 243. O Doer. n. 917, art. 16, dá ao juiz da fallenoia a facul- j dade de ordenar a prisão do fallido, se este faltar ao comprimento dos 'seus deveres, oppondo embaraços ás funcçOes dos syndicos e do cura- ' dor fisoal, ocoultando-se ou de qualquer modo encobrindo a existência de bens f1), demorando a arrecadação, não exhibindo os livros, recebendo quaesquer quantias por dividas activas (n. 298), praticando algum acto prejudicial á massa ou que motive acção de nullidade, subtrahindo do- oumentos ou desviando a correspondência que dever ser entregue ao curador fiscal (n. 408).

lísta importante arma com que foi investido o juiz é simplesmente | uma providencia compulsória para o fallido cumprir os seus deveres, um meio de prevenir prejuízos e delapidações dos bens da massa, j Não se, tracta, aqui, de uma prisão por divida; neste caracter seria inadmissível. Também differente é a prisão preventiva de que falámos I no n. 169.

I Para ser decretada a prisão administrativa é essencial prova con- cludente da existência de qualquer dos factos acima expostos ('). Ao fallido é garantido o exercioio do direito de habeas-eorpus (8). 1

| — «Domicilio eommeroial diz-se aqnollo, onde o negociante tem o sen es- ' oriptorio, o mercador a sua loja, o fabricante a sua fabrica.» FERREIRA BOB-1 OES, Die, Jurid., verb. domicilio.

(') O fallido que nega a entrega ou ooculta o conhecimento de mercado*] rias que lhe foram remettidas está sujeito a prisão. Aos. de 14 e 21 de Maio | de 1898, do Trib. de Just. de S. Paulo em habeas-eorpus, na Revista Mensal, vol. 8, pags. 460 e 461.

('-") Ao. do Trib. de Just. de S. Paulo, de 9 de Agosto de 1897, na Revista , Mensal, vol. 6, pag. 173.

(") Const. Fed. art. 72 § 22; Deor. n. 917, art. 17 § 1. Ao. do Sup. Trib. | Fed.

de 14 de Agosto de 1897. em a nota 4, pags. 126 e 126.

Ha quem admitta neste caso o recurso de aggravo com fundamento no art. 669, § 6, do Begul. n. 737. Não duvidamos aooeitar esta doutrina, com-quanto Beja muito mais rápido e effioaz o habeas-oorpus, desde que se equipare | o despacho que deoretar a prisão administrativa do fallido ao que concede a I detenção pessoal, para o effeito de se negar effeito suspensivo ao aggravo | (Deor. n. 6467 de 12 de

Novembro de 1873, art. 7.)

| * Illudirin a lei, tornando inútil a disposição do art. 16 do Deor. n. 917, qual- quer effeito suspensivo que se attribuisse aos recursos de que o fallido lan- J

casse mão. 'I

Até ahi não se deve levar a proteooão á liberdade individual. Modus in rebus.

No documento DAS FALLENCIAS (páginas 153-169)