Sobre o município
Por que a Escola Municipal T?
Quando iniciei o mestrado na UERJ/FEBF, acreditei que conseguiria dar conta de tudo o que foi proposto no projeto inicial. Porém, devemos trabalhar com a nossa realidade e tentar fazer o melhor que pudermos no tempo que temos para concluir o processo.
Localizando o Campo: EMT e as Avaliações Externas
Vivendo e convivendo: impressões sobre a escola
Como a EMT não possui aulas de aceleração de aprendizagem, os alunos com alguma lacuna nessas áreas recebem atendimento especializado para esse fim na sala de projetos. A questão da avaliação é um ponto de destaque na unidade, os alunos realizam avaliações de aprendizagem bimestralmente.
Um dia de cada vez: Observações e relatos cotidianos
A partir daí, foram determinadas as competências que os alunos deveriam desenvolver em cada ano do ensino fundamental. Estas políticas têm levado as escolas a preparar os alunos para provas, o que limita o conceito de qualidade na educação e limita as possibilidades de desenvolvimento humano.
Retomando o percurso
A Prova Brasil e o currículo de Língua Portuguesa: que caminhos apontam?
Matrizes de Referência e Descritores de Língua Portuguesa para o 5° ano
Ainda no esforço de unificar o ensino da língua portuguesa, além dos PCNs, foram desenvolvidas matrizes de referência e descrições para cada ano do Ensino Fundamental. Podemos observar que as Descrições não seguem uma ordem numérica rígida, elas são agrupadas de acordo com os objetivos propostos para cada grupo. Como podemos perceber, as Matrizes de Língua Portuguesa, concebidas para servirem de norteadoras ao trabalho pedagógico realizado pelos professores da disciplina em questão, não são simples.
Seria ingênuo pensar que com os PCNs, matrizes de referência e descritores chegaríamos de fato a um currículo único em todo o país.
Currículo Prescrito e Currículo Vivido na Rede de Duque de Caxias
Os PCN dividem os conteúdos que se propõem trabalhar no segundo ciclo em seis eixos principais; e dentro de cada um deles ele aponta. Como podemos verificar no quadro elaborado a partir do plano de curso utilizado na EMT, o conteúdo abordado atende aos anseios propostos nos documentos oficiais. Estes estão “vinculados” e havendo uma relação de dependência entre eles, o conteúdo é processado de forma que fique conectado.
Os professores dividem aulas, dividem livros, dividem conteúdos e buscam a interdisciplinaridade entre eles.
O currículo e suas funções na atualidade
Na escola, o currículo era considerado o instrumento por excelência do controle social que se pretendia estabelecer. Durante muitos anos, a escola foi vista como o único lugar onde se poderia adquirir conhecimento, o único lugar onde se poderia aprender algo e o único lugar com pessoas. Portanto, o currículo pode ser movido por intenções oficiais de transmitir uma cultura oficial que se deseja transmitir à sociedade através da escola.
O currículo não é, portanto, visto, como na visão tradicional, como um lugar para a transmissão de uma cultura indiscutível e unitária, mas como um campo onde serão feitas tentativas para impor tanto a definição particular de cultura de classe ou de grupo dominante como o conteúdo da cultura (BOURDIEU, 1978).
Avaliação em larga escala
Examinei as ações desenvolvidas nas escolas para apoiar a implementação das políticas de exames tão questionadas por Díaz Barriga (2009). O autor questiona as ações desenvolvidas em seu país, o México, onde as políticas de exames se tornaram uma epidemia. Avaliações em larga escala ou testes padronizados privam as escolas da autonomia que os professores antes de nós lutaram para conquistar.
Na Europa, todas as medidas relacionadas com a qualidade da educação basearam-se numa maior autonomia dos professores e das redes educativas.
As avaliações e seus contextos
Os momentos únicos vivenciados dentro da sala foram captados por fotos (em anexo) retiradas do cotidiano da escola, das ações dos professores, dos alunos e de toda a comunidade escolar. As conversas guiadas (ou não) trouxeram a riqueza do diálogo e ilustraram a pesquisa em que procurei absorver o máximo possível da visão de alunos e professores sobre o uso de avaliações externas como principal ferramenta para regular a qualidade do ensino. Educação. Partindo da teoria de que a pesquisa é uma prática social de Carvalho (2011), procurei descrever como se configuram as relações sociais e de poder, imbuídas do viés das relações estabelecidas entre os atores envolvidos em todo o processo de realização das avaliações externas.
Estamos nos perguntando sobre a possibilidade de as aulas de língua materna se concentrarem na preparação de alunos que farão um teste de conhecimentos externo.
As avaliações e seus problemas
Na década de 1990, as avaliações externas tornaram-se um dos principais pilares da política educacional, vigente nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e continuada nos governos de Lula e Dilma Roussef, no contexto do lançamento do Programa Nacional de Educação. Organização de Desenvolvimento. Plano (PDE). Havia preocupação nas escolas em desenvolver ações que atendessem às exigências das avaliações externas. Tornou-se um círculo vivo de pressão para alcançar melhores resultados nas avaliações externas que compõem os números do IDEB e para atingir as metas de cada ano a partir de então.
As escolas sofrem pressão para produzir números, para atingir objetivos pré-determinados, tornando-se meras ferramentas na sua produção performativa.
A Prova Brasil: Implicações e Implicâncias
As avaliações externas constituem ferramentas essenciais no processo de definição desta política ideológica e cultural. Dias Sobrinho (2003) alerta que as avaliações em larga escala são partes essenciais do processo ideológico, cultural, econômico e social. Seguindo esse fluxo, procurei captar as evidências que apontavam para a relação entre as avaliações e seus efeitos no trabalho realizado pelos professores e seu impacto no cotidiano escolar.
Em geral, as avaliações externas nos causam certo desconforto e precisamos acelerar a reflexão ao longo do ano.
Avaliações: diagnóstico ou prescrição?
Atualmente as ações estão voltadas para a questão da qualidade e para que essa “qualidade” seja alcançada, criando uma cultura na qual os testes padronizados (avaliações em larga escala) têm papel preponderante. Como as práticas pedagógicas desenvolvidas no espaço escolar podem ajudar a melhorar os resultados. O que questionamos é a forma como as avaliações externas têm assumido o papel de instrumento de medição.
Ao apresentar a avaliação nesta perspectiva puramente exploratória, seguimos uma direção contrária ao que temos visto nas últimas décadas, em que as avaliações assumiram a liderança no cenário educacional e funcionaram como política indutiva em vez de sê-lo.
Avaliação e Qualidade: Sinônimos ou Antônimos?
Acreditamos que tal conceito não seria suficiente para alcançar uma educação de qualidade ou uma educação de qualidade. Segundo Enguita (1995), substituiu a questão da igualdade; as pessoas já não falam sobre igualdade de oportunidades na educação, mas sobre educação de qualidade. O processo de educação de qualidade não ocorre de forma isolada, é resultado da produção coletiva.
Uma educação de qualidade envolve transformação, crescimento dos indivíduos, não mede apenas valores, quantifica, (des)qualifica.
A Avaliação na rede Municipal de Duque de Caxias
As segundas notas bimestrais dos 4º e 5º anos do ensino básico e do I e II ciclo do ensino regular nocturno serão dadas de acordo com a área curricular e serão obtidas a partir da soma dos 4 (quatro) instrumentos de avaliação de diversos , usado durante dois meses. atribuindo valores iguais. As classificações bimestrais do 6º ao 9º ano do ensino básico e dos ciclos III e IV do ensino regular nocturno, atribuídas às Componentes Curriculares, serão obtidas a partir da soma dos 4 (quatro) instrumentos de avaliação diversos utilizados durante o bimestre. , atribuindo valores iguais. Cada vez mais redes municipais adotam o Ciclo Básico de Alfabetização (CBA) nos três primeiros anos do ensino fundamental.
Mesmo com a política do ciclo, as avaliações estão presentes em todas as etapas do ensino fundamental.
O dia “D”: a Prova Brasil na EMT
Os professores ajudaram os alunos com problemas de leitura e interpretação, conforme ocorreram ao longo do ano. Os alunos com maiores dificuldades de leitura demoraram muito mais para ler e responder a simulação. Antes do início da prova na turma 502, a professora E conversou com os alunos sobre a importância de levar a prova a sério e prestar atenção na hora de responder.
Assim, após o término da prova, voltei para a sala de aula e chamei os alunos individualmente para falarem sobre suas impressões sobre a prova.
Repercussões das avaliações externas: ações e tensões na EMT
Base Nacional Comum Curricular: Um documento construído por muitas
Em mais um movimento na tentativa de uniformização da educação no país, ou parafraseando os documentos oficiais “Em busca da educação igualitária”, entre 17 e 19 de junho de 2015, realizou-se o primeiro seminário interinstitucional de preparação da base nacional comum Currículo (BNCC). Segundo o MEC, a primeira proposta (primeira versão do texto) da BNCC foi apresentada oficialmente em setembro de 2015, e em sua elaboração participaram profissionais da educação de todos os estados e de 35 universidades brasileiras. O site oficial da BNCC apresenta uma linha do tempo que traz um retrospecto detalhado de todas as ações tomadas pelo governo nas últimas décadas para esse fim.
A criação dos PCNs e atualmente da BNCC são instrumentos que apoiam ações em prol de uma educação de “qualidade”.
A Base Nacional Comum Curricular e a Linguagem
Segundo o documento, a área de Letras preocupa-se com os conhecimentos relacionados à atuação dos sujeitos nas práticas linguísticas nas diversas áreas da comunicação humana, desde as mais mundanas até as mais formais e extensas. O documento aponta ‘objetivos’ gerais para a área das Línguas no Ensino Básico, mas iremos ater-nos aos objetivos pretendidos para o Ensino Básico. Interação com práticas de linguagem em diferentes modalidades na perspectiva de sua recepção e produção, para ampliar gradativamente o repertório de gêneros e meios comunicativos e expressivos;
Reconhecer as condições de produção das práticas linguísticas (quem, o quê, quem, porquê, para quem, em que suporte, modo de circulação), materializadas na oralidade, na escrita, nas linguagens artísticas e na cultura física do movimento;
Componente Curricular de Língua Portuguesa, um novo Currículo proposto pela
Este facto faz da componente curricular Língua Portuguesa um dos principais elementos na consolidação do documento. Como podemos perceber, os objetivos gerais do componente curricular Língua Portuguesa apontam caminhos pelos quais a língua pode ser ensinada nas escolas brasileiras. A transformação de uma variedade linguística em variedade “cultivada” ou “padrão” está associada a diversos fatores, entre os quais podemos destacar: a associação desta variedade à modalidade escrita; a associação desta variedade com a tradição gramatical; a dicionarização de signos desta variedade; considerando esta variedade como legítima portadora de uma tradição cultural e de uma identidade nacional.[..] Sabendo que a “língua padrão” resulta de uma imposição social que desqualifica outros dialetos, que posição o professor deve assumir?
Qual deve ser a posição dos educadores relativamente à imposição de uma cultura linguística dominante e de um uso padronizado da língua, falada e escrita.
Escola Municipal T: seus saberes e fazeres
Neste dia, os alunos leram juntos e leram em voz alta os trechos solicitados pela professora. Os alunos são atendidos em pequenos grupos e as atividades desenvolvidas buscam ajudá-los a superar suas dificuldades de leitura, compreendendo o que é lido e em alguns casos até decodificando e identificando as letras do alfabeto. Entre outras coisas, os alunos trabalham com confecção de ingressos, listas de compras, músicas, nomes, alfabeto móvel (todos feitos com materiais recicláveis).
Com essas atividades, a professora queria que os alunos identificassem os personagens dos textos e realizassem exercícios de interpretação utilizando materiais gráficos (figuras).
Cotidiano escolar e Cultura
As atividades na sala de leitura aconteciam todas as quartas-feiras, e toda semana os alunos tinham a oportunidade de ler um livro dos autores homenageados. Além das biografias, os alunos visitam constantemente a biblioteca da escola (Sala de Leitura) em horários regulares, uma ou duas vezes por semana. Os alunos realizam atividades que estimulam a leitura e a produção escrita que podem atuar como facilitadores no processo de resolução da Prova Brasil.
Os alunos também realizam semanalmente as atividades sugeridas no livro Projeto (Con)Seguir, elaborado e distribuído pela KMO de Duque de Caxias.
A observação participante e as imagens
Um aluno da turma 502 perguntou se conseguia ver os registros fotográficos feitos durante as atividades realizadas pela turma. Forneceram pistas sobre as atividades desenvolvidas e mostraram a diversidade e a multiplicidade do cotidiano da sala de aula como potencial criativo para quem o utiliza. Esperei encontrar os responsáveis e explicar-lhes os caminhos e objetivos da investigação académica que tinha sido desenvolvida.
Minha mãe recebia muitas ligações de lugares desconhecidos e não sabia como estavam as outras empresas.
Cotidianidades: valorizando as produções
O que se verificou com a análise do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), divulgado nos últimos anos, foi a sua inadequação (as médias obtidas ficaram abaixo do mínimo satisfatório). Em 2005, o SAEB foi reestruturado e passou a ser composto por duas avaliações: a Avaliação Nacional da Educação Básica (ANEB) e a Avaliação Nacional do Desempenho Escolar (ANRESC), mais conhecida como Prova Brasil. A aplicação sistemática de testes e testagens não garante aprendizagem, bom desempenho ou mesmo educação de qualidade em todos os níveis do ensino público.
PDE: Plano de Desenvolvimento da Educação: Prova Brasil: ensino fundamental: matrizes de referência, disciplinas e descritores.