Se você vai perder, só vai perder um”: Representações sociais do consumo em situações de violência na cidade do Rio de Janeiro. Se você vai perder, só vai perder um: as representações sociais do consumo em situações de violência na cidade do Rio de Janeiro.
O homem e sua relação com o objeto
A sociedade de consumo necessita que os seus objectos existam e sente sobretudo a necessidade de os destruir. A sociedade de consumo desenvolve-se na medida em que consegue manter continuamente a insatisfação dos desejos dos seus membros.
As dinâmicas de consumo
É a partir do valor da marca que o consumidor estabelece conexões com a empresa, produto ou serviço, pois sugere ideais, atitudes e sentimentos. As crenças sobre os atributos e benefícios de um produto ou marca influenciam as decisões de compra.”
Impureza
Aqueles que não conseguem responder ao consumo orientado por mensagens devem conviver, todos os dias, com o espetáculo mostrado por aqueles que podem. Os consumidores defeituosos, ou seja, aqueles que não conseguem responder ao consumo imposto, o sociólogo considera como “encarnação de “demónios interiores”.
Entre a beleza e o caos
Nesse contexto, Moscovici (2003) afirma que as representações sociais restauram e moldam a consciência coletiva, explicando objetos e acontecimentos de tal forma que se tornem acessíveis a qualquer pessoa e coincidam com nossos interesses imediatos. De certa forma, são as representações sociais que surgem na mente dos sujeitos para dar sentido às coisas ou para explicar a sua situação. Segundo Moscovici (2003), a motivação para a criação das Representações Sociais é a tentativa de construir uma ponte entre o estranho e o conhecido, ou seja, é o objetivo de tornar conhecido o conhecido.
A exposição aos meios de comunicação de massa e as trocas entre os indivíduos permitem-lhes partilhar de forma mais direta os elementos que irão compor as representações sociais.
Vertentes da Representação Social
Uma função organizadora: é o núcleo central que determina a natureza das conexões e une os elementos da representação. Os elementos periféricos “constituem o conteúdo essencial da representação: os componentes mais acessíveis, mais vívidos e mais concretos”. Função de concretização: os elementos da periferia formam uma ligação entre o núcleo central e a situação real em que a representação surge ou se concretiza;
Função reguladora: os elementos periféricos desempenham um papel importante na adaptação da representação às mudanças no contexto social, ou seja, novas informações ou mudanças no ambiente social podem ser incorporadas à periferia da representação;
Representação Social, Consumo e Violência
O que se exige das diversas técnicas utilizadas em um único estudo é uma maior profundidade e ampliação do objeto de estudo. Para explicar a paixão pelas compras, Richard Sennett (2006) aponta dois conceitos: o “motor da moda” e a “obsolescência planejada”. marketing, publicidade e meios de comunicação de massa que foram desenvolvidos para “moldar” os desejos dos consumidores. É justamente nessa divisão do cotidiano que se constroem as representações e se moldam as percepções, ou seja, a partir das falas dos sujeitos sobre as restrições de consumo causadas pelo crime, nota-se que ela não é apenas expressiva, mas também produtiva.
A nova realidade de crimes violentos emergentes no Rio de Janeiro está provocando novas atitudes em relação ao desenvolvimento de um novo movimento social.
As relações entre o ato de consumir e as representações sociais
O objetivo principal deste estudo centra-se na identificação das Representações Sociais de uma parte da população da cidade do Rio de Janeiro sobre o uso e consumo de bens pessoais em situações de violência. Baseada na teoria de Moscovici, que explica que os indivíduos são pensadores ativos e que através da troca de informações são capazes de produzir suas próprias representações a fim de criar soluções específicas para as questões que se impõem, a pesquisa buscou, como objetivo específico, identificar o impacto da violência que atinge o estado, mas principalmente a cidade do Rio de Janeiro no uso e consumo de objetos por esses indivíduos, além de verificar as mudanças ocorridas no modo de vida e circulação na cidade , uma vez que a experiência do crime, como explica Caldeira, são experiências que perturbam o mundo e oferecem, a partir delas, símbolos capazes de ordenar a mudança social (Caldeira, 2000 p. 33).
Considerações metodológicas
Caracterização dos sujeitos
Vale lembrar que os temas foram escolhidos por meio da técnica “bola de neve”, que, segundo Vinuto (2014), está estruturada da seguinte forma: no início, o pesquisador utiliza documentos e/ou informantes-chave com o objetivo de localizar com o características necessárias para pesquisas na população geral, ou seja, alguns entrevistados indicaram amigos e parentes, que indicaram novos temas, e assim por diante. Foi proposta a divisão dos temas por gênero, formação e atuação profissional para enriquecer a pesquisa e permitir novos grupos de dados para possíveis análises. Vale ressaltar que a distribuição das disciplinas por atividade profissional seguiu os mesmos parâmetros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O que vale ressaltar nesta última distribuição é que, mesmo sendo uma pesquisa que selecionou indivíduos com alto nível de renda, a maioria dos sujeitos (60%) não possuía vínculo empregatício formal.
As representações sociais do consumo na cidade do Rio de Janeiro
S15: [..] Eu nunca, jamais, carrego meu celular na mão, andando na rua tão distraído. S6: Pessoas distraídas que não sabem do perigo no Rio de Janeiro e usam o celular na rua. Porém, para esta imagem, apenas um sujeito deixa claro o perigo do personagem falar ao celular na rua.
S6: Com o celular na mão [..] As pessoas não sabem do perigo no Rio de Janeiro e usam o celular na rua.
A violência e os modos de consumir
Isso acontece pelo paradoxo estabelecido no conceito de comunidade, que ao mesmo tempo exala uma boa sensação de ter alguém com quem se vincular, elementos fundamentais para indivíduos imersos em um mundo impessoal onde podem permanecer calmos e confiantes. O que se pode entender nesse aspecto é que para que os cidadãos do Rio de Janeiro possam utilizar seus bens pessoais na rua, eles devem compreender o espaço, a dinâmica social que rege determinadas ações e agir de forma conectada a as vivências do patrimônio e do meio ambiente na cidade.que está implantado. A violência na cidade do Rio de Janeiro é vista como um obstáculo social que se agravou quando o crime se tornou crime organizado.
O ambiente hostil que surge na cidade já é percebido pela sua população, que considera todos os locais como perigosos e não consegue identificar um ponto específico.
Hostilidade
Os grupos criminosos que se instalaram nas comunidades cariocas criaram regras paralelas em contraste com o estado e que limitam os espaços que são coordenados pelo tráfico de drogas. A hostilidade também pôde ser testada quando os sujeitos tiveram que atribuir uma valência à cidade do Rio de Janeiro. Não é difícil encontrar um carioca que se conheça cordialmente não só com os estrangeiros, mas também com os seus conterrâneos.
S29: Hoje acho que não existe um lugar específico, acontece em todo lugar.
Ambientes seguros
Shoppings centers
Vale ressaltar que os sujeitos atribuem aos shopping centers um local de encontro, justamente o papel associado a um espaço público. Em geral, os sujeitos relatam que entram na farmácia apenas para atender o celular e não para sofrer nenhum ato violento. S8: Se vou atender um telefonema, vou numa galeria, numa loja, onde quer que seja.
Os pesquisadores, quase todos, afirmam observar características específicas nas pessoas nas ruas das cidades para reconhecer uma situação de risco.
Estratégias de uso
Objetos sem valor
Geralmente são de pouco valor ou detestados por muitos, mas são usados em qualquer circunstância sem medo, confirmando com Bauman que o consumo mantém esta sociedade ativa, ou seja, mesmo que sejam bens que não têm significado para os sujeitos não têm. , seu consumo ainda é feito. As coisas que não gosto muito, ou seja, cordão de prata, bolsas que não têm valor. Durante as entrevistas, os sujeitos afirmam que joias que não chamam a atenção ou que não brilham muito têm uso ilimitado na rua.
Porém, um deles afirma que continua usando a aliança, mesmo sabendo do risco que corre.
Celular do ladrão
Outros acreditam que um celular antigo que perdeu suas funções pode ser usado sem problemas. Quando um item é altamente alvo de roubo, como um celular de marca de alto valor econômico, ele automaticamente atribui valor às marcas da moda e mais consumidas e reduz o valor de outras marcas da mesma categoria de produto. Da última vez que fomos eu fui com um celular que sempre usei mas algumas vezes já troquei de celular coloquei um celular aqui... sempre tenho um celular sobrando... que é antigo e Eu troco apenas o chip.
S22: Às vezes, quando eu sentia mais medo, como quando fui assaltado, eu guardava dois celulares na bolsa, um de menor valor caso algum ladrão quisesse, eu entregava e o outro ficava escondido.
Combate à hostilidade
Educação
Para eles, uma educação adequada evitaria graves diferenças sociais, conscientizaria as pessoas e lhes mostraria outros caminhos além do crime. O que pretendem é que a educação possa oferecer outra alternativa, que inclua também jovens educados e dispostos a integrar-se na sociedade. Isso fica caracterizado na fala do Tópico 3 quando ele afirma que é preciso haver mais igualdade de oportunidades para evitar as diferenças sociais que levam as pessoas a cometer crimes.
Porque há aqueles para quem a educação já não serve e precisam de formas mais agressivas, digamos assim, para contornar a situação.
Relação entre discurso e imagens
Qual dessas afirmações você acha mais adequada para a situação de uso de itens pessoais na cidade do Rio de Janeiro? Existem locais na cidade do Rio de Janeiro que apresentam maior risco de uso de itens pessoais. Qual item pessoal você acha que apresenta menor risco para uso no Rio de Janeiro?
Quando você está na cidade do Rio de Janeiro, você observa as pessoas para identificar uma situação de risco para o uso de objetos pessoais.