Nesse processo, as equipes de saúde da família (eqSF) e equipes de saúde bucal (eqSB) foram suprimidas, profissionais foram demitidos e a prefeitura decidiu romper o contrato com algumas organizações sociais que administravam unidades de saúde, criando um cenário de insegurança e precariedade no trabalho. condições (falta de insumos e medicamentos, atrasos salariais etc.). Cada equipe de saúde da família (eqSF) deverá ser composta por um médico de família ou clínico geral, um enfermeiro, um enfermeiro e 4 a 6 agentes comunitários de saúde (ACS), número definido com base nas necessidades e características do paciente. .
Programa dos Agentes Comunitários de Saúde (PACS)
Os ACS passam a integrar a equipe de saúde da família, equipe multidisciplinar composta por médico, enfermeiro e técnico de enfermagem (MOROSINI; CORBO; GUIMARÃES, 2007). Alencar et al (2020) enfatizam que a prática dos ACS é fortemente caracterizada por ações de prevenção de doenças e distribuição de recursos e medicamentos, coleta de informações sociodemográficas e da situação de saúde da população.
As revisões da PNAB e o contexto político
Melo et al (2018) destacam que neste período o então Ministro da Saúde adotou o discurso da eficiência econômica, defendeu a criação de planos de saúde privados populares bem como a desregulamentação do setor de saúde complementar. O PNAB 2017 (BRASIL) também traz, como mudança relevante, a possibilidade de relativizar a cobertura populacional, o que permite esquemas de matrícula com parâmetros populacionais diferentes dos propostos – entre 2.000 e 3.500 pessoas por Equipe de Saúde da Família (eqSF) – conforme especificações regionais. O número mínimo de ACS por equipe, que no PNAB anterior era 4, não é definida pela nova versão, portanto é possível ter apenas 1 ACS por Equipe de Saúde da Família.
Com base no estudo realizado pela SMS-Rio, foram alcançadas 184 equipes de Saúde da Família (eqSF), de um universo de 1.263 equipes, a serem desativadas pelo município do Rio de Janeiro, com a justificativa de "baixa ajudar a impactar e. Essa reorganização levou ao desligamento de aproximadamente 1.400 profissionais, a maioria dos quais eram Agentes Comunitários de Saúde (AC). Dessa forma, os determinantes sociais e estruturais podem contribuir para a proteção ou deterioração da saúde mental, que a posição do indivíduo neste contínuo de saúde mental muda.
A saúde mental dos agentes comunitários
Esta questão vai ao encontro da observação feita por Nunes et al (2002) de que, por o trabalho destes profissionais se basear num modelo relacional, há uma ênfase dada pelos utentes da ESF aos conteúdos relacionados com a vida pessoal dos agentes, conseguindo exercem um certo controle social sobre suas vidas privadas. Nunes et al (2002) enfatizam o caráter polifônico e híbrido do agente comunitário, pois este profissional ocupa uma posição estratégica de mediação entre o saber popular em saúde e o saber médico-científico. Essa posição também é permeada por conflitos de poder com os demais integrantes da equipe, à medida que o ACS passa a competir com eles por seu prestígio na comunidade.
Os conflitos de poder entre os ACS e outros membros da equipa reflectem a distribuição desigual de poder na sociedade. Essas relações de poder também se refletem na relação entre o CZS e os usuários, pois com o acesso “fácil” a outros trabalhadores da saúde, ganham um status diferenciado na comunidade, um certo poder sobre os moradores do território. Em comparação, entre os trabalhadores de enfermagem, a prevalência da síndrome de burnout é de 16,2%, e a prevalência de TMC na população brasileira varia entre 22,7% e 35% (SILVA; MENEZES, 2008).
Relações entre violência estrutural e saúde mental
Sabe-se que existe uma ligação importante entre as desigualdades sociais e o risco de desenvolvimento de transtornos mentais comuns. Kleinman (2010) enfatiza que nas áreas urbanas onde há maior pobreza e violência, há também maior incidência de doenças e transtornos mentais. Existem extensas evidências provenientes de países industrializados que mostram uma ligação entre a pobreza e o risco de perturbações mentais comuns.
Afirmam ainda que alguns aspectos da pobreza (educação, insegurança alimentar, classe social, estatuto socioeconómico e stress financeiro) parecem estar mais fortemente relacionados com perturbações mentais comuns do que outros. Fatores como “insegurança, desesperança, saúde física precária, mudanças sociais rápidas e oportunidades limitadas devido a níveis educacionais mais baixos podem mediar o risco de sofrer de transtornos mentais comuns” (PATEL; KLEINMAN, 2010, p. 612). Embora existam evidências de uma ligação entre perturbações mentais comuns e privação económica, muitas pessoas que vivem na pobreza não desenvolvem perturbações mentais.
Critérios de exclusão
Campo da pesquisa
Era esperado um tamanho de amostra de aproximadamente 15 participantes (de um total de 22), mas devido à pandemia, 10 ACS não estavam trabalhando no período em que foram realizadas as entrevistas. No período em que decorreram as entrevistas, já tinha passado o momento mais crítico da reestruturação da APS. No dia do agendamento das entrevistas, fui à clínica da família, mas minha chegada ao acampamento não foi isenta de desconforto.
Ir até uma unidade de saúde para realizar as entrevistas, onde o risco de contaminação é ainda maior, foi bastante desafiador. Porém, acreditei que a realização das entrevistas seria a única opção, pois o gestor da unidade havia informado que nem todos os agentes tinham acesso fácil à internet, portanto, a realização das entrevistas virtualmente impediria a participação de alguns deles. Fui recebido por uma auxiliar administrativa que me conduziu até a sala onde seriam realizadas as entrevistas, ao lado da administração.
Limitações e fragilidades da pesquisa
Em frente à sala havia uma longarina onde estavam alguns ACS – cerca de 6 – que já aguardavam pelas entrevistas. O ar condicionado da sala estava quebrado e não havia janelas, o que me levou a acreditar que ficar com a porta fechada durante as entrevistas seria desconfortável e não o ideal dada a pandemia. Um ponto que deve ser ressaltado em relação às entrevistas é que o contato com os sujeitos da pesquisa ocorreu por meio do gestor da unidade.
Foi combinado que as entrevistas seriam agendadas em intervalos de 40 minutos, mas todos os ACS compareceram no mesmo horário, no início da manhã, o que fez com que alguns deles tivessem maior “pressa” para finalizar a entrevista, por isso que os colegas possam ser entrevistados imediatamente. Acredito que a realização das entrevistas no local de trabalho dos ACS, embora tenha facilitado o seu acesso por um lado, por outro lado, pode ter causado algum desconforto no tratamento de algumas questões e retirado alguma da espontaneidade das entrevistas. Por outro lado, não quis retornar mais uma vez ao ambulatório para realizar as entrevistas, por medo de ser exposto à COVID-19, e tive receio de que alguns deles desistissem de participar da pesquisa devido ao tempo prolongado. tempo de espera. .
Aspectos éticos
Os participantes da pesquisa tinham entre 27 e 47 anos no período em que foram realizadas as entrevistas. Todos os ACS atuavam na Clínica da Família há pelo menos 3 anos, portanto nenhum participante foi excluído da amostra. Para preservar a identidade dos participantes da pesquisa, optou-se por utilizar a nomenclatura ACS seguida de um número, de 1 a 9, na apresentação dos trechos das entrevistas.
Os números são atribuídos de acordo com a ordem em que as entrevistas foram realizadas e referem-se sempre ao mesmo ACS. Após a análise temática, foram identificados sete temas que apareceram com maior frequência na fala dos entrevistados, a saber: A “escolha” da profissão, o “peso” do vínculo, expressões de sofrimento emocional, impacto das condições de trabalho na saúde, perda da qualidade do atendimento, descaracterização da ESF e pandemia. Dos sete temas que emergiram durante as entrevistas, optamos por discutir três temas que melhor se relacionam com os objetivos da pesquisa, a saber: O “peso” do vínculo, as expressões do sofrimento emocional e o impacto das condições de trabalho na saúde.
O “peso” do vínculo
Relatam principalmente desconforto quando os usuários têm dificuldade em entender que o ACS não desempenha sua função em todos os momentos e em todos os ambientes. Isso permite que os usuários enfatizem conteúdos relacionados à vida pessoal dos agentes, o que pode resultar no controle social que exercem sobre a privacidade dos ACS. Alguns pontos importantes no relacionamento entre profissionais e usuários merecem destaque, como o reconhecimento por parte do ACS de que os usuários da clínica constituem um “público outro” que possui uma cultura diferente da sua, apesar de residirem na mesma área.
É possível perceber no trecho abaixo que o ACS identifica os usuários como “outro tipo de pessoa”. Acredita-se que o nível de escolaridade, bastante diferente da maioria da população atendida, pode dificultar a identificação com os usuários e com a cultura do público que o ambulatório atende. Por se arrependerem de não poder realizar visitas domiciliares e atividades externas devido à sobrecarga causada pela redução de profissionais e pela pandemia, o relacionamento com os usuários é apontado por eles como algo “estressante”.
Expressões do sofrimento emocional
O autor acredita que as linguagens do sofrimento seriam formas eficazes e não estigmatizantes de comunicar o sofrimento. Dessa forma, as expressões de sofrimento refletem não apenas o presente, mas também as experiências passadas e o contexto social. As formas de sofrimento não são expressões que existem isoladamente, mas estão ligadas a tipos de interações culturais que fazem sentido no contexto social (NICHTER, 2010).
Para a população objeto de estudo de Kidron e Kirmayer (2018), as expressões idiomáticas do sofrimento indicavam uma trajetória adaptativa de sofrimento relacionada a eventos previamente vivenciados. Os processos sociais e culturais que contribuem para as formas somáticas de expressão do sofrimento podem ser entendidos como discursos ou como linguagens do sofrimento (KIRMAYER; YOUNG, 1998). Kirmayer e Young (1998) apontam que a ideia de expressões idiomáticas de sofrimento pode ser enganosa, na medida em que tais “expressões idiomáticas” são consideradas “formas altamente estruturadas e inteiramente convencionais de expressar o sofrimento” (p. 424).
Impacto das condições de trabalho na saúde
Na cidade do Rio, a flexibilização possibilitada pela PNAB 2017 resultou em demissões de profissionais e redução do número de equipes de saúde da família (eqSF) e de equipes de saúde bucal (eqSB). Conhecimento e prática de agentes comunitários de saúde na promoção da saúde: uma revisão integrativa. Aprova as normas e diretrizes do Programa de Agentes Comunitários de Saúde e do Programa Saúde da Família.
O trabalho do agente mecenato na ótica da educação em saúde pública: possibilidades e desafios. O agente mecenato no âmbito das políticas de atenção primária à saúde: conceitos de trabalho e formação profissional. Convidamos você a participar como voluntário da pesquisa intitulada “Nossa terapia é a visita domiciliar”: a saúde mental dos Agentes Comunitários de Saúde no contexto da reorganização da Atenção Primária à Saúde no município do Rio de Janeiro, realizada por Luisa Fernandes de Melo Silva.
Este estudo tem como objetivo investigar como o contexto de reorganização da atenção primária à saúde no município do Rio de Janeiro tem afetado a saúde mental dos agentes locais de saúde Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro: Rua Evaristo da Veiga, 16. , 4º Andar – Centro, Rio de Janeiro, RJ.