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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O objetivo desta tese são as residências multidisciplinares em saúde, modalidade de formação profissional em nível de pós-graduação lato sensu, que de acordo com a legislação pertinente se caracteriza como formação contínua em unidades de saúde. Por fim, acreditamos que a residência assume características de trabalho alienado com particularidades do atual contexto da política de saúde, e que a questão central é a ausência de sentido de práxis nos programas em que estão inseridos os residentes entrevistados. A tese aqui apresentada tem como objetivo a residência multidisciplinar em saúde, modalidade de formação profissional em nível de pós-graduação lato sensu, que, de acordo com a legislação pertinente, se caracteriza como aperfeiçoamento em unidades de saúde.

Por fim, consideramos que a questão central é a falta de sentido de prática nos programas em que os moradores entrevistados estão envolvidos. A residência multidisciplinar em saúde é uma modalidade de formação que se origina em meio às mudanças nos modelos de atenção com o objetivo de superação do modelo biomédico. A formação para empregos complexos segue a relação criada entre a necessidade crescente de trabalho especializado e a divisão internacional do trabalho.

Para o autor, os funcionários do Estado também ocupam uma posição de classe moldada pela divisão social do trabalho no próprio quadro do Estado.

O Movimento da Reforma Sanitária e a Perspectiva Gerencialista

É com base nisso que a reprodução das necessidades de saúde e a constituição do trabalho em saúde “devem ser compreendidas nas suas conexões com os modos históricos de produção de subsistência”. Esta análise difere, portanto, daquela que define o trabalho em saúde como uma prática técnica neutra que tem como foco a produção de bem-estar e a extensão dos serviços de saúde a toda a população. Desta forma, estas práticas ajudam a aumentar a produtividade do trabalho ou a produção de mais-valia relativa, dado que a melhoria das condições de saúde do trabalhador contribui para a obtenção do máximo de produtos em menos tempo de trabalho”.

Em contrapartida, a sociedade capitalista individualizada naturaliza as necessidades de saúde como biológicas, um processo extremamente social. Nesse sentido, a academia deixou em segundo plano a intervenção para o estado de saúde da população e seus determinantes. E o programa carro-chefe do modelo voltado para a atenção básica, a Estratégia Saúde da Família, ESF.

Na área da formação profissional em saúde, como já destacado, aceitamos que a transição para o novo modelo assistencial do SUS exigiu um novo perfil profissional imbuído do conceito ampliado de saúde e de cuidado numa perspectiva integral. Para Ruela (2013) no campo da saúde pública “essas mudanças traçaram um rosto desenvolvimentista dos profissionais de saúde pública que desempenharam um papel importante no processo de criação da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), em 1954” (RUELA, 2013, pág. 43). E a sua regulamentação, por meio da Portaria nº, no âmbito dos Ministérios da Saúde (MS) e da Educação (MEC), a Residência Multiprofissional em Saúde, instituída sob o discurso de formar profissionais com perfil para atuar no sistema único de saúde sistema funcione.

Esse sistema foi instituído em 2009 pela Portaria Interministerial nº 1.007, que instituiu o Programa Nacional de Bolsas para residências multiprofissionais e na área da saúde. Destes, destaca-se a educação permanente em saúde; cenários do mundo real representativos da realidade sócio-epidemiológica do país; concepção ampliada de saúde; abordagem pedagógica que abrange todos os temas envolvidos; Em 2012, foi instituída a Resolução nº 2, que define as diretrizes gerais para a residência em saúde e nas áreas multiprofissionais.

O objetivo central desta proposta é a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho, tomando como referência as necessidades de saúde das pessoas e das populações, a gestão setorial e o controlo social no domínio dos cuidados de saúde. A implementação desta política visa desenvolver ações em diversas áreas: formação técnica, de graduação e pós-graduação; a organização do trabalho; interação com redes de gestão e de saúde; e controle social neste setor. A proposta da OPAS/OMS de educação continuada também faz parte do conjunto de diretrizes para a descentralização e organização dos sistemas locais de saúde (silos).

A teoria do capital humano terá forte influência na formação profissional em saúde, especialmente nos níveis secundário e técnico, mas também na emergência do conceito de recursos humanos em saúde na IV Conferência Nacional de Saúde. a organização da saúde significou a promoção da saúde e, consequentemente, maior produtividade do trabalho” (LIMA; PEREIRA, 2009, p.183). Conforme discutido no primeiro capítulo, esse processo foi permeado por discussões em torno de uma concepção diferente de saúde, uma concepção ampliada de saúde.

A Relação entre Interdisciplinaridade e Integralidade na Prática

A Concepção de Formação Profissional

  • Concepção de Projeto Político Pedagógico (PPP)
  • A Finalidade da Formação
  • A Concepção de Saúde
  • Síntese da Análise da Categoria Concepção de Formação Profissional. 148
  • Os Conteúdos Teóricos
  • Os Conteúdos Práticos
  • Relação Teoria-Prática nos Programas
  • A Concepção de Prática e de Experiência
  • A Formação Política
  • Síntese da análise da categoria concepção de relação teoria-prática

Em quatro diferentes relatos, percebe-se a lógica do trabalho alienado na organização dos serviços de saúde em que estão implantados, o que se expressa por meio de críticas à implantação prática nas unidades em detrimento da educação. Quanto ao conceito de saúde que norteia os programas, os residentes apontaram seis compreensões que estão em diálogo, mas que pareciam nos levar a conteúdos diferentes. O conteúdo mais recorrente (quatro ocorrências) refere-se à relação entre a percepção de saúde com o perfil do programa e o nível de atenção em que estão implantados.

Ou seja, em vez de conceituarmos saúde, percebemos, por vezes, que foram relatados elementos relacionados à política de saúde, ao SUS como sistema ordenador, ou ao programa de saúde específico em que o domicílio está inserido. Em menor escala, mas também presente (em dois casos), argumenta-se que há uma concepção de saúde do programa de residência que dissocia a relação teoria-prática. Ou seja, formalmente o programa se baseia na visão integral de saúde, mas na prática se revela a visão de saúde como ausência de doença e na gestão do programa de saúde ou na gestão do programa de residência se expressa uma visão produtivista trouxe. segundo números e indicadores predomina.

Porém, há uma diferença entre os dois residentes que falaram sobre esse assunto, um dos relatos disse que o conceito de saúde como ausência de doença é hegemônico manifestado no próprio programa de residência. Finalmente, num incidente encontrámos um conceito alargado de saúde, claramente relatado, ligado ao conceito de clínica de saúde alargada e de educação médica continuada. Em geral, os moradores identificam o conceito de saúde que orienta as residências com o chamado conceito ampliado de saúde; ou seja, aquela que não foca a saúde como ausência de doença, ou seja, vai além da perspectiva biomédica.

A concepção de formação profissional na visão dos residentes entrevistados é fortemente caracterizada pela existência de uma concepção fragmentária da relação teoria-prática que se expressa pela cisão entre o que eles identificam como necessário e a realidade desfavorável dos programas e serviços de saúde . Pensam na formação no SUS para o SUS, para identificar o Sistema de Saúde com a luta histórica e os princípios que dela decorrem. Contudo, as características do trabalho alienado presentes na organização dos serviços impuseram a concepção de saúde hegemônica centrada na doença.

A percepção da relação teoria-prática na visão dos residentes nos remete à seguinte questão: há uma educação cuja percepção hegemônica tem produzido uma fragmentação da relação teoria-prática, o que parece expressar principalmente uma desarticulação entre academia e saúde. Serviços. Nesse sentido, consideramos que a residência interdisciplinar se desenvolve numa realidade que é ampliada por dois extremos, a saber: o bom senso dos residentes, que revela a natureza pragmática do trabalho profissional, ou seja, a sua própria busca pela eficiência, que também é necessários para alcançar resultados concretos; no outro extremo, a formação de cunho marcadamente acadêmico, que revela a prática fragmentada na relação teoria-prática e o distanciamento entre a academia e a saúde.

O Sentido do Trabalho na Residência

  • Síntese da Análise da Categoria o Sentido do Trabalho na Residência. 165

E grande parte deles associava o sentido do trabalho à dimensão da precariedade; isto é, residência é trabalho na medida em que o residente vai para lá. Este fato nos mostra a forma comum de incorporação inconsciente do trabalho como princípio educativo. A importância predominante do trabalho na atenção multidisciplinar em saúde é expressa pela percepção do trabalho em seu sentido hegemônico de remuneração e intimamente relacionado à exploração por meio do trabalho intenso e extenso do residente.

A partir disso resumimos que os residentes percebem a formação residencial de forma tensa pela polarização entre a dimensão do trabalho esvaziado de formação e a formação esvaziada de trabalho. Considerando esse contexto, podemos sugerir que a lógica do trabalho alienado se impõe e se sobrepõe às necessidades formativas dos residentes e talvez às concepções dos programas. A pesquisa empírica revelou outra hipótese, a de que os residentes fazem parte da tensão causada pelas mediações entre a necessidade de eficiência no trabalho e o medo de que o “SUS” abranja o sentido da formação profissional.

Quanto à forma como os residentes compreendem o significado do trabalho nesta formação, analisamos que para este grupo o significado predominante do trabalho na residência multiprofissional em saúde é expresso pela concepção de trabalho em seu sentido hegemônico de salário e intimamente associado à exploração por meio da intensificação do trabalho do residente. . A partir disso resumimos que os residentes percebem a formação residencial de forma tensa pela polarização entre a dimensão do trabalho esvaziado de formação e a formação esvaziada de trabalho. Levando isso em conta, podemos imaginar que a lógica do trabalho alienado se impõe e se sobrepõe às necessidades formativas dos residentes e talvez às concepções dos programas.

A busca pela eficiência do trabalho justifica-se pela imprescindibilidade para responder às necessidades de saúde da população no cotidiano dos serviços. O processo de trabalho em saúde é, portanto, uma mediação particular das relações sociais de produção e, portanto, é permeado pela divisão social do trabalho que se reflete na hierarquização do acesso ao conhecimento (RAMOS, 2007). Isso exige a compreensão de que a complexidade do trabalho em saúde não pode ser classificada no contexto em que os trabalhadores e usuários estão inseridos.

Por fim, enfatizamos que a importância do trabalho em equipe está na ênfase nas diferentes abordagens da organização qualificada. Futuramente, os estudos de autorização de residência poderão ser incluídos no conjunto de investigação sobre formação profissional em saúde com base na unidade ontológica de formação profissional.

Referências

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