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Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Imagens de mulheres e crianças afrodiaspóricas: histórias do Piauí fora do Museu Brasileiro / Francilene Brito da Silva. Como vivenciar a arte e a educação artística a partir da fronteira, entre conhecimentos hegemônicos/subalternados sobre arte e educação artística, sobre imagens de mulheres e crianças da afro-diáspora e do nosso cotidiano.

Figura  1  -  Releitura  da  obra  “Las  manos  del  miedo”, de Guayasamín, 1963-65.
Figura 1 - Releitura da obra “Las manos del miedo”, de Guayasamín, 1963-65.

A América para a Modernidade e a África para a Humanidade

Uma das obras que me fez, como afrodescendente, pensar na descolonialidade do poder, do saber e do ser foi a obra intitulada “Bordados para Mamãe Oxum – Senhora dos rios, das cascatas e das Águas claras” (2015)8 de Coletivo Matizes Dumont. Com base neste movimento, quero também comparar esta desobediência epistêmica: do artesanato no Museu de Artes e Ofícios; artesanato no Centro de Arte Popular da CEMIG; da obra “Bordado para Mamãe Oxum – Senhora dos rios, das cascatas e das Águas claras” e sua apropriação através da tecnologia utilizada pela artista Maria Bethânia na exposição.

Escutas em encontros para repensar as concepções/criações

Quanto ao quinto ponto, dizem que ele obscurece o termo “negro”, ou seja, não se enquadra nas situações negativas que os “negros” sofrem. E sexto, por fim, é um termo que não foi escolhido pelos movimentos sociais “negros” brasileiros, mas sim o termo “Negro”, de onde provém.

O cronotopo da afrodiáspora e a tradição fronteiriça

Afrodescendentes, no plural, referem-se àqueles que passaram por diásporas africanas ou diásporas afrodescendentes em (antigas) colônias e diásporas afrodescendentes contemporâneas. Digo que tanto os encontros com interlocutores da pesquisa durante o trabalho de campo quanto aqueles que tivemos com outros interlocutores durante a produção das gravuras podem ser chamados de encontros Griôs, pois em cada um mantivemos contato com nossas memórias, contamos histórias que produzem conhecimento. .

Figura  3  -  Série  “Bordando  e  rendando”,  de  Leninha,  desenho  a  nanquim  sobre  Hahnemühle, 2017
Figura 3 - Série “Bordando e rendando”, de Leninha, desenho a nanquim sobre Hahnemühle, 2017

Imagens espelho/luz e narrativas: matéria, marca e encantamento

A imagem e a palavra permitem-nos ir além daquilo que nos limita como seres sociais que partilham características ideológicas. As imagens e as palavras permitem uma experiência profunda e comunitária que nos torna conscientes dos limites com que vivemos e sentimos nas afirmações do dia a dia.

Imagem como elo e nó enunciados nas águas profundas do ser

As imagens que escolhi para este texto foram aquelas que persistentemente me apareceram como espelhos d'água e serviram de base às narrativas dos interlocutores comigo, incluindo suas narrativas. Conceição Evaristo (2014), contando uma história em que uma mulher tentava lembrar a cor dos olhos da mãe, conclui: “A cor dos olhos da minha mãe era a cor dos olhos lacrimejantes. Espelho" do latim speculum e "água" do latim aqua (FIGUEIREDO, 1913) são palavras que compartilham vários efeitos ópticos da luz: translucidez, intrusão, lustração.

Imagem enunciado: memória como “pedra arremessada a um poço”!

Os livros nas caixas e posteriormente nas antigas estantes reformadas; minha tia que conta histórias da pequena cidade de onde ela, meu avô João de Brito e minha mãe vieram; minha mãe voltou a costurar, dia e noite, ou indo trabalhar, casa, governanta, costureira; as redes colocadas – trançadas – umas em cima das outras à noite, num quartinho; as inúmeras cartas que eles, especialmente minha tia, escreveram aos parentes; a alegria quando o correio chegou com as respostas das cartas – leitura garantida e cheia de expectativas naquele dia quente; os passeios na praça do bairro Bela Vista, a multidão acompanha os dois; as luzes piscantes dos vaga-lumes. Sua boneca preferida era uma que lembrava muito as bonecas cor de rosa que vi no Museu do Brinquedo, em Belo Horizonte, e das quais levei as imagens durante o trabalho de campo para o encontro griô/oficina. São narrativas conectadas, reflexos em olhos d'água que, ao tocá-los, tocam pontos nevrálgicos da minha memória, criando um desenho marcado por linhas nas memórias que me moldam ou que deixo moldar.

Imagem pertencimento/distanciamento

O pano de fundo para Spivak é a relação (na Ásia, especialmente na Índia), muitas vezes silenciada pelos intelectuais do mundo do capital socializado, entre: o Sujeito da organização internacional do trabalho e a representação do subalterno como o Outro da produção colonial. O discurso a que Spivak se referiu tem a ver com a representação de si na agência de se levantar, no sentido de confrontar esse Outro homogêneo e esse silêncio das relações do outro lado da linha do capital não socializado – como um intelectual disso lado. Essa trajetória, caracterizada pela semiose colonial em diferentes estéticas coloniais/decoloniais, influencia a imagem e, ao mesmo tempo que se fixa, é também aberta pela estética decolonial e pela produção de outros sentidos.

Abrindo a semiose colonial: oralimagens descoloniais

O olhar da Madonna de Tobias, centrado na própria paralisia, mostra um olhar/corpo paralisado, inundando a madrugada de luz com a esperança de quem não desiste. Esta luz parece ser gerada pelo olhar de Esperança Garcia, aquela que ilumina os sonhos dos filhos da Madona de Tobias. Nesta vigília compartilho duas imagens com as quais sinto um forte diálogo com a obra de Tobias.

Figura 7 - “Porta da Policlínica” de Benedito José Tobias, c.
Figura 7 - “Porta da Policlínica” de Benedito José Tobias, c.

Mulheres e Crianças – cuidado histórico/cotidiano

Assim, “a falácia psicológica enraizada na crença de que ‘o homem é um animal racional’ não se aplica aos africanos, aos indianos, aos australianos e muito menos às mulheres” (RAMOSE, 2011, p. 07), nem às crianças. O homem moderno precisava desta “consciência” e não de outras, porque outras tiveram que ser quebradas para que a sua fosse refletida. Então a ideia de que os negros gostam de resolver seus problemas com palavras rapidamente se conecta a esta segunda tese: os negros nada mais são do que crianças.

Mulheres e crianças – cuidado estético/ético e interseccional

Em sua tese de doutorado “A construção do outro como não-ser como fundamento do ser”, Aparecida Sueli Carneiro (2005) expõe uma espécie de cuidado epistemicida diante do racismo com “discursos e práticas sobre o racismo” (p. 302). Ao mesmo tempo, somos um grupo que não foi socializado para assumir o papel de explorador/opressor, uma vez que nos foi negado um “outro” para explorar ou oprimir – as crianças não representam um outro institucionalizado, mesmo que pudessem ser oprimidas por seus pais. Embora estejamos conscientes dos perigos iminentes e inevitáveis ​​da pobreza, exclusão e dependência numa sociedade capitalista/moderna/colonial, entendemos que o interesse em não problematizar esta situação e em abordar todas as situações locais com uma visão global mostra que a preocupação comum não é com o “não-ser” do capitalismo, mas com o futuro desta criatura que será menos treinada pelo capital e pela escola para ser subempregada dentro dos padrões de desenvolvimento das Nações Unidas.

Narrativas fronteiriças – o cuidado ao falar em mulher e criança

Os vaga-lumes (vaga-lumes) são sinais de flashes, uma série de luzes apagando e acendendo, são buracos na desesperança do horizonte. Já vimos que todos se casaram antes do tempo; algumas fisicamente incapazes de serem mães ao máximo. Modo de vida que desafia a subordinação ao amor próprio que é egoísta e que se combina com o cuidado com os outros/si mesmo.

Figura  11  -  “Mãe  Preta”,  Lucilio  de  Albuquerque,  Cf.:  1912.
Figura 11 - “Mãe Preta”, Lucilio de Albuquerque, Cf.: 1912.

Entre bordados, rendas e fronteiras

Para Benjamin, são eles que transformam a realidade em brinquedos com um “resto de alguma coisa”. Nesse sentido, a pobreza de experiência se instala com a paralisia da “criança” que persiste dentro de nós, como adultos. A (contra)imagem da boneca vestida, com sapato, chapéu e sentada (sinais de nobreza) enfatiza a subordinação da criança.

Figura 14 - “Fascinação” (35,7x31,2cm) de Pedro Peres (Lisboa, Portugal, 1950 – Rio  de Janeiro, Brasil, 1923), 1909
Figura 14 - “Fascinação” (35,7x31,2cm) de Pedro Peres (Lisboa, Portugal, 1950 – Rio de Janeiro, Brasil, 1923), 1909

Estéticas, cronotopos e exotopias de transgressões

Pedro Pablo Gómez e Walter Mignolo em "Estética Decoloniales" (2012) questionam o conceito de "estética" e o significado de "real" nos valores "europeus". Qualquer coisa que não se enquadre no molde da universalidade (subversão artística/estética moderna e novidade) não faz parte do conceito europeu de estética e de valor “real”. Assim, podemos ter consciência de que os “próprios” eurocêntricos nas bonecas cor de rosa e nos cavalos cor de neve ao lado das crianças afro-diaspóricas são valores locais que estão em nossas subjetividades como universais.

Figura 15 - “Assis Horta 02”. Diamantina, década de 1930.
Figura 15 - “Assis Horta 02”. Diamantina, década de 1930.

Experiências fronteiriças de mulheres afrodiaspóricas: impureza e estudo

O que restou foi a ideia/sentido do branco como tendo sido submetido a uma purificação – daí as águas da ribeira na história de Guimarães, como espelhos coloniais purificando a negritude impura – de onde todos viemos. A “carta” de 6 de setembro de 1770, enviada pela escrava Esperança Garcia, foi dirigida ao governador da província do Piauí (MOTT “uma reclamação inusitada” (MOURA, 2004), pois foi uma escrava quem se dirigiu à autoridade principal do Piauí colonial do século XVIII A "Carta" é certamente um dos mais antigos registros escritos da escravidão no Brasil, escrita pelo próprio escravo negro, no nosso caso uma mulher negra cativa, Esperança Garcia, o que confere à narrativa epistolar estudada o status de uma escrita da gênese literária afro-brasileira.

Mulheres e o Piauí na fronteira

A Coordenação [Coordenação Nacional das Comunidades Rurais Negras Quilombolas do Estado do Piauí - CECOQPI] apresenta uma lista contendo 155 comunidades distribuídas em diversos municípios que compõem a “LISTA DE COMUNIDADES RURAIS NEGRAS QUILOMBOLA DO ESTADO DO PIAUÍ”, segundo dados atualizados até 31/12/2010. Os dados posteriores a 2010 não mostram o detalhamento que contêm, principalmente quanto ao número de famílias e ao número de pessoas na comunidade, por isso ainda utilizamos o ano de 2010. Os dados produzidos até então são resultado do trabalho que fizemos com o Projeto ATER NO QUILOMBO, informações obtidas do INCRA-PI e a atuação da entidade representativa das comunidades quilombolas do Piauí.

Mulheres nas fronteiras: carnaval e trabalho, democracia racial e

Aí eu fui muito rebelde, mas ao mesmo tempo eu estudava, na escola eu era desleixado e tal, mas eu estudava, eu estudava... eu era... o melhor. A questão seria puramente “social”, como se as formas de discriminação, segregação e preconceito nos Estados Unidos e na África do Sul não fossem também uma “questão social”, enraizada num passado colonial recente e com as suas consequências. ainda não foram superados. Foi nas tensões desses diálogos – destacando a importância de cada uma das pessoas brincar com o corpo inteiro durante o encontro griô/oficina – que pude compreender as águas profundas da decolonialidade.

Figura 19 - “Scène de Carnaval [Iconográfico]” de Thierry Frères. 1835.
Figura 19 - “Scène de Carnaval [Iconográfico]” de Thierry Frères. 1835.

Fronteiras: povos bárbaros e mulheres ternuras/serviçais

Se compararmos “Preta Quitandeira” (Imagem 14) de Ferrigno, datada de 1900, com as mulheres de Arjan Martins (Imagem 13) na obra datada de 2013, poderemos encontrar a chave para uma possível resposta sobre como pensamos essas imagens. , entre tantos. Retrato de mulher”, “Lembrei-me de ter lido um texto com uma campainha./ Sempre essa ideia de força, de cuidado com o próximo. É por isso que precisamos desesperadamente de uma ética do amor para intervir no nosso desejo egoísta de mudança.

Figura  20  -  “Sem-Título”,  de  Arjan  Martins  (Rio  de  Janeiro,  Brasil,  1960),  2013
Figura 20 - “Sem-Título”, de Arjan Martins (Rio de Janeiro, Brasil, 1960), 2013

Gênero e Colonialidade

Portanto o termo mulher não funciona sozinho, ele está repleto de uma visão estreita que também desqualifica seus derivados. Em “O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil”, Darcy Ribeiro (1995), no capítulo “Moinhos de Gastar Gente”, na seção “Os afro-brasileiros”, faz uma narrativa próxima. Uma delas diz respeito ao esquema da epiderme racial onde, identificando-nos sempre como um “outro” – negro – descobrimos que não somos “humanos” na cadeia de significados ontológicos e colonializadores; e, portanto, também diz respeito às vozes desumanas que vivem dentro de nós.

Figura 23  - “Assis Horta 01” de  Assis Horta, Diamantina, década de 1940. Foto  Assis Horta
Figura 23 - “Assis Horta 01” de Assis Horta, Diamantina, década de 1940. Foto Assis Horta

Um corpo para a cor – navegando contra a corrente

Sobre a luz, por exemplo, o que fazemos com o que experimentamos quando a luz visível toca as coisas que vemos ou sentimos. Se o corpo humano produz melanina a partir da tirosina, um aminoácido sem carga elétrica - ao contrário dos vaga-lumes - que interfere na pigmentação da nossa pele e, se aparecemos com uma determinada cor graças à luz visível do espectro luminoso, é porque esta combinação entre as moléculas do corpo e suas reações sob a luz visível nos dá essa impressão. Quando temos a experiência estética de sentir cada imagem aqui exposta, é verdade que precisamos do fenômeno da luz visível para nos envolver, mas esse sentimento é repleto de significados contextuais que ativam nosso corpo/memória, mas não só.

Corpo entre Bólides, Parangolé e Performance

Jeledés: instituto da mulher negra. lt;http://www.geledes.org.br/a-black-vênus-mulatto-exporta-e-o-corpo-das-mulheres-negras-na-sociedade-do-espetáculo/#ixzz4BCuFjejk>. Cadernos de Letras UFF – Pastas:. lt;http://www.uff.br/ourcardsofletteruff/34/translation.pdf>. Maria Martins – A arte é um milagre como a vida. http://www.miguelriobranco.com.br/portu/depo2.asp?flg_Language=1&cod_depoiment=5>.

Figura  26  -  Fotografia  Parangolé,  de  Francineide  Brito.  2015.  Oficina  Imagens  de  Mulheres  e  Crianças  Afrodescendentes
Figura 26 - Fotografia Parangolé, de Francineide Brito. 2015. Oficina Imagens de Mulheres e Crianças Afrodescendentes

Imagem

Figura  1  -  Releitura  da  obra  “Las  manos  del  miedo”, de Guayasamín, 1963-65.
Figura 2  -  Série “Bordando e rendando”, de  Leninha, desenho a  nanquim sobre Hahnemühle, 2017
Figura  3  -  Série  “Bordando  e  rendando”,  de  Leninha,  desenho  a  nanquim  sobre  Hahnemühle, 2017
Figura 4 – Gravura em E.V.A. com base  de  papel  cartão,  sobre  papel  sulfite  branco
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Referências

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