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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Dissertation (Mestrado em Psicanálise) – Instituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001. Le débat psychanalytique sur l'influence de l'inconscient et les changements qu'il favorise dans le contexte de la maladie organique contribue à la clinique médicale.

Psicanálise na Enfermaria de Adolescentes

Ao longo de uma década, diversas reivindicações são avaliadas; Assim, conseguimos visualizar a composição do trabalho realizado todos os dias. Se por um lado a criação de um serviço específico voltado para a adolescência é fundamental para o atendimento dessa faixa etária, por outro lado, a “escuta paralela” no ambulatório de atendimento pode levar alguns médicos e outros técnicos de saúde a isso. Muitas vezes as reais impossibilidades de uma doença ou tratamento se confundem com a impotência dos estados depressivos.

Na próxima subseção discutiremos um caso clínico cuja análise revela uma alteração no prognóstico devido ao estado de depressão de uma jovem com doença orgânica crônica. Este capítulo aborda um caso clínico de paciente com doença cuja etiologia é desconhecida pela medicina. Neste ponto da dissertação é necessário analisar o caso em que o corpo apresenta um desequilíbrio na sua sabedoria.

Na fala da mãe traduzimos mais uma tentativa de justificar sua ausência do lugar que “abandonou”. Segundo o texto mencionado, Freud (idem) indica duas “partes diferentes” do “complexo perceptivo”, ou seja, semelhança e diferença. Era como se o paciente percebesse naquele momento “a maldade dos outros”; isto é, o surgimento de um estado depressivo em resposta ao seu sofrimento.

Psicanálise na “reunião das segundas-feiras”

Alice no reino das pedras

Clínica do cuidar

Tarefa difícil para o analista – manter a ética da psicanálise na clínica do cuidado, tão diferente das demais. Se o psicanalista não ignora a compaixão, nem dela está completamente isento, a ética da psicanálise, por outro lado, é referida como uma ética do desejo, e não da compaixão.

O cuidar como escuta a doentes jovens

Descobrimos que desde as origens da medicina do adolescente e a história da fundação da NESA, tem havido uma valorização da “escuta paralela” dos adolescentes. Messias e colaboradores (1999) afirmam que o Serviço de Adolescentes da UERJ surgiu da “escuta dos aspectos psicológicos” dos pacientes.

O amor ao próximo

No Novo Testamento, o “amor ao próximo”10 aparece por sua vez como o segundo mandamento cristão mais importante, semelhante ao primeiro, o “amor a Deus”. O autor chama algumas “zonas dos outros”, que o sujeito encontra ao longo de sua existência. Ao chegar à “segunda zona do próximo”, o sujeito se depara com a lei, com o Outro que está “fora do espelho”.

Há também uma “zona final do outro” (Julien, idem ibidem): “é a condição de exploração do Outro”, a partir da descoberta de das Ding, a “coisa”, que tem origem na estrutura do o "Complexo Perceptual", descrito por Freud (1895). Abaixo, um caso clínico em que a intervenção de alguns profissionais de Enfermagem da ASHAK tem muito a acrescentar sobre o “amor ao próximo”, revelado através do ato de cuidar como “escuta paralela”, na clínica com novos pacientes.

O próximo-estranho: Fábio precisa de um “pai-drinho”

Os esforços da equipe de saúde mental para ajudar Fábio sempre foram persistentes, apesar de sua resistência na maior parte do tempo. Segundo relatos contínuos da equipe de enfermagem, o paciente queixava-se de dependência, que não permitia os movimentos necessários em seu corpo. Naquela ocasião, o acontecimento foi visto como algo habitual pelo médico, que, devido ao seu envolvimento emocional no caso, não pôde ouvir as observações da equipe de saúde mental sobre os possíveis prejuízos.

Foram realizadas diversas reuniões da equipe interdisciplinar, em caráter de urgência, com a Coordenação Hospitalar. O esforço mais constante da equipe de Saúde Mental da enfermaria consiste em destacar um tema que tem sido frequentemente observado no cotidiano do hospital: “O mandamento do amor ao próximo”, que inclui a compaixão.

Doença e inibição

Ao exigir renúncia, a realidade constitui sofrimento para o sujeito que adquiriu algo contra sua vontade, na ordem de um mal introduzido no corpo e consequentemente na vida. No texto "Inibições, sintomas e angústia" (1926), Freud adaptou sua teoria, conforme pesquisa realizada por Roudinesco (1998), ao conceito de inibição utilizado pela medicina (diminuição de uma função fisiológica19) e a definiu como uma consequência das limitações das funções do self, relacionadas à redução de uma função. 19 A inibição consiste na “suspensão das funções de um órgão após irritação de um ponto do organismo, mais ou menos distante; a irritação é transferida para o órgão, que deixa de funcionar através do sistema nervoso” (Delamare, G.

Em “Luto e Melancolia” (1917), Freud diz que o luto é uma reação normal desencadeada pela perda de um objeto de amor: um ente querido, uma abstração ou um ideal. A inibição e o desinteresse durante o processo de luto são resultados de parte da absorção da libido pelo ego envolvido no processamento da perda.

Depressão e sua tristeza

O ideal freudiano de si, segundo a teoria lacaniana, “é formado pela supressão do desejo de um sujeito pela adoção inconsciente da própria imagem de outro” (Lacan, J. Dessa forma, eles retornam ao estado de narcisismo infantil, em uma tentativa de manter a ilusão da perfeição do amor, para que não se decepcionem. Diante de mais um choque narcísico pela perda de um ideal, a menina “alegre e vaidosa”, como alguns a descreveram, ficou triste.

Através das explicações freudianas, presenciamos a tentativa de caráter secundário de lucro de nossa paciente em receber amor e atenção da figura materna que, no entanto, não responde aos seus chamados. Encontrei-me confrontado com uma desordem fenomenal de pensamento e sentimento que não ouso tocar, e comparada com a qual a literatura me envergonha."

Dor física e dor psíquica

Quando “a imagem minêmica do objeto hostil” é reinvestida por uma nova percepção, surge um estado de desprazer muito semelhante ao da dor e a “tendência a descarregá-la corresponde à experiência da dor”. Ao sintetizar o esquema da dor como relâmpago, a reprodução da experiência da dor surge como manifestação do reinvestimento dos resquícios de memórias. Ainda segundo Freud (idem), a passagem da dor física para a dor psíquica corresponde à mudança da catexia narcísica para a catexia objetal.

Essa saudade é semelhante à dor física, a sensação de perda na área lesionada do corpo. A vida psíquica, ao passar pelo processo de regulação do prazer/desprazer, tende a escapar da dor; portanto perguntamos como o sujeito pode lidar com eles.

Elisabeth: a dor da conversação

Ele reclamou de “dor intensa ao caminhar e cansaço rápido, tanto ao caminhar quanto em pé”. Ele não revela qual foi a reação da jovem, mas sua hipótese é que ela sabia o que estava causando o distúrbio manifestado em sua dor. Depois de passar quinze dias na cidade de Gastein, ele teve que voltar com a mãe após receber a notícia de que sua irmã estava em estado de saúde gravíssimo.

A paciente sofria de falta de movimento, expressa simultaneamente na marcha física e mental, que se tornava dolorosa. Em nossa pesquisa, a importância do gráfico proposto por Lacan se deve principalmente a explicar nossa hipótese de que não há dor física sem dor psicológica, uma vez que a inibição está presente em ambas, como parte da coordenada gravidade/movimento.

Alice: a dor que petrifica

A dor psíquica – seja na forma de luto, depressão ou melancolia – quando se manifesta, revela a máscara que cobria a dor da castração: a dor da existência. Certa vez, fomos chamados por um jovem médico que estava em apuros e ainda não havia “adquirido a sabedoria dos mestres” de que Alice estava “simulando dor”. O “médico experiente” do ambulatório de analgésicos do HUPE27 soube ouvi-la com sabedoria e responder: “Não existe placebo que resista à dor do câncer”.

As dores lancinantes de que Alice tanto se queixava não sugeriam o efeito placebo. Segundo ele, o vivente, incapaz de se mover, em situação de dor intensa, sugere em sua aparência a forma de uma pedra, tal qual o mito citado: “Não existe algo parecido com a petrificação da dor na arquitetura. você mesmo?" (Lacan, J., idem: 78).

Eritromelalgia: psicossomática e literatura médica

Segundo os autores, os pacientes com asma apresentavam conflito entre a atitude de dependência infantil da figura materna e outras questões emocionais. Para analisar a possível aplicação da psicanálise em pacientes com doenças orgânicas no hospital, discutiremos um caso clínico, escolhido pelas especificidades do diagnóstico. Parece-nos, portanto, que é quase uma exigência do psicanalista adquirir alguns conhecimentos médicos para atuar com pacientes portadores de doenças orgânicas crônicas no hospital.

A causa da doença não é clara para a medicina actual, pelo que, de acordo com a classificação de 1920-40, poderia facilmente enquadrar-se na categoria de doenças psicossomáticas. Como os pacientes são mais afetados à noite, os sintomas diurnos podem ser camuflados durante o exame clínico, dificultando a precisão do diagnóstico.

Eritromelalgia: a sabedoria do corpo e o inconsciente

Estende suas hipóteses às defesas naturais do corpo contra corpos estranhos; assim, entre outras coisas, menciona o espirro para apresentá-lo como uma defesa do corpo contra algo que entrou no sistema respiratório. Ele provavelmente responderia com a frase gravada na televisão: “O próprio sujeito do inconsciente influencia o corpo” (Lacan, J. Esta frase refere-se à analogia do corpo sendo inundado pelo rio de palavras do inconsciente: segundo para a etimologia, afectar é fazê-lo fluir para dentro, o que significa fluir em estado líquido (Ferreira, A.

Tratava-se de um diagnóstico de conversão, teorizado por Freud como um conflito entre pulsões de si e pulsões sexuais: a primeira, voltada à autopreservação, trabalhando em direção ao objetivo de conhecer o corpo; o segundo apela ao desejo. A ansiedade tinha outro aspecto: o do prazer, de acordo com a teoria lacaniana que relaciona o prazer a uma “propriedade do corpo vivo” (Lacan, J., 1973: 35).

O grito da eritromelalgia

Também procuramos abordar alguns familiares, principalmente a mãe de Ricardo, que permanecia ausente – motivo de muita ansiedade, expressa em gritos de amor e ódio direcionados à figura materna. O caso do pintor relembra episódios de “possessões malignas” de Ricardo, dirigidas à sua figura paterna, o que nos faz pensar se o menino, ao se dirigir à mãe através de gritos, também estava tentando o pai através de “manifestações demoníacas”. Os primeiros dias de Ricardo, durante sua segunda internação, foram caracterizados por queixas incessantes de dores.

Dessa forma, observamos um sujeito tomando banho, imerso em água, em posição semelhante a um feto no útero materno. No caso de Ricardo, os cuidados maternos tornaram-se essenciais para a continuidade do tratamento médico.

O grito aspirado de Ricardo

Se por um lado a eritromelalgia exige conhecimento especializado da medicina para curar o paciente, por outro lado, os gritos emitidos exigem a psicanálise para ouvir o tratamento de uma pessoa que exige amor. Porém, o Outro, que se apresenta como semelhante na 'fase do espelho', também pode revelar uma face estranha ao sujeito: é o que Freud (1895) chama de 'complexo perceptivo do próximo'. No texto “Uma Breve Descrição da Psicanálise” (1924), Freud projeta a expansão da teoria psicanalítica e se mostra otimista quanto à sua futura participação na luta contra o mal que assola a humanidade.

Foi uma tentativa – em vão – de recuperar o seu significado fundamental: o cuidado do corpo como equivalente à possibilidade daquele ser, ainda vivo, passar de um estado de necessidade para outro de necessidade (já não gritou). Depressão: o que o afeto tem a ver com isso?”, Atas das Jornadas Clínicas para o Corte Freudiano, Rio de Janeiro: 1989.

Referências

Documentos relacionados

Médico residente do Serviço de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Hospital Universitário Pedro Ernesto – Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Professor Assistente da