Dissertação (Mestrado em Geografia) – Instituto de Geografia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. Assim, o objetivo geral é investigar as alterações sofridas pela paisagem urbana do Rio de Janeiro causadas pela violência urbana.
A ciência geográfica
Uma expressão posterior da corologia é a geografia como um estudo da individualidade dos lugares e seus fenômenos. Outro grupo sugeriu o mesmo que o estudo da relação entre sociedade e natureza, ou seja, uma complexa teia de afinidades e o peso de cada uma ao longo do tempo.
O conceito de paisagem
A história do conceito
A palavra surgiu na Renascença para denotar uma nova relação entre as pessoas e seu ambiente. A paisagem está, portanto, intimamente ligada a uma nova forma de ver o mundo como uma criação racionalmente ordenada, desenhada e harmoniosa, cuja estrutura e mecanismo são acessíveis tanto à mente humana como ao olho, e serve como guias para as pessoas no seu desempenho. . para mudar e melhorar o ambiente.
O significado do termo paisagem
Com a introdução de uma cultura diferente, ou seja, estrangeira, estabelece-se um rejuvenescimento da paisagem cultural ou constrói-se uma nova paisagem sobre o que resta da antiga. Portanto, trata-se de legado e design, de encarar a realidade, especialmente quando a sobrevivência está em jogo.
Paisagens do medo
A gênese do medo está geralmente associada a circunstâncias ambientais externas que incluem vários tipos de ameaças. Landscapes of Fear' diz respeito tanto aos estados psicológicos quanto ao ambiente real (TUAN, 2005, p.12).
Paisagens urbanas
Esse contexto urbano é enfatizado neste ponto, pois é justamente isso que vem acontecendo na cidade do Rio de Janeiro desde a década de 1960, datando Copacabana como indício de um importante subcentro (SOUZA, 2005). Abaixo (Figura 1) encontra-se um mapa da região metropolitana do Rio de Janeiro representando o Distrito Empresarial Central (CDB) e seu entorno (SOUZA, 2005):.
A paisagem e o simbolismo: uma estética
Portanto, um sistema de criação de signos também se constitui na paisagem, onde a ordem social é comunicada, relatada, demonstrada e implementada. Portanto, a identidade é um dos elementos que mais se destacam na paisagem como fator importante no impacto dos seus signos na vida das pessoas.
A influência da modernidade
Então as contribuições do pensamento científico começaram a estruturar uma nova visão de mundo, pois durante os séculos XV e XVI a antiga visão de um mundo vivo e espiritual foi substituída pela ideia de um mundo como uma máquina, devido às mudanças na física e na o mundo. astronomia (CAPRA, 1999, p.49). Na verdade, a modernidade pode ser definida como a época, ou modo de vida, em que a correção das coisas depende do desmantelamento da ordem “tradicional”. Assim como a “cultura” ou a “civilização”, a modernidade é mais ou menos beleza (“essa coisa inútil que esperamos que seja valorizada pela civilização”), limpeza (“qualquer tipo de sujeira parece incompatível com a civilização”) e ordem (“A ordem é uma espécie de repetitividade que, quando um arranjo é finalmente estabelecido, determina quando, onde e como algo deve ser feito, de modo que em todas as circunstâncias semelhantes não haja hesitação ou indecisão.
Basta lembrar a “solução final alemã”, como solução estética, um texto a ser escrito, a eliminação daquilo que não se conformava com os castos ideais da ideia de pureza. Por exemplo, a ciência como verdade quase absoluta ou a pobreza, tornando-se invisível nos grandes centros urbanos porque é “natural”. O mesmo autor afirma que “só a sociedade moderna se considerou uma atividade de ‘cultura’ ou ‘civilização’ e agiu sobre esse autoconhecimento” (BAUMAN, 1998, p. 07, grifo nosso).
Estética da violência
Costa (2006) acredita que a estética da violência está arraigada na natureza, como condição inerente à cultura de massa. Isto justifica-se pelos objectivos discursivos de realçar determinados aspectos da realidade, para além da forma como a informação está condicionada à natureza dos veículos e também pela política de adaptação da programação às estatísticas de audiência, pela ampliação do espectro de receptores em detrimento de qualidade estética e de conteúdo, como um todo, diz muito sobre a violência simbólica presente na indústria cultural (meios de comunicação de massa como um todo). A estética da violência também é observada quando as contradições sociais na paisagem urbana são destacadas como consequências do capitalismo periférico.
O que distingue esta indústria e esta cultura (de massa) das outras é a externalização pluralista, massiva e permanente da violência que surge das bandas desenhadas, da televisão, dos filmes, dos jornais e dos livros. Para o autor, são as grandes diferenças sociais e não a pobreza em si a principal causa da violência urbana. Nesta fábrica cruel de estética da violência, as metrópoles capitalistas, especialmente as dos países pobres e em desenvolvimento, envolvem a reprodução da violência e da pobreza, resultando em medo e segregação.
A violência nas cidades
Nele, ele enfatiza que a qualquer momento alguém, uma ideia ou um símbolo pode ser ferido, mutilado, deformado, destruído, porque é na cidade, no jogo de poder, que se concentram as forças sociais mais importantes. O que promove constantemente esta cultura, segundo o referido autor, é a indústria cultural, que é entendida como um setor económico, financeiro, tecnológico e cultural em que grandes quantidades de capital são alocadas a empresas, corporações e conglomerados nacionais e internacionais, ou seja, grandes quantidades de capital. , em todo o mundo, o que leva à persistência e ao desenvolvimento de uma cultura de violência, terrorismo, desastre (p. 179). A partir disso ele conclui que a violência passou a ser considerada apenas como um ato, quando se quer chamar de atos de coerção socialmente legitimados, mas de forma alguma como um estado de violência.
Sodré (2006) ressalta que estamos presenciando o aparecimento da crueldade nesta “violência anômica”, pois diz que a crueldade é o excesso animal da violência, identificador de que essa violência já perdeu sua finalidade histórica, uma vez que se destinava a construir outro. ordem, subversão, qualquer recompensa (p. 40). Um tema que se destaca na vida urbana é o significado do termo vencedor, pois vivemos numa cultura onde a competição é apoiada e incentivada a todo custo, nada, nem mesmo a morte, é limite para quem quer vencer. Na verdade, existe uma crise moral onde existe uma competição desenfreada em que as pessoas se esforçam para obter vantagem em tudo, um processo de desmoralização da sociedade/sociedade.
Violências, o estado e o medo
O referido autor analisa que um Estado correlacionado com a elite burguesa, que se organiza com uma burocracia, utiliza a violência legislada por si, com um conjunto de regras ordenadas, é conhecido apenas no Ocidente e que a cidade é o resultado e o resumo de práticas, ideias, etc., porque na sua origem é um agrupamento defensivo, ponto em que a 'força' se organiza e se institucionaliza. Portanto, o processo de enfraquecimento do Estado é grave, pois observamos a contratação de exércitos privados pelas classes abastadas, pela classe média que apoia a militarização da vida, e pelos grandes setores excluídos que também desenvolvem as suas formas de violência. Segundo Bauman (2008), existem três tipos de perigos que as pessoas temem: o primeiro, que se refere às ameaças ao corpo e à propriedade.
Na verdade, é no âmbito de um processo de deslegitimação, que reduz a já secularmente fraca capacidade operacional do Estado, que se organiza o exército privado de violência. Basta rever a questão da higiene urbana, por que os miseráveis habitantes das cidades eram os culpados pelas doenças que se espalhavam, e não pelas péssimas condições de vida e sanitárias. Os bairros ao sul, Barra da Tijuca e seu entorno, ambos cercados por praias, são áreas onde se concentram parcelas significativas das classes média e alta.
Natureza, paisagens e evolução urbana carioca
Essa complexa relação: criminalidade, tráfico de drogas, modelo de desenvolvimento, concentração de renda e ações governamentais, ou a falta delas, formam a imagem complexa da cidade do Rio de Janeiro. Para explicar aspectos do Rio de Janeiro e de sua cultura, Alberto Lamego (1964), com uma orientação ainda determinista, explica em suas observações as características que tornam a cidade do Rio de Janeiro única. Considerando a importância do transporte público na expansão da cidade e na consequente transformação de sua forma urbana, faz-se necessário, portanto, analisar o desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro no século XIX, em diferentes períodos, ou seja, a fase anterior para o advento dos bondes e trens e o período que se seguiu (ABREU, 1997, p.37).
Agora esse contexto é destacado para que se entenda que a natureza representou (e ainda é) um obstáculo à expansão da cidade de forma muito mais forte. A compra de terrenos a preços baixos na Baixada Fluminense pela população abastada do Rio e as benfeitorias realizadas na região (e seu aumento de valor, a ser loteado) a incluíram no tecido urbano da cidade. O final do século XIX e o início do século XX surgiram como um período de grande crescimento populacional e de saneamento do centro da cidade na reforma urbana.
O medo na cidade do Rio de Janeiro
Qualquer material é adequado para essas construções: fósforos esticados, telhas velhas, placas de zinco e bambu, que não é barato, é usado nas nervuras das paredes de barro. Campos (2007) destaca que em 1975 a fusão da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro causou uma acentuada degradação sócio-político-espacial na capital. As exceções são as favelas que não fazem parte do tráfico de drogas ou porque estão sob o controle de milícias (organizações supostamente formadas por militares ou ex-militares que expulsam traficantes do local em troca de proteção remunerada à população e ao comércio local ), que apresenta, entre outros fatores locais, baixa densidade demográfica.
Associada a ideias hoje presentes, como a do lucro fácil, a banalização da vida e da morte, nasce uma juventude que só se preocupa com o agora e o rápido, aconteça o que acontecer. A ideia é que a barbárie na favela se dá também porque ali existia uma antiga associação com o tráfico de drogas, então é preciso estabelecer a “ordem” para que não avance na cidade no asfalto. Afirmo que os moradores das favelas não são nem econômica nem politicamente marginais, mas sim explorados e oprimidos; que não são social ou culturalmente marginais, mas estigmatizados e excluídos de um sistema social fechado PERLMAN, 1977, p. 235).
A violência urbana no Rio
É a violência reduzida à criminalidade que assombra os moradores das grandes cidades, especialmente as do Rio de Janeiro. Numa cidade tão visual como o Rio de Janeiro, essa realidade (que pode ser criada) é cada vez mais construída e reforçada simbolicamente (SOARES, 1996). Permanência e mudança no padrão de alocação socioespacial das redes de infraestrutura urbana no Rio de Janeiro - 1938-2001.
Dos cortiços aos condomínios fechados: formas de produção habitacional na cidade do Rio de Janeiro IPPUR, UFRJ: FASE.
As representaçôes do medo da violência urbana paisagem carioca