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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O fenômeno do extermínio de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro: um estudo sobre os assassinatos na década de 90. O fenômeno do extermínio de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro: um estudo sobre os homicídios a partir da década de 1990.

Infância, Modernidade e Formação Social Brasileira

Analisando a trajetória da formação capitalista no Brasil, entendemos que se trata de uma formulação não clássica em comparação com os países da Europa Central. O caráter patrimonial do Estado brasileiro é uma característica muito peculiar desta definição formada por relações autoritárias, ou seja, a “revolução passiva”.

Infância e família na colonização e Império

Sentidos da colonização e infância “exposta”

Fim do Pacto Colonial e infância pobre

Embora pudesse ser tratado como último recurso para os países europeus, o uso de crianças em conflitos armados no Brasil foi inclusive incentivado por legislação excepcional do governo imperial. É nesse cenário que, segundo Coimbra apud Nunes (2007), começa a se consolidar o vínculo entre pobreza e criminalidade, ou seja, a construção do mito das classes perigosas sob o parâmetro da absorção do movimento higiênico no Brasil.

A situação da infância no Brasil republicano

Chacina Fundacional e “cidadania regulada”

Deve-se notar que o movimento da luta de classes no Brasil atingiu seu auge na primeira república com a ascensão da classe trabalhadora. No campo dos jogos de poder, é importante enfatizar a exclusão da classe trabalhadora das decisões centrais deste processo de ruptura.

Do SAM à FUNABEM: populismo e ditadura

No que diz respeito ao campo da infância e juventude, o artigo 227 da Assembleia Constituinte foi a pedra angular da garantia formal dos direitos humanos das crianças e adolescentes no Brasil. A situação das crianças e adolescentes no Brasil coincide, pode-se dizer, com expressões acentuadas de violência social, criando um quadro paradoxal de invisibilidade social.

Violência e “questão social”

Os significados da violência

Tal violência em acção num país que estava apenas a alguns anos de uma nova constituição, após duas décadas de ditadura civil-militar, causou grandes consequências a nível nacional e internacional. O termo de origem latina é o verbete vis que significa “força, energia, poder, violência, uso da força física, mas também quantidade, abundância, essência ou caráter essencial de uma coisa”. (MICHAUD, 1989, p.8).

Violência na perspectiva de Clássicos do Pensamento Social

Neste sentido, “a saída de ricos e pobres da propriedade privada cristaliza o fenómeno da violência entre os homens na história” (SOUSA, 2009, pp. 49-50). Hegel ofereceu uma forma muito interessante de pensar o fenómeno da violência baseada nas contradições da sociedade burguesa.

Violência, práxis e capitalismo

O pressuposto é o homem, ser natural, dotado de uma base orgânica, na qual se inscrevem infinitas capacidades e possibilidades. Nosso exercício consistiria, portanto, em buscar a essência de uma realidade concreta – os assassinatos de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro, mediados por uma totalidade – dentro daquilo que exteriormente aparece como um fenômeno, expresso na forma de extermínio. Uma das maiores desigualdades que vemos quando analisamos o fenômeno do extermínio de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro tem a ver com gênero.

De um medo que é uma insegurança geral, mas que se desdobra num medo quotidiano muito concreto.

Violência sóciohistórica e “questão social”

O Rio de Janeiro e as “classes perigosas”

Algumas traduções de “O Capital” de Karl Marx usam “classes perigosas” em vez de lumpenproletariado para significar “o último vestígio de superpopulação relativa” (GUIMARÃES, 2008, p.22). Talvez o aspecto mais marcante deste aspecto seja a publicação de “O homem delinquente”, de Césare Lombroso, que faz um exame detalhado das características físicas das populações encarceradas, referenciando a prática de crimes a essas características. O violento processo de despejo e demolição de uma famosa casa residencial, Cabeça-de-porco, levado a cabo numa verdadeira operação de guerra, dá uma sensação de “tortuosos tempos contemporâneos”.

Motta (2004) desenvolverá seu argumento analítico de que o Rio de Janeiro seria uma espécie de “síntese do Brasil”, com o qual concordamos parcialmente.

Criminalização e violência urbana

Na segunda metade do século XIX, a área urbana mais populosa do Rio de Janeiro foi dividida em. As gangues praticamente desapareceram na primeira década do século XX no Rio de Janeiro devido à repressão policial e ao exílio em Fernando de Noronha. Nas décadas de 1930 e 1957 houve uma proliferação de favelas no Rio de Janeiro e um vertiginoso crescimento populacional nos subúrbios na década de 1950, que acompanhou o fenômeno da migração causada pela expansão do parque industrial do Brasil e pelas políticas para retirar a população pobre do mundo. área, que são considerados os melhores lugares.

O tráfico ilícito de drogas ganhou expressão como atividade no país e, por meio da proibição das drogas, tornou-se um fator notório na criminalização de áreas urbanas pobres, especialmente no Rio de Janeiro a partir do final da década de 1970 e início da década de 1920.

Ser social e trabalho

Por mais que olhemos para esses adolescentes já inseridos no contexto da violência, que matam e morrem ou são hospitalizados, eles se encontram no olho do furacão da contradição entre o apelo constante da cidadania em relação ao consumo pesado e em pelo menos ao mesmo tempo, rejeitando o que vem a ser hegemônico ao considerar o mundo do trabalho. Esses momentos de estrutura e ação constituem a prática humana que se concretiza na interação com outras pessoas e com a natureza em benefício da satisfação de suas necessidades, sejam elas do estômago ou da alma. Este processo de transformação da natureza e de autotransformação, por mais primitivo que se possa imaginar, é o que induzirá a produção de novas e infinitas necessidades.

Embora faça parte da natureza, suas atividades vitais por meio do trabalho diferem dos demais seres naturais, que se limitam ao consumo direto de objetos dados no ambiente natural.

Relações sociais capitalistas e trabalho

Outro ponto interessante de análise é que com o próprio movimento do capital e o desenvolvimento contínuo das forças produtivas, os meios e instrumentos de trabalho (capital constante) determinam cada vez mais o ritmo de produção e o controle sobre a atividade humana num processo determinador constante. avaliação. Além disso, o próprio movimento de acumulação capitalista, que se baseia nas relações sociais de produção comercial, que tem o trabalho social como componente fundamental, faz com que essas mesmas relações entre as pessoas se apresentem objetiva e subjetivamente a elas como coisas que têm um determinado significado. parece que sim. quer ir além e ser independente dos produtores. Uma relação social definida, estabelecida entre pessoas, assume a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas.

O dinheiro representa, portanto, a universalização da dependência entre os produtores, uma vez que o valor de troca na sociedade do capital excede todos aqueles valores anteriormente universais de subordinação e dependência.

Crise do capital e barbárie

Além disso, um factor fundamental para a compreensão do capitalismo tardio é o desenvolvimento das forças produtivas através da terceira revolução tecnológica que reduz o tempo de rotação do capital fixo e reduz a rotação do capital circulante ao mesmo tempo que há uma intensificação da produção com a redução de o tempo de reprodução da força de trabalho, o que aumenta a natureza da incerteza e dos riscos na circulação do capital, que exige cada vez mais enormes volumes de investimento. Trazer a lente para compreender o esgotamento do padrão do Welfare State oferece a resposta do capital às políticas sociais após a grande crise iniciada nas décadas de 60 e 70 do século passado. A desregulamentação do capital financeiro afecta todo o mercado de trabalho e o capital cada vez mais transnacionalizado aprofunda a polarização entre riqueza e pobreza.

Em todos os níveis da vida social, a produção destrutiva da crise estrutural do capital não representa condições e alternativas progressistas para as massas trabalhadoras e para a humanidade e a própria natureza, o que resulta em soluções que multiplicam cada vez mais a barbárie da vida social.

Proteção Integral e cidadania escassa

A década de 1980 foi emblemática em termos de reconhecimento do progresso e continuidade dos direitos humanos no Brasil. Desta forma, como proteção integral, entendemos a ideia de universalizar os direitos das crianças e adolescentes como cidadãos plenos, que todos devem garantir que sejam respeitados e é dever da família, da sociedade e do Estado protegê-los. Em 2003, durante o governo Lula, foi criada a SPDCA – Secretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, vinculada à recém-criada Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

Em 2000, ratificado pelo Brasil em 2004, a ONU estabeleceu o Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao envolvimento de crianças em conflitos armados – situação responsável por grande parte dos assassinatos desses nacionais.

Criança e adolescente, família e neoliberalismo

O cenário político que se gera é a expansão da pobreza, a estigmatização da vida cotidiana e o aumento da repressão estatal às camadas mais pobres da população, o que é visível no aumento dos índices de encarceramento e homicídios entre os jovens. Contudo, cabe destacar que o aumento da assistência social como dever do Estado e sua inserção no campo da seguridade representou um avanço na proteção social brasileira. Uma importante contribuição para a análise desta realidade no capitalismo ocidental vem de Wacquant, (2007) que, em detrimento do esvaziamento do Welfare State (denominado pelo mesmo como Welfare State), há um processo de expansão exponencial do Estado Social. a repressão do Estado e sua política de repressão.

Desta forma, entendemos que o “Estado penal” nada mais é do que um aperfeiçoamento do aparato coercitivo do Estado burguês no contexto de crise.

O fenômeno do extermínio

Portanto, como parte do estudo do nosso trabalho, pretendemos analisar principalmente a região metropolitana do Rio de Janeiro. Vale ressaltar que o Rio de Janeiro teve a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Brasil por mais de uma década. Analisando a tabela acima, destacamos que a região metropolitana do Rio de Janeiro apresenta o maior número de homicídios infanto-juvenis do Brasil no período analisado.

Com base nos dados populacionais de crianças e adolescentes da RM do Rio de Janeiro, podemos compreender uma certa estabilidade numérica.

Extermínio e violência urbana no Rio de Janeiro contemporâneo

Foi a partir de meados da década de 80 que a figura do inimigo público número um começou a mudar: do enfraquecimento da ditadura militar para o contrabandista de drogas. Ou seja, mesmo com as prisões de sucessivos “patrões” ao longo da década de 90 até hoje, o comércio ilegal de drogas nas favelas e bairros pobres do Rio de Janeiro manteve-se significativo. Em outras palavras: são os jovens pobres atingidos pela enchente neoliberal que são colocados no complexo quadro de violência urbana, assassinatos e mortes sob a lógica privatista deste mercado informal: A “classe perigosa” do Rio de Janeiro contemporâneo se materializará . na figura do jovem traficante.

É importante ressaltar o papel criminalizador da mídia na produção e reprodução do “medo dos traficantes”118.

Dores, desaparecimentos e resistência

Estima-se, segundo Araújo (2009) com base em dados do ISP, que aproximadamente 50 mil pessoas desapareceram entre 1991 e 2005 no Rio de Janeiro. Ao analisar a questão dos desaparecimentos no Rio de Janeiro após a constituição, Araújo (2012) priorizou abordar esses acontecimentos sob a perspectiva dos familiares desses indivíduos. O contexto de extermínio de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro afeta todo o convívio e cria um ciclo perverso no tratamento das classes subalternas e com acesso limitado à riqueza social.

Essa lógica faz da região metropolitana do Rio de Janeiro uma das regiões mais mortíferas do planeta no período em estudo.

Referências

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Formiga*1,3PQ 1 Instituto de Química, Universidade do Estado do Rio de Janeiro 20550-900 2 Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro 20551-030 3