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Proteção Integral e cidadania escassa

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 122-129)

A busca por elementos para aprofundar nossa análise sobre a situação de crianças e adolescentes do Brasil (e Rio de Janeiro) na cena contemporânea é uma tarefa árdua, por vezes inacabada, seja pelo breve panorama pretendido ou pela incompletude de mais variadas questões se tratando de um território de dimensões continentais e profundas diversidades e desigualdades regionais, seja econômica, cultural, política.

Quando destacamos a etapa contemporânea, evidentemente estamos chamando o debate para a condição destes seres sociais nos idos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mais precisamente, o que efetivamente tem representado esse marco na vida destes milhões de seres.

Tanto é que aprofundamos no primeiro capítulo todo o percurso histórico do tratamento a estes sujeitos, em que a dicotomia assistencial/confessional, repressivo/correcional é um elemento balizador para entendermos os desdobramentos da infância pobre.

Compreendemos também que essas etapas da vida, embora fundamentadas política e juridicamente a partir de aspectos biológicos são frutos de construções sociais históricas, sobretudo a partir do que se delineou a sociedade moderna na cultura ocidental.

Cabe-nos, portanto, problematizar as conexões e contradições entre os avanços político- normativos geradora de expectativas e materializações de direitos a partir desta doutrina eclodidas com o agravamento da situação de pobreza, violência e miséria de milhões.

Sales (2007) denomina de cidadania escassa o percurso da juventude pobre e as famílias da classe trabalhadora de nosso legado histórico. Tendo como parâmetro os exemplos de formações sociais clássicas, há uma espécie de inversão nas ordens das gerações de direitos, tanto que os

direitos sociais, mesmo que escassos, são inaugurados aqui em conjuntura de ditadura com a supressão dos direitos civis e políticos.

O caráter patrimonialista, privatizante e personalista do Estado e classes dominantes brasileiras conformam a nossa cultura política que alija historicamente as crianças e adolescentes e suas famílias pobres do acesso à cidadania. O próprio sistema de política criminal77 apresenta profundas relações com nossas matrizes ibéricas inquisitoriais em que a hierarquia e verticalização das relações trazem importantes elementos a esse autoritarismo estrutural que conformam nossa cultura política. Por cultura política, entendemos como os “valores políticos que configuram tanto a base do discurso e das ideologias políticas como da prática política a partir de valores formados historicamente” (FREIRE, 2011a, p.10)

Se tomarmos, por exemplo, o sistema de justiça especialmente dos juízes e Ministério Público observamos a profunda falta de identificações destas autoridades- profundamente elitistas- com o contingente diário de crianças e adolescentes que circulam em suas repartições, marcadas por reações despóticas, moralizadoras e estigmatizantes da juventude pobre destituída de cidadania78. Essa mesma mentalidade vai permear as ações das polícias, do sistema socioeducativo deveras repressoras e truculentas.

Essa seara é legitimada por uma construção social de profundas discriminações de raça/etnia, gênero, culturais em que a população pobre não se reconhece nos marcos da escassa cidadania, há a naturalização e banalização da convivência da experiência democrática com as práticas cotidianas violentas, truculentas e arbitrárias que afetam a vida de crianças, adolescentes e jovens no país.

A cultura política engendrada no Brasil, da Colônia aos dias de hoje, não obstante momentos e movimentos de investimentos na construção de vínculos civilizatórios, tem sido, como vimos, marcada por: discriminações sociais, étnicas, de gênero, religiosas e culturais, polarização entre privilégios e carências, repressão, corrupção e autoritarismo, em razão estes últimos da forte penetração do Estado pelos interesses das classes dominantes.

Esse pacto fundador da sociedade brasileira tem, senão inviabilizado, dificultando a constituição de um polo político coletivo aglutinador caucionado por leis e direitos, em que a população de reconheça e se inscreva nos marcos da cidadania. O que se constata na sociedade brasileira é tanto uma forte resistência em assegurar direitos legais (sobretudo hoje no contexto desregulador do neoliberalismo) quanto uma prevalência de práticas sociais inibidoras da democracia, ancoradas num alto grau de desigualdade. Os direitos e o

77 MALAGUTI BATISTA (2011, p.23) apresenta a definição de Nilo Batista sobre política criminal como “o conjunto de princípios e recomendações para a reforma ou transformação da legislação criminal e dos órgãos encarregados de sua aplicação. (...) abrangeria a política de segurança pública, a política judiciária e a política penitenciária, mas estaria intrinsicamente conectado à ciência política.”

78 Por diversas vezes, acompanhamos audiências com adolescentes em que sequer os mesmos eram ouvidos em julgamentos relacionados ao ato infracional apesar do ECA propor o “protagonismo juvenil”.

padrão de cidadania existentes numa sociedade dizem respeito, antes de mais nada, ao modo como as relações sociais se estruturam. (grifo nosso. SALES, 2007, P.56)

Outro ponto importante para conferirmos o tratamento à infância e juventude pobre brasileira está ligado à forte influência católica nas políticas e nas relações sócias conferidas a esse público. Como vimos no primeiro capítulo, a educação e assistências aos tais menores foram praticamente exclusivas à Igreja Católica até o Estado assumir após as sucessivas políticas menoristas. O tratamento a esses sujeitos apresenta marcas indeléveis deste legado de cultura política expressos na ação social privada de forte personalização, da filantropia, do caráter confessional expresso na culpa, da abnegação, altruísmo e da híbrida relação público/privado (SALES, 2007).

O legado católico no tratamento à infância ainda é bastante expressivos na época da proteção integral. Se por um lado, por sua força político-institucional é um importante mecanismo de denúncia e comoção popular por problematizar a situação da infância pobre brasileira, por outro, importantes pautas contemporâneas dos direitos humanos de crianças e adolescentes sofrem resistência destes setores tais como o reconhecimento de sua sexualidade, a gravidez e o aborto na adolescência, o abuso sexual no ambiente do clero e a problemática de uso e abuso de álcool e outras drogas, por exemplo.

Um dado relevante de materialidade é a presente permanência de instituições vinculadas à Igreja Católica na composição dos Conselhos de Direito da Criança e Adolescentes nas três esferas de governo. Neste processo, importante observar, contudo, que contamos também com importantes e progressivos, embora não hegemônicos, movimentos de setores católicos que em conjunto com outros atores pautaram a problemática da infância e juventude pobre brasileira mesmo dentro de alguns limites.

Ao mencionarmos o movimento social da infância que teve seu ponto de inflexão nos últimos anos da ditadura e retomado dos presidentes civis no processo de redemocratização, não podemos olvidar do papel protagonista desempenhado pelo Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR). O MNMMR fundado no início da década de 80 confere uma ponta de originalidade pois além de aglutinar a participação de direta de crianças e adolescentes, criou canais de publicização de denúncia e mobilização popular, sendo um dos atores mais expressivos no reconhecimento da cidadania de crianças e adolescentes na Carta Constitucional de 1988.

A década de 80 foi emblemática no sentido de reconhecer os avanços e permanências no campo dos direitos humanos no Brasil. O movimento pela redemocratização do país ganhou as ruas do país culminando com a queda do regime ditatorial e reestabelecimento da democracia política.

Em síntese, mantivemos traços de nossas modernizações conservadoras expressos na falta de uma grande ruptura com os setores civis-militares responsáveis pelos períodos de chumbo.

Assim, podemos destacar a consolidação de grupos econômicos que apoiaram ao regime; ausência de responsabilização dos militares pelos crimes de Estado como centenas de mortes, torturas e desaparecimentos; primeiro presidente civil com forte vinculação ao antigo regime. Além disso, observamos permanência na Constituição de 1988 de poderes autônomos aos militares como justiça militar própria e possibilidade de atuar em situações internas de ameaça à “lei e a ordem”;

manutenção da Lei de Segurança Nacional e militarização de policiais estaduais. (ZAVERUCHA, 2007).

Por outro lado, a Carta Magna de 1988 institui uma série de garantias fundamentais jamais vistas em outras legislações desta natureza no Brasil. Dentre outros aspectos, as eleições diretas para cargos do executivo e legislativo, a independência entre os três poderes, a proteção aos direitos humanos, o direito à ampla defesa, a não discriminação e a proibição da tortura. No tocante aos direitos sociais, a construção da ideia de seguridade social apoiada no tripé saúde, previdência e assistência social e a universalização de garantias tidas como direito do cidadão e dever do Estado como a educação, o trabalho, saúde, habitação, cultura, etc., inauguram um marco dos direitos humanos mesmo que tardiamente à conjuntura internacional do Estado de Bem-Estar Social, tida como constituição cidadã segundo termo utilizado pelo ex-deputado Ulisses Guimarães.

No tocante à área da infância e juventude, a pedra fundamental de seus direitos humanos se expressa no art.227 da Constituição:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Constituição Federal de 88)

A constituição de 1988 representou a incorporação no plano legal de um formato social/democrata mesmo com quarenta anos de atraso em relação ao velho continente. A carta cidadã se desenhou pelos aspectos de universalização, responsabilidade pública e gestão

democrática, criando um novo estatuto dos municípios autônomos, conselhos paritários de políticas e a seguridade social. (BEHRING & BOSCHETTI, 2006)

No ano seguinte, no cenário internacional, é estabelecida a Convenção Internacional dos Direitos da Criança (CDC)79 pela Organização das Nações Unidas, documento internacional fundamental de Proteção às crianças e adolescentes do planeta, de caráter obrigatório de cumprimento aos países que ratificaram o documento.80 Vale destacar que o Brasil foi o primeiro país a adotar a legislação nacional para esse público nos moldes da CDC com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990.

O ECA-Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8069, promulgado em julho de 1990, apesar dos limites à sua concretização sobretudo aqueles expressos no título I os chamados direitos fundamentais, representou o primeiro grito de liberdade em quase cinco séculos aprisionados no que se refere aos direitos humanos para esse público no Brasil pautando sua gênese em três esferas fundamentais: a proteção integral, prioridade absoluta e pessoa em condição peculiar em desenvolvimento.

Deste modo, entendemos como proteção integral a ideia da universalização dos direitos à infância e adolescência como cidadãos plenos de que todos devem zelar pela sua observância sendo dever da família, da sociedade e do Estado protegê-los. Assim, crianças e adolescentes devem ser visto como cidadãos de primeira grandeza, tendo prioridade absoluta na prestação de socorro, assistência e intervenção política do Estado pois se encontram em condição peculiar de desenvolvimento, isto é, em processo especial de mudanças físicas, psicológicas, morais e sociais.

Há na referida normativa menção aos direitos de todas as crianças e adolescentes81 brasileiros, diferentes portanto das legislações específicas anteriores que pressupunham somente demarcar a situação irregular, isto é, aquelas situações de abandono ou práticas de ato infracional, embora o binômio assistencialização /repressão ainda representa um legado no tratamento a estes sujeitos. Trata-se, portanto, da passagem da condição de situação irregular para a concepção de

79 A Convenção dos Direitos da Criança (CDC) considera criança de 0 a 18 anos incompletos.

80 Tal documento, que dá a família um aspecto principal de proteção, foi ratificada por cerca de 192 países. A CDC não faz a distinção de adolescência, considerando criança de 0 a 18 anos incompletos. Observa-se que os Estados Unidos da América foi um dos países que não assinou a Convenção. (SIMAS, 2011)

81 A referida lei também de forma inédita demarca as fases etárias, considerando criança de 0 a 12 anos incompletos e adolescentes de 12 anos incompletos a 18 anos incompletos salvo nos casos especiais, especialmente quando há o cumprimento de medida socioeducativa de internação, que o Estatuto se estende aos 21 anos.

sujeitos de direitos. Ou na perspectiva de Mendez apud Sales (2007, p.88): “A cidadania da criança é a Revolução Francesa que chega à infância com 200 anos de atraso.”

O ECA é aprovado, portanto, num contexto em que o Brasil experimenta os primeiros meses de um governo eleito pelo voto direto após quase três décadas, cujo pleito pela primeira vez na nossa história republicana prevê o voto do adolescente.

No tocante a infância, tal documento busca romper com a lógica histórica de institucionalização- entendendo-a como excepcional e provisória- a que violaram tantas crianças e adolescente, a família como lócus fundamental de desenvolvimento e especialmente dispõe sobre todas as crianças e adolescentes brasileiras, não somente aquela que se encontrava em situação irregular (abandono, ato infracional). Há também no marco legal a supressão do termo “menor”82, pejorativo e estigmatizante representante das doutrinas anteriores que não supunha crianças e adolescentes como sujeitos de direitos.

Podemos destacar nos anos seguintes como desdobramentos da carta constitucional a promulgação de uma série de legislações no campo dos direitos sociais na qual destacamos a Lei Orgânica da Saúde, a Lei de Diretrizes e bases da Educação e Lei Orgânica da Assistência Social conformando para o Estado Brasileiro formulações para a ampliação dos direitos sociais.

Na esfera democrática e participação popular, destacamos no ECA a criação de dois órgãos:

o surgimento dos Conselhos Tutelares, órgãos autônomos eleitos pela comunidade cujo objetivo é zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes e os Conselhos de Direitos o qual sob uma articulação Estado/ Sociedade formula, controla políticas e orçamento público conjugando instâncias paritárias de controle e definição de políticas públicas.

Assim como ocorre com outras políticas sociais, há um alargamento de possibilidades na chamada esfera pública mesmo que a contradições impostas pela realidade se façam latentes.

Segundo SALES (2007, p.97) a esfera pública se caracteriza por “um conjunto de determinações políticas, econômicas e culturais, materializadas em forças sociais, espaços coletivos, instituições, entre outros, que engendram, positiva ou contraditoriamente, a sociabilidade.”

Uma característica que podemos observar relacionada à luta por direitos de crianças e adolescentes no país é o papel de referência desempenhado pelos setores mais progressistas das organizações da chamada “sociedade civil”- atos públicos, manifestações, denúncias, campanhas,

82 O termo menor continua a ser bastante utilizado pela sociedade e meios de comunicação referindo-se especialmente à criança/adolescente das classes populares, especialmente nas situações de abandono, conduta análoga a crime ou só pelo fato de residir nas ruas, periferias e favelas. O que a nosso ver, transmite a renovação do conservadorismo já passado vinte anos da vigência desta lei.

seja dar publicidade às condições de violência a que sofre crianças e adolescentes e por vezes, pautando o poder público pressionado para agir e construir políticas específicas para esse público.

Entretanto, em muito das vezes as situações envolvendo violações são tratadas pelas opiniões públicas como casos isolados, com o enfoque deslocado das condições materiais de existência em que se encontram um sem-número de crianças pobres brasileiras.

Cabe destacar que assim como ocorreu entre outras políticas, a década de 90 foi marcada pela institucionalização dos movimentos sociais da infância. Ocasião esta em que boa parte das Organizações Não-Governamentais, profissionaliza seus agentes e dependentes de financiamento, em boa parte do poder público, para execução das suas atividades, estabelecendo uma tensa relação com o Estado. Ao mesmo tempo em que se busca fazer o trabalho de denúncia das violações praticadas pelo Estado, há a necessidade de sobrevivência com o recurso oriundo, em muitas partes, desta fonte em um contexto de adoção do neoliberalismo à brasileira.

Deste modo, este fenômeno do crescimento exponencial do chamado “Terceiro Setor” que se expressa também na área da infância e juventude deve ser analisado também sob a ótica da época, isto é, a substituição e/ ou repasse de atribuições estatais, reproduzindo lógicas de enfrentamento à questão social como a refilantropização e privatização, constitutivos do modelo neoliberal vigente em novo formato do Estado nestes marcos.

Vemos assim que as recentes definições de sociedade civil não são aleatórias, pelo contrário, fazem parte de uma decisão política sustentada na necessidade de gerar uma profunda redefinição do papel do Estado e uma distribuição regressiva do poder em favor dos setores mais poderosos da sociedade. A dinâmica de delegação de responsabilidades públicas precisa do Estado, da ação estatal mas de sua reconfiguração. Tal processo afeta diretamente as políticas sociais, cuja finalidade passa a ser proteger os pobres. (FREIRE, 2011b, p.162)

Esta conturbada relação vai marcar as contradições expressadas nos Conselhos de Direitos, tidos como lugar privilegiado de deliberar e avaliar a política da infância e juventude na esfera democrática. Podemos observar durante essas duas décadas, apesar do relevante avanço e contribuição de maior democratização da política, uma tendência à subordinação dos conselhos ao Estado e esvaziamento dos mesmos como importante estratégia de controle social. Observamos também em outras circunstâncias a uma expressiva vinculação dos Conselhos às secretarias de assistência social, não propiciando neste espaço de deliberação política outras importantes pautas como educação, saúde, cultura e lazer, segurança pública, dente outros. Esta conjuntura tem dificultado sobremaneira o trato qualificado no combate às principais violações mais agudas de direitos contra crianças e adolescentes como o encarceramento massivo e o extermínio.

No âmbito da política nacional, o modelo FUNABEM é substituído em 1990 pela FCBIA - Fundação Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência e em 1995 se transformado, já sob a égide FHC, no DCA-Departamento da Criança e Adolescente vinculado ao Ministério da Justiça, passando em 1998 à Secretaria Nacional dos Direitos Humanos que no ano seguinte recebe status de ministério.

Em 2003, já na gestão Lula, surge a SPDCA - Secretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente vinculada a recém criada Secretaria Especial dos Direitos Humanos na Presidência da República. Importante notar neste processo a passagem da área da infância e da juventude no âmbito federal outrora vinculada a Assistência ou a Justiça à pasta referente aos Direitos Humanos. A realização das Conferências Nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente é elemento deste progresso. Em 2000, ratificado pelo Brasil em 2004, a ONU estabelece o Protocolo Facultativo para a Convenção dos Direitos da Criança Relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados- situação esta responsável por boa parte dos homicídios destes sujeitos.

Cabe destacar aí como pontuaram Sales (2007), Mota (2008), percebe-se na gestão do Partido dos Trabalhadores, apesar de algumas de suas particularidades, um processo de continuidade de atendimento à agenda neoliberal inaugurado a partir dos anos 1990. Por outro lado, há que se considerar a incorporação política inédita de setores progressistas alijados historicamente do cenário político brasileiro, como a criação do Ministério das Mulheres, dos negros e a política de enfrentamento à homofobia. Na área da infância e adolescência merece destaque algumas regulamentações ao menos no âmbito normativo como O Plano Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual, Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito à Convivência Familiar e Comunitária e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo- SINASE.

Vale destacar que em 05 de agosto do corrente ano, foi aprovada a Lei 12852/13, o Estatuto da Juventude que estabelece uma série de garantias de direitos humanos a esse público, entendendo a juventude nas faixas etárias de 15 a 29 anos.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 122-129)