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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A coocorrência de experiências adversas na infância: um inquérito escolar na cidade do Rio de Janeiro / Luciane Stochero – 2019. A coocorrência de experiências adversas na infância: um inquérito escolar na cidade do Rio de Janeiro.

Histórico e definições das Experiências Adversas na Infância

Tais iniciativas avaliaram: perdas interpessoais (morte dos pais, divórcio, separação dos pais por período superior a seis meses); ambiente familiar disfuncional (abuso de substâncias, problemas de saúde mental, crime, violência); maus tratos (abuso físico e sexual, negligência) e outras adversidades (doenças físicas da criança e reveses económicos), vividas até aos 18 anos (Kessler, et al., 2010). O terceiro, de Soares, et al., 2016), teve como objetivo estimar a prevalência das seguintes ACE: abuso físico e sexual, negligência emocional e física, violência doméstica, divórcio parental e morte parental.

Prevalências, distribuição e coocorrência das Experiências Adversas na

A prevalência de ACE entre indivíduos que relataram ter sofrido pelo menos um ACE foi de 66,2% em indivíduos de países de baixa renda, 59,6% em países de renda média-alta e 59,3% em países de alta renda. Enquanto a prevalência entre os países de rendimento elevado foi de 5,0%, entre os países médio-alto e médio-baixo foi de 4,1% e 3,1%, respetivamente (Kessler, et al., 2010).

Consequências negativas das Experiências Adversas na Infância na

Estes problemas de saúde podem estar parcialmente ligados a uma maior tendência para comportamentos pouco saudáveis, como o uso de drogas, álcool e tabaco (Bellis, et al., 2014b). Estudos internacionais também encontraram associações positivas entre EAIs e consumo de álcool (Dube, et al., 2006;

Principais modelos explicativos para os efeitos das Experiências

  • Modelo Cognitivo
  • Modelo do Efeito da Recência
  • Modelo do Período Sensível
  • Modelo Pirâmide Adverse Childhood Experiences
  • Modelo do Risco Cumulativo
  • Modelo Eco-Bio-Developmental
  • Modelo da Privação e Ameaça
  • Modelos para discussão

Os estudos desenvolvidos por Sameroff et al., 1987) foram fundamentais para a compreensão dos efeitos do risco cumulativo. Este modelo distingue experiências de privação (ausência de estímulos ambientais esperados) daquelas de ameaça (presença de experiências que ameaçam a integridade física) e recomenda que tais experiências sejam medidas separadamente para que seja possível avaliar os seus efeitos únicos na função neurológica. . (McLaughlin, et al., 2014).

Figura 1 - Exemplo ilustrativo do Modelo Cognitivo
Figura 1 - Exemplo ilustrativo do Modelo Cognitivo

Distribuição e perfil das Experiências Adversas na Infância como

No Alasca/EUA, foi realizado em 2013 um inquérito nacional de saúde (Behavioral Risk Factor Surveillance)6, do qual participaram mais de quatro mil adultos. Coleta dados de adultos norte-americanos não institucionalizados (maiores de 18 anos) sobre condições de saúde e fatores de risco. Famílias com experiências de abuso de substâncias, violência doméstica, histórico de comportamento violento ou abusivo e problemas de saúde mental podem ser encaminhadas para Serviços de Apoio à Família.

Paralelamente a estas iniciativas, têm sido desenvolvidas pesquisas para compreender as principais características destes programas, o perfil das EAIs e a avaliação da eficácia destas ações. O modelo aborda a necessidade de promover experiências positivas na infância que contribuam para o desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional, e para prevenir ou mitigar os efeitos das ACEs. Para os autores, “as experiências diretas da criança (EAIs e HOPE) medeiam o crescimento do cérebro e contribuem para o estado de saúde ao longo da vida” (Sege, et al., 2017).

Desenho e cenário da pesquisa

População fonte

Com base nos EAIs relatados por Felitti, et al. 2010), o estudo avaliou a incidência de abuso emocional, físico e sexual; negligência emocional e física; Esse instrumento foi adaptado, traduzido e validado para uso no Brasil e denominado Childhood Trauma Questionnaire (QUESI) (Grassi-Oliveira, et al., 2006). Segundo os autores do instrumento original, a pontuação obtida para cada dimensão classifica o indivíduo em diferentes níveis de vitimização: nenhuma, baixa, moderada e grave (Grassi-Oliveira, et al., 2014).

O tamanho inicial da amostra foi multiplicado por dois para permitir a estratificação dos resultados por sexo (Arya, et al., 2012). Childhood Trauma Questionnaire (QUESI) (Grassi-Oliveira, et al., 2006), versão brasileira e validada do instrumento Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) (Bernstein & Fink, 1998). Segundo os autores do instrumento original, a pontuação obtida para cada dimensão classifica o indivíduo em diferentes níveis de vitimização: nenhuma, baixa, moderada e grave (Grassi-Oliveira, et al., 2014).

Por vezes, isto é o resultado de deficiências nas competências parentais para fornecer o que a criança necessita (saúde, educação, desenvolvimento emocional, nutrição, abrigo e condições de vida seguras) quando os pais estão em condições de o fazer (Krug, et al., 2002). ) ). Como visto, sofrer quatro ou mais ECAs foi mais frequente quando a mãe era adolescente no momento do nascimento do adolescente, confirmando outros achados da literatura (Sidebotham & Heron, 2006; Stith, et al., 2009). A escola assume o papel de mediadora, pode atuar denunciando situações de violência contra crianças e adolescentes e é uma das instituições importantes na linha de cuidado às famílias nesta situação (Almeida, et al., 2006).

Coelho BM, Santana GL, Duarte-Guerra LS, Viana MC, Neto FL, Andrade LH, etj.

Tabela  1  -  Perfil  da  amostra  de  estudo.  Inquérito  de  base  escolar  IX  RA  do  Município do Rio de Janeiro, RJ
Tabela 1 - Perfil da amostra de estudo. Inquérito de base escolar IX RA do Município do Rio de Janeiro, RJ

População de estudo e plano amostral

Coleta e processamento de dados

A coleta de dados, após contato prévio com as escolas, foi realizada por equipe treinada composta por professores pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação, técnicos administrativos da UERJ e funcionários atuantes entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017 do Centro de Avaliação e Treinamento Físico (CAFT). foi contratado. Para aumentar a adesão dos alunos à pesquisa, foi realizada uma atividade de sensibilização na semana anterior à coleta de dados. Nesta atividade, os alunos foram informados sobre os objetivos do estudo de base e receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)10 que deverá ser assinado pelos pais ou responsáveis ​​e devolvido no dia da pesquisa.

Paralelamente, foi anunciado que os alunos também teriam de assinar o TCLE11 no dia do exame. Após entrar no banco de dados, ele foi limpo para identificar valores impossíveis ou inconsistências e as informações dos questionários originais foram verificadas. As variáveis ​​do banco de dados foram então criadas utilizando o programa com base em pesquisa bibliográfica.

Variáveis de interesse e seus respectivos instrumentos de aferição

  • Violências na Infância
  • Morte ou perda de contato com os genitores
  • Dissolução da família biparental
  • Características demográficas
  • Estrutura Familiar
  • Características socioeconômicas
  • Características escola

A investigação da ocorrência de óbito ou perda de contato com os pais foi realizada por meio de perguntas diretas: “Seu pai está vivo?” e “Sua mãe está viva?”, com as opções de resposta: (1) sim, (2) não, (3) não sei porque perdi contato ou não conhecia o pai/mãe. Foram considerados positivos para essas adversidades aqueles que responderam as opções 2 ou 3 e que relataram que a perda de contato ou morte dos pais ocorreu durante a infância. A situação foi mapeada por meio da pergunta: “Você mora atualmente”, com opções de resposta: (1) com pai e mãe, (2) só com sua mãe, (3) só com seu pai, (4) com seu mãe e padrasto, (5) com pai e madrasta, (6) com outros responsáveis, não mora com os pais/responsáveis, (7) outros.

Refere-se à estrutura familiar: idade da mãe no nascimento do aluno e com quem o aluno mora atualmente. A escolaridade da mãe foi mensurada por meio de pergunta direta: “Qual a escolaridade da sua mãe?”, tendo como opções de resposta: (1) Nunca frequentou escola, (2) Ensino fundamental, (3) Ensino médio, (4) Ensino fundamental. Iniciou a faculdade mas não cursou pós-graduação ou ainda estuda, (5) Concluiu a faculdade. A CCEB estima o poder de compra das famílias urbanas brasileiras, definindo classes econômicas por meio de questões relacionadas à propriedade de bens duráveis, contratos de trabalho doméstico, escolaridade do chefe da família e acesso a serviços públicos.

Análise dos dados

Para caracterizar o nível socioeconômico da família, utilizou-se a escolaridade da mãe e o poder aquisitivo familiar. O poder de compra das famílias foi mensurado por meio do Critério de Classificação Econômica Brasileira (CCEB), versão 2015. A prevalência das categorias de EAI foi analisada na amostra como um todo e em subgrupos de acordo com as características descritas acima.

A primeira envolveu a contagem do número de adversidades na infância levando em consideração a amostra como um todo e os subgrupos. O perfil dos eventos simultâneos também foi representado graficamente por meio do diagrama de Venn, agrupando as experiências mais frequentes em três conjuntos: abuso (emocional e/ou físico e/ou sexual), negligência (emocional e/ou física) e ausência de pelo menos um. progenitor (por morte ou perda de contacto com os progenitores e/ou dissolução da família biparental). O teste Qui-Quadrado (χ2) foi utilizado para avaliar a homogeneidade das prevalências nos subgrupos populacionais, considerando um valor de p <0,05 para identificar diferenças estatisticamente significativas.

Questões éticas

Além do fenômeno simultâneo, estudos têm demonstrado que quanto maior o número de experiências adversas, maior será o seu efeito negativo no desenvolvimento do indivíduo (Felitti, et al., 1998; Dong, et al., 2004a; Chartier, et al., 1998; Dong, et al., 2004a; Chartier, et al., 1998; Dong, et al., 2004a; Chartier, et al., 1998; Dong, et al., 2004a; al., 2010; Kessler., et al., 2010). Quando querem defender-se, podem negligenciar a sua capacidade de ouvir e compreender as mensagens positivas do professor e comportar-se mal, tais como envolver-se em comportamentos desafiantes (Cole, et al., 2005). O grande número de adolescentes que relataram ter sido vítimas de pelo menos um ECA foi maior se comparado a estudos internacionais (Rosenman & Rodgers, 2004; Kessler et al., 2010; Bellis et al. 2013; Bellis et al. al., 2014a) e semelhante ao estudo de Hunt et al.

Em relação aos nacionais, foi superior ao estudo realizado em São Paulo (Coelho, et al., 2016), e aproximou-se do resultado encontrado na coorte de Pelotas (Soares, et al., 2016). A violência na família contra crianças e jovens é infelizmente uma prática histórica na sociedade que está presente em todos os segmentos sociais (Brasil, 1990; . Ricas, et al., 2006; Moreira & Sousa, 2012). Nas situações de negligência emocional, notou-se ainda que uma boa proporção de casos ocorreu entre aqueles que não vivem atualmente com os pais, o que reforça outros achados da literatura referentes à estrutura familiar onde as crianças que não vivem com ambos os pais são mais provavelmente serão negligenciados (Krug, et al., 2002; Connell-Carrick, 2003).

Agravando a situação, a ausência de pelo menos um dos pais pode afetar a segurança emocional da criança, além de reduzir a distribuição da supervisão e da contribuição financeira, o que pode criar uma nova fonte de estresse para a família e, como mencionado acima, pode atrapalhar o desenvolvimento. da criança (Hidalgo, et al., 2009; Atrash, 2011; Demarzo, 2011). É também enfatizado o papel primordial da escola no desenvolvimento da resiliência, através da aprendizagem de novas estratégias e do fortalecimento de competências de resolução de problemas (Rutter, 1999), o que pode até contribuir para a prevenção da violência (Assis, et al., 2005). Desta forma, deixam de poder ser ouvidos, reforçando a prática do silêncio, e com a desvantagem de já não poderem ser ajudados no seio da comunidade escolar (Cole, et al., 2005; Tishelman, et al., 2010).

A entrevista na adolescência, assim como a maioria dos estudos, também é um ponto positivo em comparação à abordagem na idade adulta, pois pode minimizar o intervalo de tempo entre a ocorrência e a investigação dos eventos (Bellis, et al., 2013; Coelho, et al., 2016 ).

Imagem

Figura 1 - Exemplo ilustrativo do Modelo Cognitivo
Figura 2 - Desenvolvimento do cérebro humano
Figura 3 - Pirâmide Adverse Childhood Experiences
Figura 4 - Modelo Eco-Bio-Developmental
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Referências

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Por isso Max Weber (2006) diz que Calvino, por meio de sua interpretação pragmática e materialista das escrituras, foi muito mais importante para a consolidação de uma