Os princípios constitucionais, embora sirvam de suporte para reivindicações e decisões judiciais, separados da mediação das normas, não perderam sua característica de abstração e generalização. Hoje, os princípios constitucionais são invocados, sem a mediação de regras, como justificativa para as pretensões das partes em litígio e servem de fundamento judicial para as decisões que irão resolver o caso.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Este quadro teórico das novas ideias de Estado serviu de base para a Revolução Francesa, com uma visão radical da soberania popular, o povo passou a ser representado pelo legislativo, pelo parlamento, que não podia ser limitado por ninguém, nem mesmo pelo rei ou uma Constituição. Uma Constituição em sentido material, uma Constituição natural e histórica, cuja fonte provém dos Tratados, da Jurisprudência do Tribunal de Justiça, dos próprios "costumes" e dos princípios fundamentais do direito (sejam eles de natureza universal ou aqueles que foram formados e desenvolvidos informando especificamente a prática da comunidade), sem esquecer, de certa forma, os regulamentos das próprias Instituições da União.
CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO
- Constituição em sentido político
- Constituição no sentido sociológico
- Constituição no sentido jurídico puro
- Constituição no sentido ‘amplo’
- Interconstitucionalidade
Podemos concluir que o valor supremo da Constituição é algo bastante recente, resultado da evolução histórica do Estado e das teorias que o examinaram e racionalizaram. Paulo Bonavides também falou sobre a Constituição e o Estado, expressando a importância e o significado da Constituição como descrição do conteúdo e da atuação do Estado.
NORMAS, PRINCÍPIOS E REGRAS
Classificação das Normas Jurídicas
Derivados: são normas que requerem uma combinação de outras normas para encontrar sua correta interpretação ou escopo. Prescritivas (centrais ou prescritivas): são normas que vinculam os sujeitos, privando-os de qualquer autonomia de vontade.
Regras e Princípios
Os princípios gerais, na minha opinião, são apenas normas fundamentais ou muito gerais do sistema, as normas mais gerais. A palavra princípios é tão enganosa que a questão entre os advogados sobre se os princípios gerais são padrões é antiga.
Diferenciação entre Regras e Princípios
Começamos examinando um conflito entre regras, lembrando que elas são aplicadas na forma de “tudo ou nada” e, portanto, a solução para o problema é encontrada. Se não houver cláusula de exclusão entre as regras que elimine o conflito, a invalidação de uma das regras é inválida, uma vez que não é possível que dois julgamentos concretos do tipo “dever ser”, que se contradizem, sejam válidos. O princípio da proporcionalidade como instrumento de resolução de conflitos entre os princípios constitucionais e a efetivação de direitos. As regras se aplicam, os princípios se aplicam; o valor inserido nele é expresso em diferentes graus.
FUNÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
- Função programática
- Função integradora
- Função fundamentadora
- Função Interpretativa
- Função limitativa
- Função supletiva
Nessa função, os princípios constitucionais expressam os objetivos que o Estado deve alcançar e traçam os caminhos que o Estado deve seguir para alcançá-los. A visão dos princípios como fonte suplementar está completamente ultrapassada, e os princípios constitucionais não podem ser interpretados numa função suplementar depois de a sua normatividade estar fora de dúvida, normatividade que agora exige a sua aplicação obrigatória. Disponível em:
EFICÁCIA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
Da validade e da vigência
De forma muito simples, o plano de vigência de uma norma jurídica equivale ao fato de ela atender a todos os requisitos materiais e formais para a sua criação, requisitos esses que estão descritos no próprio ordenamento jurídico e depois são incluídos no sistema de normas. , nesta parte, o conceito de validade será utilizado como sinônimo de existência. Validade não pode ser confundida com validade, é limitada no tempo, o que significa que validade é o período de validade da norma. A validade (do verbo viger, do latim vigere) é, no sentido acima, uma característica de uma norma, pela qual ela existe legalmente e deve ser respeitada, ou seja, é exigível sob determinadas condições.
Da eficácia
- Modalidades de eficácia jurídica das normas constitucionais
O direito constitucional e a eficácia de suas normas – limites e possibilidades da constituição brasileira, cit., p. 82. seguiremos a classificação discutida por Ana Paula de Barcelos60 e são as seguintes: a) completamente simétrica ou positiva; b) nulidade; c) ineficiência; d) contestabilidade; e) negativo; f) vedação de retração; g) penalidade; e h) explicativo. a) A modalidade de efeito jurídico simétrico ou positivo: é a mais simples e clara dentre as modalidades, ou seja, ocorre quando a enunciação da norma pode produzir diretamente o efeito originalmente desejado, sem necessitar de outros complementos para criar os efeitos. Rio de Janeiro: Renovar, 2008, p. h) Método de eficácia jurídica interpretativa: neste caso, o efeito da norma constitucional é a exigência de que normas hierarquicamente inferiores sejam interpretadas de acordo com ela, escolhendo entre as interpretações possíveis aquela que melhor corresponde à norma constitucional. Como bem analisa Ana Paula de Barcelos, habitualmente os tipos de eficácia associados às regras são a positiva ou simétrica, a nulidade, a revogação e a ineficácia, enquanto os princípios tenderiam normalmente para um modo de eficácia explicativa, negativa e proibitiva. num caso particular, não há obstáculo para que as regras ou princípios se baseiem em modos de eficiência normalmente associados a outro tipo de regulação.
Classificação das normas constitucionais
- Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Plena
- Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Contida
- Normas Constitucionais de Eficácia Limitada
As normas constitucionais com plena eficácia jurídica seriam aquelas de aplicabilidade imediata, direta, plena, que independem de qualquer legislação constitucional ou infraconstitucional posterior para seu pleno funcionamento, para produzir os efeitos desejados pelo constituinte, enfim, são auto- normas de determinação. aplicável, dotado de todos os meios necessários à sua implementação. As normas constitucionais de eficácia limitada seriam aquelas que dependem da edição de regulamentos futuros, que possuem aplicabilidade indireta, mediadora e limitada, uma vez que só se tornam amplamente aplicáveis após uma norma infraconstitucional lhes conferir aplicabilidade. As normas constitucionais de eficácia limitada, especialmente as chamadas programáticas, constituem os maiores desafios à sua compreensão. De eficácia limitada devido à ausência de legislação infraconstitucional, podem ser interpretados como meros valores ou ideais do governo. No entanto, esta visão deve ser completamente rejeitada.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO PROCESSO JURISDICIONAL
- Processo Grego
- Processo Romano
- Processo Germânico
- Processo medieval
- Processo Moderno
Disponível em:
A NATUREZA JURÍDICA DO PROCESSO
- Processo como contrato
- processo como quase-contrato
- Processo como instituição jurídica
- Processo como situação jurídica
- Processo como relação jurídica
Outros, influenciados por Maurice Hauriou (1916) e Rénard (1930), viam o processo como uma instituição jurídica, um conjunto de disposições legais destinadas à proteção jurídica concluída pelo exercício do direito de processar, pelo qual o juiz e as partes, como outros participantes, a decisões legais. O estudo do processo como relação jurídica de direito público, que se estabelece entre o Estado (juiz) e quem busca esse tipo de proteção jurídica, sem dúvida fomentou o nascimento do direito processual civil como ciência especial, com objetivo próprio e com seu possuem leis e princípios especiais que diferem dos princípios e leis que regem ramos do direito material. Segundo BÜLLOW, até agora, em vez de considerar o processo como uma relação de direito público que se desenvolve gradativamente entre o Estado (tribunais) e as partes, os peritos do processo civil limitaram-se a ver o procedimento apenas como uma série de ações e formalidades , a ser cumprida pelos sujeitos, que nela estiveram envolvidos, como mera consequência de uma relação contenciosa de direito privado 78.
A INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO, SUA EVOLUÇÃO
Sincretismo
Nesta primeira etapa metodológica do processo, considerou-se uma forma simples de exercício do direito substantivo e, portanto, intimamente ligada a ele, sem qualquer autonomia, sendo toda ação das partes decorrente diretamente do tipo de direito violado. Os procedimentos utilizados pelas partes apenas externalizaram a forma como o direito violado foi defendido, ou seja, para qualquer direito substantivo que fosse ofendido, caberia ao lesado tomar medidas para protegê-lo, e sem isso o direito substantivo direitos seriam protegidos. atacado pela direita, não haveria julgamento para sua defesa. As pessoas não tinham consciência da autonomia da relação jurídica processual, em oposição à relação jurídica de natureza substancial que, em última instância, ligava os sujeitos do processo.
Autonomia
Foi o longo período de sincretismo que prevaleceu desde o início até que os alemães começaram a especular sobre a natureza jurídica da acção nos tempos modernos e sobre a natureza jurídica do próprio processo.82.
Instrumental
Tudo o que já foi feito neste sentido e se pretende fazer tem, como se entende, como objectivo a eficácia do processo como meio de acesso à justiça. É fundamental ter consciência de que o processo não é um mero instrumento técnico a serviço da ordem jurídica, mas sobretudo um poderoso instrumento ético destinado a servir a sociedade e o Estado.86. Embora alguns críticos apontem para o fim da fase instrumental do processo, não há dúvida de que a teoria mais aceita é aquela que o indica.
O PROCESSO COMO MEIO DE EFETIVAÇÃO DOS DESEJOS
Portanto, o processo deixou de ser um instrumento direcionado ao funcionamento da lei e passou a ser um instrumento preocupado com a proteção de direitos, na medida em que o juiz, no estado constitucional, além de atribuir sentido ao caso concreto, a lei entendida em termos de dimensão dos direitos fundamentais. Com a social-democracia, intensificou-se a participação do Estado na sociedade e consequentemente o papel do juiz no processo, que não precisa mais se preocupar apenas em observar as ‘regras do jogo’, passando a ser responsável por um processo justo, que seja capaz: i) da suficiente verificação dos factos e da participação das partes numa contradição real, ii) da justa aplicação das normas do direito substantivo, e iii) da eficácia da protecção dos direitos, uma vez que a indolência do juiz, ou o abandono do processo por decisão das partes, tornou-se incompatível com a evolução do Estado e da lei.89. O processo, neste contexto, pressupõe a condição de caminho ou canal de participação e não apenas de proteção judicial; atua como instrumento de jurisdição e qualifica-se como modo de participação cidadã na busca pela implementação e proteção dos direitos fundamentais e bens públicos.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Fala-se que a ascensão constitucional dos países democráticos leva a uma aparente ditadura das togas. O argumento é que as nações são lideradas por homens sábios, numa espécie de aristocracia judicial. Numa democracia, devemos honrar os esforços feitos pelos nossos semelhantes para avançar na limitação do poder dos governantes e na realização dos direitos dos cidadãos.
Efetividade dos princípios constitucionais
Humberto Ávila afirmou categoricamente que os princípios, geralmente as regras de eficácia limitada segundo José Afonso, não podem ser ignorados pelo tradutor, pelo contrário, devem ser analisados e aplicados como qualquer regra. Quando a Constituição contém dispositivo que privilegia um Estado a ser promovido, há, neste contexto e nesta vertente, a instituição de um princípio que obriga o requerente a examinar a correlação entre esse Estado e os comportamentos a adotar. promovê-lo.. Esses comportamentos – insistimos nisso – devem ser adotados pelos indivíduos ou pelo Estado e não cabe ao intérprete ignorá-los como se o princípio, em vez de uma norma, fosse uma simples opinião sem normatividade.
Ponderação e princípios constitucionais
Ponderação
Finalmente, a proporcionalidade em sentido estrito afirma que quanto maior a restrição em um dos princípios conflitantes, maior o benefício produzido em relação ao outro princípio. Portanto, restrições significativas em um dos princípios que geram contribuições mínimas em outro princípio não são proporcionais.105. 1 — Definir a intensidade da intervenção, ou seja, o grau de insatisfação ou violação de um dos princípios;
APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
Aplicação direta dos princípios constitucionais
Portanto, o ponto de partida da interpretação constitucional é a exclusão da consideração da aplicação direta dos princípios dos casos concretos que não se enquadram na hipótese de incidência do próprio princípio, ou mesmo daqueles que dele estão expressamente excluídos. Neste importante ponto, há uma ligação indiscutível entre a aplicação direta dos princípios e os novos ditames do processo, descritos no n. Chega o momento em que é tomada a decisão de resolver o litígio, quando se interpreta o princípio, se traça a norma aplicável ao caso concreto e, apesar das críticas já destacadas neste trabalho e em outros que serão apresentados posteriormente, a ponderação será escolhida uma teoria para resolver o dilema da aplicação direta dos princípios constitucionais.
Segurança jurídica das decisões e o sistema de precedentes
No que diz respeito aos princípios desenvolvidos pela jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia, segue-se um excerto da Ficha Técnica sobre a União Europeia: . d) Princípios gerais do direito da União e dos direitos fundamentais. Estes princípios foram essencialmente desenvolvidos pela jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia (segurança jurídica, equilíbrio institucional, expectativas legítimas, etc.). Jörg Neuner, no artigo 'A competência e a metodologia interpretativa-decisória do Tribunal de Justiça da União Europeia', traduzido por.
ATIVISMO, JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA E
Críticas ao ativismo e esclarecimentos sobre a judicialização da
A alegada incapacidade institucional de agir proativamente e inovar o sistema jurídico pelo simples argumento de que a criação do direito requer a utilização de instrumentos que não estão à disposição dos juízes ou tribunais não merece sucesso. Outro argumento apresentado pelos críticos contra o recurso ao activismo por parte dos membros do poder judicial é que estes não foram eleitos pelo povo e, como resultado, não há legitimação democrática da prática judicial. Os riscos para a legitimidade democrática devido à não eleição dos membros do poder judicial são reduzidos na medida em que os juízes e os tribunais aderem à aplicação da constituição e das leis.
Crítica à aplicação direta dos princípios
Na verdade, um número considerável de juristas preferiu considerar os princípios constitucionais como substitutos ou iguais aos princípios jurídicos comuns. Lenio conclui sua crítica ao uso de princípios como base direta para decisões judiciais, o que ele chamou de. Apesar de todos os argumentos apresentados por Lenio Streck em sua crítica à utilização de princípios constitucionais sem a mediação de normas, pode-se concluir neste ponto da obra que o operador do direito se depara em diversas ocasiões com lesões a direitos, garantias ou valores expressos na constituição, e com a ausência de regras para proteger todos estes, afirmou.