Esta pesquisa foi motivada a analisar o desenvolvimento do Bairro Cidade para definir os espaços públicos, bem como a dinâmica de ocupação desses espaços, localizados na periferia oeste de Itajá-SC. Assim, no Capítulo I, nos concentramos no desenvolvimento histórico do município de Itajá, na forma como a ocupação contribuiu para a formação do espaço urbano e nas intervenções do poder público na formulação e aplicação da legislação que orientou o crescimento urbano de Itajá.
Origens da cidade de Itaja ’ sua evolu •‹o atŽ a Repœblica Velha
A comarca de Itajá foi criada em 1833 e no ano anterior havia passado da jurisdição de São Francisco para a de Porto Belo. No setor privado foi construído um hotel8, com serviços de alojamento e alimentação. Uma das principais ações deste governo foi a concessão de um empréstimo para aliviar a situação dos desempregados de Itajá.
Com condições naturais favoráveis à pesca e, com a definição de incentivos federais23, o município está entre os. A Tabela 01 abaixo, além do crescimento da população de Itajá, também mostra o acentuado declínio da população rural do município nos últimos 30 anos. A precariedade e a ilegalidade são seus componentes genéticos e contribuem para a formação de espaços urbanos sem características de urbanidade.
Sem essa mudança de atitude, fica difícil imaginar que a qualidade de vida na Cidade de Itajá será melhorada no futuro. A Constituição de 1988 alterou a organização do sistema federativo brasileiro, deixando ao governo federal a responsabilidade de coordenar as políticas sociais públicas e os municípios, cabendo aos órgãos federados autônomos ™nomos a tarefa de executá-las. O governo federal manteve o sistema centralizador, sem uma política clara de incentivo à atuação dos estados e municípios, impossibilitando o cumprimento do que preconizava a Constituição de 1988.
Esta lei divide o território de Itajaí em zonas de uso com localizações limitadas. Este fato acaba por promover a proliferação de estruturas em áreas periféricas que não atendem ao padrão mínimo de segurança.
A tentativa de industrializa •‹o de uma cidade com voca•‹o para prestadora
O desenvolvimento do urbano da cidade de Itaja ’ nas œltimas dŽcadas
Ressalta-se também que a Universidade do Vale do Itajá (UNIVALI) tem se mostrado um importante agente na definição do ordenamento territorial da cidade, com sua influência nas decisões relativas às diretrizes de desenvolvimento urbano, especialmente na definição da ocupação do uso do solo. em Itajá'. Em 1991, o porto de Itajá ficou subordinado à administração da Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP). Na última década, o porto de Itajá tornou-se o primeiro porto do país a exportar cargas contêineres, o que mudou muito a paisagem urbana da cidade.
Itajá' é centro da região e sede da Associação dos Municípios de Foz do Rio Itajá' (AMFRI) e, por ser uma cidade portuária, passou a atrair fluxos migratórios, representados pela população •‹desesperada de outros municípios e estados , em busca de melhores condições de vida. O tipo de colonização iniciada em Itajá e a falta de um plano de expansão levaram ao crescimento da cidade sem qualquer forma de gestão física. Por sua origem relacionada à função portuária, a área urbana da cidade foi assim alinhada à margem direita da foz do rio Itaja'-A•u, tornando-se o próprio rio o elemento gerador da configuração. •‹no centro da cidade.
Ainda hoje o Bairro Itaipava está relativamente deslocado da zona urbana de Itajá', pois existem vários espaços vazios, além de estar localizado à BR ±101, como pode ser observado na Figura 01.
Espa •o urbano e segrega•‹o
Esse transbordamento se deve em parte à ocupação desse espaço por pessoas da própria cidade, mas também por migrantes oriundos de áreas rurais em declínio de Santa Catarina36. Vale ressaltar que a localização das populações no espaço urbano segue a lógica do processo de inserção e distribuição da riqueza social e que o aumento do desemprego, aliado à limitação dos investimentos na área social, prejudica as condições de vida de uma parte significativa da população e promoveu o seu deslocamento para áreas periféricas. Esta reflexão preliminar foi o ponto de partida para a análise dos espaços públicos localizados no bairro Cidade Nova, periferia oeste de Itajá (SC).
O estudo dos espaços públicos do bairro Cidade Nova procurou considerar as condições que ao longo do tempo deram uma singularidade a toda esta área devido à expansão urbana de Itajá e das próprias cidades. No contexto do desenvolvimento da pesquisa foi realizado um estudo que buscou localizar os espaços públicos existentes no extremo oeste de Itajaí com base nas plantas de loteamento aprovadas pela Prefeitura (Figura 02). Por outro lado, devemos considerar também que o mercado imobiliário, que ao implementar um loteamento não se preocupa com questões ambientais, que o desmatamento de toda a área, que permanece aberta e sem uso definido, está mais suscetível a ocupações irregulares; Soma-se a isso a omissão do poder público municipal.
A expansão imobiliária e a degradação do espaço natural que caracterizam o momento atual impedem a definição de critérios para um desenvolvimento mais sustentável, uma vez que a localização da população segue a lógica do processo de introdução e distribuição da riqueza social.
O desenvolvimento do Bairro Cidade Nova
Segundo Toledo (1996), o declínio do liberalismo é resultado das lutas sociais e políticas do século XIX e início do XX. Essa situação previa que o governo federal transferiria para os municípios diversas responsabilidades e recursos financeiros para implementá-las, para que o governo local tivesse autonomia para definir e organizar a gestão das políticas públicas. Em relação a outras políticas, como por exemplo é o caso da área de habitação e saneamento, uma vez que não houve uma definição clara dos recursos destinados exclusivamente a elas, o governo federal continua a desempenhar os papéis de coordenador e financiador na implementação exercitar. destas políticas.
Foi uma década caracterizada pelo conflito entre a expectativa de implementação de políticas públicas que concretizem os direitos alcançados, garantidos por lei, e os constrangimentos políticos e económicos impostos para a sua implementação. A municipalização de algumas políticas sectoriais ocorreu, portanto, rapidamente, sem que a comunidade tivesse o conhecimento necessário para garantir o seu direito de participar efectivamente. Seja pela redefinição institucional marcadamente municipalista promovida pela Constituição de 1988, seja pela desarticulação do governo federal, que foi retirado e enfraquecido53, houve um processo de descentralização das políticas públicas.
A capacidade de coordenar políticas sectoriais dependia, em grande medida, destes acordos institucionais herdados.
A urbaniza •‹o no pa’s e a pol’tica urbana
Estas deformações geram uma procura de serviços, neste caso especialmente no sistema viário, que exigem investimento público em infra-estruturas, custeadas por todos, mas beneficiando uma pequena parte da população. A constituição anterior estabelecia o direito à moradia de forma indireta, pois estabelecia que o salário do trabalhador deveria proporcionar condições de moradia. SDUD ³KDELWDW´ 2 FRQFHLWR GH KDELWDW DSDUHFHX QD &RQIHUrQFLD GDV 1Do}HV Unidas, realizado em Istambul em 1996, que reuniu autoridades governamentais de vários países e organizações não-governamentais para discutir a questão dos assentamentos humanos.
Esta conferência representa um marco para o desenvolvimento de políticas públicas de desenvolvimento urbano e habitação, reafirmando o direito à habitação e expandindo o seu significado para além da simples construção para incluir o direito à terra, instalações de infra-estruturas, serviços públicos e um ambiente saudável. respeito pelas relações sociais e culturais. Garantir o direito às cidades sustentáveis, entendido como o direito ao solo urbano, à habitação, à higiene ambiental, às infraestruturas urbanas, aos transportes e serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as gerações presentes e futuras. Ainda relacionado à política de desenvolvimento urbano, Dutra cita a Lei de Responsabilidade Fiscal como mecanismo de controle dos gastos públicos que permite um planejamento mais eficiente dos recursos, pois impõe restrições aos governos quanto ao uso do dinheiro público, pois não podem gastar mais do que o município arrecadou, além de não poder cobrar futuras administrações.
Na prática, porém, esta lei impossibilita o aumento de diversas políticas públicas, com a justificativa de responsabilidade fiscal, pois os governos alegam a não implementação de políticas ou inacessibilidade a todos, pois devem respeitar as suas determinações.
A situa •‹o atual do bairro
Por outro lado, quem mora há mais tempo no bairro tem a ideia de que essas áreas são espaços para pessoas desabitadas em geral. Esta opinião também tem sido diagnosticada nas unidades municipais de ensino, que, sem autorização do poder público, têm permitido a ocupação dos espaços verdes próximos das suas instalações pelos seus funcionários. Esse caso aconteceu no Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC) Cacildo Romagnaim, onde o diretor geral ofereceu um terreno próximo à unidade para a zeladora da escola morar ali, a fim de aVVLPTXHR³QRYRPRUDGRU´FXLGDVVHSDUDTXH³YkQGDORVQVHPVDGDHODJVQMVRXVDGDHODJVQMHPVDGDHODJVQMVRXVDGDHODJVQMVR XVDGD PFRQYHUVDFRPa.
Diante dessa realidade, uma simples visita ao bairro permite ver crianças e adolescentes brincando no meio das ruas, competindo com os carros pelo mesmo espaço. As áreas ocupadas irregularmente (mata de praia, áreas verdes em loteamentos) não são atendidas com benfeitorias como ligação à rede de água, luz e drenagem, por serem consideradas ilegais.
As leis municipais definidoras do desenvolvimento urbano de Itaja ’
57 São áreas permitidas, nos termos da lei, aquelas áreas em que, a critério da Câmara Municipal e ouvidas, se for o caso, as autoridades competentes, podem ser permitidos usos estabelecidos. Pela lei, o município criaria uma comissão para analisar os casos que se enquadram nessas situações. Por exemplo, vários terrenos existentes no município são utilizados sem respeitar as normas ambientais e urbanísticas.
Esta mesma lei regulamenta estabelecimentos como: hotéis, bares, supermercados, salões, auditórios, casas de espetáculos, templos, pavilhões desportivos, edifícios escolares, lares de idosos, hospitais, oficinas, fábricas, garagens privadas, coletivas e/ou comerciais, serviços de automóveis e postos de abastecimento, depósitos de carga, armazéns de substâncias inflamáveis, armazéns de explosivos, lojas, supermercados, cemitérios, parques de diversões e circos. Isto significa que as estruturas em áreas periféricas não atendem a um padrão mínimo de segurança. Este é o caso de complexos residenciais onde o tamanho dos cômodos é menor que as dimensões mínimas exigidas.
Qualquer pessoa que trabalhe no município há mais de dois anos pode requerer o reconhecimento de serviço de utilidade pública, desde que fique claro no seu estatuto que o serviço é de interesse público.
O Estatuto da Cidade e o Munic ’pio de Itaja’
A cidade de Itajá teve o rio como o determinante mais importante no processo de ocupação desse espaço no centro-norte do litoral catarinense. Mais tarde (século XIX) o porto de Itajá foi porta de entrada para os imigrantes europeus que colonizaram e iniciaram a industrialização do vale do Itajá. Por outro lado, era também pelo porto de Itajá que a madeira do planalto catarinense era embarcada para diversos pontos do país e também para o exterior.
Com a consolidação do neoliberalismo no país, principalmente a partir da década de 90 do século passado, o porto de Itajá voltou a ganhar destaque, com destaque para o movimento que buscava transformar o porto de público em privado, e depois com o município •< o mesmo. Atualmente, o porto de Itajá é responsável por um volume significativo de impostos que o município arrecada, mas também pelo caos urbano que hoje perturba a vida da cidade. Itajá cresceu muito nas últimas décadas, fazendo com que espaços antes ocupados pela agricultura e pecuária dessem lugar a diversos loteamentos.
Portanto, os governos federal, estadual e municipal têm comprovado ineficiência no Município de Itajá em termos de ocupação de espaço.