• Nenhum resultado encontrado

Geoprocessamento, ambiente e saúde: uma união possível?.

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "Geoprocessamento, ambiente e saúde: uma união possível?."

Copied!
9
0
0

Texto

(1)

Geoprocessament o, ambient e e saúde:

uma união possível?

Are g e o p ro ce ssing , e nviro nme nt, and

he alth a p o ssib le co mb inatio n?

1 Dep artam en to d e In form a ções p a ra a Sa ú d e, Cen t ro d e In form a çã o em Ciên cia e Tecn ologia , Fu n d a çã o Osw a ld o Cru z . Av en id a Bra sil 4365, Rio d e Ja n eiro, RJ 21045- 900, Bra sil.

Ch rist ov a m Ba rcellos 1 Fra n cisco In á cio Ba st os 1

Abst ract Ab st ra ct T h e u se o f geo p ro cessi n g t ech n i q u es a llow s o n e t o ga t h er so ci o eco n o m i c, h ea lt h , a n d en v iron m en t a l d a t a on a sp a t ia l b a sis. How ev er, in t erp ret a t ion of a ssocia t ion s b e-t w een ep id em iologica l a n d en v iron m en e-t a l v a ria b les req u ires e-t h e geop rocessin g syse-t em d esign . T h e st u d y sca le a n d ob ject ch oices p reced e con cep t ion of t h e syst em , con d it ion in g t h e p ossib le st a t ist ica l a n d v isu a l resu lt s. Th is sca le m u st be com p a t ible w it h t h e p h en om en on on w h ich on e in t en d s t o focu s, aim in g at in t ern al h om ogen eit y an d ex t ern al h et erogen eit y of sp at ial u n it s. Th e in t erd ep en d en cy of sp a t ia l p rocesses, reflect ed in t h e sp a t ia l con figu ra t ion of socia l, en v iron -m en t a l, a n d ep id e-m iologica l d a t a d ist ribu t ion , a ffect s in t erp ret a t ion of ca u ses for si-m u lt a n eou s p ro cesses. Geo p ro cessi n g a llow s f o r k n ow led ge o f t h e co n t ex t o r si t u a t i o n a l su rro u n d i n gs i n w h ich t h e d am age t o h ealt h t ak es p lace.

Key words Geo p ro cessi n g; En v i ro n m en t a l An a lysi s; En v i ro n m en t a l H ea lt h ; Ep i d em i o lo gy; Pu b lic Hea lt h

Resumo O u so d o geop rocessa m en t o t em p erm it id o a reu n iã o d e b a n cos d e d a d os sócio- econ ô-m icos, d e sa ú d e e a ô-m b ien t a is eô-m b a ses esp a cia is. A in t erp ret a çã o d os resu lt a d os d e a ssocia ções en t re v a ri á v ei s ep i d em i ológi ca s e a m b i en t a i s d ep en d e, n o en t a n t o, d o d esen h o d o si st em a d e geop rocessa m en t o. A escolh a d a esca la e ob jet o d e a n á lise p reced e a con cep çã o d o sist em a , con -d icion a n -d o os p ossív eis resu lt a -d os est a t íst icos e v isu a is. Est a esca la -d ev e ser com p a t ív el com o fen ôm en o q u e se p ret en d e en foca r, b u sca n d o- se u m a h om ogen eid a d e in t ern a e h et erogen eid a d e ex t ern a d as u n id ad es d e an álise escolh id as. A in t erd ep en d ên cia d e p rocessos esp aciais, qu e se re-flet em n a su a con figu ra çã o socia l, a m b ien t a l e ep id em iológica , p od e, se n ã o a d ot a d a m et od ologi a corret a , i m p ed i r o est a b eleci m en t o d e ca u sa s p a ra p rocessos si m u lt â n eos. O geop rocessa -m en t o p er-m it e, p or ou t ro lad o, o en t en d m en t o d o con t ex t o e-m qu e se v erifica-m fat ores d et er-m i-n a i-n t es d e a gra v os à sa ú d e.

(2)

“Essa cid ad e qu e n ão se elim in a d a cabeça é co-m o u co-m a arco-m ad u ra ou u co-m retícu lo eco-m cu jos es-p aços cad a u m es-p od e colocar as coisas qu e d ese-ja record ar: n om es d e h om en s ilu stres, virtu d es, n ú m eros, classificações vegetais e m in erais, d a-t as d e baa-t alh as, con sa-t elações, p a ra-t es d o d iscu r-so.”– Italo Calvin o em “As cid ad es in visíveis”

Int rodução

A relação en tre exp osição am b ien tal a agen tes d e risco e con d ições d e saú d e tem sid o estu d a-d a p rin cip a lm en te n a a-d im en sã o tem p o ra l. As associações en tre qu alid ad e d o ar e m ortalid a-d e p o r a-d o en ça s p u lm o n a res (An to, 1989; Sch wartz & Marcu s, 1990) são exem p los d e es-tu d o s va lio so s n o ca m p o d a sa ú d e a m b ien ta l q u e p rocu ram avaliar o im p acto d e con d ições a m b ien ta is a d versa s so b re a sa ú d e em cu r to s p eríod os d e tem p o. Se estas relações são ob ser-va d a s n o tem p o, n ã o sã o d a m esm a m a n eira eviden tes n a dim en são esp acial. Isto p orqu e n o esp a ço en con tra m -se su p erp osta s ou tra s in s-tâ n cia s d a so cied a d e, co m o a eco n ô m ica e a cu ltu ra lid eo ló gica , a lém d e fa to res p ro p ria -m en te a-m b ien tais (San tos, 1988), qu e se -m an i-festam em variáveis sócio-econ ôm icas q u an tificáveis qu e p od em atu ar com o fatores d e con -fu sã o (‘con fou n d in gs’) em estu d os ecológicos (Jacob son , 1984).

A in d istin ção en tre variáveis d e saú d e, seu s d eterm in an tes e seu s con torn os sócio-econ ô-m icos fez coô-m q u e d iversos p recon ceitos étn icos, cu ltu ra is e a m b ien ta is fossem in corp ora -d o s à ch a m a -d a ‘geo gra fia m é-d ica’. Os p rim eiros trab alh os d esta d iscip lin a p rocu raram vin -cu la r á rea s en d êm ica s d e d o en ça s a d eterm i-n ad as características cu ltu rais, raciais e clim á-tica s d e a m b ien tes e gru p os p op u la cion a is d e m an eira d eterm in ista (Lacaz et al., 1972). Estas correlações foram estab elecid as d e form a m ar-ca d a m en te in clu siva (a s “d o en ça s tro p iar-ca is”) o u d isju n tiva (a id éia d o s co rd õ es sa n itá rio s; Go u ld , 1993). Algu n s d estes eq u ívo co s m eto -d ológicos n ão p o-d em ser im p u ta-d os à carên cia d e in fo rm a çõ es e d e in stru m en to s d e a n á lise n o p a ssa d o. O geo p ro cessa m en to, en ten d id o com o “u m con ju n to d e técn icas d e coleta, exi-b içã o e tra ta m en to d e in fo rm a çõ es esp a cia li-za d a s” (Ro d rigu es, 1990), p erm ite a a n á lise con ju n ta d e u m a gam a d e variáveis sócioam b ien tais, m as p od e, d a m esm a m an eira, in d u -zir a estes equ ívocos.

A region alização é freq ü en tem en te u tiliza-d a em estu tiliza-d os ep itiliza-d em iológicos com o u m a vriável d e an álise ju n to a ou tras, com o sexo, id a-d e e classe social. Este tip o a-d e an álise tem

ser-vid o a estu d os exp loratórios m as n ão p erm ite p or si só a in corp ora çã o d o esp a ço e seu s ele-m en to s n o â ele-m b ito d a p esq u isa eele-m sa ú d e. As d iferen ça s d e in cid ên cia s d e câ n cer en tre d i-versos p aíses têm p erm itid o o estab elecim en to d e h ip ó teses etio ló gica s d a d o en ça (Hu tt & Bu rkitt, 1986). Se é verd ad e qu e a in cid ên cia d e câ n cer d e estô m a go n o Ja p ã o é sign ifica tiva -m en te -m a is a lta q u e a -m éd ia -m u n d ia l, -m o ra r n este p aís n ão p od e ser con sid erad o ap rioristi-cam en te com o fator d e risco. An tes d isso, esta d iferen cia çã o su gere a existên cia d e p a d rõ es gen éticos, cu ltu rais ou am b ien tais q u e p od em con trib u ir p ara a d eterm in ação d e risco àqu ela p o p u la çã o. Isto p o rq u e a d iferen cia çã o esp a -cia l su b en ten d e d iverso s o u tro s d iferen -cia is, tais com o cu ltu ra, ed u cação, ren d a, caracterís-ticas gen écaracterís-ticas e h ab itacion ais.

Na ten tativa d e estab elecer p esos p ara fato-res gen éticos e am b ien tais, estu d os ep id em io-ló gico s têm co n cen tra d o esfo rço s so b re m i-gra n tes, q u e d everia m m a n ter seu p er fil d e m orb im ortalid ad e n o p aís d e d estin o se o fa -tor gen ético fosse p red om in an te. Vários trab a-lh os, n o en tan to, têm m ostrad o qu e as taxas d e m ortalid ad e d e m igran tes ten d em a se ap roxi-m a r d a q u ela s o b ser va d a s n o p a ís d e d estin o (WHO, 1983), o qu e d em on stra a p ressão d o fa-tor am b ien tal sob re os p ad rões d e m orb i-m or-talid ad e.

Se a categoria esp aço é d ep ositária d e u m a série d e variáveis in ter-relacion ad as, com o iso-lar os fatores am b ien tais d os d em ais n as an áli-ses ep id em iológicas? Se este esp aço é resu ltad o ltad a ‘acu m u lação ltad esigu al ltad os tem p os’ (San -tos, 1988), com o en ten d er a relação en tre estas va riá veis a tra vés d e co rtes tra n sversa is? Este trab alh o levan ta algu m as qu estões p ertin en tes à u tilização d o geop rocessam en to n as an álises d e am b ien te e saú d e. Lon ge d e ten tar esgotar o a ssu n to, o tra b a lh o p ro cu ra in co rp o ra r a esta a n á lise a lgu n s co n ceito s d esen vo lvid o s n a Geografia e p rop õe u m con ju n to d e técn icas d e m ap eam en to, b u scan d o a an álise in tegrad a d e riscos à saú d e d ecorren tes d e agen tes am b ien -tais.

Escala e objet o de análise

(3)

d e d iferen ciação p op u lacion al. A variável ren -d a p ossu i fortes -d iferen ciais em to-d as as esca-la s p o ssíveis d e a n á lise. Ser ve p a ra d istin gu ir con ju n tos d e p aíses, d a m esm a form a qu e con -ju n to s d e b a irro s. A rigo r, n ã o existe o q u e se co stu m a d en o m in a r ‘regiõ es h o m o gên ea s’, u m a vez qu e o esp aço é in fin itam en te d ivisível e d iferen ciad o in tern am en te. O esp aço geográfico é d efin id o p or Ha rvey (1980) com o “com -p lexo, n ã o h o m o gên eo, ta lvez d esco n tín u o e qu ase certam en te d iferen te d o esp aço físico”. A d elim itação d o ob jeto, ob jetivos e h ip óteses d e estu d o é qu e im p õem u m a h om ogen eização d a u n id a d e d e a n á lise, n o in terio r d a q u a l n ã o é p ossível ob servar d iferen ças esp aciais. Ap esar d o geop rocessam en to p erm itir a con stru ção e o p era çã o d e b a ses ca rto grá fica s em d iversa s escalas, a estru tu ra e in ter-relacion am en to d os b an cos d e d ad os fixa u m m od elo d e agregação d e d ad os p or u n id ad e esp acial.

Ao se d efin ir o o b jeto d e estu d o, elege-se u m a escala d e an álise q u e d eve ser com p atível com o fen ôm en o sob re o q u al se d eseja trab a-lh ar. A h om ogen eid ad e in tern a d a u n id ad e es-p a cia l d ees-p en d e b a sica m en te d o s cr itério s – e variáveis – u tilizad os n a con cep ção d o sistem a. Um a im p ortan te m u d an ça d e p on to d e vista se d á en tre ativid ad es d e p lan ejam en to e an álise, q u e se u tiliza m d o esp a ço co m o ca tego r ia d e tra b a lh o (Piq u et et a l., 1986). Pa ra os p la n ejad ores, as ejad iferen ciações in traregion ais são su -p erad as face à relação in ter-region al qu e d ese-jam en focar. Ten d o com o território d e atu ação o s lim ites a d m in istra tivo s d o esta d o (su a ‘re-giã o d e p la n eja m en to’), o secretá rio d e sa ú d e d ecid e a localização d e u m cen tro d e saú d e em u m o u o u tro m u n icíp io, b a sea d o em critério s ep id em io ló gico s, p o lítico s e a d m in istra tivo s, q u e d iferen cia m m u n icíp io s en tre si. Po r su a vez, os gestores d e cen tros d e saú d e d ificilm en -te d istin gu em co n d içõ es d iferen cia d a s in - ter-n am eter-n te a su as ‘áreas-p rogram a’. Su a escala d e an álise é o território in tra-region al e p ressu p õe h om ogen eid ad e. Deste m od o, a con cep ção d a região com o área h om ogên ea “b aseia-se n a d e-lim itação d e u m território a p artir d a u n iform i-d a i-d e i-d e certa s ca ra cterística s”, o n i-d e o s crité-rios e ob jetivos d e trab alh o in d icarão as variá-veis a serem u tilizad as p ara region alização (Pi-qu et et al., 1986). Na fase d e an álise e avaliação, as u n id ad es esp aciais são d efin id as b u scan d o os m aiores d iferen ciais in ter-region ais, d e m o-d o a estab elecer as relações en tre as u n io-d ao-d es d e a n á lise escolh id a s, e a d ota n d o com o terri-tó rio p a ra a n á lise a s “regiõ es p o la riza d a s”. A p reocu p ação com estas relações ressalta as d i-feren ciações in ter-region ais e p ressu p õe h ete-rogen eid ad e en tre u n id ad es.

No caso d o geop rocessam en to, a escolh a d a escala d e trab alh o se d elin eia com o estab ele-cim e n t o a p riorid a s u n id a d e s d e a gre ga çã o

d e d ad os e d a exten são d o território d e trab alh o. Po r exem p lo, a o se tra b a alh a r co m o s m u -n icíp ios d o Brasil (-n u m a escala d e 1:1.000.000) a s cid a d es p o d em ser rep resen ta d a s p o r p o n -to s. Neste ca so, a s d iferen cia çõ es in tern a s à s cid ad es d esap arecem e op ta-se p or an alisar as rela çõ es en tre cid a d es. Esta esco lh a terá co n -se q ü ên cia s im p o rta n tes so b re o s p ro cesso s q u e se p reten d e estu d ar esp acialm en te. Nesta esca la p o d e-se tra ça r, p o r exem p lo, o s ca m n h o s d o có lera n o Bra sil, su a in tro d u çã o e d i-fu sã o em regiõ es d o p a ís. Nu m a esca la lo ca l (1:10.000) a in cid ên cia d e có lera p o d e revela r va riá veis liga d a s a o a m b ien te e h a b ita çã o. O fam oso m ap a d e Sn ow p erm itiu a id en tificação d e p op u la ções d e risco e forn eceu p ista s p a ra d esven d ar o m od o d e tran sm issão d a d oen ça. Com o se tran sm ite o cólera, em q u ais resid ên -cias as p essoas têm m aior risco d e con trair có-lera , em q u a is regiõ es o có có-lera se d esen vo lve co m m a io res ta xa s? Sã o p ergu n ta s d iferen tes qu e terão resp ostas d iferen tes d evid o às u n id a-d es a-d e a n á lise esco lh ia-d a s. A p rim eira q u estã o n ão p od e ser resolvid a p elo geop rocessam en -to, en qu an to as d em ais en con tram n ele u m p o-d eroso in stru m en to o-d e an álise.

(4)

-to d e veícu los e rod ovias em regiões in d u striais d en sa m en te p ovo a d a s. Estes resu lta d o s, a p a ren tem en te con trad itórios, d em on stram a su -b ord in ação d e p rocessos o-b serváveis em escalas m aiores (locais) e os d iferen tes d eterm in an -tes d e saú d e d om in an -tes em cad a escala.

Den tre as variáveis am b ien tais, os fen ôm e-n os clim áticos p ossu em m aiores grad iee-n tes esp aciais em escalas region ais ou glob ais. O estu -d o -d os efeitos -d a re-d u ção -d a cam a-d a -d e ozôn io sob re a saú d e d eve ser d esen volvid o n esta es-ca la , já q u e os d a n os à es-ca m a d a d e ozôn io têm as d im en sões d e u m p aís. Por ou tro lad o, é n o n ível local on d e m elh or se verificam fatores li-ga d o s à p o lu içã o a tm o sférica , u m a vez q u e a d ifu são atm osférica d e p olu en tes p od e alcan -çar algu n s qu ilôm etros. A escolh a d a escala d e-p en d e, e-p o rta n to, d a id en tifica çã o e-p révia d o s p rin cip ais fen ôm en os a serem estu d ad os e su a exten são n o esp aço. No caso d os estu d o d e im -p a cto d e a gen tes a m b ien ta is so b re a sa ú d e, a u n id ad e d e an álise d eve ter exten são com p atí-vel com o fen ôm en o qu e se p reten d e en focar.

O espaço como cat egoria de análise de event os de saúde

A u tilização d a categoria esp aço n ão p od e, p or isso, lim ita r-se à m era lo ca liza çã o d e even to s d e saú d e. Isto p orqu e o lu gar atrib u i a cad a ele-m en to con stitu in te d o esp a ço u ele-m va lor p a rti-cu lar (San tos, 1988). Esta categoria ad qu ire va-lor im p ortan te n a an álise d e even tos d e saú d e a tra vés d o in ter-rela cio n a m en to d e seu s p ró-p rios sign ificad os.

Em p rim eiro lu gar, sen d o o esp aço resu lta-d o lta-d a ação lta-d a socielta-d alta-d e sob re a n atu reza, su a con figu ração in corp ora a estru tu ra social e su a d in âm ica. Deste m od o, u m a cid ad e ‘p rod u z’ o lu gar d os ricos, d os p ob res e d a in d ú stria, b em com o estab elece flu xos d e circu lação d e b en s e serviços. Um a cid ad e é n ecessariam en te h ete-rogên ea.

No Terceiro Mu n d o, esta d esigu a ld a d e a d -q u ire to n s d ra m á tico s co m a co in cid ên cia d e carên cia d e serviços p ú b licos, p ob reza, e b aixo n ível d e escolarid ad e em vastas regiões p erifé-ricas d as m etróp oles. Ao se avaliar o efeito d as con d ições d e san eam en to sob re a saú d e d e p o-p u lações o-p ob res, d eve-se ter em m en te qu e es-tas áreas estão su jeies-tas a u m a grave con ju n ção sim u ltâ n ea d e risco s, q u e in clu em m u ita s vezes a fa lta d e a cesso a serviço s d e sa ú d e e o u -tras d eficiên cias h ab itacion ais. Estu d os am eri-ca n os con tem p orâ n eos ( Wa lla ce, 1993) a n a li-sam situ ações an álogas d e d esestru tu ração d e

red es d e in teração social, d ifu são d e ep id em ias e crim in alid ad e em b olsões d e p ob reza d e m e-tróp oles com o Nova Iorqu e.

Em segu n d o lu gar, o esp aço p rod u zid o so-cialm en te exerce p ressões econ ôm icas e p olítcas sob re esta socied ad e, crian d o con d ições d i-feren ciad as p ara su a u tilização p or gru p os so-ciais. Lu gares su jeitos a exteriorizações n egati-va s – p ró xim o s a in d ú stria s p o lu en tes, co m b a ixa o ferta d e ser viço s u rb a n o s – ten d em a con cen trar m orad ores d e b aixa ren d a em b u s-ca d e em p regos ou los-cais d e m orad ia m ais b a-rata. As con d ições am b ien tais, n este caso, p o-d em atu ar com o u m fator o-d e segregação sócio-esp acial (Harvey, 1980).

A ju n çã o d os d ois p rim eiros com p on en tes d o esp a ço gera m u m m eca n ism o d e ca u sa çã o circu la r em q u e o esp a ço é, a o m esm o tem p o, p ro d u to e p ro d u to r d e d iferen cia çõ es so cia is, ten d o im p o rta n tes reflexo s so b re a sa ú d e d o s gru p os socia is en volvid os. Este p rocesso rela-cio n a va lo r e u so d o so lo d e m o d o a va lo riza r regiões com m elh ores con d ições am b ien tais e d esvalorizar áreas d egrad ad as.

Em terceiro lu ga r, o esp a ço “a cu m u la” a s tran sform ações ocorrid as n a socied ad e, refle-tin d o m ais seu p assad o d o qu e p rop riam en te o p resen te. Pessoas e em p resas p ossu em m ob ilid a ilid es esp a cia is lim ita ilid a s, o q u e n ecessa ria -m en te in trod u z a d i-m en são te-m p o n os estu d os d as relações en tre am b ien te e saú d e.

Em q u arto lu gar, o esp aço p ossu i valor em si, p rod u zin d o con d ições d iferen ciad as p ara a evo lu çã o d e u m a p o p u la çã o o u a tivid a d e h u -m an a. Gru p os p op u lacion ais d e características sócio-econ ôm icas sem elh an tes p od em p ossu ir p erfis ep id em iológicos d iversificad os p elo fa -t o d e se lo ca liza rem em lu ga res d iferen -tes. As fa vela s d o Rio d e Ja n eiro, Bo go tá e Ba n gko c p ossu em asp ectos h ab itacion ais e d em ográfi-co s sim ila res, esta n d o, n o en ta n to, su jeita s a risco s d iferen cia d o s d evid o à su a lo ca liza çã o. Este con ju n to d e favelas n ão con stitu i u m a região, ap esar d e su as sem elh an ças. Partes com -p on en tes d e u m a região -p ressu -p õem critérios geográficos com o a exten são e con tigü id ad e d a m esm a m a n eira q u e p erío d o s h istó rico s d e-vem se su ced er n o tem p o.

(5)

ora-ção esp acial d estes d ad os ( Wan g & Xie, 1994). O sistem a d e m o rta lid a d e p o ssu i d a d o s a gregad os p or m u n icíp io d e resid ên cia ou ocorrên -cia d o ób ito, exigin d o u m gran d e esforço p ara o en d ereçam en to d e in form ações em u n id ad es esp a cia is m en o res, co m o o seto r cen sitá rio (Cru z et a l., 1995). O m u n icíp io reú n e gra n d e p arte d as con d ições n ecessárias qu e viab ilizam seu u so com o u n id ad e esp acial d e an álise p or ser d otad o d e au ton om ia ad m in istrativa e ser-vir co m o referên cia d e d a d o s p r im á rio s em saú d e e am b ien te. Por ou tro lad o, p ou cos fen ô-m en os d e origeô-m aô-m b ien tal p od eô-m ser d etec-tad os n este n ível (Barcellos & Mach ad o, 1991).

Os tra b a lh o s q u e rela cio n a m a m b ien te e saú d e através d a an álise esp acial têm se d esen -volvid o em três p rin cip ais verten tes. Um a p rm eira p ro cu ra id en tifica r p a d rõ es d e rm o rb i-m o rta lid a d e ei-m to rn o d e fo n tes d e p o lu içã o con h ecid as. Um exem p lo d esta ab ord agem são o s leva n ta m en to s d e o co rrên cia d e leu cem ia p róxim os a u sin as n u cleares (Hills & Alexan d er, 1989). Neste ca so, p rocu ra -se certifica r a va li-d ali-d e li-d e h ip óteses li-d e in li-d u ção li-d e li-d oen ças atra-vés d e p ad rões d e d istrib u ição relacion ad os às fon tes d e risco p ré-estab elecid as.

Um a segu n d a estratégia tem sid o a id en tifi-cação d e p ad rões d e d istrib u ição d e d oen ças e seu rela cio n a m en to co m fa to res d e risco a m -b ien ta l, ta is co m o co n d içõ es d e sa n ea m en to, h a b ita çã o e p o lu içã o a tm o sfér ica . Pa ra esta ab ord agem con vergem os p rin cip ais m étod os esta tístico s d esen vo lvid o s p ela geo q u ím ica , u tiliza d o s p a ra d istin gu ir á rea s d e o co rrên cia d e even to s selecio n a d o s segu n d o cr itério s d e sim ilarid ad e (Atteia et al., 1994). Neste caso, o p ad rão d e d istrib u ição d a d oen ça é p reviam en -te d esco n h ecid o e b u sca -se su a id en tifica çã o estatística ou visu alm en te (Carvalh o, 1996). Na fase d e an álise d e d ad os ep id em iológicos, estes p od em ser reagregad os com b ase em critérios d e regio n a liza çã o esta b elecid o s a tra vés d e an álises sócio-d em ográficas e ad m in istrativas ( Jacob son , 1984). Segu n d o esta ab ord agem , fo-ram estab elecid as áreas d e m aior m ortalid ad e in fa n til e rela cio n a d o s o s p o ssíveis fa to res d e risco n a Região Metrop olitan a d o Rio d e Jan ei-ro (Du ch iad e, 1991), e estu d ad a a m ortalid ad e em áreas classificad as segu n d o características sócio-econ ôm icas n a Região Metrop olitan a d e São Pau lo (Step h en s et al., 1994).

Um a terceira lin h a d e tra b a lh o p ro cu ra id en tificar ten d ên cias esp aço-tem p orais a p ar-tir d e tra jetó ria s verifica d a s esp a cia lm en te. Co m isso, sã o id en tifica d a s vu ln era b ilid a d es ou b arreiras am b ien tais q u e p erm item a d ifu -sã o d e d oen ça s n o esp a ço. Um exem p lo d esta ab ord agem é o traçad o d as trajetórias d a d ifu çã o d e u m a ga m a d e va riá veis, co m o a exten

-são, localização, tem p o e características sócio-econ ôm icas, aos estu d os em saú d e.

Algu m a s d a s va riá veis cita d a s sã o visíveis ou m en su ráveis in d iretam en te. O geop rocessa-m en to p errocessa-m ite a u tiliza çã o d esta s va riá veis através d o p rocessam en to d e im agen s e d a m n ip u lação d e b an cos d e d ad os d e in teresse p a-ra a an álise d e saú d e. A d isp on ib ilid ad e d e téc-n icas d e p rocessam etéc-n to d e im agetéc-n s p erm ite a id en tifica çã o d e p a d rõ es d e u so d o so lo co m certa fa cilid a d e e p recisã o. Algu m a s va riá veis extraíd as d estas im agen s (d en sid ad e d e con s-tru ções, vegetação, h id rografia) p od em servir à an álise esp acial d e even tos d e saú d e p or estar rela cio n a d a a o u tra s d e in teresse m a is d ireto (form as d e h ab itação, d en sid ad e d em ográfica e qu alid ad e am b ien tal).

Indicadores de risco e sua localização

O esp a ço, visto em su a to ta lid a d e co m o u m co n ju n to d e elem en to s so cia is, eco n ô m ico s, cu ltu rais e am b ien tais in ter-relacion ad os, n ão p od e ser rep resen tad o através d e m ap as. Con -d icio n a -d o s p ela p ró p r ia en tra -d a -d e -d a -d o s, o s m a p a s a p resen ta m d id a tica m en te elem en to s visíveis d o esp aço, isto é, su a b ase física cod ifi-cad a através d e sin ais e con ven ções q u e facili-tam su a in terp retação. Os m ap as tem áticos p o-d em ain o-d a rep resen tar elem en tos n ão visíveis d o esp aço com o classificação d e solos, n ível d e ren d a, d en sid ad e d em ográfica, e ou tras variá-veis. O geo p ro cessa m en to p erm ite a rá p id a a p resen ta çã o d estes m a p a s, b em co m o a su -p er-p osição e in teração en tre estes, trab alh ad os co m o ca m a d a s (‘la yers’) co n ten d o d iferen tes in form ações. Para isso, d eve con tar com b ases d e d ad os qu e estejam relacion ad as às u n id ad es esp aciais, o q u e traz p rob lem as com u n s a ou -tros sistem as d e in form ação, com o a acessib ilid a ilid e, q u a liilid a ilid e e a tu a liza çã o ilid e ilid a ilid o s (Mo -raes, 1994).

(6)

-são d a ep id em ia d e AIDS (Sm allm an -Rayn or & Cliff, 1991; Ba sto s & Ba rcello s, 1995) e có lera (Toled o, 1993).

Tod as estas estratégias p ara ab ord agem d a relação en tre saú d e e am b ien te são, n o en tan -to, d esen volvid as a p artir d e h ip óteses p revia-m en te estab elecid as. No p rirevia-m eiro caso, a fon te ou agen te d e risco são con h ecid os e estu d am se su a s co n seq ü ên cia s so b re a sa ú d e. No se -gu n d o, o lu gar é con h ecid o e estu d a-se a rela-ção en tre variáveis am b ien tais, sócio-econ ôm i-cas e d e saú d e. No terceiro, o agravo e su a etio-lo gia sã o co n h ecid o s e estu d a -se su a rela çã o com fa tores a m b ien ta is. Em tod a s esta s a b or-d agen s, os critérios u tilizaor-d os p ara region aliza-ção são d eterm in an tes d os resu ltad os esp erad o s. No s p rim eiro s ca so s, a regiã o é p revia -m en te estab elecid a, isto é, u -m p ressu p osto d e tra b a lh o, e n o te rce iro e la é co n se q ü ê n cia d o p ró p rio p ro ce sso d e a n á lise d e d a d o s e p id e-m iológicos, isto é, seu resu ltad o.

O geop rocessa m en to a p resen ta va n ta gen s n ã o só n a d etecçã o, m a s n a a p resen ta çã o vi-su a l d e a gru p a m en to s (“clu sters”) (Ro th m a n , 1990). Neste caso, o geop rocessam en to rep re-sen ta u m a ferram en ta d e d ivu lgação d e resu l-tad os d e in vestigações facilm en te com p reen d i-d os p ela p op u lação (Brown et al., 1984).

Den tro d o a m p lo esp ectro d o q u e é d en o-m in a d o ‘o-m a p a d e risco’, en co n tra o-m -se o-m a p a s q u e têm co m o co n teú d o d esd e a p resen ça d e a gen tes a m b ien ta is d e risco a té su a s co n se q ü ên cias, p revistas ou m ed id as, sob re a p op u lação. Os p ossíveis d an os à saú d e h u m an a cau -sad os p or ativid ad es p olu id oras são p reced id os p or p rocessos d e u so d e su b stân cias qu ím icas, su a em issã o p a ra o a m b ien te, a exp o siçã o d e u m a p op u lação e a d ose a q u e será su b m etid a esta p o p u la çã o. As rela çõ es en tre exp o siçã o,

d ose e d an o têm sid o ob jeto d e estu d o d a toxi-cologia clássica, q u e se u tiliza p rin cip alm en te d e en sa io s d e la b o ra tó rio p a ra a a va lia çã o d a toxicid a d e d e d eterm in a d a su b stâ n cia q u ím i-ca. Estes en saios p rocu ram sim u lar con d ições d e exp osição d o h om em a agen tes d e risco. Os p assos p reced en tes d e u so, em issão p or fon tes d e con tam in ação e exp osição d e gru p os p op u -la cio n a is o co rrem n o a m b ien te, sen d o p a ssí-veis d e q u an tificação e localização n o esp aço. A a va lia çã o d o s p rin cip a is u so s e em issõ es d e u m a su b stân cia qu ím ica é realizad a através d o in ven tá rio d e fo n tes p o ten cia is d e p o lu içã o, viab ilizad o p or m eio d e d ad os secu n d ários so-b re p ro d u çã o ( WH O, 1982; Sto ckwell et a l., 1993; Barcellos & Lacerd a, 1994). Diferen tes es-tra té gia s sã o a d o ta d a s p a ra e stu d o s d e ca so s o n d e e xista m vá ria s fo n te s d e u m só a ge n te, vá rio s a ge n te s e m itid o s p o r u m a só fo n te e m ú ltip los agen tes em itid os p or fon tes d iversas d e con tam in ação (An d ersen & Gosk, 1989). Es-tas fon tes p od em ser p on tu ais, lin eares ou d i-fu sa s, exigin d o p a ra ca d a tip o u m tra ta m en to grá fico e esta tístico p a ra d isp o siçã o e a n á lise d e d ad os ep id em iológicos.

Através d a u n ião en tre os p rocessos d esen -cad ead ores d e riscos am b ien tais, p od e-se esta-b elecer u m a seq ü ên cia d e p assos m etod ológi-cos q u e p erm item a an álise glob alizad a d e ris-cos à saú de. Esta m etodologia foi recen tem en te u tilizada n a avaliação de riscos à saú de dos trabalh adores de u m a in dú stria qu e u tiliza m ercú -rio em seu p rocesso p rod u tivo (Melo & Barcel-los, 1993). Su a adap tação ao geop rocessam en to p ressu p õe qu e os dados n ecessários p ara a ava-liação sejam localizáveis esp acialm en te.

O esq u em a ( Ta b ela 1) é p ro p o sto p a ra a an álise d e risco em con d ições on d e p red om in a u m agen te d e risco.

Tab e la 1

5 Níve is d e risco e ind icad o re s d e e xp o sição a ag e nte s físico s e q uímico s.

Passo N ível de cont role O bjet ivo Cont eúdo do mapa

Uso Te cno ló g ico Id e ntificar fo nte s p o te nciais Ativid ad e s p o te ncialme nte p o luid o ras d e p o luição Fo nte s p o ntuais e d ifusas

Emissão O p e racio nal Avaliar e missão d e p o lue nte s p ara De scarg a d e p o lue nte s p ara o so lo ,

o amb ie nte ág ua e atmo sfe ra

Exp o sição Amb ie ntal Id e ntificar lo cais d e maio r co nce ntração Co nce ntração d e p o lue nte s no so lo , d e p o lue nte s e p ro ce sso s amb ie ntais se d ime nto o u atmo sfe ra

Do se Bio ló g ico Estab e le ce r p o p ulaçõ e s d e risco Ind icad o r p re co ce d e d ano s e p rincip ais vias d e e xp o sição inco rp o ração d e p o lue nte s

(7)

Esta an álise será tão m ais facilitad a qu an to m aior a esp ecificid ad e d os in d icad ores d e cad a n ível de con trole. O solo e o sedim en to têm sid o u tilizad os com o in d icad ores d e con tam in ação a m b ien ta l p o r su a fa cilid a d e d e a m o stra gem , a in te gra çã o d e lo n go s p e río d o s d e co n ta m in ação. A u riin a ou sain gu e são trad icioin alm ein -te tom ados p ara a avaliação da exp osição de tra-b a lh a d o res a a gen tes q u ím ico s. No ca so d o s m etais p esad os ou m icrop olu en tes orgân icos, o u so d a su a co n cen tra çã o em co m p a rtim en -tos b ióticos e ab ióticos p erm ite u m a in terliga-ção en tre n íveis de con trole, garan tin do a esp e-cificid a d e d o s in d ica d o res (Bo d y et a l., 1988). Um cu id a d o a d icio n a l d eve ser to m a d o n este caso p ara red u zir efeitos d e variação n atu ral d e n íveis d e b a se d e m eta is p resen tes em to d o s estes com p artim en tos (God in et al., 1985).

En tre o u so d e u m a su b stân cia q u ím ica e o d an o à saú d e d e u m a p op u lação existe u m a d e-fasagem q u e p od e variar d e d ias a an os. Desta m an eira a associação en tre os in d icad ores fre-q ü en tem en te n ão é verificad a. Com o o tem p o d e la tên cia d e d o en ça s rela cio n a d a s a risco s am b ien tais p od e alcan çar algu n s an os, a d efa-sagem tem p oral en tre m ap as tem áticos d e ca-d a n ível ca-d e con trole ca-d e risco p oca-d e p reju ca-d icar a su p erp o siçã o d estes d a d o s, q u e rep resen ta m d iferen tes p eríod os n o tem p o. Além d isso, o lo-cal d e resid ên cia p od e n ão rep resen tar o lolo-cal d e exp osição, isto é, as con d ições n as q u ais se verifica ra m co n d içõ es a d versa s gera d o ra s d a d oen ça. Este p rob lem a é m in im izad o p ara fai-xa s etá ria s co rresp o n d en tes a cria n ça s e re-cém -n ascid os, q u e são m ais su scetíveis, foram su b m etid o s a exp o siçõ es recen tes e p o ssu em u m a m ob ilid ad e m en or ou d elim itável p or in -form ações fam iliares e escolares ( WHO, 1983; Bod y et al., 1988).

Da m esm a m an eira, n a d im en são esp acial, os fen ôm en os d escritos p ossu em d iferen tes ex-ten sões n o esp aço. O raio d e in flu ên cia d e u m a ativid ad e p olu id ora é restrito segu n d o característica s d e fo rm a q u ím ica d a em issã o d e p o -lu en tes e con d ições locais d e tran sp orte d estes p olu en tes. A escolh a d a esca la d e a n á lise e d o n ível d e agregação d e d ad os d eve ser com p atí-vel com a exten são p revista d o risco associad o a u m a a tivid a d e p olu id ora ou a gen te q u ím ico ou físico. A u n ião en tre m od elos m atem áticos d e d isp ersã o e cicla gem d e p o lu en tes co m o geop rocessam en to p od e con trib u ir p ara a an á-lise d e cen á rio s e a a va lia çã o d a exten sã o d e efeitos d e con tam in ação am b ien tal. Para isso, é n ecessá rio d isp o r d e gra n d e n ú m ero d e va -riáveis esp acializad as, com o regim e d e ven tos e p recip itação, regim e h id rológico e estru tu ra d o m eio b iótico.

O esta b elecim en to d e p o p u la çõ es p o ten -cialm en te exp ostas tem sid o u m d os ob jetos d e estu d o d e a n á lises d e r isco. A co n ta m in a çã o n ã o a tin ge a tod os d e form a in d iferen cia d a . A p o p u la çã o crítica (Pen n a Fra n ca et a l., 1984) d ep en d erá d os h áb itos cu ltu rais e alim en tares, d a s co n d içõ es d e m o ra d ia e d a d in â m ica d o s p olu en tes n o am b ien te. Se em con d ições ocu -p a cio n a is a a tm o sfera é o ca m in h o crítico d e exp o siçã o d e tra b a lh a d o res, n a co n d içã o d e h ab itação o alim en to (in clu in d o a águ a) p od e se tra n sfo rm a r em fa to r crítico d e exp o siçã o (Bo d y et a l., 1988). Neste ca so, a s p rin cip a is vias d e exp osição d ep en d erão d a ciclagem d os p olu en tes n o a m b ien te (solo, á gu a e a tm osfe-ra ), in clu in d o a p o ssível b io m a gn ifica çã o d o s p olu en tes através d a cad eia trófica. No fam oso caso d e Min am ata, o gru p o p op u lacion al crítico, q u e m a is sofreu a s con seq ü ên cia s d a con -ta m in a çã o p o r m ercú rio, resid ia em to rn o d a b a ía , o n d e o m eta l fo i a cu m u la d o e so freu tra n sfo rm a çõ es q u ím ica s q u e lh e co n ferira m m aior toxicid ad e.

A d istân cia d a p op u lação a fon tes d e p olu i-ção é u m fator con trolad or d os riscos associa-d o s à exp o siçã o, m a s n ã o o ú n ico. O tra b a lh o d e Silva n y Neto (1982) n a Ba h ia m ostrou u m a fo rte co rrela çã o en tre d istâ n cia d a fo n te d e em issã o d e m eta is p esa d o s e in d ica d o res d e d o se n a p o p u la çã o vizin h a . Po r o u tro la d o, a fa ixa etá ria , o cu p a çã o e co n d içõ es d e h a b ita -ção con d icion am d e form a seletiva gru p os p o-p u la cio n a is su b m etid o s a m a io r risco. Ou tra s variáveis cu ltu rais e sócio-econ ôm icas p od em in flu ir n o risco fin al. Fatores relevan tes p od em ser leva n ta d o s p o r gru p o s p o p u la cio n a is h o -m o gên eo s, in clu in d o co n d içõ es d e -m o ra d ia , ocu p ação, id ad e, d en sid ad e d em ográfica, u tili-zan d o-se com o u n id ad e m ín im a o setor cen si-tário.

Considerações finais

(8)

reto-m a d a , p o r p a rte d a ep id ereto-m io lo gia , d a a n á lise d e situ ações con cretas d as p op u lações em in teração, su b m etid as a riscos d e n atu reza d ifu -sa , e, p o r vezes, su p erp o sta (Ba rreto et a l., 1993). Além d isso, p erm ite o p lan ejam en to d e ações d e con trole, alocação d e recu rsos e a p re-p aração d e ações d e em ergên cia.

Devid o ao con ju n to d e elem en tos in ter-re-lacion ad os p resen tes n o esp aço, torn a-se d ifí-cil o estab elecim en to d e relações d e cau salid a-d e en tre con a-d ições am b ien tais e saú a-d e. O geo-p ro ce ssa m e n to d e in fo rm a çõ e s a m b ie n ta is e d e saú d e p erm ite, an tes d e m ais n ad a, a id en ti-ficação d e variáveis qu e revelem a estru tu ra social, econ ôm ica e am b ien tal, on d e riscos à saú -d e estão p resen tes. Com o su gere San tos (1978), “a b u sca d as cau sas, relacion an d o ap en as

fato-Referências

ANDERSEN, L. J. & GOSK, E., 1989. Ap p lica b ility o f vu ln era b ility m a p s. En v iron m en t a l Geology a n d Water Scien ce, 13:39-43.

ANTO, J. M., 1989. Com m u n ity ou tb rea ks of a sth m a a sso cia ted with in h a la tio n o f soyb ea n d u st. Th e New En glan d Jou rn al of Med icin e, 320:1097-1102. ATTEIA, O.; DUBOIS, J. P.; WEBSTER, R., 1994. Geo -sta tistica l a n a lysis o f so il co n ta m in a tio n in th e Swiss Ju ra. En viron m en tal Pollu tion, 86:315-327. BARCELLOS, C. & MACHADO, J. H., 1991. Seleção d e

in d icad ores ep id em iológicos p ara o san eam en to. Bio, ou t/ d ez:37-41.

BARCELLOS, C. & LACERDA, L. D., 1994. Ca d m iu m a n d zin c so u rce a ssessm en t in th e Sep etib a Ba y an d b asin region . En viron m en tal Mon itorin g an d Assessm en t, 29:183-199.

BARRETO, M. L.; CARMO, E. H .; NORONH A, C. V., 1993. Mu d an ça d os p ad rões d e m orb i-m ortalid a-d e: u m a revisão crítica a-d as ab ora-d agen s ep ia-d em i-ológicas. Ph ysis, 31:127-146.

BASTOS, F. I. & BARCELLOS, C., 1995. A geografia so-cial d a AIDS n o Brasil. Rev ist a d e Sa ú d e Pú blica, 29:52-62.

BODY, P. E.; INGLIS, G. R. & MULCAH Y, D. E., 1988. Lead con tam in ation in Port Pirie, Sou th Au stralia – A review of en viron m en tal lead w h ich cou ld give rise t o a n in crea se in ch ild ren s b lood lea d lev els. Port Pirie: Dep artm en t of En viron m en t an d Plan -n i-n g of Sou th Au stralia.

BROWN, I. F.; SILVA JUNIOR, A. G.; GOMES, H . M., 1984. Ge o lo gia a m b ie n ta l e m u m p ro gra m a d e saú d e com u n itária. Exem p lo d o b airrro d e An aia – Sã o Go n ça lo, RJ. An a is d o XXXIII Con gresso Brasileiro d e Geologia. Rio d e Jan eiro, p. 295-301. CARVALH O, M. S.; CRUZ, O. G.; NOBRE, F. F., 1996.

Sp a tia l p a rtitio n in g u sin g m u ltiva ria te clu ste r a n a lysis a n d a con tigu ity a lgorith m . St a t ist ics in Med icin e, 15 (in p ress).

CRUZ, O. G.; BARCELLOS, C; CARVALHO, M. S.; MA-CH ADO, J. H .; NAJAR, A.; PINA, M. F.; VASCON-CELLOS, M. M. & VIACAVA, F., 1995. Ad d ressin g system in Rio d e Ja n eiro m etro p o lita n regio n . CDC an d ATSDR Sym p osiu m on Statistical M eth -od s.Atlan ta, p. 87, jan .

DOLLFUS, O., 1975. O Esp aço Geográfico. São Pau lo: Difel

DUCH IADE, M. P., 1991. M ort a lid a d e In fa n t il p or Pn eu m on ia n a Regiã o M et rop olit a n a d o Rio d e Jan eiro, 1976-1986. Dissertação d e Mestrad o, Rio d e Ja n e iro : Esco la Na cio n a l d e Sa ú d e Pú b lica , Fu n d ação Oswald o Cru z.

GODIN, P. M.; FEINBERG, M. H . & DUCAUZE, C. J., 1985. Mo d e llin g o f so il co n ta m in a tio n by a ir-b o rn e le a d a n d ca d m iu m a ro u n d se ve ra l e m is-sion sou rces. En viron m en tal Pollu tion(Series B), 10:97-114.

Agradeciment os

Os a u to res a gra d ecem a co la b o ra çã o d o s p esq u isa -d ores Marília Sá Carvalh o e Marco Au rélio Bassoli n a revisão e su gestões sob re este texto.

res visíveis, d eve ser p reterid a em favor d o es-tab elecim en to d o con texto” n o qu al u m even to d e saú d e ocorre, o q u e certam en te n ão é p ou -co. Com isso, a categoria esp aço con trib u i p ara o en ten d im en to d os p rocessos en volvid os em d eterm in a d o fen ô m en o a m b ien ta l q u e se d e -seja estu d ar. Lon ge d e p reten d er ser a ‘ciên cia d a totalid ad e’, a geografia “serve p ara d esven -d ar m áscaras sociais”, com o su geri-d o p or Ru y Moreira. O geop rocessam en to é, n este qu ad ro, u m p od eroso in stru m en to a serviço d a p esqu i-sa em i-saú d e.

(9)

GOULD, P., 1993. T h e Slow Pla gu e – A Geogra p h y of th e AIDS Ep id em ic. Oxford : Blackwell.

H ARVEY, D., 1980. A Ju st iça Socia l e a Cid a d e. Sã o Pau lo: Hu citec.

HILLS, M. & ALEXANDER, F., 1989. Sta tistica l m eth -o d s u se d in a sse ssin g th e risk -o f d ise a se n e a r a sou rce of p ossib le en viron m en tal p ollu tion : a re-view. Jou rn al of th e Royal Statistical Society Asso-ciation, 152:353-363.

HUTT, M. S. R. & BURKITT, D. P., 1986. Th e Geograp h y of N on - In fect iou s Disea ses. Oxfo rd : Oxfo rd Un i-versity Press.

JACOBSON, B. S., 1984. Th e role of air p ollu tion an d o th er fa cto rs in lo ca l va ria tio n s in gen era l m o r-ta lity a n d ca n cer m o rr-ta lity. Arch iv es of En v iron -m en tal Health, 39:306-313.

LACAZ, C. S.; BARUZZI, R. G. & SIQUEIRA JUNIOR, W., 1972. In t rod u çã o à Geogra fia M éd ica d o Brasil. São Pau lo: Ed gard Bü ch er.

LACOSTE, Y., 1988. A Geogra fia Serv e, a n t es d e M a is Nad a, p ara Fazer a Gu erra. Cam p in as: Pap iru s. MARSH ALL, R. J., 1991. A review o f m eth o d s fo r th e

statistical an alysis of sp atial p attern s of d iseases. Jou rn a l of t h e Roya l St a t ist ica l Societ y, 154:421-441.

MELO, A. I. S. C. & BARCELLOS, C., 1993. Mercu ry risk a sse ssm e n t a n d p e rce p tio n in a ch lo ro -a lka li p lan t. In : Heav y M et als in t h e En v iron m en t Con -feren ce(CEP Co n su lta n ts, o rg.), vo l. 2, p p. 396-399, Toron to: Ed . CEP, Ed in b u rgh .

MORAES, I. H . S., 1994. In form a çã o em Sa ú d e: Da Prát ica Fragm en t ad a ao Ex ercício d a Cid ad an ia. São Pau lo: Hu citec-Ab rasco.

PENNA FRANCA, E.; PFEIFFER, W. C.; FISZMAN, M. & LACERDA, L. D., 1984. Ap licab ilid ad e d a an álise p elos p arâm etros críticos, u su alm en te em p rega-d a p ara in stalações n u cleares n o con trole rega-d a p o-lu ição d o am b ien te m arin h o p or m etais p esad os. Ciên cia e Cu ltu ra,36:215-219.

PIQUET, R.; RANDOLPH, R.; SMOLKA, M. & VETTER, D., 1986. An álise d as Articu lações Sócio-Econ ôm i-ca s Region a is: Su gest ões M et od ológii-ca s. Rio d e Jan eiro: Program a d e Pós-Grad u ação em Plan eja-m en to Urb an o e Region al, Un iversid ad e Fed eral d o Rio d e Jan eiro.

RODRIGUES, M., 1990. In tro d u çã o a o geo p ro cessa -m e n to. In : Sim p ósio Bra sileiro d e Geop rocessa -m en to. São Pau lo: Sagres Ed itora.

ROTHMAN, K. J., 1990. A soberin g start for th e clu ster bu sters’con feren ce. Am erican Jou rn al of Ep id em i-ology, 132:s6-s13.

SANTOS, M., 1978. Por u m a Geogra fia N ov a. Sã o Pau lo: Hu citec.

SANTOS, M., 1988. Esp aço e Método. São Paulo: Nobel. SCHWARTZ, J. & MARCUS, A., 1990. Mortality an d air p ollu tion in Lon d on : a tim e series an alysis. Am er-ican Jou rn al of Ep id em iology, 131:185-193. SILVANY NETO, 1982. Urban iz ação e Polu ição In d u

s-t ria l: Des-t erm in a çã o Socia l d a In s-t ox ica çã o p elo Ch u m b o em Cria n ça s d e Sa n t o Am a ro – Ba h ia. Dissertação d e Mestrad o, Salvad or: Un iversid ad e Fed eral d a Bah ia.

SMALLMAN-RAYNOR, M. & CLIFF, A., 1991. Th e sp read of h u m an im m u n od eficien cy viru s typ e-2 in to Eu rop e: a geograp h ical an alysis. In tern ation -al Jou rn -al of Ep id em iology, 20:480-489.

STEPHENS, C.; TIMAES, I.; AKERMAN, M.; AVLE, S.; MAIA, P. B.; CAMPANARIO, P.; DOE, B.; LUSH, L.; TETTEH, D. & HARPHAM, T., 1994. Collaborative St u d y in Accra , Gh a n a a n d Sã o Pa u lo, Bra z il – An alysis of Urban Data of Fou r Dem ograp h ic an d Hea lt h Su rv eys. Lo n d re s: Lo n d o n Sch o o l o f Hy-gien e & Trop ical Med icin e.

STOCKWELL, J. R.; SORENSEN, J. W.; ECKERT, J. W. & CARRERAS, E. M., 1993. Th e U.S. EPA geograp h ica l in fo rm a tio n syste m fo r m a p p in g e n viro n m en ta l relea ses of toxic ch em ica l relea se in ven -tory (TRI) ch em icals. Risk An alysis, 33:155-164. TOLEDO, L. M., 1993. O có le ra n a s Am é rica s e su a

p ro d u çã o n o Bra sil. In form e Ep id em iológico d o SUS, 1:7-38.

WALLACE, R., 1993. So cia l d e sin te gra tio n a n d th e sp re a d o f AIDS. Socia l Scien ce & M ed icin e, 38:887-896.

WANG, J. & XIE, Y., 1994. Ap p lication of geograp h ical in form ation system s to oxic ch em ical m ap p in g in Lake Erie. En viron m en tal Tech n ology, 15:701-714. WH O ( Wo rld Hea lth Orga n iza tio n ), 1982. Ra p id Assessm en t of Sou rces of Air, Water an d Lan d Pollu -tion. Gen eva: World Health Organ ization . WHO (World Health Organ ization ), 1983. Gu id elin es

Referências

Documentos relacionados

Este estudo adota o conceito de Gupta e Palsule-Desai (2011), aos quais definem GrSCM como o conjunto de práticas de gestão que incluem as ações

Parametric analysis is carried out, on three Nepalese pagoda temples to understand the fragility of structural components and propensity to damage that effect on fundamental

athering World Bank data on these two groups, more distinctions could be made: a negative relation between higher levels of corruption and stock markets returns are also those

In tern ation al Eth ics Gu id elin es for Biom ed ical Research In volvin g Hu m an Su bjects. A Th eory of

Lon g- term d evelop m en tal ou tcom e of in fan ts with iron d eficien cy.. Gen eva: World Health

Patien ts views on qu ality care in gen - eral p ractice: Literatu re review.. Gu adalajara: Un iversidad de Gu a-

Den gu e ep id em ic in th e State of Rio d e Jan eiro, Brazil: Virological an d ep id em i- ological asp ects.. Den gu e typ e 2 ou tbreak in th e sou th of th e state of Bah

Data are scarce on sed en tary b eh avior in all cou n tries... Gen eva: World Health