Geoprocessament o, ambient e e saúde:
uma união possível?
Are g e o p ro ce ssing , e nviro nme nt, and
he alth a p o ssib le co mb inatio n?
1 Dep artam en to d e In form a ções p a ra a Sa ú d e, Cen t ro d e In form a çã o em Ciên cia e Tecn ologia , Fu n d a çã o Osw a ld o Cru z . Av en id a Bra sil 4365, Rio d e Ja n eiro, RJ 21045- 900, Bra sil.
Ch rist ov a m Ba rcellos 1 Fra n cisco In á cio Ba st os 1
Abst ract Ab st ra ct T h e u se o f geo p ro cessi n g t ech n i q u es a llow s o n e t o ga t h er so ci o eco n o m i c, h ea lt h , a n d en v iron m en t a l d a t a on a sp a t ia l b a sis. How ev er, in t erp ret a t ion of a ssocia t ion s b e-t w een ep id em iologica l a n d en v iron m en e-t a l v a ria b les req u ires e-t h e geop rocessin g syse-t em d esign . T h e st u d y sca le a n d ob ject ch oices p reced e con cep t ion of t h e syst em , con d it ion in g t h e p ossib le st a t ist ica l a n d v isu a l resu lt s. Th is sca le m u st be com p a t ible w it h t h e p h en om en on on w h ich on e in t en d s t o focu s, aim in g at in t ern al h om ogen eit y an d ex t ern al h et erogen eit y of sp at ial u n it s. Th e in t erd ep en d en cy of sp a t ia l p rocesses, reflect ed in t h e sp a t ia l con figu ra t ion of socia l, en v iron -m en t a l, a n d ep id e-m iologica l d a t a d ist ribu t ion , a ffect s in t erp ret a t ion of ca u ses for si-m u lt a n eou s p ro cesses. Geo p ro cessi n g a llow s f o r k n ow led ge o f t h e co n t ex t o r si t u a t i o n a l su rro u n d i n gs i n w h ich t h e d am age t o h ealt h t ak es p lace.
Key words Geo p ro cessi n g; En v i ro n m en t a l An a lysi s; En v i ro n m en t a l H ea lt h ; Ep i d em i o lo gy; Pu b lic Hea lt h
Resumo O u so d o geop rocessa m en t o t em p erm it id o a reu n iã o d e b a n cos d e d a d os sócio- econ ô-m icos, d e sa ú d e e a ô-m b ien t a is eô-m b a ses esp a cia is. A in t erp ret a çã o d os resu lt a d os d e a ssocia ções en t re v a ri á v ei s ep i d em i ológi ca s e a m b i en t a i s d ep en d e, n o en t a n t o, d o d esen h o d o si st em a d e geop rocessa m en t o. A escolh a d a esca la e ob jet o d e a n á lise p reced e a con cep çã o d o sist em a , con -d icion a n -d o os p ossív eis resu lt a -d os est a t íst icos e v isu a is. Est a esca la -d ev e ser com p a t ív el com o fen ôm en o q u e se p ret en d e en foca r, b u sca n d o- se u m a h om ogen eid a d e in t ern a e h et erogen eid a d e ex t ern a d as u n id ad es d e an álise escolh id as. A in t erd ep en d ên cia d e p rocessos esp aciais, qu e se re-flet em n a su a con figu ra çã o socia l, a m b ien t a l e ep id em iológica , p od e, se n ã o a d ot a d a m et od ologi a corret a , i m p ed i r o est a b eleci m en t o d e ca u sa s p a ra p rocessos si m u lt â n eos. O geop rocessa -m en t o p er-m it e, p or ou t ro lad o, o en t en d m en t o d o con t ex t o e-m qu e se v erifica-m fat ores d et er-m i-n a i-n t es d e a gra v os à sa ú d e.
“Essa cid ad e qu e n ão se elim in a d a cabeça é co-m o u co-m a arco-m ad u ra ou u co-m retícu lo eco-m cu jos es-p aços cad a u m es-p od e colocar as coisas qu e d ese-ja record ar: n om es d e h om en s ilu stres, virtu d es, n ú m eros, classificações vegetais e m in erais, d a-t as d e baa-t alh as, con sa-t elações, p a ra-t es d o d iscu r-so.”– Italo Calvin o em “As cid ad es in visíveis”
Int rodução
A relação en tre exp osição am b ien tal a agen tes d e risco e con d ições d e saú d e tem sid o estu d a-d a p rin cip a lm en te n a a-d im en sã o tem p o ra l. As associações en tre qu alid ad e d o ar e m ortalid a-d e p o r a-d o en ça s p u lm o n a res (An to, 1989; Sch wartz & Marcu s, 1990) são exem p los d e es-tu d o s va lio so s n o ca m p o d a sa ú d e a m b ien ta l q u e p rocu ram avaliar o im p acto d e con d ições a m b ien ta is a d versa s so b re a sa ú d e em cu r to s p eríod os d e tem p o. Se estas relações são ob ser-va d a s n o tem p o, n ã o sã o d a m esm a m a n eira eviden tes n a dim en são esp acial. Isto p orqu e n o esp a ço en con tra m -se su p erp osta s ou tra s in s-tâ n cia s d a so cied a d e, co m o a eco n ô m ica e a cu ltu ra lid eo ló gica , a lém d e fa to res p ro p ria -m en te a-m b ien tais (San tos, 1988), qu e se -m an i-festam em variáveis sócio-econ ôm icas q u an tificáveis qu e p od em atu ar com o fatores d e con -fu sã o (‘con fou n d in gs’) em estu d os ecológicos (Jacob son , 1984).
A in d istin ção en tre variáveis d e saú d e, seu s d eterm in an tes e seu s con torn os sócio-econ ô-m icos fez coô-m q u e d iversos p recon ceitos étn icos, cu ltu ra is e a m b ien ta is fossem in corp ora -d o s à ch a m a -d a ‘geo gra fia m é-d ica’. Os p rim eiros trab alh os d esta d iscip lin a p rocu raram vin -cu la r á rea s en d êm ica s d e d o en ça s a d eterm i-n ad as características cu ltu rais, raciais e clim á-tica s d e a m b ien tes e gru p os p op u la cion a is d e m an eira d eterm in ista (Lacaz et al., 1972). Estas correlações foram estab elecid as d e form a m ar-ca d a m en te in clu siva (a s “d o en ça s tro p iar-ca is”) o u d isju n tiva (a id éia d o s co rd õ es sa n itá rio s; Go u ld , 1993). Algu n s d estes eq u ívo co s m eto -d ológicos n ão p o-d em ser im p u ta-d os à carên cia d e in fo rm a çõ es e d e in stru m en to s d e a n á lise n o p a ssa d o. O geo p ro cessa m en to, en ten d id o com o “u m con ju n to d e técn icas d e coleta, exi-b içã o e tra ta m en to d e in fo rm a çõ es esp a cia li-za d a s” (Ro d rigu es, 1990), p erm ite a a n á lise con ju n ta d e u m a gam a d e variáveis sócioam b ien tais, m as p od e, d a m esm a m an eira, in d u -zir a estes equ ívocos.
A region alização é freq ü en tem en te u tiliza-d a em estu tiliza-d os ep itiliza-d em iológicos com o u m a vriável d e an álise ju n to a ou tras, com o sexo, id a-d e e classe social. Este tip o a-d e an álise tem
ser-vid o a estu d os exp loratórios m as n ão p erm ite p or si só a in corp ora çã o d o esp a ço e seu s ele-m en to s n o â ele-m b ito d a p esq u isa eele-m sa ú d e. As d iferen ça s d e in cid ên cia s d e câ n cer en tre d i-versos p aíses têm p erm itid o o estab elecim en to d e h ip ó teses etio ló gica s d a d o en ça (Hu tt & Bu rkitt, 1986). Se é verd ad e qu e a in cid ên cia d e câ n cer d e estô m a go n o Ja p ã o é sign ifica tiva -m en te -m a is a lta q u e a -m éd ia -m u n d ia l, -m o ra r n este p aís n ão p od e ser con sid erad o ap rioristi-cam en te com o fator d e risco. An tes d isso, esta d iferen cia çã o su gere a existên cia d e p a d rõ es gen éticos, cu ltu rais ou am b ien tais q u e p od em con trib u ir p ara a d eterm in ação d e risco àqu ela p o p u la çã o. Isto p o rq u e a d iferen cia çã o esp a -cia l su b en ten d e d iverso s o u tro s d iferen -cia is, tais com o cu ltu ra, ed u cação, ren d a, caracterís-ticas gen écaracterís-ticas e h ab itacion ais.
Na ten tativa d e estab elecer p esos p ara fato-res gen éticos e am b ien tais, estu d os ep id em io-ló gico s têm co n cen tra d o esfo rço s so b re m i-gra n tes, q u e d everia m m a n ter seu p er fil d e m orb im ortalid ad e n o p aís d e d estin o se o fa -tor gen ético fosse p red om in an te. Vários trab a-lh os, n o en tan to, têm m ostrad o qu e as taxas d e m ortalid ad e d e m igran tes ten d em a se ap roxi-m a r d a q u ela s o b ser va d a s n o p a ís d e d estin o (WHO, 1983), o qu e d em on stra a p ressão d o fa-tor am b ien tal sob re os p ad rões d e m orb i-m or-talid ad e.
Se a categoria esp aço é d ep ositária d e u m a série d e variáveis in ter-relacion ad as, com o iso-lar os fatores am b ien tais d os d em ais n as an áli-ses ep id em iológicas? Se este esp aço é resu ltad o ltad a ‘acu m u lação ltad esigu al ltad os tem p os’ (San -tos, 1988), com o en ten d er a relação en tre estas va riá veis a tra vés d e co rtes tra n sversa is? Este trab alh o levan ta algu m as qu estões p ertin en tes à u tilização d o geop rocessam en to n as an álises d e am b ien te e saú d e. Lon ge d e ten tar esgotar o a ssu n to, o tra b a lh o p ro cu ra in co rp o ra r a esta a n á lise a lgu n s co n ceito s d esen vo lvid o s n a Geografia e p rop õe u m con ju n to d e técn icas d e m ap eam en to, b u scan d o a an álise in tegrad a d e riscos à saú d e d ecorren tes d e agen tes am b ien -tais.
Escala e objet o de análise
d e d iferen ciação p op u lacion al. A variável ren -d a p ossu i fortes -d iferen ciais em to-d as as esca-la s p o ssíveis d e a n á lise. Ser ve p a ra d istin gu ir con ju n tos d e p aíses, d a m esm a form a qu e con -ju n to s d e b a irro s. A rigo r, n ã o existe o q u e se co stu m a d en o m in a r ‘regiõ es h o m o gên ea s’, u m a vez qu e o esp aço é in fin itam en te d ivisível e d iferen ciad o in tern am en te. O esp aço geográfico é d efin id o p or Ha rvey (1980) com o “com -p lexo, n ã o h o m o gên eo, ta lvez d esco n tín u o e qu ase certam en te d iferen te d o esp aço físico”. A d elim itação d o ob jeto, ob jetivos e h ip óteses d e estu d o é qu e im p õem u m a h om ogen eização d a u n id a d e d e a n á lise, n o in terio r d a q u a l n ã o é p ossível ob servar d iferen ças esp aciais. Ap esar d o geop rocessam en to p erm itir a con stru ção e o p era çã o d e b a ses ca rto grá fica s em d iversa s escalas, a estru tu ra e in ter-relacion am en to d os b an cos d e d ad os fixa u m m od elo d e agregação d e d ad os p or u n id ad e esp acial.
Ao se d efin ir o o b jeto d e estu d o, elege-se u m a escala d e an álise q u e d eve ser com p atível com o fen ôm en o sob re o q u al se d eseja trab a-lh ar. A h om ogen eid ad e in tern a d a u n id ad e es-p a cia l d ees-p en d e b a sica m en te d o s cr itério s – e variáveis – u tilizad os n a con cep ção d o sistem a. Um a im p ortan te m u d an ça d e p on to d e vista se d á en tre ativid ad es d e p lan ejam en to e an álise, q u e se u tiliza m d o esp a ço co m o ca tego r ia d e tra b a lh o (Piq u et et a l., 1986). Pa ra os p la n ejad ores, as ejad iferen ciações in traregion ais são su -p erad as face à relação in ter-region al qu e d ese-jam en focar. Ten d o com o território d e atu ação o s lim ites a d m in istra tivo s d o esta d o (su a ‘re-giã o d e p la n eja m en to’), o secretá rio d e sa ú d e d ecid e a localização d e u m cen tro d e saú d e em u m o u o u tro m u n icíp io, b a sea d o em critério s ep id em io ló gico s, p o lítico s e a d m in istra tivo s, q u e d iferen cia m m u n icíp io s en tre si. Po r su a vez, os gestores d e cen tros d e saú d e d ificilm en -te d istin gu em co n d içõ es d iferen cia d a s in - ter-n am eter-n te a su as ‘áreas-p rogram a’. Su a escala d e an álise é o território in tra-region al e p ressu p õe h om ogen eid ad e. Deste m od o, a con cep ção d a região com o área h om ogên ea “b aseia-se n a d e-lim itação d e u m território a p artir d a u n iform i-d a i-d e i-d e certa s ca ra cterística s”, o n i-d e o s crité-rios e ob jetivos d e trab alh o in d icarão as variá-veis a serem u tilizad as p ara region alização (Pi-qu et et al., 1986). Na fase d e an álise e avaliação, as u n id ad es esp aciais são d efin id as b u scan d o os m aiores d iferen ciais in ter-region ais, d e m o-d o a estab elecer as relações en tre as u n io-d ao-d es d e a n á lise escolh id a s, e a d ota n d o com o terri-tó rio p a ra a n á lise a s “regiõ es p o la riza d a s”. A p reocu p ação com estas relações ressalta as d i-feren ciações in ter-region ais e p ressu p õe h ete-rogen eid ad e en tre u n id ad es.
No caso d o geop rocessam en to, a escolh a d a escala d e trab alh o se d elin eia com o estab ele-cim e n t o a p riorid a s u n id a d e s d e a gre ga çã o
d e d ad os e d a exten são d o território d e trab alh o. Po r exem p lo, a o se tra b a alh a r co m o s m u -n icíp ios d o Brasil (-n u m a escala d e 1:1.000.000) a s cid a d es p o d em ser rep resen ta d a s p o r p o n -to s. Neste ca so, a s d iferen cia çõ es in tern a s à s cid ad es d esap arecem e op ta-se p or an alisar as rela çõ es en tre cid a d es. Esta esco lh a terá co n -se q ü ên cia s im p o rta n tes so b re o s p ro cesso s q u e se p reten d e estu d ar esp acialm en te. Nesta esca la p o d e-se tra ça r, p o r exem p lo, o s ca m n h o s d o có lera n o Bra sil, su a in tro d u çã o e d i-fu sã o em regiõ es d o p a ís. Nu m a esca la lo ca l (1:10.000) a in cid ên cia d e có lera p o d e revela r va riá veis liga d a s a o a m b ien te e h a b ita çã o. O fam oso m ap a d e Sn ow p erm itiu a id en tificação d e p op u la ções d e risco e forn eceu p ista s p a ra d esven d ar o m od o d e tran sm issão d a d oen ça. Com o se tran sm ite o cólera, em q u ais resid ên -cias as p essoas têm m aior risco d e con trair có-lera , em q u a is regiõ es o có có-lera se d esen vo lve co m m a io res ta xa s? Sã o p ergu n ta s d iferen tes qu e terão resp ostas d iferen tes d evid o às u n id a-d es a-d e a n á lise esco lh ia-d a s. A p rim eira q u estã o n ão p od e ser resolvid a p elo geop rocessam en -to, en qu an to as d em ais en con tram n ele u m p o-d eroso in stru m en to o-d e an álise.
-to d e veícu los e rod ovias em regiões in d u striais d en sa m en te p ovo a d a s. Estes resu lta d o s, a p a ren tem en te con trad itórios, d em on stram a su -b ord in ação d e p rocessos o-b serváveis em escalas m aiores (locais) e os d iferen tes d eterm in an -tes d e saú d e d om in an -tes em cad a escala.
Den tre as variáveis am b ien tais, os fen ôm e-n os clim áticos p ossu em m aiores grad iee-n tes esp aciais em escalas region ais ou glob ais. O estu -d o -d os efeitos -d a re-d u ção -d a cam a-d a -d e ozôn io sob re a saú d e d eve ser d esen volvid o n esta es-ca la , já q u e os d a n os à es-ca m a d a d e ozôn io têm as d im en sões d e u m p aís. Por ou tro lad o, é n o n ível local on d e m elh or se verificam fatores li-ga d o s à p o lu içã o a tm o sférica , u m a vez q u e a d ifu são atm osférica d e p olu en tes p od e alcan -çar algu n s qu ilôm etros. A escolh a d a escala d e-p en d e, e-p o rta n to, d a id en tifica çã o e-p révia d o s p rin cip ais fen ôm en os a serem estu d ad os e su a exten são n o esp aço. No caso d os estu d o d e im -p a cto d e a gen tes a m b ien ta is so b re a sa ú d e, a u n id ad e d e an álise d eve ter exten são com p atí-vel com o fen ôm en o qu e se p reten d e en focar.
O espaço como cat egoria de análise de event os de saúde
A u tilização d a categoria esp aço n ão p od e, p or isso, lim ita r-se à m era lo ca liza çã o d e even to s d e saú d e. Isto p orqu e o lu gar atrib u i a cad a ele-m en to con stitu in te d o esp a ço u ele-m va lor p a rti-cu lar (San tos, 1988). Esta categoria ad qu ire va-lor im p ortan te n a an álise d e even tos d e saú d e a tra vés d o in ter-rela cio n a m en to d e seu s p ró-p rios sign ificad os.
Em p rim eiro lu gar, sen d o o esp aço resu lta-d o lta-d a ação lta-d a socielta-d alta-d e sob re a n atu reza, su a con figu ração in corp ora a estru tu ra social e su a d in âm ica. Deste m od o, u m a cid ad e ‘p rod u z’ o lu gar d os ricos, d os p ob res e d a in d ú stria, b em com o estab elece flu xos d e circu lação d e b en s e serviços. Um a cid ad e é n ecessariam en te h ete-rogên ea.
No Terceiro Mu n d o, esta d esigu a ld a d e a d -q u ire to n s d ra m á tico s co m a co in cid ên cia d e carên cia d e serviços p ú b licos, p ob reza, e b aixo n ível d e escolarid ad e em vastas regiões p erifé-ricas d as m etróp oles. Ao se avaliar o efeito d as con d ições d e san eam en to sob re a saú d e d e p o-p u lações o-p ob res, d eve-se ter em m en te qu e es-tas áreas estão su jeies-tas a u m a grave con ju n ção sim u ltâ n ea d e risco s, q u e in clu em m u ita s vezes a fa lta d e a cesso a serviço s d e sa ú d e e o u -tras d eficiên cias h ab itacion ais. Estu d os am eri-ca n os con tem p orâ n eos ( Wa lla ce, 1993) a n a li-sam situ ações an álogas d e d esestru tu ração d e
red es d e in teração social, d ifu são d e ep id em ias e crim in alid ad e em b olsões d e p ob reza d e m e-tróp oles com o Nova Iorqu e.
Em segu n d o lu gar, o esp aço p rod u zid o so-cialm en te exerce p ressões econ ôm icas e p olítcas sob re esta socied ad e, crian d o con d ições d i-feren ciad as p ara su a u tilização p or gru p os so-ciais. Lu gares su jeitos a exteriorizações n egati-va s – p ró xim o s a in d ú stria s p o lu en tes, co m b a ixa o ferta d e ser viço s u rb a n o s – ten d em a con cen trar m orad ores d e b aixa ren d a em b u s-ca d e em p regos ou los-cais d e m orad ia m ais b a-rata. As con d ições am b ien tais, n este caso, p o-d em atu ar com o u m fator o-d e segregação sócio-esp acial (Harvey, 1980).
A ju n çã o d os d ois p rim eiros com p on en tes d o esp a ço gera m u m m eca n ism o d e ca u sa çã o circu la r em q u e o esp a ço é, a o m esm o tem p o, p ro d u to e p ro d u to r d e d iferen cia çõ es so cia is, ten d o im p o rta n tes reflexo s so b re a sa ú d e d o s gru p os socia is en volvid os. Este p rocesso rela-cio n a va lo r e u so d o so lo d e m o d o a va lo riza r regiões com m elh ores con d ições am b ien tais e d esvalorizar áreas d egrad ad as.
Em terceiro lu ga r, o esp a ço “a cu m u la” a s tran sform ações ocorrid as n a socied ad e, refle-tin d o m ais seu p assad o d o qu e p rop riam en te o p resen te. Pessoas e em p resas p ossu em m ob ilid a ilid es esp a cia is lim ita ilid a s, o q u e n ecessa ria -m en te in trod u z a d i-m en são te-m p o n os estu d os d as relações en tre am b ien te e saú d e.
Em q u arto lu gar, o esp aço p ossu i valor em si, p rod u zin d o con d ições d iferen ciad as p ara a evo lu çã o d e u m a p o p u la çã o o u a tivid a d e h u -m an a. Gru p os p op u lacion ais d e características sócio-econ ôm icas sem elh an tes p od em p ossu ir p erfis ep id em iológicos d iversificad os p elo fa -t o d e se lo ca liza rem em lu ga res d iferen -tes. As fa vela s d o Rio d e Ja n eiro, Bo go tá e Ba n gko c p ossu em asp ectos h ab itacion ais e d em ográfi-co s sim ila res, esta n d o, n o en ta n to, su jeita s a risco s d iferen cia d o s d evid o à su a lo ca liza çã o. Este con ju n to d e favelas n ão con stitu i u m a região, ap esar d e su as sem elh an ças. Partes com -p on en tes d e u m a região -p ressu -p õem critérios geográficos com o a exten são e con tigü id ad e d a m esm a m a n eira q u e p erío d o s h istó rico s d e-vem se su ced er n o tem p o.
ora-ção esp acial d estes d ad os ( Wan g & Xie, 1994). O sistem a d e m o rta lid a d e p o ssu i d a d o s a gregad os p or m u n icíp io d e resid ên cia ou ocorrên -cia d o ób ito, exigin d o u m gran d e esforço p ara o en d ereçam en to d e in form ações em u n id ad es esp a cia is m en o res, co m o o seto r cen sitá rio (Cru z et a l., 1995). O m u n icíp io reú n e gra n d e p arte d as con d ições n ecessárias qu e viab ilizam seu u so com o u n id ad e esp acial d e an álise p or ser d otad o d e au ton om ia ad m in istrativa e ser-vir co m o referên cia d e d a d o s p r im á rio s em saú d e e am b ien te. Por ou tro lad o, p ou cos fen ô-m en os d e origeô-m aô-m b ien tal p od eô-m ser d etec-tad os n este n ível (Barcellos & Mach ad o, 1991).
Os tra b a lh o s q u e rela cio n a m a m b ien te e saú d e através d a an álise esp acial têm se d esen -volvid o em três p rin cip ais verten tes. Um a p rm eira p ro cu ra id en tifica r p a d rõ es d e rm o rb i-m o rta lid a d e ei-m to rn o d e fo n tes d e p o lu içã o con h ecid as. Um exem p lo d esta ab ord agem são o s leva n ta m en to s d e o co rrên cia d e leu cem ia p róxim os a u sin as n u cleares (Hills & Alexan d er, 1989). Neste ca so, p rocu ra -se certifica r a va li-d ali-d e li-d e h ip óteses li-d e in li-d u ção li-d e li-d oen ças atra-vés d e p ad rões d e d istrib u ição relacion ad os às fon tes d e risco p ré-estab elecid as.
Um a segu n d a estratégia tem sid o a id en tifi-cação d e p ad rões d e d istrib u ição d e d oen ças e seu rela cio n a m en to co m fa to res d e risco a m -b ien ta l, ta is co m o co n d içõ es d e sa n ea m en to, h a b ita çã o e p o lu içã o a tm o sfér ica . Pa ra esta ab ord agem con vergem os p rin cip ais m étod os esta tístico s d esen vo lvid o s p ela geo q u ím ica , u tiliza d o s p a ra d istin gu ir á rea s d e o co rrên cia d e even to s selecio n a d o s segu n d o cr itério s d e sim ilarid ad e (Atteia et al., 1994). Neste caso, o p ad rão d e d istrib u ição d a d oen ça é p reviam en -te d esco n h ecid o e b u sca -se su a id en tifica çã o estatística ou visu alm en te (Carvalh o, 1996). Na fase d e an álise d e d ad os ep id em iológicos, estes p od em ser reagregad os com b ase em critérios d e regio n a liza çã o esta b elecid o s a tra vés d e an álises sócio-d em ográficas e ad m in istrativas ( Jacob son , 1984). Segu n d o esta ab ord agem , fo-ram estab elecid as áreas d e m aior m ortalid ad e in fa n til e rela cio n a d o s o s p o ssíveis fa to res d e risco n a Região Metrop olitan a d o Rio d e Jan ei-ro (Du ch iad e, 1991), e estu d ad a a m ortalid ad e em áreas classificad as segu n d o características sócio-econ ôm icas n a Região Metrop olitan a d e São Pau lo (Step h en s et al., 1994).
Um a terceira lin h a d e tra b a lh o p ro cu ra id en tificar ten d ên cias esp aço-tem p orais a p ar-tir d e tra jetó ria s verifica d a s esp a cia lm en te. Co m isso, sã o id en tifica d a s vu ln era b ilid a d es ou b arreiras am b ien tais q u e p erm item a d ifu -sã o d e d oen ça s n o esp a ço. Um exem p lo d esta ab ord agem é o traçad o d as trajetórias d a d ifu çã o d e u m a ga m a d e va riá veis, co m o a exten
-são, localização, tem p o e características sócio-econ ôm icas, aos estu d os em saú d e.
Algu m a s d a s va riá veis cita d a s sã o visíveis ou m en su ráveis in d iretam en te. O geop rocessa-m en to p errocessa-m ite a u tiliza çã o d esta s va riá veis através d o p rocessam en to d e im agen s e d a m n ip u lação d e b an cos d e d ad os d e in teresse p a-ra a an álise d e saú d e. A d isp on ib ilid ad e d e téc-n icas d e p rocessam etéc-n to d e im agetéc-n s p erm ite a id en tifica çã o d e p a d rõ es d e u so d o so lo co m certa fa cilid a d e e p recisã o. Algu m a s va riá veis extraíd as d estas im agen s (d en sid ad e d e con s-tru ções, vegetação, h id rografia) p od em servir à an álise esp acial d e even tos d e saú d e p or estar rela cio n a d a a o u tra s d e in teresse m a is d ireto (form as d e h ab itação, d en sid ad e d em ográfica e qu alid ad e am b ien tal).
Indicadores de risco e sua localização
O esp a ço, visto em su a to ta lid a d e co m o u m co n ju n to d e elem en to s so cia is, eco n ô m ico s, cu ltu rais e am b ien tais in ter-relacion ad os, n ão p od e ser rep resen tad o através d e m ap as. Con -d icio n a -d o s p ela p ró p r ia en tra -d a -d e -d a -d o s, o s m a p a s a p resen ta m d id a tica m en te elem en to s visíveis d o esp aço, isto é, su a b ase física cod ifi-cad a através d e sin ais e con ven ções q u e facili-tam su a in terp retação. Os m ap as tem áticos p o-d em ain o-d a rep resen tar elem en tos n ão visíveis d o esp aço com o classificação d e solos, n ível d e ren d a, d en sid ad e d em ográfica, e ou tras variá-veis. O geo p ro cessa m en to p erm ite a rá p id a a p resen ta çã o d estes m a p a s, b em co m o a su -p er-p osição e in teração en tre estes, trab alh ad os co m o ca m a d a s (‘la yers’) co n ten d o d iferen tes in form ações. Para isso, d eve con tar com b ases d e d ad os qu e estejam relacion ad as às u n id ad es esp aciais, o q u e traz p rob lem as com u n s a ou -tros sistem as d e in form ação, com o a acessib ilid a ilid e, q u a liilid a ilid e e a tu a liza çã o ilid e ilid a ilid o s (Mo -raes, 1994).
-são d a ep id em ia d e AIDS (Sm allm an -Rayn or & Cliff, 1991; Ba sto s & Ba rcello s, 1995) e có lera (Toled o, 1993).
Tod as estas estratégias p ara ab ord agem d a relação en tre saú d e e am b ien te são, n o en tan -to, d esen volvid as a p artir d e h ip óteses p revia-m en te estab elecid as. No p rirevia-m eiro caso, a fon te ou agen te d e risco são con h ecid os e estu d am se su a s co n seq ü ên cia s so b re a sa ú d e. No se -gu n d o, o lu gar é con h ecid o e estu d a-se a rela-ção en tre variáveis am b ien tais, sócio-econ ôm i-cas e d e saú d e. No terceiro, o agravo e su a etio-lo gia sã o co n h ecid o s e estu d a -se su a rela çã o com fa tores a m b ien ta is. Em tod a s esta s a b or-d agen s, os critérios u tilizaor-d os p ara region aliza-ção são d eterm in an tes d os resu ltad os esp erad o s. No s p rim eiro s ca so s, a regiã o é p revia -m en te estab elecid a, isto é, u -m p ressu p osto d e tra b a lh o, e n o te rce iro e la é co n se q ü ê n cia d o p ró p rio p ro ce sso d e a n á lise d e d a d o s e p id e-m iológicos, isto é, seu resu ltad o.
O geop rocessa m en to a p resen ta va n ta gen s n ã o só n a d etecçã o, m a s n a a p resen ta çã o vi-su a l d e a gru p a m en to s (“clu sters”) (Ro th m a n , 1990). Neste caso, o geop rocessam en to rep re-sen ta u m a ferram en ta d e d ivu lgação d e resu l-tad os d e in vestigações facilm en te com p reen d i-d os p ela p op u lação (Brown et al., 1984).
Den tro d o a m p lo esp ectro d o q u e é d en o-m in a d o ‘o-m a p a d e risco’, en co n tra o-m -se o-m a p a s q u e têm co m o co n teú d o d esd e a p resen ça d e a gen tes a m b ien ta is d e risco a té su a s co n se q ü ên cias, p revistas ou m ed id as, sob re a p op u lação. Os p ossíveis d an os à saú d e h u m an a cau -sad os p or ativid ad es p olu id oras são p reced id os p or p rocessos d e u so d e su b stân cias qu ím icas, su a em issã o p a ra o a m b ien te, a exp o siçã o d e u m a p op u lação e a d ose a q u e será su b m etid a esta p o p u la çã o. As rela çõ es en tre exp o siçã o,
d ose e d an o têm sid o ob jeto d e estu d o d a toxi-cologia clássica, q u e se u tiliza p rin cip alm en te d e en sa io s d e la b o ra tó rio p a ra a a va lia çã o d a toxicid a d e d e d eterm in a d a su b stâ n cia q u ím i-ca. Estes en saios p rocu ram sim u lar con d ições d e exp osição d o h om em a agen tes d e risco. Os p assos p reced en tes d e u so, em issão p or fon tes d e con tam in ação e exp osição d e gru p os p op u -la cio n a is o co rrem n o a m b ien te, sen d o p a ssí-veis d e q u an tificação e localização n o esp aço. A a va lia çã o d o s p rin cip a is u so s e em issõ es d e u m a su b stân cia qu ím ica é realizad a através d o in ven tá rio d e fo n tes p o ten cia is d e p o lu içã o, viab ilizad o p or m eio d e d ad os secu n d ários so-b re p ro d u çã o ( WH O, 1982; Sto ckwell et a l., 1993; Barcellos & Lacerd a, 1994). Diferen tes es-tra té gia s sã o a d o ta d a s p a ra e stu d o s d e ca so s o n d e e xista m vá ria s fo n te s d e u m só a ge n te, vá rio s a ge n te s e m itid o s p o r u m a só fo n te e m ú ltip los agen tes em itid os p or fon tes d iversas d e con tam in ação (An d ersen & Gosk, 1989). Es-tas fon tes p od em ser p on tu ais, lin eares ou d i-fu sa s, exigin d o p a ra ca d a tip o u m tra ta m en to grá fico e esta tístico p a ra d isp o siçã o e a n á lise d e d ad os ep id em iológicos.
Através d a u n ião en tre os p rocessos d esen -cad ead ores d e riscos am b ien tais, p od e-se esta-b elecer u m a seq ü ên cia d e p assos m etod ológi-cos q u e p erm item a an álise glob alizad a d e ris-cos à saú de. Esta m etodologia foi recen tem en te u tilizada n a avaliação de riscos à saú de dos trabalh adores de u m a in dú stria qu e u tiliza m ercú -rio em seu p rocesso p rod u tivo (Melo & Barcel-los, 1993). Su a adap tação ao geop rocessam en to p ressu p õe qu e os dados n ecessários p ara a ava-liação sejam localizáveis esp acialm en te.
O esq u em a ( Ta b ela 1) é p ro p o sto p a ra a an álise d e risco em con d ições on d e p red om in a u m agen te d e risco.
Tab e la 1
5 Níve is d e risco e ind icad o re s d e e xp o sição a ag e nte s físico s e q uímico s.
Passo N ível de cont role O bjet ivo Cont eúdo do mapa
Uso Te cno ló g ico Id e ntificar fo nte s p o te nciais Ativid ad e s p o te ncialme nte p o luid o ras d e p o luição Fo nte s p o ntuais e d ifusas
Emissão O p e racio nal Avaliar e missão d e p o lue nte s p ara De scarg a d e p o lue nte s p ara o so lo ,
o amb ie nte ág ua e atmo sfe ra
Exp o sição Amb ie ntal Id e ntificar lo cais d e maio r co nce ntração Co nce ntração d e p o lue nte s no so lo , d e p o lue nte s e p ro ce sso s amb ie ntais se d ime nto o u atmo sfe ra
Do se Bio ló g ico Estab e le ce r p o p ulaçõ e s d e risco Ind icad o r p re co ce d e d ano s e p rincip ais vias d e e xp o sição inco rp o ração d e p o lue nte s
Esta an álise será tão m ais facilitad a qu an to m aior a esp ecificid ad e d os in d icad ores d e cad a n ível de con trole. O solo e o sedim en to têm sid o u tilizad os com o in d icad ores d e con tam in ação a m b ien ta l p o r su a fa cilid a d e d e a m o stra gem , a in te gra çã o d e lo n go s p e río d o s d e co n ta m in ação. A u riin a ou sain gu e são trad icioin alm ein -te tom ados p ara a avaliação da exp osição de tra-b a lh a d o res a a gen tes q u ím ico s. No ca so d o s m etais p esad os ou m icrop olu en tes orgân icos, o u so d a su a co n cen tra çã o em co m p a rtim en -tos b ióticos e ab ióticos p erm ite u m a in terliga-ção en tre n íveis de con trole, garan tin do a esp e-cificid a d e d o s in d ica d o res (Bo d y et a l., 1988). Um cu id a d o a d icio n a l d eve ser to m a d o n este caso p ara red u zir efeitos d e variação n atu ral d e n íveis d e b a se d e m eta is p resen tes em to d o s estes com p artim en tos (God in et al., 1985).
En tre o u so d e u m a su b stân cia q u ím ica e o d an o à saú d e d e u m a p op u lação existe u m a d e-fasagem q u e p od e variar d e d ias a an os. Desta m an eira a associação en tre os in d icad ores fre-q ü en tem en te n ão é verificad a. Com o o tem p o d e la tên cia d e d o en ça s rela cio n a d a s a risco s am b ien tais p od e alcan çar algu n s an os, a d efa-sagem tem p oral en tre m ap as tem áticos d e ca-d a n ível ca-d e con trole ca-d e risco p oca-d e p reju ca-d icar a su p erp o siçã o d estes d a d o s, q u e rep resen ta m d iferen tes p eríod os n o tem p o. Além d isso, o lo-cal d e resid ên cia p od e n ão rep resen tar o lolo-cal d e exp osição, isto é, as con d ições n as q u ais se verifica ra m co n d içõ es a d versa s gera d o ra s d a d oen ça. Este p rob lem a é m in im izad o p ara fai-xa s etá ria s co rresp o n d en tes a cria n ça s e re-cém -n ascid os, q u e são m ais su scetíveis, foram su b m etid o s a exp o siçõ es recen tes e p o ssu em u m a m ob ilid ad e m en or ou d elim itável p or in -form ações fam iliares e escolares ( WHO, 1983; Bod y et al., 1988).
Da m esm a m an eira, n a d im en são esp acial, os fen ôm en os d escritos p ossu em d iferen tes ex-ten sões n o esp aço. O raio d e in flu ên cia d e u m a ativid ad e p olu id ora é restrito segu n d o característica s d e fo rm a q u ím ica d a em issã o d e p o -lu en tes e con d ições locais d e tran sp orte d estes p olu en tes. A escolh a d a esca la d e a n á lise e d o n ível d e agregação d e d ad os d eve ser com p atí-vel com a exten são p revista d o risco associad o a u m a a tivid a d e p olu id ora ou a gen te q u ím ico ou físico. A u n ião en tre m od elos m atem áticos d e d isp ersã o e cicla gem d e p o lu en tes co m o geop rocessam en to p od e con trib u ir p ara a an á-lise d e cen á rio s e a a va lia çã o d a exten sã o d e efeitos d e con tam in ação am b ien tal. Para isso, é n ecessá rio d isp o r d e gra n d e n ú m ero d e va -riáveis esp acializad as, com o regim e d e ven tos e p recip itação, regim e h id rológico e estru tu ra d o m eio b iótico.
O esta b elecim en to d e p o p u la çõ es p o ten -cialm en te exp ostas tem sid o u m d os ob jetos d e estu d o d e a n á lises d e r isco. A co n ta m in a çã o n ã o a tin ge a tod os d e form a in d iferen cia d a . A p o p u la çã o crítica (Pen n a Fra n ca et a l., 1984) d ep en d erá d os h áb itos cu ltu rais e alim en tares, d a s co n d içõ es d e m o ra d ia e d a d in â m ica d o s p olu en tes n o am b ien te. Se em con d ições ocu -p a cio n a is a a tm o sfera é o ca m in h o crítico d e exp o siçã o d e tra b a lh a d o res, n a co n d içã o d e h ab itação o alim en to (in clu in d o a águ a) p od e se tra n sfo rm a r em fa to r crítico d e exp o siçã o (Bo d y et a l., 1988). Neste ca so, a s p rin cip a is vias d e exp osição d ep en d erão d a ciclagem d os p olu en tes n o a m b ien te (solo, á gu a e a tm osfe-ra ), in clu in d o a p o ssível b io m a gn ifica çã o d o s p olu en tes através d a cad eia trófica. No fam oso caso d e Min am ata, o gru p o p op u lacion al crítico, q u e m a is sofreu a s con seq ü ên cia s d a con -ta m in a çã o p o r m ercú rio, resid ia em to rn o d a b a ía , o n d e o m eta l fo i a cu m u la d o e so freu tra n sfo rm a çõ es q u ím ica s q u e lh e co n ferira m m aior toxicid ad e.
A d istân cia d a p op u lação a fon tes d e p olu i-ção é u m fator con trolad or d os riscos associa-d o s à exp o siçã o, m a s n ã o o ú n ico. O tra b a lh o d e Silva n y Neto (1982) n a Ba h ia m ostrou u m a fo rte co rrela çã o en tre d istâ n cia d a fo n te d e em issã o d e m eta is p esa d o s e in d ica d o res d e d o se n a p o p u la çã o vizin h a . Po r o u tro la d o, a fa ixa etá ria , o cu p a çã o e co n d içõ es d e h a b ita -ção con d icion am d e form a seletiva gru p os p o-p u la cio n a is su b m etid o s a m a io r risco. Ou tra s variáveis cu ltu rais e sócio-econ ôm icas p od em in flu ir n o risco fin al. Fatores relevan tes p od em ser leva n ta d o s p o r gru p o s p o p u la cio n a is h o -m o gên eo s, in clu in d o co n d içõ es d e -m o ra d ia , ocu p ação, id ad e, d en sid ad e d em ográfica, u tili-zan d o-se com o u n id ad e m ín im a o setor cen si-tário.
Considerações finais
reto-m a d a , p o r p a rte d a ep id ereto-m io lo gia , d a a n á lise d e situ ações con cretas d as p op u lações em in teração, su b m etid as a riscos d e n atu reza d ifu -sa , e, p o r vezes, su p erp o sta (Ba rreto et a l., 1993). Além d isso, p erm ite o p lan ejam en to d e ações d e con trole, alocação d e recu rsos e a p re-p aração d e ações d e em ergên cia.
Devid o ao con ju n to d e elem en tos in ter-re-lacion ad os p resen tes n o esp aço, torn a-se d ifí-cil o estab elecim en to d e relações d e cau salid a-d e en tre con a-d ições am b ien tais e saú a-d e. O geo-p ro ce ssa m e n to d e in fo rm a çõ e s a m b ie n ta is e d e saú d e p erm ite, an tes d e m ais n ad a, a id en ti-ficação d e variáveis qu e revelem a estru tu ra social, econ ôm ica e am b ien tal, on d e riscos à saú -d e estão p resen tes. Com o su gere San tos (1978), “a b u sca d as cau sas, relacion an d o ap en as
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Agradeciment os
Os a u to res a gra d ecem a co la b o ra çã o d o s p esq u isa -d ores Marília Sá Carvalh o e Marco Au rélio Bassoli n a revisão e su gestões sob re este texto.
res visíveis, d eve ser p reterid a em favor d o es-tab elecim en to d o con texto” n o qu al u m even to d e saú d e ocorre, o q u e certam en te n ão é p ou -co. Com isso, a categoria esp aço con trib u i p ara o en ten d im en to d os p rocessos en volvid os em d eterm in a d o fen ô m en o a m b ien ta l q u e se d e -seja estu d ar. Lon ge d e p reten d er ser a ‘ciên cia d a totalid ad e’, a geografia “serve p ara d esven -d ar m áscaras sociais”, com o su geri-d o p or Ru y Moreira. O geop rocessam en to é, n este qu ad ro, u m p od eroso in stru m en to a serviço d a p esqu i-sa em i-saú d e.
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