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Como a Direito GV é vista

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Academic year: 2017

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G E T U L I O

janeiro 2010 janeiro 2010

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o início de dezembro passado

participei da banca de defesa da dissertação de mestrado do juiz de direito Alexandre Miguel, de Rondônia. Foi uma bela pesquisa orientada pelo professor Guilherme Leite Gonçalves, do programa do Mestrado Profissional em Poder Judiciário da Escola de Di-reito da FGV no Rio. O trabalho do juiz era uma reflexão sobre sua pró-pria rotina no Tribunal de Justiça de Rondônia, e apresentava um manual de processo administrativo disciplinar. Questionei alguns pontos do trabalho e percebi experiência para fazer a pes-quisa e da segurança para expor suas visões. Ele demonstrou leitura extensa e ter sido orientado com segurança. Tenho percebido, em diversas bancas de que participo, que quem lê muito cita pouco e quem pouco lê muito cita. Quando pego uma tese de doutorado com 230 páginas e 320 três citações, percebo que não houve maturação no trabalho. E este aluno do mestrado

pro-fissionalizante da Direito da FGV do Rio, tendo realizado cursos no sistema de professores que vão até Porto Velho ministrar aulas, leu muito, refletiu e chegou a uma boa proposta sobre a questão da punição do funcionário na administração pública de modo geral, em especial no caso do Judiciário. Com base nos meus 37 anos de magistratura vi ali um dos bons resultados dessa en-trada da FGV na área do Direito. Te-nho acompanhado esse trabalho, que no caso específico de São Paulo mostra uma orientação mais marcada com a administração e negócios, mais volta-da para o direito empresarial – menos preocupado com o lado contencioso e de disputa, olhando mais o resultado de bons acordos e contratos de negó-cios bem conduzidos. Outra virtude que vejo na Direito GV é a proposta de internacionalização da escola, com os convênios com instituições de ensino do exterior, algo importante e muito pouco explorado na área de direito. As boas escolas da Europa praticam isso há anos – e essa possibilidade de que o aluno estude um semestre em outro ambiente é experiência enriquecedora. Tivemos um estudante do quarto ano de Direito da Universidade de Cons-tança, da Alemanha, estagiando um semestre na Escola Paulista da Ma-gistratura, levantando dados para sua pesquisa, assistindo a sessões do Tribu-nal, visitando escritórios de advocacia, acompanhando a rotina processual bra-sileira. Ele estudou português enquanto se preparava para a visita e conversando com ele percebi o quanto seu horizon-te se ampliara e enriquecera com esse intercâmbio, saindo da visão acanha-da, provinciana, que se tem na cidade em que se vive, seja ela metrópole ou não, para o contraste de outra cultura, outros modos de ver. Essa saída para o

exterior amadurece o aluno interessa-do no direito, que terá capacidade de reflexão maior, de resolver coisas mais rapidamente. E a FGV percebeu isso ao investir nessa internacionalização, trazendo professores visitantes, incen-tivando essa abertura e desbloqueio de mente em seus alunos. A Direito GV também dá importância ao uso da me-diação, da arbitragem e outros meios alternativos para a solução de conflitos e isso é importante. Tanto que uma juíza do Tribunal de Justiça participou há pouco de um debate promovido pela revista do GVlaw. Mas é preciso

lembrar que essa prática tem mais a ver com o modelo do common law saxônico

e menos com o Brasil, que tem uma jurisdição estatutária – e há uma dife-rença grande entre essas construções. No Brasil o sistema estatutário formou uma consciência histórica de jurisdição avançadíssima, “sete estrelas”: em 1830 abolimos as penas cruéis. O código cri-minal do Império foi o maior monu-mento de direito penal de seu tempo. No final do século XIX abolimos pena de morte, a prisão perpétua. Os sistemas que utilizam as práticas alternativas de solução de litígios revelam jurisdições mais fragilizadas: continuam mantendo a pena capital, a prisão perpetua e apli-cam penas cruéis. É bom não perder essa perspectiva de vista. Quando se critica a lentidão de algumas decisões, muitas vezes se esquece que o impor-tante na jurisdição é a intensidade do direito. O que se definiu com aquele caso específica. Diria que na pressa há um viés talvez utilitarista demais.

Antonio Rulli Junior,

diretor da Escola Paulista da Magis-tratura e presidente do Copedem-Colé-gio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais de Magistratura

cOmO a direitO GV é Vista

dois professores, um diretor de escritório e um desembargador falam como a academia,

o mercado e o judiciário percebem a atuação da escola

Por Carlos Costa

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projeto da Direito GV é visto com muito interesse aqui em nosso escritório Pinheiro Neto Advogados. Atuamos há quase 70 anos na advocacia empresarial, em quatro grandes áreas (em-presarial, contenciosa, tributária e traba-lhista) e a Direito GV tem representado nova fonte de jovens profissionais, focados na prática da moderna advocacia, em to-das as áreas  de interesse to-das empresas.  Notamos também que a criação da escola tem, de certa forma, incentivado outras faculdades a modernizar sua grade curri-cular e seus métodos de ensino, sobretudo no que se refere ao direito empresarial.

De forma geral,  o aluno da FGV apresenta grande potencial para se adap-tar rapidamente às nossas necessidades.  Como o curso é integral durante os três primeiros anos, quando o aluno inicia o estágio conosco, no começo do quarto ano,  vem com excelente formação, óti-mo nível de inglês e outros idiomas, es-sencial para bem atendermos à clientela estrangeira que investe no Brasil e a nos-sos clientes locais que investem no exte-rior.  Por outro lado, como têm pouca ex-periência profissional prévia, em alguns casos podem encontrar alguma dificul-dade para se adaptar rapidamente à nossa cultura e ritmo de trabalho.  De qualquer forma, o resultado final vem sendo positi-vo, pois todo ano contratamos estagiários da Direito GV.  Nesse janeiro já teremos uma nova turma começando conosco, não somente na área empresarial, com direito bancário e  fusões e aquisições, mas também nas áreas contenciosa, con-correncial e tributária. 

Falando não somente como membro

da nossa Comissão de Recrutamento, mas também como um dos sócios em nossa área Empresarial, acredito que o modelo de ensino da escola da FGV, ins-pirado no modelo socrático e anglo-saxão de estudo de casos, leituras preparatórias para as aulas etc., tem contribuído mui-to para diminuir a distância entre o que vemos no dia-a-dia do direito empresarial de ponta e a formação acadêmica e téc-nica necessária para ser um profissional de destaque nesse mercado.  A Direito GV tem ajudado a diminuir a distância entre a formação e a prática do direito empresarial e isso, aos poucos, está fazen-do com que outras escolas tenham que se modernizar para não perder espaço na formação dos advogados do futuro.  Esse é um  fenômeno que, ano a ano, contri-buirá para alavancar o desenvolvimen-to do direito empresarial no Brasil.

Guilherme Leite,

Comissão de Recrutamento-Pinhei-ro Neto Advogados

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ovos ares”! Vejo dessa forma, até agora, o curso de direito da FGV em São Paulo. São muitas as vir-tudes. A marcante jovialidade do corpo docente, por exemplo, é temperada pela experiência da direção da Faculdade. O núcleo original de professores, a propos-ta inicial da grade curricular, o esmero na preparação dos cursos e dos materiais didáticos, o conjunto de publicações e eventos, a inserção internacional, enfim, tudo justifica essa expressão: “novos ares”.

Observo os cursos de direito de uma ótica institucional tradicional: USP e PUC-SP. Estudar e lecionar, por muitos anos, nessas duas escolas, sem dúvida, é

um privilégio. Elas possuem atributos que apenas o longo amadurecimento oferece. Nesse quesito, são praticamen-te insuperáveis. Mas os muitos anos de vida também são fonte de problemas. Enrijecimento burocrático, enraiza-mento de linhas teóricas convencionais e a estabilização de grupos políticos antagônicos e correntes doutrinárias ri-vais, muitas vezes, desempenham papéis negativos. O peso da tradição retarda a recepção das novidades. Vantagens e desvantagens dos “velhos ares”.

Acompanhei com atenção esses dez anos na Direito GV. De um lado, em razão dos fortes laços de amizade e admi-ração com muitos professores. De outro, por reconhecer a competência e o profis-sionalismo da FGV. Fui convidado, inú-meras vezes, na elaboração do projeto e, depois, com o curso em funcionamento, para participar de seminários, cursos, e aulas do GVlaw. Diferentemente do tom “acusatório” de algumas críticas – por exemplo: “o curso só se preocupa com o direito empresarial” – deparei-me com realidade bastante diversa. O foco no direito empresarial de modo algum aboliu ou limitou a densidade teórica, o enfoque sócio-político, a preocupação histórica e, especialmente, o constante atrelamento da pesquisa e ensino aos

problemas do desenvolvimento econô-mico e social do Brasil.

Além da estrutura pedagógica deli-beradamente voltada para a renovação do modo de ensinar o direito, vale des-tacar as instalações, a política salarial, os bancos de dados, a dedicação integral de professores e alunos, os serviços de su-porte acadêmico e a agilidade da moder-nização do acervo da biblioteca como características interessantes do curso.

A base da inovadora proposta da Di-reito GV me parece assentada em três fundamentos: i) a reconstituição do direi-to empresarial à luz das recentes contri-buições tanto das teorias jurídicas quanto de suas ligações com as mais modernas teorias econômicas e sociais; ii) a seleção criteriosa, pluralista e planejada de do-centes; iii) o recurso a estratégias pedagó-gicas e o suporte acadêmico modernos.

As primeiras turmas estão às vésperas da formatura, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Os “novos ares” sem-pre se expõem às turbulências. Porém, pelo que vi ao longo dos últimos dez anos, a Direito GV decolou com êxito nos “no-vos ares”. Parabéns e bons vôos.

Celso Fernandes Campilongo

professor das Faculdades de Direito da USP e da PUC-SP

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