REVISTA
BRASILEIRA
DE
ANESTESIOLOGIA
PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia www.sba.com.brARTIGO
DE
REVISÃO
Dor
após
esternotomia
---
revisão
Ana
Paula
Santana
Huang
ae
Rioko
Kimiko
Sakata
b,∗aEscolaPaulistadeMedicina,UniversidadeFederaldeSãoPaulo(Unifesp),SãoPaulo,SP,Brasil
bSetordeDor,UniversidadeFederaldeSãoPaulo(Unifesp),SãoPaulo,SP,Brasil
Recebidoem21defevereirode2014;aceitoem10desetembrode2014 DisponívelnaInternetem18demarçode2015
PALAVRAS-CHAVE
Dor;
Esternotomia; Analgesia pós-operatória
Resumo
Justificativaeobjetivo: Analgesia adequada após esternotomia reduz eventos adversos no pós-operatório.Váriasmodalidadesestãodisponíveisparatratamentodadorapóscirurgia car-díaca: infiltrac¸ãocomanestésicolocal,bloqueio denervos,opioides,anti-inflamatórios não esteroidais,agentesalfa-adrenérgicos,técnicasintratecaiseepiduraiseanalgesiamultimodal.
Conteúdo: Foifeitaumarevisãosobreepidemiologia,fisiopatologia,prevenc¸ãoetratamento dadorapósesternotomia.Tambémforadiscutidasasdiversasmodalidadesterapêuticas anal-gésicas,comênfaseemvantagensedesvantagensdecadatécnica.
Conclusões: Acirurgia cardíacaé feitaprincipalmenteporesternotomia média, queresulta em dor significativano pós-operatório e uma incidência não insignificante de dor crônica. Ocontroleefetivodadormelhoraasatisfac¸ãodospacienteseosdesfechosclínicos.Nenhuma técnicaéclaramentesuperior.Acredita-sequeumregimeanalgésicocombinadomultimodal (comváriastécnicas)sejaamelhorabordagemparatrataradorpós-operatória,oquemaximiza aanalgesiaereduzosefeitoscolaterais.
© 2015 SociedadeBrasileira de Anestesiologia. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Esteé umartigoOpenAccesssobalicençadeCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
KEYWORDS
Pain; Sternotomy; Postoperative analgesia
Painaftersternotomy---review
Abstract
Backgroundandobjective: Adequate analgesia after sternotomy reduces postoperative adverseevents.Therearevariousmethodsoftreatingpainafterheartsurgery,suchas infil-tration withalocal anesthetic,nerveblock,opioids,non-steroidal anti-inflammatorydrugs, alpha-adrenergicagents,intrathecalandepiduraltechniques,andmultimodalanalgesia.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](R.K.Sakata).
http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2014.09.003
Content: A review oftheepidemiology, pathophysiology,prevention and treatment ofpain aftersternotomy.Wealso discussthe variousanalgesic therapeuticmodalities,emphasizing advantagesanddisadvantagesofeachtechnique.
Conclusions:Heartsurgeryisperformedmainlyviamediumsternotomy,whichresultsin signi-ficantpostoperativepainandanon-negligibleincidenceofchronicpain.Effectivepaincontrol improvespatientsatisfactionandclinicaloutcomes.Thereisnoclearlysuperiortechnique.It isbelievedthatacombinedmultimodalanalgesicregimen(usingdifferenttechniques)isthe bestapproachfortreatingpostoperativepain,maximizinganalgesiaandreducingsideeffects. ©2015SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
Devidoaograndenúmerodecirurgiascardíacasfeitas anu-almente e à correlac¸ão entre controle adequado da dor pós-operatóriae melhoresdesfechos clínicos,os anestesi-ologistasdevemdefendereaperfeic¸oarasdiversastécnicas analgésicasatuais.1
Dor após esternotomia é uma complicac¸ão da cirurgia cardíaca.Aincidência, ascaracterísticas eo cursoclínico dadornãosãobem conhecidos. Éimportante determinar aincidênciae anaturezadadorapósesternotomiaparaa prevenc¸ãoetratamentodasíndromedolorosa.2
A dor mal controlada está associada com a ativac¸ão dosistemanervoso simpáticoe aumentodaresposta hor-monal ao estresse. Essa resposta pode contribuir com os múltiplos eventos adversos no pós-operatório, incluindo isquemiamiocárdica, arritmias cardíacas, hipercoagulabi-lidade,complicac¸ões pulmonarese aumentodas taxasde delírioe infecc¸ão daferidaoperatória.3-6 Além disso, dor
intensadiminuiasatisfac¸ãodospacientes,retardaoinício dadeambulac¸ãoeestáassociadacomodesenvolvimentode dorcrônicapós-operatória.7
Expectorac¸ão inadequada, atelectasias, e pneumonia tambémocorremdevidoàdor.Aimobilizac¸ãopeladorcausa trombose venosa profunda, que por sua vez pode resul-tar em um tromboembolismo pulmonar. A dor também é fatorde estresse e causainfarto do miocárdio, insônia e desmoralizac¸ão.8
Adorpodeserclassificadacomoagudaoucrônica, somá-ticaouvisceralenociceptivaouneuropática.Ocorrequando alesãotecidualativaosreceptoresdador(nociceptores), localizadosnosnervosperiféricos.Duranteacirurgia,ocorre trauma dos tecidos por vários procedimentos, como inci-são,coagulac¸ão, retrac¸ãoou estiramento.Há produc¸ão e liberac¸ãodesubstânciasincluindoprostaglandinase bradi-cininas,quesãomediadoresdedor.9
A dor pode estar associada a muitas intervenc¸ões, incluindo incisão, retirada da safena, pericardiotomia ou inserc¸ãodedrenotorácico,retrac¸ãoe dissecc¸ão intraope-ratóriadetecidos,entreoutras.10
A avaliac¸ão e a qualificac¸ão da dor aguda podem ser muito variáveis e dependentes do intervalo entre as avaliac¸ões, assim como do instrumento usado para
quantificac¸ão.Váriasescalassão usadasnapráticaclínica paraquantificarador.Essasincluemescalanumérica, analó-gicavisual,verbal,deexpressãofacial,entreoutras.Certas escalas são mais apropriadas que outraspara populac¸ões particulares de pacientes. A escala de expressões faciais podeserusadatantoempacientesincapazesdese comuni-carverbalmentecomoempacientescomtraqueostomia.1
Epidemiologia
Otratamentodadornopós-operatórioéimportante,porse tratardeumproblemainevitávelqueenvolveemtornode 80%dospacientesquesesubmetemaalgumacirurgia.Ador ésubjetiva epercebidadeformadiferenteporcada paci-ente.Porém,écomumocorrerumcontroleinadequadoda dordevidoaomedodosefeitoscolateraisdosanalgésicos, tantoentrecirurgiõescomoempacientes.10
Apesar de muito divulgada, a dor pós-operatória per-manece subestimada. Vários estudos têm mostrado que apesardosmelhoresresultadosnotratamento,muitos paci-entes ainda sofrem dor moderada a intensa no período pós-operatório.11,12
Emumestudoparaestimaraintensidadededoresperada após a maioria dos procedimentos cirúrgicos e identificar osprocedimentos em que a terapia atualpara doresteja insuficiente,foramavaliados115.775pacientesde578 cen-troscirúrgicos.Noprimeirodiapós-operatório,ospacientes foram perguntadossobre apior intensidade dedor desde a cirurgia,por meiodaescalanumérica verbal(0-10).Os autores concluíram queos40 procedimentos comosmais altosescoresdedor(escalanuméricamédia6-7)incluíram 22 cirurgias ortopédicas ou trauma de extremidades. Os pacientes relataram altos escores de dor após cirur-gias menores, incluindo apendicectomia, colecistectomia, hemorroidectomia e amigdalectomia, enquanto outras cirurgiasmaiores,comoabdominais,resultaramem meno-res escores de dor, frequentemente devido a analgesia periduraladequada.13
queo esperado;49% informaramdorintensa emrepouso, 78% queixaram de dor intensa ao tossir e 62% durante o movimento.14
Pacientes mais jovens parecem correr maior risco de desenvolver dor crônica.15 Os pacientes com menos
de60anosapresentaramintensidadededormaiordoque pacientes mais idosos no período pós-operatório precoce apóscirurgiacardíaca.16
Olocaldedissecc¸ãodeartériasmamáriasinternasparece aumentar a incidência de dor crônica pós-operatória.17
A síndrome miofascial também é comumapós esternoto-miaepodecontribuirparadorcrônica.Emumarevisãode 1.226 pacientes submetidos a esternotomia, a incidência desíndrome miofascial foi de 15,8%,mas nosem que foi dissecadaaartériamamáriainterna,ataxafoide75,5%.18
Emoutroestudoprospectivode705pacientes submeti-dosàcirurgiacardíaca,adorrelacionadaàsatividades foi avaliadadiariamenteatéosextodiadopós-operatório.Os pacientes referiram a dor de maiorintensidade ao tossir, apósmovimentos,virar-seoulevantar-sedoleitoedurante respirac¸ãoprofunda.Emboraosescoresdadortenhamsido altosnopós-operatório imediato,ospacientesreportaram uma média de escore da dor de 4.33 ao tossir e média de 3.09 durante respirac¸ão profunda no sexto dia após a cirurgia.19
Emumestudo,aremoc¸ãoprecocedosdrenosdetórax, no primeiro dia pós-operatório quando comparado com o terceiro dia, também reduziu a intensidade da dor. Com remoc¸ãoprecoce ospacientes tiverammenosdor no epi-gástrio,tóraxeombronoterceirodiapós-operatório,sem eventoadverso.20
Outro fator cirúrgicoque reduziua intensidadeda dor apósesternotomiaéapreservac¸ãodapleura,quetambém melhorouafunc¸ãopulmonarapósacirurgia.21
Dor
crônica
A importância da dor no período pós-operatório precoce como preditor de dor crônica após esternotomia ainda é incerta. Foi sugerido que a intensidade da dor aguda pós-operatória e a necessidade de grande quantidade de analgésicosduranteosprimeirosdiasapósacirurgiapossam ser preditorasde dor crônica.Assim, é importante tratar a dor aguda pós-operatória com o objetivo de interrom-perospossíveismecanismosneuraiscentraise periféricos responsáveispelatransic¸ãoparaoestadodedorcrônica.2
Os autores de um estudo avaliaram a dor crônica em doisgruposdepacientesapósesternotomias.Pacientescom miastenia grave submetidos a timectomia e aqueles com enxertodemamáriaresponderamquestionários.Nãohouve diferenc¸anadurac¸ãodadorpós-operatória.Adorcrônica foilocalizadaprincipalmentenolocaldaesternotomiaapós timectomia,enquanto apósrevascularizac¸ão domiocárdio foi localizada também no membro superior e inferior.15
Neuropatiadeplexobraquialfoiatribuídaafragmentos fra-turadosdecostelas,dissecc¸ãodeartériamamáriainterna, posicionamento do paciente durante acirurgia e local de inserc¸ão do cateter venoso central.22 Neuralgia do nervo
safenofoirelatadaapósretiradadeveiasafenaparapontes deartériacoronária.23
Em um estudo prospectivo, os autores avaliaram a incidênciadedorcrônicaempacientessubmetidosà ester-notomiaparacirurgiacardíaca.Umgrupode349pacientes foi avaliado um ano após a cirurgia. De 318 pacientes queresponderamoquestionário,28%referiramdesconforto torácicodiferentedopadrãoanterioràcirurgia.Em13%o escoremáximopelaescalaanalógicavisualfoide30mm(dor moderada)eem4%foide54mm(dorintensa).Asdescric¸ões mais comuns para dor no grupo foram: picada dolorida, penetrante e em queimac¸ão. Osautores concluíram que, emboraonúmerodepacientescomdorapósesternotomia sejaalto (28%), apenas uma pequena parcela referiu dor intensaapósesternotomia.2
A dor crônica após cirurgia cardíaca pode tornar-se problemática.15,24Acausadapersistênciadadorapós
ester-notomiaémultifatorial,incluidestruic¸ãotecidual,trauma aonervointercostal,formac¸ãodecicatrizes,fraturade cos-telas,infecc¸ãoesternal,suturascomfiosdeac¸oinoxidávele ouavulsãocostocondral.Taldorlocaliza-sefrequentemente nosbrac¸os,nosombrosounaspernas.25
Em estudode 244pacientes apóscirurgia cardíacapor esternotomiafoiobservadadorpersistente(definidacomo dor ainda presente por mais de dois meses após a cirur-gia) em quase 30% dos pacientes.24 A incidência de dor
persistente em qualquer local foi de 29% e para esterno-tomiafoi de 25%. Outros locais comuns: ombros (17,4%), dorso (15,9%) e pescoc¸o (5,8%). Entretanto, tal dor foi comumentedescritacomomédia,apenas7%dospacientes referiraminterferência nasatividades diárias.As palavras maiscomuns usadasparadescreverador foram:irritante (57%),incômoda(33%),enfadonha(30%),penetrante(25%), fatigante(22%),sensível(22%)eemaperto(22%).Anatureza temporal foi relatada mais frequentemente como breve--transitóriaeperiódica-intermitente.Vinte pacientes(8%) tambémdescreveramsintomasdeentorpecimento,dorem queimac¸ão, hipersensibilidade sobre o local de retirada dasafena e sintomas sugestivos de síndrome coronariana aguda.Assim, concluíramque dormoderada apóscirurgia cardíacae esternotomiaé comum, embora somente rara-menteinterfirasubstancialmentecomatividadesdiárias.24
Fisiopatologiadadoraguda
Os mecanismos de dor pós-operatória são complexos, mas, genericamente falando, além do estímulo nocicep-tivo proveniente do trauma tissular direto, uma resposta inflamatória leva à sensibilizac¸ão periférica e central na experiênciadedor.Amaiorpartedadorapósesternotomia ocorredevidoadanotissularnapele,nostecidos subcutâ-neos,noossoenacartilagem.1
Osnervosintercostaisqueascendemdasraízesnervosas torácicasinervamoesterno,ascostelaseotecido subcutâ-neoadjacente.Osnervostorácicosprincipaisquesupremo esternovãodeT2aT6.Apleuraparietaltambémé densa-menteinervadaporfibrasdolorosasquepodemserativadas tantoporestímulomecânicocomoquímico.Emcontraste, apleuravisceralnãoteminervac¸ão sensitivasignificativa. Opericárdioéinervadoporfibrassensitivasprovenientesdo nervovago,nervofrênicoetroncosimpático.1
e cálcio), bradicina, substância P, histamina, trifosfato de adenosina, óxido nítrico, prostanoides e leucotrienos. Algumas dessas moléculas ativam diretamente nocicep-tores, enquanto outros atuam por mecanismos indiretos. Essas moléculas inflamatórias têm papel importante na sensibilizac¸ão neuronal central e periférica frente ao estímulosubsequente.1
Tratamentodador
Geralmente é difícil alcanc¸ar alívio satisfatório da dor após cirurgia cardíaca. Analgesia inadequada ou resposta ao estresse não inibida durante o período pós-operatório podemaumentaramorbidade,poralterac¸ões hemodinâmi-cas,metabólicas,imunológicasehemostáticas.1
A dor é subjetiva e percebida de forma diferente por cadapaciente.Porém,écomumocorrerumcontrole inade-quadodadordevidoaomedoentrecirurgiõesepacientes dosefeitoscolateraisdosanalgésicos.10
Tradicionalmente, a analgesia após a cirurgia cardíaca pode ser obtida com uso de opioides venosos (especifi-camente a morfina). Entretanto, esses estão associados a eventosadversos deletérios(náuseas, vômitos,prurido, retenc¸ãourináriaedepressãorespiratória).Alémdisso, opi-oides delonga durac¸ão, como a morfina, podemretardar aextubac¸ãotraquealduranteoperíodopós-operatóriopor sedac¸ãoexcessivae/oudepressãorespiratória.25
Para extubac¸ão precoce, os anestesiologistas estão explorando outras opc¸ões além dos tradicionais opioides venosos para controle da dor pós-operatória. Nenhuma técnica é claramente superior; provavelmente uma abor-dagem multimodal com combinac¸ão de analgésicos e técnicasseja o melhor método para controlar a dor pós--operatória,maximizar aanalgesiaeminimizaroseventos adversos.25
Opioides
Os opioides venosos têm sido administrados em pacien-tessubmetidosàcirurgiacardíaca.Aanalgesiaéconfiável e podem ser usados por longo período. As desvantagens incluem:prurido, náuseas e vômitos, retenc¸ão urinária e depressãorespiratória.26
Já a analgesia venosa controlada pelo paciente (PCA) temsidoextensamenteusadaeéummétodoseguroe efi-cazparaocontroledadorpós-operatória.27,28Analgesiapor
PCAfoisuperioraanalgesiacontroladapelaenfermeiraem pacientesapósesternotomia.29
Emumpequenoestudorandomizado,50pacientes rece-beram morfina, fentanila, meperidina, remifentanila ou tramadol,sem diferenc¸as nosescoresdedor,excetopara aquelesque receberamtramadol, quetiveramescoresde dormaisaltos.30
Osautoresdeoutroestudocom PCAvenoso com remi-fentanila,morfinaoufentanilanãoobservaramdiferenc¸as nos escoresde dor. Entretanto,os pacientes que recebe-rammorfinativerammaiorincidênciadenáuseasevômitos, enquantoosdogrupofentaniltiverammaisprurido.31
Em umestudode 60pacientes quereceberammorfina venosa para controle da dor após esternotomia, os esco-res de dor foram menores nos pacientes que receberam infusão combinada com bólus do que os que receberam
apenasbólus,nãohouvediferenc¸anosescoresdesedac¸ão enãoforamevidenciadosepisódiosdehipoxemia32Também
nãofoiobservadadiferenc¸anosescoresdedoroueventos adversos em outro estudo similar de 100 pacientes, com morfina venosa em infusão associada a bólus ou bólus isolados.33
Osopioidestambémestãoenvolvidosemumavariedade de func¸ões fisiológicas, incluindo o controle dapituitária e atividade e liberac¸ão de hormônio da medula adre-nal, controle dafunc¸ão cardiovascular e gastrintestinale regulac¸ão da respirac¸ão, do humor, do apetite, da sede, docrescimentocelularedosistemaimunológico.34Os
opi-oides podem causar diversos eventos adversos, incluindo depressãorespiratória,prurido,náuseasevômitos,prurido, retenc¸ãourinária,constipac¸ão, broncoespasmoe hipoten-são, entre outros. Os eventos adversos potenciais e bem conhecidosdosopioidespodemlimitararecuperac¸ão pós--operatória.1
Em resumo, os opioides são mais eficazes para tratar dorapóscirurgiacardíaca,especialmentequando adminis-tradosporPCA. Parece nãohaverdiferenc¸as clinicamente significativas entre os opioides e evidências atuais não sustentam o uso de infusão basal associada às doses em bolos. Devem ser considerados oseventos adversos ao se escolherummedicamento,masseváriosmedicamentossão apropriados,o custodeve serconsiderado.1 As alterac¸ões
clínicas que o paciente apresenta devem ser observadas paraaescolhadomedicamento.
Anti-inflamatórios
Osanti-inflamatórios sãoosmedicamentos mais emprega-dosparaotratamentodadorpós-operatória.Emcirurgias cardíacas,preocupac¸õesemrelac¸ãoaoseventosadversos, comoalterac¸õesnabarreiramucosagástrica,func¸ão tubu-larrenaleinibic¸ãodaagregac¸ãoplaquetária,limitamouso dessesanalgésicos.Emumestudoaindometacinapromoveu reduc¸ão doconsumodemorfinaporPCA e dosescoresde dornoperíodopós-operatórioimediatodecirurgias cardía-cas.Nãohouvediferenc¸ascomospacientesquereceberam placebo com relac¸ão ao tempode extubac¸ão traquealou perdasanguíneapós-operatória.Osautoresconcluíramque acombinac¸ãodesupositóriosdeindometacinacommorfina apóscirurgiacardíacaresultaemreduc¸ãonosescoresdedor econsumodeopioidessemaumentodoseventosadversos.35
Emoutroestudo,ousodediclofenacoreduziuoconsumode morfinaparaanalgesiaapósrevascularizac¸ãodomiocárdio, viaesternotomia,enãoocorreuomesmocomcetoprofeno ouindometacinaemrelac¸ãoaoplacebo.36
Entretanto,outrosautoresnãoobtiverambenefíciocom anti-inflamatórios ou comparacetamol em pacientes sub-metidosacirurgiacardíaca.36,37
O proparacetamol, uma pró-droga do acetominofeno, nãopromoveureduc¸ãonosescoresdedor,noconsumode oxicodonaenasatisfac¸ãodospacientesparaanalgesiaapós revascularizac¸ãodomiocárdioporesternotomia.37
Infiltrac¸ãocomanestésicolocal
A dor após cirurgia cardíaca é geralmente relacionada à esternotomia,compicoduranteosprimeirosdoisdiasapós a operac¸ão. Devido aos eventos adversos associados com infusãovenosadeopioideseaosanti-inflamatórios (sangra-mentogastrintestinaledisfunc¸ãorenal),métodosopcionais paraobteranalgesiapós-operatóriaforampensados.25
Otratamentodadorpós-operatóriacominfusãocontínua deanestésicolocalna feridaoperatória temsidodescrito após váriascirurgias alémda cardíaca.39 Em 36 pacientes
submetidosàcirurgiacardíaca,foramcolocadosdois cate-teres(um noplanosubfascialacimadoesterno,umacima dafáscianotecidosubcutâneo)naincisãodaesternotomia nofimdacirurgia. Ospacientesreceberambupivacaína a 0,25%,bupivacaínaa0,5% ousoluc¸ãosalinafisiológicaem infusãocontínua(4mL.h-1)durante48horasapósacirurgia.
Não houve diferenc¸a no tempo para extubac¸ão traqueal. Houve melhor controle da dor e menor consumo de mor-finaporPCAnopós-operatóriocombupivacaínaa0,5%.Os autores concluíram quea infusão contínua de4mL.h-1 de
bupivacaína a 0,5% é eficaz em reduzir a intensidade da dorpós-operatóriaeanecessidadedecomplementac¸ãocom opioides, assim como melhora a satisfac¸ão dos pacientes (deambulac¸ãoprecocee reduc¸ão dotempodeinternac¸ão hospitalar)apóscirurgiacardíaca.40
Bloqueiodenervo
Houve aumento do uso dos bloqueios de nervos para o tratamento da dor pós-operatória devido ao aumento da popularidadedecirurgiascardíacasminimamenteinvasivas, porminitoracotomia.41,42
Analgesiaespinal
Astécnicascomopioidese/ouanestésicoslocais proporci-onamanalgesiapós-operatóriaconfiávelempacientesapós cirurgiacardíaca.43
As propriedades físico-químicas de um opioide deter-minam seu início de ac¸ão, durac¸ão e potência por via subaracnoidea.1
Aanestesiaperiduralesubaracnoideaeaanalgesia(com anestésicos locaisouopioides)podeminibirarespostaao estresseassociadaaosprocedimentoscirúrgicos.Outra van-tagemem cirurgiacardíaca é asimpatectomia cardíacae torácica.44
A morfina subaracnoidea tem sido usada como adju-vantedaanestesiageralemcirurgiacardíaca,commelhoria no controle da dor pós-operatória e reduc¸ão das neces-sidades de opioidesvenosos.1 A anestesia geral associada
com morfina e clonidina subaracnoidea reduziu os esco-res de dor e melhorou os indicadores de qualidade de vida.45 A administrac¸ão de morfina subaracnoidea
melho-rou o controle da dor e os testes de func¸ão pulmonar, mas não houve diferenc¸as no tempo de extubac¸ão.46
A morfinasubaracnoidea facilitou a extubac¸ão traqueale proporcionouanalgesia pós-operatória confiável.47 A
mor-fina subaracnoideaproporcionousignificativa analgesiano pós-operatório.48Amorfinasubaracnoideaassociadaa
anes-tesia geral promoveu reduc¸ão nos escores de dor, menor
consumodeopioidesemelhoriadostestesdefunc¸ão pulmo-nar,alémdemenordepressãorespiratória.49 Jáemoutros
estudosautores concluíram que não houvebenefício com usodemorfinasubaracnoidea.50
A bupivacaína subaracnoidea atenuou a resposta ao estresse.51
Aadministrac¸ãodefentanileropivacaínaperidural pro-porcionouanalgesiaconfiávelapóscirurgiacardíaca.52Não
houveaumentonoriscodehematomaapósadministrac¸ãode bupivacaínaouropivacaína (bólus maisinfusão) por anes-tesiaperidural em cirurgiacardíaca.53 Com bupivacaínae
fentanilatéoterceirodiapós-operatório,houvereduc¸ãono tempodeinternac¸ãona UTI,extubac¸ãoprecoce,menores escoresdedore melhoresresultadosnostestesdefunc¸ão pulmonarerelac¸ãoPaO2/FiO2.54,55
Conclusões
Aanalgesiapós-operatóriadeboaqualidadeéimportante, poispodepreveniralterac¸õeshemodinâmicas,metabólicas, imunológicasehemostáticas,todasessascompotencialde aumentaramorbidadepós-operatória.
Aeducac¸ãodos pacientesea instituic¸ãodeprotocolos paratratamentodadorsãofundamentais.
Umgrandenúmerodeabordagens podeser usadopara tratara doraguda apósesternotomia, incluindoperidural ousubaracnoidea,bloqueiosparavertebraiseintercostais, opioides venosos por PCA e adjuvantes. Porém, opioides venosossistêmicos constituem o cerne do tratamento da dorapóscirurgiacardíaca.Comoregrageral,evitar ouso de modalidade terapêutica única para tratar a dor pós--operatória.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Referências
1.MazzeffiM,KhelemskyY.Poststernotomypain:aclinicalreview. JCardiothoracicandVascularAnesth.2011;25:1163---78. 2.MeyersonJ,Thelin S,Gordh T,etal. Theincidenceof
chro-nicpost-sternotomypainaftercardiacsurgery---Aprospective study.ActaAnaesthesiolScand.2001;45:940---4.
3.LiuSS,WuCL.Effectofpostoperativeanalgesiaonmajor pos-toperativecomplications:asystematicupdateoftheevidence. AnesthAnalg.2007;104:689---702.
4.PoppingDM,EliaN,MarretE,etal.Protectiveeffectsof epidu-ralanalgesiaonpulmonarycomplicationsafterabdominaland thoracicsurgery:ameta-analysis.ArchSurg.2008;143:990---9. 5.SinghN,SidawyAN,DeezeK,etal.Theeffectsofthetypeof
anesthesiaonoutcomesoflowerextremityinfrainguinalbypass. JVascSurg.2006;44:964---8.
6.BeattiesWS,BadnerNH,ChoiPT.Meta-analysisdemonstrates statisticallysignificantreduction inpostoperativemyocardial infarctionwiththeuseofthoracicepiduralanalgesia.Anesth Analg.2003;97:919---20.
7.KehletH,JensenTS,WoolfCJ.Persistentpostsurgicalpain:risk factorsandprevention.Lancet.2006;367:1618---25.
9.WeissmanC.Themetabolicresponsetostress:anoverviewand update.Anesthesiology.1990;73:308.
10.Apfelbaum JL, Chen C, MehtaSS, et al. Postoperative pain experience: resultsfrom a national survey suggest postope-rative pain continues to be undermanaged. Anesth Analg. 2003;97:534---40.
11.Fletcher D, Fermanian C,Mardaye A, et al. Pain and Regi-onal Anesthesia Committee of the French Anesthesia and Intensive CareSociety (SFAR): a patient-based national sur-vey on postoperative pain management in France reveals significant achievements and persistent challenges. Pain. 2008;137:441---51.
12.Maier C, Nestler N, Richter H, et al. The quality of pain managementinGermanhospitals.DtschArzteblInt.2010;107: 607---14.
13.Gerbershagen HJ, Aduckathil S, Van Wijck AJM, et al. Pain intensity on the first day after surgery. Anesthesiology. 2013;118:934---44.
14.LahtinenP, Kokki H, HynynenM. Pain aftercardiac surgery: prospective cohort study of 1-year incidence and intensity. Anesthesiology.2006;105:794---800.
15.KalsoE,MennanderS,TasmuthT,etal.Chronicpost-sternotomy pain.ActaAnaesthesiolScand.2001;45:935---9.
16.Mueller XM, Tinguely F, Tevaearai HT, et al. Pain loca-tion, distribution, andintensityaftercardiac surgery.Chest. 2000;118:391---6.
17.Mailis A, Umana M, Feindel CM. Anterior intercostal nerve damage after coronary artery bypass graft surgery with use of internal thoracic artery graft. Ann Thorac Surg. 2000;69:1455---8.
18.LuleciN,DereK,AkbasM,etal.Myofascialpainin postster-notomypatientsaftercardiacsurgery:aclinicalstudyof1226 patients.JBackMusculoskelRehab.2008;21:239---43.
19.Milgrom LB, Brooks JA, Qi R. Pain levels experienced with activities after cardiac surgery. Am J Crit Care. 2004;13: 116---25.
20.MuellerXM,TinguelyF,TevaearaiHT,etal.Impactofchesttube drainageonpainaftercardiacsurgery.EurJCardiothoracSurg. 2000;18:570---4.
21.GulluAU,EkinciA,SensozY,etal.Preservedpleuralintegrity providesbetterrespiratoryfunctionandpainscoreafter coro-narysurgery.JCardiovascSurg.2009;24:374---8.
22. Sharma AD, Parmley CL, Sreeram G, et al. Peripheral nerve injuries during cardiac surgery: risk factors, diag-nosis, prognosis, and prevention. Anesth Analg. 1989;69: 81---2.
23.MountneyJ, WilkinsonGAL.Saphenous neuralgiaafter coro-naryarterybypassgrafting.EurJCardiothoracSurg.1999;16: 440---3.
24.HoSC,RoyseCF,RoyseAG,etal.Persistentpainaftercardiac surgery:anauditofhighthoracicepiduralandprimaryopioid analgesiatherapies.AnesthAnalg.2002;95:820.
25.Myles PS, Daly DJ, DjaianiG, et al. A systematic reviewof thesafetyandeffectivenessoffast-trackcardiacanesthesia. Anesthesiology.2003;99:982.
26.RajaSN,LowensteinE.Thebirthofopioidanesthesia. Anesthe-siology.2004;100:1013---5.
27.MacintyrePE.Safetyandefficacyofpatient-controlled analge-sia.BrJAnaesth.2001;87:36---46.
28.Walder B, Schafer M, Henzi I. Efficacy and safety of pati-entcontrolledopioidanalgesiaforacutepost-operativepain. A quantitative systematic review. Acta Anaesthesiol Scand. 2001;45:795---804.
29.PetterssonPH,LindskogA,OwallA.Apatient-controlledversus nurse-controlled paintreatmentaftercoronaryarterybypass grafting.ActaAnaesthesiolScand.2000;44:43---7.
30.OztekinDS,OztekinI,IsseverH.Postoperativeeffectsofopioid analgesicsadministered viacontinuousperfusionandpatient
controlledanalgesiaafteropenheartsurgery.YakugakuZasshi. 2006;26:499---504.
31.Gurbet A, Goren S, Sahin S, et al. Comparison of anal-gesic effects of morphine, fentanyl, and remifentanil with intravenous patient controlled analgesia after cardiac surgery. J Cardiothorac Vasc Anesth. 2004;18: 755---8.
32.Guler T, Unlugenc H, GundoganZ. A backgroundinfusion of morphineenhancespatient-controlledanalgesiaaftercardiac surgery.CanJAnaesth.2004;51:718---22.
33.MotaFA,MarcolanJF,PereiraMH,etal.Comparisonstudyoftwo differentpatient-controlledanesthesiaregimensaftercardiac surgery.RevBrasCirCardiovasc.2010;25:38---44.
34.KehletH,RungGW,CallesenT.Postoperativeopioidanalgesia: timeforreconsideration?JClinAnesth.1996;8:441.
35.RapanosT, MurphyP,SzalaiJP. Rectal indomethacinreduces postoperativepainandmorphineuseaftercardiacsurgery.Can JAnesth.1999;46:725.
36.HynninenMS,ChengDCH,HossainI.Non-steroidal antiinflam-matorydrugsintreatmentofpostoperativepainaftercardiac surgery.CanJAnesth.2000;47:1182.
37.LahtinenP,KokkiH, HendolinH.Propacetamol asadjunctive treatmentforpostoperativepainaftercardiacsurgery.Anesth Analg.2002;95:813.
38.ImmerFF,Immer-BansiAS,TrachselN.Paintreatmentwitha COX-2inhibitoraftercoronaryarterybypassoperation:a ran-domizedtrial.AnnThoracSurg.2003;75:490.
39.BrownSL,MorrisonAE.Localanestheticinfusionpumpsystems adverseeventsreportedtotheFoodandDrugAdministration. Anesthesiology.2004;100:1305.
40.WhitePF,RawalS,LathamP,etal.Useofacontinuouslocal anestheticinfusionforpainmanagementaftermedian sterno-tomy.Anesthesiology.2003;99:918---23.
41.SotoRG,FuES.Acutepainmanagementforpatientsundergoing thoracotomy.AnnThoracSurg.2003;75:1349.
42.BilginM,AkcaliY,OguzkayaF.Extrapleuralregionalversus sys-temicanalgesiaforrelievingpostthoracotomypain:aclinical studyofbupivacainecomparedwithmetamizol.JThorac Car-diovascSurg.2003;126:1580.
43.ChaneyMA.Intrathecalandepiduralanesthesiaandanalgesia forcardiacsurgery.AnesthAnalg.1997;84:1211.
44.LiuS, CarpenterRL, Neal MJ.Epidural anesthesia and anal-gesia: their role in postoperative outcome. Anesthesiology. 1995;82:1474.
45.Lena P,BalaracN,Lena D,et al. Fast-trackanesthesia with remifentanilandspinalanalgesiaforcardiacsurgery:theeffect onpaincontrol and qualityofrecovery. JCardiothorac Vasc Anesth.2008;22:536---42.
46.JacobsohnE,LeeTWR,AmadeoRJ,etal.Low-doseintrathecal morphinedoesnotdelayearlyextubationaftercardiacsurgery. CanJAnaesth.2005;52:848---57.
47.Bettex DA, Schmidlin D, Chassot PG, et al. Intrathecalsufentanil-morphine shortens the duration of intubationandimprovesanalgesiainfast-trackcardiacsurgery. CanJAnesth.2002;49:711.
48.Alhashemi JA, Sharpe MD, Harris CL, et al. Effect of suba-rachnoid morphine administration on extubation time after coronary artery bypass graft surgery. J Cardiothorac Vasc Anesth.2000;14:639.
49.FitzpatrickGJ,MoriartyDC.Moriarty:intrathecalmorphinein themanagementofpainfollowingcardiacsurgery.A compari-sonwithIVmorphine.BrJAnaesth.1988;60:639---44.
50.LathamP,ZarateE,WhitePF,etal.Fast-trackcardiac anesthe-sia:acomparisonofremifentanilplusintrathecalmorphinewith sufentanilinadesflurane-basedanesthetic.JCardiothoracVasc Anesth.2000;14:645---51.
function,stressresponse,andhemodynamics.Anesthesiology. 2003;98:499.
52.RoyseC,RoyseA,SoedingP.Prospectiverandomizedtrialofhigh thoracicepiduralanalgesiaforcoronaryarterybypasssurgery. AnnThoracSurg.2003;75:93.
53.PastorMC,SanchezMJ,CasasM.Thoracicepiduralanalgesiain coronaryarterybypassgraftsurgery:sevenyears’experience. JCardiothoracVascAnesthv.2003;17:154.
54.SharmaM,MehtaY,SawhneyR,etal.Thoracicepidural anal-gesia in obese patientswith bodymass index of morethan 30kg/m2foroffpumpcoronaryarterybypasssurgery.AnnCard
Anaesth.2010;13:28---33.