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Rev. Bras. Anestesiol. vol.67 número3

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Academic year: 2018

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

DE

REVISÃO

Gabapentina

e

pregabalina

no

período

perioperatório

em

cirurgia

cardíaca:

uma

revisão

sistemática

e

metanálise

Souvik

Maitra,

Dalim

K.

Baidya,

Sulagna

Bhattacharjee

e

Anirban

Som

AllIndiaInstituteofMedicalSciences,DepartmentofAnaesthesiology&IntensiveCare,NewDelhi,Índia

Recebidoem26deoutubrode2015;aceitoem20dejulhode2016 DisponívelnaInternetem1demarçode2017

PALAVRAS-CHAVE Cirurgiacardíaca; Gabapentina; Pregabalina;

Dornopós-operatório

Resumo

Objetivos: A esternotomia para cirurgias cardíacas causa dor intensa no pós-operatório e quandonãotratadaadequadamentepodecausarmorbidadegrave.Comonessecasoador neu-ropáticaéumacomponenteimportante,gabapentinaepregabalinapodemsereficazesnesses pacientesepodemreduzir oconsumo deopioidesnopós-operatório.Oobjetivodesta revi-sãosistemáticafoiavaliaraeficáciadegabapentinaepregabalinanadoragudaapóscirurgia cardíaca.

Métodos: Foramincluídosnestarevisãoestudosclínicosprospectivoserandômicoscom huma-nos,quecompararamousodegabapentina/pregabalinanosperíodospré-e/oupós-operatório com placeboou nenhum tratamentopara o controleda dor no pós-operatório de cirurgia cardíaca.

Resultados: QuatroECRsdegabapentinaepregabalinaforamincluídosnestarevisão sistemá-tica.Trêsestudosdegabapentinaedoisdepregabalinarelataramdiminuic¸ãodoconsumode opioidesempacientescirúrgicoscardíacos;umestudodegabapentinaedoisdepregabalinanão relataram.TrêsECRsdegabapentinaepregabalinarelataramescoresmenoresdedor,durante aatividadeeorepouso.Osmedicamentosnãoestãoassociadosacomplicac¸õessignificativas. Conclusão:Emboraosescoresdedortenhamsidomenoresnopós-operatório,nãohá evidên-ciassuficientespararecomendarousorotineirodegabapentinaepregabalinaparareduziro consumodeopioidesempacientescirúrgicoscardíacos.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.Som).

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2016.07.005

(2)

KEYWORDS Cardiacsurgery; Gabapentin; Pregabalin; Post-operativepain

Perioperativegabapentinandpregabalinincardiacsurgery:asystematicreview

andmeta-analysis

Abstract

Objectives: Sternotomyfor cardiacsurgeriescausessignificantpostoperativepainandwhen not properly managed may cause significant morbidity. Asneuropathic pain is asignificant componenthere,gabapentinandpregabalinmaybeeffectiveinthesepatientsandmayreduce postoperativeopioidconsumption.Thepurposeofthissystematicreviewwastofindoutefficacy ofgabapentinandpregabalininacutepostoperativepainaftercardiacsurgery.

Methods:Published prospective human randomized clinical trials, which compared preo-perative and/or postoperative gabapentin/pregabalin with placebo or no treatment for postoperativepainmanagementaftercardiacsurgeryhasbeenincludedinthisreview. Results:FourRCTseachforgabapentinandpregabalinhavebeenincludedinthissystematic review.Threegabapentinandtwopregabalinstudiesreporteddecreaseinopioidconsumption incardiacsurgicalpatients whileonegabapentinandtwopregabalinstudiesdidnot.Three RCTseachforgabapentinandpregabalinreportedlowerpainscoresbothduringactivityand rest.Thedrugsarenotassociatedwithanysignificantcomplications.

Conclusion: Despitelowerpainscoresinthepostoperativeperiod,thereisinsufficientevidence torecommendroutineuseofgabapentinandpregabalintoreduceopioidconsumptioninthe cardiacsurgicalpatients.

©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.Publishedby ElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Aesternotomiaparacirurgiacardíacacausadorintensano pós-operatório,1comconsequênciassignificativasemcurto

elongoprazo.Adoragudamalcontroladaapós acirurgia podecomplicaropós-operatórioimediato2,3etambémpode

causar dor crônica.4 Embora os pacientes normalmente

sintam maisdor noprimeiro dia de pós-operatório, a dor intensapodecontinuaratéosextodiadepós-operatório.5

O controle adequado da dor aguda reduz a demanda de oxigênio domiocárdioe diminuiaincidência deepisódios isquêmicos.3,6 Os opioides parenterais, embora eficazes,

podem causar sedac¸ão, depressão respiratória, vômito e prurido que podem ser problemáticos.7 Além disso, os

opioides podem ter eficácia limitada quando a dor está associadaaatividades comotosseerespirac¸ãoprofunda.8

Asopc¸õesdeanalgesianeuraxialcentralnapopulac¸ão cirúr-gicacardíacatambémsãolimitadas,principalmentedevido ao uso de anticoagulantes no períodoperioperatório, e a suasuperioridadeaoopioideviaPCAtambémédiscutível.9

A dor aguda no pós-operatório também pode ter um componente neuropático significativo, juntamente com a dor nociceptiva devido à estimulac¸ão periférica de mecanorreceptoresesensibilizac¸ãocentraleperiféricapor vários mecanismos.10,11 Durantea esternotomia,osnervos

intercostais podem ser lesionados devido ao estiramento desses nervos na junc¸ão costovertebral pela retrac¸ão do esterno e danos também podem ocorrer durante a dissecc¸ão da artéria mamária interna do esterno; todos essesprocedimentoscontribuemparaadorneuropática.

Os gabapentinoides (gabapentina e pregabalina) são novos fármacos antiepilépticos também com significativa eficácia no tratamento da dor neuropática12,13 e dor no

pós-operatório.14---16 Exercem efeito antinociceptivo pela

ligac¸ão com a subunidade ␣2do canal de cálcio

sen-sível à voltagem.14,17 Além de ter efeito antialodínico

central,osgabapentinoidestambéminibema transmissão dador.17 Essesmedicamentosestãodisponíveisapenasem

preparac¸ões orais e diferem principalmente na biodispo-nibilidade. Gabapentina é absorvida no duodeno por um mecanismo de transporte saturável de l-aminoácidos, de

modo que a biodisponibilidade varia inversamente com a dose.18Abiodisponibilidadetambémvariamuitoentre

indi-víduos,salienta anecessidadedeindividualizac¸ãodadose para atingir os objetivos clínicos.19 Em contraste,

prega-balina é absorvida pelo intestino delgado com captac¸ão linearsemasaturac¸ãodotransportador.17 Osdois

medica-mentosapresentam uma ligac¸ão àsproteínas plasmáticas muitobaixa, semmetabolismo,esãoexcretados inaltera-dosnaurina;amodificac¸ãodadoseénecessáriaemcasos deinsuficiênciarenal.17Comumameia-vidadeeliminac¸ão

de4,8-8,7horas(h),adosedegabapentinadeveser admi-nistradatrêsvezespordia.18Formulac¸õesalteradasforam

concebidas para facilitar regimes de uma ou duas vezes por dia; por exemplo: Gralise (libertac¸ão prolongada) e gabapentinaenacarbil(umpró-fármaco).20Pregabalinatem

umameia-vidadeeliminac¸ãode5,5-6,3h,requerduas ou três doses por dia. Ambos os fármacos não causam efei-tos colaterais significativos e interac¸ões medicamentosas nadosagemclinicamenteútil.17Gabapentinatambémpode

ser útil para prevenir a dor crônica no pós-operatório.21

Ambostambémforamextensivamenteestudadosemvárias populac¸ões cirúrgicas para o controle da dor no pós--operatório,comdiferentesgrausdesucesso.Poucos estu-dosclínicoscontroladoserandômicos(ECRs)22---29abordaram

(3)

PRISMA 2009 Diagrama

Registros identificados na pesquisa em bancos de dados

(n = 174)

Registros selecionados (n = 174)

Textos completos de artigos avaliados para

elegibilidade (n = 10)

Estudos incluídos em síntese qualitativa

(n = 8)

Estudos incluídos em síntese quantitativa (metanálise) (n = 8)

Registros excluídos (n = 164)

n = 2 textos completos de artigos excluídos: n = 1 artigo comparou gabapentina com diclofenaco para dor crônica n = 1 artigo não era ECR

Identificação

Seleção

Elegibilidade

Inclusão

Figura1 FluxogramadoPrismaparaselec¸ãodosestudos.

perioperatórioparao controle dadoraguda apóscirurgia cardíacaerelataramresultadosvariáveis.Portanto,fizemos estarevisãosistemáticaparadescobriraeficáciade gaba-pentinaepregabalinaparaa doragudanopós-operatório decirurgiacardíaca.

Métodos

Nesta revisão incluímos estudos clínicos prospectivos em humanosquecompararamgabapentina/pregabalinano pré--operatório e/ou pós-operatório com placebo ou nenhum tratamentoparaocontroledadorapóscirurgiacardíaca.

Períododoestudoemétododepesquisa

Fizemos uma busca eletrônica nas bases de dados Pub-Med,PubMedCentral, EmbaseeCentral comasseguintes palavras-chave,gabapentina;pregabalina;cardíacae

ester-notomia, para descobrir os estudos clínicos elegíveis em

20de setembrode 2013. Também fizemos outra pesquisa bibliográficaem9deagostode2015paraatualizaro resul-tadodapesquisaanterior.AestratégiadebuscanoPubMed é descrita no Apêndice 1. As referências resultantes da

primeira busca também foram manualmente pesquisadas paraestudospotencialmenteelegíveis.

Selec¸ãodosestudos

Estudos clínicos prospectivos e randômicoscom humanos, quecompararamgabapentina/pregabalinacomplaceboou nenhumtratamentonopré-operatórioe/oupós-operatório paraocontroledadorapóscirurgiacardíaca,foram selecio-nados.Nãoimpusemosrestric¸ãoaqualqueridioma.Estudos depopulac¸ãoadultaoupediátricaforamincluídos.Não fize-mosbuscaporestudosnãopublicados.Nãoforamsolicitados aosautoresdadosnãopublicadosnosestudosincluídos.Um fluxogramadoPrisma30 daselec¸ão dosestudosé

apresen-tadonafigura1.

Critériosdeexclusão

(4)

pós-operatóriotambémforamexcluídos.Tambémexcluímos estudosque usaramuma técnicadeanalgesia regionalno pós-operatóriocomopartedoregimemultimodal.

Coletadedados

Osresumosdeestudospotencialmenteelegíveisforam pes-quisadosmanualmenteparadeterminarasuaelegibilidade nestarevisão.Coletamosos dadosnecessários apartir do texto completo dos estudos. Dois autores independente-mente (DKB e SB) extraíram todos os dados dos estudos elegíveis.Inicialmente,todososdadosforamtabuladosna planilhadecálculodoMicrosoftExcelTM.

Dadosextraídos

Osseguintes dadosforamextraídosdos estudoselegíveis: nome do primeiro autor, ano de publicac¸ão, métodos de randomizac¸ãoeceguidade,populac¸ãodoestudo,protocolo deadministrac¸ãodofármaconoestudo,consumode opioi-des eescoresdedornopós-operatório, incidência dedor crônicaapósesternotomiaeescoresdedorcrônica,tempos deventilac¸ãomecânicaedepermanênciaemUTIereac¸ões adversas.Todososdadosextraídosforamtabuladosemuma planilhadoMicrosoftExcel.

As medidas do desfecho primário desta revisão foram os escores de dor no pós-operatório (em repouso e em movimento). As medidas dos desfechos secundários foramoconsumodeopioidesnopós-operatório,osefeitos dosfármacosemestudo sobreosefeitos adversos relacio-nadosaosopioides,ostemposdeventilac¸ãomecânicaede permanênciaemUTI.

Quando uma metanálise quantitativa não foi possível, umarevisãosistemáticaqualitativadosdadosrelatadosfoi feita.

Riscodeviésemestudosindividuais

A qualidade dos estudos elegíveis foi avaliada com o uso daferramenta‘‘risco deviés’’ doprogramaReview Mana-ger versão 5.2.3 (Review Manager [RevMan]. Version 5.2. Copenhagen:TheNordicCochraneCenter,Cochrane Colla-boration,2012)pordoisautoresquetrabalharamdeforma independente (SMe AS). Gerac¸ão desequências randômi-cas,ocultac¸ãodaalocac¸ão,ceguidade,dadosincompletos erelatosseletivosforamavaliados;combasenosmétodos usados, cada estudo foi classificado como ‘‘sim’’, ‘‘não’’ ou‘‘impreciso’’, refletiramaltorisco de viés,baixo risco deviéseviésdúbio,respectivamente.Afigura2mostrao resumodoriscodeviésparaosestudosindividuais.

Resultados

Apesquisanosbancosdedadosrevelou174artigos.Emseis estudosclínicos,gabapentinafoiusadacomoanalgésicoem cirurgiascardíacas,masemumdeles31gabapentinafoi

com-paradacomdiclofenacoe,portanto,oestudofoiexcluídoda análise.Outroestudoclínicocontroladoerandômico(ECR)32

comparouumregimemultimodalcomgabapentinacomum regime analgésico baseado em opioides. Por fim, quatro

Joshi et al. 2013

Geração de sequência randômica (viés de seleção) Ocultação de alocação (viés de seleção) “Cegamento” de participantes e de equipe (viés de desempenho) “Cegamento” de avaliação de desfechos (viés de detecção) Dados incompletos de resultados (viés de atrito) Relato seletivo (viés de relato) Outros vieses

Menda et al. 2010

Pesonen et al. 2011

Rapchuk et al. 2010

Soltanzadeh et al. 2011

Sundar et al. 2012

Ucak et al. 2011

Ziyaeifard et al. 2015

Figura2 Resumodoriscodeviésparaosestudosindividuais.

ECRs23,25,26,28 que avaliaram gabapentina e outros quatro

que avaliaram pregabalina22,24,27,29 estavam em

conformi-dadecomcritériosdeinclusãoparaestarevisãosistemática. Oriscodeviésemcadaestudoéapresentadonafigura2.Os protocolosdeestudodosestudosindividuaisedapopulac¸ão depacientessãodescritosnatabela1.Aseguir,faremosum resumodosresultadosquereunimos.

Dornopós-operatório

Todososestudosincluídosrelataramescoresdedorem dife-rentesmomentos;portanto,umaanálisecombinadanãofoi possível.

Gabapentina

Ucaketal.28relataramumescoremenordedorcomousode

gabapentinaduranteorepousoeatosseem6,12,18,24,48 e72horas.Soltanzadehetal.26relataramqueosescoresde

(5)

Tabela1 Resumosdosprotocolosdosestudosedosresultadosdeestudosindividuais

Autor&ano Pacientes Protocolo Analgésicosno pós-operatório

Resultadoanalgésico Outroresultado

Gabapentina Soltanzadeh etal.,201126

60homensentre 20-70anos agendadospara CABG

Gabapentinaoral 800mg2hantes dacirurgiae 400mg2hapósa extubac¸ão(n=30),

vs.placebo (n=30)

Morfina Osescoresdedortanto emrepousoquanto duranteatosseforam significativamente menoresnogrupo gabapentina(p=0,02). Alterac¸ões

hemodinâmicas(FC, PAS,PAD)eincidência denáusea,vômitoe depressãorespiratória em24hforam comparáveisentreos doisgrupos.

Aventilac¸ãomecânica nopós-operatóriofoi significativamente maior(p=0,03)no grupogabapentina (5,4±1,7h)queno grupocontrole (4,4±1,6h).

Onúmerodepacientes comexcessode sedac¸ão(escorede sedac¸ão>2)foimaior nogrupogabapentina.

Mendaetal., 201023

60homensjovens submetidosà CABG

Gabapentinaoral 600mg2hantes dacirurgia (n=30),vs.

placebo(n=30)

MorfinaPCA, paracetamol

Oconsumototalde morfinafoimenorno grupoGABA(6,7±2,5) quenogrupoplacebo (PLA)(15,5±4,6mg,

p<<0,01)em24h. Osescoresdedorem repousoforam significativamente menoresnogrupo GABAduranteo períododoestudo (p<0,05).

Osescoresdedorem 2,6e12hdurantea tosseforam

significativamente menoresnogrupo GABA(p<0,05), enquantoosescoresde dorem18,24e48h duranteatosseforam semelhantesentreos grupos.

Operíodode

ventilac¸ãomecânicano pós-operatóriofoi significativamente prolongadonogrupo GABA(6,6±1,2h)em comparac¸ãocomo grupoPLA(±1h,

p<0,01).Onúmerode pacientescomexcesso desedac¸ão(pacientes comescorede

Ramsay>2)foisuperior nogrupoGABAem2,6 e12hdoestudo.Houve menorincidênciade náuseanogrupoGABA (p=0,02).

Rapchuk etal.,201025

60pacientes submetidosà esternotomia mediana

Gabapentinaoral 1.200mg2hantes daincisão cirúrgicae600mg duasvezesaodia paraospróximos doisdiasde pós-operatório (n=30),vs.

placebo(n=30).

FentanilPCA, paracetamol, tramadol, petidina, AINEs

Ousototaldefentanil viaPCAnasprimeiras 48hfoisemelhantenos doisgrupos.

OsescoresVAS registradosàs12,24, 48e72hemrepousoe emmovimentonão foram

significativamente diferentes.

(6)

Tabela1 (Continuação)

Autor&ano Pacientes Protocolo Analgésicosno pós-operatório

Resultadoanalgésico Outroresultado

Ucaketal., 201128

40pacientescom DCIsubmetidosà CABG

Gabapentinaoral 1,2g.dL−11h

antesdacirurgiae por2diasapósa cirurgia(n=20),

vs.placebo (n=20)

Tramadol, paracetamol

Osescoresdedorem 1,2e3diasde pós-operatórioforam menoresnogrupo gabapentina(p<0,05). Osescoresdedorem 1e3mesesde pós-operatóriotambém forammenoresno grupogabapentina (p<0,05). Oconsumode analgésicoderesgate (tramadol)em24horas apósaextubac¸ãono grupogabapentinafoi 99,0±53,8mgvs. 149,4±72.5mgno grupoplacebo (p<0,05).

Nãohouvediferenc¸ana incidênciadeefeitos colateraisenotempo deextubac¸ão.

Pregabalina

Joshietal., 201322

40pacientesentre 30-65anos submetidosà CABGprimária sembomba

Pregabalinaoral 150mg2hantes dainduc¸ãoe 75mgacada12h durante2diasde pós-operatório (n=20),vs. placebo(n=20)

Tramadol, paracetamol, diclofenaco

Osescoresdedorem repousoem6,12,24e 36hdaextubac¸ãoeos escoresdedorà respirac¸ãoprofunda em4,6,12,24e36h daextubac¸ãoforam menoresnospacientes tratadoscom

pregabalina(p<0,05). Oconsumode analgésicoderesgate (tramadol)foireduzido em60%nogrupo pregabalina(p<0,001). Osescoresde

intensidadedador forammaioresno grupocontroleem12, 24e36h(p<0,05).A doremrepousoeà respirac¸ãoprofunda em1e3mesesapósa cirurgiaforam comparáveisentreos grupos.

(7)

Tabela1 (Continuação)

Autor&ano Pacientes Protocolo Analgésicosno pós-operatório

Resultadoanalgésico Outroresultado

Pesonen etal.,201124

70pacientescom 75anosoumais, submetidosà CABGprimária eletivaou correc¸ãode válvulaúnicaou substituic¸ãocom CPB

Pregabalinaoral 150mg1hantes dacirurgiae75mg duasvezesaodia durante5diasde pós-operatório (n=35),vs.

placebo(n=35)

Oxicodona Aporcentagemde pacientesque precisaramde analgesiafoi significativamente menorem2,10e12h apósaextubac¸ãono grupopregabalina (p<0,05).Pregabalina tambémreduziuem 43%oconsumode oxicodonaparentérica durante16hapósa extubac¸ãoeem48%o consumototalde oxicodonadesdea extubac¸ãoatéofimdo 5◦diade

pós-operatório.A incidênciadedor duranteomovimento foisignificativamente menornogrupo pregabalinaem 3mesesde

pós-operatório,masa dorapós1mêsfoi semelhante.

OsescoresRASSeMMSE foramsemelhantes entreosgruposeos escoresCAM-ICUforam significativamente menoresnogrupo placebono1◦diade pós-operatório.O tempodeextubac¸ão foisignificativamente maiornogrupo pregabalina(638±285

vs.500±233min;

p<0,05).Aincidência denáuseaevômitofoi comparável.

Sundaretal., 201227

60pacientes adultosagendados paraCABGsem bomba

Pregabalinaoral 150mg1hantes dacirurgia (n=30),vs.

placebo(n=30)

Fentanil OsescoresVASmedidos em6,12e24hapósa cirurgiaeoconsumo defentanilaté24h apósacirurgiaforam semelhantesentreos grupos.

Osescoresdesedac¸ão deRamsayem6,12e 24hapósacirurgia foramsemelhantes entreosgrupos.Os temposdeventilac¸ãoe depermanênciaem UTIeaincidênciade náusea,vômitoe tonturatambémforam comparáveis.

Ziyaeifard etal.,201529

60pacientescom maisde20anos agendadospara CABGeletiva

Pregabalinaoral 150mg2hantes dacirurgia (n=30),vs.

placebo(n=30)

Morfina Osescoresdedor foram

significativamente menoresnogrupo pregabalinaem4,12e 24hdacirurgia

p<0,05),maso consumodemorfinafoi semelhanteentreos grupos.

Otempode

permanênciaemUTI foisemelhante.

(8)

relataram escoresmenores de dor em repouso e por até 48hapósaextubac¸ão,masapenasporaté12hparaador duranteatosse.Porém,Rapchuketal.25relataramescores

VASsemelhantestantoem repousoquantoduranteatosse poraté72h depós-operatório.Rafiq etal.32 avaliaramos

escoresdedorcomescalade11pontos(NRS)edescobriram queospacientes nogrupomultimodalcontendo gabapen-tina---emtodasascategorias,exceto‘‘piordor’’no4◦dia

---apresentaramescoresmédiosdedormaisbaixos.Os paci-entesapresentaramumamédiasignificativamenteinferior referenteàsensac¸ãodedordesdeodiazero(diadacirurgia) atéoterceirodia.Amenordorsentidaduranteodia tam-bémfoiinferiornogrupomultimodaldoprimeiroaoterceiro dia.

Pregabalina

Noestudo conduzido porJoshi etal.22, osescoresde dor

emrepousoem6,12,24e36horasapartirdaextubac¸ãoe durantearespirac¸ãoprofundaem4,6,12,24e36horasa partirdaextubac¸ãoforammenoresnospacientestratados compregabalina(p<0,05).Osautorestambémdescobriram queastaxasdepicodofluxoinspiratórioavaliadascom espi-rometriadeincentivoforammaioresnogrupopregabalina emcomparac¸ãocomogrupocontroleem12,24e36horas apartirdaextubac¸ão(p<0,05).Pesonenetal.24relataram

uma porcentagem significativamente menor de pacientes que precisaram de analgesia em 2, 10 e 12horas após a extubac¸ão nogrupo pregabalina(p<0,05).Sundaret al.27

nãoconseguiramdetectardiferenc¸anosescoresVAS avalia-dosem6,12e24horasapósacirurgia;EnquantoZiyaeifard etal.29descobriramescoresdedorsignificativamente

meno-res no grupo pregabalinaem 4, 12 e 24horas da cirurgia (p<0,05).

Consumodeopioidenopós-operatório

Gabapentina

Três estudos23,26,28 relataram consumode opioidesno

pós--operatório por até 24h após a extubac¸ão e umestudo25

relatou consumo de fentanil por até 48h. Dois desses estudos23,26 usaram morfinae um28 usou tramadol. Menda

et al.23 descobriram que a administrac¸ão de

gabapen-tina no pré-operatória reduz o consumo de morfina em comparac¸ão com placebo (6,7±2,5mg vs. 15,5±4,6mg,

p<0,01). Soltanzadeh et al.26 relataram que gabapentina

no pré- e pós-operatório reduz o consumo de opioides em comparac¸ão complacebo (0,9±1,5mg vs.1,5±4mg,

p=0,01). Ucak et al.28 relataram o consumo de

trama-dol por via intravenosa e descobriram que gabapentina reduz o consumo de tramadol em comparac¸ão com pla-cebo(99±53,8mgvs. 149,4±72,5mg, p<0,05).Rapchuk etal.25relataramconsumosemelhantedefentanilem48h

apósaextubac¸ão(1.355±995mcgvs.1.562±1.055±mcg;

p=0,46;n=54).

Pregabalina

Joshi etal.22 descobriram queo consumo detramadolfoi

reduzido em 60% no grupo pregabalina em comparac¸ão comogrupoplacebo(67,8±60,25mgvs.167,1±52,1mg, p<0,001).Pesonenetal.24relataramquepregabalina

redu-ziu em 43% o consumo de oxicodona parenteral por 16h

após a extubac¸ão (8±5mg vs.14±6mg, p<0,001)e em 48% o consumo total de oxicodona desde a extubac¸ão atéo fim do quintodia de pós-operatório (48±28mg vs. 93±44mg,p<0,001). Porém,Sundaretal.27 eZiyaeifard

etal.29nãoencontraramdiferenc¸anoconsumodefentanil

(241,67±178,87mcgvs.251,67±181,47mcg,p>0,05)ede morfina(3±0,17mgvs.3,1±0,15mg,p>0,05)ematé24h apósacirurgia,respectivamente.Valedestacarqueousode pregabalinafoicontínuonoperíodopós-operatórionosdois primeirosECRs(atéo2◦ eo5dia,respectivamente)22,24e

foiadministradacomodoseúnicanopré-operatórionosdois últimos.27,29

Dorcrônica

Gabapentina

Ucaketal.28descobriramqueosescoresdedoremumetrês

mesesdepós-operatórioforammenoresnogrupo gabapen-tina,masadiferenc¸anãofoiestatisticamentesignificativa (p>0,05).

Pregabalina

Noestudoconduzido porJoshi etal.22, ador em repouso

edurantearespirac¸ãoprofundaem umetrêsmesesapós acirurgiafoicomparávelentreosgrupos.Pesonenetal.24

relataram que a incidência de dor durante o movimento foisignificativamentemenornogrupopregabalinaemtrês mesesdepós-operatório,masadorapósummêsfoi seme-lhante.

Tempodeventilac¸ãomecânica

Umaanálisecombinadadescobriuqueotempodeventilac¸ão mecânicaaumentousignificativamentecomousode gaba-pentina (=0,81h; IC 95% 0,43-1,19; p<0,0001) (fig. 3), masnãocompregabalina(MD=0,60h;IC95% −0,94-2,13;

p=0,45;n=160)(fig.4).

PermanênciaemUTI

Ousoperioperatóriodegabapentina(MD=1,06h;IC95% -0,67-2,79;p=0,23;n=120)oudepregabalina(MD=0,63h; IC95%-3,59-4,85;p=0,77;n=220)nãoafetademodo sig-nificativootempodepermanênciaemUTI.

Complicac¸õesnopós-operatório

Gabapentina

Osefeitos adversos comumenterelatados de gabapentina são sedac¸ão, tontura e sonolência.17 Ucak et al.28

rela-taram que não houve aumento da incidência dos efeitos adversos de gabapentina. Menda et al.23 relataram um

aumentodaincidência desedac¸ão(escore desedac¸ãode Ramsay>2) como uso degabapentina em 2,6 e 12horas apósaextubac¸ão.Tambémrelataramumaincidência signi-ficativamentemenordenáuseanospacientestratadoscom gabapentina.Rapchuketal.25 e Soltanzadehetal.26

(9)

Diferença média IV, Fixo, IC 95% Diferença média

IV, Fixo, IC 95% Placebo

Peso Total DP DP Média Média

Estudo ou subgrupo

Menda et al 2010 6,6

9,6 4,1 27 9,2 3,9 27

30 20

–2 –1 0 1 2

0,8 1,6 4,4 30 1,7 1,4 7,9 5,4

20 7,65

3,2%

29,2% 20,9%

0,40 [–1,73, 2,53] 1,00 [0,16, 1,84] 0,25 [–0,46, 0,96]

1,2 30 5,5 1 30 46,7% 1,10 [0,54, 1,66]

Rapchuk et al 2010 Soltanzadeh et al 2011 Ucak et al 2011

Heterogeneidade: Qui2 = 3,79, df = 3 (p = 0,29); l2 = 21%

Favorece [Gabapentina] Favorece [Placebo] Teste de efeito global: Z = 4,15 (p < 0,0001)

Total (IC 95%) 107 107100,0% 0,81 [0,43, 1,19] Total

Gabapentina

Figura3 Gráficoemflorestaquemostraaanálisecombinadadadiferenc¸amédiadotempodeventilac¸ãomecânicapara gaba-pentina.

Diferença média IV, Randômico, IC 95% Diferença média

IV, Randômico, IC 95% Controle

Peso Total DP

DP Média

Média Estudo ou subgrupo

Joshi et al 2013 7,45

10,63 4,75 29 8,33 3,88 31 30

–100 –50 0 50 100

5,13 10,37 30 4,68 10,6

28,2% 24,4%

2,30 [0,10, 4,50] 0,23 [–2,25, 2,71] 1,95 20 7,68 1,98 20 47,4% –0,23 [–1,45, 0,99] Pesonen et al 2011

Sundar et al 2012

Heterogeneidade: Tau2 = 0,91, Qui2 = 3,89, df = 2 (

p = 0,14); l2 = 49%

Favorece [experimental] Favorece [controle] Teste de efeito global: Z = 0,76 (p = 0,45)

Total (IC 95%) 79 81 100,0% 0,60 [–0,94, 2,13]

Total Pregabalina

Figura4 Gráficoemflorestaquemostraaanálisecombinadadadiferenc¸amédiadotempodeventilac¸ãomecânicapara prega-balina.

Pregabalina

Pregabalinatemumperfildeefeitoscolateraissemelhante aodegabapentina.17 Osescoresdesedac¸ãoeaincidência

denáusea/vômitorelatadapelostrêsECRs22,24,27foram

com-paráveisentreosgrupos. Joshietal.22 tambémrelataram

incidênciasimilardedepressãorespiratóriaeSundaretal.27

descobriramocorrênciasimilardetonturaentreosgrupos. Poroutrolado,osescoresCAM-ICUforamsignificativamente menoresnogrupoplacebonoprimeirodiadepós-operatório noestudoconduzidoporPesonenetal.24

Discussão

Os principais achados desta revisão são que gabapentina nãoreduziuoconsumodeopioidesnopós-operatórioapós cirurgiacardíaca,masquepodereduzirosescoresdedorà custadoaumentodotempodeventilac¸ãomecânica.Porém, gabapentinafoi segura e nãoapresentou efeitos adversos graveseumúnicoestudo23tambémrelatoureduc¸ãoda

inci-dênciadenáusea.Poroutrolado,pregabalinadiminuiu os escoresdedornopós-operatório;reduziuoconsumode opi-oidesquandocontinuadanopós-operatório;nãoaumentouo tempodeventilac¸ãomecânica,asedac¸ãoououtrosefeitos colaterais.

Aeficácia degabapentinanoperioperatóriopara redu-ziradorestábemestabelecidaem outrosprocedimentos, comocirurgias dacolunavertebral,33 cirurgiasdemama,34

cirurgias ginecológicas35 e outras. Contudo, pode nãoter

eficácianotratamentodadorapóscraniotomia.36É

prová-velquegabapentinasejamaiseficazquandoocomponente neuropáticoésignificativo.Afutilidadedeumaúnicadose degabapentinanopré-operatóriofoiobservadaem vários cenários.37---39Gabapentinapodesermaiseficazparao

con-trole dador no pós-operatório em doses mais elevadas e quandoadministradapré-epós-operatoriamente.17Entreos

estudosincluídosemnossarevisão,Ucaketal.28eRapchuk

etal.25 usaram gabapentinaemdose de1.200mgpordia,

duashorasantesdacirurgiaedeformacontinuadatambém no pós-operatório. Por outro lado, Menda etal.23 usaram

gabapentina somente no períodopré-operatório e Soltan-zadeh et al.26 usaram uma dose menor de gabapentina

(800mg.dia−1).Énotávelque,apesardeusarem

gabapen-tinaem dose de 1.200mcg.dia−1 tanto nopré- quantono

pós-operatório, Rapchuketal.25 nãoobservaram qualquer

reduc¸ão nos escores de dor e no consumo de fentanil. Em 2010, Parlowetal.40 descobriram quea concentrac¸ão

plasmática de gabapentina não é afetada pelo bypass

cardiopulmonar e que os pacientes que receberam gaba-pentinaconsumiramumaquantidadedemorfinanoperíodo pós-operatório semelhante àquela dos pacientes que não receberamgabapentina.Emestudosanteriores,41que

rela-taram a ineficáciade gabapentina, o motivo para tal foi atribuído ao uso de anestesia regional nesses estudos e especulou-sequeaanestesiaregionalpoderiaterevitadoa sensibilizac¸ãocentral.Porém,nenhumdosestudosincluídos emnossarevisãofezusodequalquertécnicadeanestesia regional.Dopontodevistaclínico,umareduc¸ãoda neces-sidadedeopioidespodesermaisimportantedoqueapenas escores de dor. Novamente, os escoresde dor registados somenteemtemposespecíficosnãorepresentama analge-sia dos pacientes duranteum períodode tempo. Nenhum dosestudosrelatouosníveisdesatisfac¸ãodospacientes.

Osdadosrelatadosparadorcrônicaforaminadequados paraqualquerconclusão.

Aeficácia de pregabalinapara reduzir a dor agudano pós-operatório foi avaliada em várias metanálises.15,42,43

Eipe et al.15 concluíram que pregabalina diminui o

(10)

explicaroachadodeescoresdedorreduzidoscom prega-balinaemtrêsdosECRsincluídos.22,24,29DoisECRs22,24que

continuarampregabalina (150mg.dia−1)nopós-operatório

demonstraramreduc¸ãonoconsumodeopioides,enquanto osoutrosdoisECRs27,29queusaramumaúnicadosede

prega-balina(150mg)nopré-operatórionãoencontraramqualquer reduc¸ão.NocasodeSundaretal.,27 opoderdeseuestudo

nãofoiadequado paradetectardiferenc¸as nosescoresde dorouconsumodeopioides.Aausênciadeefeitonooutro estudo29 corroboraaconclusãodeSchmidtetal.17 deque

a administrac¸ão continuadadofármaco nopós-operatório provavelmente é mais eficaz do que uma única dose no pré-operatório,emboracontrariandooachadodeMishriky etal.emsuametanálise.42Mishrikyetal.42nãodescobriram

diferenc¸asignificativaentreosregimesdedosagemúnicae múltipla,massuaanáliseteveumcomponentesignificativo deheterogeneidadedevido aoagrupamento dediferentes cirurgias e técnicasdeanestesia.Essa contradic¸ão requer maispesquisasnessaárea.Noentanto,devemosnotarque oefeitodobypasscardiopulmonarsobrepregabalinanãofoi estudado.Em pelomenosumestudo22 houvemelhoria da

analgesiatraduzidaem melhoradastaxasdepicodofluxo inspiratórioavaliadascomespirometriadeincentivo.

O aumento do tempo de ventilac¸ão mecânica após o uso de gabapentina pode ser devido a um efeito secun-dário bem conhecido de gabapentina; isto é, o aumento da sedac¸ão. Porém, o incremento é clinicamente insigni-ficante: a diferenc¸a média é de apenas 0,81h (48min). Devemoslembrarqueosestudosusamdiferentesprotocolos deextubac¸ãoe desmamee esseresultadodeveser inter-pretado comcautela. Pregabalinanão aumentouo tempo de ventilac¸ão mecânica. Ambos os fármacos não tiveram qualquerefeitosobreotempodepermanênciaemUTI.

Apesardacrenc¸apopular,gabapentinamostrou aumen-tar a sedac¸ão em apenas um ECR. Nenhum dos estudos relatou efeitos adversos graves para gabapentina. Além disso,umestudo23descobriuquegabapentinatambémpode

reduzir a náusea no pós-operatório. Isso não surpreende porquegabapentinatambémpodertereficáciasemelhante apóscraniotomia.36Umanecessidademenordemorfinanos

pacientestratados com gabapentinapode serresponsável porisso.Aincidênciadesedac¸ão,depressãorespiratóriae náusea/vômitotambémnãofoialteradacomousode pre-gabalina.Essaausênciadeefeitossecundáriossignificativos podeserexplicadapelousodeumadosemenor(150mg)do fármaco.

A relevância clínica de nossarevisão é que, apesardo pequenonúmerodeestudosquerelatamobenefíciodouso de gabapentinoides noperíodo perioperatório de cirurgia cardíaca,nossaanálisenãoconseguiu corroborarqualquer eficáciaclínicainequívoca,emboranenhumefeitoadverso significativotenhasidoassociado.Portanto,atéomomento, nãoháumaforteevidênciaparaapoiarousode gabapen-tinaepregabalinanoperíodoperioperatórioempacientes cirúrgicoscardíacos.

Limitac

¸ões

A limitac¸ão mais importante de nossa revisão é a inclu-sãodeumnúmerolimitadodeestudos.Apesardapesquisa extensivanosbancodedados,apenasoitoestudospuderam

ser incluídos. Estudos individuais, embora bem desenha-dos,compreendemumpequeno númerodepacientes.No futuro,umgrandeestudo clínico,controladoe randômico podealterarnossa descoberta.Osprotocolosde dosagem degabapentinaepregabalinatambémsãovariadosnos estu-dos.Osdadossobredorcrônicatambémsãomuitolimitados.

Conclusão

Atéomomento,asevidênciasnãosãosuficientespara reco-mendarousorotineirodegabapentinae pregabalinapara reduziroconsumodeopioidesempacientescirúrgicos car-díacos, principalmente para o controle de dor aguda no pós-operatório.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Apêndice

1.

(‘‘gabapentina’’ [Conceito Suplementar] OU ‘‘gabapentina’’[Todos oscampos])E (‘‘corac¸ão’’ [Termos MeSH] OU ‘‘corac¸ão’’ [Todos os campos] OU ‘‘cardíaca’’ [Todososcampos])(‘‘gabapentina’’[ConceitoSuplementar] OU‘‘gabapentina’’[Todososcampos])E(‘‘esternotomia’’ [TermosMeSH]OR‘‘esternotomia’’[Todososcampos])

(‘‘pregabalina’’ [Conceito Suplementar] OU (‘‘pregabalina’’[Todos oscampos])E (‘‘corac¸ão’’[Termos MeSH] OU ‘‘corac¸ão’’ [Todos os campos] OU ‘‘cardíaca’’ [Todososcampos])(‘‘pregabalina’’[ConceitoSuplementar] OU(‘‘pregabalina’’[Todososcampos])E((‘‘esternotomia’’ [TermosMeSH]OU(‘‘esternotomia’’[Todososcampos])

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Imagem

Figura 1 Fluxograma do Prisma para selec ¸ão dos estudos.
Figura 2 Resumo do risco de viés para os estudos individuais.
Tabela 1 Resumos dos protocolos dos estudos e dos resultados de estudos individuais Autor &amp; ano Pacientes Protocolo Analgésicos no
Figura 3 Gráfico em floresta que mostra a análise combinada da diferenc ¸a média do tempo de ventilac ¸ão mecânica para gaba- gaba-pentina

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