MORBI MORTALI DADE POR CAUSAS EXTERNAS NA POPULAÇÃO I DOSA
RESI DENTE EM MUNI CÍ PI O DA REGI ÃO SUL DO BRASI L
1Thais Aidar de Freit as Mat hias2 Maria Helena Prado de Mello Jorge3 Oséias Guim arães de Andrade2
Mat hias TAF, Jorge MHPM, Andrade OG. Morbim ort alidade por causas ext ernas na população idosa resident e em m unicípio da região sul do Brasil. Rev Lat ino- am Enferm agem 2006 j aneiro- fevereiro; 14( 1) : 17- 24.
A m orbim ort alidade por causas ext ernas foi analisada para idosos resident es em Município do Sul do Brasil. Os óbitos, de 1979 a 1998, e as internações, de 1995 a 1998, foram obtidos do Sistem a de I nform ação de Mor t alidade, do Sist em a de I nfor m ações Hospit alar es do SUS e a população, dos Anuár ios do I BGE. O coeficient e de m or t alidade por causas ex t er nas decr esceu 16, 2% , m as obser v ar am - se v alor es cr escent es com a idade, m aiores no sexo fem inino. As quedas, atropelam entos e outros acidentes de transporte foram as causas m ais fr eqüent es. O coeficient e de m or t alidade no sex o m asculino, no últ im o t r iênio, foi m aior por at ropelam ent os e no fem inino por quedas ( 64,8 e 58,3 óbit os por 100.000 habit ant es, respect ivam ent e) . As int ernações por lesões e envenenam ent os decresceram no período e ent re as 146 ocorridas em 1998, 45,9% foram por quedas. A com unidade deve reconhecer que o idoso est á expost o aos acident es, sendo necessário que m edidas prevent ivas sej am adot adas.
DESCRI TORES: enferm agem geriát rica; idoso; m ort alidade; m orbidade; ferim ent os e lesões; est at íst icas de saúde; sist em as de inform ação
MORBI DI TY AND MORTALI TY DUE TO EXTERNAL CAUSES
AMONG ELDERS I N THE SOUTH OF BRAZI L
We analyzed m orbidit y and m ort alit y rat es due t o ext ernal causes am ong elderly persons in a cit y in the Sout h of Brazil. Data about deaths, from 1979 to 1998, and about hospit al adm issions, from 1995 t o 1998, w ere obt ained from t he Mort alit y I nform at ion Syst em and t he Hospit al I nform at ion Syst em of t he Brazilian Minist ry of Healt h. Populat ion dat a w ere based on t he nat ional dem ographic census. Mort alit y rat es due t o external causes decreased 16.2% , but levels increased in advanced ages, especially for wom en. Falls, pedestrian accidents and other road accidents were the m ost im portant external causes of death in this population. I n the last t hree years of t his st udy, m ort alit y rat es were higher for pedest rian accident s am ong m en and for falls am ong wom en ( 64.8 and 58.3 per 100.000 inhabit ant s, respect ively) . Hospit al adm issions due t o inj uries and intoxications decreased in the period. Am ong the 146 adm issions in 1998, 45.9% were due to falls. The com m unity has t o recognize t hat elderly persons are exposed t o accident s and t hat prevent ive m easures are needed.
DESCRI PTORS: geriatric nursing; aged; m ortality; m orbidity; wounds and inj uries; health statistics; inform ation sy st em s
MORBI MORTALI DAD POR CAUSAS EXTERNAS EN LA POBLACI ÓN ANCI ANA
RESI DENTE EN MUNI CI PI O DE LA REGI ÓN SUR DE BRASI L
La m orbim ort alidad por causas ext ernas fue analizada para ancianos resident es en un m unicipio del sur de Brasil. Los óbitos, de 1979 a 1998 y las internaciones, de 1995 a 1998, fueron obtenidos del Sistem a de I nfor m ación de Mor t alidad y del Sist em a de I nfor m aciones Hospit alar ias del Sist em a Único de Salud, y la población, de los Anuarios del I nst it ut o Brasileño de Geografía y Est adíst ica. El riesgo de m orir por causas ext ernas decreció 16,2% , pero se observó riesgo crecient e con la edad, m ás evident e en el sexo fem enino. Las caídas, at ropellam ient os y ot ros accident es de t ransport e fueron las causas de óbit o m ás frecuent es. En el últ im o t rienio, la m ort alidad en el sexo m asculino fue m ayor por at ropellam ient os y en el fem enino por caídas ( 64,8 y 58,3 óbitos por 100.000 habitantes, respectivam ente) Las internaciones por lesiones y envenenam ientos decrecieron en el período y, entre las 146 ocurridas en 1998, el 45,9% fue debido a caídas. La com unidad debe reconocer que el anciano está expuesto a accidentes, siendo necesario que m edidas preventivas sean adoptadas.
DESCRI PTORES: enferm ería geriát rica; anciano; m ort alidad; m orbilidad; heridas y t raum at ism os; est adíst icas de salud; sist em as de inform ación
I NTRODUÇÃO
O
s aciden t es e v iolên cias est ão en t r e as pr in cipais cau sas de m or t e n a popu lação j ov em e adult a. Ent ret ant o, est udos vêm revelando que essas causas t am bém são m er ecedor as de at enção ent r e as pessoas idosas. Pesquisas desenvolvidas sobre a si t u a çã o d a v i o l ê n ci a , m a i s e sp e ci f i ca m e n t e n o t r ânsit o, t êm dem onst r ado que, em bor a as m or t es por essas causas est ej am concent r adas em adult os j o v en s, a s t a x a s d e m o r t a l i d a d e a p r esen t a m - se crescent es à m edida que avança a idade( 1).Os a ci d e n t e s e n t r e p e sso a s i d o sa s sã o e v e n t o s m u i t o i m p o r t a n t e s d e v i d o à m a i o r v u l n e r a b i l i d a d e d e ssa p a r ce l a d a p o p u l a çã o , r esu l t a n d o em co m p r o m et i m en t o s d e g r a v i d a d e v a r i á v e l . Al é m d i sso , o i m p a ct o e co n ô m i co d o s acident es em idosos é grande, pois quase um t erço de t odas as despesas relacionadas a eles é at ribuído à p o p u l a çã o i d o sa( 2 ). En t ã o , o e n v e l h e ci m e n t o
populacional em curso sugere que essas ocorrências devam aum ent ar em nosso m eio, pois o Brasil vem experim ent ando, nas últ im as décadas, m odificações n a est r u t u r a et ár ia da su a popu lação, e u m a das conquist as m ais im por t ant es ent r e essas m udanças é sem , dúvida, o aum ent o de pessoas com m ais de 60 anos de idade, t ant o em valores relat ivos com o em núm eros absolut os.
Som ado ao m aior crescim ent o da população idosa, exist e o aum ent o da longevidade nessa faixa d a p o p u l a çã o . D o t o t a l d e ó b i t o s d a p o p u l a çã o br asileir a com 65 anos e m ais de idade, em 1980, 11,4% ocorreram entre os hom ens e 18,5% entre as m ulheres com 85 anos e m ais de idade. Já em 1995 esses percent uais subiram para 16,1 e 24,8% para h om en s e m u lh er es, r espect iv am en t e( 3 ). O Br asil,
considerado um país de j ovens, chega ao século XXI co m u m a p e r sp e ct i v a d e e n v e l h e ci m e n t o populacional, dev endo sit uá- lo ent r e as nações do m undo com o m aior núm ero de idosos. I sso significa m uit o m ais do que apenas indicador es est at íst icos, p ois r esu lt a em im p licações p r of u n d as, p olít icas, sociais e no sist em a de saúde. Ent ão, considerando que 80% da população idosa no Brasil tem sua saúde p r eser v ad a( 4 ), e est ão ex p o st o s ao s aci d en t es e
violências, torna- se relevante a realização de estudos so b r e a g r a v o s d e m o r b i d a d e e m o r t a l i d a d e conseqüent es das causas ext er nas.
Nesse sent ido, descr ev er car act er íst icas da população idosa, com o os per fis de m or t alidade e
m orbidade, é tarefa im prescindível. Para cada região, é im por t ant e que as condições de saúde e doença daquela população sej am conhecidas para que planos e a çõ e s se j a m a d e q u a d a m e n t e i m p l e m e n t a d o s. Ainda, em se tratando da assistência de enferm agem a descrição e análise do perfil epidem iológico do idoso p od er á con t r ib u ir p ar a o d esen v olv im en t o d e u m cor po específico de conhecim ent os. A escassez de conhecim ent o geront ogeriát rico pelos profissionais de saú d e é u m ob st ácu l o q u e p od e com p r om et er a com pet ência e a qualidade da assist ência prest ada a essa client ela( 5). Tendo em vist a essas considerações e o aum ent o da população idosa no país, levando à urgência em conhecer m elhor suas caract eríst icas, o obj et ivo dest e t rabalho foi analisar a m ort alidade e m o r b i d a d e h o sp i t a l a r p o r ca u sa s e x t e r n a s n a população idosa resident e em Maringá, PR.
Maringá ocupa o terceiro lugar em população no Estado do Paraná, com aproxim adam ente 290.000 habitantes, 97,5% residentes na zona urbana. É sede da 15ª Regional de Saúde do Paraná e, a part ir de 1 9 9 8 , en co n t r a - se n a Gest ã o Pl en a d o Si st em a Municipal. Conta com 24 Unidades Básicas de Saúde, 5 hospit ais privados que oferecem 256 leit os para o SUS e dois hospit ais públicos com 124 leit os.
MÉTODO
Não obstante as restrições no critério da idade cronológica para definição de população idosa, e ainda que vários est udos venham adot ando o lim it e inicial de 65 anos, opt ou- se por est udar a coort e et ária de 60 anos e m ais, confor m e acor dado na Assem bléia Mundial sobr e Env elhecim ent o, r ealizada em Viena, em 1982, que estabeleceu 60 anos com o idade lim ite ou inicial da et apa do envelhecim ent o( 6).
As i n f o r m a çõ e s so b r e p o p u l a çã o f o r a m obtidas dos Anuários Estatísticos da Fundação I nstituto Brasileiro de Geografia e Est at íst ica, referent es aos Recenseam ent os Gerais de 1980, 1991 e cont agem populacional de 1996. Para os anos int ercensit ários foram ut ilizadas est im at ivas elaboradas pelo Núcleo d e Est u d o s d e Po p u l a çã o d a Un i v e r si d a d e d e Cam pinas ( NEPO) .
A análise da m or t alidade foi feit a segundo sex o e faix as de idade e os óbit os e a popu lação f or am ag r u p ad os em q u at r o t r iên ios: 1 9 7 9 / 1 9 8 1 , 1984/ 1986, 1990/ 1992 e 1996/ 1998, buscando com isso at enuar as possív eis flut uações aleat ór ias nos óbit os e v ar iações na est im at iv a da população. Os t r iênios 1979/ 1981 e 1990/ 1992 for am escolhidos, além do ano de 1979 ser o prim eiro da série tem poral dispon ív el, t am bém pelo fat o de n os dois t r iên ios const arem os anos dos censos dem ográficos ( 1980 e 1991) . O triênio 1996/ 1998 foi escolhido por ser 1998 o últ im o ano com infor m ações de óbit o disponív eis na época do est udo e, finalm ent e, 1 9 8 4 / 1 9 8 6 por m anter um a eqüidistância entre o prim eiro e o terceiro t r iênios.
Os ób it os p or cau sas ex t er n as em id osos for am analisados por m eio de coeficient es ger ais e específicos de m ort alidade e a m orbidade hospit alar foi descr it a por m eio de pr opor ções e coeficient es gerais de int ernação.
Os co e f i ci e n t e s d e m o r t a l i d a d e e d e m orbidade hospit alar consist em em um a razão onde no num erador est ão os óbit os ( por causa básica) ou as int ernações hospit alares ( por diagnóst ico principal de int ernação) , ocorridos para idosos resident es no m u n icíp io d e Mar in g á, seg u n d o ag r u p am en t os d e i n t er esse e, n o d en o m i n ad o r, a p o p u l ação i d o sa resident e no m unicípio de Maringá, est im ada para os r esp ect i v o s a n o s ca l en d á r i o . Os co ef i ci en t es d e m ort alidade nos t riênios foram calculados pela razão da som a dos óbit os em idosos no num er ador, e a som a da população com 60 anos ou m ais de idade no período em quest ão no denom inador. A m ort alidade foi analisada segundo causa básica ( por agrupam entos d e i n t e r e sse ) , p o r se x o e i d a d e . A m o r b i d a d e hospit alar foi analisada segundo a nat ureza da lesão q u e lev ou à in t er n ação ( d iag n óst ico p r in cip al d e int ernação) e respect iva causa ext erna ( diagnóst ico secu n d ár i o d e i n t er n ação ) p o r ag r u p am en t o s d e int er esse.
Com o as int ernações hospit alares analisadas neste estudo são relativas apenas às financiadas pelo Sistem a Único de Saúde ( SUS) , deve ser considerado q u e o s i n d i ca d o r e s e n co n t r a d o s ( p r o p o r çõ e s e coeficientes) estão subestim ados ou, tam bém , podem ser consider ados indicador es m ínim os, j á que não foram incluídas as internações financiadas por seguro ou planos de saúde, nem as particulares. Em relação às hospit alizações em Maringá, para o ano de 1992, foi est im ado que 80% das int ernações de resident es com 60 anos ou m ais de idade foram financiadas pelo SUS( 7). Em bora essa realidade possa t er m udado, é
possív el ainda que a m aior ia das int er nações par a pessoas idosas sej am financiadas pelo set or público. As causas básicas de óbito e os diagnósticos d e i n t er n ação est u d ad o s f o r am o s r el at i v o s ao s ca p ít u l o s d a s Ca u sa s Ex t e r n a s e Le sõ e s e En v en en a m en t o s, d a 9 ª Rev i sã o d a CI D( 8 ) e à s
Causas Ext ernas de Morbidade e de Mort alidade da 10a Revisão da CI D( 9). Tendo em vista a vigência das
Rev isões 9 ª e 1 0 ª da CI D, du r an t e os v in t e an os a n a l i sa d o s, f o i n e ce ssá r i o e st a b e l e ce r cor r espon dên cia dos códigos dos diagn óst icos por capít ulo e por agr upam ent os. Par a v er ificação dos aspect os ét icos, o pr oj et o de pesquisa do pr esent e estudo foi subm etido e aprovado por Com itê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública em 2 de j ulho de 1999.
RESULTADOS
A Fi g u r a 1 m o st r a o s co e f i ci e n t e s d e m ort alidade por causas ext ernas por faixas de idade, ev id en cian d o v alor es ascen d en t es à m ed id a q u e aum ent a a idade, m aior es par a os hom ens idosos m ais j ov en s, t en dên cia in v er t ida par a os idosos a par t ir de 80 anos de idade, cuj os coeficient es são m aiores para as m ulheres.
I nt eressant e observar a diferença nos óbit os por at r opelam ent os e quedas por sex o e idade. A Figura 2 m ostra esses coeficientes para o últim o triênio d o p e r ío d o ( 1 9 9 6 / 1 9 9 8 ) . Os co e f i ci e n t e s d e m o r t a l i d a d e p o r a t r o p e l a m e n t o s, t a n t o p a r a o s h om en s com o par a as m u lh er es, são m aior es n as idades m ais j ov en s. Na faix a de 6 0 a 6 4 an os os atropelam entos tiveram coeficiente de 22,7 óbitos por 100.000 habit ant es para os hom ens, e de 5,6 óbit os por 100.000 habitantes para as m ulheres. Já para os idosos de 85 anos e m ais de idade esse valor foi de 3 , 2 óbit os par a cada 1 0 0 . 0 0 0 h abit an t es do sex o m asculino, não sendo regist rado nenhum óbit o para as m ulheres, nessa idade, no últ im o t riênio. Para a m ort alidade por quedas é int eressant e observar que o coeficien t e apr esen t a t en dên cia in v er sa par a os sex os, ou sej a, v alor es m aior es par a as m ulher es idosas m ais velhas e m enores para os hom ens idosos m ais velhos. Em bora, no últ im o t riênio, o coeficient e de m ortalidade por quedas tenha sido o m esm o para o s d o i s se x o s ( 5 8 , 3 ó b i t o s p a r a ca d a 1 0 0 . 0 0 0 habitantes, Tabela 1) , foi possível observar que, para o sex o m ascu lin o, os coef icien t es t iv er am v alor es sem elhantes até 79 anos com queda após essa idade. Pa r a o se x o f e m i n i n o a t e n d ê n ci a f o i i n v e r sa , obser v ando- se m aior es coeficient es de m or t alidade por quedas em idosas acim a de 85 anos de idade ( Figura 2) .
+FCFG G
EQGH
/CUE /CU E (GO (GO
Figura 1 - Coeficientes de m ortalidade em idosos ( por 100.000 hab) , por causas ext ernas, segundo sexo e idade, Maringá, PR, 1979 a 1998
Os coeficient es de int er nação por lesões e envenenam ent os represent aram 8,8 int ernações por 1.000 habit ant es idosos em 1995 e dim inuíram para 6,4 em 1998 ( Tabela 2) . Em bora sej a possív el que e x i st a d e f i ci ê n ci a n a q u a l i d a d e d o r e g i st r o d o s
diagnóst icos secundários de int ernação nas AI H, foi realizada análise desses regist ros que est á dispost a n a Tab ela 3 . Das 1 4 6 in t er n ações em id osos p or lesões e envenenam entos 45,9% foram causadas por qu edas, 2 5 , 3 % por ex posição a f or ças m ecân icas inanim adas e 13% por acident es de t ransport e.
Tabela 1 – Distribuição dos coeficientes de m ortalidade em idosos ( por 100.000 hab) segundo principais tipos de causa ext erna e sexo, por t riênios, Maringá, PR, 1979 a 1998
s o i n ê i r T a s u a c e d o p i T a n r e t x e 1 8 9 1 -9 7 9
1 1984-19861990-19921996-1998 Diferençarelativa
) 8 9 / 6 9 9 1 -1 8 / 9 7 9 1 (
M F M F M F M F M F
s o t n e m a l e p o r t
A 22,9 7,5 64,7 - 107,530,664,819,4 183,0 158,7 s e t n e d i c a s o r t u O e t r o p s n a r t e
d 84,122,6100,022,147,3 30,645,4 5,6 -46,5 -75,2 s
a d e u
Q 5,3 15,041,294,0 30,153,558,358,3 281,0 288,7 s o i d í c i u
S 22,9 - - 5,5 17,2 3,8 16,2 2,8 -29,3 -s o i d í c i m o
H 7,6 - 5,9 - 8,6 - 9,7 - 27,6 -s e õ s e L * s a d a r o n g
i 38,252,7 17,6 5,5 - - 3,2 - -91,6 -100,0 s a s u a c s a r t u O s a n r e t x
e 53,522,658,8 22,151,6 3,8 22,7 8,3 -57,6 -62,3
l a t o
T 244,5120,4288,1149,3262,3122,3220,494,4 -9,9 -21,6
* CI D9 - “ Lesões em que se ignora se foram acidental ou intencionalm ente infligidas” ( E980- E989)
* CI D10 - “ Eventos ( fatos) cuj a intenção é indeterm inada” ( Y10-Y34)
Cham ou atenção o fato de as internações por q u e d a s t e r e m r e su l t a d o n a m a i o r i a d a s l e sõ e s r eg ist r ad as n as AI H, ou sej a: 6 2 , 5 % d o t ot al d e t r a u m a t i sm o s d e q u a d r i l e co x a , 3 6 % d o s t r a u m a t i sm o s d e m e m b r o su p e r i o r, 6 3 , 2 % d o s t raum at ism os de m em bro inferior, 37,5% da cabeça e pescoço e 66,7% de outras localizações, com o tórax e abdom e e t raum at ism os m últ iplos. Por sua vez, os acid en t es d e t r an sp or t e r esu lt ar am em 5 0 % d os t r au m at i sm o s d e cab eça e p esco ço e 1 4 , 5 % d e m em bro superior e inferior ( Tabela 3) .
G +FCFG EQGH
3WGFCU/CUE 3WGFCU(GO #VTQRGN/CUE #VTQRGN(GO
Tabela 2 – Dist ribuição percent ual e de coeficient es de int ernação ( por 1.000 habit ant es) em idosos, segundo diagnóst ico principal de int ernação e ano, Maringá, PR, 1995- 1998
5 9 9
1 1996 1997 1998
o c i t s ó n g a i
d % coef diagnóstico % coef diagnóstico % coef diagnóstico % coef
o i r ó t a l u c r i
C 43,4 66,1 Circulatório 42,2 60,9 Circulatório 45,6 59,6 Circulatório 36,2 59,0 o i r ó t a r i p s e
R 17,6 26,8 Respiratório 21,4 30,9 Respiratório 20,7 27,1 Respiratório 27,2 44,2 o v it s e g i
D 9,6 14,5 Digesitvo 9,3 13,5 Digesitvo 8,4 11,0 Digesitvo 8,7 14,1 s
e õ s e
L 5,8 8,8 Geniturinário 5,2 7,5 Lesões 5,1 6,7 Geniturinário 4,2 6,8 o i r á n i r u t i n e
G 5,3 8,0 Endócrinas 4,8 6,9 Geniturinário 4,7 6,2 Lesões 3,9 6,4
s a n i r c ó d n
E 4,6 7,1 Lesões 4,5 6,6 Infecciosas 4,4 5,7 Sist.Nervoso 3,2 5,2 s a s o i c c e f n
I 3,9 5,9 Infecciosas 4,1 5,9 Endócrinas 3,8 4,9 Neoplasias 2,8 4,6 s a d i n if e d l a
M 2,0 3,1 Maldeifnidas 2,3 3,3 Maldeifnidas 2,1 2,8 Infec/Endóc 2,5 4,1 s
i a m e
D 7,8 11,9 Demais 6,2 8,9 Demais 5,2 7,1 Demais 8,8 18,1
Tabela 3 – Dist r ibuição do núm er o e per cent ual de int er nações em idosos por lesões e env enenam ent os, segundo nat ureza da lesão e t ipo de causa ext erna, Maringá, PR, 1998
a n r e t x e a s u a c e d o p i T o ã s e l a d a z e r u t a
N Quedas
a o ã ç i s o p x E s a c i n â c e m s a ç r o f s a d a m i n a n i e d s e t n e d i c A e t r o p s n a r t e d s e õ ç a c i l p m o C a i c n ê t s i s s a a c i g r ú r i c e a c i d é m a j u c s o t n e v E é o ã ç n e t n i a d a n i m r e t e d n i s i a m e
D Total
o
n % no % no % no % no % no % no %
o r b m e m e d o m s it a m u a r T * r o i r e p u
s 18 36,0 22 44,0 2 4,0 4 8,0 3 6,0 1 2,0 50 100
e li r d a u q e d o m s it a m u a r T a x o
c 20 62,5 8 25,0 - - 2 6,3 1 3,1 1 3,1 32 100
, o h l e o j e d o m s it a m u a r T é p e o l e z o n r o t , a n r e
p 12 63,2 4 21,1 2 10,5 1 5,3 - - - - 19 100
a ç e b a c a d o m s it a m u a r T o ç o c s e p
e 6 37,5 1 6,3 8 50,0 - - 1 6,3 - - 16 100
e d s e õ ç a c il p m o C s o c i d é m s o d a d i u
c 2 18,2 - - 2 18,2 6 54,5 1 9,1 - - 11 100
o l p it l ú m o m s it a m u a r
T 4 66,7 - - 1 16,7 - - - - 1 16,7 6 100
e x a r ó t e d o m s it a m u a r T e m o d b
a 2 66,7 - - 1 33,3 - - - 3 100
o ã i g e r e d o m s it a m u a r T a d a c if i c e p s e o ã
n 2 66,7 - - 1 33,3 - - - 3 100
s i a m e
D 1 16,7 2 33,3 2 33,3 1 6,7 - - - - 6 100
l a t o
T 67 45,9 37 25,3 19 13,0 14 9,6 6 4,1 3 2,1 146 100
* I ncluídos: om bros, braço, cot ovelo, ant ebraço, punho e m ão.
DI SCUSSÃO
An t es d e com en t ar os p r in cip ais ach ad os d e st e e st u d o é n e ce ssá r i o t e ce r a l g u m a s considerações. Com o m ostra a Tabela 1, nos 20 anos est udados puderam ser apreciados, além do declínio dos coeficientes de m ortalidade em idosos por causas externas de 9,9% para o sexo m asculino e de 21,6% p a r a o f e m i n i n o , h o u v e t a m b é m d e cl ín i o d o s co ef i ci en t es p o r “ l esõ es i g n o r ad as”, p o r “ o u t r o s a ci d e n t e s d e t r a n sp o r t e ” e p o r “ o u t r a s ca u sa s ext ernas”. Em análise m ais det alhada foi encont rado q u e, n o p r i m ei r o t r i ên i o , 7 8 , 8 % d o s ó b i t o s p o r acidentes de transporte foram “ acidentes de natureza não especificada” e no últ im o t riênio esse percent ual decresceu para 23,3% . Por isso, para a interpretação d as in f or m ações sob r e m or t alid ad e, é im p or t an t e r e ssa l t a r q u e a v a r i a çã o d o s co e f i ci e n t e s p o r at r opelam ent os e quedas em idosos r esident es em Maringá, pode t er sido influenciada pela m elhora da qualidade das infor m ações r egist r adas nas DO, ou
sej a, os óbit os cuj a causa básica era regist rada em “ out ras causas ext ernas” ou “ acident es de nat ureza não especificada” ou, ainda, por “ outros acidentes de t r anspor t e” est ar iam agor a sendo m elhor definidos. Outra consideração relevante diz respeito aos estudos em séries históricas, que se caracterizam por estudos d e d e l i n e a m e n t o e co l ó g i co q u e n ã o p e r m i t e m i n t e r p r e t a çõ e s d i r e t a s d o s r e su l t a d o s e m n ív e l indiv idual.
Assi m , e st e e st u d o m o st r a r e su l t a d o s im por t an t es. Em pr in cípio, r econ h ece- se a v elh ice com o nova fase do desenvolvim ento hum ano e com o oportunidade social de trazer novas perspectivas para a popu lação em ger al. Um a das pr er r ogat iv as em gerontologia é a m anutenção da capacidade funcional e da aut onom ia ent r e os idosos, par a m ant er suas atividades em um a sociedade em evolução. Para isso é necessár io r econhecer a im por t ância das causas ext ernas de óbit o e de hospit alização nessa parcela da população, pois em relação aos at ropelam ent os e à s q u ed a s su p õ e- se q u e est ej a m o co r r en d o em p e sso a s a t i v a s e co m ca p a ci d a d e f u n ci o n a l p r eser v ad a.
A análise dos óbitos por causas externas em idosos resident es em Maringá m ost rou a im port ância crescent e dos at ropelam ent os no período est udado. No últ im o t riênio, ent re os acident es de t ransport e, os at ropelam ent os foram a causa m ais freqüent e de óbit o t ant o para os hom ens com o para as m ulheres. Em relação às faixas de idade e sexo algum as ca r a ct e r íst i ca s d i st i n t a s f o r a m o b se r v a d a s. Os acident es de t ransport e, por exem plo, acont eceram , com m ais freqüência nas idades m ais j ovens, indicando q u e o id oso ap r esen t a, ain d a, car act er íst icas d a p op u lação ad u lt a, com m en os d e 6 0 an os, com o independência e aut onom ia, o que lhe garant e um a vida at iva, além de, no m om ent o do acident e, est ar em at iv idades de lazer, com o passeios, at iv idades r e l i g i o sa s, v i si t a s a a m i g o s e p a r e n t e s. Mu i t o p r ov av elm en t e essas p essoas est ão in ser id as n o m e r ca d o d e t r a b a l h o e p o r i sso a su a m a i o r exposição( 10), principalm ent e os hom ens. Esse fat o é
m uit o bem ilust r ado par a o m unicípio de Londr ina, on de os pedest r es r epr esen t ar am as v ít im as com m a i o r p r o b a b i l i d a d e d e se r e m i n t e r n a d a s o u m or r er em após o acident e. Par a esse m unicípio foi d escr it o q u e os coef icien t es d e m or t alid ad e p ar a pedestres foi de 28,2 para idosos de 60 a 69 anos e de 39,4 óbitos para cada 100.000 habitantes, para os idosos de 70 a 79 anos( 11). Esses result ados deixam
clara a vulnerabilidade da pessoa idosa aos acidentes de t rânsit o, principalm ent e aos at ropelam ent os, que podem resultar em graus variados de lesões incluindo casos ext rem os que levam à m ort e.
Ao lado dos at ropelam ent os, ressalt a- se que as quedas apresent aram coeficient es de m ort alidade m aior para as m ulheres nos t rês prim eiros t riênios. Assim com o para os at ropelam ent os os coeficient es de m ort alidade por quedas t iveram valores dist int os
em relação ao sexo e idade para os idosos residentes em Mar ingá, fazendo supor a possibilidade da sua causa ser orgânica ou pat ológica para as m ulheres e est ar ligada a acident es, para os hom ens.
As quedas com preendem um a int ercorrência de m aior im port ância para a pessoa idosa, causando desde pequenas escor iações at é fr at ur as div er sas, t raum at ism os cranianos e frat uras de quadril, sendo esses últ im os, m uit as vezes, causa de óbit o.
Foi feit o um inquérit o dom iciliar para idosos residentes no m unicípio de São Paulo( 12) e a proporção
de idosos qu e r ef er ir am t er t ido pelo m en os u m a queda nos últim os seis m eses anteriores à entrevista foi de 31,3% . A proporção de quedas entre os idosos de 80 anos e m ais de idadefoi de 39,5%( 12). Em outro
inquérit o dom iciliar realizado em Fort aleza( 13) quase
u m t er ço dos idosos en t r ev ist ados r elat ar am pelo m enos um episódio de queda nos últim os doze m eses anteriores à entrevista, 20,3% relataram um episódio e 9,6% dois ou m ais episódios.
As m ulher es idosas r esident es em Mar ingá par ecem est ar m ais pr open sas às qu edas. Par a o m u n icípio de Ribeir ão Pr et o a m aior ia das qu edas o co r r eu t a m b ém en t r e i d o so s d o sex o f em i n i n o ( 66% ) , com idade m édia de 76 anos, no próprio lar do idoso, acarret ando sérias conseqüências em suas at ividades de vida diária( 14).
Par a os idosos r esident es no m unicípio de Mar ingá foi possív el obser v ar t am bém a gr av idade das conseqüências de quedas. Ent re as int ernações h ospit alar es por cau sas ex t er n as cu j o diagn óst ico pr incipal for am os t r aum at ism os de quadr il e coxa, 62,5% foram devidos às quedas.
A lit erat ura regist ra que a frat ura de quadril é um a das conseqüências m ais graves de quedas em idosos. Em est udo prospect ivo realizado na Holanda, um a população de idosos foi obser vada dur ant e 28 sem anas, sendo que 36% relataram pelo m enos um a queda e a m aior par t e delas ( 79% ) ocor r eu dent r o de casa. Com o conseqüência foram report ados 2,4% d e f r at u r a d e q u ad r il, além d e ou t r as f r at u r as e ferim ent os m enos graves( 15). Para o m esm o est udo,
foi estim ado que 1% de todas as quedas em pessoas idosas result aram em frat ura de quadril, com m aior freqüência nas m ulheres em função das dificuldades cognit ivas e de locom oção que, m uit as vezes, est ão present es nessa parcela da população, além do uso de m edicam ent os, em especial os sedat ivos( 15). Nos
pessoas acim a de 50 anos de idade e após 1 ano do evento, 24% evoluíram para óbito( 16). O estudo conclui
que, após um a frat ura de bacia, a probabilidade de m orrer no idoso aum ent a em 83% e os episódios de int er nação em 231% , sem m encionar a dim inuição da capacidade de au t on om ia par a desen v olv er as atividades de vida diárias. Após um a fratura de quadril a saúde do idoso det eriora significat ivam ent e.
As causas de quedas no idoso incluem , além do uso de m edicam ent os( 15), pr oblem as am bient ais,
co m o p i so e i l u m i n a çã o , a l t e r a çõ e s se n so r i a i s, d i sf u n çõ es n eu r o l ó g i cas e m ú scu l o - esq u el ét i cas. Mu it os m ed icam en t os con su m id os p ela p op u lação idosa com o os ant ianginosos, ant idepr essivos, ant i-h i p e r t e n si v o s, a n t i p si có t i co s, e n t r e o u t r o s, sã o potencialm ente causadores de quedas. O uso indevido dos fár m acos é um gr ande fat or par a a ocor r ência de quedas na população idosa( 4). É sabido que existe
associação posit iv a en t r e a ocor r ên cia de r eações adver sas aos m edicam ent os e a idade, no ent ant o, acr edit a- se que os idosos não são m ais suscet ív eis d e a p r e se n t a r e m r e a çõ e s a d v e r sa s e m v i r t u d e exclusivam ent e, da idade, m as em conseqüência da m ult iplicidade de m edicam ent os adm inist rados.
Port ant o, a análise da m orbim ort alidade por causas ext ernas em idosos em Maringá t orna clara a necessidade dos serviços de saúde, suas equipes, de con h ecim en t o m ais acu r ado das car act er íst icas da p op u lação id osa e d os r iscos aos q u ais ela est á ex post a. A m aior apr ox im ação e com pr eensão das necessidades da pessoa idosa pode proporcionar aos p r of ission ais, esp ecif icam en t e aos en f er m eir os, o v i sl u m b r a m e n t o d e a çõ e s g e r o n t o l ó g i ca s p a r a p r e v e n i r a o co r r ê n ci a d e a t r o p e l a m e n t o s co m educação no trânsito e m aior controle das autoridades n os sem áf or os d e v ias p ú b licas. A p r ev en ção d e q u e d a s p o d e se r f e i t a co m a çõ e s d e sd e o
conhecim ent o da relação do idoso com o m eio onde vive no sent ido de dim inuir barreiras arquit et ônicas t ant o dom iciliares quant o públicas. Ainda, com o são diversos os fat ores de risco às quedas na população idosa, são necessár ias int er v enções pr ev ent iv as na esfera biopsicossocial, desde a m elhora na acuidade v isu al, a b aix a d en sid ad e m in er al óssea, a b aix a at iv idade física, a fr aqueza m uscular at é at uar na tentativa de dim inuir o m edo de cair, na pessoa idosa. As i n t e r v e n çõ e s r e l a ci o n a d a s a o envelhecim ento devem ter por obj etivo assegurar aos idosos o pr olongam ent o da v ida o quant o possív el com m an u t en ção d a cap acid ad e f u n cion al, f ísica, m ent al e de qualidade aceit áv el. É necessár io que, a l é m d a a ce ssi b i l i d a d e a o s se r v i ço s, e x i st a a flexibilidade para reconhecer sit uações que est ão em const ant e m udança, pr ocur ando at ender aos idosos de m aneira integral, com provisão de serviços sociais, co n d i çõ es d e t r ab al h o , d e m o r ad i a, seg u r i d ad e, alim ent ação, t ransport e e recreação( 17).
Os r esu l t a d o s en co n t r a d o s n est e est u d o ev iden ciam a im por t ân cia da u t ilização dos dados e st a t íst i co s g e r a d o s p e l o s ó r g ã o s o f i ci a i s d e at endim ent o à saúde t ant o para o conhecim ent o da situação de saúde da com unidade com o para subsidiar polít icas públicas. Ainda assim com o descr it o par a o u t r a s l o ca l i d a d e s, f i co u e v i d e n t e q u e o i d o so r e si d e n t e e m Ma r i n g á e st á t a m b é m e x p o st o a a ci d e n t e s. Essa s co n st a t a çõ e s d e v e m se r r econhecidas pelas aut or idades e t r abalhador es de saú d e, p r i n ci p al m en t e ag o r a co m as Eq u i p es d e Saúde da Fam ília, que est ão sendo progressivam ent e im plantadas nos m unicípios. A m aior proxim idade dos serviços com a com unidade e com a fam ília deve ser u t i l i za d a p a r a f a ci l i t a r o d e se n v o l v i m e n t o d e at iv idades de pr om oção à saúde par a a população em geral e idosa em part icular.
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