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O PTB de São Paulo: de Vargas a Ivete

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CPDOC

o PT8 DE SÃO PAULO:

de Vargas a Ivete

Maria Celina Soares

D'

Araújo

fUIOIÇlo GETULIO VlRGIS

CENTRO

DE PESQUISA E DOCUMENTAÇAO DE

HISTÓRIA CONTEMPORANEA DO BRASIL

RIO DE JANEIRO 1988

(2)

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CPDOC

o PTB DE SÃO PAULO:

de Vargas a Ivete

Maria Celina Soares

D'

Araújo

furlDação GETULIO VaRGaS

CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENT AçAO DE

HISTÓRIA CONTEMPORANEA DO BRASIL

RIO DE JANEIRO 1988

(3)

CPDOC/INOIPO

Fund::l<;ão G"ltúlio Vargé\v

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)ft.

(4)

Coordenação editorial : Cristina Mary Paes da Cunha

Revisão de texto : Dora Rocha F laksman

Datilografia : Nazareth Ferreira Vargas

• Nota :

Este trabalho faz parte de um proj eto de pesquisa sobre o PTB e o trabalhismo no Brasil ( 1 9 4 5- 1 9 6 5 ) .

A 662p

ARAÚJO , Maria Celina Soares d '

O PTB de são Paulo : de Vargas a IvetejMaria Celina Soares d'Araúj o . - Rio de Janeiro : Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasi l , 1988 .

1 2 9 f .

1 . Partido Trabalhista Brasileiro . 2 . Partidos Po -liticos - são Paulo (Estado) . I . Centro de Pesquisa e Documentaçâo de História Contemporânea do Brasil.

11. Titulo .

I'

CDD 3 2 9 98 1 6 1 CDU 329 (81)PTB

(5)

o PTB em são Paulo

1 . são Paulo : pelegos e empresários/l 2 . Trabalhismo e ademarismo/14

3 . Comunistas e novas cisões/2 0

4 . �s novas estrelas que sobem em são Paulo/3 5 5 . As estrelas que brilham/4 8

6 . Ademarismo e getulismo : a frente populista/57 7 . O diretório de Danton em são Paulo/66

8 . O PTB dos lordes/75

9 . Ascensão e queda de Borghi/86 1 0 . Getulismo e janismo/94

1 1 . O PTB de são Paulo e a s eleições presidenciais de 19 55/102

(6)

1. são Paulo : pelegos e empresários

o comentário mais freqdente entre petebistas históricos e entre a classe política em gera l é o de que o PTB de são Paulo era sinônimo de " confusão" e de competição entre "grupinhos " . Tudo e narrado como se não houvesse qualquer lógica nas intermináveis di­ vergências que efetivamente dividiam a seção paulista do partido em várias correntes .

Entre todas as seçoes do antigo Partido Trabalhista Bras!

leiro , a de são Paulo foi sem dúvida a que mais atraiu as atenções do Diretório Central . Mesmo depois de meados da década de 1950, �

(7)

correntes em condições de estabelecer alianças com outros partidos e I

em outros estados .

De fato , embora fosse minoritário , o PTB paul ista era pal

,

­ co de grandes lances e de várias' articulações com os governos esta-dual, e federal e com setores empresariai s . Seu trânsito entre estes últimos ligava-se de certa forma às suas'origens. Durante o Estado

Novo , Vargas consolidara importantes laços com setores da burguesia

industrial , particularmen�e em são Paulo , onde a indústria nacional ganhara mai s vigor . Roberto S imonsen , Morvan Dias Figueiredo e Erml rio de Morais são alguns exemplos de empresários industriais

paulis-tas que defenderam e apoiaram a politica econômica de Vargas e que

de a'lguma forma f icaram vinculados à sua proposta de desenvolvimento econômico e social . Com o processo de redemocratização , alguns

'des-ses empresários inclusive ajudaram a f inanciar o ,PTB.

Paralelamen-te , organi zou- se também em são Paulo um forParalelamen-te movimento queremis ta , que contava com as s impatias do interventor Fernando Costa . Este , a exemplo de todos, os outros interventores , entrou para o PSD , mas nao escondeu suas simpatias pelo pro j e to continuísta do ditador . 2

Não obstante esse leque de alianças , o PTB de são Paulo , a� sim como o PTB naciona l , foi fundado na base de dirigentes sindicais

1 . S o b r e a d iv e r s i d a d e d a s a l i a nç a s e l e i to r a i s e po l i t i c a s d o P T B

pau l is t a, v e r o t r ab a l ho p i o n e i r o d e M a ri a V i c t 6 r i a d e M e s qu i ta Benev i d e s , O v e l ho PTB pau li s t a , P a r t i d o , s i nd i c a t o e gov e r no em

s ã,o P a u lo : 1 94 5 - 1964 , Sao Pau l o , 1 9 8 8 , m i m e o .

2 . S o b r e a a tu a ç ã o d e F e rn a n d o C o s ta d ur a n t e a r ed emo c r a t i z a ção d e

(8)

ligados ao governo , como Nelson Fernandes - o Nelson Botinada - , di-rigente do Sindicato dos Comerciários e presidente do Instituto de

- � ,

Aposentadoria e Pensoes dos Comerciarios (IAPC) '. Icaro S idow , dirige!!

te do Sindicato dos Empregados Vendedores Viaj ante s , e Armando ' Go-mes , ex-interventor no Go-mesmo órgão . Este foi aliás um dos mais

im-portantes sindicatos na formação do PTB , por envolver pessoas que em suas viagens de trabalho estabeleciam amplos contatos pela peri feria

das c idades e pelo interior . Este era também o sindicato do presi-dente nacional do partido , Baeta Neves .

Da fundação do PTB paulista participaram ainda , entre ou

tro s , LuIs Fiúza Cardia , presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria de Vestuário , José Correia Pedroso Júnior , j ornalista e

presidente do Sindicato dos Ferroviários da Zona Mogiana , e Pedro Candia , presidente do Sindicato dos Ferroviários de são Paulo . 3 Foi

também notável a participação dos órgãos ligados à Justiça do Traba­ lho e do movimento queremista , sob o comando de Valdy Rodrigues .

Na versão de pedroso 'Júnior, o PTB foi uma iniciativa

0-riunda 'do Departamento Nacional do Trabalho (DNT) , ou mais

precisa-mente de seu diretor Segadas Viana , e teve boa aceitação em vários estados do pai s . Em são Paulo , no entanto , o "movimento

sindicalis-ta , por demais numeroso , era rebelde à submissão . Dominava o pele-guismo ( lideres impostos), e cada qual reivindicava para si a lide

rança do movimento " . 4 Conseqaentemente o então delegado do

Ministé-3 . A p r i me i r a Com i s s i o �xec u t i v a E s t a d u a l p r o v i s� r ia fo i c ompo s �a por P e d r o C a n d i a , Jo s e C o r r e i a P e d r o s o J un i o r e Armand o Gome s . Arqu i ­ vo G e t u l i o V a r ga s , ' GV 4 5 . 0 0 . 0 0 / 1 0 .

(9)

rio do Trabalho no estauo , Fernando de Almeida Nobre , auxi liado pelo procurador do mesmo órgão , José Artur da Frota Moreira , não teve su

cesso no apaziguamento e no entendimento entre as l ideranças sindi­

cai s selecionadas por Segadas a partir do controle que detinha sobre todas as atividades s indicais do pai s e sobre seus principais

diri-gentes . Prova disso é que dois jovens advogados - Arual Alves dos

Santos Sobrinho e Artur de Almeida Maudonett - fundaram uma seção do

PTB , "atraidos pela idéia e pelo ideal trabalhista " , mas nada os prendia aos propósitos de ·Segadas. "Divorciados do movimento sindi-cal a da cúpula organizadora do Partido " , os dois tampouco foram bem-sucedidos , embora tenham chegado a montar uma sede própria que depois transferiram para os futuros donos do partido , devidamente re conhecidos por Segadas . 5

Foi em meio a este inicio j á tumultuado que o diretor do DNT lançou mão de um recurso bastante efica z : apelou para alguns sin dicalistas de prestigio junto .aos trabalhadores , mas que haviam s ido destituidos de seus cargos s indicais pela politica estadonovista de interv�nção . Segadas os reconduziu aos antigos cargos e procurou ga nhar sua confiança para juntos realizarem a tarefa de construção do partido . Foi este exatamente o caso de pedroso Júnior . Apostando em seu prestigio junto aos outros sindicalistas, Segadas trouxe-o de volta , envolvendo-o ao mesmo tempo na organização do PTB. Atendendo

ao apelo , Pedroso descreve a s s im o evento , que , guardadas as distin-·ções entre os atores envolvidos , em muito se parece com o que foi

descrito por Orlando de Carvalho e por Benedito Valadares sobre a

(10)

criação do PSD mineiro : "Residindo em Campinas , promovi uma

concen-tração de representantes sindicais de todo o estado , àquela cidade , com a presença de mais de cem , e , num almoço de confraternização , re� lizado no Bosque dos Jequitibás , no dia 1 4 de j unho de 4 5 , selávamos o compromisso de fundação do Partido , elegendo a sua primeira diretQ ria , e da própria Ata constando a transferência: da sede para são Pau 10".6

Nitidamente , os principais integrantes do PTB paulista , em

suas origen s , foram " os dirigentes s�ndicais entre os quais se enco� travam lideranças de prestigio , sabiamente convocadas por Segadas p� ra dar maior legitimidade ao projeto de criação de um partido " labo­ rista" . 7

Outro aspecto importante desses primórdios da seçao pauli� ta foi a solução adotada por Hugo Borghi para criar as bases do

par-tido . Segundo Jorge Duque"Estrada, um getulista de familia tradicio

nal , futuro deputado estadual e diretor do· Instituto de

Aposentado-ria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas (IAPETEC ) , " as

ba-ses eram os . desempregados , evadidos das fábricas , e que Borghi remu nerava para se dedicarem à atividade pol itica . Essa massa do PTB é que dava o grande sabor mesmo de origem mais humilde ao PTB" . O

6 . I d em i b . , p . 1 3 , e e n t r evi s t a d e P e d r o so J ú n i o r ã· a u t o r a . S o b r e a f un d a ç ão d o P SD d e M i na s , v e r O r l an d o C a r va l ho , " O s pa r t i d o s p o l i t i co � �m M i n a s G er a i s " , R ev i s t a Br a s i l e ir a d e E s t u d o s po l í t ic o s , n9 2 , 1 9 6 7 ; e Be�e d i to Va l a d a r e s , Tempo s i d o s e v iv i d o s , R i o d e J a n e i r o , C i vi l i z a ç ão B r a s i l e i r a , 1 9 6 6 .

7 . I s s o exp l i c a por q u e.f oi po s s iv e l p a r a A z i z S i mão f a z er a c o r r e l a ç ão , em são P a u l o , en t r e o P T B - P C B e o · v o t o o p e r ãr i o nas e l e i ç;ei d e 1 9 4 5 e 1 94 7 . R ev i s t a Br a s i l e i r a d e E s t ud o s P o l i t i co s , n9l , d e z. 1 95 6 , p . 1 3 0- 1 4 1.

8 . Ver a e s s e r e s p e i t o o s d epo imen t o s d e J o r g e D u q u e Es t r a d a ,

(11)

� preci so aqui identificar Hugo Borghi , este "empresário " ou este "aventureiro " que foi certamente uma expressão quase carica-tural desse PTB que compunha com os governos federal e estadual e com os sindicato s , e que se movimentava mediante uma soma volumosa de re cursos . Borghi foi de fato um dos grandes responsáveis pelo suces-so inicial do partido , mas foi também o motivo maior das dificulda-des , dificulda-desavençás e competições que marcaram seus primeiros tempos , paE ticularmente no plano nacional .

Empresário ligado ao comércio de algodão , Borghi se aprox� mou do movimento queremista , entrou para o PTB e em seguida apoiou a candidatura do general Dutra à. presidéncia da República . Segundo vários petebistas , entre eles Ivete Vargas e Segada Viana , seu ar­ qui inimigo dentro do partido , isto só aconteceu porque Borghi almeja

va bQas relações com o governo a f im de resolver problemas

financei-ros com o Banco do Brasi l , onde conseguia financiamentos· para seus

� 9

negocios .

A história dos posslveis negócios escusos de .Borghi, assim

como de seu endividamento , foi motivo de muitas especulações . De

qUalquer forma , seu papel na organização do PTB foi inquestionável .

Segundo suas próprias declarações , começou na polltica através do

movimento queremista para apoiar o governo de Vargas , que , no seu mo do de entender , era "o pai dos pobres e a mae dos rico s " . Para tan to adquiriu trés emissoras de rádio e colocou-as a serviço da defesa de Vargas , chegando em seguida a formar uma rede de 150 emissoras p�

ra anunciar a campanha 90 "marmiteiro " contra o brigadeiro Eduardo

(12)

Gomes , candidato da UDN à sucessao presidencial . Aliá s , foi ele

mesmo o mentor intelectual dessa campanha , que associava o Brigadei­ ro aos grã-finos e Dutra aos despossuldo s . l O Foi ele também o port�

dor oficial da mensagem de Vargas as vésperas do pleito , recomenda

do o voto em Dutra contra todas as pressões e argumentos de Segadas Viana e Baeta Neves , que preferiram mesmo a liar-se ao Brigadeiro a apoiar Dutra , ministro da Guerra. do Estado Novo e co-autor da depos� ção de Vargas .

Assim como no resto do paIs , na medida em que se inviabili zava a continuação de Vargas no poder , também em são Paulo o movimen

to queremista ingressou no PTB , � a partir daI Borghi estabeleceu u ma meteórica carreira partidária que em curto espaço de tempo seria abalada graças .aos esforços de Baeta e Segadas . Nos dois primeiros

anos de vi�a do PTB , Borghi foi sem dúvida alguma a principal lide-rança a incomodar " os dirigentes nacionai s do" partido . Ele tinha a seu favor o fato de se dizer amigo de Varga s , com quem efetivamente mantinha freqüentes contatos . " Sua degola não foi portanto fáci l . l l

A escalada de seu prestIgio f ica evidenciada na Constituin te , onde , na qualidade de deputado federal eleito por são Paulo , tor

10. Hugo Bo r gh i , D ep o i m e n t o , F GV/C p d o c , 1 9 7 7 .

1 1 . A i n d a em 1 94 5 Hu go Bo r gh i t o rnou- s e "p r e s i d en t e d a C om i s s ão E x e ­ c u t iv a E s t a d ua l , i n t e g r a d a p o r" e l e p r 6p r i o , lca r o S i d o w , F e r n a n­ d o N o b r e F i l ho e J o s ; Bar b o s a. d o S i rid i c a t ó d o s Jo r na l i s t a s . N o

(13)

nou-se vice-lider do partido . Graças à sua atuação , o PTB em são Paulo f izera al iança com o PSD estadual , trocando o apoio a Dutra p� lo apoio do PSD à legislação trabalhis ta , e mai s , pela doação de urna

quantia inicial' de quinhentos mil cruzeiros a ser usada na campanha dos petebi stas . 12 Segundo Nel"son Fernandes , também dirigente do PTB local e um dos indicados pelo partido para ocupar a" pasta do Traba-lho/esse acordo foi fundamental para garantir a vitória de Dutra no estado . 13

Sob o comando de Borghi , o PTB paulista iria se tornar urna seçao moderna . Montou- se ali um Diretório Profissional de Jornalis

Barbosa,qu� se empenhou em criar urna empresa

tas chefiado por José 1 4

em nome do partido . Este proj eto poderia ter-se concretizado , não fora o cuidado de Borghi em regi strar em seu próprio nome os vários

jornai s que comprou para fazer a campanha do partido . Borghi sabia

exatamente o que queria : pretendia ganhar o governo de são Paulo nas eleições de j aneiro de 1 94 7 , e para tanto a propaganda era

essen-cial . Sabia também que s\la"" "escalada no partido e suas divergências com os dirigentes nacionais , Segadas e "Baeta , poderiam trazer- lhe p� blemas no futuro , e por isso tornou aquela precauçao : se prec isasse

sair do partido , carregaria consigo todos os seus j ornais . O Traba-lhista , por exemplo , foi criado em meados de 1 9 4 6 e era dirigido

pe-1 2 e C a r t a d o s ecre t a r i o -ge r a l d o P SD , C a r l o s C i r i l o J ú n i o r , a o D i r e ­ t ó r 10 d o PTB d e s ã o P au l o , A r qu iv o G e tú l i o V a r ga s , "GV 4 5 e 1 1 e 24 / 3. 1 3 e C a r t a a G e t ú l i o V a r ga s , A r qu ivo G e t ú l i o V a r ga s , GV 4 5 e 1 2 . 1 4 / 2 e 14 e V e r p r o p o s t a d e J o s e B a r b o s a ã C om i s s ã o E x e c u t i v a d e são P au l o ,

(14)

lo queremista Valdy Rodrigues . Além disso , Borghi conseguiu o con­ trole de O Radical , era dono da popular Rádio América e de outros im portantes órgãos da imprensa paulista . lS

A par dessas inciativas , Borghi ainda fez a distribuição barata de gêneros al imenticios' no estado e desenvolveu amplo traba-lho junto aos setores sindicais , ganhando o apoio de sinllcalisp?s .00

mo Deocleciano de Holanda Cavalcanti , presidente da Federação dos

Trabalhadores .na Indústria da Alimentação , e Lui§ Fiúza Cardia . Es­ tes dois lideres .sindicais não só passaram a integrar o diretório do

PTB paulista , como ainda promoveram um manifesto de apoio à candida-tura de Borghi. Em seu entender, era notória a capacidade de lide-rança de Borghi , assim como sua lealdade , e em função dessas quali­

dades prontificavam- se a apoiá-lo em sua pretensão ao governo . 1 6 Gil berto Crockat de sá , em carta a Getúlio Vargas , qualificava de " not� vel o trabalho do Borghi em são 'paulo ( ... ) O homem revolucionou são

Paulo com várias iniciativa s , entre as quais ressalta a venda de g� neros alimenticios pelo preço de custo ( . . . ) Outro fato que me parece deva ser levado ao conhecimento do Chefe é a mutação que encontrei em vários lideres sindicais , muito conhecidos , e que , sem reboliços , me

1 5 . S o b r e a s a t i vi d a d e s d e B o r gh i v i s a n d o c ompbr s u a i m p r en s a , v e r D ir et r i zés , 2 9 . 3 . 1 94 6 ; D em o c r a c i a , 7 . 6 . 1 94 6 ; A r q u i vo G e t ú l i o V a r ga s , GV 4 6 .04 . 08 , G V 4 6 . 0 9 .2 2l2 e GV 4 6 . 1 0 . 05 / 2 ; e J o r g e D u q u e E s t rad a , D epo imen to , FGV / C p d o c , 1 9 7 7 .

(15)

disseram do seu desgosto com o PTB , a seu ver inadequadamente condu-1 7

zido , exclusivamente pelos deputados " .

Um dos apoios mais cobiçados por Borghi era o de Getúlio ,

idéia de o PTB lançar ca�didato próprio ao governo que se opunha à

1 8

dos estado s . . Trabalhando avidamente contra ele estavam Baeta e

Segadas , que , através do Diretór�o Central, procuravam obstruir suas

pretensões . Assim foi que no inIcio de dezembro de 1 9 4 6 a Convenção

, Estadual oolIDlbgou a candidatura de Borghi ao governo do estado , e dias

depois , graças aos esforços ' da Execu ti va Nacional , imbu,tda da idéia

de que o partido deveria manter uma postura independente clas� sista, ' essa candidatura era' impugnada no Tribunal Superior

Eleito-ral : Borghi não podia 'ser,candidado de seu partido devido a irregul� ridades na convenção,' Ainda no més de dezembro , como que querendo purificar 9 ' PTB paulista , o Diretório Nacional promoveu uma reorgan� zação do Diretório Estadual , excluindo os elementos borghis tas e no­ meando novos delegados j unto a Jus tiça Eleitoral . 1 9

1 7 e A r q u i vo G e t ú l i o Var ga s , G V 4 6 e 0 9 . 00 / 2 .

1 2 e 6 e 1 94 6 . Ver t ambem D emo c ra c i a ,

1 8 e Ver c a r t a s d e G e t ú l i o d e 2 2 e 1 0 . 1 94 6 e 1 9 e 1 1 . 1 94 7 , no A r q u i vo d e A 1 z ir a Va r ga s d o Ama r a l P e i x o t o , e ca r t a a B o r g h i n o Ar q u i vo G e ­ t ú l i o Var ga s , GV 4 6 . 1 0 . 2 2 / 2 .

1 9 . A nova Executiva d e são Pau l o e l e i ta n e s s a e p o c a e r a i n t e g r a d a por J o s e C o r r e i a �ed r o �o J ú n i o r - p r e s i d en t e ; J o s e M i 1 i e t F i l h o , - vi c i-pr e s i d en t e ; J o s e A r t ur d a F r o t a Mo r e i r a - s e c r e ti ri o-ge­ ra 1 ; N e l s o n J u n q ue ir a d a Ve i g a A z e ve d o - p r i m e i r o - s e c re t i r i o ; Ar mando Gome s - p r i me ir o - t e s o u r e i ro ; F e r nand o N o b r e 'F i 1 ho - s e gu n � d o -s ecr e t i r i o ; Ma r t e d e O l i ve ir a A l ve s - s eg u n d o -t e s o u r e i r o . A E q u i vo d o TSE , o f íc io d e 2 0 e 1 2 e 1 94 6 e

(16)

A despeito destes fatos , Borghi nao se deu por achado . Mesmo sem se desligar formalmente do PTB , concorreu ao governo pelo Partido Trabalhista Nacional (PINl. e acabou perdendo para Adernar de Barros numa eleição em que o PTB f icou o'ficialmente sem candidato , embora Getúlio e Baeta tenham participado do comiciQ de encerramento

2 0

da campanha . Enquanto setores petebistas liderados por Nelson FeE

nandes apoiaram Adernar , Borghi carregou consigo , ao concorrer pelo

PTN , a maior parte dos diretórios do PTB que havia organi zado ,

oca-sionando um forte transtorno ao partido . Ao mesmo tempo em que se esboçava assim uma nova e intrincada aliança entre petebismo e ade­ marismo , terminava o primei'ro periodo de grande influência de Borghi dentro do PTB e começava o processo de sua expulsão , que se

consuma-ria pouco depois .

De fato , o assunto Borghi foi a principal motivação da se

gunda Convenção Nacional , que se reuniu entre os dias 5 e 1 0 de mar­ ço de 1 9 4 7 . Foi também , aliá s , obj eto de uma sessao secreta realiza da no dia 9 , na qual o presidente regional do PTB de são Paulo , Pe-droso Júnior , expôs minuciosamente a situação do partido no estado ,

terminando , segundo o que consta em ata , "por responsabili zar Hugo

Borghi por inúmeras irregularidades , faltas graves , traição de prin-.

2 0 . V e r D i r e t r i z e s , 5 ,12 . 1 94 6 , e D i ár i o d e s ã o P a u l o , 1 6. 1 . 1 94 7 . Um

ind i c ad o r d a f o r ça e d o p r e s t ig i o d e B o r e h i n o e s t ad o e a vo t a ­ ç ã o q u e r ec eb e u a p e s a r d e t e r c o n c o r r i d o s em r e s p a l d o p a r t i d á­ r i o . P er d e u p a r a Ad emar por uma d i f er e n ça d e 5 3 m i l vo t o s ( 3 9 3 . 6 3 7 a 34 0 . 5 0 3 ) , e n q u a n t o o c a nd i d a to d o P S D , Már io Ta var e s , o b t � ve 28 9 . 5 7 5 vo to s , e o d a UDN , A n t ôn i o d e A l me i d a P r a d o , 9 3 . 1 6 9

(17)

cIpios partidários e usurpaçao de poderes " . Borghi era acusado

tam-bém de ter agido " nefastamente " em Minas Gerais , favorecendo

finan-ceiramente o ex-ministro do Trabal'ho, OtacIlio Negrão de Lima , "que

procurou por todos os meios e modos destruir o partido " . Sua " in-fluência maléfica " estender-se-ia ainda ao Distrito Federal .

Após tantas acusações , Borghi foi sumariamente expulso do partido , sem ter tido mesmo a chance de defender-se . 2l Na ocasião ,

deixaram o Diretório Estadual 17 membros , entre eles Deocleciano de

Holanda Cavalcant i , para segui-lo no partido que adotaria , o PTN . 2 2 A Executiva Estadual do PTB também teve que ser reformulada para con tornar os problemas das evasões é das c i sões internas , embora . não se

possa dizer que 6 borghismo tenha sido dali extirpado . 23 O que se

veria daI em diante

s

eria um suceder de trocas e expulsões de

mem-bros do diretório , em grande parte sempre movidas pelo fascInio de

alguns setores do partido pelas vantagens que uma aliança com o em­ presário Hugo Borghi pudesse representar .

A força de Borghi em são Paulo foi fruto de várias circuns tãncia s . Certamente pesou o fato de ser um empresário que dispunha

2 1 e TSE , P r o c es so 7 / 4 7 e

22 . Reu n i ão d o D i r et ór i o E s t a d u a l d e 1 4 e 6 e 1 9 4 7 ; TSE , P ro c es s o 7 / 4 7 e

23 . A no va Exec u t i va 2s t a d u a l f i c o u a s s im c ompo s t a : p r es i d en t e - Nel s o n F �r na n d es ; primeiro vice-p r,esidente - Jos é, Correia Pedrosa· J ú n io r ; s�

(18)

de paixão politica e de recursos materiais para al imentá-la . Mas pe­ sou também a sua capacidade de compor j unto ao governo federal , j un-to às lideranças sindicai s e junun-to a Varga s . Sua rápida ascensão o tornava um rival dos mais sérios para os donos do partido , e por ' is­ so sua queda também foi planej'ada de cima . Borghi nunca chegou a ser completamente hostil�zado pelas forças petebi sta�pois sua capa­ cidade de criar diretórios no interior e formar cl ientelas era impoE

tante para um bom desempenho eleitoral . Não houve contudo a devida reciprocidade} pois ele também nunca conseguiu apoio para ganhar a corrida ao governo do estado , e acabou , anos mais tarde , se desliga� do da politica .

, Diferentemente ao que ocorria no Distrito Federal , onde Se

gadas tentava imprimir um caráter classista e independente ao parti­ do , a passagem de Borghi pelo PTB aponta para outro tipo de visão . Ele buscava a aliança entre sindicatos , Estado e empresários, ou se­

j a , procurava desde o inicio dar ao partido um tom policlassista e integrá-lo na esf.era do governo central .

Derrotado nas urnas em j aneiro de 1947 e expulso do PTB , Borghi deu mai s uma prova de seu prestigio ao assumir no ano seguin­

te a Secretaria da Agricultura,do estado a convite de Adernar de Bar­ ros em troca do apoio ao candidato do governador e de Dutra) Novelli Júnior> à vice-governança do estado . No novo cargo , procurou arregi­ mentar o trabalhador rural através de uma po�ltica participatória .

(19)

ram o evento " subversivo ".24

A rápida passagem de Borghi pela Secretaria de Agricultura

foi suficiente para provar sua capacidade de se utilizar de todas as

.

oportunidades ou até mesmo criá-las para acumular ganhos . Mestre em conquistar pares pol itico s, fal tou-lhe contudo a capacidade de com­ por alianças estáveis par'a c ima, ou seja, junto as cúpulas partidá-rias . Se na relação com a massa0 Borghi sabia como conquistá-la, na relação com os outros lideres era quase sempre um rival . °prova dis so é que foi sempre combatido indi stintamente por petebistas e ude-nistas, que o trataram como forasteiro e o destroçaram até financei­

ramente : os petebistas por razõe� sabidas, e os udenistas, por seu

populismo deslavado e sedutor .

2 . Trabalhismo e ademarismo

Passado o primeiro tumulto em torno da permanéncia de

Bor-ghi no PTB, f icava também evidente que uma nova força se impunha ao

partido . Tratava- se agora do governador eleito, Adernar de Barros, d� no da maior organi zação politica local, o PSP, .Partido Social Pro-gressista . AO exemplo de BorghiO, e com a vantagem de ser o governa-dor do estado, Adernar tinha também uma ampla capacidade de movimen-tar recursos econômicos e politico s . Além disso, seu trabalho de

24 . I s rael B e l o c h e A l z i r a A l v e s d e A b r euo ( c o o r d . ) , D i c i oni r i o h i s­ t �r i co biogr i f i c o -b r a si1ei r o , 1 93 0- 1 9 8 3 , Rio d e J a n ei r o , F o r e n s e

Uni ve rsi târ i a - FGV-C p d o c / F i ne p , 1984 .

(20)

persuasao dentro do PTB j á se havia mostrado eficaz o bastante para que Borghi acabasse fulminado na sucessão estadual .

A partir desse momento , o PTB paulista j amais se

dissocia-ria da aliança com Adernar . Na qualidade de ex-inteventor , ele conh� cia profundamente a politica local e estabelecera importantes canais de comunicação , formando 'uma das mais conhecidas c l ientelas da épo­

ca . Parte do PTB resolveu apoiá'-lo nas eleições de 194 7 , quando se

chegou mesmo a cogitar de urna f usão dos dois partidos no estado . Os

estudos para tanto ficaram a cargo de uma comissão composta por Fro-ta Moreira e José Correia Pedroso Júnior , pelo lado do PTB , e por JQ

2 5

-se Baroni e Leandro de Melo , pelo lado do PSP . A incorporaçao rea! ment'e não se e'fetivou , mas sua s imples cogitação ,é um sintoma revela­ dor dos laços que passaram a presidir as relações entre as duas agr� miações : �demar passaria a ter no PTB urna influência tão

quanto a de Borghi .

polêmica

� em torno desses doi s l ideres e ainda no cerco a Dutra que se pode caracteri zar o PTB de são Paulo nesses primeiros anos . To-das essas possibilidades eram tentadoras e portanto dividiam o paE tido : de Dutra era importante garantir nomeàções para os il'lstituto s , de Borghi e Adernar era pos sivel também arrancar recursos que s e tra� formavam em votos . O problema com Borghi devià-se ao fato de ter- se

ele revelado um aliado de Dutra dentro do partido , e também,aos o­ lhos da direção nacional , ao temor de que seu sucesso politico pudes se levá-lo a dominar a organização . Dai a aliança com Adernar ser a curto pra zo mais atrativa para os 'setores getulista s . De qualquer

(21)

forma , a expulsão de Borghi foi alvo d e várias crIticas . Entre os seus seguidores que em protesto" se eximiram da obediência partidária

estavam quatro deputados federai s paulistas : Berto Condé , Guaraci Sil veira , EmIlio Carlos e Euzébio Rocha . 2 6

Outro importante al iado de Borghi em são Paulo foi o ex­

-ministro do Trabalho e' um dos ideólogos do PTB , Alexandre Marcondes Filho , que passou a mover uma ferrenha campanha contra Baeta e Sega-das , responsáveis por sua expulsão . Marcondes começou então a traba

lhar pela salda de ambos da Executiva Nacional e pela condução do

gaúcho Salgado Filho à chefia do partido . 2 7 Com o obj etivo de pre� sionar Getúlio no sentido de uma definição contra Baeta , acionou seus contatos junto as bases do partido , e em conseqdência vários diretó­ rios distritais de são Paulo , pregando a união em torno de sua orien

tação , enviaram abaixo-assinado a Getúlio acusando Baeta Neves de

ser um obstáculo â reestruturação do partido, e de não ter autoridade

suficiente para se impor e dar prestIgio à agremiação , pois lhe fal-tava "cultura , habilidade e experiência " . O documento pedia a

Var-gas que destituísse Baeta do Diretório Nacional e indicasse Salgado Filho para seu lugar , e Marcondes para a presidência do PTB de são

Paulo . Opondo-se a essa linha de ação , outros diretórios distritais 28

apelavam a Vargas no sentido de manter Baeta . ,

2 6 . D i r e t r i z e s , 2 0 e 2 5 . 3. 1 94 7 . Al ém d e s t es, romp e r am c o m o s o l i da r i ed a d e a Bo r gh i , o �a r a e n s e Ar i s t id e s Lar g ur a , o Levi Sant o s e o c a r i o ca B e n j a m i n F a r a h. A' b a ncad a d n s a é p o c a e r a compo s t a d e 2 2 d ep u ta d o s .

2 7 e Vangu a rd a , 1 5 e 17 e 4 e 1 94 7 ; D i r e t r iz e s , l i. e 2 1 . 5 . 1 9 4 7.

2 8 . Arq u i vo Ma r co n d e s F i l ho , AMF 4 7 . 0 6. 2 8 e AMF 4 7 . 0 0. 0 0 / 2 .

(22)

-Decididamente , mesmo após a salda d e Borghi , o PTB d e são

Paulo continuava sendo uma seção tensa , talvez exatamente por reunir um grande número de pretendentes aos postos de comando . Um problema

crucial eram sém dúvida as divergências quanto ao alinhamento do' par tido ao governo de Dutra e quanto ao tipo de filiação que o PTB deve ria privilegiar . Em con�raposição ao Distrito Federa l , por exemplo , onde a disputa também existi u , em são Paulo nenhuma corrente conse­ guiu se estabelecer com tanta estabilidade como Segadas Viana o fez na capital federal . Outras seções também se estabilizaram em torno de alguma l iderança , e' so em são Paulo a situação se manteria tão tu multuada , até se instaurar o "re'iriado " de Ivete Varga s , que contro­

lou ,o partido mediante expurgos e composições ad hoc com os governos

federal e estadual . Além disso , Ivete seria ,responsável por importante aliança local , desta feita com Jânio Quadros . No

outra dizer

de Euzébio Rocha , ' com Ivete o PTB de são Paulo se tornou definitiva-2 9

mente uma " legenda de a,luguel " .

As eleições para a vice-governança d6 estado iriam ocorrer em novembro de 1 9 47 , e esse era um dos motivos para que se apres sas­

sem' definições dentro daquela seção . Um relatório do Diretório Re­

gional enviado a' Getúlio enfatizava a influênci, a eleitoral de Borghi,

que continuava sendo a maior força eleitoral de são Paulo e que

pas-sara a ser também um dos mais importantes colaboradores do PSD . A

vida partidária no estado era extremamente precária para todos os

(23)

partidos , e o próprio Diretório Regional do PTB sobrevivia naquele ano

de 1947 graças a duas salas ,cedidas por Adernar . Controlado pelo

Se-si , pelo Sesc e por Adernar , sem quadros e sem recursos , conclui o re­ latório que o P'rB de são Paulo "vegeta " . 3 0

Nelson Fernandes , o presidente regional , também estava pe�

simista . Os diretores petebistas em sua maior parte acompanharam

Borghi na sua transferéncia para o PTN . Com muita dificuldade

Nel-son procurava organizar diretórios'com os trabalhistas e dirigentes sindicais que permaneceram no partido , e buscava alianças inclusive

- 3 1

com o s comunista s , para que o partido participasse, das ,eleiçoes. A

saída de Borghi teve realmente sérias conseqftências,pois com ela o

partido em são Paulo caía como um castelo de cartas . I s so o obrigava a compor novas alianças , 9 que de certa forma o impelia ainda mais

para a órb�ta de Adernar de Barros para poder contrabalançar a força

econômica do grupo recém-expulso .

Colocando- se como força em princípio oposta às correntes

conservadoras da UDN e do PSD , interes sava a Adernar fortalecer essa aliança sólida , porêm informa l , com o PTB, O que lhe permitiu na pra­ tica fortalecer seu próprio-partido, o PSP , em todo o estado . Segun­ do Regina Sampaio , o crescimento do PSP em são Paulo se deu

princi-1 - d d b di " t . 3 2

N-pa mente graças a toma a as ases pesse stas, no �n er�or . ao se

3 0 . A r q u i v o G e t ú l io Va r g a s , GV 4 7 . 0 5 / 11.0 0 .

3 1 . C a r t a d e N e l s o n F ernand e s a' Var g a s , A r q u ivo G e t ú l i o Var g a s , GV

3 2 .

4 7 . 08.21 / 2 .

Reg i na Sampa i o , "o P a r t i do S o c i a l P r o g r e s s ista em são D av i d V. F l ei s c h e r , Os part id o s po l ít i c o s no B r a s i l , Ed i t . d a Uni v . d e B r a s il ia , 198 1 .

(24)

pode , contudo , subestimar a importância desta ligação com o PTB para

entender essa expansão , que foi sem dúvida râpida , conforme mostra

a mesma · autora : "Jâ em fins de 4 7 , o PSP conta com diretórios e sub-diretórios em todos os distritos do interior e da capital , e nas elei ções municipais realizadas nesse ano , elege sozinho 2 7 % dos prefei-tos , · contra 11% do PSD , 4 , 5% da UDN , 4 , 5%do PTN e 1 5 , 4 % de outros partido s " . 33

o avanço do ademarismo no estado corria , portanto ,

parale-lamente a seu avanço sobre o PTB . Com i sso o partido , que mal acab� ra de se livrar parcialmente de Borghi , f icou irreversivelmente lig�

do a outra liderança , o gove·rnador de estado , cujo cargo permitia

u-ma série de facilidades politicas para seus aliados na capital e no interior . Anos depois seria a vez de Jânio Quadros penetrar nas

es-truturas partidárias e seduzi-las por sua facilidade em conquistar

voto s .

Verif ica-se , no entanto , que se o PTB paulista esteve sem­

pre vulnerâvel à ingerência de outras forças , e se várias de suas

alas compuseram propositalmente com expressi.vas· lideranças alheias aos

quadros do partido , isto ocorria por motivos eleitorais , mas também em função das diversas percepções dentro do PTB acerca de qual deve­

ria ser o papel de um partido trabalhista na politica naciona l . De toda forma , o· que ocorreu em são Paulo foi bem· diferente do que se

passou no Distrito Federal , onde o PTB , sob o comando austero e cen-tralizador de Segadas Viana , batia-se para concorrer sozinho as elei

ções e manter-se autônomo frente aos outros partidos .

3 3. I d em i b . , p e 1 7 7 . C o n f o rme a m e s ma au to r a , o s d ema i s p r ef e i to s fo ram el ei t o s p o r a l i a nç a s i n t er p ar t id i r ia s .

(25)

A aliança com o ademarismo em são Paulo nao foi contudo um caminho fácil e sem atalho s . As eleições municipais em 1 9 4 7 , e par­ ticularmente as eleições para vice-governador do estado em novembro desse mesmo ano� colocaram Vargas e Adernar em campos oposto s . A se ção paulista do PTB mais uma vez se esfatiou no apoio aos dois candi

datos : Cirilo Júnior , ápofado por Getúlio , e Novelli Júnior , apoiado

por Adernar e Hugo Borghi . Ou sej a , nem mesmo a orientação do ex-di­

tador foi suficiente para assegurar a unidade interna do partido em

são Paulo , que mais uma vez seria assolado por graves denúncias de

traição e até mesmo corrupção .

3 . Comunistas e novas cisões

Nos idos de 1 9 4 7 , a vida do PTB em são Paulo osci lava en­ tre a influéncia de Hugo Borghi e a de Adernar de Barros . O partido estava irremediavelmente atrelado a· essas f iguras e delas dependia

em termos financeiros e eleito.rais . Em seu interior era praticamen­

te nula a existênc ia de uma ala trabalhista capaz de promover seu crescimento autônomo . O partido vivia dessas alianças e se a limenta

va das crises por elas geradas .

Tanto Borghi corno Adernar eram "dono s " de legendas prô-prias , mas habilmente haviam lançado'dentro do PTB alicerces muito

sólido s . Era em função também dessa dupla influência vinda de fora

de seus quadros que se desenrolavam as grandes cisões dentro do PTB .

Nesse mesmo ano de 1 9 4 7 , o partido', através de alguns de seus mais

expressivos lIderes , iria empenhar-se a fundo numa aliança com os co

(26)

realizariam em novembro . lo menos por duas razões .

Essa nova aliança merece ser destacada

pe-Em primeiro lugar , ela indica o inIcio de entendimento s formais entre o PTB e o Partido Comunista , após o movimento queremi� ta de 1 9 4 5 , entendimentos esses que se desdobrariam no futuro e te­ riam grande importância na polltica brasileira e não apenas no esta­ do de são Paulo . O novo aliado foi , como se sabe , amplamente citado e denunciado como uma infiltração dentro da polltica trabalhista , paE ticularmente a partir de 1 9 5 3 , quando da ida de João Goulart para o Ministério do Trabalho . No exerclcio da vice-presidência e depoi s

na presidéncia da República , João Goulart efetiv.amente preservou es­ sa aliança , que foi aliás um dos pontos altos da campanha que levou

â sua. deposição· e a queda do regime democrático em 1 9 6 4 . Mas naque­ la conjuntura Cb getulismo paulista , regido por borghismo e ademaris­ mo , os comunistas representavam· um terceiro ·aliado de peso . Nesse

sentido, como se pode dedu·zir, eles seriam mai s um fator de coesão/ di spersão dentro do PTB .

Em segundo lugar , nao deixa de ser sugestivo que essa a­ liança tenha começado a ser esboçada logo após a cassação do regis­

tro do PCB, em maio de 1·9 47,episódio que contou com a colaboração do próprio PTB . A clandestinidade não foi o único fator para esse en­ tendimento , mesmo porque a=rdos·.e alianÇas eleitOrais> p0deriam "perf'eitam�!!

te ocorrer com o partido na legalidade . De toda forma , com a anula­ çao de seu registro o Partido Comuni sta precisava usar outras legen­ das para participar do j ogo polltico formal . Para o PTB , por sua

(27)

al-gumas de suas teses que tivessem respaldo elei toral . Des'sa forma , eg quanto uma parte expressiva do PTB trabalhava pela cassação do PCB , outra'parte se esforçava por associar-se a ele , apoiando diretamente a validade da tese comunista de " frente popular " . Sinteticamente , p2

demos dizer que os comunistas eram excelentes aliado.s eleitorais des de que não tivessem partido próprio'.

Essa aproximação foi mais evidente em são Paulo do que no Rio Grande do Sul ou no Distrito Federal , onde o PTB tinha maior ex­ pressividade . Competindo com os petebistas em são Paulo em torno des sa aliança estava Adernar de Barros , que efetivamente , com ela , tam­ bém conseguira bons resultados nas eleições para o governo do esta­ do em j aneiro ,de' 1 9 4 7 . Nessa mesma ocasião , quando já se discutia abertamente a posslvel cassação do partido , o PCB se valeu da legen­ da do PSP para apresentar alguns candidatos à s eleições suplementa­ res para a Câmara Federal e o Senado . Graças a esse arranj o , três c2 munistas de são Paulo se elegeram para o Leg i slativo Federal : Fran­

klin de Almeida , Diógenes Arruda Câmara e Pedro Pomar . Por esse ar­ tiflcio , os três escaparam da cassação dos mandatos que em j aneiro de 1 9 4 8 atingiu os deputados comunistas formalmente ligados à legenda do PCB . No entanto , nem o PSP nem o próprio Adernar tiveram qual­ quer atuação significativa contra o gerco aos comunistas que se esta beleceu no Congresso. I sso em, parte explica o fim do acordo entre

os comunistas e Adernar , assim como a crescente campànha que a esqueE

(28)

Por outro lado , a lguns importantes auxi liares de Vargas e

lideres do PTB iriam atuar como interlocutores especiais junto aos

comunistas no sentido de estabelecer os termos do acordo visando as

eleições para vice-governador . Entre eles estavam Queiroz Lima , ' Ne! son Fernandes , Baeta Neves e Sbsé Junqueira , que f reqaentemente se dirigiam ao ex-ditador para expor o andamento das negociações . Como

em todas as sucessoes brasileiras em que não há consenso sobre abso-lutamente nada , nesta "também as lideranças do PTB estavam empenhadas

no lariçamento de um nome de "união " , a ser apresentado pela " frente

popular " , que forçasse o apoio de Adernar e que alcançasse as bases

eleitorais comunistas . Num relato de Queiroz Lima' a Getúlio , i s so

fica bastante claro: " Precisamos da frente popular para unir as mas-sas em nosso único beneficio porque o comunismo não tem vida lega l . Agindo a margem do PTB , acabarão por extinguir-se pela nossa prepo�

d � i 1 d id 1 1 t ' i

., 3 4

eranc a natura o part o ega e a �v sta .

Nos contatos com Prestes , Queiroz Lima concluiu que , segu� do o chefe comunista , "o senador Getúlio e o partido esquerdista , com

ou sem legal idade , detêm a maioria eleitoral no estado,de são Paulo .

Um candidato do PTB apoiado pelos esquerdistas será o vitorioso .

A-ceitar candidatos de outros partidos será sujeitar-se de novo às mes

mas coisas que aconteceram aos traba lhistas votando em Dutra e aos es

, 3 5

querdistas votando em Adernar - 'serem renegado s " . Esta

avalia-34. Ar qu i vo Ge t úl i o V a r g a s , GV 4 7 . 0 9 . 2 2 / 3 e D e me smo t e o r c a c a r t a

d e Nel s o n Fernand e s a G e t ú l i o , G V 4 7 . 0 9 e 1 0 / 3 .

3 5 . C a r t a d e Qu e i r o z Lima a G e t úl i o , A r q u i v o G e t ú l i o V a r g a s,GV 4 7 e 09.

(29)

çao dos acontecimentos feita por Prestes estava absolutamente

corre-ta no que diz respei to ao apoio que o PTB dera a Dutra em 1 9 4 5 e que o PCB dera a Adernar ern j aneiro de 1 9 4 7 . Nos dois caso s , passadas as eleições , os compromissos e leitorais foram esquecidos e ambos foram literalmente "renegados " . 3 6

Apesar de todos 'esses entendimentos , ·nao surgiu a tão

pro-palada candidatura de frente popular , mas PCB e PTB ficaram j unto s

no apoio ao mesmo 'candidato ; Cirilo Júnior , presidente do PSD pauli� ta . Cirilo , candidato oficial de se� partido , concorria às eleições contra o também pessedista Novelli Júnior , apoiado por Adernar de BaE ros , por Dutra e pOt:, Hugo Borghi" este último a loj ado no PTN . 37 Como

sabemo s , tanto Adernar como Borghi tinham fortes laços no PTB , o que deixa de antemão prever que o apoio a Cirilo não foi assunto liquido e certo de,ntro do PTB pauli sta , apesar dos esforços de Vargas neste sentido . As eleições para vice-governador eram efetivamente o pri­

meiro trabalho politico de vulto a que Vargas se dedicava após sua deposição em 29 de outubro de 194 5 . Ganhar em são Paulo derrotando

Novell± Júnior , o candidato de Aõemar que era ao mesmo tempo apoiado

por Dutra , de quem era 'genro, tornava-se uma peça crucial para o fu-turo eleitoral do getulismo nesse estado , visando principalmente as

3 6 . S o b r e o ucama l eoni'smoll d e' A e ernar , s u a s a l i a n ças' el ei t o r a i s em

,são P a u l o em 1 94 7 e a t r a i ç&o a o s comu n i e t a s , ver, p o r exemp l o , J o h n ,D . F r enc, " Wo r ker s ,a,nd r i s e 9 f adhema r i s t p o pu l i sm i n são P au l o , B r a z i l , 1 94 5- 1 94 7 " , H i sjlan i c Amer i ca n H i s t o r i ca 1 Rev i ew , Dur ha n , 6 8 ( 1 ) , f e v. 1 988 , p . 1 4 3 .

3 7 e D ir et r i z es , 2 0 e 1 0 . i 94 7 . O o u t r o con co r r en t e ao p l ei to f o i , P l {­

n i o B a r r eto , d a UDN ; t am b im apo i ado .p el o P S B . S egundo o j o r n a l A Manh ã . d e 2 1 e 1 2 , 1 94 7 , o P T N a p o i o u No vel l i J � n i o r c o m a c o n d i ­ ção d e o b t er d o go ver no d o es t a d o a S e cr e t a r i a d e Agr i c u l t u r a p�

(30)

eleições presidenciais de 1 9 5 0 .

Maciel Filho , um dos assessores de Vargas e um dos que mais se empenhavam junto ao ex-ditador na apresentação de subs Idios para a cassação do PCB , estava francamente otimista . Como o apoio de Var gas a vitória em são Paulo estaria assegurada , e por. isso ele fazia veemente apelo p'ara que Getúlio se interessasse e participasse dessa

campanha que visava derrotar ao mesmo tempo os governos estadual e

federal . Seria , segundo Macie l , a " desforra do 2 9/10 " , ou seja , a

"desforra" pela deposição do ditador em 1 9 4 5 . 38

Por intermédio de Baeta Neves e Nelson Fernandes foi arti-culada em são Paulo uma frente reunindo PSD , PTB e PCB para apoiar Cirilo Júnior . 3 9 O alvo principai era derrotar Novélli , candidato de

uma cisão do PSD , sabiamente explorada por Ademar'e Borghi , que

a�-sim tentavam esvaziar a fOrça eleitora l de C irilo , o estivel presi-dente do PSD regional , principal partido no estado e , portanto , con­

corrente do PSP de Ademar . Além do mai s , não podemos esquecer que era estratégico para o governador manter- se ao lado do governo fede-ra+ , fortalecendo a linha dutrista do PSD num momento em que sua admi nistração começava a ser alvo de sérias denúncias e que uma pos s ível intervenção federal no estado era assunto ampl"amente veiculado .

Os re�ultado s eleitorais deram a vitória a Novelli Júnior,

revelando 'uma surpreendente derrota nO ffitado do PSD getulista , ou se

3 8 . A r q u ivo Ge t ú l io V a r g a s , GV 4 7 . 1 0 . 2 3 / 1 .

39. I d e m . V e r t ambem car tas de Nel son fernandes e Bacta N e v e s a G e t ú l i o , A r

(31)

j a , do próprio Vargas e também de Prestes , duas das maiores lideran­ ças do pais que , j unto s , correram o estado fazendo a propaganda de

Cirilo . Mas Adernar não colheu apenas essa vitória : nas eleições mu­ nicipais realizádas em 1 9 4 7 e 1 94 8 , o PSP sozinho fez 1 . 1 3 3

vere�do-res no estado contra o segundo partido colocado , o PSD , com 6 3 9

ca-deiras . O PTB alcançou 'mlrradas '1 6 4 das 4 . 5 8 9 cadeiras então

exis-tentes . Grande parte destas 'foram preenchidas através de coligações

e alianças eleitorais na maioria das quai s o PSP também estava pre

-sente . Das 3 05 prefeituras onde ocorreram eleiçõe s , o pSP sozinho

elegeu 7 8 , contra 3 2 do PSD e 7 do PTB . Aqui também era expressiva

a' vantagem do PSP sobre os dereais partido s . Definitivamente ele

es-tava, em expansão" enquanto o PTB apresentava um péssimo

4 0

desempenho

ta�to na capital como no interior .

Rapidamente se tornou pública nova crise'dentro do PTB em

função da derrota de novembro . Ela foi',a tr.ibuida ao fato de vários dissidentes, terem se bandeado para o lado de Borghi , Adernar e Novelli,

e, portanto " para o lado de, Du'tra . A crise 'virou escândalo quando

se denunciou publicamente a malversação do dinheiro de campanha ced!

CO pelo PSD ao PTB . Baeta Neves , NeJson Fernandes e José Junqueira ,

por exemplo , apareceram,� noticiário politico, como ,os responsáveis

4 1 pela " evaporação " da quantia d e 7 5 0 mil cruzeiros doada pelo PSD .

-4 0 . TSE , Dad o s E s t a t l s t i co s , 1 9 6 4 . C o nvim r � 8 i 5 t r a r q u e p e r a e s s e su c e s so d o P SP f o i d e c i s iv a a i n i c ia t iva d e A d emar , n o i n i c i o d e su& s d m i n i s tr a ç io , no s e n t i d o d e ó es i t: i r ' � o d c s o s p r e f e i t o s e a u t o r i d a d e s l o c a i s nome�d a s p e lo i n t erven toy J o s e r. a r l o & � e M a c e d o S o ar e s .

(32)

o PTB nao SÓ perdeu as eleições como iniciou um inquérito interno para apurar a denúncia dessas irregularidades f inanceira s , o que lhe deixaria novas e irremediáveis seqüelas . O partido deixara de

"vegetar'" para se envolver em altos interesses pol iticos e f

inancei-ros . O resultado , contudo , fora desastinancei-roso .

Em longa carta a Vargas , Baeta Neves , o presidente

nacio-nal do PTB , procurava se isentar das acusações e fazia uma minuciosa recapitulação dos ' incidentes politicos de são Paulo . Após a expul-sao de Borghi , em março ; o PTB elegera Nelson Fernandes para

presi-dir a Executiva Estadual . Vários meses à frente do cargo , Nelson não conseguira normalizar a situação, em são Paulo , onde vários grupos e

subçj':l;'UpOS disputavam arduamente o controle do partido , mas todos se

" entendendo " com Adernar visando vantagens . Baeta citava nominalmen-te Euzébi� Rocha e Pedroso Júnior como os principais prenominalmen-tendennominalmen-tes a liderança da seção paulista e, portanto , como os grandes responsáveis pela crise que ali perdurava . Por questões interna s , ambos vacila­ ram até o último momento quanto ao apoio a· Cirilo , e , perdida a elei

ção , fGram eles os responsáveis pelas denúnc ias de irregularidades

f inanceiras envolvendo ' o desvio dos 7 5 0 mil cruzeiros cedidos ao PTB (através de Nelson Fernandes e José Junqueira ) pelo PSD (através de

Maciel Filho e Ernani do Amaral Peixoto ) . Baeta considerava a denún

cia como uma disputa doméstica por prestigio dentr,o do partido e ap� lava a Getúlio para que voltasse ao Rio de Janeiro para assumir a d�

'reção nacional do PTB . Só nessa circunstância ele , Baeta , atenderia

ao apelo de seus adversários para que abandonasse o cargo . 4 2

(33)

José Junqueira também deu longas explicações para demons­

trar que existia uma campanha difamatória contra ele e contra o PTB . "A moral partidária está sendo atirada nas colunas dos j ornais que se abrem como câmeras de sacriflcio , des'truindo a honra dos

condena-dos à crepitação de suas fogueiras . . . A preparação da massa supoe um esforço imenso e coordenado que foi mal esboçado até aqui porque o partido não teve ainda elemento para sentir-se forte dentro dos pri�

.clpios disciplinares " . Com'veemência defendia-se das acusaçoes e fa

� 4 3

z ia tambem a defesa 'de Baeta .

Este epi sódio , por sua gravidade e por seus

desdobramen-tos , seria de capital impor'táncia para o afastamento de Baeta da pr�

sidência da Executiva Nacional alguns meses depois , ou , mais precis� mente , em j unho de 19'4 8. Uma de suas mais importantes repercussoes foi a debandada partidária que se iniciou em direção ao PST , o Parti do Social Trabalhista , do dissidente pessedista do Maranhão ,

Vitori-no Freire . Em carta a Gurgel do Amaral , l Ider do PTB na �a, seis deputados petebistas - Euzébio Rocha (SP) , Rui de Almeida (DF ) , Pedr� sO Júnior ( SP) , Ezequiel Mendes (MG ) , vargas Neto (RS) e Rubens de

Melo Braga (PR) - comunicaram a.ioda em novembro que se sentiam deso­

brigados em relação ao partido enquanto não fossem apuradas as denún

cias sobre são Paulo . NO 'Distrito Federal alguns vereadores também ameaçaram deixar: o partido pelas mesmas razões .

Frente a essa rebeldia , Baeta ficava com a sua autoridade de presidente nacional do partido mais do que arranhada . Mais uma

vez pediu a Vargas uma " diretri� decisiva e definitiva " sobre os

(34)

IlOS do partido . "Devo declarar , como das outras veze s , que o pos

-to se -tornou demasiadamente pesado para mim e que agora compete a V . Excia . dizer a quem devo entregar os destinos do Partido sem que seja necessário vir a público fazer declarações para não hostil izar

mais a obra que constitui o sonho de modestos trabalhadores que em

9 de abril de 1 9 4 5 , à praça Tiradentes , n9 27 , fundaram com os olhos voltados para a grandeza de nossa Pátria um partido polltico , escoim� do daqueles que tantas vezes j á o tralram e ultrajaram" . 4 4

O s rebelados pressionavam a direção nacional para que o ca-so fosse devidamente apurado , enquanto José Junqueira renunciava ao s cargos de membro do Diretório Nacional e do Conselho Fiscal , assim co mo à primeira supléncia de vereador no Distrito Federal .

Em reunião 'da Executiva Nacional de 6 de dezembro de 1 9 4 7 , ficou resolvida a desaprovação a todos aqueles que tornassem pÚbli- .

cas questões internas ao partido . Ficou decidida também a criação

de uma comissão de inquérito para apurar as atividades · antipartidm­ rias dentro do PTB , e deliberou�se 'convidar os signatários da moçao de desconfiança dirigida à Executiva Naciona l através do lider da bancada federal a se justificarem e apresentarem as razões concretas que os levaram à denúncia . Finalmente , foram suspensos por 6 0 dia s

os direitos partidários do deputado Euzébio Rocha , e fez-se apelo quanto à disciplina partidária . 4 5

novo

44 e I d em e A t en t e- s e , a i n d a uma vez , p a r a a q ues t ao da d a t a d a f u n d � ­ ção d o p a r t i d o c i t a d a p o r Baet a . A d a t a o f i c i a l c o n s t a n t e n o s es t a t u t o s i d e 2 6 d e mar ç o d e 1 9 4 5 , ma s es t a d a t a n ã o � c i t a d a p o r nenhum peteb i s t a h i s t 6 r i c o . I , so c o n f i rma a ver são d e Sega­ d a s V i a na d i s cu t i d a em o u t r a par t e da pes qu i s a o n d e se a n a l isa a

o r i gem s i nd i c a l i s t a d o PT B e

4 5 . Rel a t6 r io d e B a e t a Neves , Ar qu i vo G et � l i o V a r ga s , GV 4 7 e 1 2 e 1 5 e

(35)

Por todas essas razoe s , era nltida a dimensão da crise que se instaurava dentro do partido , parecendo evidenciar que em são Pau lo o trabalhismo getuli sta não poderia se dinamizar ou mesmo

sObre-viver dentro de um partido polltico . Por outro lado , a derrota de

novembro fora uma inesperada demonstração de que a f igura de Vargas não era recurso suficiente para assegurar a vitória de um candidato pelo �enos em são Paulo . Obviamen�e ela foi creditada à desorganiz�

46

ção do PTB local , .incapaci ta do que estava de congregar esforços. Tam bém ' para Vargas impunha- se a reorganização do partido para reverter a situação em que se encontrava . Segundo ele , a derrota de são

Pau-lo tivera "efeito deprimente" sobre o PTB gaúcho , não SÓ pelo resul

tado eleitoral mas pela exploração que foi feita das l igações entre 4 7

Vargas e Prestes na campanha .

As pressoes para que Baeta Neves renunciasse eram fortes e

freqüentes . Para muitos seria a solução para a crise , que na verda-de podia ser resumida a uma disputa entre correntes pró e contra o

alinhamento com os governos federal e estadua l . Baeta , nessa

oca-sião , passara a defender uma aproximação do PTB com Dutra e Adernar , enquanto Vargas se dec1arava peremptoriamente contra a entrada do PTB no Acordo Interpartidário promovido pelo Catete . Quando encare­ cia a Getúlio para assumir a chefia do partido , Baeta estava de fato lhe pedindo que viesse resolver e decidir entre os grupos em

gio . Mas Vargas não queria esse papel : queria unanimidade .

litl-A situação era tão grave , "de franca desagregação e deSllDro namento " , que outros petebistas de são Pau lo ameaçaram deixar o PTB

4 6 . E s t a é p o r exem p l o a o p i n ião d e Sal gado F i l ho .

1 9 . 1 1 . 1 9 4 7 . Fo lha d a No i t e ,

4 7 . Get u l i o Va r g a s a A 1 z i r a Var g a s em 3 0 . 1 1 . 1 9 4 7 , A r q u i vo A 1 z i r a V a r

(36)

a sua 'sorte e propuseram a Vargas a criação do Partido do Brasil , um

partido personalista a ser organizado em torno do nome de Vargas a

partir da estrutura partidária j á existente no PTB . 4 8 Confirmando es

se clima de desalento , Epitácio Pessoa , o encarregado de presidir' a comissão que investigaria as de'núncias em são Paulo , e um dos que lT\3,is se empenhavam na deposição de Baeta! também propôs a Getúlio que , a exemplo da Argentina , formasse , j unto com Salgado Filho , o Partido Ge tulista . 4 9

Apesar de tudo , ainda era vislvel o interesse de vários po

llticos locais em ganhar a confiança de Vargas e se transformar em

11-deres estaduais ungidos pela co'nf;i.ança do ex.,ditador . Pedroso Horta ,

experiente polltico e advogado de são Paulo , e que inicialmente se f i liara ao PSP , era enfático o suficiente nesse ponto . Invocando

Car-lyle , transmitia suas opiniões a Getúlio nos seguintes termos : " O PTB

precisa de um 11der e este , só muito lentamente , SÓ tarde demais, p'od§. ri,a formar-se pelo natural processo de decantação dos sub11deres . O remédio é o de criar um l lder artificial , um 1 1der nomeado ( . . . )

qual-quer um serve . A luta vai ser dura . Sem uma providencia , como a que

lhe recordo ( . . . ) entendo que o partido 'aqui não se reorganizará

efi-cazmente . Dê-nos um Chefe , Dr . Getúlio , mas inequivocamente consagr�

do pela sua confiança , e o senhor verá que as divergências se

extin-guem, que o Partido se apaz igua . Um Chefe l im,tta apetites , -se em dirimir controvérsias , quer somar e não dividir . ,, 5 0

empenha-4 8 e Car t a d e A l z i r a V a r gá s a G e t � l io em 1 1 . 1 2 . l 9empenha-4 � A r q u ivo A l z ir a V a r g a s d o Amar a l P e ixo t o .

4 9 . Ar q u ivo G e t � l ia Var ga s , G V 4 8 . 0 2 e 2 9 .

(37)

Talvez residisse ai o grande equivoco de pedroso Horta . Ao que tudó indica , o problema maior ali corria por conta da multiplici­ dade de pretensas chefias "e lideranças em cada grupo . Mas não era

a-penas ele que pensava dessa maneira e que se apresentava de antemão

para essa missão . Outros aguardavam a mesma oportunidade de s e ungir com o prestigio de Vargas para se f ixar como lid,erança s . Não deixa

de ser interessante que Vargas relutasse em tomar essa providência . Getúlio acompanhou a polltica paulista nesses primeiros anos dando o­ rientação direta à seção do partido em seus assuntos internos ou for­ talecendo a corrente antidutri s ta frente às outras , mas sem nomear ex plicitamente um preposto que detivesse ao mesmo tempo força de coman­ do e força eleitoral . Similarmente ao que acontecia com a Executiva Naciona l , vargas marcava sua interferência pelo envio de mensagens p� dindo a pacificação e a unidade .

Era claro que o PTB de são Paulo tinha muito do que se be­ neficiar do apoio de Ademar e de Borghi , mas era claro também que Ge­ túlio contava com grandes aliados e ex-colaboradores no PSD , partido

que vinha sendo , em grande escala , corroldo pela entrada maciça do

PSP pelo interior . A exemplo do que ocorria pelo resto do pais , Getú

lio se preocupava em manter nos dois partidos - PTB e PSD - boas rela ções , fácil convivência e um comando dissimulado , porém inegável . Em

são Paulo essa estratégia era particularmente importante porque ali

residia o maior eleitorado do paIs e por ser esse estado o ponto ne­ vrálgico da polltica nacional . Ou sej a , se de um lado se demonstra­ va impraticável a fundação de um PTB minimamente coeso , há que se re levar tambêm que para Vargas não era boa estratégia insistir na tese

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a-linhamentos futuros no plano naciona l .

Por todas essas razõe s , a s investigações em são Paulo nao levaram a resultados conclusivos quanto ao que efetivamente se passou com a·lealdade do PTB aos seus candidatos e ao dinheiro oriundo do· PSD na campanha para a vice�governança . Mas tiveram péssimas repercu� sões para Nelson Fernand·es , que depois de Borghi era o mais influente articulador do PTB local e que contava com o apoio de Baeta , o despre�

tigiado presidente do PTB· nacional, para se manter na presidéncia da Executiva Regional . Em convenção regional no inIcio de 1 9 4 8 , o Dire­ tório Estadual expulsou Nelson Fernandes e escolheu nova direção . No entanto , a Executiva Nacional , pr�sidida por Baeta , decidiu· manter Nelson Fernandes à frente do partido . Na prática , o PTB paulista pa� sava a ter duas diretorias : uma nova, reconhecida pelo Tribunal Regio­ nal Eleitoral e presidida por Canuto M�ndes de Almeida , da qual fa­ ziam parte Prestes· Maia e Oscar Pedroso Horta, entre outros , e a an­ tiga , de Nelson Fernandes , reconhecida pela Executiva Nacional . Foi com base nessa legitimação que .lhe foi conferida que Nelson empreen­

deu a expulsão da maior ia do diretório , preservando apenas os elemen­ tos que lhe eram fiéis . Ou seja , era a vitória da corrente petebista estadual que , após vária·s revisões , se· aliara ao governo de Dutra , mas que seria alvo de severas criticas por parte de outros petebistas lo­ cai s .

Baeta Neves dirigiu-se a Vargas para apontar explicitamen­ te Pedroso Horta , Euzébio Rocha , e o senador paraibano e emissário de Vargas em são Paulo , Epitácio Pessoa , como os grandes responsáveis pe

Referências

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