Ano Letivo 2019/2020
Relatório Final
Estágio Profissionalizante do 6º Ano
Julho 2020
Orientador: Professor Doutor Albino Maia
Regente: Professor Doutor Rui Maio
NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas
Universidade Nova de Lisboa
Relatório Final do Estágio Profissionalizante |
Agradecimentos
A realização deste trabalho, só foi possível graças a todo o amor, carinho, força e coragem que me foram transmitidos por muitos dos que me acompanharam e me deram a mão, em todos os bons e maus momentos, ao longo de todo meu percurso. Pelo que não poderia deixar de vos agradecer…
Obrigada …
A todos os professores e orientadores por me permitirem realizar este curso … A todas pessoas doentes, que se cruzaram comigo, e que me permitiram compreendê-los, crescer e aprender a ser médica …
Aos meus amigos e colegas de curso … Laura Rodrigues e Rui Inês obrigada por toda a amizade, carinho e partilha … por estarem sempre presentes neste percurso…
A todos os meus amigos por todos os momentos que fomos passando juntos e por toda a confiança e carinho que depositaram em mim. Agradeço de forma especial à Inês Barbosa, Margarida Mourão, Carla Raposo, Rita Peça, Verónica Lopes, Ricardo Rodrigues pela compreensão, força, amizade, otimismo, amizade e carinho, e sobretudo por cada palavra e nunca desistirem de mim. Obrigada, por estarmos sempre juntos em tantos momentos das nossas vidas e este é mais um, que não poderia deixar de partilhar convosco.
Aos meus pais, avós, irmã, cunhados, sobrinhas, e sogros pelo amor, carinho, apoio, estímulo e colo, que tanto me deram, durante todo este processo. Não havendo palavras para descrever a vossa presença em todos os momentos da minha vida.
Ao Bruno (o meu marido), por me ter acompanhado em mais um longo caminho, por me ter dado mão nos bons e maus momentos, por não ter desistido de acreditar em mim, e por continuar a sorrir e a amar-me … A ti Amélia, o meu bebé … o meu amor …
E a ti … por estares sempre, sempre presente ….
O vosso apoio e amor, que tanto me deram, nunca será esquecido… A todos ... Um OBRIGADA ... Não tenho palavras para vos Agradecer !!!
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Índice
1. Introdução ... 1
2. Síntese das Atividades Desenvolvidas nos Estágios Parcelares ... 1
2.1 Estágio Parcelar de Saúde Mental (9 de setembro a 4 outubro 2019) ... 1
2.2 Estágio Parcelar de MGF (7 a 31 de outubro) ... 3
2.3 Estágio Parcelar de Pediatria (4 a 29 de novembro 2019) ... 3
2.4 Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia (2 dezembro de 2019 a 10 janeiro 2020) ... 5
2.5 Estágio Parcelar de Cirurgia Geral (20 de janeiro a 13 de março 2020) ... 6
2.6 Estágio Parcelar de Medicina Interna (19 de maio a 17 de junho de 2020) ... 7
3. Elementos Valorativos ... 7
4. Reflexão Crítica ... 7
5. Bibliografia ... 9
6. Anexos ... 10
6.1 Anexo 1 - Cronograma do Ano Letivo 2019/2020 – Estágios Parcelares ... 10
6.2 Anexo 2 - Tabela sumária com as atividades desenvolvidas no âmbito do Estágio Profissionalizante ... 11
6.3 Anexo 3 – Certificado do Curso TEAM ... 12
6.4 Anexo 4 - Certificado de Presença nas Jornadas de Formação da UCF – Vertente Saúde da Criança e Adolescente “Obesidade, Cefaleias e Enurese – Como Orientar e Quando Referenciar” ... 13
6.5 Anexo 5 – Certificado de Participação no Webinar “Controvérsias na abordagem terapêutica da COVID-19” ... 14
6.6 Anexo 6 – Certificado de Participação no “FutureMD- Frente a frente com o futuro: O que muda com a COVID 19 – Alterações nos cuidados de saúde” ... 15
6.7 Anexo 7 - Certificado de Participação no Webinar “1º Congresso Nacional Imunoalergologia” ... 17
Lista de Abreviaturas
CHPL - Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa; CHULC – Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central; CHLO - Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental; FCM – Faculdade de Ciências Médicas; HFAR – Hospital das Forças Armadas; MGF – Medicina Geral e Familiar; MIM – Mestrado Integrado em Medicina; NMS – Nova Medical School SI – Serviço de Internamento; SU – Serviço de Urgência; TEAM – Trauma Evaluation and Managment; UC – Unidades Curriculares; USF – Unidade de Saúde Familiar.
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1. Introdução
A formação pré-graduada assenta em cinco pilares fundamentais: os conhecimentos, as aptidões clínicas, as atitudes e comportamentos profissionais, as aptidões interpessoais de comunicação e as aptidões gerais (Victorino, Jollie e McKimm, 2005). E tendo por base os documentos “O Licenciado Médico em Portugal” e as Fichas das Unidades Curriculares (UC) dos Estágios Parcelares, o objetivo último do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) e do Estágio Profissionalizante do 6º ano da NMS|FCM é o de fornecer competências suficientes para, os futuros profissionais, iniciarem a prática da medicina com uma mínima autonomia, dotando-os, ainda, de capacidade de auto-aprendizagem, que vai ser essencial ao longo de toda a carreira. Cabe, pois, a cada um efetuar uma autorreflexão sobre o seu percurso e estabelecer os objetivos prioritários essenciais para o exercício futuro da profissão.
Para os 6 estágios parcelares que compõem o Estágio Profissionalizante (Saúde Metal, Medicina Geral e Familiar [MGF], Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Medicina Interna) e de acordo com o que se pretende num fim de curso, defini alguns objetivos pessoais: (1) Melhorar a capacidade de comunicação médico-doente/familiares e com os outros profissionais de saúde; (2) Adquirir autonomia na realização do exame objetivo e colheita de história clínica; (3) Saber requisitar de forma racional os exames complementares necessários ao diagnóstico das patologias mais frequentes; (4) Colmatar lacunas no conhecimento teórico, em especial na área da patologia e terapêutica; (5) Respeitar e integrar na minha prática clínica os princípios éticos básicos da deontologia; (6) Melhorar a capacidade de síntese e apresentação/comunicação em público de casos clínicos/apresentações de revisões de literatura.
Este relatório pretende, assim, documentar o meu percurso no Estágio Profissionalizante, estando dividido em três capítulos: Síntese das Atividades Desenvolvidas em cada um dos estágios parcelares (cronograma e síntese das atividades nos Anexos 1 e 2); Elementos Valorativos, reportando-se às atividades extracurriculares desenvolvidas ao longo deste ano; e Reflexão Crítica, onde realizo uma análise retrospetiva do cumprimento dos objetivos propostos.
2. Síntese das Atividades Desenvolvidas nos Estágios Parcelares
2.1 Estágio Parcelar de Saúde Mental (9 de setembro a 4 outubro 2019)
O estágio parcelar de saúde mental foi realizado no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), na Clínica de Psiquiatria Geriátrica, tendo a duração de 4 semanas, sob a orientação do Dr. João Reis. Como objetivos para este estágio dei primazia à consolidação dos conhecimentos previamente adquiridos na unidade curricular (UC) de Psiquiatria do 5º ano, no que toca às principais síndromes psiquiátricas e à sua abordagem, bem como ao treino da entrevista clínica e exame do estado mental, adotando um modelo de pensamento e atuação sob uma perspetiva biopsicossocial.
Relatório Final do Estágio Profissionalizante | 2 Durante o estágio pude participar na observação dos doentes em contexto de internamento e na realização de diários médicos e cartas de alta. Realizei, de forma autónoma, uma colheita de história clínica (Anexo 2), que me permitiu a aquisição e desenvolvimento de competências na técnica da entrevista clínica (e comunicação), avaliação do estado mental, como também novas aprendizagens nas áreas da terapêutica e patologia em saúde mental.
Relativamente às consultas externas pude assistir às consultas de psiquiatria geriátrica e de psiquiatria e de neuropsiquiatria geriátrica, sendo proporcionados vários momentos de aprendizagem, nomeadamente: técnicas de comunicação/relação entre médico-doente/família, diferenças entre as patologias e síndromes em saúde mental, diagnóstico diferencial, abordagem terapêutica farmacológica e efeitos adversos, adesão à terapêutica, associação com outras modalidades terapêuticas, solicitação de exames complementares e em que situações, processo de internamento compulsivo e mandado de condução, e estabilização e reabilitação do indivíduo com diagnóstico de doença mental. Pude ainda observar o processo de triagem, a avaliação e encaminhamento do doente para as diversas valências da Clínica de Psiquiatria Geriátrica. Foi-me, ainda, dada a oportunidade de assistir às Consultas Externas de Novas Dependências (sexo, jogo, compras), permitindo-me aprofundar e compreender melhor esta temática e tratamento instituído.
Pude ainda acompanhar o meu tutor nos turnos realizados no serviço de urgência (SU), no Hospital São José, sendo momentos de aprendizagem cruciais nesta fase de aprendizagem, uma vez, que me permitiram não só contactar com situações de doença psiquiátrica em fase aguda, possibilitando a aquisição de conhecimentos ao nível das diferentes fases da doença psiquiátrica e da intervenção terapêutica, da referenciação para outras valências médicas/profissionais (por exemplo a psicologia) e gestão de situações com componente social e familiar desfavorecida, como me permitiram, ainda, refletir, analisar e avaliar situações de potencial/efetivo risco individual, familiar, social e de saúde das pessoas, com patologia mental. Por fim, gostaria de referir que as atividades formativas (seminários nas instalações da NMS, as sessões teórico-práticas de orientação de estágio, as reuniões clínicas do internamento e de diagnóstico e intervenção, e as apresentações semanais do Journal Club na Clínica de Psiquiatria Geriátrica) realizadas ao longo deste estágio foram fundamentais para alcançar os objetivos a que me propus inicialmente, como também foram momentos de reflexão, aprendizagem, partilha e socialização entre os diversos elementos da equipa médica e colegas de estágio.
Em conjunto, todas estas atividades realizadas deram-me a possibilidade de cumprir os objetivos a que me propus inicialmente, e deram-me uma ampla visão dos cuidados realizados nesta área. Refiro apenas que apesar de estar numa clínica mais dedicada a pessoas com mais de 65 anos, o facto de ter estado na urgência e de no 5º ano ter estado num serviço de internamento (SI) de adultos, não senti isso como uma limitação.
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2.2 Estágio Parcelar de MGF (7 a 31 de outubro)
O estágio parcelar de MGF foi realizado na USF Costa do Mar, tendo a duração de 4 semanas, sob a orientação da Dr.ª Patrícia Amaral. Tracei como objetivos principais, para este estágio, aplicar os conhecimentos adquiridos previamente na UC de MGF do 5º ano sobre a prevenção da doença e promoção da saúde, treino na condução de entrevista clínica, adoção de uma abordagem centrada na pessoa, identificação e gestão dos problemas de saúde mais frequentes na população, identificação do risco de saúde em utentes e suas famílias, demonstrar um comportamento profissional tanto pessoal como interpessoal, e familiarização com a terapêutica farmacológica mais utilizada na prática clínica.
Ao longo do estágio acompanhei a minha tutora em toda sua atividade profissional podendo assistir a variadas consultas de MGF, nomeadamente nas vertentes de Saúde do Adulto, Saúde Infantil e Juvenil, Saúde da Mulher, Planeamento Familiar, Saúde Materna, Doença Aguda e Consulta de Intersubstituição, Consulta ao domicílio e consulta de diabetes e hipertensão. Em termos absolutos, a patologia que mais frequentemente encontrei foi a hipertensão arterial essencial (sobretudo não complicada), a diabetes e a patologia infeciosa, em situação de doença aguda. Pude ainda realizar consultas sozinha, sobretudo nos dias de consulta de doença aguda e consultas de intersubstituição, dado serem momentos que os utentes aceitariam melhor a avaliação por um médico que não fosse o seu habitual. A possibilidade de conduzir consultas sozinha, e a posterior discussão com a minha tutora sobre o meu desempenho, permitiu-me melhorar consideravelmente a realização da entrevista clínica, do exame objetivo dirigido a uma situação clínica especifica, bem como no estabelecimento de uma relação médico-doente.
Assisti, ainda, a consultas realizadas pela equipa de enfermagem, relacionadas com a saúde infantil, saúde materna, planeamento familiar, consulta de diabetes e hipertensão, e consulta de anticoagulação. Esta proximidade com a equipa de enfermagem permitiu-me não só uma melhor integração na equipa, como também compreender a importância da colaboração entre os diferentes elementos profissionais, de modo a estabelecer um verdadeiro trabalho em equipa multi/interdisciplinar.
Durante estas semanas, pude ainda assistir às reuniões em microequipa, que não só constituíram um excelente exemplo de colaboração e partilha de conhecimentos (entre os elementos da equipa médica), como também foram momentos que permitiram a análise critica de diversos procedimentos permitindo a melhoria contínua da prática clínica e o desenvolvimento de novas aprendizagens.
A maior limitação deste estágio, foi não conseguir realizar uma apresentação/formação em serviço, dada a reformulação e reestruturação da equipa médica. No entanto, penso ter atingido os restantes objetivos a que me propus.
2.3 Estágio Parcelar de Pediatria (4 a 29 de novembro 2019)
O estágio parcelar de Pediatria decorreu no Hospital de Dona Estefânia na Unidade de Cuidados Intensivos de Pediatria (UCIP). Teve a duração de 4 semanas, sob a orientação da Dra. Marta Oliveira. Os meus objetivos
Relatório Final do Estágio Profissionalizante | 4 para este estágio foram o aperfeiçoamento da abordagem ao doente, nomeadamente no que toca à anamnese e exame físico e consolidação dos conhecimentos adquiridos na UC do 5º ano, no que respeita às patologias pediátricas mais frequentes. Ademais este estágio em pediatria, tem ainda como objetivo adicional a aquisição da capacidade de adaptação e comunicação com a criança/adolescente.
Neste serviço, altamente diferenciado, pude compreender a importância de uma equipa multidisciplinar e da comunicação entre os seus diversos elementos. Fui integrada na equipa e pude observar e participar nas diversas atividades realizadas pela minha tutora, e seus internos: reuniões de passagem de turno diárias; observação de crianças doentes em contexto de internamento em UCIP; acompanhamento de doentes na realização de exames externos ao serviço em equipa multidisciplinar; realização de exames complementares de diagnóstico no serviço (ecografia abdominal e cardíaca, gasimetrias arteriais e venosas, punção lombar); e na realização de diários médicos, notas de entrada e de cartas de alta. Acompanhei um total de 17 doentes. Realizei de forma autónoma a colheita de uma história clínica (Anexo 2), desenvolvendo competências na técnica da entrevista clínica, à criança e sua família, como também novas aprendizagens nas áreas da terapêutica e patologia em pediatria.
Ao longo do curso temos pouco contacto com unidades de cuidados intensivos pediátricos, pelo que penso que este estágio foi uma mais valia em termos de aprendizagem. No entanto, dado ser uma área muito especifica, proporcionaram-me a observação de outras atividades, de modo a enriquecer esta experiência e a integrar novos conhecimentos/aprendizagens, como: SU, consulta de adolescentes; consulta de imunoalergologia. No SU de pediatria, estive com diferentes equipas, tendo assim a oportunidade de contactar com diferentes técnicas de abordagem médica à criança/adolescente doente, embora mantendo os pilares básicos e fundamentais de atuação. Observei ao todo 32 doentes com patologia diversa (maioritariamente infeciosa), podendo realizar algumas avaliações de forma autónoma, permitindo-me treinar a colheita da anamnese e a realização do exame objetivo de forma sistemática e dirigida aos sintomas do doente, como o treino do raciocínio clínico e a definição de prioridades em termos de intervenções (quer no pedido de meios complementares de diagnóstico, quer em termos de terapêutica).
Nas consultas externas de Medicina de Adolescentes, com a Dra. Leonor Sassetti, pude observar e participar na avaliação dos adolescentes e na realização do exame objetivo. Pude ainda observar a consulta de enfermagem, onde é realizada uma entrevista ao adolescente, utilizando como orientação a avaliação HEADSSSS.
Assisti ainda a 6 consultas de imunoalergologia com a Dra. Mariana Lobato, tendo esta sido uma oportunidade ótima de consolidação de conhecimentos relativamente ao diagnóstico, tratamento e gestão de patologias, de imunoalergologia, muito frequentes em idade pediátrica, como em adultos, e com as quais temos pouco contacto durante os estágios.
Relatório Final do Estágio Profissionalizante | 5 Foco ainda as atividades formativas realizadas em estágio: sessões clínicas por departamento, as sessões SOFIA, a sessão teórico-prática de imunoalergologia, e o workshop de urgência; fundamentais para consolidação e sistematização de conhecimentos. Em conjunto com colegas de estágio apresentei uma revisão bibliográfica sobre a “Abordagem à Criança com Cefaleias” (Anexo 2), no seminário final de estágio. Todas as atividades realizadas, permitiram-me cumprir os objetivos a que me propus.
2.4 Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia (2 dezembro de 2019 a 10 janeiro 2020)
O estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia decorreu no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital São Francisco de Xavier, tendo a duração de 4 semanas, e sob a orientação do Dr. Rui Fialho Gomes. Tracei como objetivos, para este este estágio, a consolidação de aptidões clínicas no que toca ao exame ginecológico e seguimento da gravidez, assim como das patologias mais comuns no âmbito da Saúde da Mulher, complementando assim os conhecimentos adquiridos na UC de Ginecologia e Obstetrícia do 4º ano. Na componente de Ginecologia, pude observar e participar em diversas atividades, nomeadamente: internamento de ginecologia, SU de ginecologia, consulta externa de ginecologia (ecografia ginecológica, patologia do colo, uroginecologia, apoio à fertilidade), bloco cirúrgico de ginecologia. Pude ao longo destas 4 semanas, participar e realizar consultas sob supervisão, e participar e realizar alguns procedimentos, nomeadamente: exame ginecológico com observação com espéculo e palpação bimanual; exame objetivo da mulher dirigido à patologia/situação de urgência; avaliação da continência e dos diferentes compartimentos pélvicos. Apesar de tudo, destaco que houve momentos em que a existência de um elevado número de alunos nos gabinetes de consulta, da especialidade de ginecologia, sobretudo durante a realização do exame objetivo ginecológico, causaram um ambiente pouco confortável, tanto para os alunos como para as utentes, além de diminuir a aquisição de autonomia na observação das mesmas, sendo esta a maior limitação encontrada. Durante os dias de bloco operatório pude sempre observar e participar nas cirurgias realizadas, facilitando a compreensão das técnicas cirúrgicas utilizadas e o treino das técnicas de desinfeção das mãos e colocação de materiais de proteção individual.
Na componente de Obstetrícia tive oportunidade de observar uma grande variedade de casos e procedimentos, podendo observar e participar nas seguintes atividades: consulta externa de obstetrícia (ecografia obstétrica; materno fetal/obstetrícia; diagnóstico pré-natal – realização do rastreio bioquímico do 1º trimestre, e a realização de 2 amniocenteses após a deteção de alterações no rastreio). Todas as atividades que me foram permitidas observar e participar permitiram-me uma sistematização dos conhecimentos em relação ao seguimento da gravidez e acompanhamento do puerpério.
Ao longo do estágio, foram realizadas atividades formativas, e que nos seus diversos momentos permitiram a revisão, consolidação, sistematização e desenvolvimento de conhecimentos. No final do estágio, apresentei, em grupo, uma revisão da literatura: “Morte Fetal: incidência, etiologia e prevenção” (Anexo 2). Por fim, considero que de uma forma geral os objetivos propostos foram cumpridos
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2.5 Estágio Parcelar de Cirurgia Geral (20 de janeiro a 13 de março 2020)
O estágio parcelar de Cirurgia Geral decorreu no Hospital das Forças Armadas (HFAR) de Lisboa, no SI de cirurgia geral. Teve a duração de 8 semanas, sob a orientação da equipa de cirurgia geral, constituída pelos seguintes elementos: Dr. Bruno Ferreira, Dr. Pedro Maurício, Dr.ª Sara Brás. Defini como objetivos principais para este estágio o aperfeiçoamento dos conhecimentos sobre as principais patologias cirúrgicas e a sua orientação, bem como a correta avaliação do doente no pré e pós-operatório. O acompanhamento diário da equipa cirúrgica na enfermaria, consulta externa e bloco operatório foram fundamentais para a concretização dos objetivos propostos.
Foi-me assim possível acompanhar um total de 43 doentes na enfermaria a maioria dos quais no pré ou pós-operatório de hernioplastias, amputações e colecistectomias; e participar em 46 consultas de Cirurgia Geral, a maioria das quais por patologia benigna (parede abdominal e das vias biliares), sendo também seguidos doentes por patologia maligna (adenocarcinoma do colon e recto, e neoplasia da mama). No bloco operatório acompanhei a equipa médica em 18 cirurgias (sobretudo patologia das vias biliares e da parede abdominal) e participei, alternadamente com as minhas colegas, como 2ª ajudante, o que me permitiu o treino necessário nas técnicas de assepsia. Pude ainda participar, como ajudante, em 2 pequenas cirurgias. Semanalmente, assisti às sessões clínicas hospitalares (realizadas entre os 2 pólos HFAR Lisboa e HFAR Porto por vídeo conferência), às sessões de formação em serviço, e às reuniões de decisão terapêutica. Nestas últimas, eram discutidas, em equipa multidisciplinar, as várias opções terapêuticas, marcha diagnóstica, procedimentos a realizar em doentes com diferentes tipos de neoplasias malignas (mama, esófago, estomago, colon, recto, próstata); sendo grandes momentos de aprendizagem e de consolidação/revisão de conhecimentos. De modo a enriquecer e compreender melhor a organização da instituição e a integrar novos conhecimentos foi-me ainda permitido observar outras atividades, como: Centro de Epidemiologia e Intervenção Preventiva; Centro de Medicina Aeronáutica; e Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica. A referir ainda que este estágio compreendeu ainda uma semana de aulas teórico-práticas, incluindo o curso TEAM (Anexo 3). No fim do estágio realizei, em grupo, uma apresentação sobre um caso clínico sobre Pancreatite Grave pós CPRE (Anexo 2), e que iria ser apresentada no minicongresso de cirurgia geral, mas que não se chegou a realizar devido à suspensão das atividades da faculdade.
Como limitações durante este estágio destaco: o facto de não termos tido contacto com o SU (embora tenha tido noutros anos), tentando colmatar esta situação com estudo autónomo sobre as temáticas mais comuns e urgentes/emergentes; o facto só ter ido ao 1º dia das 7ªs Jornadas Departamento de Cirurgia do HBA; e
não termos tido oportunidade de participar no minicongresso de final de estágio. De uma forma geral considero que apesar destas limitações os objetivos inicialmente propostos, foram alcançados.
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2.6 Estágio Parcelar de Medicina Interna (19 de maio a 17 de junho de 2020)
Em março de 2020, foi declarado estado de emergência em Portugal pela pandemia da COVID 19. Dada esta situação, as atividades presencias do estágio de medicina interna, a serem realizadas no Serviço de Medicina Interna (2.3) do Hospital Santo António dos Capuchos, foram suspensas na sua totalidade.
A substituição das atividades práticas programadas ocorreu entre os dias 19 de maio e 17 de junho de 2020 e passou pela elaboração, em grupo, de um artigo de revisão da literatura sobre o tema “COVID-19 e Doença Cardíaca” (Anexo 2) e de uma apresentação em power point apresentada por videochamada (Anexo 2). Durante o tempo decorrido entre a suspensão das atividades e a substituição das mesmas, fui de forma autodidata, adquirindo conhecimentos teóricos que considerei de elevada importância para a minha prática clínica futura. A suspensão dos estágios hospitalares foi de extrema importância na contenção da propagação do vírus, no entanto, constituiu uma limitação major à aquisição de capacidades essenciais para a prática clínica e que não podem ser obtidas de outra forma como: o desenvolvimento da comunicação com o doente e seus familiares e a aquisição de autonomia na realização do exame objetivo e técnicas clínicas. Considero por isso que houve apenas um cumprimento parcial dos objetivos propostos - aquisição de competências teóricas que permitem a hierarquização das situações clínicas de maior emergência e da discussão diagnóstica e terapêutica, e o desenvolvimento de técnicas de comunicação científica entre pares.
3. Elementos Valorativos
Como complemento ao ensino providenciado pelas Unidades Curriculares do MIM, no sentido de consolidar conhecimentos, em algumas áreas clínicas, e ainda de modo a manter-me atualizada, face à evidência científica, durante o estágio profissionalizante, assisti a alguns eventos de temas que considerei relevantes, e que serão apresentados em anexo (anexos 4 a 7). Dada a situação que vivemos, houve vários eventos em que estava inscrita e que foram cancelados, a partir de março, pelo que não pude comparecer aos mesmos.
4. Reflexão Crítica
Tendo chegado ao fim deste percurso académico, importa agora refletir sobre o impacto que este teve para a minha formação pessoal e profissional. Ao longo de todo o percurso do MIN, tentei percorrer um caminho que me permitisse adquirir o conhecimento necessário para atuar nas diversas situações clínicas que me foram sendo apresentadas, no entanto, verifiquei que a aprendizagem é um processo continuo e um compromisso com a profissão.
Os estágios parcelares realizados, ao longo deste último ano do MIM, foram um suporte necessário à consolidação dos conhecimentos já adquiridos, e permitiram-me fazer a transição e a aplicação da teoria na prática clínica diária. Os seminários teóricos/teórico-práticos das UC e formações complementares em que participei, facilitaram a revisão/sistematização de conceitos, bem como o desenvolvimento de novos conhecimentos. Permitiram, ainda, o desenvolvimento de reflexão crítica sobre o conhecimento atual e sobre as mudanças de procedimentos/intervenções que têm de ser realizadas à luz dos novos
Relatório Final do Estágio Profissionalizante | 8 conhecimentos, alertando para a constante evolução científica e necessidade que temos de rapidamente nos adaptarmos e atualizarmos. A apresentação de trabalhos, foram também uma oportunidade para aprofundar e sedimentar conhecimentos, como aperfeiçoar as técnicas síntese, de comunicação científica em público (e entre pares) e de trabalho em equipa.
Cada estágio parcelar teve uma importância crucial no meu desenvolvimento. O estágio de MGF confrontou-me com as minhas lacunas em termos de conheciconfrontou-mentos clínicos, e que tentei colmatar com a revisão da literatura, procurando assim fazer um estudo e revisão sistematizada de conhecimentos antes e durante cada um dos estágios. Relativamente às aptidões clínicas, os estágios parcelares, na sua globalidade, permitiram-me o treino do raciocínio clínico e de procedipermitiram-mentos/intervenções, crendo ter conseguido atingir os objetivos a que me propus. Em termos de treino de procedimentos, destaco positivamente o estágio de Ginecologia e Obstetrícia e Cirurgia Geral, pelas oportunidades de treino supervisionado que me foram oferecidos. Destaco ainda os estágios de MGF e Cirurgia Geral como aqueles em que senti maior evolução ao nível das minhas aptidões clínicas e autonomia. Em termos da comunicação (verbal e não verbal), da relação e do saber estar/ser com as pessoas doentes e outros profissionais de saúde em contexto clínico, e sobretudo no respeito que é exigido no cuidar do outro, destaco os estágios de MGF, Pediatria e Saúde Mental, como aqueles que me permitiram um maior desenvolvimento destas capacidades, tendo em conta as particularidades destas especialidades. Refiro ainda o estágio de medicina interna como uma oportunidade, pelas circunstâncias vividas, para um estudo teórico mais intenso, que permitiram a sistematização, consolidação, atualização e desenvolvimento de (novos) conhecimentos.
Destaco ainda a importância dos estágios do 6º ano permitirem, na sua maioria, um modelo de tutoria com rácios aluno/tutor de 1:1, permitindo uma aprendizagem mais centrada e dirigida, pela criação de um ambiente de confiança e segurança entre aluno e tutor, uma maior responsabilização individual e de integração nas equipas profissionais, facilitando a aquisição de atitudes e competências que permitem o nosso desenvolvimento, como pessoas e como futuros profissionais.
Em termos pessoais, o meu percurso no MIM também ficou marcado pelo meu curriculum académico, profissional e pessoal anterior. A licenciatura em enfermagem marcou-me profundamente pelas experiências vividas num serviço de medicina interna, durante cerca de 10 anos, e num serviço de internamento de ortopedia/traumatologia durante 3 anos. Este ano (maio de 2020) terminei meu percurso como enfermeira sénior na triagem do SNS 24 (durante 3 anos), experiência que me permitiu manter uma constante atualização/sistematização de conhecimentos e me facilitou não só em termos de comunicação como em termos de triagem de sinais/ sintomas dirigidos a cada situação clínica apresentada.
Assim, fazendo uma avaliação retrospetiva de todos os estágios e experiências vivenciadas ao longo deste 6º ano profissionalizante, considero ter cumprido os objetivos a que me propus. E acreditando que efetuei um percurso sólido, deixo aqui novamente meu agradecimento sincero a todos os meus professores, tutores, colegas e pessoas doentes, que permitiram que o caminho fosse mais fácil de percorrer e alcançar todas estas pequenas vitórias e evolução pessoal e como futura profissional.
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5. Bibliografia
• Ross, Michael & Cumming, Allan. (2008). The Tuning Project (Medicine) - Learning outcomes / competences for undergraduate medical education in Europe. 10.13140/RG.2.1.4620.7765.
• Victorino, R., Jollie, C., e McKimm, J. O licenciado médico em Portugal. Core graduates learning outcomes project. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2005.
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6. Anexos
6.1 Anexo 1 - Cronograma do Ano Letivo 2019/2020 – Estágios Parcelares
Estágio Parcelar Regente Tutor(es) Local de Estágio Período de Estágio
Saúde Mental
Prof. Doutor Miguel Talina
Dr. João Reis Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), na Clínica de Psiquiatria Geriátrica. 07/09/2019 a 04/10/2019 Medicina Geral e Familiar Prof.ª Doutora Isabel Santos Dr.ª Patrícia Amaral
USF Costa do Mar 07/10/2019 a 31/10/2019 Pediatria Prof. Doutor Luís Varandas Dr.ª Marta Oliveira Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), Pólo Hospital Dona Estefânia
04/11/2019 a 29/11/2019 Ginecologia e Obstetrícia Prof.ª Doutora Teresinha Simões
Dr. Rui Gomes Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO), Pólo Hospital São Francisco Xavier 02/12/2019 a 10/01/2020 Cirurgia Geral Prof. Doutor Rui Maio Dr. Bruno Ferreira, Dr. Pedro Maurício, Dr.ª Sara Brás
Hospital das Forças Armadas (HFAR), Pólo Lisboa 20/01/2020 a 13/03/2020 Medicina Interna Prof. Doutor Fernando Nolasco Dr. Eduardo Gomes da Silva (Coordenador do Serviço)
(CHULC, Pólo Hospital Santo António dos Capuchos) – Estágio suspenso, realizadas apenas atividades teóricas 19/05/2020 a 17/06/2020
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6.2 Anexo 2 - Tabela sumária com as atividades desenvolvidas no âmbito do Estágio
Profissionalizante
Estágio Parcelar Actividades Realizadas Autor(es)
Saúde Mental • História Clínica Ana Costa
Pediatria
• História Clínica • Carta de Alta
Ana Costa Rodrigo Fonseca
• Seminário Final: “Abordagem à Criança com Cefaleia” Álex-Mathew Giblin Ana Costa Marta Baldo Nuno Pereira Rodrigo Fonseca
Ginecologia e Obstetrícia Journal Club: “Morte Fetal – Incidência, Etiologia e Prevenção”
Ana Costa Laura Rodrigues Maria Carlota Branco
Cirurgia Geral
• Apresentação Final: “Às vezes mais vale
esperar (…) nem tudo é para operar.”
(Apresentação de um caso clínico sobre Pancreatite Grave após CPRE)
Ana Catarina Silva Ana Costa Milena Monteiro
Medicina Interna
• Artigo de Revisão da Literatura: “COVID 19 e a Doença Cardíaca”
• Apresentação em Power Point (por videochamada) da Revisão da Literatura: “COVID 19 e Doença Cardíaca”
Ana Costa Gonçalo Tardão
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6.4 Anexo 4 - Certificado de Presença nas Jornadas de Formação da UCF – Vertente Saúde da
Criança e Adolescente “Obesidade, Cefaleias e Enurese – Como Orientar e Quando
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6.5 Anexo 5 – Certificado de Participação no Webinar “Controvérsias na abordagem
terapêutica da COVID-19”
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6.6 Anexo 6 – Certificado de Participação no “FutureMD- Frente a frente com o futuro: O que
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