Sum´
ario
1 Topicos sobre Matrizes e Sistemas Lineares 2
1.1 Opera¸c˜oes entre Matrizes . . . 2
1.1.1 Multiplica¸c˜ao de matriz por matriz . . . 3
1.2 Sistemas lineares . . . 6
1.2.1 Classifica¸c˜ao de sistemas lineares a partir da matriz reduzida a forma escada . . . 9
1.2.2 Matriz inversa . . . 11 2 Espa¸cos Vetoriais 13 2.1 Vetores . . . 13 2.2 Espa¸cos vetoriais . . . 14 2.3 Subespa¸cos vetoriais . . . 15 2.4 Combina¸c˜ao Linear . . . 17
SUM ´ARIO 2
2.6 Base e dimens˜ao . . . 19
2.7 Mudan¸ca de base . . . 23
3 Transforma¸c˜oes Lineares 28 3.1 Introdu¸c˜ao . . . 28
3.1.1 Transforma¸c˜oes do plano no plano: . . . 29
3.2 Conceitos e Teoremas: . . . 34
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear . . . 36
3.4 Matriz de uma Transforma¸c˜ao Linear . . . 43
3.5 Opera¸c˜oes com Transforma¸c˜oes Lineares . . . 49
3.5.1 Adi¸c˜ao: . . . 49
3.5.2 Multiplica¸c˜ao por escalar: . . . 49
3.5.3 Composi¸c˜ao: . . . 50
3.6 Operadores Lineares . . . 51
4 Autovalores e autovetores 53 4.1 Introdu¸c˜ao e Defini¸c˜ao . . . 53
4.1.1 Autovalores e autovetores associados a uma matriz . . 54
4.2 Polinˆomio Caracter´ıstico . . . 55
SUM ´ARIO 3
4.3.1 Base de autovetores: . . . 56
4.3.2 Polinˆomio Minimal . . . 60
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas . . . 64
4.4.1 Formas lineares, bilineares e quadr´aticas . . . 64
4.4.2 Classifica¸c˜ao das Cˆonicas . . . 70
5 Produto Interno 78 5.1 Defini¸c˜ao . . . 78
5.2 Ortogonalidade . . . 80
5.3 Norma e ˆangulo entre vetores . . . 82
5.4 Processo de ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt . . . 86
6 Operadores Auto-adjuntos e Ortogonais 92 6.1 Introdu¸c˜ao . . . 92
6.2 Defini¸c˜ao de operador auto-adjunto e ortogonal . . . 97
6.3 Caracteriza¸c˜ao e Diagonaliza¸c˜ao de operadores Auto-adjuntos 98 6.4 Caracteriza¸c˜ao dos Operadores Ortogonais . . . 100
Cap´ıtulo 1
Topicos sobre Matrizes e
Sistemas Lineares
1.1
Opera¸c˜
oes entre Matrizes
DEFINI ¸C ˜AO:
i) A soma de duas matrizes de mesma ordem, A = [aij]m×ne B = [bij]m×n,
´e denotada por A + B, tem mesma ordem de A e B, e elementos que s˜ao as somas dos elementos de A e B.
A+ B = [aij + bij]m×n (1.1)
ii) O produto de uma matriz A = [aij]m×n por um n´umero real k,
1.1 Opera¸c˜oes entre Matrizes 5
produto dos elementos de A por k.
kA= [kaij]m×n (1.2) Propriedades: i) k (A + B) = kA + kB ii) (k1+ k2) A = k1A+ k2A iii) 0 · A = O iv) k1(k2A) = (k1k2) A
1.1.1
Multiplica¸c˜
ao de matriz por matriz
Suponha que a matriz abaixo fornece as quantidades das vitaminas A, B e C contidas em cada unidade dos alimentos I e II.
Matriz alimento × vitamina:
Alimento I Alimento II A B C 4 3 0 5 0 1 (1.3)
Suponha que um prato P contenha 5 unidades do alimento I e 2 unidades do alimento II.
1.1 Opera¸c˜oes entre Matrizes 6
Matriz prato × alimento:
prato P I II 5 2 (1.4)
Qual seria a composi¸c˜ao vitam´ınica desse prato?
(prato × alimento) . (alimento × vitamina) = 5 2 · 4 3 0 5 0 1 (1.5) 5.4 + 2.5 5.3 + 2.0 5.0 + 2.1 = 30 15 2 A B C = (prato × vitamina) (1.6) E se o pre¸co do prato P dependesse exclusivamente do teor vitam´ınico, qual seria o seu pre¸co considerando que os pre¸cos por unidade de vitamina A, B e C s˜ao respectivamente 1,5 , 3 e 5 u.c.p.?
Matriz vitamina × pre¸co:
A B C pre¸co 1, 5 3 5 (1.7)
1.1 Opera¸c˜oes entre Matrizes 7
(prato × vitamina) . (vitamina × pre¸co) = 30 15 2 · 1, 5 3 5 (1.8) (prato × pre¸co) . = [100] (1.9)
DEFINI ¸C ˜AO: Multiplica¸c˜ao de matrizes:
Sejam A = [aij]m×n e B = [brs]n×p. Definimos A.B = [cuv]m×p com
cuv= n X k=1 aukbkv = au1b1v + au2b2v + · · · + aunbnv (1.10) Propriedades: i) A.B 6= B.A
ii) A.I = I.A = A (I =matriz identidade) iii) A (B + C) = AB + AC
iv) (A + B) C = AC + BC v) (AB) C = A (BC) vi) 0.A = A.0 = 0
1.2 Sistemas lineares 8
1.2
Sistemas lineares
SISTEMA x+ 4y + 3z = 1 2x + 5y + 4z = 4 x− 3y − 2z = 5 (1.11) EXPRESS ˜AO MATRICIAL 1 4 1 2 5 4 1 3 5 x y z = 1 4 5 (1.12)MATRIZ ASSOCIADA AO SISTEMA: 1 4 1 2 5 4 1 3 5 | {z }
matriz dos coeficientes
1 4 5 | {z } matriz ampliada (1.13)
DEFINI ¸C ˜AO: Dada uma matriz Am×n, seja Bm×n a matriz-linha
redu-zida a forma escada linha equivalente de A. O posto de A, denotado por p, ´e o n´umero de linhas n˜ao-nulas de B. A nulidade, ´e a diferen¸ca entre as colunas de A e o posto (n − p).
1.2 Sistemas lineares 9 Exemplo: A = 1 2 1 0 −1 0 3 5 1 −2 1 1 −→ · · · −→ B = 1 0 0 −78 0 1 0 −14 0 0 1 118 (1.14) Posto: 3 ; Nulidade: 4 − 3 = 1
Teoremas que associam a Forma escada ao escalonamento de sistemas: i) Dois sistemas que tˆem matrizes ampliada equivalentes, s˜ao equivalentes; ii) Toda matriz ´e linha equivalente a uma ´unica matriz-linha reduzida a forma escada. ou seja: x+ 2y + z = 0 −x + 3z = 5 x− 2y + z = 1 −→ 1 2 1 0 −1 0 3 5 1 −2 1 1 −→ 1 0 0 −78 0 1 0 −14 0 0 1 118 −→ x= −78 y= −14 z = 118 (1.15) Considere um sistema de m equa¸c˜oes e n inc´ognitas:
a11x1+ a12x2+ · · · + a1nxn= b1 a21x1+ a22x2+ · · · + a2nxn= b2 ... ... ... ... ... am1x1+ am2x2+ · · · + amnxn = bm (1.16)
1.2 Sistemas lineares 10
com coeficientes aij e constantes bi sendo n´umeros reais (ou complexos).
Esse sistema poder´a ter: i) Uma ´unica solu¸c˜ao:
x1 = k1 (1.17)
... (1.18)
xn = kn (1.19)
ii) infinitas solu¸c˜oes iii) nenhuma solu¸c˜ao.
pa= pc = p - Sistema poss´ıvel p= n - Sistema determinado p < n- Sistema indeterminado pa6= pc - Sistema imposs´ıvel (1.20)
Matriz linha-reduzida a forma escada (1.21)
pa= pc = p - Sistema poss´ıvel p= n - Sistema determinado p < n- Sistema indeterminado pa6= pc - Sistema imposs´ıvel (1.22)
1.2 Sistemas lineares 11
1.2.1
Classifica¸c˜
ao de sistemas lineares a partir da
matriz reduzida a forma escada
Exemplos: 1) x− 2y + z = 0 x+ 2y + 2z = 3 3x − 2y + 4z = 3 (1.23) , Solution is: x= 3 2 − 3 2z, y = 3 4 − 1 4z 2) x− 2y + z = 0 x+ 2y + 2z = 3 3x − 2y + 4z = 4 (1.24) , No solution found. 3) x+ 2y + z + t = 0 x+ 3y − z + 2t = 0 (1.25) , Solution is: [x = t − 5z, y = 2z − t] Exemplos: 1) x− y + z = 0 x+ 2y + 2z = 3 3x − y + 4z = 4 , Solution is: [x = −7, y = −1, z = 6]
1.2 Sistemas lineares 12 1 0 0 −7 0 1 0 −1 0 0 1 6 (1.26) pa = pc = p = 3 (1.27) n = p = 3 (1.28) Sistema determinado! 2) x− y + 3z = 0 x+ 2y + 2z = 3 3x − 2y + 4z = 4 x+ 2y − z = 2 , No solution found. 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 (1.29) pa = 4; pc = 3 (1.30) pa 6= pc (1.31) Sistema imposs´ıvel 3) x− y + 3z + 2w = 0 x+ y − 3z + 3w = 3 3x − y + 3z + 7w = 3 , Solution is: [w = 6z − 2y + 3, x = 5y − 15z − 6]
1.2 Sistemas lineares 13 1 0 0 52 32 0 1 −3 1 2 3 2 0 0 0 0 0 (1.32) pa = pc = 2 (1.33) n = 4; p = 2 (1.34) n− p = 2 (1.35)
Sistema indeterminado com 2 vari´aveis livres
1.2.2
Matriz inversa
Defini¸c˜ao: Dada uma matriz quadrada A de ordem n, chamamos de inversa de A, uma matriz B, tal que A·B = B ·A = In, onde In´e a matriz identidade
de ordem n. Escrevemos A−1 para a inversa de A.
Exemplo: Seja A = 2 3 1 4 . Ent˜ao, A−1 = 4 5 − 3 5 −15 2 5 . TEOREMA:
i) Uma matriz A ´e invers´ıvel, se e somente se, det A 6= 0.
ii) Se A ´e uma matriz invers´ıvel, ent˜ao o determinante da matriz inversa, ´e dado por det A−1 = 1
1.2 Sistemas lineares 14 Prova: Exemplos: 1) A = 1 1 −1 0 3 3 1 2 −2 , inverse : A−1 = 2 0 −1 −1 2 1 6 1 2 1 2 1 6 − 1 2 2) B = 1 0 0 4 1 1 1 0 2 −2 0 1 3 −3 −1 0 , inverse: B−1 = 1 9 4 9 − 4 9 4 9 2 9 7 18 − 8 9 7 18 −1 3 1 6 4 3 − 5 6 2 9 − 1 9 1 9 − 1 9 3) C = 1 2 1 0 3 6 −1 −5 −7
C n˜ao ´e invers´ıvel
Cap´ıtulo 2
Espa¸cos Vetoriais
2.1
Vetores
DEFINI ¸C ˜AO: Um vetor ~v ´e uma classe de equipolˆencia de segmentos ori-entados em E3 (ou em E2), ou seja, se ~v =−→AB, ~v ´e um conjunto de vetores
equipolentes a −→AB.
~v=n−−→XY | −−→XY ∼−→ABo
Propriedades operat´orias:
Dados os vetores ~u, ~v e ~w∈ V e os escalares α, β ∈ R : ai) Associativa: (~u + ~v) + ~w= ~u + (~v + ~w)
aii) Comutativa: ~u + ~v = ~v + ~u
2.2 Espa¸cos vetoriais 16
aiv) Elemento oposto: Dado ~u, existe o oposto −~u, tal que ~u + (−~u) = (−~u) + ~u = ~0
mi) Distributiva com rela¸c˜ao a adi¸c˜ao de vetores: α (~u + ~v) = α~u + α~v mii) Distributiva com rela¸c˜ao a adi¸c˜ao de escalares: (α + β) ~u = α~u + β~u miii) Elemento neutro: 1 · ~u = ~u
miv) Associativa: (αβ) ~u = α (β~u) = β (α~u)
N˜ao s˜ao apenas os vetores que obedecem a essas propriedades. Aos con-juntos que satisfazem essas oito propriedades nomeamos ESPA ¸COS VETO-RIAIS.
2.2
Espa¸cos vetoriais
DEFINI ¸C ˜AO: Espa¸co vetorial real ´e um conjunto V , n˜ao-vazio, munido de duas opera¸c˜oes: soma (V × V → V ) e multiplica¸c˜ao por escalar (R × V+ →· V), tais que para todo e qualquer que sejam ~u, ~v e ~w ∈ V e α, β ∈ R as propriedades operat´orias dos vetores(de ai) a aiv) e de mi) a miv)) s˜ao satisfeitas.
Exemplos:
a) Vetores no plano (R2) e no espa¸co (R3);
b) Espa¸cos de dimens˜ao finita (Rn);
2.3 Subespa¸cos vetoriais 17
d) Espa¸co dos polinˆomios de grau menor ou igual a 3 (V = P3)
e) Espa¸co das fun¸c˜oes cont´ınuas de R em R.
2.3
Subespa¸cos vetoriais
DEFINI ¸C ˜AO: Seja V um espa¸co vetorial e S um subconjunto de V.S ser´a subespa¸co de V , se e somente se forem atendidas as seguintes condi¸c˜oes:
i) 0 ∈ S
ii) ∀u, v ∈ S ⇒ u + v ∈ S iii) ∀u ∈ S; ∀k ∈ R ⇒ k · u ∈ S
Exemplos:
1) Um plano em R3, que cont´em a origem ´e um subespa¸co do R3;
2) Uma reta em R2, que n˜ao cont´em a origem, n˜ao ´e um subespa¸co do R2
3) Seja ̥ (R, R) o conjunto das fun¸c˜oes reais, e seja S (R, R) o conjunto dos polinˆomios reais. Ent˜ao S ´e subespa¸co de ̥.
Prova:
4) Para V = R2, S = {(x, x2) ; x ∈ R} n˜ao ´e um subespa¸co.
Prova:
2.3 Subespa¸cos vetoriais 18
S que n˜ao ´e subespa¸co do Rn.
Prova:
TEOREMA: Intersec¸c˜ao e soma de subespa¸cos Dados W1 e W2 subespa¸cos de um espa¸co vetorial V :
i) a interse¸c˜ao W1∩ W2 ´e subespa¸co de V ;
ii) a soma W1+ W2 = {v ∈ V ; v = w1+ w2; w1 ∈ W1 e w2 ∈ W2} ´e um
subespa¸co de V. Dem.: i) (i)0 ∈ W1∩ W2 (ii) Dados x, y ∈ W1∩ W2 =⇒ x, y ∈ W1 e x, y ∈ W2 ⇒ x + y ∈ W1 e x+ y ∈ W2 ⇒ x + y ∈ W1∩ W2 (iii) Dados x ∈ W1 ∩ W2 e k ∈ R =⇒ x ∈ W1 e x ∈ W2 ⇒ kx ∈ W1 e kx∈ W2 ⇒ kx ∈ W1∩ W2 ii) Exerc´ıcios:
1) Verificar se os conjuntos W s˜ao subespa¸cos de V : a) W = {(x, y) ; y = −x} e V = R2
2.4 Combina¸c˜ao Linear 19 c) W = a 0 0 a ; a ∈ R e V = M (2, 2) d) W = Q e V = R
2) Seja V = M (2, 2). Mostre que W n˜ao ´e um subespa¸co de V , onde: a) W ´e o conjunto de todas as matrizes de determinante igual a zero. b) W ´e o conjunto de todas as matrizes A, tais que A2 = A.
2.4
Combina¸c˜
ao Linear
DEFINI ¸C ˜AO: Combina¸c˜ao linear
Sejam v1, v2, ..., vn vetores de um dado espa¸co vetorial V e a1, a2, ..., an
n´umeros reais. Ent˜ao um vetor v tal que
v = a1v1+ a2v2 + ... + anvn
pertence a V e ´e dito combina¸c˜ao linear de v1, v2, ..., vn.
Exemplos:
a) v = (3, 4) ´e combina¸c˜ao linear de v1 = (1, 2) e v2 = (1, 1), pois v =
v1+ 2v2
b) Escrever v = (2, 4, 5) como combina¸c˜ao linear de v1 = (2, −1, 0), v2 =
2.4 Combina¸c˜ao Linear 20 v = 20 3v1+ 32 15v2− 14 15v3 DEFINI ¸C ˜AO: Subespa¸co vetorial Gerado
Seja V um espa¸co vetorial e v1, v2, ..., vn ∈ V. Suponha W como o
con-junto de todas as combina¸c˜oes lineares poss´ıveis entre v1, v2, ..., vn. Ent˜ao,
W ´e dito subespa¸co vetorial gerado por v1, v2, ..., vn, e ´e denotado por W =
[v1, v2, ..., vn], ou mais formalmente por
W = ( v ∈ V ; v = n X i=1 aivi; ai ∈ R ) Exemplos: a) e1 = (1, 0) e e2 = (0, 1) geram o R2.
b) Escrever o espa¸co vetorial gerado pelos vetores v1 = (1, 2, 3) e v2 =
(2, 3, 1) . Resposta:
W = {(a + 2b, 2a + 3b, 3a + b) ; a, b ∈ R} ou W = {(x, y, z) ; 7x − 5y + z = 0}
2.5 Dependˆencia e Independˆencia Linear 21
2.5
Dependˆ
encia e Independˆ
encia Linear
DEFINI ¸C ˜AO: Vetores LI e LD Considere a equa¸c˜ao:
a1v1+ a2v2+ ... + anvn= 0
com a1, ..., an ∈ R. Os vetores v1, ..., vn ser˜ao ditos:
i) Linearmente independentes (LI ), se, e somente se a ´unica solu¸c˜ao da equa¸c˜ao for a1 = ... = an = 0;
ii) Linearmente dependentes (LD), se, se somente se existir alguma solu-¸c˜ao com ai 6= 0 (i = 1, 2 ou n) Exemplos: 1) Verifique se s˜ao LI ou LD: a) v1 = (1, 0, 2) ; v2 = (2, 0, 1) ; v3 = (1, 3, 1) b) v1 = 2 3 1 5 ; v2 = 1 4 −1 7 ; v3 = 0 0 0 1
2.6
Base e dimens˜
ao
DEFINI ¸C ˜AO: Base de um espa¸co vetorial
Seja α = {v1, ..., vn}, um conjunto de vetores do espa¸co V. O conjunto α
2.6 Base e dimens˜ao 22
i) Os vetores v1, ..., vn s˜ao LI
ii) [v1, ..., vn] = V , ou seja, v1, ..., vn geram V
DEFINI ¸C ˜AO: Dimens˜ao de um espa¸co vetorial
Se α = {v1, ..., vn} ´e uma base do espa¸co V , ent˜ao a dimens˜ao do espa¸co
V ´e dada pelo n´umero de vetores contidos na base α, ou seja:
dim V = n
Exemplos:
1) {(1, 0) , (0, 1)} ´e uma base do R2
2) {(1, 2) , (−2, −4)} n˜ao ´e uma base do R2
3) Verifique se 1 2 3 4 , 0 1 0 2 , 1 0 0 0 , 1 0 2 5
´e uma base de V = M (2, 2) .
TEOREMA:
Sejam v1, ..., vn vetores n˜ao-nulos que geram V. Ent˜ao, dentre esses n
vetores, podemos extrair uma base de V. Dem.:
2.6 Base e dimens˜ao 23
ii) Se v1, ..., vn n˜ao s˜ao LI, existe solu¸c˜ao n˜ao-nula para a equa¸c˜ao:
a1v1+ a2v2+ ... + anvn= 0
Suponha que h´a solu¸c˜ao xn n˜ao nula. Podemos ent˜ao escrever:
vn = − x1 xn vi− ... − xn−1 xn vn−1
ou seja, vn pode ser escrito como combina¸c˜ao linear dos outros vetores da
base.
Se os vetores que sobram, v1, ..., vn−1, ainda s˜ao LD, repita-se o processo
para xn−1.
O processo se repete r vezes (r < n), at´e que sobre o conjunto {vi1, vi2, ..., vir}
que ´e uma base de V , pois ´e LI, e gera V .
Exemplos:
1) Extrair uma base para G (A), sendo A = {(1, 2, 3) , (3, 2, 1) , (1, 0, 4) , (−1, 1, 1)} . 2) Escrever uma base e dar a dimens˜ao de W = {(x, y, z) ; x + 2y = 0; z − x = 0} TEOREMA (da Dimens˜ao Finita)
2.6 Base e dimens˜ao 24
finita. Ent˜ao:
dim U ≤ dim V dim W ≤ dim V Al´em disso:
dim (U + W ) = dim U + dim W − dim (U ∩ W )
Dem.:
Sejam U = [u1, u2, ..., un] e W = [w1, w2, ..., wm] . Temos, ent˜ao dim U =
n; dim W = m. O espa¸co U +W ser´a gerado pelos vetores u1, ..., un, w1, ..., wm,
dentre os quais, escolher-se-a um conjunto de vetores LI. Se dim (U + W ) = k, significa que podem ser exclu´ıdos m+n−k vetores dentre os que geram U +W , e que esses vetores formam uma base de U ∩ W.
Ent˜ao:
m+ n − k = (m + n) − k
2.7 Mudan¸ca de base 25
3) Sejam
W1 = {(x, y, z) ; 2x − y + z = 0}
W2 = {(x, y, z) ; x = 2y; z = y}
subespa¸cos do R3.
a) Determine W1∩ W2, sua dimens˜ao e uma de suas bases.
b) Determine W1+ W2, sua dimens˜ao e uma de suas bases
c) Considere a seguinte defini¸c˜ao: DEFINI ¸C ˜AO: Soma direta
Seja V um espa¸co vetorial, e W1 e W2 subespa¸cos de V. A express˜ao
W1⊕ W2 ´e dita soma direta , e ´e dada por W1⊕ W2 = W1+ W2, se e somente
se W1+ W2 = V e W1∩ W2 = {0}
Agora responda:
A soma da letra ”b”pode ser dita soma direta? Justifique.
2.7
Mudan¸ca de base
A escolha de uma base conveniente β pode facilitar muito a solu¸c˜aio de um problema. No entanto, o problema pode vir expresso em uma base diferente β′, o que torna ´util saber como se faz para a mudan¸ca de base (no caso de β′
2.7 Mudan¸ca de base 26
Sejam β = {~u1, ..., ~un} e β′ = { ~w1, ..., ~wn} bases distintas de um mesmo
espa¸co V.
Dado v ∈ V , podemos escrever:
~v = x1~u1+ x2~u2+ ... + xn~un (2.1a) ~v = y1w~1+ y2w~2+ ... + ynw~n (2.1b) ou ent˜ao [~v]β = x1 x2 .. . xn e [~v]β′ = y1 y2 .. . yn
Nosso objetivo ´e, partindo das coordenadas do vetor na base β′, obter as
coordenadas desse mesmo vetor na base β.
Ent˜ao, escrevamos os vetores da base β′ como combina¸c˜ao linear dos
vetores da base β : ~ w1 = a11~u1+ a21~u2+ ... + an1~un ~ w2 = a12~u1+ a22~u2+ ... + an2~un ... ~ wn= a1n~u1+ a2n~u2+ ... + ann~un (2.2) Substituindo (2.2) em (2.1b):
2.7 Mudan¸ca de base 27 ~v = y1w~1+ y2w~2 + ... + ynw~n ~v = y1(a11~u1+ a21~u2+ ... + an1~un) + +y2(a12~u1+ a22~u2+ ... + an2~un) +... + +yn(a1n~u1+ a2n~u2+ ... + ann~un) ~ w1 = (a11y1+ a12y2+ ... + a1nyn) ~u1+ + (a21y1+ a22y2 + ... + a2nyn) ~u2+ +... + + (an1y1+ an2y2+ ... + annyn) ~un
Comparando com (2.1a):
~v = x1~u1+ x2~u2+ ... + xn~un temos: x1 = a11y1+ a12y2+ ... + a1nyn x2 = a21y1+ a22y2+ ... + a2nyn xn = an1y1+ an2y2+ ... + annyn
2.7 Mudan¸ca de base 28
que ´e um sistema linear que pode ser expresso matricialmente por: x1 x2 ... xn = a11 a12 · · · a1n a21 a22 · · · a2n ... ... ... ... an1 an2 · · · ann | {z }
[I]β′β - matriz de mudan¸ca de base (β′→β)
y1 y2 ... yn [~v]β = [I]ββ′[~v]β′
A matriz [I]ββ′ ´e dita matriz de mudan¸ca da base β′ para a base β, e suas
colunas s˜ao as coordenadas dos vetores ~w1, ..., ~wn (da base β′) colocados na
base β (em fun¸c˜ao de ~u1, ..., ~un).
Exemplos:
1) Sejam β = {(1, 2) , (2, 1)} e β′ = {(0, 2) , (1, 3)} .
a) Determine [I]ββ′ e [I]ββ′.
b) Verifique que [I]ββ′ =
[I]ββ′−1 c) Suponha que [v]β′ = 3 −2 . Determine [v]β. Resposta: a) [I]ββ′ = 4 3 5 3 −23 − 1 3 ; [I ] β β′ = −12 − 5 2 1 2
2.7 Mudan¸ca de base 29 b) [v]β = [I]ββ′[v]β′ = 4 3 5 3 −2 3 − 1 3 3 −2 = 2 3 −4 3 2) Prove o teorema:
TEOREMA: Inversa da matriz de mudan¸ca de base
[I]ββ′ =
Cap´ıtulo 3
Transforma¸c˜
oes Lineares
3.1
Introdu¸c˜
ao
DEFINI ¸C ˜AO: Transforma¸c˜ao Linear
Sejam V e W dois espa¸cos vetoriais. Uma transforma¸c˜ao (aplica¸c˜ao) linear, ´e uma fun¸c˜ao de V em W (T : V → W ) que satisfaz `as seguintes condi¸c˜oes:
(i) ∀u, v ∈ V ⇒ T (u + v) = T (u) + T (v) (ii) ∀u ∈ V ; ∀k ∈ R ⇒ T (k.u) = k.T (u) Exemplos:
1) T (x) = 3x
3.1 Introdu¸c˜ao 31
3) T (x, y, z) = (2x + z, x + z, z + 3)
3.1.1
Transforma¸c˜
oes do plano no plano:
3.1.1.1 Expans˜ao ou contra¸c˜ao uniforme:
T : R2 → R2 , α∈ R v 7−→ αv Exemplo: T : R2 → R2 , α∈ R v 7−→ 2v T(x, y) = 2 (x, y) = (2x, 2y) x y → 2 x y ou x y → 2 0 0 2 x y
3.1 Introdu¸c˜ao 32
3.1.1.2 Reflex˜ao em torno do eixo x:
T : R2 → R2 (x, y) 7−→ (x, −y) T (x, y) = (x, −y) x y → x −y ou x y → 1 0 0 −1 x y 3.1.1.3 Reflex˜ao na origem: T : R2 → R2 v 7−→ −v T (x, y) = (−x, −y) x y → −x −y ou x y → −1 0 0 −1 x y
3.1 Introdu¸c˜ao 33
3.1.1.4 Rota¸c˜ao de um ˆAngulo θ : Admita a seguinte nota¸c˜ao:
v = (x, y) Rθ(v) = (x′, y′)
3.1 Introdu¸c˜ao 34
Observando a geometria da figura, temos:
x = r cos α y = r sin α
x′ = r cos (α + θ) = r cos α cos θ − r sin α sin θ x′ = x cos θ − y sin θ
y′ = r sin (α + θ) = r sin α cos θ + r cos α sin θ y′ = y cos θ + x sin θ
Ent˜ao:
Rθ(x, y) = (x cos θ − y sin θ, y cos θ + x sin θ)
ou matricialmente: x y → xcos θ − y sin θ ycos θ + x sin θ = cos θ − sin θ sin θ cos θ | {z } Matriz de rota¸c˜ao x y
3.1 Introdu¸c˜ao 35 3.1.1.5 Cisalhamento horizontal: T : R2 → R2 , α∈ R (x, y) 7−→ (x + αy, y) Exemplo: T(x, y) = (x + 2y, y) x y → x+ 2y y ou x y → 1 2 0 −1 x y 3.1.1.6 Transla¸c˜ao: T (x, y) = (x + a, y + b) x y → 1 0 0 1 x y + a b
3.2 Conceitos e Teoremas: 36
3.2
Conceitos e Teoremas:
TEOREMA: Unicidade de uma transforma¸c˜ao linear
Dados dois espa¸cos vetoriais reais, V e W e uma base de V, {v1, ..., vn} ,
sejam w1, ..., wn ∈ W. Ent˜ao existe uma ´unica aplica¸c˜ao linear T : V → W ,
tal que T (v1) = w1, ..., T (vn) = wn. Dado v ∈ V , com
v = a1v1+ ... + anvn
a transforma¸c˜ao linear do vetor v ´e dada por:
T(v) = a1w1+ a2w2+ ... + anwn
Demosntra¸c˜ao:
(i) Inicialmente, mostremos que a transforma¸c˜ao de uma combina¸c˜ao li-near de n vetores ´e igual a combina¸c˜ao lili-near de transforma¸c˜ao desses n vetores.
v = a1v1+ ... + anvn
T (v) = T (a1v1+ ... + anvn)
3.2 Conceitos e Teoremas: 37
T(v) = T (a1v1) + ... + T (anvn)
T(v) = a1T (v1) + ... + anT (vn)
mas T (v1) = w1, ..., T(vn) = wn, logo:
T (v) = a1w1+ ... + anvn
(ii) Agora mostremos que T ´e ´unica:
Suponha, por absurdo que existe uma outra transforma¸c˜ao T′, tal que
T′(v1) = w1, ..., T′(vn) = wn. Ent˜ao:
T′(v) = T′(a1v1+ ... + anvn)
= a1w1+ ... + anvn
⇒ T′(v) = T (v) ou seja, T ´e ´unica.
Exemplo:
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear 38
2) Determinar T : R3 → R3, tal que T (1, 0, 1) = (3, 4, 1) , T (0, 2, 0) =
(1, 1, 0) e T (1, 2, 3) = (1, 0, 0) .
3.3
N´
ucleo e Imagem de uma
Transforma¸c˜
ao Linear
DEFINI ¸C ˜AO: N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear
Sejam V e W espa¸cos vetoriais e seja T : V → W , uma transforma¸c˜ao linear.
(i) O N´ucleo de T ´e o conjunto de vetores v ∈ V , tais que T (v) = 0 e ´e denotado por ker (T ) ou N (T ) .
ker (T ) = {v ∈ V ; T (v) = 0}
(ii) A Imagem de T ´e um conjunto de vetores w ∈ W , tais que w = T (v) para algum v ∈ V , e ´e denotada por Im(T ):
Im(T ) = {w ∈ W ; w = T (v) para algum v ∈ V }
Exemplo:
1) Determinar n´ucleo e imagem de T , sendo T definida por T (x, y) = (x + y, x − y)
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear 39
Resp.: ker (T ) = {(0, 0)} ; Im(T ) = R2
2) Determinar n´ucleo e imagem de T , sendo T definida por T (x, y, z) = (x + z, 3y − z, 2x + 3y + z)
Resp.: ker (T ) = x,−13x,−x, x∈ R ; Im(T ) =2 {(x, y, z) ∈ R3; 2x + 3y = z}
DEFINI ¸C ˜AO:
Seja T : V → W , uma transforma¸c˜ao linear:
(i) T ´e dita injetora, se dados u, v ∈ V tais que u 6= v, tivermos que T (u) 6= T (v) .
(ii) T ´e dita sobrejetora, se Im(T ) = W. Em s´ıntese:
Uma transforma¸c˜ao ´e dita injetora quando cada elemento da imagem est´a associado a apenas um elemento do dom´ınio. E a transforma¸c˜ao linear ´e dita sobrejetora, quando todos os elementos do contradom´ınio fazem parte da imagem.
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear 40
Seja T : V → W uma transfoma¸c˜ao linear. Ent˜ao ker (T ) e Im(T ) s˜ao subespa¸cos vetoriais de V e W respectivamente.
Dem.:
(i) ker (T ) ´e subespa¸co de V : Dados v, w ∈ ker (T ) e k ∈ R - 0 ∈ ker (T ), pois T (0) = 0
- T (v + w) = T (v) + T (w) = 0, ou seja v + w ∈ ker (T ) ; - T (kv) = kT (v) = 0, ou seja v + w ∈ ker (T ) .
Logo, ker (T ) ´e subespa¸co de V. (ii) Im(T ) ´e subespa¸co de W :
Dados v1, v2 ∈ V , tais que T (v1) = w1 e T (v2) = w2, e k ∈ R temos
- 0 ∈ Im(T ), pois T (0) = 0
- w1+ w2 = T (v1) + T (v2) = T (v1+ v2) ∈ Im(T ), pois v1+ v2 ∈ V ;
- kw1 = kT (v1) = T (kv1) ∈ Im(T ), pois kv1 ∈ V.
Logo, Im(T ) ´e subespa¸co de W.
TEOREMA: Transforma¸c˜ao injetora
Seja T : V → W uma transforma¸c˜ao linear. Ent˜ao, ker (T ) = {0} se e somente se T ´e injetora.
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear 41
(i) ker (T ) = {0} ⇒ T ´e injetora
Sejam u, v ∈ V tais que T (u) = T (v) . Ent˜ao: T(u) − T (v) = T (u − v) = 0
denota que u − v ∈ ker (T ), e como 0 ´e suposto o ´unico elemento do n´ucleo, temos u − v = 0 ⇒ u = v, o que prova que T ´e injetora.
(ii) T ´e injetora ⇒ ker (T ) = {0}
Seja v ∈ ker (T ), ou seja, T (v) = 0. Como sendo T linear implica em T (0) = 0, se T ´e injetora, deve-se ter que v = 0. Ent˜ao prova-se que ker (T ) = {0} .
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear 42
TEOREMA: Teorema da Dimens˜ao Finita Seja T : V → W uma transforma¸c˜ao linear. Ent˜ao:
dim V = dim (ker (T )) + dim (Im(T ))
Prova:
Seja v1, ..., vn uma base de ker (T ) . Sendo ker (T ) um subespa¸co de V ,
podemos completar o conjunto v1, ..., vn de forma a obter uma base de V.
Seja ent˜ao v1, ..., vn, w1, ..., wm uma base de V. Devemos mostrar ent˜ao
que T (w1) , ..., T (wm) ´e uma base de Im(T ), ou seja, deve-se mostrar que:
(i) T (w1) , ..., T (wm) geram Im(T )
(ii) T (w1) , ..., T (wm) s˜ao LI
(i) Seja w = T (u) ∈ Im(T ) (com, obviamente, u ∈ V ). Temos: u= a1v1+ ... + anvn+ b1w1+ ... + bmwm
Aplicando T a equa¸c˜ao acima, temos:1
T(u) = b1T (w1) + ... + bmT(wm)
o que significa que T (w1) , ..., T (wm) geram Im(T ).
(ii) v1, ..., vn, w1, ..., wm s˜ao uma base de V. Esses vetores, s˜ao portanto,
1note que T (v
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear 43
LI, ou seja, a equa¸c˜ao:
a1v1+ ... + anvn+ b1w1+ ... + bmwm = 0
tem como ´unica solu¸c˜ao a1 = ... = an = b1 = ... = bm = 0.
Por outro lado, w1, ..., wm s˜ao LI, e ent˜ao:
b1w1+ ... + bmwm = 0
tem b1 = ... = bm = 0 como solu¸c˜ao ´unica.
Aplicando a transforma¸c˜ao linear T `a equa¸c˜ao acima:
T (b1w1+ ... + bmwm) = T (0)
b1T(w1) + ... + bmT (wm) = 0
Como a aplica¸c˜ao de T n˜ao altera a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao, b1 = ... = bm = 0
´e solu¸c˜ao ´unica e T (w1) , ..., T (wm) s˜ao LI.
Da´ı, temos:
v1, ..., vn, w1, ..., wm uma base de V e dim V = n + m
v1, ..., vn uma base de ker (T ) e dim (ker (T )) = n
T(w1) , ..., T (wm) ´e uma base de Im(T ) e dim (Im(T )) = m
3.3 N´ucleo e Imagem de uma Transforma¸c˜ao Linear 44
Desse teorema, decorrem dois corol´arios:
COROL ´ARIO: Isomorfismo
Se dim V = dim W, ent˜ao uma transforma¸c˜ao linear T ´e injetora, se e somente se T for sobrejetora.
Prova:
(i) T ´e injetora ⇒ T sobrejetora.
Seja T injetora. Ent˜ao ker (T ) = {0} e por conseguinte dim (ker (T )) = 0.Logo dim V = dim (Im(T )) , o que denota que T ´e sobrejetora.
(ii) T sobrejetora ⇒ T ´e injetora.
Seja T sobrejetora. Ent˜ao Im(T ) = V ⇒ dim V = dim (Im(T )) de onde decorre que dim (ker (T )) = 0 e ker (T ) = {0} , ou seja, T ´e injetora
COROL ´ARIO: T transforma base em base.
Seja T : V → W uma transforma¸c˜ao linear injetora. Se dim V = dim W , ent˜ao T leva de base em base.
(Forma alternada para o corol´ario: Seja T : V → W um isomorfismo. Ent˜ao T leva de base em base.)
Prova:
Considere v1, ..., vn como uma base de V. Ent˜ao, T (v1) , ..., T (vn) ∈ W e
s˜ao LI (Prove!). Como dim W = dim V = n, T (v1) , ..., T (vn) ´e uma base de
3.4 Matriz de uma Transforma¸c˜ao Linear 45
DEFINI ¸C ˜AO: Isomorfismo.
Quando uma transforma¸c˜ao linear T : V → W ´e injetora e sobrejetora, T ´e dito isomorfismo, e os espa¸cos V e W s˜ao ditos isomorfos. Dois espa¸cos isomorfos, necessariamente, tˆem mesma dimens˜ao.
3.4
Matriz de uma Transforma¸c˜
ao Linear
Uma transforma¸c˜ao linear pode ser representada por uma matriz,de sorte que a seguinte analogia ´e v´alida:
Seja T : V → W uma transforma¸c˜ao linear, α uma base de V e β uma base de W. Ent˜ao:
T : V → W
[v]α → [T (v)]β = [T ]αβ[v] Podemos ter dois tipos de situa¸c˜ao:
(i) Dada a matriz, determinar a transforma¸c˜ao linear associada:
Sejam α = {(1, 0) , (0, 1)} e β = {(1, 2) , (3, 4)} bases do R2 e a matriz
A= 2 1 0 2 . Seja [v]α = x y = X.
3.4 Matriz de uma Transforma¸c˜ao Linear 46 Temos: AX = 2 1 0 2 x y = 2x + y 2y = [TA(v)]β Ent˜ao: TA(v) = (2x + y) (1, 2) + 2y (3, 4) TA(v) = (2x + 7y, 4x + 10y) O processo geral:
Seja T : V → W uma transforma¸c˜ao linear, α = {v1, ..., vn} uma base de
V e β = {w1, ...wm} uma base de W. A matriz da transforma¸c˜ao linear A
deve ser m × n. X = x1 ... xn AX = a11 ... a1n .. . . .. ... am1 ... amn x1 ... xn = y1 ... ym = Y = [T (v)]β Ent˜ao: T(v) = y1w1+ ... + ymwm
3.4 Matriz de uma Transforma¸c˜ao Linear 47
(ii) Dada a transforma¸c˜ao linear, determinar a matriz associada:
Seja T : V → W uma transforma¸c˜ao linear, α = {v1, ..., vn} uma base
de V e β = {w1, ...wm} uma base de W. Temos que T (v1) , ..., T (vn) ∈ W e
portanto:
T(v1) = a11w1 + ... + am1wm
...
T (vn) = a1nw1+ ... + amnwm
A matriz da transforma¸c˜ao T em rela¸c˜ao `as bases α e β ´e a transposta da matriz dos coeficientes do sistema acima, ou seja:
[T ]αβ = a11 ... a1n ... ... ... am1 ... amn Exemplos:
1) Seja T : R3 → R2tal que T (x, y, z) = (x + y, 3x − z), α = {(1, 1, 1) , (1, 2, 0) , (3, 1, 0)}
e β = {(1, 2) , (2, 1)} . (i) Fa¸camos T (α) :
T (1, 1, 1) = (2, 2) T (1, 2, 0) = (3, 3) T (3, 1, 0) = (4, 3)
3.4 Matriz de uma Transforma¸c˜ao Linear 48
(ii) Escrevendo esses vetores na base β :
[T (1, 1, 1)]β = 2 3 2 3 ; [T (1, 2, 0)]β = 1 1 ; [T (3, 1, 0)]β = 2 3 5 3
(iii) A matriz de T ´e dada por:
[T ]αβ = 2 3 1 2 3 2 3 1 5 3
2) Fa¸ca o mesmo para T : R3 → R3tal que T (x, y, z) = (2x + y, y − x, x − z) .
(Usando a base canˆonica).
TEOREMA: Express˜ao matricial das transforma¸c˜oes lineares
Sejam V e W espa¸cos vetoriais, α base de V , β base de W e T : V → W um aplica¸c˜ao linear. Ent˜ao, vale a express˜ao:
[T (v)]β = [T ]αβ · [v]α Demonstra¸c˜ao: Considere α = {v1, ..., vn} e β = {w1, ...wm} . Seja v ∈ V. Ent˜ao, [v]α = x1 ... xn e [T (v)]β = y1 ... ym . Temos que:
3.4 Matriz de uma Transforma¸c˜ao Linear 49 T (v1) = a11w1+ ... + am1wm T (vn) = a1nw1+ ... + amnwm ⇒ [T ]αβ = a11 ... a1n .. . . .. ... am1 ... amn
Como T ´e linear, podemos escrever:
v = x1v1+ ... + xnvn
T (v) = x1T (v1) + ... + xnT(vn)
dos sistema linear acima:
T(v) = x1(a11w1+ ... + am1wm) + ...
+xn(a1nw1+ ... + amnwm)
T (v) = (a11x1+ ... + a1nxn) w1+ ...
3.4 Matriz de uma Transforma¸c˜ao Linear 50 Ent˜ao: y1 = a11x1 + ... + a1nxn ym = am1x1+ ... + amnxn ⇒ y1 .. . ym = a11 ... a1n .. . . .. ... am1 ... amn x1 .. . xn ou seja: [T (v)]β = [T ]αβ · [v]α
TEOREMA: Rela¸c˜ao entre posto nulidade n´ucleo e imagem
Seja T : V → W uma aplica¸c˜ao linear, com α e β bases de V e W. Ent˜ao: dim [Im(T )] = posto de [T ]αβ
dim [ker (T )] = nulidadade de [T ]αβ = n´umero de colunas − posto de [T ]αβ
Exemplo:
1) Seja o operador T , cuja matriz na base canˆonica ´e dada por 1 2 −1 −2 0 1 1 −2 2
a) Determine a forma alg´ebrica para T b) Determine ker (T ) e dim [ker (T )] c) Determine Im(T ) e dim [Im(T )]
3.5 Opera¸c˜oes com Transforma¸c˜oes Lineares 51
3.5
Opera¸c˜
oes com Transforma¸c˜
oes Lineares
3.5.1
Adi¸c˜
ao:
Sejam T1 : V → W e T2 : V → W aplica¸c˜oes lineares. Ent˜ao:
(T1+ T2) : V → W
v → (T1+ T2) (v) = T1(v) + T2(v) , ∀v ∈ V
Matricialmente (sendo α e β bases de V e W ):
[T1+ T2]αβ = [T1] α β + [T2]
α β
3.5.2
Multiplica¸c˜
ao por escalar:
Seja T : V → W uma aplica¸c˜ao linear e seja k ∈ R. Ent˜ao:
(kT ) : V → W
v → (kT ) (v) = kT (v) , ∀v ∈ V Matricialmente (sendo α e β bases de V e W ):
[kT ]αβ = k [T ]αβ
Exemplos:
3.5 Opera¸c˜oes com Transforma¸c˜oes Lineares 52 [T2] = 1 0 2 −1 :
a) Determine a matriz de T1 e a forma alg´ebrica de T2.
b) Determine a forma alg´ebrica e a matriz na base canˆonica para: T1+ T2
e 3T1
3.5.3
Composi¸c˜
ao:
Sejam T1 : V → W e T2 : W → U aplica¸c˜oes lineares. A composta de T1
com T2, denotada por T2◦ T1, ´e dada por:
(T2◦ T1) : V → W
3.6 Operadores Lineares 53
Matricialmente (sendo α, β e γ bases de V ,W e U):
[T2◦ T1]αγ = [T2] β γ· [T1] α β Exemplos: 1) Sejam T1 : R2 → R3, T1(x, y) = (x + y, x − y, y) e T2 : R3 → R2, T2(x, y, z) = (x + y, y + z) . Determine [T2◦ T1] e [T1◦ T2] .
2) Considere que T1 seja uma transforma¸c˜ao de expans˜ao no plano, que
duplica o m´odulo do vetor mantendo sua dire¸c˜ao e sentido, e que T2 provoca
no vetor, uma rota¸c˜ao de 30o no sentido anti-hor´ario. Determine a f´ormula
que representa essa seq¨uˆencia de transforma¸c˜oes.
3.6
Operadores Lineares
DEFINI ¸C ˜AO: Operador linear
Operador linear ´e a transforma¸c˜ao linear de um espa¸co nele mesmo.
T : V → V
Como os operadores lineares s˜ao um tipo espec´ıfico de aplica¸c˜ao linear, todas as propriedades das transforma¸c˜oes lineares s˜ao v´alidas para os operado-res. Al´em dessas, os operadores tˆem propriedades exclusivas (est˜ao associados a matrizes quadradas).
3.6 Operadores Lineares 54
DEFINI ¸C ˜AO: Operadores inversos
Seja T : V → V um operador linear, que associa v ∈ V a w ∈ V (w = T (v)). Se existir um operador tal que associe w a v, o operador T ´e
dito invers´ıvel, o operador inverso de T , e ´e denotado por T−1 (v = T−1(w)).
PROPRIEDADES:
Sejam T : V → V um operador linear invers´ıvel e I : V → V o operador identidade (I (v) = v, ∀v ∈ V ). S˜ao v´alidas as propriedades:
(i) T ◦ T−1= T−1◦ T = I (ii) ker (T ) = {0} (iii) [T−1]α α = ([T ] α α) −1
(iv) Se α ´e base de V , ent˜ao, T (α) tamb´em ser´a.
Exemplos:
1) Determine, se existir, o operador inverso: a) T : R2 → R2, T(x, y) = (−x + 2y, 3x − 4y) b) [T ] = 1 0 1 2 −1 1 0 0 −1 Resposta: a) T−1(x, y) = 2x + y,3x + y 3 b) 1 0 1 2 −1 1 0 0 −1
Cap´ıtulo 4
Autovalores e autovetores
4.1
Introdu¸c˜
ao e Defini¸c˜
ao
DEFINI ¸C ˜AO: Autovalores e autovetores
Seja T : V → V um operador linear, e considere a express˜ao T (v) = λ.v,
com v 6= 0 e λ ∈ R. Ao valor de λ nomeamos autovalor de T , e a cada vetor v associado, chamamos autovetor associado a T.
Exemplos:
1) Determine os autovalores e autovetores dos operadores seguintes: a) T : R2 → R2; T (x, y) = (3x − y, −2x + 2y)
4.1 Introdu¸c˜ao e Defini¸c˜ao 56
b) T : R3 → R3; T (x, y, z) = (x − y, y − z, x − z)
4.1.1
Autovalores e autovetores associados a uma
matriz
Seja A uma matriz quadrada de ordem n. Sabe-se que a matriz A est´a asso-ciada a um operador linear T : V → V , onde dim V = n. Ent˜ao:
T (v) = λ.v =⇒ A. [v] = λ. [v]
Exemplo:
2) Determine os autovalores e autovetores associados a matriz A = 1 2 3 4 λ1 = 52−12 √ 33; v1 = −16 √ 33 − 12 1 e λ2 = 12 √ 33+52; v2 = 1 6 √ 33 −12 1
OBS.: O autovalor associado a um determinado autovalor λ, ´e um subes-pa¸co vetorial de V , e ´e denominado autoessubes-pa¸co do autovalor λ.
4.2 Polinˆomio Caracter´ıstico 57
4.2
Polinˆ
omio Caracter´ıstico
Considere a express˜ao matricial que calcula autovalores e autovetores:
An×n.[v]n×1 = λ. [v]n×1
An×n.[v]n×1− λ. [v]n×1 = 0
An×n.[v]n×1− λ.In.[v]n×1 = 0
(An×n− λ.In) . [v]n×1 = 0
Essa express˜ao resuilta em um sistema homogˆeneo que tem v como solu-¸c˜ao. Como v 6= 0, o sistema deve ser indeterminado, ou seja:
det (An×n− λ.In) = 0
Essa ´ultima express˜ao recebe o nome de equa¸c˜ao caracter´ıstica e o polinˆomio P (λ) = det (An×n− λ.In) ´e denominado polinˆomio caracter´ıstico.
Exemplo:
3) Determine o polinˆomio caracter´ıstico, os autovalores e autovetores da
matriz A = 1 2 3 0 1 2 3 2 1 . RESPOSTA: λ1 = 0; v1 = (1, −2, 1); λ2 = −2; v2 = −59,−23,1 e λ3 = 5; v2 = 1,12,1
4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 58
4.3
Diagonaliza¸c˜
ao de Operadores
4.3.1
Base de autovetores:
TEOREMA: Base de autovetores
Autovetores associados a autovalores distintos s˜ao L.I. Dem.:
Sejam v1, v2 autovetores associados aos autovalores λ1, λ2 (distintos)
res-pectivamente. Mostremos que a equa¸c˜ao
a1v1+ a2v2 = 0
tem como solu¸c˜ao ´unica a1 = a2 = 0.
(i) Aplicando (T − λ2.I) em ambos os membros:
(T − λ2.I) (a1v1+ a2v2) = (A − λ.I) .0 a1T (v1) − a1λ2v1+ a2T (v2) − a2λ2v2 | {z } 0 = 0 a1(λ1v1− λ2v1) = 0 a1(λ1− λ2) v1 = 0
Como λ1 6= λ2 ⇒ λ1− λ2 6= 0 e v1 6= 0, tem-se obrigatoriamente a1 = 0.
(ii) Aplicando (T − λ1.I) em ambos os membros, usando um
4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 59
Conclus˜ao: Os autovetores v1, v2 s˜ao LI.
COROL ´ARIO:
Se V ´e um espa¸co vetorial de dimens˜ao n e T : V → V ´e um operador linear com n autovalores distintos, ent˜ao ´e poss´ıvel escrever uma base de V usando autovalores de T.
Exemplos:
4) Escreva uma base do espa¸co vetorial citado usando os autovetores dos operadores seguintes: a)T : R2 → R2; T (x, y) = (2y, x) b) T : R3 → R3; T (x, y, z) = (2x, 2y + 5z, z) c) T : R2 → R2; T (x, y) = (3x − 2y, 2x − y) Respostas: a) λ1 =√2; v1 = √2, 1 e λ2 = −√2; v2 = −√2, 1 b) λ1 = 1; v1 = (0, −5, −1) e λ2 = 2; v2 = (x, y, 0) = x (1, 0, 0) + y (0, 1, 0) c) λ1 = 1; v1 = (1, 1)
Agora, dos exemplos (a) e (b), determinemos a matriz [T ]ββ (onde β ´e a base constru´ıda a partir dos autovetores):
a) T : R2 → R2; T (x, y) = (2y, x) λ1 = √ 2; v1 = √ 2, 1 e λ2 = − √ 2; v2 = − √ 2, 1
4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 60 T (v1) = λ1v1 = λ1v1+ 0v2 = √ 2v1+ 0v2 T (v2) = λ2v2 = 0v1+ λ2v2 = 0v1− √ 2v2 [T ]ββ = √ 2 0 0 −√2 b) T : R3 → R3; T (x, y, z) = (2x, 2y + 5z, z) λ1 = 1; v1 = (0, −5, −1) e λ2 = 2; v2 = (x, y, 0) = x (1, 0, 0) + y (0, 1, 0) T(v1) = λ1v1 = λ1v1+ 0v2+ 0v3 = 1v1+ 0v2+ 0v3 T(v2) = λ2v2 = 0v1+ λ2v2+ 0v3 = 0v1+ 2v2+ 0v3 T(v3) = λ3v3 = 0v1+ 0v2+ λ3v3 = 0v1+ 0v2+ 2v3 [T ]ββ = 1 0 0 0 2 0 0 0 2
Nota-se a partir dos dois exemplos que a matriz ´e diagonal!
No caso geral: Suponha dim V = n.
dis-4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 61
tintos. Sejam w1, ..., wm os autovetores associados a esses autovalores
respec-tivamente. Suponha que k desses autovetores possam ser decompostos, de forma que seja poss´ıvel construir uma base de V usando os autovalores de T , com β = {v1, ..., vn} . Ent˜ao: T(v1) = λ1v1 = λ1v1+ 0v2+ ... + 0vn T(v2) = λ2v2 = 0v1+ λ2v2+ ... + 0vn ... T (vn) = λnvn = 0v1 + 0v2+ ... + λnvn ⇒ [T ]ββ = λ1 0 · · · 0 0 λ2 · · · 0 .. . ... . .. ... 0 0 0 λn Da´ı a defini¸c˜ao:
DEFINI ¸C ˜AO: Operador diagonaliz´avel
Seja T : V → V um operador linear. T ´e diagonaliz´avel se existir uma base de V , composta de autovetores. Caso essa base n˜ao exista, o operador T n˜ao ´e diagonaliz´avel. Al´em disso, a matriz diagonal [T ]ββ tem na diagonal principal, os autovalores de T (na mesma ordem em que os autovetores s˜ao citados na base).
Exemplos:
5) Diagonalize as matrizes, se poss´ıvel:
a) A = 1 2 1 −1 3 1 0 2 2 RESPOSTA: Sim 1 0 0 0 2 0 0 0 3
4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 62 b) B = 1 0 0 −2 3 −1 0 −4 3 RESPOSTA: N˜ao
4.3.2
Polinˆ
omio Minimal
DEFINI ¸C ˜AO: Polinˆomio Minimal
Seja A uma matriz quadrada. O polinˆomio minimal de A ´e:
m(x) = xk+ a
k−1xk−1+ ... + a1x+ a0
tal que:
(i) m (A) = 0
(ii) m (x) ´e o polinˆomio de menor grau dentre os que anulam A.
TEOREMA: Polinˆomio Minimal e Diagonaliza¸c˜ao de Operadores Seja T : V → V um operador linear e dim V = n.T ´e diagonaliz´avel se, e somente se, o polinˆomio minimal de T for da forma:
m(λ) = (x − λ1) (x − λ2) ... (x − λr)
com λ1, ..., λr distintos.
4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 63
As ra´ızes do polinˆomio minimal s˜ao as mesmas (distintas) do polinˆomio caracter´ıstico.
TEOREMA: de Cayley-Hamilton
Sejam T : V → V um operador linear, α uma base (qualquer) de V e P (λ) o polinˆomio carcter´ıtico de T . Ent˜ao P ([T ]αα) = 0.
Dem.: (Caso 2 × 2) Seja [T ]αα = a b c d P(λ) = det ([T ]αα− λI) = (a − λ) (b − λ) − bc P ([T ]αα) = (aI2− [T ] α α) (bI2− [T ] α α) − bcI2 = a 1 0 0 1 − a b c d b 1 0 0 1 − a b c d − bc 1 0 0 1 P ([T ]αα) = 0 0 0 0
Esses teoremas em conjunto garantem que o polinˆomio caracter´ıstico ´e um dos candidatos a polinˆomio minimal.
po-4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 64 linˆomio minimal: P1(λ) = (λ + 3) (λ − 2) P2(λ) = (λ + 3) (λ − 2)2 P3(λ) = (λ + 3) (λ − 2)3 P4(λ) = (λ + 3)2(λ − 2) P5(λ) = (λ + 3)2(λ − 2)2 P6(λ) = (λ + 3)2(λ − 2)3
Para verificar qual deles ´e o minimal, basta verificar dentre esses o de menor grau que se anula para [T ]αα.
Al´em disso, conforme o primeiro dessa bateria de teoremas, T ser´a diago-naliz´avel se, e somente se o polinˆomio minimal for P1.
Exemplos:
6) Verifique se as matrizes a seguir s˜ao diagonaliz´avel usando os ´ultimos teoremas apresentados: a) A = 2 2 0 4 RESPOSTA: Sim b) B = 2 3 −1 0 1 −4 0 0 3 RESPOSTA: Sim; 1 0 0 0 2 0 0 0 3
4.3 Diagonaliza¸c˜ao de Operadores 65 c) C = 3 0 −2 −5 1 5 2 0 −1 RESPOSTA: N˜ao d) D = 1 −2 −2 0 1 0 0 2 3 RESPOSTA: Sim; 1 0 0 0 1 0 0 0 3
Um outro m´etodo de diagonaliza¸c˜ao
Seja uma matriz quadrada A diagonaliz´avel. Se P for uma matriz cons-tru´ıda a partir dos autovetores de A (que devem ser LI), a matriz diagonal correspondente pode ser obtida pela express˜ao:
D= P−1· A · P
E se A n˜ao for diagonaliz´avel, ou n˜ao ser´a poss´ıvel construir P (por n˜ao haver a quantidade suficiente de autovetores LI), ou ent˜ao, P ser´a singular (ou seja, n˜ao invers´ıvel).
Exemplo: 7) Diagonalizar A = 1 0 3 2 . RESPOSTA: D = 1 0 0 2
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 66
4.4
Aplica¸c˜
ao ao estudo das cˆ
onicas
4.4.1
Formas lineares, bilineares e quadr´
aticas
Forma Linear
DEFINI ¸C ˜AO:
Seja V um espa¸co vetorial real. Uma forma linear ´e uma transforma¸c˜ao linear f : V → R. Exemplos: a) f : R 2 → R (x, y) → x + 2y ou em forma matricial x y → 1 2 x y b) f : R 4 → R (x, y, z, t) → x + 3y − z + 3t ou em forma matricial x y z t → 1 3 −1 −3 x y z t Forma Bilinear DEFINI ¸C ˜AO:
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 67
linear do tipo:
B : V × V → R
(v, w) → B (v, w) tal que:
(i) Para w fixo, B (v, w) ´e linear em v, ou seja:
B(v1+ v2, w) = B (v1, w) + B (v2, w)
B(k.v, w) = k.B (v, w) (k ∈ R)
(ii) Para v fixo, B (v, w) ´e linear em w, ou seja:
B(v, w1+ w2) = B (v, w1) + B (v, w2)
B(v, k.w) = k.B (v, w) (k ∈ R)
Exemplos:
a) Produto de dois n´umeros, ou seja, p: R × R → R (x, y) → x.y b) B : R2× R2 → R; B ((x
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 68 c) A matriz M = −2 0 0 4 2 0 0 0 2 est´a associada a: [B ((x1, x2, x3) , (y1, y2, y3))] = x1 x2 x3 −2 0 0 4 2 0 0 0 2 y1 y2 y3
Matriz de uma forma bilinear
Sejam V um espa¸co vetorial e B : V × V → R uma forma bilinear. Dada α = {v1, ...vn} base de V , associa-se a B a matriz [B]αα (matriz bilinear B na
base α) da seguinte maneira: Se
v = x1v1+ ... + xnvn
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 69 ent˜ao: B(v, w) = B (x1v1+ ... + xnvn, y1v1 + ... + ynvn) = x1B(v1, y1v1+ ... + ynvn) + ... + xnB(vn, y1v1+ ... + ynvn) = n X i=1 xiB(vi, y1v1+ ... + ynvn) = n X i=1 xi[y1B(vi, v1) + ... + ynB(vi, vn)] B(v, w) = n X i=1 xiyjB(vi, vj) [B (v, w)] = x1 ... xn B(v1, v1) ... B(v1, vn) .. . . .. ... B(vn, v1) ... B(vn, vn) y1 .. . y3 ⇒ [B (v, w)] = [v]′α· [B] α α· [w]α Exemplos: a) B : R2 × R2 → R; B ((x 1, y1) , (x2, y2)) = −x1y1− 2x2y1 + 5x2y2 com α = {e1, e2} (base canˆonica). [B]αα = B(e1, e1) B (e1, e2) B(e2, e1) B (e2, e2) = −1 0 2 5 [B (v, w)] = x1 y1 · −1 0 2 5 · x2 y2
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 70
A forma bilinear B : V × V → R ´e sim´etrica, se e somente se B (v, w) = B(w, v) .
Exemplo:
a) B : R2× R2 → R; B ((x
1, y1) , (x2, y2)) = −x1x2− 2y2y1
TEOREMA:
B ´e sim´etrica ⇔ [B]αα ´e sim´etrica. Dem.: (−→) B ´e sim´etrica ⇒ B (vi, vj) = B (vj, vi) [B]αα = B(v1, v1) ... B(v1, vn) .. . . .. ... B(vn, v1) ... B(vn, vn) = B(v1, v1) ... B(vn, v1) .. . . .. ... B(vn, v1) ... B(vn, vn) ⇒ [B]αα (←−) ´e trivial.
Formas quadr´aticas DEFINI ¸C ˜AO:
Seja V um espa¸co vetorial real e B : V × V → R uma forma bilinear sim´etrica. A fun¸c˜ao Q : V → R, definida por Q (v) = B (v, v) ´e uma forma quadr´atica associada a B, ou seja:
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 71
onde [B]αα ´e uma matriz sim´etrica. Exemplos: a) Q : R2 → R; Q (x, y) = x2− 4xy + 3y2 Resp.: Q(x, y) = x y 1 2 2 3 x y b) Q : R2 → R; Q (x, y) = Ax2+ Bxy + Cy2 Resp.: Q(x, y) = x y A B2 B 2 C x y
TEOREMA: Diagonaliza¸c˜ao da forma quadr´atica
Seja Q (v) = B (v, v) uma forma quadr´atica em V. Existe uma base orto-normal β de V tal que
[v]β = y1 ... yn ent˜ao Q (v) = λ1y12+ ... + λny2n. Exemplos: a) Q (v) = x2− 4xy + 3y2
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 72 Solu¸c˜ao: Q(v) = x y 1 2 2 3 | {z } A x y det (A − λI) = 1 − λ 2 2 3 − λ = 0 λ1 = 0; λ2 = 4
Seja β uma base ortonormal composta pelos autovetores. Ent˜ao:
[v]β = y1 y2 Logo: Q (v) = y1 y2 0 0 0 4 y1 y2 = 0 4y2 ou seja: Q (v) = 4y2 2
4.4.2
Classifica¸c˜
ao das Cˆ
onicas
Dada a equa¸c˜ao geral do 2o grau
Ax2+ Bxy + Cy2+ Dx + Ey + F = 0 (A, B ou C 6= 0)
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 73
1o) Escrever a equa¸c˜ao na forma matricial:
Ax2+ Bxy + Cy2
| {z }
Forma Quadr´atica
+ Dx + Ey | {z } Forma Linear + F = 0 x y A B2 B 2 C x y + D E x y + F = 0
2o) Diagonalizar a forma quadr´atica, a fim de eliminar os termo misto de
2o grau.
Ter-se-´a, ent˜ao, a matriz diagonal λ1 0 0 λ2
, que corresponde a forma
diagonal de A B2 B 2 C
. A matriz diagonal ´e constru´ıda segundo uma nova base, formada pelos autovetores, que denotaremos por β = {v1, v2} e as
coordenadas de um vetor qualquer v ∈ R2, s˜ao dadas por [v] α = x y e [v]β = x1 y1
(onde α ´e a base canˆonica).
3o) Relacionar x y e x1 y1
, e converter a equa¸c˜ao da base α (canˆo-nica), para β.
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 74 x y = [I] β α |{z} Matriz de mudan¸ca de base x1 y1
4o) A nova equa¸c˜ao fica:
x1 y1 λ1 0 0 λ2 x1 y1 + D E [I]βα x1 y1 + F = 0
5o) Desenvolvendo a equa¸c˜ao acima, encontra-se a equa¸c˜ao
correspon-dente, ap´os a rota¸c˜ao de eixos.
Exemplo: 1) 3x2+ 2xy + 3y2−√2x = 0 1o passo: x y 3 1 1 3 x y + −√2 0 x y + F = 0
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 75 2o passo: 3 1 1 3 → 4 0 0 2 v1 = 1 √ 2, 1 √ 2 v2 = 1 √ 2,− 1 √ 2 3o passo: [I]βα = √ 2 2 √ 2 2 √ 2 2 − 1 2 4o passo: x1 y1 4 0 0 2 x1 y1 + −√2 0 √ 2 2 √ 2 2 √ 2 2 − 1 2 x1 y1 + F = 0 4x21+ x1 − y1 = 0
Agora, fazendo uma transla¸c˜ao de eixos:
y1+ 1 16 = 4 x1 + 1 8 2
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 76 fazendo y2 = y1+161 x2 = x1+ 18 , temos: y2 = 4x22
com a mudan¸ca da origem para −1 8,−16
.
CONCLUS ˜AO: A equa¸c˜ao 3x2+ 2xy + 3y2−√2x = 0, representa a
par´a-bola y2 = 4x22,ap´os a mudan¸ca da base canˆonica para β =
n 1 √ 2, 1 √ 2 ,√1 2,− 1 √ 2 o , e a mudan¸ca da origem para o ponto −18,−16
.
Para apenas saber qual tipo de cˆonica a equa¸c˜ao geral do 2o grau
repre-senta, sigamos o esquema:
Ax2+ Bxy + Cy2+ Dx + Ey + F = 0
Ap´os a diagonalizar a forma quadr´atica:
λ1x21 + λ2y12+ D1x1+ E1y1+ F = 0
Ap´os transla¸c˜ao:
λ1x22+ λ2y22+ f = 0
Analisando a equa¸c˜ao: (i) se λ1λ2 >0 :
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 77 f <0 → elipse f = 0 → um ponto f >0 → conjunto vazio (ii) se λ1λ2 <0 : f 6= 0 → hip´erbole
f = 0 → par de retas paralelas (i) se λ1λ2 = 0 :
a) Quando λ1 = 0 :
A equa¸c˜ao final fica:
λ2y22+ ax2+ f = 0
Ent˜ao:
a6= 0 → par´abola
a= 0 → par de retas paralelas b) Quando λ2 = 0 (fica como exerc´ıcio)
TEOREMA: Classifica¸c˜ao a partir de autovalores
(i) se λ1λ2 >0 trata-se de uma elipse ou uma de suas degenera¸c˜oes (ponto
ou conjunto vazio);
(ii) se λ1λ2 <0 trata-se de uma hip´erbole ou uma de suas degenera¸c˜oes
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 78
(iii) se λ1λ2 = 0 trata-se de uma par´abola ou uma de suas degenera¸c˜oes
(par de retas paralelas, um ponto ou conjunto vazio).
Como det A B2 B 2 C = det λ1 0 0 λ2
, o sinal de λ1λ2´e o mesmo
que o de −∆ = − (B2 − 4AC) (onde ∆ ´e apelidado de ”discriminante”).
As-sim, podemos reescrever o teorema acima:
TEOREMA: Classifica¸c˜ao a partir dos coeficientes (i) elipse ou suas degena¸c˜oes: ∆ < 0;
(ii) hip´erbole ou suas degena¸c˜oes: ∆ > 0; (iii) par´abola ou suas degena¸c˜oes: ∆ = 0.
Exerc´ıcio:
1) Dadas as equa¸c˜oes:
(I) Identifique o tipo de cˆonica;
(II) Aplique, se necess´ario, uma rota¸c˜ao, eliminando o termo misto de 2o
grau;
(III) Aplique, se necess´ario uma transla¸c˜ao; (IV) Descreva a cˆonica.
a) 3x2+ 2xy + 3y2− 4 = 0
b) 2x2+ 4xy + 2y2− 16 = 0
4.4 Aplica¸c˜ao ao estudo das cˆonicas 79 Respostas: a) Elipse; x2 1+ y2 1 2 = 1 b) Duas retas: y1 = 2; y2 = −2 c) Par´abola: y2 2 = 4x2
Cap´ıtulo 5
Produto Interno
5.1
Defini¸c˜
ao
DEFINI ¸C ˜AO: Produto Interno
Seja V um espa¸co vetorial real. Um produto interno sobre V ´e uma fun¸c˜ao que associa cada par de vetores v1, v2 ∈ V a um n´umero real, denotado por
hv1, v2i, que obedece `as seguintes condi¸c˜oes:
(i) hv, vi ≥ 0 ∀v ∈ V e hv, vi = 0 ⇔ v = 0 (ii) hαv1, v2i = α hv1, v2i ∀α ∈ R
(iii) hv1+ v2, v3i = hv1, v3i + hv2, v3i
(iv) hv1, v2i = hv2, v1i
5.1 Defini¸c˜ao 81
1) Produto interno usual em R2 :
h(x1, y1) , (x2, y2)i = x1x2+ y1y2
Da mesma forma ocorre para o produtos internos usuais do R3, ..., Rn.
2) V = R2; h(x
1, y1) , (x2, y2)i = αx1x2+ βy1y2 (α, β ∈ R) ´e um produto
interno.
3) V = R2; h(x
1, y1) , (x2, y2)i = x1x2+ 2x1y1− 3x2y2+ y1y2
Esse n˜ao ´e um produto interno, pois n˜ao obedece `a propriedade (iv):
hv1, v2i = h(x1, y1) , (x2, y2)i = x1x2+ 2x1y1− 3x2y2+ y1y2
hv2, v1i = h(x2, y2) , (x1, y1)i = x2x1+ 2x2y2− 3x1y1+ y2y1
⇒ hv1, v2i 6= hv2, v1i
4) No espa¸co das fun¸c˜oes cont´ınuas em [0, 1], (∁0[0, 1]), se f
1, f2 ∈ ∁0[0, 1] , ent˜ao: hf1, f2i = Z 1 0 f1(t) f2(t) dt
´e um produto interno. PROVA:
(i) hf, fi =R01f
2(t) dt ≥ 0, pois f2(t) ≥ 0 ∀t ∈ R
hf, fi = 0 ⇒ R01f
5.2 Ortogonalidade 82 R1 0 0dt = 0 (ii) hαf1, f2i = R1 0 αf1(t) f2(t) dt = α R1 0 f1(t) dt + R1 0 f2(t) dt = α hf1, f2i (iii) hf1 + f2, f3i = R1 0 [f1(t) + f2(t)] f3(t) dt = R1 0 f1(t) f3(t) dt+ R1 0 f2(t) f3(t) dt = hf1, f3i + hf2, f3i (iv) hf1, f2i = R1 0 f1(t) f2(t) dt = R1 0 f2(t) f1(t) dt = hf2, f1i
5.2
Ortogonalidade
DEFINI ¸C ˜AO: Vetores Ortogonais
Seja V um espa¸co vetorial munido do produto interno h, i . Dois vetores v, w ∈ V s˜ao ortogonais se e somente se hv, wi = 0 e escrevemos v ⊥ w se isso ocorrer.
Exemplos:
5) Os vetores (1, 3) e (−3, 1) s˜ao ortogonais para V = R2 munido do
produto interno usual.
6) Suponha V = R2 munido do produto interno
h(x1, y1) , (x2, y2)i = 3x1x2+ 5y1y2.
Para esse espa¸co vetorial euclidiano, os vetores (5, −3) , (2, 2) s˜ao ortogonais. Propriedades:
5.2 Ortogonalidade 83 (i) 0 ⊥ v, ∀v ∈ V (ii) v ⊥ w ⇔ w ⊥ v (iii) v ⊥ w, ∀w ∈ V ⇒ v = 0 (iv) v ⊥ w ⇒ λv ⊥ w, ∀λ ∈ R. Prova:
(i) com efeito pois h0, vi = hv, 0i = 0; (ii) com efeito, pois hv, wi = hw, vi ;
(iii) com feito, pois h0, wi = hw, 0i = 0 ∀w ∈ V ;
(iv) com efeito, pois λv ⊥ w ⇒ hλv, wi = 0 ⇒ λ hv, wi = 0 ⇒ hv, wi = 0. TEOREMA: Vetores ortogonais s˜ao LI
Seja {v1, v2, ..., vn} um conjunto de vetores dois a dois ortogonais, ou seja:
hvi, vji = 0; i 6= j
Ent˜ao, {v1, v2, ..., vn} ´e LI.
Demonstra¸c˜ao: Seja a equa¸c˜ao
5.3 Norma e ˆangulo entre vetores 84
Tomemos o produto interno dos membros da equa¸c˜ao por vi :
ha1v1 + a2v2+ ... + anvn, vii = h0, vii
a1hv1, vii + ... + aihvi, vii + ... + anhvn, vii = 0
como hvi, vji = 0; i 6= j
aihvi, vii = 0
e como vi 6= 0 ⇒ hvi, vii 6= 0 temos obrigatoriamente ai = 0.
Portanto, {v1, v2, ..., vn} s˜ao LI.
DEFINI ¸C ˜AO: Base ortogonal
Diz-se que uma base {v1, v2, ..., vn} de V ´e ortogonal quando hvi, vji =
0; i 6= j, ou seja, quando os vetores s˜ao dois a dois ortogonais.
5.3
Norma e ˆ
angulo entre vetores
DEFINI ¸C ˜AO: Norma de um vetor
Seja V um espa¸co vetorial munido do produto interno h, i . Define-se norma do vetor v ∈ V por
kvk =phv, vi Se kvk = 1, v ´e dito unit´ario (ou normalizado).
5.3 Norma e ˆangulo entre vetores 85
7) Seja V = R3 e v = (1, 3, 2)
a) se o produto interno for usual, a norma de v ser´a:
kvk =√1.1 + 3.3 + 2.2 =√14 b) se o produto interno for
h(x1, y1, z1) , (x2, y2, z2)i = 2x1x2+ 3y1y2+ z1z2
temos:
kvk =√2.1.1 + 3.3.3 + 2.2 =√33
8) Seja V = M (2, 2) munido do produto interno * a b c d , a′ b′ c′ d′ + = aa′+ bb′+ cc′+ dd′. Calcule a ”distˆancia”entre A = 1 3 2 5 e B = 2 4 0 2 .
Propriedades: Seja V um espa¸co vetorial munido do produto interno h, i . ∀v, w ∈ V e α ∈ R s˜ao v´alidas as propriedades:
(i) kvk ≥ 0 e kvk = 0 ⇔ v = 0 (ii) kα.vk = |α| . kvk
5.3 Norma e ˆangulo entre vetores 86
(iv) kv + wk ≤ kvk + kwk (Desigualdade triangular) Prova:
(iii)
a) se v = 0, temos: |hv, wi| = |h0, wi| = 0 = kvk . kwk b) se v, w 6= 0, tomemos a seguinte rela¸c˜ao:
htv + w, tv + wi ≥ 0 (t ∈ R) hv, vi t2+ 2 hv, wi t + hw, wi ≥ 0
Para que o trinˆomio acima seja maior ou igual a zero para todo t, al´em de o coeficiente de t2 ser positivo, deve se ter:
∆ = [2 hv, wi]2− 4 hv, vi hw, wi ≤ 0
4 hv, wi2− 4 kvk kwk ≤ 0 |hv, wi| ≤ kvk . kwk
(iv) Desenvolvendo o quadrado do primeiro membro:
kv + wk2 = hv + w, v + wi
= hv, vi + 2 hv, wi + hw, wi kv + wk2 = kvk2+ 2 hv, wi + kwk2
5.3 Norma e ˆangulo entre vetores 87
mas de (iii), podemos concluir: kvk . kwk ≥ |hv, wi| ≥ hv, wi kv + wk2 ≤ kvk2 + 2 kvk . kwk + kwk2 kv + wk2 ≤ (kvk + kwk)2
kv + wk ≤ kvk + kwk
DEFINI ¸C ˜AO: ˆAngulo entre vetores
Seja V um espa¸co vetorial munido do produto interno h, i . Define-se θ como o ˆangulo entre os vetores v, w ∈ V , e ´e v´alida a rela¸c˜ao
cos θ = |hv, wi| kvk kwk
Observa¸c˜ao: Note que independente do tipo de espa¸co vetorial e de pro-duto interno, temos:
|hv, wi| ≤ kvk . kwk ⇒ 0 ≤ |hv, wi| kvk . kwk ≤ 1
de forma que existe algum θ para o qual cos θ = kvkkwk|hv,wi| al´em de n˜ao ser contrariada a ortogonalidade entre vetores, pois v ⊥ w ⇒ hv, wi = 0 ⇒ cos θ = kvkkwk|hv,wi| = 0 ⇒ θ = π
2.
Exemplo:
9) Calcule o ˆangulo entre as retas r : x= 1 + 2t y = 1 + 3t e s : x= 3 − t y= 2 + 3t , pertencentes ao espa¸co R2 munido do produto interno h(x, y) , (x′, y′)i =