ENFERMAGEM - PROFISSAO HUMANITARIA?
***
Maria Jose Arleo Barbosa Amorim
RBEn/OI
MOM, M.J.AB. - Enfermagem - profissao humanitaria? ev. Bs. Enf.; DF, 32: 359-368, 1979.
INTRODUQAO
As experiencias de vida profissional da autora, quer em Servi;os de Saide, em cursos de forma;ao e preparo de pes soal de enfermagem, em Associa;ao de classe e sobretudo no Conselho de Enfer magem permitiram 0 surgimento de uma preccupa;ao constante que se acentua de ffjrma sensivel no decorrer de cada dia. Sente-se, de certa forma, engajada numa parcel a de responsabllldade no sentido de alertar 0 maior nimero pos sivel de enfermeiros de to do 0 pais para os perigos que corre a profissao de enfer magem diante do processo devastador de desumaniza;.o ja tao difundido e im pregnado no mundo contemoraneo.
Estas preocupa;6es prendem-se prin cipalmente ao fato de ser 0 paciente se vera e injustamente prejudicado no aten dimento de suas necessidades bio-psico socio-espirituais.
Neste trabalho, a autora aborda 0-bre 0 valor da vida e do ser humano,
sobre a importancia do relacionamento terapeutico paciente-enfermeiro e ques tiona sobre as causas da recusa ao com promisso profissional.
Finalmente, procura refletir sobre a forma de conciliar a pratica de a pro fissao essencialmente humanitaria com a problematic a do mundo e de cada um em particular.
1 . A VIDA E 0 SER HUMANO
"Se somente a enfase cientifica fose considerada, a filsofia de enfermagem seria impesoal e pragmatica. Os aspectos cientificos de enfermagem sao importan tes, porem muito mais importantes sao o paciente e 0 relacionamento pessoa pessoa, inerente ao cuidado profissional de enfermagem". Estas palavras de FER LIe (27) traduzem a importancia da sen sibilidade como caracteristica imprescin divel ao enfermeiro para que haja uma intera;.o humana efetiva com 0 pa ciente.
• Trabalho apresentado e premiado no XXI CBEn - Fortaleza - CE - 1979. •• nfrmeira - Asistente de Chefia do Hospital Ana Nery - e Diretora da Escola
o
enfermeiro e aquele profisional que nao pode tender apenas para as agoes que requerem conhecimento das causas proximas. A reflexao sobre as causas supremas the encaminha a uma filosofia, estabelecendo um modo de vida e colocando 0 sabera
dlsosigao do seu semelhante.EPSTEIN (25) considera 0 compro metimento com as relagoes humanas mals predominante e intenso na enfer magem do que nas demais profissoes. No seculo XVII ja se falava no envolvimen o de determinados profisionais com a humanidade, resaltando a importancia da observagao de suas les (39) .
ABIVEN no seu livro "Humanizer L'Hospial" (1) diz que 0 enfermeiro e um pro fissional que ten uma fungao es pecifica na equipe de saude, trazendo lhe, ao mesmo tempo uma competencia de alto nivel e uma observancia acentua da ao aspecto humanistico do hospital. Sem duvida, a formagao do enfer meiro requer posantes caracteristlcs humanitarias capazes de abater as mais temiveis resistencias porque ele esta in . tensamente envolvido com a vida e com
o ser humano.
Vida
Desde que e anunciada, a vida, em qualquer circunstancia, merece un su blime e incomensuravel respeio. Este e o ponto comum em que se completam to das as opinioes de pesquisadores do as sunto, considerando a abordagem oficial cat6Uca, filosofica ou humanizagao pro gressiva, antropologico-fenomenologica e
biologica.
Para que exista de fato esta defe--rencia pela vida de outrem, e necesario
que 0 ser humane ane e reverencie sua propria vida porque ela e acima de tudo o instrumento do ben utilizado recipro camente por todos os homens.
o
dire itoa
vida e 0 mais funda mental dos direitos do homem, sendo inalienavel. Por sua vez, 0 dever eobvia-mente enaltecldo; com muito entusiasmo, LUCAZ ratifica a expressao: "a vida e sempre bela para quem a compreende no seu dever e poe a feUcidade acima do seu sentido vulgar" (39) .
"A vida se apresenta como um dever continuo, como um desdobrar-se de den tro para fora inesgotavelmente multl forme, em oposigao
a
rigidez e unifor midade dos corpos inanimados" <CA MARGO) ( 15) .Ser humane
o
homem e un ser vivo, racional, social, espirltual e membro duma especie. Em conseqiencia, 0 respeito, a conser vagao, a manutengao e a Uberdade sao observados. Ele e chamado a viver em sociedade ou comunidade, surgindo ele mentos como a socializagao e 0 trabalho.Para 0 humanista, 0 homem e uma entidade unica no Universo, que toma decisoes e e moralmente responsavel.
Cada ser humano e uma substancia individual completa, dai a conservagao da sua individualidade, mesmo vivendo em constante interagao com outras pes soas.
Sendo composto de materia e espiri to, 0 homem est a submetido a determi nadas leis como espacialidade, tempora Udade, opacidade, pluralidade, nao obs tante ten muitos prlvllegios . Nao ha hiao entre os dois mundos: no homem, a materia se espiritualiza e 0 espirito se materializa.
"Pessoa e 0 ser que subsiste distinto na natureza racional" (S. TOMAS) (48). E pela racionalidade que a pesoa se constitui valor. 0 fato de ser fim e nao instrumento coloca 0 homem nao so como valor, mas como valor absoluto; portan to ele nunca pode ser considerado como melo para outro fim.
Paciente
neces-sldades bslcs, geralmente torna-se frustrado porque suas lnlclativas flcam canceladas, havendo uma interru�ao ns suas realldades socIals e proflsslonals. Dlante desta clrcunstancla, ele � mais sensivel, mais impressionavel, mais emotlvo, mals preocupado, menos loglco, menos seguro, menos volitlvo. Limitado em sua vIda, utlllza como recurso de con -testa;ao as mals dIvers as formas de ati tude: agressividade, ttmidez, indtferen�a, regressio, depressio, exctta�ao, rebeldia, ironia e etc.
Mults vezes, 0 sfrimento e 0 temor lhe levam a profundas reflexoes, anulan do sua hlerarqula de valores, quando os qualltatlvos passam a superar os quan titativos e a sede dos prazeres sensuals desaparece ou se reduz. LACAZ (39) lem bra a clta;ao de Trstao de Ataide: "a perda da saude predispoe 0 ser hu mano a compreender 0 mlsterio da vida". Em conseiiencia, ona-se fragil e ne eesitado de apoio, tendendo a perder seu orgulho natural, suas vaidades e suas llusoes de insubstituivel.
A doen;a e, muitas vezes, um pro cesso de depura;ao espiritual, levando 0
paciene a uma compreensao mais pro funda de si mesmo cmo finitude. Ofe rece a oportunidade para 0 auto encontro ou seja para a anUse da propria perso nalldade. E em conseqiencia, muitas ve zes esta ali uma pessoa melanc6lica, preocupada e tntrovertida.
A fuga de pensamentos e outro meio ·utilizado pelo paciente e que 0 torna, por conseguinte, confuso, ansioso e inquieto.
2 . RELACIONAMENTO ENFERMEIRO-PACIENTE
Em relatOrio elaborado por um grupo de trabalho nomeado pelo Ministerio da Saude Publica e da Seguran;a Social da Fran;a em 1971 (4) diz que a humani za;ao dos hospitals requer a aplica;ao de cuidados e medidas especials concer nentes as condi;oes morais da permanen cia do paciente no hspital. Considera de
grande importancia as rela;oes com a equipe de saude. E faz 0 seguinte comen tario: "0 paciente quer e precisa ter m relacionamento pessoal com aqueles que o tratam e sto nem sempre aconece. Muitas vezes, 0 paciene nao sabe nem mesmo distinguir s pessoas que se ocupam dele e quais sao sua fun;oes. Nao sabe 0 nome de ninguem e ninguem sabe o seu. Eo anonimato total".
Esta e uma reaUdade que se observa em todas as partes do Mundo. Publica ;oes diverss sobre 0 ass unto sugerem a necessidade premente de um relaciona_ mento mats humane entre 0 enfermetro e 0 paciente.
Representa uma tecnica influente e insubstltuivel para 0 enfermeiro 0 uso terap�utico de st mesmo na assls�cia o paciente. s resultados dependerao de sua habilidade na apUca;ao desta tec nlca.
''Para haver uma comunica;ao eficaz com os pacientes necessitamos saber como e quando scutar, reconhecer e va lorizar seus sentimentos, dar apoio, per guntar e contestar, conduzir a conversa atraves dos temas desejados pelo pacien te e reconhecer 0 grande valor da comu nica;ao que e 0 tato, cortesia, a expres sao e a atitude" (OGASAWARA) (49) .
"sen-ti que podia confiar em alguem", "me senti gente", "mudou a ma impressio que tinha dos enfermeiros", etc.
Com muita razio, VIEIRA lisse: "A funtao terapeutica da comunicatio e es tabelecida quando 0 paciente comparti lha com 0 profissional da area de saude algum conhecimento de si mesmo, que tenha significado. Isto permite ao profls sional conhecer seus pensamentos e sen timentos, acerca da doenta, de si mes mo ,de um problema especifico, do stress que ele experimenta; e o profissional ser ve de auxilio quando usa suas habilida
des de ouvir, falar e perceber" (69). Numa situatao conflitiva, qualquer ser humano necessita de assstencia de apoio. A palavra serena e persuasiva do enfermeiro e a sua atentio tem n sig nificado gratificante para 0 paciente; muitas vezes a sua simples presenta ja e terapeutica porque, como disse VIEI RA (68), seus sentimentos sio percebidos tambem por meio de seus movimentos e expressoes facials. 0 paciente precisa de alguem para expor seus problemas, suas preocupates e seus conflitos e e 0 en fermeiro que esta mas apto para ouvi-Io, compreende-Io e incentiva-Io.
Observa-se uma situatao muito seria em torno do relacionameno com 0 pa ciente; muitas vezes, cada proflssional da area de saude 0 consider a como uma par te fragmentada e nao como um todo. A atao imediata e a preocupatao de mui tos. Alguem deve sentir-se mais envol vido e ser capaz de empatizar com 0 pa ciente; a formatao pro fissional do enfer meiro posibilita 0 amadurecimento e ele se dispoe a assumir livremente a respon sabilidade de fazer n enfoque integral do paciente, em seus aspectos biologicos, psi colo gicos, sociais e espirituais.
3. POSI!VEIS CAUSAS DO
ALHEAMTO DO ENFERMEIRO
Na sociedade contemporanea, de ra pidas mudantas ,parece que as pessoas estio perdendo suas caracteristicas
hu-mans. A comunicatao interpessoal tem se tornado cada vez mais reduzida. s pessoas sao nneradas, sao catalogadas e as lnforma(oes sao transmitidas por computadores. 0 numero tem merecido maior destaque que 0 nome, como e 0 caso dos cartOes de credito. Numa visao extremamente pesimista, UEY (37) percebe 0 homem do futuro surgindo de um tubo de ensaio de laboratorio, pas sando aos bratos de un 'robot" para ser alimentado; 0 corpo sera controlado pelo Estado e a mente pelo computador.
Muitos pensam que 0 homem sera dono do ambiente e da natureza, capaz de fertilizar deseros, determlnar 0 sexo dos proprios filhos, de determinar 0 cli ma, a temperatura e a chuva. E alguns acham que existe a possibilidade de sur girem as pilulas do aperfeitoamento bio logico e do aumento da inteligencia ou da formatao do genio.
No seu contexto geral, a sociedade torna-se a cada dia mais materialista e as profisoes acompanham os mesmos pasos. Por sua vez, a enfermagem mais lentamente, porem gradativamente, tem assumido a mesma positio, ferindo de forma constrangedora 0 seu ideal.
Qual a origem do absentismo, da in diferenta, da insensibilidade, da aliena tao observados algumas vezes em deter minados profissionais de enfermagem no
desenvolvimento de suas atividades?
o
paciente nao se separa de sua es sencia humana para ser admitido num hospital; traz consigo sua lnteligencia, sua cultura ambiental, sua educatio, seus sentimentos e toda a sua experiencia de vida.tra-balha, como deixou sua familia e quais os problemas surgldos com a sua hospi tallza;ao. Observam-se s ressts va zias que s enfermelros dirlgirem 0S pa cienes, manifestando nao s6 lndlferen tismo e InsenslblUdade, ms tamMm uma recusa como se suprlmsse as suas er cep;oes. E 0 exemplo do paciente que com uma expressao suplicante, z que tem multo medo da anestesla e 0 �enfermelro simplesmente responde: "nao se prea cupe" . . . E valido lembrar que quando se nega 0 apol0, nega-se a sua humanidade. E comum tamMm ouvlr dizer que 0 pa ciente nao aceita 0
t
ratamento; ms as vezes observa-se que ele esta multo re ceioso e inseguro e nao recebeu a mini ma expllca;ao no sentido de dlminuir sua ansiedade.E deprlmente saber-se que em deer minadas situa;es, 0 individuo como ser humane e despercebido a tal ponto que sua presen;a torna-se ignorada. E 0 exemplo do paciente que ouve comena dos a seu respeito por pssoas que lhe tratam chegando mesmo
.
decisoes lm portantes sem ao menos the dirigirem a palavra ou um olhar. Nao ha duvida que a sensa;ao de menosprezo e de falta de respeito.
sua dlgnidade e angustiante. Outro aspecto muito negativo ao es tado emocional do paciente e a presa no atendlmento de suas necesldades. "Mais lmportante de que 0 temo dis pensado ao paciene, talvez seja a e,u sen cia de pressa e a maneira tranqiil. da enfermeira na sua presen;a" (BAR RETT) (9) .Uma preocupa;ao da enfermagem e favorecer a participa;ao do paciente no cuidado pr6prio, tao logo sua situa;ao 0 permita. Entretanto, como disse IEI RA (68) , "e precise cautela, para que isto nao seja feito com 0 objetlvo unico de dimlnuir 0 trabalho da equipe de enfer magem. Se isto acontece, 0 paciene per ceber. ,com certeza, e pder. sentir-se s6 e desamprado, ferido em sua auto estima".
Este alheamento do enfermelro terla como causa 0 avan;o acelerado da
tec-nologia? Ou sera a ensao causaa pe las diflculddes decorrentes da propria existncla? Nao estala havendo proble mas relacionads
a
forma;ao do enfer melro? A sociedade mercantll iolenta teria alguma nf1u�ncla sofre 0 fato?Indiscutivelmene, atlngiu-se a maI�r eficiencia industrial, artistica e lntelec tual de tods os tempos, ms e evidente a redu;ao da solidariedade human a e de espiritualldade tao necessarias a uma ci viliza;ao. s mudan;as tecnol6gicas ocor rids durante a Hist6ria da humanidade tem transformado nao somente Ideias, cren;as e valores, como tamMm a pr6-pria organiza;ao social. 0 exagero do tecnicismo faz perder a lmagem do h
..
mem como um ser gregario e afetlvo, le vando muitas vezes 0 profissional a ana lisa-Io de maneira fria, objetiva e cal culsta. Pode-se constatar que a epoca e muito dificil porque a evolu�ao do pro gresso tem apresentado tamMm efelos paradoxais.A Tecnologia e a Clencia como ele mentos dominadores a civlliza�ao con temporanea tem abalado profundamente as ideologias. A sua hlpertrofla tem pre judicado os aspectos humanistlcos em dos os setores.
Em momentos de medita;ao odos question am sobre 0 homem do futuro.
o
homem tecnizado tera algum senti mento? Dlspensar. algum tempo para os pensamentos abstratos, as cria;oes da arte, da muslca, da poesia? Que serao dos la;os fam1l1ares? Como seno vistos e praticados 0 amor, a amlzade, a cola bora;ao?en-elhada da humanidade: de uma par te, a c.@ncia oferecendo o homem pos sibiUd�des" extraordinaris, de outra, amea�ando-o mortalmente, quer pela pretensao de explica-Io totalmente, quer pela tndencia de fazer dele um simples apndice de carne da enorme maquiaria que 0 homem vai construindo pela ecni ca elevada e valor supremo".
"Em nome da tecnologia e da eficien cia, tambem 0 paciente e muitas vezes desumnizado, reduzido a um conjunto de pares que necessitam de reparo e reajuse" (EPSTEIN) (25).
Os problems existenciais gerados no dia-a-dia permitem tambem que 0 pro fssional viva em estado de tensao per manene, chegando quase a angUstia. s
dificuldades na conciUa(ao da vida f miliar e profissional resultanes de in compreensao conjugais e ausencia de ele mentos auxiliares que asumam s pro vldencias domsticas tem levado 0 pro fssionl de enfermagem, sobretudo do sexo feminino a um menor envolvimento com 0 paciente. Em conseqiencia, 0 en femeiro concentra sua aen�ao na pro pria problematica, esquecendo-se de que
i e encontra alguem precisando de aten�ao. 0 descaso po de chegar as vezes a tal ponto, que 0 paciente passa a ser considerado como um cso banal.
t de consideravel importancia que nas scols de Enfermagem, cada pro fessor esteja consciente do seu potencial de influenciar; nao que possa ensinar sensibilidade, ,as que procure usar cor retamente s oportunidades para fazer o aluno entender que exste um envolvi mento muito real entre enfermeiro e 0 paciente. Para que iso· ocorra, e neces sario que 0 corpo docente das escols es teja preparado de fato e consciente de sua profunda responsabilidade.
Por sua vez, a sociedade de consumo que vlolentamente arrebata a renda fa miiar, obriga as vezes 0 enfermeiro a ter mats de dois emprego, 0 que representa penosa situa(ao, porque cansado com a sobrecarga de atividades e sempre
preo-cupado com 0 aendimento dos horarios, o profissional ve-se impossib1tado de dedicar mais aten�ao ao paciente.
Em decorrencia de todas estas gra ves situ�Oes, ha alguem quee severa mene prejudicado: 0 paciente.
CMARGO (14) fala da crise a co munica�ao com outrem: "obrigado a ina tividade, incapaz de satisfazer suas ne cessidades, 0 paciente encontra-se brus camente como jogado num deserto; 0 so frimento 0 concentra em si mesmo. A percep�ao desta solidao aumenta, quan do coiss, consideradas essencias pelo doene, nao sao asim percebidas pelos outros".
4 . NECESSIDADE DE A FlLOSOFIA DE COPROMISSO
Como conciliar a pratica de uma pro fisao essencialmente etica com a pro blematica do mundo contemporaneo?
sta e a dUicil incumbncia que toca a gera�ao atual: reajustar a pratica as condi�Oes do meio; aperfei�oar a enfer magem como ciencia-tecnologia e a en fermagem como arte-humanidade, ou
seja, desenvolver 0 humanismo dentro
da tecnologia.
DLLE NOGARE (48) lembrando que
a toda MaO segue uma rea�ao, acha que e bem possivel que a invasao da tecnica deermine a' necesidade e a busca de antidotos de ordem espiritual.
Acredita-se que tenha sido este 0 pensamento de FELDMANN (26) quando dsse: "nao existe incompatibilidade ou antagonismo entre ciencia e ideal, entre humaniza�ao e racionalidade. Portanto, deve-se procurar crescente adequa�ao da ciencia ou racionalidade como meio para se atingir um mundo cada vez mais hu mano".
Se caia enfermeiro tornar-se cons ciente de suas cren�s, modo de conduta e atitudes para com a enfermagem, po dera unificar eses componentes em uma
filosofia de enfermagem que devera ser
VALLOT (67) baseando-se num sen tido exstencialista disse: "0 homem nao e; ele esta em perpetuo processo de for ma�ao. E esta auo-forma�ao supera as
simples mudan�s dentro da personali dade. � a sua pessoa, sua pr6pria essen cia, que esta em jogo. A escolha e dele: ou pagar 0 pre�o de ser uma pessoa au tentica - disposta a usar sua llberdade e aceitar sua responsabllidade diante da existencia - ou seguir 0 caminho facH do homem massa".
A llberdade de escolha, ou sej a, 0 poder de autodeterminar-se entre duas ou mais altenativas representa 0 spec to criativo do homem que empolgou s humanistas desde a Renascen�a, levan do-os
a
conclusao de que 0 homem nao e um simples espectador do universo, orque 0 pode modificar, melhorar e recriar.Esta llberdade psicologica e 0 gran de problema dos filosofs e psicologos.
o
animal e espontaneo em seus movi mentos instintivos, ms nao tem condi ;oes de controle porque nao tem poder de op�ao. 0 homem pode dominar seus instintos pela liberdade e e por ela que tem 0 extraordinario e temido privHegio, negado a todos os outros seres: decidir de sua existencia e de seu valor e deter minar seu destino.Logo, va-se que 0 homem e respon
savel pela forma�ao de seu verdadeiro ser. E no momeno que ele passa da exs
tencia passivamente recebida, ao ser, que
a sua llberdade deve conqustar, assume um compromisso.
No existencialismo, 0 compromsso significa "a disposi�ao de viver plena mente a propria vida, de dar-lhe sentido, aceitando, em vez de rejeitar, tudo 0 que ela possa conter, tanto de alegria quanto de dor".
No momento que alguem resolve ser enfermeiro, assume um compromiso por que se torna envolvido: sentir-se-a parte de odas as coiss que a enfermagem lhe traz: seus problems, suas frustra�oes, seu futuro.
o
descompromisso e uma rejei�ao, e uma nega�ao da liberdade de o�ao, 0 que levara 0 enfermeiro a a vida de acomoda;ao e conformismo e sem ao menos um toque de sensibllidade.o
enfermeiro comprometido nao se ria capaz de minimizar as dificuldades que prejudicam 0 relacionamento com 0 paciente? Nao e justo que se encare a tecnologia como 0 principal resonsavel por todos os males sociais. Nao seria oportuno usa-Ia para favorecer a enfer magem, reduzindo atividades puramente tecnicas? Por sua vez, s motivos par ticulares nao teriam consistencia ao pon to de impedirem a boa assistencia ao pa ciente porque a potencia do envolvimen to nao permitiria tal ocorrencia.SUAVET (66) no seu livro "A espi ritualldade em plena vida" dise: "e pre ciso starmos persuadidos de que tudo esta em evolu�ao, mais ou menos rapida, mas ou menos visivel. � preciso estar mos continuamente atentos a fim de cap tarmos possiveis mudan�as e encarar mos seriamente os problems que vao aparecendo. S6 entao saberemos 0 que e preciso fazer e como faze-Io".
Ol.nte destas considera�oes, cada enfermeiro podera sentir que, em nome de um atendimento mais humane tao clamado no mundo contempor.neo, a (mica solu;ao encontra-se ao alcance de todos: assumir uma filosofia de compro misso.
"A Filosofia da ao individuo princi pios diretores de pensamentos corretos, imutaveis e universais. D. uma concep ;ao de vida, orienta;ao para a conduta, interesse pels valores supra-sensiveis e desenvolve 0 gosto pelo estudo de ques toes vitais para 0 ser humano (COS TA)
«19).
s palavrs de DALLE NOGRE (48) podem expressar sabiamente a se riedade e importlncia do assunto: "e
CONCLUSAO
o
enfermeiro que e cascio do valor do ser humano, encarando 0 paciene como uma substancia individual comple ta mas limitado em sua vida, e capaz de atravessar s barreiras que frustram um relacionamento solidario.o tecnlcism; exagerado e outros pro
blemas insldiosos sao vencidos pela for ma�io integra do enfermelro. Para sto ssume um serio compromsso com a so ciedade.A Filosofia de enfermagem oferece ao profissional condlyoes de dirigir-se sensatmente, fazendo de sua liberdade o instrumento de satisfayao decorrente de uma existencla humanitarla.
CONSDERAQOES E RECOMENDAQOES
Conslderando
Que 0 relacionamento enfermeiro paclente nem sempre tem atendido aos aspecs humanos e etlcos.
Recomenda aos enfermeir08
Que procurem refietir acerca ds principios humanos e eticos e que aso clem sempre no exercicio de sus fun yOes, 0 elemento esplritual e 0 respeito
.
dignldade. humana e.
justiya social.Considerando
Q
ue as mudanys acelerads e pro funds da sciedade contemporanea re percutem diretamente sobre a vida do homem.Recomenda as Escolas ou Cursos de En fermagem de todos os niveis
Que a Etica e a Deontologia sejam assoclads e integradas em odo 0 con teudo curricular, possibilitando uma
6-lida formayao etico-moral as futuros profissionals e ocupacionais de enfer magem.
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