Ted Nottingham AI Lawrence Sob Wade
Xadrez
táticas e estratégias
dos campeões
Tradução
MarcoAntonio Tozzato
Revisãotécnica
Selma Bastos
Campeão Carioca Absoluto de 2000
Campeão Estadual Master de 2001 do Rio de Janeiro
-Dooriginal
Winning Chess Tactics &Strategies
@1999 by Ted Nottingham, AI Lawrence and Bob Wade @2001 Editora Ciência Moderna Ltda.
Todos os direitos para a língua portuguesa reservados pela EDITORA CIÊNCIA MODERNA LTOA. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Editora.
Editor: Paulo André P. Marques
Supervisão Editorial: Carlos Augusto L. Almeida
Produção Editorial: Friedrich Gustav Schmid Junior
Capa e Layout:Renato Martins
Diagramação e Digitalização de Imagens: Érika Loroza
Tradução: Marco Antonio T ozzato
Revisão: Cyntia Motta
Revisão Técnica: SelmoBastos Assistente Editorial: DanieleM.Oliveira
Várias Marcas Registradas aparecem no decorrer deste livro. Mais do que simplesmente listar esses nomes e informar quem possui seus direitos de exploração, ou ainda imprimir os logotiposdas mesmas, o editor declara estar utilizando tais nomes apenas para fins editoriais, em benefício exclusivo do dono da Marca Registrada, sem intenção de infringir as regras de sua utilização.
FICHA CATALOGRÁFICA
Nottingham, Ted; Lawrence, AI; Wade, Bob Xadrez
-
táticas e estratégias dos campeõesRio de Janeiro: Editora Ciência Moderna, 2001. Xadrez; Jogos
1- Título
ISBN: 85-7393-139-6 CDD 794.1
Editora Ciência Moderna Ltda. Rua Alice Figueiredo, 46
CEP: 20950-150, Riachuelo - Rio de Janeiro - Brasil Tel: (021) 201-6662/201-6492/201-6511/201-6998 Fax: (021) 201-6896/281-5778
Dedicatória
Àfalecida Decima Douie, décimafilha
de Sir James MacDouie (Governador de Punjab)
e querida conferencista de história da Universidade de Hull.
-Agradecimen
tos
Agradeço a Allan Lewis e a seu filho Jon por prepararem o disco tão perfeitamente. As fontes incluem Masters of the Chessboard de Richard Reti (McGraw-HiII, 1932),
Grandmasters of Chess (Norton, 1981) do crítico musical do New York Times Harold
Schonberg, How to Force Checkmate (David McKay, 1947), "White Knights of Reykjavik" do Praf. George Steiner (New Yorker, 1972) (Faber and Faber, 1973), The
Batsford Book of Chess (Batsford, 1975) de Bob Wade, OBE. "O Mercador e o Árabe"
é baseada em uma história de M. Jokai de Sakmat. Também dos autores:
Chess forChildren(1993)
Winning Chess Piece by Piece (1998) Playing ComputerChess (1998)
SUInário
Parte 1 - Longe e há muito tempo 1 O mercador e o árabe 1 Uma posição árabe nos tempos
modemos 2
A rainha de Carlos Magno 3 O duelo pela rainha 5
Parte 2
-
Aberturas 11 Uma abertura dos sonhos 11 O mate de Legal, 1750 14 Jogado em Paris, 1923 17 O melhor salve a dama 21Parte 3 - O garfo 27 O cavalo faz o garfo 27 Xadrez, sua língua mãe 30 J.R. Capablanca joga o garfo 32 O xeque do cavalo
de Capablanca 35
Judith Polgar joga o garfo 37
Parte 4
-
A pregadura 43Cravando 43
Um pregadura depois da outra 45 Uma pregaduradevastadora 48
Parte 5 - Ataque descoberto 53
Gary Kasparov 54 Um xeque descoberto 56 Nigel Short 60 Um ataque descoberto 60 Um xeque-mate duplo de Charousek 66 Nunnjoga um ataque descoberto 67 Parte 6 - O espeto 71 O raio X de Kasparov e o ataque descoberto 74
Parte 7
-
Um mate fundamental 79 Rei e dois bispos versus rei 79Parte 8 - Melhorando o jogo
das peças 93 O bispo 94 As torres 98 A dama 99 O cavalo 102 O rei 105
Parte 9
-
O fim do jogo 107 Harry Pillsbury,um mestre americano 107 Pillsbury joga a final 109 Abe Yanofsky,um prodígio
canadense 123
Aos 14 arios, o canto apertado
VI I Xadrez-táticas eestratégias
Parte 10
-
Umjogo para o final 131RudolfCharousek 131 Uma finalfascinante 133 Soluções 143 Dicas de estratégia 147 Certificado 150 índice 151
Parte
um
Longe e há
muito tempo
o
mercador
e o árabe
Um mercadorespanhol, viajando poruma estrada solitária, fazia negócios de cida-de em cidacida-de. Um dia ele topou com um árabe sentado no meio da estrada, com um tabuleiro de xadrez.
Curioso, o mercador perguntou, "Por que você está sentado aí, sozinho, jogando xadrez?"
"Oh, eu nãoestousozinho",disseo árabe. "Mas eu não vejo ninguém com você." "É porque", o árabe respondeu, "eu jogo com o grande Alá, o Único que está em todo lugar!"
"Entãovocêtemumoponentepoderoso!" "Sim, mas justo."
"E ele está ganhando?" perguntou o mer-cador.
"Parece que sim. Você vê como posso evitar levar um xeque-mate com o Seu próximo movimento? Isto significa que não poderei mais jogar hoje."
"Por que não?", perguntou o mercador, confuso.
"Euperdereitodo o meudinheiro,"respon-deu o Árabe.
Atordoado e sem acreditar nos seus ouvi-dos, o mercador disse lentamente, "Você e Alá jogam xadrez por dinheiro?" Ele
2 I Xadrez-táticas eestratégias jamaistinha ouvido uma coisa dessa. "Sim. Veja, aqui eu perco vinte peças de ouro."
"Mas espere, como você paga Alá?" "Oh, claro que não é o próprio Alá que recebe o dinheiro. Ele manda um homem honesto e santo para receber de mim e doar aos pobres. Isto é o mesmo que dar a Alá. E, uma vez que realmente perdi, você deve ser o homem que Alá mandou hoje. Tome, faça a vontade de Alá e pegue estas 20 peças de ouro."
O mercador,que nãoera nemtão honesto nem tão santo como deveria ser, ficou encantado.
Semanas mais tarde, novamente viajan-dQpor aquela estrada, o mercador sacu-diu a cabeça ao pensar no árabe que jogava xadrez com Alá. De repente, no meio da estrada, lá estava de novo o árabe, sentado sozinho com umtabuleiro de xadrez.
"Alá está ganhando hoje?" perguntou o mercador,parandosua carroçaao ladodo árabe.
"Não", respondeu o Árabe, alegremente. "Na verdade, com mais um movimento darei um xeque-mate Nele, e ganharei cem peças de ouro."
"E como('lá o pagará?"
"Oh, claro que não é o próprio Alá que me paga. Ele mandará um homem honesto quemedaráoqueganhei! Hoje",finalizou oÁrabe, "vocêdevesero homem queAlá
mandou para me pagar as cem peças de ouro".
Uma posição árabe
nos tempos modernos
Os árabes do século IX foram os primei-rosdos grandes povos que dedicaram-se com entusiasmo ao jogo de xadrez. Os califas de Bagdá amavam este jogo. Cer-ca de mil anos mais tarde, um problema de final dejogo de AI-Adli, datado daque-lesprimeirostempos, ocorreu novamente - numjogo de 1945em Storkovenhagen, Dinamarca, durante uma partida entre os enxadristas Jorgensen e Sorensen. Aqui o mesmo problema: a posição se repete. As brancas dão mate em apenas três jogadas. Você sabe como? Veja a solução dada a seguir, de cabeça para baixo. 'alew-anbax 98 - ~8.1e 96.1 x 1:1T+96:> x 1.6.1 ~ L~:> xL4J.T+s~
-
e6:> I. o~~nlosUm pouco
mais de história
Os reis europeus aprenderam xadrez com os árabes, e não demoraram atambém se apaixonar pelo jogo. O xadrez floresceu em Camelot, corte do Rei Arthur na Ingla-terra. Conta a lenda que o Rei Arthur, a Rainha Guinevere, Sir lancelot e o mago
da corte, Merlin, jogavam xadrez durante a época dos cavaleiros vestidos de aço e das damas encantadoras com seus cha-péus em forma de cone. Mas é da corte de Carlos Magno, o Grande, que vem a his-tória a seguir. Pretas Sorensen abcdefgh abcdefgh Brancas Jorgensen Você sabia?
Conhecido como o manuscrito de Lucena, o mais antigo livro impresso existente sobre xadrez
mencionava o roque em 1497. O
roque, este movimento especial simultâneo do rei e da torre, não era conhecido no jogo árabe de xadrez.
O trabalho de Lucena, publicado na
Espanha. foi intitulado Repetición
de amores y arte de Axedres e foi,
na verdade, dividido em duas
seções:
uma parte era sobrexadrez; a outra, sobre o amor!
Parte1- Longeehámuito tempo I 3
A rainha
de Carlos Magno
"Senhor,a rainha deseja vossa visitapara que conheçais esta estrangeira."
Shakespeare - Henry VIII Galiennevestia-se despretensiosamente com seda branca, as linhas simples des-tacavam-se em meio a todo a pródiga ostentação de ouro e arminho popular na corte de Carlos Magno. Ela movia-se rápido. mas com serenidade através da multidão reunida; afinal de contas, como esposade Carlos Magno,ela eraa rainha. Osolhos de Galienne avistaram a área do teatro, onde malabaristas jogavam bri-lhantes e afiados punhais, acrobatas empoleiravam-seprecariamentenos pos-tes e garotas sarracenas equilibravam-se sobre bolas.Adiversão continuaria o dia todo,semparar,masospassosdeGalliene não diminuíram o ritmo
-
sua mente estava no torneio.Garin iria lutar neste dia. Galienne gosta-va das justas, com os enormes e pesados cavalos franceses de corpos roliços, pisoteando o chão com seus cascos ba-rulhentos. Elavibrava ao som das lanças estilhaçadas e gostava de assistir às damas lançarem olhares para os cavalei-ros. Hoje, como rainha, cabia a ela rece-ber e premiar o campeão do torneio. Ela esperava que fosse seu favorito o cam-peãodotorneio, Garin.