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O Método

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O Método

Tapping 

Um sistema inovador

 para uma vida sem stresse

Tradução de: Rita Figueiredo

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C

APÍTULO

 1

Uma Descoberta Monumental

Todas as verdades passam por três fases. Primeiro, são ridicularizadas. Segundo, enfrentam uma oposição violenta. Terceiro, são aceites como evidentes.

 ARTHUR SCHOPENHAUER

O Dr. Roger Callahan tinha um problema.

 Já tinha estado naquela situação outras vezes, mas isso não a tornava menos frustrante.

Era psicólogo com uma formação tradicional e estava a trabalhar com Mary, que desde a infância tinha uma gravíssima fobia da água. Mary não tinha apenas medo de nadar, tinha medo da água em todas as suas formas – de banheiras à chuva, passando por oceanos e pis-cinas. O medo que sentia era tão extremo que nem conseguia dar banho aos seus dois filhos e tinha muitos pesadelos sobre água.  Aquela situação durava desde sempre. Agora, com cerca de quarenta

anos, tinha procurado a ajuda do Dr. Callahan.

Este estava a fazer o seu melhor, mas nada resultava. Tinha vindo a tratar Mary ao longo do último ano, usando todas as técnicas de psicoterapia que conhecia: terapia cognitiva, hipnose, terapia de rela-xamento, terapia racional-emotiva, dessensibilização sistemática,

biofeedback, entre outras. Era tudo o que sabia e eram técnicas

acei-tes por psicólogos, psiquiatras e pelo público em geral.

Esta não era a primeira vez que aquelas técnicas falhavam. O Dr. Callahan sentiu-se desiludido com a falta de resultados con-cretos e com o tempo que a mudança demorava a dar -se na vida de muitos clientes. Ele e Mary tinham feito muito poucos progressos no ano em que trabalharam juntos. Ela tinha conseguido sentar -se

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à beira da piscina do Dr. Callahan e pôr os pés dentro de água, mas sentiu uma grande ansiedade quando o fez. Depois das sessões à beira da piscina, Mary ficava com uma dor de cabeça intensa por causa do stresse do tratamento.

O Dr. Callahan, sempre curioso em relação ao funcionamento do corpo e da mente, estava nessa altura a estudar os meridianos do corpo. Os meridianos, a base da acupunctura, que é um sistema antigo da medicina chinesa, são definidos como canais energéticos que transportam a força vital, ou o chi, até aos órgãos e aos outros

sistemas do corpo. Correndo ao longo de ambos os lados do corpo, cada meridiano está associado a um órgão diferente – estômago, vesícula biliar, rins, etc. Cada meridiano também tem aquilo a que se chama um «terminal», uma localização específica na superfície do corpo que nos permite aceder ao canal energético. Este ponto pode ser manipulado por meio de agulhas de acupunctura ou pelo toque simples (acupressão) para equilibrar ou desbloquear o fluxo energé-tico através daquele meridiano em particular.

Numa sessão de terapia, Mary revelou que pensar em água lhe causava uma sensação terrível no estômago. Numa revelação espon-tânea, o Dr. Callahan deduziu que aplicar o método tapping no

meridiano do estômago – imediatamente abaixo dos olhos – poderia aliviar essa sensação. E assim, pediu-lhe que tocasse repetidamente nesse ponto com as pontas dos dedos.

Mary fez o que ele lhe pediu. Para surpresa de ambos, ao fim de apenas alguns minutos a aplicar o toque, ela exclamou: «Desapare-ceu! A sensação horrível que eu tinha no estômago sempre que pensava em água desapareceu completamente!» Aproximou-se da beira da piscina para ver se o medo também tinha sofrido alterações e descobriu que não sentia a menor ansiedade quando se aproximava da água.

 A partir desse dia, a fobia da água e os pesadelos relacionados com água desapareceram. Isto foi há trinta anos e Mary continua livre desse medo. Imagine o espanto do Dr. Callahan ao testemunhar este acontecimento. Depois de um trabalho tão intenso com Mary, experimentando todas as técnicas da psicoterapia convencional e até algumas técnicas alternativas, encontrou por acaso a solução – tocar repetidamente num ponto por baixo dos olhos. E, o que é

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talvez ainda mais importante, a fobia continua curada ao fim de trinta anos e nunca mais a irá afetar. Como é que isto aconteceu?

A Evolução da Técnica

Na sequência da experiência com Mary, o Dr. Callahan decidiu aprofundar o seu estudo dos meridianos, explorando a combinação da terapia tradicional com o toque repetido em diferentes partes do corpo. Acabou por desenvolver um conjunto de «algoritmos» ou sequências de toques para abordar diferentes problemas. Uma pessoa que tenha determinada fobia, como medo das alturas, usa-ria uma sequência de pontos de toque (por baixo de um olho, por baixo de um braço e na clavícula, por exemplo). Se estiver zangado por causa de alguma coisa – por exemplo, o seu chefe disse algo que o incomodou – deverá usar uma sequência diferente (sobran-celha, por baixo de um dos olhos, por baixo de um dos braços e clavícula).

Depois de aprender e usar os algoritmos de Callahan, um dos alunos do Dr. Callahan – um homem chamado Gary Craig – deter-minou que a sequência de toques não é tão importante como o simples ato de aplicar o toque. Para facilitar a aplicação da técnica, criou uma sequência única, que é a base do que mais tarde viria a ser designado por EFT, abreviatura de «Emotional Freedom Tech-nique» ou Técnica de Libertação Emocional. A sequência de EFT foi concebida para englobar todos os meridianos principais, indepen-dentemente do problema que se queira abordar. Vamos analisar mais pormenorizadamente esta sequência no Capítulo 2, mas só para lhe dar uma ideia, a sequência começa pela mão, depois passa para o interior das sobrancelhas, para o exterior das sobrancelhas, por baixo dos olhos, por baixo do nariz, para o queixo, as clavículas e os lados da caixa torácica, terminando no cimo da cabeça.

O génio de Gary consistiu não apenas na simplificação do pro-cesso e na adição de alguns melhoramentos, mas também na criação de uma comunidade em torno desta técnica. Documentou muitos casos de pessoas que a usavam e depois partilhou os incríveis resul-tados obtidos com o mundo. Milhares de pessoas em todo o mundo

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têm agora conhecimento do método tapping e usam-no no seu

quotidiano.

O Dr. Callahan teve a sua revelação com Mary em 1979. Nas três décadas que se seguiram, o mundo ocidental não conseguiu encontrar nenhuma explicação científica para o seu sucesso. Como é que Mary e tantas outras pessoas conseguiram libertar-se das fobias, da ansiedade e de outros problemas simplesmente tocando repetidas vezes em certos pontos-chave? No entanto, nos últimos anos aprendeu-se muito sobre a ciência que está por trás desta técnica.

Quando nos encontramos num estado emocional negativo – zan-gados, perturbados ou com medo –, o nosso cérebro entra em estado de alerta. Ele prepara o corpo para iniciar a reação de lutar ou fugir. Esta reação evoluiu no sentido de mobilizar o corpo para fazer frente a uma ameaça externa – imagine, por exemplo, os seus antepassados a serem perseguidos por um tigre. Todos os sistemas de defesa do orga-nismo são ativados para promover a reação de luta ou de fuga face ao perigo. Dá-se uma subida da adrenalina e da tensão arterial, do ritmo cardíaco e dos níveis de açúcar no sangue, para a pessoa ter energia suficiente para enfrentar o perigo.

Nesses tempos, os fatores de stresse constituíam ameaças reais à sobrevivência. No entanto, hoje em dia a reação de lutar ou fugir raramente é ativada por uma ameaça física. No caso da maioria das pessoas, essas reações são acionadas internamente, como foi o caso

do medo que Mary tinha da água: o corpo dela reagia como se esti-vesse perante uma ameaça sempre que ela pensava em água.

Para muitos de nós, a reação de stresse gerada internamente é acionada por uma memória ou pensamento negativo que está enrai-zado num trauma do passado ou numa aprendizagem condicionada da nossa infância. A reação de stresse do corpo assume a mesma forma, independentemente do que a desencadeia ser um tigre (fator externo) ou uma memória negativa (fator interno). A produção de adrenalina aumenta, o coração acelera, etc.

Para além das experiências do passado e das memórias negativas, a nossa vida quotidiana está repleta de pequenas experiências de luta ou fuga. O seu chefe envia-lhe um e-mail que o perturba; sente

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a casa e defronta-se com uma grande desarrumação e um monte de coisas para fazer. Em todos estes cenários, o seu corpo está a preparar--se para lutar ou fugir.

Pode dizer: «O meu corpo não se prepara para lutar ou fugir em todos estes cenários tão simples.» Mas a verdade é que o faz! Não é o aumento de adrenalina e de cortisol que obteria se estivesse a ser perseguido por um tigre; é uma reação de nível inferior. Mas se somar todas as centenas ou milhares de reações deste tipo que tem numa determinada semana ou mês, o efeito cumulativo no seu corpo e na sua mente é enorme. A reação contínua de lutar ou fugir deixa--nos desgastados, maldispostos, perturbados, com excesso de peso, stressados e, de um modo geral, infelizes com as situações em que nos encontramos.

O que o método tapping faz, com uma eficácia espantosa, é travar

a reação de lutar ou fugir e reprogramar o cérebro e o corpo para agirem – e reagirem – de forma diferente. Vejamos como isto acontece.

A Amêndoa no Seu Cérebro

 A ciência provou que a reação de stresse tem origem na amígdala.  A amígdala, com a sua forma amendoada (a palavra deriva do termo grego que significa «amêndoa»), é um dos componentes do sistema límbico, ou do mesencéfalo. O mesencéfalo situa-se entre os lóbulos frontais (o córtex) e o rombencéfalo (também conhecido como cére-bro réptil – a parte mais antiga e mais primitiva do cérecére-bro). O sis-tema límbico é a fonte das emoções e da memória a longo prazo, e é onde são inscritas as experiências negativas.

Há quem diga que a amígdala é como o detetor de fumo do corpo. «Oh-oh, avizinham-se sarilhos», diz a amígdala. «Algo está a pôr em risco a nossa segurança.» Ela envia o sinal ao cérebro para ativar a reação de lutar ou fugir. Uma experiência negativa nos primeiros tempos de vida pode programar a amígdala para dar o alarme sem-pre que algo no futuro faça recordar essa experiência. Se os seus colegas tiverem troçado de si quando na quarta classe falou em frente a toda a turma por ter pronunciado mal uma palavra ou ter cometido um erro, a vergonha que sentiu pode ter feito a sua mente e corpo

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relacionarem a ideia de «perigo» com o ato de falar em público. Depois disso, experiências semelhantes – ou mesmo a antevisão de

experiências semelhantes – podem ativar a reação da amígdala. Lembre-se de que o corpo não faz distinção entre uma ameaça real e aquilo que a amígdala percebe como uma ameaça. Como conse-quência desta programação no início da vida, os fatores de stresse que enfrentamos no nosso quotidiano podem dar sinal à amígdala para que acione o alarme.

Embora ainda não saibamos ao certo porquê, o método tapping

parece desativar o alarme da amígdala – desativando as vias que acionam estas reações no cérebro. O toque repetido nos meridianos envia uma resposta calmante ao corpo e a amígdala percebe que está livre de perigo. Além disso, aplicar o toque repetido enquanto expe-riencia – ou discute – um acontecimento stressante, contraria a rea-ção de stresse e reprograma o hipocampo, que compara ameaças enfrentadas no passado com os sinais do presente e diz à amígdala se o sinal atual representa ou não uma verdadeira ameaça.

A Prova

 A investigação levada a cabo pela Faculdade de Medicina de Harvard ao longo da última década mostrou que a estimulação de certos meridianos reduz a atividade da amígdala, do hipocampo (outra parte do sistema límbico) e de outras partes do cérebro associadas ao medo. Nos testes de ressonância magnética funcional e nos testes PET conseguimos ver claramente o sinal de alerta da amígdala a ser cancelado quando estes pontos são estimulados.1 Este trabalho é

muito estimulante e revolucionário!

Se por um lado os estudos da Universidade de Harvard se con-centraram em agulhas, um estudo duplo-cego que comparava a pene-tração das agulhas de acupunctura com a pressão (sem o uso de agulhas) nos pontos dos meridianos (como é o caso do método

tapping ) observou melhorias semelhantes em ambos os métodos.

Estudos informais revelaram que o método tapping  até pode resultar melhor do que a utilização de agulhas no tratamento de distúrbios

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Outro estudo confirmou as descobertas de Harvard. Nesse caso, o investigador Dawson Church, Ph.D., analisou outro componente da reação de lutar ou fugir: os níveis de cortisol. À semelhança da adrenalina, o cortisol é uma hormona associada ao stresse que é libertada durante reações de stresse.

Num ensaio clínico controlado e randomizado – o padrão da investigação científica –, o Dr. Church e os seus colegas estudaram as alterações nos níveis de cortisol e os sintomas psicológicos de 83 sujeitos depois de serem submetidos a uma sessão de uma hora de EFT, uma sessão de uma hora de psicoterapia convencional e uma hora sem receberam qualquer tratamento (o grupo de controlo). Os níveis de cortisol do grupo que foi submetido à técnica de tapping

baixaram significativamente, 24 por cento em média, e alguns apre-sentaram reduções de até 50 por cento. Entretanto, os que foram submetidos a psicoterapia e os indivíduos do grupo de controlo não manifestaram alterações significativas dos níveis de cortisol para além da redução normal que se dá ao longo do dia, com o passar do tempo. A redução dos níveis de cortisol no grupo submetido a EFT correspondeu a uma redução da gravidade da ansiedade, da depres-são e da generalidade dos sintomas psicológicos.

O Dr. Church partilhou comigo os relatos dos bastidores deste estudo, demonstrando ainda mais o quão poderosos foram estes resultados. Quando enviou as análises para o laboratório para deter-minarem os níveis de cortisol, esperava receber os resultados dentro de poucos dias, a tempo de apresentar as suas conclusões numa conferência em que ia participar.

Ficou desolado quando os resultados se atrasaram e não pôde apresentá-los na conferência. De facto, atrasaram-se várias semanas. Quando consultou o laboratório, descobriu que estavam convenci-dos de que havia algo de errado nas amostras ou com o equipa-mento e que estavam a recalibrar tudo e a repetir vezes sem conta os testes.

Porquê? Porque os resultados ultrapassavam de tal forma as redu-ções habituais dos níveis de cortisol que eles estavam convencidos de que tinham cometido um erro. Finalmente confirmaram o que o Dr. Church sempre soube, que tinha realmente havido uma redução drástica e sem precedentes dos níveis desta hormona.

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 Abordar problemas psicológicos aplicando o toque repetido nos pontos dos meridianos faz parte de uma área emergente conhecida como «psicologia energética», também referida pela designação de «acupunctura sem agulhas». Numerosos estudos demonstraram a eficácia da acupunctura, um sofisticado sistema de cura que é usado há cinco mil anos. Agora existem cada vez mais provas da eficácia da psicologia energética.

De facto, os estudos realizados sobre a psicologia energética estão em conformidade com os padrões estipulados pela Sociedade de Psicologia Clínica (Divisão 12 da Associação Americana de Psicolo-gia – APA) como «abordagem baseada em factos». Segundo David Feinstein, Ph.D., psicólogo clínico que lecionou no departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina John Hopkins, «As evidên-cias obtidas a partir dos estudos que se focaram na psicologia ener-gética, dados obtidos a partir de mais de uma dezena de países, sugerem que esta produz resultados invulgarmente rápidos, eficazes e duradouros numa variedade de problemas».

Numa revisão dos estudos que foi publicada numa importante revista científica da APA, Feinstein afirmou que os dados existentes sobre a estimulação dos pontos de acupunctura parecem estar em conformidade com os critérios da Divisão 12 relativos a «tratamen-tos bem estabelecidos» para fobias e ansiedade relacionada com tes-tes e «tratamentos provavelmente eficazes» para stresse pós-traumático, ansiedade relacionada com o ato de falar em público e depressão. Três quartos dos estudos existentes tinham sido publicados nos anos que antecederam a sua revisão, em 2012, o que sugere que a inves-tigação sobre a psicologia energética está a acelerar rapidamente e que a lista dos problemas para os quais a técnica é eficaz continuará a crescer.

Dezenas de estudos já demonstraram a eficácia desta técnica para tratar uma variedade de distúrbios e problemas. Poderá encontrar um relato pormenorizado destes estudos em www.thetappingsolu-tion.com/research.

Estes estudos demonstram claramente a eficácia da EFT no tra-tamento dos problemas mais difíceis que nós, enquanto seres huma-nos, enfrentamos: stresse pós-traumático, traumas, fobias, entre outros. Se esta técnica é tão eficaz no tratamento dos problemas mais

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graves, faz todo o sentido – e irei demonstrá-lo no resto deste livro – que seja tão, ou mais, eficaz no tratamento dos problemas menores que enfrentamos, como dificuldades nas relações, peso excessivo, crenças limitativas e problemas financeiros.

Para Além da Ciência e da Investigação: Evidências Observáveis

Embora eu esteja muito feliz com o progresso recente nos estudos que suportam o que muitos de nós já sabem há tanto tempo – ou seja, que o método tapping  resulta –, acho que é importante observar que

precisa-mos de olhar para além dos estudos especí�cos, que são caros e laborio-sos, e concentrar-nos noutro poderoso elemento da verdade: os dados observáveis. É aqui que a EFT brilha verdadeiramente. Milhares de estudos de caso, tanto individuais como escritos por terapeutas, documentam cla-ramente os resultados. O resto deste livro, em que partilharei experiências pessoais e de outros terapeutas, junta-se a este conjunto crescente de provas.

Você

 Pode

Mudar o Seu Cérebro

Para analisarmos mais aprofundadamente o motivo por que o método

tapping é tão bem-sucedido a curar fobias, ansiedade, stresse

pós--traumático e outros problemas, regressemos ao sistema límbico. Não só este método trava a resposta de stresse, como a combinação da estimulação dos pontos de acupunctura e do ato de pensar no acontecimento perturbador ou problema também reconfigura aquilo a que se chama a reação límbica.

 A reconfiguração da reação límbica está na base da técnica psi-cológica conhecida como terapia de exposição, que o Dr. Callahan estava a aplicar a Mary. Ao fim de algum tempo, ele foi pedindo a Mary que se aproximasse da piscina e mergulhasse os pés na água – expondo-a gradualmente à fonte da fobia.

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Na terapia de exposição, a pessoa tanto pode ser exposta in vivo

(por exemplo, numa situação real, como a de Mary e da piscina) como imaginando uma cena ou acontecimento que crie a reação

límbica ou que desencadeie a reação. Mas este tipo de terapia de exposição convencional tem frequentemente resultados muito len-tos. No caso de Mary, ao fim de um ano e meio, o nível de ansiedade da paciente durante o tratamento in vivo continuava a ser muito

elevado e a causar-lhe fortes dores de cabeça.

 Ao aplicar o método tapping ao mesmo tempo que recorda um

acontecimento perturbador da sua infância, está a fazer uma versão modificada da terapia de exposição. A exposição dá-se quando pensa no acontecimento perturbador. A aplicação do toque repetido de um modo geral reconfigura rapidamente o sistema límbico. Vou explicar como funciona. Quando pensa em algo que lhe causa ansie-dade ou outros sentimentos desconfortáveis, esses pensamentos fazem disparar o sistema de alarme da amígdala. Aplicar o toque repetido enquanto aciona esta reação de lutar ou fugir envia à amíg-dala a mensagem de que pode desativar a reação, apesar de o pen-samento ameaçador ainda estar presente. Com a repetição, o hipocampo recebe a seguinte mensagem: esta coisa, que foi previa-mente catalogada como «perigosa», não é, na realidade, uma ameaça.

Porquê Concentrar-se no Negativo?

Uma das perguntas que me fazem frequentemente quando partilho com alguém o processo de tapping , é: «Porque é que estamos a concentrar-nos

em pensamentos negativos enquanto aplicamos esta técnica? Eu não quero pensar em coisas negativas! Então e a teoria de que damos poder àquilo em que pensamos?»

É uma excelente pergunta. Compreendo perfeitamente o que as pessoas estão a pensar quando me perguntam isto. Mas a verdade é que esses supostos pensamentos negativos estão presentes, quer estejamos a pensar neles conscientemente ou não. Tal como o monte de contas para pagar

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que en�a numa gaveta por não querer olhar para elas naquele momento, esses pensamentos estão presentes – e têm de ser abordados! As emoções, crenças e traumas não processados estão, ainda assim, a afetar e a contro-lar as nossas vidas. Precisamos de os abordar – de olhar para eles, admitir que estão lá e enfrentá-los – para podermos resolvê-los.

Não estamos a concentrar-nos no negativo; estamos a focar-nos nele por um breve período. A técnica do toque repetido aborda o problema e resolve-o. Depois disso podemos avançar para as ideias, inspirações e a�r-mações positivas.

Em vez de chamarmos «negativas» às informações que estamos a tratar, podemos chamar-lhes «a verdade». São a verdade sobre como se sente neste momento; são a verdade sobre o que aconteceu, são a verdade sobre as suas crenças. Vai explorar a verdade para ver como pode transformá-la numa verdade mais libertadora .

 A amígdala aprende deste modo a não dar o alarme. Você mantém a calma e o hipocampo passa a categorizar a experiência como não ameaçadora. O hipocampo é a estrutura no sistema límbico que con-trola as associações contextuais. A coisa ou acontecimento que era até ali percebido como perturbador, passa agora a ser categorizado como «pouco importante». Assim, da próxima vez que pensar nessa coisa ou que se deparar com ela, a amígdala não vai disparar o alarme – e a reação de stresse já não será desencadeada.

Depois de aplicarem esta técnica a um problema específico, fre-quentemente os meus clientes dizem que «simplesmente já não con-seguem ligar-se a ele». Continuam a lembrar-se dele, mas sem uma emoção forte associada. Isto acontece porque o sistema límbico clas-sificou essa memória sob uma luz mais neutra e por vezes até sob uma luz positiva.

Os cientistas especularam que esta reconfiguração do sistema lím-bico altera permanentemente as vias neurais do cérebro; que os caminhos criados na amígdala pelo condicionamento induzido pelo medo são eliminados. Isto está de acordo com as descobertas

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cien-32 | Nick Ortner

tíficas mais recentes relativas à neuroplasticidade do cérebro – por

outras palavras, a ideia de que as vias do cérebro não são permanen-tes e podem ser alteradas. Em termos simples, você pode desenvol-ver novas formas de pensar e de perceber o mundo. Não tem de manter os seus pontos de vista antigos. Tal como aconteceu com Mary, também o leitor pode libertar-se dos medos, pensamentos e memórias debilitantes.

 Através desta técnica, as memórias dolorosas – e a sua concen-tração numa parte específica delas – podem mudar. Já usei o método

tapping com pessoas que tiveram experiências negativas na infância

e que depois dizem: «Quando visualizo a minha família na minha juventude, sou agora capaz de os ver sorrir e de me lembrar dos bons momentos que vivemos.» Alterámos o passado ou mudámos as memórias? Claro que não. Mas eliminámos o trauma emocional e a subsequente concentração nas experiências negativas. Quando isso acontece, as experiências positivas, que sempre estiveram presentes, podem vir à tona.

Dica de Tapping : Porquê Usar Este Método?

Se alterar as vias neurais do seu cérebro ou alterar a sua biologia não for incentivo su�ciente para o convencer a experimentar este método, pense nos efeitos negativos que as reações de stresse frequentes têm na sua saúde. Se não forem tratadas através deste ou de outro método, as emo-ções associadas a acontecimentos, experiências ou pensamentos pertur-badores vão continuar a acionar a reação de stresse, talvez muitas vezes por dia. Numerosos estudos demonstraram os efeitos danosos que esse tipo de stresse tem no corpo.

«Uma das in�uências epigenéticas mais importantes é o stresse», a�rma Dawson Church. «Sabe-se hoje que o trauma emocional afeta a expres-são de mais de mil genes, incluindo muitos que in�uenciam o envelhe-cimento e a regeneração celular.» No Capítulo 6, que explora o uso da EFT para curar problemas físicos, vamos analisar mais

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pormenorizada-mente a forma como o stresse afeta o corpo – e como o método tapping

pode aliviar o stresse, ajudando assim no processo de cura.

Encontro Entre o Oriente e o Ocidente: Acupressão Chinesa

Antiga e Psicologia Moderna

 A acupunctura é usada há milhares de anos no Oriente, principal-mente na China, para curar o corpo e bloquear a dor. Na verdade, esta técnica até já foi usada para fazer cirurgias invasivas sem anes-tesia! Como é que é possível? Bem, os estudos mais recentes mos-tram que a acupunctura – e a acupressão, de que a terapia tapping 

é uma expressão – aumenta os níveis de endorfinas do corpo, os neurotransmissores que causam boas sensações e de que tanto ouvi-mos falar.

O aumento destes neurotransmissores é provavelmente o motivo por que a maioria das pessoas se sentem bem simplesmente aplicando o toque repetido, mesmo sem se concentrarem num problema espe-cífico. De facto, pode aplicar esta técnica sempre que quiser, apenas nos pontos que lhe parecem bem, e frequentemente sentirá uma maior calma e contentamento. O ponto das clavículas (que pode ver na página 46) é um dos preferidos da maioria das pessoas; bastam alguns toques para produzir uma sensação de relaxamento e melho-rar o humor.

Embora a acupunctura esteja a ter uma aceitação cada vez maior no Ocidente e até já seja recomendada por médicos e hospitais pra-ticantes de medicina convencional, até há pouco tempo não tínha-mos nenhuma «prova ocidental» de como funciona. Mas nos últitínha-mos anos os investigadores descobriram aquilo que designaram por «canais de Bonghan».

Batizados em homenagem a Kim Bonghan, um investigador norte--coreano que publicou artigos que os descreviam na década de 1960, estas microscópicas estruturas anatómicas, com uma configuração semelhante a fios, correspondem aos meridianos ou canais tradicio-nais da acupunctura. As imagens ao microscópio mostram que estas estruturas tubulares têm entre trinta e cem micrómetros de espessura

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34 | Nick Ortner

e atravessam todo o corpo, como os canais dos meridianos. Como referência, um glóbulo vermelho tem cerca de seis a oito micrómetros de largura, portanto são estruturas muito pequenas!

Pode pensar nos canais de Bonghan como a rede de fibra ótica do corpo. Transportam uma grande quantidade de informação, fre-quentemente muito superior à que o sistema nervoso ou os sistemas químicos do organismo podem transportar.

Por outras palavras, o método  tapping está entre a linhagem

oriental da acupressão/acupunctura e a linhagem ocidental da psi-cologia e de outros processos mente-corpo. Desconfio que quando chegarmos ao fim deste livro, todos concordarão que é nesse cruza-mento que a verdadeira magia pode acontecer.

Não É Apenas para Profissionais

Embora a EFT tenha vindo a estabelecer as suas bases científicas e psicológicas, fui atraído para ela por ser tão segura e fácil de aplicar, tanto a nós próprios como aos outros. De facto, a maioria dos tera-peutas mais bem-sucedidos na aplicação da EFT receberam primeiro formação na metodologia de tapping , sem qualquer formação em

psicologia ou medicina. É óbvio que cada tipo de formação acarreta os seus próprios benefícios; um médico traz à prática da EFT conhe-cimentos sobre o corpo humano de que outros não dispõem e poderá usufruir de certas vantagens ou conhecimentos que estão fora do alcance de outros terapeutas. Mas como a minha amiga e especialista em EFT, Dr.ª Patricia Carrington, gosta de dizer: «Cada um tem o seu método.»

Gary Craig, o fundador da EFT, era na realidade um engenheiro de Stanford que tinha um talento natural para compreender as pes-soas e os seus problemas. Conseguiu aplicar, e melhorar, o método de tapping que aprendeu com o Dr. Callahan. A minha experiência

pessoal é semelhante. O meu principal desejo é o de ajudar as pes-soas, de dar a conhecer esta importante ferramenta e de ensinar as pessoas a usá-la para mudarem as suas vidas.

Por esse motivo, este livro é sobre sie sobre o seu percurso. É sobre

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discutir quando poderá ser desejável contactar um profissional de EFT para pedir ajuda ou conselhos específicos, mas pode alcançar coisas incríveis sozinho, simplesmente aplicando as ideias e conceitos apresentados neste livro.

 Agora que já viu a quantidade crescente de provas de que a EFT funciona, tenho a certeza de que está ansioso por poder experimentá--la! E é isso mesmo que vamos fazer no Capítulo 2.

Referências

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