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ECLI:PT:TRL:2010: OTCSNT.L1.8.9A

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ECLI:PT:TRL:2010:1356.07.OTCSNT.L1.8.9A

http://jurisprudencia.csm.org.pt/ecli/ECLI:PT:TRL:2010:1356.07.OTCSNT.L1.8.9A

Relator Nº do Documento

António Valente rl

Apenso Data do Acordão

21/01/2010

Data de decisão sumária Votação

unanimidade

Tribunal de recurso Processo de recurso

Data Recurso

Referência de processo de recurso Nivel de acesso Público

Meio Processual Decisão

Apelação improcedente

Indicações eventuais Área Temática

Referencias Internacionais

Jurisprudência Nacional

Legislação Comunitária

Legislação Estrangeira

Descritores

deliberação da assembleia geral; impugnação;

(2)

Sumário:

- Só as deliberações da assembleia podem ser impugnadas e alvo de anulação pelo tribunal.

- A mera apresentação e entrega a cada um dos comproprietários de um mapa de comparticipações actualizado, não integra qualquer deliberação.

- Só o interessado que não tenha aprovado a deliberação pode vir impugná-la judicialmente (Sumário do Relator)

Decisão Integral:

Acordam no Tribunal da Relação de Lisboa

Veio nos presentes autos M requerer a anulação da convocatória e deliberação de assembleia contra Administração Conjunta da AUGI nº …, Bairro …..

Alegou para tal e em síntese ser comproprietário do terreno integrado na AUGI nº … e nessa qualidade foi convocado para uma assembleia da AUGI a realizar em 20/5/2007. A convocatória, contudo, foi feita sem observância das formalidades legais, uma vez que foi recebida com a

antecedência de 13 e não de 15 dias; além disso, as peças escritas indispensáveis para a tomada da deliberação não foram disponibilizadas na sede da Junta de Freguesia, como deveriam ter sido, sendo certo que o mapa de comparticipações apresentado não está conforme com a lei.

A Ré contestou, invocando a caducidade do direito de propor a acção e impugnando os factos alegados pelo A.

Pede ainda a condenação do A como litigante de má fé.

O A replicou, negando a verificação da caducidade ou que haja litigado de má fé.

O processo seguiu os seus termos, realizando-se o julgamento e vindo a ser proferida sentença que julgou a acção parcialmente procedente, anulando a deliberação tomada na referida

assembleia, quanto à aprovação das contas referentes ao ano de 2006.

Inconformado, recorre o A, concluindo que:

–Estando em causa deliberações sobre matérias constantes da ordem de trabalhos e

dependentes da consulta a peças escritas, estas deveriam ter sido disponibilizadas durante o prazo de antecedência do aviso convocatório, na sede da Junta de Freguesia, o que não sucedeu.

–A Assembleia só se poderia realizar com um mínimo de 25% dos votos calculados, nos termos do art. 13º nº 1 da Lei nº 91/95.

–Também não foi devidamente apreciada a questão da aprovação do mapa das comparticipações na Assembleia.

–Conforme resulta do ponto 3 da Ordem de Trabalhos, o mapa das comparticipações não era para ser aprovado, apenas é mencionado “apresentação do mapa actual de pagamentos das

comparticipações em atraso”.

–Conforme consta da Acta, no ponto 3 da Ordem de Trabalhos da Convocatória, foi escrito que

“foi entregue o mapa actualizado das comparticipações e valores pagos e em dívida”.

–Tal mapa devia ter estado afixado na Junta de Freguesia, o que não foi feito, violando o art. 11º nº 6 da Lei nº 91/95.

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Rua Mouzinho da Silveira, n.º 10 | 1269-273 Lisboa Telefone: 213 220 020 | Fax: 213 47 4918 http://www.csm.org.pt | [email protected]

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–E deveria ter sido apreciada a conformidade do mesmo com a lei.

Não houve contra-alegações.

* Foi dado como provado que:

1)Encontra-se inscrita em nome do A a aquisição de 7.475/70.600 do prédio descrito na 2ª Conservatória do Registo Predial

2)Em 20/5/2007 reuniu-se a assembleia geral da AUGI do Bairro …, , tendo deliberado a aprovação das contas referentes ao ano de 2006 com o voto contrário do A.

3)O A foi convocado para a assembleia de 20/5/2007 por carta de 2/5/2007, recebendo-a em 7/5/2007, na qual era indicada a ordem de trabalhos da assembleia, entre a qual o seu ponto 2:

“discussão e aprovação das contas referentes ao ano de 2006” mais se referindo que as contas

“estavam disponíveis para consulta na sede provisória da AUGI, Vivenda R, a partir do próximo dia 07/05” conforme consta de fls. 32 dos autos.

4)A convocatória da assembleia geral de 20/5/2007 foi afixada na Junta de Freguesia de em 4/5/2007, não tendo sido enviadas à Junta de Freguesia as contas de 2006 para aí estarem disponíveis para consulta, o que esta certificou ao A em 14/5/2007.

5)Nunca foi aprovada em assembleia a sede provisória da AUGI referida em 3), sendo a morada em causa residência do tesoureiro da comissão de administração.

6)O A esteve presente em algumas reuniões na vivenda R relativas à situação de compropriedade que deu origem à AUGI em causa.

* Cumpre apreciar.

O que o recorrente pretende com a presente apelação é que seja decretada a anulação das deliberações da assembleia geral de 20/5/2007, isto a avaliar pelo teor das suas conclusões e do pedido formulado na petição inicial.

De salientar que a questão relativa ao número de comproprietários presentes na assembleia, é questão que o A não suscitou na petição inicial nem na resposta. Trata-se assim de matéria nova, não colocada à consideração do tribunal recorrido e que, nessa medida, não pode ser agora suscitada em sede de recurso.

Como tem vindo a ser repetidamente afirmado, “os recursos destinam-se a reapreciar e,

eventualmente, modificar decisões e não a proferi-las sobre a matéria nova” - Acórdão do STJ de 12/6/1991, BMJ nº 408, pág. 521.

*

Quanto ao mapa actualizado de pagamento de comparticipações, sobre tal mapa não recaiu qualquer deliberação da assembleia. Ou seja, tal mapa não foi colocado à aprovação da

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assembleia, tendo simplesmente sido entregue uma cópia do mesmo a todos os presentes, tendo merecido “comentários de alguns dos presentes” - ver acta, a fls. 86/87 dos autos.

O que foi deliberado foi que “todos os comproprietários deveriam comunicar qualquer depósito que tenham efectuado e que a comissão verificaria com cada um dos comproprietários a sua situação no sentido de cada um deles regularizar a sua situação ...”. Sublinhe-se que, nesta parte, a

deliberação foi tomada por unanimidade, ou seja, sem voto contrário, nomeadamente do ora A.

Ora, uma vez que o mapa actualizado das comparticipações não foi sujeito a aprovação ou

deliberação da assembleia, não se vislumbra como pode o requerente pretender a anulação de tal deliberação inexistente.

Nos termos do art. 12 nº 7 da Lei nº 91/95 – na redacção da Lei nº 165/99 de 14/9 – as

deliberações da assembleia podem ser impugnadas em tribunal por qualquer interessado que as não tenha aprovado.

Sempre que esteja em causa uma deliberação respeitante a questões que integrem documentação escrita, esta deve ser disponibilizada para consulta, com antecedência em relação à data da

assembleia, nomeadamente na sede da Junta de Freguesia.

No caso dos autos, como se constata da leitura da acta, não foi colocada à aprovação da

assembleia a aprovação dos mapas actualizados – nem o poderia ter sido, já que não constava da ordem de trabalhos – tendo o mesmo sido apenas entregue a cada um dos comproprietários presentes. O que foi aprovado foi um conjunto de questões que não têm a ver com aquele mapa específico, e que integram mais uma metodologia na relação entre a comissão e os condóminos e que, afinal, foi aprovada também pelo ora A.

Diga-se ainda que todas as deliberações constantes da acta foram aprovadas por unanimidade, com excepção das contas, ponto relativamente ao qual o ora recorrente votou contra. Daí que na sentença recorrida tenha sido decretada a anulação dessa mesma deliberação, por incumprimento da já citada disposição da Lei nº 91/95.

Quanto ao mais, nada há que anular, seja porque o A votou favoravelmente as deliberações seja porque não foram tomadas deliberações sobre outros pontos, nomeadamente a apresentação do mapa de comparticipações actualizado.

Conclui-se assim que:

–Só as deliberações da assembleia podem ser impugnadas e alvo de anulação pelo tribunal.

–A mera apresentação e entrega a cada um dos comproprietários de um mapa de comparticipações actualizado, não integra qualquer deliberação.

–Só o interessado que não tenha aprovado a deliberação pode vir impugná-la judicialmente.

*

Termos em que se julga a apelação improcedente, confirmando-se a decisão recorrida.

Custas pelo recorrente.

Lisboa, 21 de Janeiro de 2010

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António Valente

Ilídio Sacarrão Martins Teresa Pais

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Referências

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