TÍTULO: EDUCAÇÃO POPULAR COMO MEIO DE PREVENÇÃO DE ZOONOSES AUTORES: Eulâmpio J. da Silva Neto, Suzana de O. Mangueira, Soraia V. de Freitas, Suellen de L. Mendes, Erickson D. B. de Assis, Erilze N. S. Coelho, Allan F. Dantas, Thiago S. da Costa, Fernando Holanda, Lívia M. L. de Sousa, Claudia C. de S. Pereira, Fábio K. G. Nemoto, Alinne A. de Carvalho, Fernanda V. de A. Santos, Márcia T. F. Pereira, Mabli B. S. de Melo, Lucypaula A. Pinheiro, Luciano M. R. Leite.
e-mail: [email protected]
INSTITUIÇÃO: Universidade Federal da Paraíba ÁREA TEMÁTICA: Educação
OBJETIVO
As baixas condições de saúde em populações com níveis inferiores de educação são notórios. A relação pobreza - doenças está, de certo modo, tão ligada ao aspecto de falta de informação quanto com a própria pobreza em si. Muitas doenças seriam facilmente controladas através de uma melhor compreensão dos modos de transmissão. Levar informação para determinadas comunidades é um dos papeis fundamentais da Universidade, melhorando as condições de vida da população e levando seus estudantes a colocar em prática os ensinamentos teóricos ouvidos em sala de aula, fortalecendo o binômio ensino – aprendizado.
Tendo em vista o acima exposto é objetivo deste trabalho atuar na Comunidade São Rafael no município de João Pessoa/PB, no controle e prevenção de doenças transmissíveis dos animais domésticos ou não domésticos ao homem, Zoonoses, através de informações, contribuindo com o bem estar da comunidade e com a formação acadêmica dos estudantes envolvidos. Este objetivo será desenvolvido através dos objetivos específicos: informar sobre princípios básicos de higiene; melhorar a compreensão dos perigos que os animais domésticos não tratados podem oferecer; acompanhar o processo saúde doença através de visitas domiciliares; fazer um levantamento dos animais domésticos mais comuns nas comunidades e o grau de contato entre estes e seus donos; orientar sobre a importância da vacinação dos animais domésticos; detectar a presença de focos de infecção como insetos, ratos e animais domésticos; atuar na prevenção das doenças transmissíveis; fazer um levantamento dos possíveis casos de Zoonoses; elaborar e distribuir uma cartilha de prevenção das Zoonoses;
promover discussões, debates e ações educativas coletivas, como teatro, na associação comunitária local, na escola.
METODOLOGIA
É de fundamental importância o papel reservado à educação. Neste particular, admiti-se, hoje, sua influência no processo de desenvolvimento, dada sua capacidade modeladora de formas ativas de reintegração cultural da sociedade (Menezes Neto, 1983). Podemos dizer ainda que “a educação popular pode ser, concretamente, um instrumento de desenvolvimento da consciência crítica popular, na medida em que aporta instrumentos para que os agentes populares de transformação sejam capazes de viver, ao longo de sua ação, essa dinâmica do concreto na relação ação-reflexão” .... “Em termos práticos, é possível conceber uma Educação Popular participante como forma de ação transformadora, na medida em que ela cria situações para permanente reflexão-revisão dos dois pólos: realidade existente – ação necessária” (Barreiro, 1980). Como ressalva ainda Barreiro (1980), um programa de Educação Popular tem como fundamento a necessidade e a possibilidade de que o sistema seja transformado pelo povo, para que ele possa plenamente transformar-se em agente de sua próprias história.
As atividades são desenvolvidas por alunos dos cursos de enfermagem, medicina e odontologia. Atividades práticas que tentam se diferenciar da “herança educacional que recebemos de um ensino letrado e livresco tem constituído uma barreira intransponível para todas as tentativas de instrumentalizar o ensino e dar-lhe funcionalidade” (Menezes Neto, 1983). A teoria sem o conhecimento prático das necessidades da sociedade que nos cerca, acaba nos afastando cada vez mais da realidade. Torna o ensino rígido e sem criatividade para as dificuldades encontradas no dia a dia e além de tudo o aprendizado desinteressante. O trabalho do professor é dar experiências ricas aos alunos; em parte o bom ensino é reconhecido pela qualidade das experiências a que os alunos são submetidos. Observar é uma forma de descobrir informação, sendo uma parte do processo de reação significativa ao mundo (Kathu et. al., 1977).
Através do contato com a realidade social das comunidades carentes advém, principalmente para os curso da área de saúde, uma visão crítica do papel do profissional na sociedade. O saber fazer crítico identifica-se, portanto, com a luta para que a escola pública se transforme num poderoso instrumento de progresso intelectual de massa (Libâneo, 1998). E
fazendo com que a educação tenha um papel preponderante na melhoria de vida da população, ou na busca desta por um povo esclarecido. Sendo, portanto, a escola o lugar de ensino e difusão do conhecimento, que é instrumento para o acesso das camadas populares ao saber elaborado (Libâneo, 1998). Este saber tem porém que ser levado de forma adequada para cada público alvo, fazendo com que ele seja simples e compreensível, não desestimulando estas pessoas que procuramos atingir. Para os alunos envolvidos no projeto esta educação integrada com a realidade terá um papel importante na sua formação profissional e pessoal, principalmente num contexto de sociedade e cidadão. Como processo individual, a educação procura estimular o crescimento e o desenvolvimento de indivíduo (Cunningham, 1975).
Foram realizadas visitas locais, uma vez por semana, à comunidade para melhor conhecer e dimensionar a área de atuação. Neste primeiro momento foram visitados 25% dos domicílios, onde foi aplicado um questionário para identificar quais animais domésticos são mais comuns na comunidade; o nível de contato da população com os mesmos; o número de animais domésticos vacinados; quais cuidados tomados com as carnes, leite e demais alimentos; assim como identificar possíveis casos de Zoonoses e qual o nível de informação da população da comunidade sobre as doenças transmissíveis dos animais ao homem.
Várias doenças são transmitidas dos animais ao homem. Inicialmente daremos ênfase a algumas doenças que ocorre com certa freqüência em centros urbanos comuns como Leptospirose, Raiva, Leishmania cutânea e visceral, Teníase, Cisticercose, Larvas migrans cutânea e visceral, Tungiasis e Toxoplasmose (Acha, 1986, Neves, 1998). As transmissões de algumas doenças não citadas poderão ser utilizadas no processo educador, após o contato com a comunidade.
Foram feitas a organização, a tabulação e a análise dos dados, para que posteriormente seja elaborada uma cartilha, dentro do nível cultural da comunidade, sobre as precauções que deverão ser tomadas para prevenir a comunidade das possíveis doenças transmissíveis pelos animais locais. Estas cartilhas são distribuídas, em um segundo momento mais longo, durante as visitas domiciliares juntamente com orientações complementares, onde os alunos conversam com os moradores da comunidade levando conhecimentos, sem deixar de ouvir a população, pois de acordo com Paulo Freire a Educação Popular consiste em falar com e não falar a população. Caso esta crença nos falha, abandonamos a idéia, ou não a temos, do diálogo, da reflexão, da comunicação e caímos nos slogans, nos comunicados, nos depósitos,
no dirigismo. Esta é uma ameaça contida nas inautênticas adesões à causa da libertação dos homens (Freire, 1987).
Serão ainda realizadas ações educativas tais como teatros e palestras de forma que a comunidade possa entender, partindo do seu nível cultural, isto é o que Paulo Freire chama de Basismo. Dentre as fases para alfabetização citadas por Paulo Freire (1980), observamos que três fases são importantes para podermos ter um bom diálogo com os membros da comunidade: a descoberta do universo vocabular, a seleção de palavras dentro deste universo e a criação de situações existenciais típicas do grupo com o qual se trabalha.
RESULTADOS
De acordo com os resultados dos questionários, foi possível dividir a comunidade em vários grupos: analfabetos, fundamental menor incompleto, fundamental menor completo, fundamental maior incompleto, fundamental maior completo, médio incompleto e médio completo. Observamos que o conhecimento das zoonoses, e seus meios de transmissão, está diretamente relacionado com o grau de escolaridade. Porém esta diferença, no tocante ao conhecimento dos diferentes tipos de doenças e seus meios diretos de transmissão animal-homem, foi muito pequena, sendo as doenças mais citadas aquelas com maior divulgação nos meios de comunicação. Já quanto ao aspecto cuidados com alimentos e higiene houve uma diferença significativa com o aumento do nível de escolaridade.
As cartilhas foram idealizadas para o grau de escolaridade observada na comunidade, tendo a imagem, através de desenhos, como sua base, já que a imagem é uma mensagem imediata e com maior facilidade de entendimento. As palestras e peças também tomarão o mesmo rumo, quanto a sua idealização, ou seja, com um linguajar fácil interagindo com a comunidade, através de um teatro participativo.
Os resultados finais deste trabalho não estão disponíveis no momento, visto que ele decorrerá de um período de trabalho e investidas na comunidade alvo, só podendo, portanto, ser avaliado em um período mais longo.
BIBLIOGRAFIA
ACHA, P. N. Zoonosis: y enfermidades transmisibles comunes al hombre e a los animales. 2a. ed. Washington: OEA, 1986. 989p. (Publicacion Científica nº. 503).
CUNNINGHAM, W. F. Introdução à educação. 2a. ed. Porto Alegre: Globo, 1975. 506p. FREIRE, P. Conscientização: Teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento
de Paulo Freire. 3a. ed. São Paulo: Moraes, 1980. 102p.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17a. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. 184p. KATHU, L. E. et al. Ensinar a pensar: Teoria e aplicação. 2a. ed. São Paulo: EPU, 1977.
441p.
LIBÂNEO, J. C. Democratização de escola pública: A pedagogia crítico-social dos conteúdos. 13a. ed. São Paulo: Loyola, 1998. 149p.
MENEZES NETO, P. E. Universidade: ação e reflexão. Fortaleza: UFC, 1983. 234 p. NEVES, D. P. Parasitologia humana. 9a. ed. , São Paulo, Atheneu, 1998