1. Introdução ... 2
2. Atividades desenvolvidas ... 3
2.1 Estágio de Cirurgia Geral ... 3
2.2 Estágio de Medicina Interna ... 3
2.3 Estágio de Saúde Mental ... 4
2.4 Estágio de Medicina Geral e Familiar ... 5
2.5 Estágio de Pediatria ... 5
2.6 Estágio de Ginecologia e Obstetrícia ... 6
3. Reflexão Crítica... 7
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1. Introdução
A formação em Medicina implica um ensinamento progressivo e faseado de gestos e atitudes que dotem o recém graduado de conhecimentos e ferramentas que lhe permitam iniciar a sua prática profissional com confiança e perícia. Requer formação científica sólida, sentido ético e moral, cultura e interesse pelo próximo, sem os quais o recém graduado não poderá apreender e viver o espírito de serviço que deve ser o paradigma da sua profissão (adaptado de O Licenciado Médico em Portugal, 2005, pág.5-6). É com estas bases que o 6º ano do Mestrado Integrado na Nova Medical School|Faculdade de Ciências Médicas (NMS|FCM) se assume com um carácter profissionalizante, para auxiliar à independência da prática clínica de quem o conclui. A sua divisão por estágios parcelares de disciplinas distintas (Medicina Interna, Cirurgia Geral, Psiquiatria, Medicina Geral e Familiar, Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia), e concomitantemente nucleares na Medicina, permitem ao aluno uma revisão e consolidação do que aprendeu nos anos pré-clínicos; uma integração privilegiada em relação a outros cursos em futuro ambiente de trabalho, através de um ensino tutoreado em rácio ideal tutor : aluno de 1:1-2; e uma autonomia crescente no desempenho das suas funções. Adicionalmente, integra o currículo do 6º ano a escolha de Unidades Curriculares Opcionais (UCOs) concebidas com conteúdo específico e adaptado ao ano profissionalizante, das quais escolhi Trauma, com a possibilidade de assistir ao curso de Advanced Trauma Life Support (ATLS, anexo 1) e a Unidade Curricular (UC) de Preparação para a Prática Clínica, que remata conteúdos teóricos fundamentais à rotina dos estágios.
Os estágios parcelares decorreram entre 10.09.2018 e 17.05.2019, com o intuito de alcançar os objetivos gerais de nível 1 listados em Learning Outcomes/Competences for Undergraduate Medical
Education in Europe - The Tunning Project, 2004, adaptados a cada especialidade. Para além destes,
defini no início do ano letivo como prioritários: 1. Consolidar conhecimentos que me permitam uma compreensão e tratamento das principais patologias afetas às especialidades dos estágios, em particular com as quais a formação posterior não me dará tanto contato; 2. Contactar com patologias e técnicas que me permitam uma compreensão abrangente de cada especialidade; 3. Estabelecer uma comunicação eficaz com o doente, olhando a doença, a pessoa e o seu meio como um todo; 4. Complementar a formação académica com formações complementares aos estágios e com atividades extracurriculares cujo interesse convirja com a Medicina. Os objetivos específicos de cada estágio serão mencionados nas atividades desenvolvidas em cada um.
O presente relatório está organizado em três partes - Introdução, com explicitação de objetivos gerais; Atividades Desenvolvidas, com destaque aos elementos representativos nos seis estágios do ano letivo, objetivos específicos e atividades extracurriculares associadas a cada estágio; e Reflexão Crítica, com análise do desempenho neste último ano de estágios e construção do currículo nesta escola médica.
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2. Atividades Desenvolvidas
Cirurgia Geral | Hospital Beatriz Ângelo | Duração: 8 semanas | Orientador: Dr. Paulo Oliveira
Sob a regência do Professor Doutor Rui Maio, o estágio estava dividido em três partes: uma semana de aulas teóricas e teórico-práticas de conteúdo relacionado com a logística hospitalar, a prática simulada de técnicas e o seu complemento teórico, juntamente com a formação TEAM (Trauma Evaluation and Management, anexo 2); uma semana no Serviço de Urgência, abrangendo Serviço de Balcão, Serviço de Observação e Sala de Pequena Cirurgia; duas semanas de uma especialidade escolhida pelo aluno, neste caso Medicina Intensiva, a cargo do Dr. António Messias, e quatro semanas de observação e prática no Bloco Operatório, Consulta Externa e enfermaria. O estágio encerrou com apresentações de casos clínicos no Mini-congresso de Cirurgia. O caso clínico apresentado incidiu sobre um caso de pancreatite crónica e a avaliação da necessidade de abordagem cirúrgica, com respetivo complemento teórico.
Como objetivos específicos estabeleci: 1. praticar técnicas e procedimentos peri-operatórios e de pequena cirurgia; 2. consolidação do conhecimento teórico no tratamento da patologia cirúrgica 3. aplicar e comparar conhecimento adquirido em estágios cirúrgicos extra-curriculares (anexo 3 e 4) e UCOs realizadas em programa de mobilidade (anexo 5).
Observei 19 intervenções no Bloco Operatório Central e Ambulatório, 5 das quais assisti como 2º ajudante. Foram sobretudo hernioplastias inguinais, hemicolectomias por envolvimento neoplásico e colocações de CVCTI (Cateter Venoso Central Totalmente Implantável) para início de quimioterapia. Assisti a 26 consultas externas, cujo principal motivo de consulta foram tumefação com dor inguinal e colecistite (anexo 6). Na enfermaria, acompanhei as reuniões de serviço e visitas ao internamento dos doentes no pós-operatório, realizando anamnese e exame objetivo sumário. Durante o estágio de Medicina Intensiva, foi dada a possibilidade de realizar tarefas diárias na unidade, algumas que até à data não tinham sido praticadas. Destaco a colheita de sangue para gasimetria a partir de acesso arterial, observação de intubação e extubação de doentes com necessidade de ventilação invasiva, realização de massagem cardíaca em doente em paragem cardíaca com ritmo não desfibrilhável (renovação da formação SBV-DAE em 2017, anexo 7), observação do procedimento para traqueostomia e observação de provas de morte cerebral.
Medicina Interna| CHLC - Hospital de S. José |Duração: 8 semanas |Orientadora: Dra. Filipa Quaresma Sob a regência do Professor Doutor Fernando Nolasco, integrei o serviço de Medicina Interna 1.2, tendo o estágio sido realizado na enfermaria, no Serviço de Urgência, na Consulta Externa e nas formações complementares teórico-práticas da UC. Como objetivos para este estágio delineei: 1.
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integrar conhecimentos de valências imagiológicas, laboratoriais e farmacológicas na abordagem ao doente; 2. desenvolver capacidade de exposição de situações clínicas complexas, bem como de justificação de opções terapêuticas; e 3. melhorar a transmissão de informação médica ao doente e familiares, sobretudo em doentes em fim de vida. O estágio seguiu uma rotina formativa e integrativa, que consistia na observação e discussão de 1 a 3 doentes por manhã, com registo do respetivo diário clínico e ocasionalmente a redação de histórias clínicas (num total de 4) e de notas de admissão e alta (num total de 6). Observei com autonomia um total de 20 doentes cujas patologias mais frequentes foram o acidente vascular cerebral (AVC) isquémico e a Insuficiência Respiratória Aguda. Em contexto de urgência dentro do período de estágio, observei um total de 45 doentes, com um vasto conjunto de sintomas, liderando a dispenia e a toracalgia, cujo diagnóstico principal se traduziu em infeções respiratórias virais e bacterianas, correspondentes à altura do ano em que o estágio decorreu (anexo 8). Sendo o Serviço de Urgência um local de grande rotação de doentes e integração rápida de conhecimentos, prolonguei a permanência por mais 11 ocasiões durante o ano letivo sob orientação da Dra. Filipa Quaresma, observando um total de 27 doentes, com queixas predominantes de prostração, dispneia e síncope. Na Consulta Externa assisti a 21 consultas, cujo motivo da consulta foi maioritariamente o seguimento de doentes com patologia cardíaca múltipla como hipertensão arterial com insuficiência cardíaca, cardiopatia isquémica e/ou valvular, sendo o seguimento traduzido pelo ajuste de medicação com poucas intercorrências de novo. Assisti ainda a sessões clínicas do serviço e apresentei o tema "Derrame pleural". Dentro das temáticas passíveis de serem exploradas neste estágio, assisti ao workshop "Distúrbios ácido-base", às Jornadas de Cardiologia "Cardiologia 2018 para o Clínico Prático" e à reunião temática "VIH e doença de órgão - patologia metabólica" (anexos 9, 10 e 11).
Saúde Mental| CHPL | Duração: 4 semanas| Orientadores: Dra. Teresa Filipe, Dr. António Bento Sob a regência do Prof. Doutor Miguel Talina, integrei o serviço de patologia aguda da Clínica 3 - Pavilhão 24 do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL); e o Serviço de Urgência no Hospital de S. José. Sendo uma área com a qual não tive um contacto aprofundado durante a formação clínica, este estágio adquiriu um carácter mais observacional e exigiu maior consolidação teórica no que concerne diagnóstico e tratamento. Como objetivos específicos, saliento: 1. identificar sinais e sintomas de perturbação psiquiátrica e diferenciá-la do funcionamento psicológico normal das populações de risco; 2. observar na entrevista psiquiátrica a colheita e registo do Exame do Estado Mental; 3. selecionar o tratamento e abordagem adequada em casos agudos. Na enfermaria observei um total de 8 doentes, cuja patologia mais observada foi a esquizofrenia paranóide. No Serviço de Urgência predominaram as agudizações de patologias crónicas como síndrome depressivo major, surtos psicóticos em contexto de perturbações da personalidade e agudizações de ansiedade generalizada. Na Consulta Externa, foram
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observadas maioritariamente doentes do sexo feminino com perturbações de ansiedade generalizada e síndrome depressivo. Assisti ainda às sessões clínicas gerais do hospital e acompanhei o Dr. António Bento nas sessões do Grupo Psicoterapêutico Aberto do CHPL e a sua equipa de medicina de rua no apoio a pessoas em situação de sem-abrigo em Lisboa, um complemento importante na minha formação pessoal como voluntária da Associação VOXLisboa, que presta cuidados médicos à mesma população (anexo 12).
Medicina Geral e Familiar| USF Vale do Sorraia| Duração: 4 semanas| Orientador: Dra. Sofia Norte Sob regência da Professora Doutora Isabel Santos, optei realizar este estágio em meio rural, pela importância dos cuidados de saúde primários e do seguimento mais próximo e integrado da patologia crónica nas populações com menos acesso geográfico à oferta de cuidados. Defini como objetivos específicos: 1. praticar e desenvolver capacidade de diferenciar e tratar patologias crónicas nos seus diversos estadios; 2. inteirar-me da coordenação peri e intra-consulta necessária para o funcionamento dos cuidados de saúde primários em meio com acesso a menos recursos e que serve uma população tendencialmente menos diferenciada; 3. integrar a abordagem do doente com base na evidência e no seu custo-benefício. Observei várias tipologias de consulta (Saúde de Adultos, Saúde Materna, Saúde Infantil e Planeamento Familiar), imperando a consulta de adultos por seguimento de Diabetes Mellitus, Hipertensão Arterial, Dislipidémia, Depressão e patologia osteoarticular. A diversidade da Consulta permitiu observar patologias com diferentes estadios de evolução e em diferentes faixas etárias, elucidando a versatilidade do papel global do médico de família.
Esta Unidade de Saúde Familiar (USF) presta também Serviço de Atendimento Permanente, onde observei semanalmente cerca de 10 doentes, cujo principal motivo de vinda ao serviço era por patologia respiratória como tosse ou dispneia. Sendo uma unidade de saúde com proximidade à população que abrange, tive oportunidade de participar no programa de rádio local "Minuto Saúde", esclarecendo de forma generalizada afeções comuns como frieiras, perda de audição, auto-exame mamário e dislipidémia.
Pediatria| Hospital D. Estefânia| Duração: 4 semanas| Orientadora: Dra. Catarina Gouveia
Sob regência do Professor Doutor Luís Varandas, realizei o estágio de Pediatria no serviço de Infecciologia, na Consulta Externa e no Serviço de Urgência. Estabeleci como objetivos específicos: 1. a colheita da anamnese e exame objetivo da criança em várias fases de desenvolvimento, sabendo identificar sinais de gravidade; 2. contactar com patologias prevalentes pediátricas e respetivo tratamento; 3. aprofundar conhecimentos na gestão da terapêutica antibiótica. Num internamento com um componente epidemiológico importante devido aos protocolos de evacuação de PALOP, observei
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com supervisão 11 doentes, entre os 2 meses e os 17 anos de idade, cujos diagnósticos principais observados foram gastroenterite aguda e tuberculose pulmonar (anexo 13), com respetivo registo de diários clínicos, notas de admissão e alta. Na Consulta Externa, assisti a consultas de Infecciologia, Orto-infecciologia e do Viajante, num total de 24 (anexo 13), onde pude realizar exame objetivo e conduzir algumas consultas. Saliento o workshop de urgências pediátricas através de simulação avançada. Assisti ainda a formações do serviço, das quais destaco as apresentações sobre Plano Nacional de Vacinação, casos clínicos de exantemas, gestão hospitalar de infeções nosocomiais e antibioterapia na urgência, que considerei de alta importância no acompanhamento do trabalho na enfermaria e em contexto de urgência e me motivou a rever conteúdos através do curso online "Antimicrobial Stewardship: A competency-based approach", da Organização Mundial de Saúde (anexo 14). No final do estágio apresentei em grupo o trabalho "Complicações da varicela", com base num doente observado na enfermaria.
Ginecologia e Obstetrícia| H. CUF Descobertas| Duração: 4 semanas| Orientadora: Dra. Sílvia Roque Sob regência da Professora Doutora Teresinha Simões, o estágio decorreu num formato plurivalente com acesso a várias tipologias da Consulta Externa, ao Bloco Operatório Central e de Partos, ao Serviço de Urgência e aos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (MCDTs). Como objetivos específicos saliento: 1. consolidar conhecimento teórico sobre a progressão e vigilância da mulher grávida; 2. contactar com o diagnóstico diferencial e tratamento das patologias ginecológicas e obstétricas mais prevalentes; 3. praticar o exame objetivo ginecológico e obstétrico, em particular a observação ao espéculo, o toque vaginal e a palpação mamária.
A passagem pela Consulta Externa deste estágio teve um carácter mais observacional. Assisti a um total de 33 consultas, distribuídas entre a Consulta de Gravidez de Alto Risco - onde predominou o seguimento por Diabetes Mellitus gestacional, hemorragia no 1º trimestre e incompatibilidade Rh (anexo 15); a Consulta de Obstetrícia - para vigilância da gestação por análises, cardiotocografia e ecografia; e Consulta Ginecologia Geral - sobretudo para vigilância através dos rastreios ginecológicos e mamários. Já no Serviço de Urgência e Bloco de Partos, a acontecer em simultâneo, em turnos de 12h semanais, observei 15 consultas e conduzi algumas de forma autónoma. O motivo predominante de vinda ao SU foram perdas hemáticas durante a gravidez (anexo 15). Participei também em 18 partos por cesariana como 2ª e por vezes 1ª ajudante, e observei 6 partos eutócicos. No Bloco Operatório, assisti sobretudo a ressetoscopias de pólipos endometriais e histerectomias por endometriose e prolapso uterino. Nas consultas de MCDTs, observei histeroscopias e ecografias ginecológicas e obstétricas (num total de 24 consultas). Nas sessões formativas do serviço, apresentei o artigo "A eficácia da acupuntura padronizada na abordagem à mulher na menopausa com sintomas moderados".
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3. Reflexão crítica
Terminada a fase final da formação pré-graduada, analiso os objetivos gerais em conformidade com o The Tunning Project, os objetivos direcionados a cada UC e os objetivos específicos a que me propus no início de cada estágio. Relativamente aos primeiros dois, defenso que foram na sua maioria cumpridos, graças ao rácio tutor-aluno, à duração dos estágios e às valências hospitalares organizadas por cada regente. Constato que, em comparação com os outros anos clínicos, houve um aumento significativo da autonomia, uma crescente responsabilidade e aproximação aos serviços, aos tutores e aos doentes. Pessoalmente, enquanto que nos primeiros anos clínicos o foco foi direcionado para fortificar a colheita de uma anamnese e exame objetivo rigorosos, com exercício regular do diagnóstico diferencial, este último ano teve um foco mais direcionado para as opções terapêuticas, a interpretação de exames, o seguimento e a comunicação. Apesar de considerar que ainda sinto alguma limitação na terapêutica e que a crescente prática este ano aumentou o (des)conhecimento da abordagem a patologias com que me fui confrontando - o que traduz a constante necessidade de atualização e aprendizagem desta profissão - penso que o avanço ao longo deste ano letivo foi significativo.
Transversalmente, saliento como positivo o facto de todos os estágios terem uma componente de Serviço de Urgência com vista à consolidação do diagnóstico e tratamento de condições agudas e de ganhar a sensibilidade de distinguir a gravidade de sinais e sintomas que de início se podem apresentar como generalistas ou inócuos; e o incremento da responsabilidade no hospital ser acompanhado pela supervisão constante do trabalho desenvolvido nos estágios que se assumem como rampa de lançamento para a autonomia de um médico. Destaco também um aspeto dos estágios profissionalizantes que adveio de um papel mais interventivo nos serviços - a importância do trabalho em equipa. O médico não trabalha sozinho, é um dos elementos fundamentais da organização complexa que é a Saúde, a roda dentada de uma máquina elaborada e de muitas peças. É vital saber não só como ele gira, mas também que impacto é que cria nas peças à sua volta. E isso traduz-se em perceber melhor por que políticas se rege um médico, como comunicar e coordenar uma equipa, como gerir o tempo e os recursos e solucionar problemas. Esse exercício não se obtém apenas com trabalhos de grupo, daí a necessidade que senti em desenvolver tarefas nos cargos que desempenhei no associativismo estudantil (anexo 16 e 17), que trouxeram uma grande mais valia nesse campo. A isso aliado, perceber e rever conhecimentos de especialidades exploradas nos anos pré-clínicos ditas de "bastidores" e que tão interligadas estão com as especialidades-mãe que estagiei também foi uma preparação para este ano que quis desenvolver (anexo 18) e se revelou útil.
A melhorar, saliento a difícil tarefa de construir estágios que mantenham o balanço de consolidar e desenvolver competências de formação geral neste mundo da Saúde que cada vez mais mede a sua
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qualidade pela diferenciação de centros e singularidade dos especialistas (anexo 19). Foi um desafio que senti que alguns momentos dos estágios não abraçaram, frequentemente por constrangimentos logísticos, incidindo por exemplo sobre procedimentos cirúrgicos altamente diferenciados observacionais e repetitivos ou sobre dias alocados à observação de técnicas sem possibilidade de as praticar, que, apesar do interesse pessoal, não traduzem uma melhoria na formação. Esses momentos poderiam ser transformados em mais tempo de contacto com o doente na enfermaria ou no treino em simulação, que cria um espaço para a análise guiada do erro em ambiente controlado, diminui a variabilidade de oportunidades intra-estágio que tantas vezes se verifica e dá oportunidade para a repetição - condição pela qual a técnica é dominada - evitando que o doente seja o primeiro contacto. Embora estivesse previsto que a simulação ocuparia um espaço específico nalguns dos estágios a realizar, não teve muitas vezes um tempo para ser convenientemente explorada. E, em segundo tempo, ser praticada em meio hospitalar.
A maior autonomia e responsabilidade trouxe também à evidência alguma incapacidade em saber o funcionamento de procedimentos que se instrui à equipa de enfermagem. Apesar de não fazer parte da prática individual de um médico, seria interessante compreender como se executam determinados procedimentos como administrar um soro, colocar um acesso periférico, algaliar ou posicionar um doente, ministrados por exemplo em formação obrigatória no início dos anos clínicos para diminuir a variabilidade de oportunidades em contexto de estágio, com vista a melhorar a relação sinérgica médico-enfermeiro-doente. Essa foi uma das comparações possíveis de traçar com estágios feitos em contexto internacional. Com a frequência de programas de mobilidade na Alemanha (Medizinische Hochschule Hannover) e no México (Universidad Autónoma de Chiapas), tive a oportunidade de conhecer outros sistemas de saúde e pude compará-los com o nosso. Compreendi, por exemplo, o que a abundância ou a falta de recursos, nos países respetivos, podem trazer de vantajoso à formação do médico.
Na especificidade, o estágio de Cirurgia Geral teve uma boa introdução teórica dirigida à prática hospitalar e um estágio de opcional muito diversificado. Ficou contudo um pouco aquém das expectativas na prática de técnicas e num papel mais interventivo na enfermaria, em parte por constrições logísticas no acesso ao bloco operatório e de tempo no horário do orientador.
O estágio de Medicina Interna foi onde senti um maior desenvolvimento do meu raciocínio clínico e da comunicação com os doentes e com profissionais na enfermaria. O acompanhamento diário e supervisionado dos doentes, o estímulo à consolidação de conhecimentos e a exigência na formação foram essenciais neste percurso e trilharam o modelo para a comunicação médico-doente e ética de trabalho.
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No que concerne a Pediatria e a Saúde Mental, foram estágios mais observacionais e de revisão de conteúdos, estimulados pela especificidade dos serviços onde decorreram. As formações ligadas à Infecciologia foram um importante complemento ao estágio, e a oportunidade de consolidar conhecimentos e tratamentos psiquiátricos junto de uma população de risco que acompanho com frequência contribuíram para uma melhor ação na medicina de rua que pratico. De menos positivo nestes estágios destaco não haver rotação entre outros serviços, o que limita o contacto com outras patologias e não existir pelo menos um dia em cada um dos estágios destinado à pedopsiquiatria.
Medicina Geral e Familiar teve para mim um componente importante na necessidade de educação da população para a saúde e na perceção de que por vezes a resposta ao tratamento não está na prescrição ou na comunicação com o médico, mas sim nas circunstâncias em que o doente está inserido, e que, nos grupos populacionais que necessitam de tutela, essa resposta é extremamente inconstante. Saliento também o método de avaliação, mais direcionado ao raciocínio clínico, como uma boa ferramenta a considerar implementar na avaliação parcelar dos outros estágios.
Quanto a Ginecologia e Obstetrícia, apesar do viés de tratamentos e patologias inerente ao local do estágio, teve uma grande abrangência nas valências a que foi possível assistir, mais focadas na prevenção e no seguimento, ficando a faltar alguma autonomia nas consultas e valências de enfermaria.
Destaco a UCO de Trauma, sob a regência do Professor Doutor Francisco d'Oliveira Martins, que primou pelo contacto com especialidades que os estágios durante o curso não abrangeram, pela oportunidade de conhecer o trauma na sua abordagem pré- e intra-hospitalar e pela diversidade de situações práticas que deu a conhecer em complemento teórico.
Muitos são aqueles que ao longo do curso ajudam a edificar um currículo que não é transponível para papel, um currículo escondido, construído por ensinamentos, práticas e atitudes de orientadores de estágio, médicos das equipas que integramos, professores dos anos pré-clínicos, colegas, amigos e família, que nos formam como melhores médicos e melhores seres humanos, e a quem endereço o meu mais profundo agradecimento. Encerro este período com a convicção de que reúno as ferramentas necessárias à construção do meu percurso futuro e que toda a aprendizagem que me foi proporcionada me permitiu associar uma sólida componente técnica à compreensão da componente mais volátil desta ciência - a humana.
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4. Anexos
Lista de Anexos
Anexo
1:
Observação do curso de ATLS: Advanced Trauma Life SupportAnexo
2:
Participação do curso de TEAM: Trauma Evaluation and ManagementAnexo
3:
Estágio extracurricular IFMSA Traumatologia, GréciaAnexo
4:
Estágio extracurricular IFMSA Cirurgia Geral, MéxicoAnexo
5:
Unidades Curriculares Opcionais extra-créditos realizadas em mobilidade: Gestão de feridas e Introdução à LaparoscopiaAnexo
6:
Procedimentos observados no estágio de Cirurgia GeralAnexo
7:
Participação no curso de SBV:DAE: Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática ExternaAnexo
8:
Procedimentos observados no estágio de Medicina InternaAnexo
9:
Participação no workshop "Distúrbios Ácido Base", promovido pela AEFCMAnexo
10:
Participação nas Jornadas de Cardiologia "Cardiologia 2018 para o Clínico Prático"Anexo
11:
Participação na Reunião temática "VIH e doença de órgão alvo: patologia metabólica"Anexo
12:
Participação em regime de voluntariado contínuo na VOXLisboa, acompanhamento médico de pessoas em situação de sem-abrigoAnexo
13
:
Procedimentos observados no estágio de PediatriaAnexo
14:
Participação no curso online "Antimicrobial Stewardship: A competency-based approach", promovido pela Organização Mundial de SaúdeAnexo
15
:
Procedimentos observados no estágio de Ginecologia e ObstetríciaAnexo
16
:
Cargo de Coordenador de Imagem da Associação de Estudantes da NMS|FCM (AEFCM)Anexo
17:
Cargo de Vice-Presidente da Federação Académica de Lisboa, pelouro da Responsabilidade SocialAnexo
18:
Formação extracurricular em Patologia Clínica, Microbiologia, Anatomia Patológica e Imagiologia nos Laboratórios Joaquim Chaves11
12
13
14
15
Anexo
5:
Unidades Curriculares Opcionais extra-créditos realizadas em mobilidade: Gestão de feridas e Introdução à Laparoscopia16
Anexo
6:
Procedimentos observados no estágio de Cirurgia GeralProcedimentos cirúrgicos observados em estágio (HBA, de 10.09 a 02.11.2018)
17
Anexo
7:
Participação no curso de SBV:DAE: Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa18
Anexo
8:
Procedimentos observados no estágio de Medicina InternaDiagnóstico principal em doentes observados no internamento (HSJ, de 05.11.2018 a 11.01.2019)
19
20
21
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Anexo
12:
Participação em regime de voluntariado contínuo na VOXLisboa, acompanhamento médico de pessoas em situação de sem-abrigo23
Anexo
13
:
Procedimentos observados no estágio de PediatriaDiagnóstico principal em doentes observados no internamento (HDE, de 18.03 a 12.04.2019)
24
Anexo
14:
Participação no curso online "Antimicrobial Stewardship: A competency-based approach", promovido pela Organização Mundial de Saúde25
Anexo
15
:
Procedimentos observados no estágio de Ginecologia e ObstetríciaMotivo de seguimento em Consulta de Gravidez de Alto Risco (Hospital CUF Descobertas, de 22.04 a 17.05.2019)
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Anexo
17:
Cargo de Vice-Presidente da Federação Académica de Lisboa, pelouro do Empreendedorismo e Responsabilidade Social28
Anexo
18:
Formação extracurricular em Patologia Clínica, Microbiologia, Anatomia Patológica e Imagiologia nos Laboratórios Joaquim Chaves29