R ev is t a d a S o c ie d a d e B ra s ile ira d e M e d i c in a T ro p ica l 2 9 ( 3 ) : 2 9 3 , m a i - j u n , 1 9 9 6 .
CA RTA A O ED ITO R
EM D EFESA D O TRIPA N O SSO M A
Sr. Editor:
C o m o to d o e d u c a d o r d ig n o d e s ta q u alific aç ão , o Pro f. Jo ffre d e Rez end e* d em o nstra saber que a língua é uma das mais im p o rtantes características d a id entid ad e cultural d e um p o v o e, co m o tal, d ev e ser resp eitad a e preservad a. Entretanto , resp eito e p reserv ação só p o d em ser exercid o s quand o existe um m ínim o de co nsenso entre aqueles resp o nsáv eis p ela regulam entação d o idioma: o s lingüistas. E isto não tem sid o o caso em relação a um grand e núm ero d e palavras de no ssa língua, inclusive o v o cábulo referente ao s p ro to zo ário s d o g ênero T ry p a no s o m a.
Q ual a grafia e a fo nética corretas: tripanosoma, trip ano sso m a, trip ano so m o o u tripano sso m o ?
O term o p ro v ém da ju nção d e t ry p a n o n
(grego : v errum a) co m s o m a (grego : co rp o ).
A ssim, as fo rm as t rip a n o s o m o e t rip a no s s o m o
são inaceitáv eis p o r co rro m p erem a raiz s o m a,
na tentativa inútil e d esastrad a de m asculinizar
um a palavra que já é m asculina. É o so ma, m esm o em po rtuguês, tanto co m o v o cábulo (p .e . co m o o p o siç ão à p siq u e ), c o m o na c o n d iç ão d e raiz (p .e . o c ro m o sso m a, o
liso sso m a, o ribo sso m a). O v o cábulo s o m a
fem inino é co isa to talm ente d iferente: pro vém d o latim s u m m a e tem a acep ção d e ad ição .
Tam bém , a fo rm a t rip a n o s o m a agrid e a raiz
grega já que, em p o rtuguês, o 5 entre vo gais tem o so m d e z . E p o r isso que não existem
d o enças p iso co so m áticas mas p sico sso m áticas. Po r o utro lad o , a grafia t rip a n o s s o m a é a única
que p reserva a fo nética co rreta e d ev eria ser o único term o aceitável.
O o bjetiv o d esta não é o d e alim entar p o lêm icas, nem p ro p o r o eng essam ento de um a estrutura viva co m o é a língua, mas sim alcançar um m ínim o de unifo rm id ad e, calcad a no bo m senso . Esta co nd ição é necessária para o exercício da função d o ed ito r d e revistas científicas que p retend em alcançar pad rão cad a vez m elho r de qualid ad e.
C arlo s E d u a rd o To sta
N úcleo de M ed icina Tro p ical e N utrição Universidad e de Brasília
Brasília, DF
* v er R ev S oc Bras M ed T ro p 2 8 ( 4 ) :4 1 9 - 4 2 1 ,1 9 9 5 . R eceb id o p ara p u b licação em 1 3 / 0 9 / 9 5 .