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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.28 número3

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Academic year: 2018

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gev ista da So ciedade Brasileira de M edicina Tropical 28(3 )- 2 8 5 - 2 8 6 , jul- set, 1995.

CO M UN ICA ÇÃ O

N O V O CA SO D E D IRO FILA RIO SE PULM O N A R HUM A N A A D Q UIRID A N O BRA SIL

V aldir Sabbaga A m ato, V icente A m ato N eto, D avid Everson Uip e M arcos Boulos

A diro filariose pulm o nar humana, zo o no se d escrita p ela p rim eira v ez em 1961, é usualm ente o casio nad a p ela D iro filaria

immitis, nem ató id e que se alo ja no co ração direito d e cães, infectand o o ho m em através da p icad a de m o squito s dos genêro s C ulex, A edes o u A no pheleí? 4. É d o ença incomum, autolimitada e, quand o p resente, tem co m o co no tação principal o d iagnó stico diferencial que suscita.

Essa mo d alid ad e d e verm ino se, algümas v ezes assinto m ática, p o d e m o tiv ar d o r to rácica, to sse, hem o p tise, dor na garganta, sibilo, calafrio, febre, dispnéia d ep end ente de esfo rço , fadiga, sínco p e e em agrecim ento 1. Na inv estig ação , p ro cesso s rev elad o res p o r im agem mostram aco m etim ento s constituíd os p o r nó d ulo s único s ou em p equeno número, co nfund ív eis, p o r exem p lo , co m câncer m etastático , ham arto m as, cisto s e d ano s co lagenó tico s. Q uanto às pro vas so ro ló gicas, até o m o m ento não há suficiente pad ro nização para permitir uso relacio nad o co m pacientes, send o o d iagnó stico definitivo o btid o p elo exam e anato m o p ato ló g ico d e tecid o pulm o nar, g eralm ente p o r m eio de to raco to m ia4.

A m aio r quantid ad e d e ev ento s co ncernentes à enferm id ad e em questão foi ev id enciad a no s Estad os Unidos da A mérica d o Norte. Q uanto ao Brasil, estão p ublicad o s até o m o m ento , dois caso s autó cto nes15 e no ve outros enco ntram -se no tificad o s em anais d e co ngresso 2.

D escrição do caso

No início d o m ês d e ago sto , em 1994, fo m o s p ro curad o s p o r M .M .S., d o sexo

Instituto Paulista d e D oen ças Infeccio sas e Parasitárias, São Paulo, SP.

Endereço para correspondência-,Dr. V aldir Sabbaga A m ato. Instituto Paulista d e D oen ças Infeccio sas e Parasitárias. A lam eda G abriel M onteiro da Silva 4 2 9 , 0 1 4 4 2 - 0 0 0 São Paulo, SP

R eceb id o p ara p ub licação em 1 9 / 1 0 / 9 4 .

fem inino co m 60 ano s d e id ad e, branca, casad a, e brasileira, tend o prend as d omésticas co m o o cup ação . Resid ia na cid ad e d e São Paulo (SP) e referiu viagens freqüentes à cid ad e de Ubatuba, situada no lito ral d o citad o Estad o d e São Paulo, o nd e po ssuía vários cães. Ela d esejava o rientação terap êutica po is, ap ó s to raco to m ia co m bió p sia pulm o nar efetuad a 13 dias antes, ho uve co nstatação da existência d e d irofilario se, no Hospital Israelita “A lbert Einstein” (São Paulo, SP), d e aco rd o co m exam e anato m o p ato ló g ico cuja d escrição transcrev em o s a seguir, à m acro sco p ia, p resença de nó d ulo pulm o nar co nstituíd o de tecid o avermelhad o , elástico e m ed ind o 2,0 x l,7cm ; à m icro sco pia, pulm ão exibind o área d e necro se co ntend o resto s calcificad o s d e um nem ató id e id entificad o co m o D iro filaria

immitis, v end o -se ao red o r infiltrad o inflamatório co m p o sto p o r células epitelió id es, eo sinó filo s, linfó cito s e células gigantes de Langhans.

A to raco to m ia o co rreu em virtud e d o enco ntro d e nó d ulo só lid o lo calizad o em to po grafia apical no lo bo pulm o nar sup erio r à esquerd a (Figura 1). Não havia qualquer sinto m ato lo gia e o s exam es rad io ló gico e to m o g ráfic o co m p utad o rizad o d o tó rax tiveram lugar para co ntro le d e dirofilario se anterior, p o rqu e em no v em bro d e 1992 ad o eceu, suced end o to sse sem exp ecto ração co m o m anifestação . Então , av aliaçõ es p o r Raio x e tomografia evid enciaram duas lesõ es nodulares no segm ento basal p o sterio r do lo bo inferio r direito, em situação periférica, m ed ind o a m aio r ap ro xim ad am ente 2,0cm em seu máximo d iâmetro transverso (Figura 2); efetuad a to raco to m ia para d iagnó stico , ao exam e anato m o p ato ló gico ( “Locus - A nato mia Pato ló g ica e C ito lo g ia” , São Paulo , SP) co m p ro v o u-se: à m acro sco p ia, fragm ento s nodulares d e tecid o , m ed ind o 1,7 e l,lc m nas maio res d im ensõ es, tend o a sup erfície externa d e asp ecto lev em ente esp o njo so e co r acastanhad a; à m icro sco p ia, fragm ento s p u lm o n ares c o m p re se n ç a d e p arasitas

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C o m unicação . A mato VS, A mato Neto V, Uip DE, Bo ulo s M . Novo caso de diro filario se p ulm o nar hum ana adquirida no Brasil. Revista da So ciedade Brasileira de M edicina Tropical 28:2 8 5 - 2 8 6 , jul- set, 1995.

n e c ró tic o s in tra v a sc u la re s, tro m b o se s v a s c u la re s , f o c o s d e n e c ro s e c o m re a ç ã o in flam ató ria c rô n ic a e su p u raç ão (d iro filario se).

F ig u ra 1 - T o m o grafia co m p ut a d o riz a d a d e t ó rax. O bserv a- s e p e q u e n o nó dulo só lido lo caliz ado em to po grafia ap ical do lobo p u lm o n a r s up erio r a esq uerd a des t it uído d e o ut m s co m em o ra t iv o s d e na t ure z a pat o ló gica.

Fig u ra 2 . T o m o grafia co m p ut a d o riz a d a do t ó rax. P re s ença d e duas lesõ es no dulares no segm ent o basal po st erio r do lo bo inferio r direito , em s it uação periférica, a m aio r delas m edindo ap ro x im adam ent e 2 , 0 cm em s eu m aio r diâm et ro transv erso .

Em face ao que co nstatam o s na literatura m éd ica, d ecid im o s não instituir qualquer tratam ento . O p tam o s p o r o b serv ação e valorizamos o caráter benigno da enfermidade, agindo d e maneira igual à ad otad a quand o reco nhecem o s e d iv ulgam o s o utro ad o ecim ento semelhante'.

A d irofilario se teve co nfirm ação irrefutável em 1992 e 1994. Na segund a o co rrência o cirurgião que ind ico u a to raco to m ia não v alo rizo u o que aco nteceu p rev iam ente. Contudo, a o btenção d e no v o d iagnó stico , id êntico , cria situação para a qual não enco ntram o s cabal exp licação . Talvez durante estes dois ano s tenha passad o d esap ercebid o um nó d ulo o u a lesão , em ev o lução . Por outro lado, admitir que se deu mais uma infecção na mesma p esso a é, quiçá, p o uco prud ente, se lembrad a a extrema raridade do enco ntro d e dirofilario se humana, p elo m eno s d iante do que se co nhece no momento.

REFERÊN CIA S BIBLIO G RÁ FICA S

1. A m ato N eto Y A ma to VS, M oraes Júnior ACP, C erri GG. D irofilariose pulm onar hum ana, adquirida no Brasil: co m u n icação de um caso . Revista do Instituto de M edicina T ropical 3 5 :4 5 7 4 6 0 ,1 9 9 3 -2. Barbas Filho, JY Barbas CSV, T ucci M R, Jatene F,

M ilanez JR , Curi N . H um an p ulm on ary dirofilariosis: study o f nine cases. A m erican Review Respiratory D iseases 1 4 5 .A 5 5 0 ,1992.

3. D ashiell G P A case o f dirofilariasis involving the lung. T he A m erican Journal o f T ropical M edicine and H ygiene 1 0 :3 7 - 3 8 ,1 9 6 1 .

4. Law rence T, G lickman VM D, G rieve RB, Schntz PM . Serologic diagnosis o f zo o n o tic pulm onary dirifilariosis. T he A m erican Journal o f M edicine 8 0 :1 6 1 - 1 6 4 ,1 9 8 6 .

5. Saad JR, Ethel Filho J, Próspero JD , D organ N eto V,

A guiar N eto, JR. D irofilariose pulm onar - relato de vim caso. Jornal de Pneum ologia 1 7 .9 0 - 9 3 ,1 9 9 1 .

Imagem

Fig u ra   2 .  T o m o grafia  co m p ut a d o riz a d a   do   t ó rax.

Referências

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