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O que será tratado nesta aula

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Academic year: 2022

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O que será tratado

nesta aula

Esta aula tratará dos dois primeiros itens da súmula psicopatológica: aparência e atitude. Lançaremos um olhar simbólico para elas, a partir da divisão do corpo humano em quatro partes:

cabeça, tronco, braço e membros.

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Atitude e aparência

A parência e atitude comunicam muito.

Não comunicam tudo, mas dão indícios do que se passa dentro de uma pessoa.

No inventário médico, escreve-se uma

súmula psicopatológica numerando de 1 a 18 itens. Nas faculdades, não é ensinada a ordem interna da súmula (corpo, espelho e elemento integrador), mas sim uma ordem qualquer e aleatória. Em geral, ordem

alfabética.

No entanto, existem dois itens da súmula que deveriam ser os primeiros, porque

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dizem respeito ao corpo: atitude e

aparência. O curioso é que se consultarmos os principais autores de psicopatologia,

veremos que dão pouca importância para esses dois elementos. Ora, são itens muito ricos, pois são a primeira instalação do

homem.

Nos livros de Psicopatologia, há somente descrições. Por exemplo: no que concerne à atitude, o cliente entra no consultório e não quer falar com o terapeuta: “atitude não cooperativa”. Ou, então, ele entra no

consultório e o desafia: “atitude desafiadora ou opositora”. No final das contas, o

terapeuta decora um monte de adjetivos.

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Um olhar sim- bólico sobre

aparência e atitude

A qui, vamos explorar a simbólica da aparência e da atitude, e lhes dar o olhar simbólico que o terapeuta tem de ter diante da vida.

Quando um objeto material aparece à nossa frente, ele comunica uma coisa que é um verbo. Um giz e um lápis, por

exemplo, são feitos de materiais diferentes;

no entanto, quando os dois aparecem na realidade, ambos evocam o mesmo verbo, que é escrever.

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O mundo material, do corpo, é uma presença de verbos e de ações. Esses

verbos se conectam em uma história. Por isso, quando estamos diante de uma pessoa

que é matéria, precisamos entender de

que presença é a pessoa, que verbo ela evoca. A atitude

e aparência da pessoa já

devem evocar a presença de coisas para nós, cabendo-

nos guardar isso para poder trabalhar em sequência.

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H á um campo da filosofia que estuda a simbólica dos números. Um é unidade, dois é divisão e por aí vai. O número quatro evoca totalidade material, como nos pontos de referência espacial (norte, sul, leste,

oeste).

Do mesmo modo, as qualidades dos entes materiais da simbologia clássica são quatro:

quente, frio, seco e úmido. Daí derivam os elementos tradicionais: quente e seco, fogo;

frio e seco, terra; úmido e frio, água; úmido e quente, ar.

O corpo: cabeça, tronco, braços

e pernas

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Tudo quanto é material pode ser indicado pelo número quatro. Assim, existe uma

classificação tradicional que separa o corpo em quatro partes: cabeça, tronco, braços e pernas.

Cabeça

A cabeça é a sede dos pensamentos e dos comandos. O rosto é o primeiro elemento de pessoalidade. No entanto, a cabeça não tem força de ação. Na simbólica tradicional, associa-se a cabeça ao ar. Assim como esse elemento, ela não move, mas comunica, pois é pelo ar que saem as palavras.

A aparência e a atitude da cabeça, que são duas notas distintas, dizem muito para nós.

A descrição da aparência corresponde a

como está a cabeça, ou seja, o cabelo, olhos, boca, dentes, maquiagem, óculos, adereços.

A descrição da atitude da cabeça guarda relação com o fato de ela estar para trás,

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dúvida, obediência, desatenção; inquietude, etc.

Tronco

O tronco é uma parte bastante nobre do homem. Nele, ocorrem os mecanismos de troca: o ar que entra e vai para o sangue, a digestão dos alimentos. Por isso, o tronco é símbolo da fornalha alquímica, que gera energia e transformação, e do fogo, que expande, aquece e ilumina.

É evidente que a aparência do tronco comunica. Quanto a ela, descrevem-se a

roupa e os adereços que estão no tronco. Mas o mais importante no tronco é a atitude. O tronco pode estar encurvado, ter atitudes de fogo brando, fraco, apagado. Já o tronco ereto é uma chama acesa, um fogo que se

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Braços

Os braços e mãos moldam, ajustam e

envolvem a realidade, tornando-a humana.

Quando penso (ar) em pegar um copo, por exemplo, eu preciso de energia (fogo), mas quem pega mesmo é minha mão. Por isso, braços e mãos são símbolo da água que envolve, limpa e revela coisas que estão sujas.

Descreve-se aparência dos braços como fortes, flácidos, com ou sem tônus, unhas feitas ou bem cuidadas, esmalte descascado, unhas sem esmalte. Em relação à atitude, os braços podem estar parados, móveis, em riste, inquietos, moles. Com essas observações, as descrições da súmula psicopatológica vão ficando ricas e nos dando elementos para compormos a presença de quem essa pessoa é.

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permite andar, do ponto de vista estrutural.

As pernas sustentam o tronco, os braços e a cabeça, fazendo a pessoa andar de um lado para o outro. Elas nos dão solidez para que possamos agir, não de modo humano, mas animal: um agir de expansão e conquista territorial.

É um pouco mais difícil observar a

aparência das pernas, porque as pessoas, em geral, usam calça. Mas vamos observar se a perna é cuidada ou descuidada, forte ou fraca, observar as unhas, o calcanhar. Em relação à atitude das pernas: se são inquietas ou paradas; se a pessoa cruza as pernas com frequência ou as mantém relaxadas; se tem uma atitude formal quando fica em pé; se tem postura de ação, expansão, esperança na conquista; ou indica um retraimento,

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T udo isso são informações. Pode não

significar nada, depende do conjunto de coisas. Mas isso é a técnica da psicopatologia, fenomenológica e descritiva.

Quando aprendemos a descrever essas

coisas, vamos ganhando ferramentas muito concretas e precisas para intuir e perceber que a cabeça, o tronco, os braços e as pernas são verbo, através da aparência e da atitude.

Perceber os verbos, mudar um ou outro

verbo são meios de ajudar alguém a perceber a história que está sendo contada a partir

deles. Assim, consigo fazer com que a pessoa organize a história que está contando,

que é a história da sua vida, e pode estar disfuncional.

Conclusão

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Referências

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