MODELAGEM ECON ˆ OMICA PARA A TOMADA DE DECIS ˜ OES NA PROGRAMAC ¸ ˜ AO DI ´ ARIA DA OPERAC ¸ ˜ AO
DE USINAS HIDREL´ ETRICAS
CURITIBA 2013
MODELAGEM ECON ˆ OMICA PARA A TOMADA DE DECIS ˜ OES NA PROGRAMAC ¸ ˜ AO DI ´ ARIA DA OPERAC ¸ ˜ AO
DE USINAS HIDREL´ ETRICAS
Disserta¸c˜ao apresentada como requisito parcial `a obten¸c˜ao do grau de Mestre em Engenharia de Recursos H´ıdricos e Ambiental, pelo Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia de Recursos H´ıdricos e Ambiental, Setor de Tecnologia, da Universidade Federal do Paran´a.
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Rodrigues Bessa
CURITIBA 2013
Modelagem econômica para a tomada de decisões na programação diária da operação de usinas hidrelétricas / Leandro Andrade Nacif. – Curitiba, 2013.
153 f. : il.; graf., tab. + mapas
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Paraná, Setor de Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental.
Orientador: Marcelo Rodrigues Bessa
1. Energia elétrica -- Produção. I. Bessa, Marcelo Rodrigues.
II. Título.
CDD 333.792
A minha querida esposa S´ılvia e ao nosso filho Heitor` Augusto,
pelos momentos m´agicos que passamos juntos dos quais obtive a motiva¸c˜ao para este trabalho.
ii
A Deus por ter iluminado meus caminhos com a Luz que vem do alto, afim de` que este trabalho transcorresse de forma justa e perfeita.
Aos meus av´os Jorge (in memorian) e Anita (in memorian), Geraldo e Ciota (in memorian), meus pais Jorge Ney e Maria do Carmo, meus irm˜aos Jane e Douglas, meus tios queridos F´atima, Perp´etua e Jarbas e seus filhos, Renata e Whesler. Mesmo de longe, o que vocˆes fizeram por mim ainda surte efeito, sem vocˆes este trabalho n˜ao se realizaria.
A minha esposa que al´` em de toda a magia, ajudou nas corre¸c˜oes do texto e do autor.
A COPEL que atrav´` es do programa Engenheiro do Futuro possibilitou a rea- liza¸c˜ao deste curso.
Ao Luiz Roberto M. Ferreira e ao Marcilio U. Nagayama que como superinten- dente e gerente defenderam perante a COPEL a realiza¸c˜ao deste trabalho.
Ao meu orientador Marcelo R. Bessa pela orienta¸c˜ao, acolhida, amizade e con- versas aleat´orias de alto n´ıvel.
Ao M´arcio L. Bloot por ter me apresentado ao DHS na UFPR e tamb´em por ter trazido para a COPEL o Scilab, que foi uma ferramenta fundamental para este trabalho.
Agrade¸co tamb´em `a sua equipe, C´assia S. Aver e Rˆomulo Camargo, pelas ajudas com o software.
Ao Hugo Mikami por toda a ajuda, a qual foi fundamental para o desenvolvimento deste trabalho. Agrade¸co tamb´em Marcelo C. Nadolny e Maur´ıcio R. Gemin ambos da famosa Equipro, por terem assumido os trabalhos e permitido as minhas ausˆencias.
Ao Carlos F. Bley, ao Fabiano A. Locatelli, ao Klaus de Geus e ao Homero Buba pela ajuda, companheirismo e debates pertinentes.
Aos amigos Sinvaldo Moreno e Rodrigo ´Avila pela amizade e companhia durante o curso, tamb´em aos colegas e professores do PPGRHA meus agradecimentos.
A Profa. Miriam Rita Moro Mine, ao Prof. Eloy Kaviski e ao Prof. Secundino`
iii
Agrade¸co `a todos da SPO e aos amigos Luiz A. Masselli, Jos´e Roberto P. da Silva, M´arcio B. Guimar˜aes, S´ergio R. Machado Jr., Douglas P. Veira, Clovis T. Salmazo, Ester M. Endlich, Jo˜ao M. Salmazo, Carlos D. Costa, Joel C. da Silva, Luciano C. Bitencourt, Victor Mafra, Giancarlo Castanharo e Luiz H. Moreira (O Comandante)... todos com quem tive a honra de trabalhar.
Finalmente, agrade¸co `a todos os amigos do Programa Mensal da Opera¸c˜ao Ele- troenerg´etica - PMO.
iv
“Reconhe¸ca o que est´a diante de teus olhos, e o que est´a oculto a ti ser´a revelado”
Jesus Cristo (O Mestre)
v
Lista de Figuras. . . x
Lista de Tabelas. . . xiv
Lista de Siglas. . . xv
Resumo. . . .xvii
Abstract. . . .xviii
1 Introdu¸c˜ao. . . 1
1.1 Objetivos. . . 4
1.1.1 Objetivo Geral . . . 4
1.1.2 Objetivos Espec´ıficos. . . 4
1.2 Justificativa. . . 5
1.3 Organiza¸c˜ao do Trabalho . . . 6
2 O Setor El´etrico Brasileiro. . . 7
2.1 O Brasil e a Gera¸c˜ao de Energia. . . 7
2.2 SEB - Um Breve Passeio Pela Linha do Tempo . . . 8
2.3 O Modelo Institucional do Setor El´etrico Brasileiro. . . 11
2.4 O Sistema Interligado Nacional – SIN . . . 16
2.5 O Planejamento da Opera¸c˜ao do Sistema Interligado Nacional . . . 20
2.5.1 O Planejamento e a Programa¸c˜ao Energ´etica . . . 27
3 Revis˜ao Bibliogr´afica. . . 31
vi
3.1.1 Programa¸c˜ao Linear (PL). . . 31
3.1.2 Programa¸c˜ao N˜ao Linear (PNL) . . . 33
3.1.3 Programa¸c˜ao Dinˆamica (PD) . . . 34
3.1.4 Redes Neurais (RN). . . 38
3.1.5 L´ogica Fuzzy (LF) . . . 38
3.1.6 Algoritmos Evolucion´arios (AEs). . . 39
3.1.7 Enxame de Part´ıculas - Particle Swarm Optimization (PSO). . . 39
3.2 A Programa¸c˜ao Dinˆamica Discreta Determin´ıstica . . . 39
3.3 Revis˜ao de Literatura . . . 41
4 M´etodo - An´alise do Problema . . . 45
4.1 A Produ¸c˜ao Hidroel´etrica . . . 45
4.2 Usinas em Cascata e Usinas Afogadas . . . 49
4.3 A Fun¸c˜ao de Produ¸c˜ao Hidrel´etrica . . . 51
4.4 Defini¸c˜ao do Problema . . . 53
4.4.1 Formula¸c˜ao Geral do Problema . . . 53
4.5 Intera¸c˜ao Com a Etapa de Programa¸c˜ao Di´aria . . . 57
4.6 M´etodo de C´alculo dos Custos para Usinas a Fio D’´agua . . . 65
5 Estudo de caso. . . 68
5.1 O Sistema de Gera¸c˜ao da COPEL . . . 69
5.2 A Bacia do Rio Igua¸cu . . . 71
5.3 Modelagens Espec´ıficas do Estudo de Caso . . . 75
5.3.1 Transferˆencias de Vaz˜ao . . . 75
5.3.2 As Incertezas das Vaz˜oes . . . 76
5.3.2.1 A Gera¸c˜ao de Series Sint´eticas . . . 80
vii
5.4 M´etodo Proposto para Solu¸c˜ao dos Problemas. . . 83
5.4.1 Resultados ComplementaresNacif e Bessa (2012a) . . . 84
5.4.2 A Solu¸c˜ao do Problema da Programa¸c˜ao Di´aria (Unit Commitment). . . 87
5.4.3 O Subproblema do Despacho de Unidades . . . 87
5.4.4 O Subproblema do Despacho de Gera¸c˜ao . . . 89
5.4.5 A Solu¸c˜ao Coordenada dos Dois Subproblemas. . . 94
5.4.6 Algoritmos Utilizados . . . 96
5.4.6.1 Algoritmo de C´alculo do N´ıvel de Jusante . . . 96
5.4.6.2 Algoritmo de C´alculo da Vaz˜ao Transferida M´edia por Est´agio . . . 97
5.4.7 Algoritmo Gen´erico de C´alculo da PDDD . . . 98
5.4.7.1 EtapaBackward . . . 98
5.4.7.2 C´alculo do Custo Futuro. . . 99
5.4.7.3 Etapa forward . . . 99
5.4.8 Algoritmo de C´alculo do Custo para o Segundo Mˆes. . . 100
5.4.8.1 Algoritmo de C´alculo dos Custos Totais, Unit´arios e Marginais . . . 101
5.4.8.2 Algoritmo de C´alculo do Despacho de Unidades . . . 102
5.4.8.3 Algoritmo de C´alculo do Despacho de Gera¸c˜ao . . . 103
6 Resultados. . . 105
6.1 Impactos da modelagem do afogamento do canal de fuga e da vaz˜ao transferida105 6.2 Resultados Te´oricos do MOM . . . 107
6.3 Resultados do MOM . . . 109
6.3.1 M´etodo utilizado para a simula¸c˜ao . . . 109
6.3.2 Resultados para o ano 2011 . . . 110 6.4 Resultados do M´etodo de Intera¸c˜ao com a Etapa de Programa¸c˜ao Di´aria (MAH)113
viii
7.1 Sugest˜oes Para Trabalhos Futuros . . . 127 Referˆencias. . . 129
ix
Figura1 Distribui¸c˜ao do potencial hidroel´etrico pelo mundo - Adaptado de (ANEEL, 2008) . . . 8
Figura 2 Mudan¸cas no Setor El´etrico Brasileiro - Adaptado de (CCEE,2012) . . . 12
Figura 3 Estrutura Institucional do SEB, adaptado de (ANEEL, 2008) . . . 15
Figura 4 Mapa do SIN, adaptado de (ONS, 2012) . . . 17
Figura5 Participa¸c˜ao das Fontes na Matriz Energ´etica, adaptado de (MME,2011) 18
Figura 6 Dilema do Operador, adaptado de (SIQUEIRA,2009) . . . 21
Figura 7 Fun¸c˜oes de Custo Imediato, Futuro e Total - Adaptado de (VALLEJOS, 2008) . . . 21
Figura 8 Etapas do Planejamento da Opera¸c˜ao - Adaptado de (MONTE,2009) . 22
Figura 9 Cadeia de modelos utilizados no planejamento da opera¸c˜ao, adaptado de ONS (2012) . . . 26
Figura 10 Esquema da PDD, adaptado de Siqueira (2009) . . . 40
Figura11 Principais componentes de uma usina hidroel´etrica - Adaptado de (LOUCKS;
BEER, 2005) . . . 46
x
Figura 13 Curva Colina de uma turbina de Foz do Areia . . . 48
Figura 14 Fun¸c˜ao N´ıvel de Montante (Foz do Areia) . . . 48
Figura 15 N´ıvel de Jusante (Foz do Areia) . . . 50
Figura 16 Afogamento do Canal de Fuga . . . 50
Figura 17 Curvas de N´ıvel de Jusante para Foz do Areia e Segredo . . . 51
Figura 18 Espa¸co de Busca para o Algoritmo de PDDD . . . 56
Figura 19 Fun¸c˜ao de Custo de Opera¸c˜ao calculada pela PDDD . . . 59
Figura 20 Curvas de custo unit´ario para Foz do Areia e Segredo . . . 60
Figura 21 Curvas de custo marginal para Foz do Areia e Segredo . . . 60
Figura 22 Curvas de custos unit´ario e marginal para Foz do Areia e Segredo . . . . 61
Figura 23 Parque Gerador da COPEL, adaptado de (COPEL, 2012) . . . 69
Figura 24 Topologia do Sistema . . . 70
Figura 25 Bacia do Igua¸cu . . . 71
Figura 26 Bacia do Rio Igua¸cu - Adaptado de (MERENDA, 2004) . . . 72
xi
Figura 28 Vaz˜oes Afluentes M´edias, M´ınimas e M´aximas Mensais . . . 74
Figura 29 Vaz˜ao Transferida entre os reservat´orios Segredo e Jord˜ao . . . 76
Figura 30 Custo Futuro para SCL e DRJ . . . 79
Figura 31 Curvas individuais para SCL e DRJ . . . 80
Figura 32 Histograma das S´eries Geradas para Agosto de 2011 . . . 82
Figura 33 Evolu¸c˜ao dos Armazenamentos para Foz do Areia, Segredo e Jord˜ao . . 84
Figura 34 Comparativo das rodadas com 3 e 2 reservat´orios . . . 86
Figura 35 Esquema da PD para o Despacho de Unidades . . . 90
Figura 36 Coordena¸c˜ao da solu¸c˜ao do subproblema do despacho de unidades e do despacho de gera¸c˜ao . . . 95
Figura 37 Evolu¸c˜ao dos armazenamentos para a modelagem sem afogamento e sem vaz˜ao transferida . . . 106
Figura 38 Evolu¸c˜ao dos armazenamentos para a modelagem com afogamento e sem vaz˜ao transferida . . . 106
Figura 39 Evolu¸c˜ao dos armazenamentos para a modelagem sem afogamento e sem vaz˜ao transferida . . . 107
xii
Figura 41 N´umero de S´eries Deficit´arias (total de 1000) . . . 109
Figura 42 Compara¸c˜ao entre despacho proposto pelo MOM com valores verificados em 2011 . . . 111
Figura 43 Compara¸c˜ao entre despacho proposto pelo MOM com valores verificados em 2011 . . . 112
Figura 44 Simula¸c˜ao para SCL e DRJ . . . 113
Figura 45 Despachos para Foz do Areia . . . 118
Figura 46 Despachos para Segredo . . . 119
Figura 47 Despachos para Salto Caxias . . . 120
Figura 48 Despachos para Gov. Parigot de Souza . . . 121
xiii
Tabela1 Evolu¸c˜ao da participa¸c˜ao das diversas fontes na matriz energ´etica . . . . 18
Tabela2 Aproveitamentos cuja concess˜ao ou autoriza¸c˜ao pertencem a COPEL . 70
Tabela3 M´edia Anual dos Vertimentos Verificados para Foz do Areia . . . 72
Tabela4 Compara¸c˜ao entre despacho proposto pelo MOM com valores verificados em 2011 (Foz do Areia e Segredo) . . . 110
Tabela5 Compara¸c˜ao entre despacho proposto pelo MOM com valores verificados em 2011 (SCL, FND e DRJ) . . . 110
Tabela6 Compara¸c˜ao entre os casos rodados . . . 115
Tabela7 N´umero de paradas e partidas por usina . . . 115
xiv
SIN Sistema Interligado Nacional SEB Setor El´etrico Brasileiro
ONS Operador Nacional do Sistema El´etrico PL Programa¸c˜ao Linear
PNL Programa¸c˜ao N˜ao Linear PD Programa¸c˜ao Dinˆamica
CNAEE Conselho Nacional de ´Aguas e Energia El´etrica MME Minist´erio das Minas e Energia
DNAE Departamento Nacional de ´Aguas e Energia CCOI Comitˆe Coordenador de Opera¸c˜ao Interligada GCOI Grupo Coordenador da Opera¸c˜ao Interligada CEPEL Centro de Pesquisas de Energia El´etrica CNOS Centro Nacional de Opera¸c˜ao de Sistemas MAE Mercado Atacadista de Energia
CNPE Conselho Nacional de Pol´ıtica Energ´etica EPE Empresa de Pesquisa Energ´etica
CCEE Cˆamara de Comercializa¸c˜ao de Energia El´etrica CMSE Comitˆe de Monitoramento do Setor El´etrico ANEEL Agˆencia Nacional de Energia El´etrica
MRE Mecanismo de Realoca¸c˜ao de Energia GF Garantia F´ısica
CMO Custo Marginal da Opera¸c˜ao PLD Pre¸co de Liquida¸c˜ao das Diferen¸cas
NEWAVE Modelo oficial do setor cujo horizonte ´e de 5 anos e discretiza¸c˜ao mensal
xv
o primeiro mˆes
GEVAZP Gerador de s´eries sint´eticas para o Newave e Decomp PREVIVAZPrevisor de vaz˜ao para o Decomp
PL Programa¸c˜ao Linerar PNL Programa¸c˜ao N˜ao Linear PD Programa¸c˜ao Dinˆamica
PCH’s Pequenas Centrais Hidroel´etricas
PDDD Programa¸c˜ao Dinˆamica Discreta Determin´ıstica
MOM Modelo de Otimiza¸c˜ao Mensal, com representa¸c˜ao detalhada, desenvolvido em Programa¸c˜ao Dinˆamica com horizonte bimestral, primeiro mˆes determin´ıstico e segundo mˆes tratado por um m´etodo adaptado da Teoria Estoc´astica dos Reservat´orios aliado `a gera¸c˜ao de s´eries sint´eticas e o M´etodo de Monte Carlo FCF Fun¸c˜ao de Custo Futuro
MAH Modelo de horizonte di´ario que otimiza a Aloca¸c˜ao Hor´aria de unidades e gera¸c˜ao, com base na Teoria da Produ¸c˜ao, desenvolvido para trabalhar em conjunto com o MOM, formando o modelo MOM-MAH
UHE Usina Hidrel´etrica UTE Usina Termoel´etrica
PAR(p) Peri´odico Autorregressivo de ordem p
CARMA Autorregressivo com M´edias M´oveis Contemporˆaneo de Ordens p e q
MOM-MAHModelo que encadeia os modelos MOM e MAH, concebidos para trabalharem em conjunto, que promovem o despacho ´otimo de unidades geradoras com horizonte di´ario, atrav´es de uma estreita liga¸c˜ao entre o modelo de otimiza¸c˜ao mensal (MOM) e o modelo de otimiza¸c˜ao di´aria (MAH)
TEO Tarifa de Energia de Otimiza¸c˜ao
xvi
A Programa¸c˜ao Di´aria de usinas hidrel´etricas ´e a etapa do planejamento da gera¸c˜ao na qual define-se o despacho de gera¸c˜ao para cada unidade geradora de cada usina para cada meia hora do dia seguinte. Na elabora¸c˜ao do Programa de Gera¸c˜ao, que ´e o produto da Programa¸c˜ao Di´aria, devem ser atendidos todos os aspectos relevantes `a opera¸c˜ao energ´etica em tempo real, bem como as diretrizes definidas nas outras etapas do planeja- mento, como a mensal e anual. Desta forma, a Programa¸c˜ao Di´aria ´e a interface entre a opera¸c˜ao em tempo real e o planejamento da gera¸c˜ao, atrav´es da qual as a¸c˜oes definidas no planejamento se efetivam. A gera¸c˜ao de energia no Brasil ocorre no ˆambito de Sis- tema Interligado Nacional (SIN) e est´a submetida ao seu arcabou¸co institucional. Neste contexto, o SIN possui despacho centralizado, tendo um respons´avel pelo planejamento e programa¸c˜ao da gera¸c˜ao: o Operador Nacional do Sistema El´etrico (ONS), institui¸c˜ao que desenvolve esta atividade em conjunto com os agentes propriet´arios dos ativos de gera¸c˜ao. Planejar a opera¸c˜ao do SIN n˜ao ´e uma tarefa trivial e para tanto, o ONS uti- liza modelos computacionais cuja finalidade ´e a de otimizar a referida opera¸c˜ao. Ocorre que estes modelos foram concebidos sob uma vis˜ao sistˆemica em detrimento de aspectos espec´ıficos a determinados aproveitamentos fazendo com que os agentes propriet´arios se- jam os respons´aveis pelo atendimento destas especificidades. ´E na etapa de programa¸c˜ao di´aria que s˜ao negociados os montantes de gera¸c˜ao despachados por cada usina do sistema a cada meia hora do dia e ´e na negocia¸c˜ao que os agentes acertam o atendimento as suas respectivas especificidades. Para que haja uma negocia¸c˜ao fundamentada e um despacho bem acertado, cada agente deve dispor de ferramentas computacionais capazes de tratar adequadamente seus aproveitamentos sem que a opera¸c˜ao do sistema fique prejudicada.
Este trabalho apresenta uma modelagem matem´atica computacional que contempla o planejamento com horizonte bimestral, cuja finalidade ´e fundamentar a negocia¸c˜ao com o ONS; uma modelagem espec´ıfica para programa¸c˜ao di´aria da opera¸c˜ao, com a finali- dade de elaborar o despacho ´otimo de unidades geradoras, e finalmente, um m´etodo de intera¸c˜ao entre as duas modelagens. O foco de todo o m´etodo ´e um n´umero limitado de aproveitamentos hidrel´etricos, constituindo uma ferramenta ´util para agentes geradores.
Ele foi testado em um conjunto de usinas, avaliado e validado, por meio de simula¸c˜oes e compara¸c˜oes com a opera¸c˜ao verificada no ano de 2011.
Palavras-chave: Programa¸c˜ao Di´aria da Opera¸c˜ao Eletroenerg´etica; Unit Commitment;
Otimiza¸c˜ao; Programa¸c˜ao Dinˆamica; Programa¸c˜ao N˜ao Linear.
xvii
The daily schedule of hydroelectric power plants is the stage of generation planning in which is defined the generation dispatch for each unit of each plant for each half an hour of the next day. In daily schedule development, all important issues for real time operation must be observed as well as the decisions made on the others planning stages, as medium and long run. In this way, daily schedule is an interface between real time operation and generation planning, through that the actions defined in generation planning are taken. The generation in Brazil is embedded in called SIN, which is a very large National Integrated production and transmission System and must obey all of SIN’s rules. So the generation dispatch is developed by an independent organization called ONS (National System Operator) which one make the decisions in agreement of the generation agents (the owners of power plants), after some negotiations. The development of planning generation in Brazil isn’t an easy one and the ONS has computational models that helps in this activity. These models are about all the system and the specific plants’ issues aren’t observed. That way, the agents must alert the ONS about these ones and is in the daily schedule that warnings happen. So, in order to improve the negotiations which ONS and built an optimal generation schedule, agents needs computational models that observes yours specific issues. This present work develops a mathematic model about monthly planning, daily schedule and the connection between both. The model’s goal is an optimal negotiation with ONS and an optimal generation schedule of a day, in according of specific issues that the ONS models don’t observe. The models were tested in some plants and comparisons were made in order to approve the methods.
Key-words: Daily Schedule; Generation Planning; Unit Commitment; Optimization;
Dynamic Programming; Non Linear Programming.
xviii
1 Introdu¸ c˜ ao
Em 1780, o engenheiro James Watt apresentou ao mundo a “M´aquina a Vapor”, com a capacidade de movimentar diversos tipos de equipamentos. Este invento marcou o in´ıcio da Revolu¸c˜ao Industrial (KLIGERMAN, 1992). Contudo, o que trouxe a revolu¸c˜ao aos lares foi o dom´ınio da eletricidade, que rapidamente passou a ser um insumo indispens´avel
`
a vida moderna. Hoje, a eletricidade est´a ainda mais presente na vida das pessoas em fun¸c˜ao do constante crescimento socioeconˆomico das na¸c˜oes.
A energia el´etrica ´e produzida a partir de uma fonte prim´aria como, por exemplo, a queima de combust´ıveis f´osseis, a fiss˜ao nuclear ou o aproveitamento de quedas d’´agua.
Neste contexto, face aos elevados impactos econˆomicos, ambientais e sociais, uma gest˜ao adequada da matriz energ´etica de um pa´ıs ou regi˜ao ´e fundamental para o desenvolvimento com sustentabilidade. Isto explica a forte interven¸c˜ao do Estado no setor.
No Brasil, mais de 95% do consumo de energia el´etrica ´e atendido pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) 1, o qual ´e formado pelas diversas empresas de gera¸c˜ao e trans- miss˜ao (tamb´em chamados de agentes) e atrav´es de empresas locais de subtransmiss˜ao e distribui¸c˜ao, entrega a energia el´etrica aos consumidores espalhados por todo pa´ıs. De- vido `as suas caracter´ısticas o SIN ´e classificado como um sistema hidrot´ermico de grande porte, uma vez que sua matriz energ´etica ´e predominantemente hidr´aulica com uma com- plementa¸c˜ao t´ermica. As empresas de transmiss˜ao e distribui¸c˜ao em conjunto com as geradoras, comercializadoras e diversas institui¸c˜oes governamentais e privadas formam o Setor El´etrico Brasileiro (SEB).
Em um sistema de produ¸c˜ao de energia el´etrica, diferente de outros sistemas, a energia deve ser produzida no mesmo instante em que ´e consumida (FORTUNATO et al., 1990), n˜ao havendo possibilidades reais de armazenamento em grandes quantidades.
Desta forma, a opera¸c˜ao de um sistema como SIN ´e muito complexa e necessita de um pla- nejamento hierarquizado em diferentes escalas de horizontes. O objetivo do Planejamento
1O Sistema Interligado Nacional ´e o sistema de produ¸c˜ao e transmiss˜ao de energia el´etrica do Brasil.
da Opera¸c˜ao do Sistema Interligado Nacional ´e a minimiza¸c˜ao do custo da opera¸c˜ao ao longo do horizonte de estudo, sendo este, o custo da gera¸c˜ao termoel´etrica de todo o sis- tema. Desta forma, o produto do Planejamento da Opera¸c˜ao ´e uma sequˆencia de decis˜oes de gera¸c˜ao hidr´aulica e t´ermica que resulta em um m´ınimo custo de complementa¸c˜ao t´ermica no atendimento `a demanda.
Obter esta sequˆencia de decis˜oes de gera¸c˜ao hidr´aulica e t´ermica ´otima n˜ao ´e uma tarefa trivial. Al´em do elevado n´umero de usinas e a grande extens˜ao da rede de transmiss˜ao, existem o acoplamento temporal e espacial das decis˜oes, rela¸c˜oes n˜ao lineares entre as var´aveis, a configura¸c˜ao dinˆamica do sistema, as incertezas quanto `a demanda e muito mais. O acoplamento temporal e espacial das decis˜oes ´e um dos aspectos mais importantes no processo de otimiza¸c˜ao. A decis˜ao de gerar mais em uma determinada usina leva ao deplecionamento do seu reservat´orio e uma capacidade menor de gerar no futuro (acoplamento temporal). Da mesma forma, gerando mais nela leva `a redu¸c˜ao da gera¸c˜ao em outras usinas (acoplamento espacial) levando-as ao enchimento do respectivo reservat´orio e uma capacidade maior de gerar no futuro. Ocorre que as vaz˜oes afluen- tes futuras s˜ao incertas, logo, esta incerteza tamb´em deve ser representada. Para lidar adequadamente com todas estas dificuldades ´e necess´aria uma representa¸c˜ao matem´atica computacional com elevado grau de complexidade.
De acordo com a atual regulamenta¸c˜ao do SEB, a opera¸c˜ao do SIN, denominada opera¸c˜ao eletroenerg´etica, ´e centralizada e sob a responsabilidade do Operador Nacional do Sistema (ONS) que desenvolve as atividades de planejamento da opera¸c˜ao (horizonte de cinco anos) e programa¸c˜ao da opera¸c˜ao (horizontes mensal e di´ario) em conjunto com os agentes envolvidos no processo. Planejar a opera¸c˜ao de um sistema com as caracter´ısticas e porte do SIN ´e uma tarefa complexa o que leva a necessidade da utiliza¸c˜ao de ferramentas computacionais, cuja finalidade ´e viabilizar a otimiza¸c˜ao no planejamento e programa¸c˜ao da opera¸c˜ao. Hoje, s˜ao adotados oficialmente pelo ONS os modelos Newave e Decomp que contemplam as etapas de m´edio e curto prazo.
Contudo, mesmo com a grande capacidade computacional moderna, ainda n˜ao existe poder de processamento suficiente para se resolver, com n´ıvel de detalhes, os pro- blemas relativos ao planejamento e programa¸c˜ao de sistemas de grande porte como o SIN. Desta maneira, o planejamento da opera¸c˜ao foi dividido em v´arias etapas, iniciando com o longo prazo (10 anos), o m´edio prazo (5 anos), curto prazo (2 meses) e curt´ıssimo prazo (pr´oximos dias). As etapas de curto e curt´ıssimo prazo s˜ao tamb´em denominadas programa¸c˜ao mensal e programa¸c˜ao di´aria respectivamente.
Cada etapa do planejamento recorre a diferentes n´ıveis de detalhamento da re- presenta¸c˜ao do problema, bem como a prioriza¸c˜ao de determinadas vari´aveis no processo de otimiza¸c˜ao. Por exemplo, na etapa de m´edio prazo os detalhes de cada aproveitamento n˜ao s˜ao considerados t˜ao importantes quanto a incerteza a respeito da vaz˜ao afluente nas usinas, assim a modelagem desta etapa prioriza as vaz˜oes em detrimento de detalhes dos aproveitamentos. `A medida que vai se aproximando do curt´ıssimo prazo, o n´ıvel de de- talhamento vai aumentando e a incerteza sobre as vaz˜oes vai diminuindo, o que viabiliza os custos computacionais da representa¸c˜ao detalhada. Por´em, ainda sim, existem simpli- fica¸c˜oes que, aliadas `a uma vis˜ao sistˆemica, fazem com que os modelos sejam incapazes de lidar com aspectos espec´ıficos a determinados aproveitamentos, ficando a cargo dos agentes o atendimento `as respectivas especificidades.
Na etapa de programa¸c˜ao di´aria o agente negocia com o operador do sistema os montantes a serem despachados e a sua distribui¸c˜ao ao longo do dia. E ´e neste momento em que o agente de gera¸c˜ao deve interceder perante o operador visando o atendimento `as pr´oprias especificidades, uma vez que os modelos oficiais n˜ao oferecem referˆencias consis- tentes a serem utilizadas na programa¸c˜ao di´aria (MIKAMI et al., 2005).
Eis a´ı uma lacuna a ser preenchida. O ONS ´e o respons´avel pela opera¸c˜ao do SIN, por´em cada agente responde pela opera¸c˜ao do pr´oprio ativo e necessita de ferramentas ca- pazes de refinar a opera¸c˜ao de seus aproveitamentos, uma vez que possui responsabilidade social, civil e criminal sobre seus ativos. Este refinamento pode inclusive contribuir para que o sistema atinja um elevado patamar de eficiˆencia global reduzindo consequentemente os despachos de usinas t´ermicas que s˜ao caras e emissoras de gases causadores do efeito estufa.
Hoje existem muitas ferramentas matem´aticas ´uteis na representa¸c˜ao e otimiza¸c˜ao do planejamento e programa¸c˜ao da opera¸c˜ao bem como v´arias classifica¸c˜oes para estas representa¸c˜oes como, por exemplo, modelagens tradicionais e heur´ısticas, mono-objetivo e multi-objetivo ou malha aberta (open loop) e malha fechada (closed loop). A escolha da melhor ferramenta depende das caracter´ısticas espec´ıficas de cada agente e da capacidade computacional dispon´ıvel, o que faz parte da abordagem gen´erica da solu¸c˜ao do problema.
As modelagens tradicionais s˜ao aquelas desenvolvidas sob a vis˜ao da pesquisa ope- racional cl´assica e adaptadas para a solu¸c˜ao do problema de opera¸c˜ao eletroenerg´etica.
Entre estas modelagens se destacam a Programa¸c˜ao Linear (PL), a Programa¸c˜ao N˜ao Linear (PNL), Programa¸c˜ao Dinˆamica (PD) e Otimiza¸c˜ao de Fluxo de Rede. J´a as pro- grama¸c˜oes heur´ısticas foram desenvolvidas como uma alternativa `as abordagens cl´assicas
oferecendo como vantagens a robustez e um menor custo computacional. Por serem mais recentes, ainda n˜ao se encontram muitas aplica¸c˜oes destes m´etodos ao problema de oti- miza¸c˜ao da opera¸c˜ao de sistemas eletroenerg´eticos. Entre os m´etodos heur´ısticos podemos citar as Redes Neurais, L´ogica Fuzzy, Swarm Inteligence (enxame de part´ıculas) e os Al- goritmos Gen´eticos.
Entre todas as mencionadas, a Programa¸c˜ao Dinˆamica se destaca por ser uma excelente t´ecnica matem´atica para a solu¸c˜ao de problemas em que se tomam decis˜oes sequenciais e inter-relacionadas. Sendo vers´atil e em malha fechada, ela permite a re- presenta¸c˜ao adequada das especificidades individuais de cada agente, das rela¸c˜oes n˜ao lineares entre as vari´aveis, da configura¸c˜ao dinˆamica do sistema, das incertezas quanto `as vaz˜oes e dos acoplamentos temporal e espacial das decis˜oes, intr´ınseco ao problema da otimiza¸c˜ao da opera¸c˜ao energ´etica de reservat´orios.
1.1 Objetivos
1.1.1 Objetivo Geral
O objetivo geral deste trabalho ´e desenvolver uma ferramenta matem´atica com- putacional capaz de subsidiar o agente de gera¸c˜ao no processo de tomada de decis˜ao da programa¸c˜ao di´aria da opera¸c˜ao. Esta ferramenta contemplar´a todas as especificidades inerentes a cada aproveitamento, n˜ao representadas nos modelos adotados pelo ONS, au- mentando assim a qualidade das decis˜oes tomadas na programa¸c˜ao di´aria a opera¸c˜ao, etapa em que existe uma intensa negocia¸c˜ao entre o Operador Nacional do Sistema e os agentes de gera¸c˜ao.
1.1.2 Objetivos Espec´ıficos
1. Analisar e modelar detalhadamente aspectos espec´ıficos de aproveitamentos hi- drel´etricos
2. Analisar os resultados da aplica¸c˜ao de uma modelagem detalhada no processo de otimiza¸c˜ao
3. Apontar vari´aveis que n˜ao devem ser negligenciadas nas formula¸c˜oes de problemas de otimiza¸c˜ao da opera¸c˜ao eletroenerg´etica
4. Desenvolver uma ferramenta (modelo) computacional que considere todos aspec- tos importantes e espec´ıficos no processo de otimiza¸c˜ao no horizonte de curt´ıssimo prazo (programa¸c˜ao di´aria) e que otimize a opera¸c˜ao das usinas hidrel´etricas. Os resultados deste modelo devem nortear o processo em duas frentes:
• Oferecendo referˆencias a respeito da melhor opera¸c˜ao poss´ıvel, fundamentando a negocia¸c˜ao com o operador.
• Indicando qual a melhor forma de se atender `as diretrizes acertadas, atrav´es do n´umero ´otimo de m´aquinas sincronizadas e qual o montante ´otimo despachado em cada m´aquina a cada meia hora do dia.
5. Comparar a performance da opera¸c˜ao proposta pela ferramenta com a opera¸c˜ao verificada medindo a qualidade do modelo desenvolvido
1.2 Justificativa
A programa¸c˜ao di´aria da opera¸c˜ao ´e uma etapa do planejamento que possui uma intensa rotina na qual os agentes interagem com o ONS negociando os montantes a serem despachados em cada usina do SIN. Ap´os as negocia¸c˜oes, os montantes devem ser distribu´ıdos para cada m´aquina de cada usina de cada agente de gera¸c˜ao. Nesta distribui¸c˜ao o agente tem total liberdade, desde que atenda ao que foi negociado com o ONS. Devido `a intensa rotina, sistemas computacionais s˜ao largamente utilizados para otimiza¸c˜ao, manipula¸c˜ao e transferˆencia de dados entre os agentes e o operador. Desta maneira, deve-se otimizar um problema de porte consider´avel em tempo h´abil.
Neste contexto se torna imprescind´ıvel uma ferramenta computacional que sub- sidie a tomada de decis˜oes nesta etapa, com os objetivos de fundamentar a negocia¸c˜ao sem que a intensa rotina fique prejudicada e, ao mesmo tempo, garantindo que as de- cis˜oes tomadas e implementadas sejam as melhores poss´ıveis. Com isto se garante o atendimento ao consumidor de forma econˆomica sem detrimento algum dos interesses dos agentes propriet´arios dos ativos.
Neste sentido, este trabalho pretende apresentar suas contribui¸c˜oes, desenvol- vendo uma ferramenta que subsidie o agente de gera¸c˜ao quanto `a opera¸c˜ao de seus ativos.
1.3 Organiza¸c˜ ao do Trabalho
No cap´ıtulo 2 ´e apresentado o Setor El´etrico Brasileiro com suas principais pecu- liaridades: as caracter´ısticas geogr´aficas, clim´aticas e geol´ogicas, um passeio pela linha do tempo, o modelo institucional e o Sistema Interligado Nacional com os desafios inerentes ao planejamento e programa¸c˜ao da opera¸c˜ao de um sistema com as caracter´ısticas e porte do SIN.
O cap´ıtulo 3 apresenta uma breve revis˜ao dos principais elementos de pesquisa operacional elencando as principais t´ecnicas utilizadas para a otimiza¸c˜ao da opera¸c˜ao energ´etica sob v´arios horizontes, detalha o principal m´etodo escolhido para resolver o principal problema definido na presente disserta¸c˜ao e cita trabalhos recentes correlatos.
No cap´ıtulo 4 est´a apresentada a modelagem matem´atica do fenˆomeno bem como a formula¸c˜ao do problema de otimiza¸c˜ao, atrav´es do detalhamento do m´etodo utilizado:
a programa¸c˜ao dinˆamica discreta determin´ıstica. ´E tamb´em apresentada a programa¸c˜ao di´aria e uma forma de intera¸c˜ao entre as solu¸c˜oes propostas pela PDDD e o problema da programa¸c˜ao di´aria.
O cap´ıtulo 5 apresenta e modela o estudo de caso: a programa¸c˜ao di´aria na CO- PEL. Al´em disto apresenta a t´ecnica de solu¸c˜ao dos problemas e os algoritmos utilizados.
No cap´ıtulo 6 est˜ao apresentados os resultados em 2 partes. A Primeira referente ao horizonte mensal do modelo, iniciando com os impactos de uma modelagem detalhada, alguns resultados interessantes sobre o m´etodo e uma simula¸c˜ao de um ano de opera¸c˜ao, bem como uma compara¸c˜ao com valores verificados. A segunda parte apresenta os re- sultados do modelo com foco no horizonte di´ario, no qual v´arios casos foram rodados e comparados.
O cap´ıtulo 7, finalmente, apresenta as conclus˜oes obtidas a partir da an´alise dos resultados do cap´ıtulo 6. Elencando os aspectos espec´ıficos de aproveitamentos hi- drel´etricos que devem ser modelados, o valor da modelagem deles bem como pondera¸c˜oes a respeito da literatura nacional, internacional e finalmente apresenta o valor das contri- bui¸c˜oes do modelo desenvolvido na presente disserta¸c˜ao.
2 O Setor El´ etrico Brasileiro
Neste cap´ıtulo ser´a apresentado o Setor El´etrico Brasileiro sob v´arios pontos de vista. Iniciando rapidamente pelas caracter´ısticas geogr´aficas, clim´aticas e geol´ogicas que nortearam a cria¸c˜ao e desenvolvimento do setor; um passeio pela linha do tempo, com um breve hist´orico elencando alguns dos maiores marcos e, finalmente, apresentando o modelo institucional e o Sistema Interligado Nacional com os desafios inerentes ao planejamento e programa¸c˜ao da opera¸c˜ao de um sistema com as caracter´ısticas e porte do SIN.
2.1 O Brasil e a Gera¸c˜ ao de Energia
O Brasil com suas dimens˜oes continentais, clima tropical e relevo favor´avel possui um elevado potencial h´ıdrico. Com uma das maiores reservas de ´agua doce do mundo, o pa´ıs possui extensas bacias hidrogr´aficas localizadas em planaltos configurando tamb´em um elevado potencial hidr´aulico.
Ser favorecido por estes recursos naturais ´e de extrema importˆancia estrat´egica para qualquer pa´ıs, reduzindo a dependˆencia do suprimento externo, n˜ao emitindo gases causadores do efeito estufa e utilizando insumos com baixos custos (´agua literalmente cai do c´eu). De acordo com ANEEL (2008) a energia hidroel´etrica ´e classificada como limpa no mercado internacional. A Figura 1 mostra como o potencial hidroel´etrico total est´a distribu´ıdo pelo mundo.
Neste ambiente, nasceu e cresceu o Setor El´etrico Brasileiro com suas carac- ter´ısticas peculiares, que o fazem ´unico no mundo. A predominˆancia da gera¸c˜ao hi- drel´etrica, a extens˜ao da sua rede de transmiss˜ao, a complementariedade das diferentes regi˜oes em que o SEB est´a presente, aliando quest˜oes estrat´egicas para a federa¸c˜ao com a utiliza¸c˜ao da ´agua que ´e um bem p´ublico, motivaram o desenvolvimento de um grande arcabou¸co tecnol´ogico, comercial, regulat´orio e institucional que culminou no atual marco regulat´orio ao qual o setor est´a submetido na presente data. At´e a consolida¸c˜ao do atual marco regulat´orio, o SEB passou por muitas transforma¸c˜oes, apresentadas a seguir.
Figura 1: Distribui¸c˜ao do potencial hidroel´etrico pelo mundo - Adaptado de (ANEEL, 2008)
2.2 SEB - Um Breve Passeio Pela Linha do Tempo
O Setor El´etrico Brasileiro teve seu inicio em 1879 quando o imperador D. Pedro II convidou Thomas Alva Edison a introduzir no pa´ıs a utiliza¸c˜ao da eletricidade para ilumina¸c˜ao p´ublica (CAMARGO, 2005) e (KLIGERMAN, 1992). A Secretaria de Estado dos Neg´ocios da Agricultura, Com´ercio e Obras P´ublicas ficou com a incumbˆencia de regular o setor.
A d´ecada de 1880 foi marcada por muitas inova¸c˜oes (CAMARGO, 2005). No mu- nic´ıpio de Campus -RJ, a primeira ilumina¸c˜ao externa p´ublica do pa´ıs e da Am´erica do Sul, atendida por uma unidade termoel´etrica movida a vapor gerado em caldeira a lenha. A primeira usina hidroel´etrica, para uso privado do Brasil, no Ribeir˜ao do Inferno, munic´ıpio de Diamantina-MG, bem como a primeira linha de transmiss˜ao com dois quilˆometros de extens˜ao, destinados a atender a demanda da minera¸c˜ao local. A Companhia Mineira de Eletricidade – CME inaugura a primeira usina hidroel´etrica de grande porte do Brasil (para os padr˜oes da ´epoca) com 250 KW, a fim de fornecer eletricidade `a cidade de Juiz de Fora-MG.
Com a Constitui¸c˜ao de 1891, as concess˜oes para a presta¸c˜ao de servi¸cos p´ublicos de eletricidade eram outorgadas pelas prefeituras municipais, no tocante ao segmento de distribui¸c˜ao e o aproveitamento das quedas d‘´agua era outorgado pelos governos estaduais.
Nesta ´epoca, com capital escasso, o Brasil n˜ao possu´ıa as condi¸c˜oes necess´arias para a constru¸c˜ao de hidroel´etricas, atraindo empresas estrangeiras como aLight e AMFORP. Os contratos de concess˜ao continham a chamada “cl´ausula-ouro”, que permitia `as empresas estrangeiras a revis˜ao de suas tarifas pela varia¸c˜ao cambial. A Light come¸ca a operar na cidade do Rio de Janeiro com o nome deThe Rio de Janeiro Tramways, Light and Power Company Limited.
Nos anos vinte, com capacidade instalada de aproximadamente 360 MW (VI- ANNA, 2004), o Brasil passou pela primeira grande crise do setor de energia. Os bondes el´etricos n˜ao subiam as ladeiras, as lˆampadas perderam luminosidade e os an´uncios lumi- nosos foram proibidos. A causa foi a ocorrˆencia de um cen´ario hidrol´ogico desfavor´avel.
Ao final desta d´ecada o mundo assistiu `a Quebra da Bolsa de Nova Iorque.
Na d´ecada 1930, a capacidade instalada era em torno de 780 MW. Entra em vigor a “Lei da Usura” pelo Decreto 22.626 de 07 de abril de 1933 e a “cl´ausula-ouro” foi extinta pelo Decreto 23.501 de 27 de novembro de 1933. Foi promulgado o C´odigo de ´Aguas que passa o poder concedente exclusivamente para a Uni˜ao atrav´es do Decreto 24.643 de 10 de julho de 1934. Com a industrializa¸c˜ao do pa´ıs e o consequente aumento da demanda de energia el´etrica, a capacidade instalada cresceu rapidamente. Foi criado o Conselho Nacional de ´Aguas e Energia El´etrica (CNAEE) pelo Decreto-Lei 1.285 de 18 de maio de 1939, refor¸cando a regulamenta¸c˜ao dos servi¸cos de eletricidade.
A d´ecada de 1950 iniciou com capacidade instalada de 1.900 MW, insuficiente para assegurar o atendimento `a demanda. O CNAEE promove v´arias medidas de racio- namento de energia. Foram criadas a atualmente denominada Centrais El´etricas de Minas Gerais (CEMIG), a Companhia Paranaense de Energia (COPEL), a Centrais El´etricas do Maranh˜ao (CEMAT), a Companhia de Eletricidade de Alagoas (CEAL) e a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA). Empresas cujo controle pertence aos respectivos Estados. Foi assinado o Decreto-Lei que regulamenta o imposto ´unico sobre Energia El´etrica. Foi criado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econˆomico (BNDE), que passou a financiar a expans˜ao do setor e a encampa¸c˜ao progressiva das empresas estrangeiras pelos governos federal e estaduais. A distribui¸c˜ao de energia ficou com as concession´arias privadas (KLIGERMAN, 1992).
Nos anos 60, a capacidade instalada era de aproximadamente 4.800 MW. A con- sultoria do Cons´orcio Canadense-Americano-Brasilerio (CANAMBRA) desenvolveu o pri- meiro estudo de invent´ario, mapeamento e projetos para os recursos hidroel´etricos bra- sileiros (KLIGERMAN, 1992). Foi criado o Minist´erio das Minas e Energia (MME) pela
Lei 3.782 de 22 de julho de 1960, ao qual o CNAEE e a Comiss˜ao Nacional de Energia Nuclear foram subordinados. Foi constitu´ıda a Centrais El´etricas Brasileiras S.A. (Eletro- bras) atrav´es da Lei 3890-A, assumindo v´arias atribui¸c˜oes do CNAEE. A usina de Furnas entrou em opera¸c˜ao, sendo, at´e ent˜ao, a maior usina do Brasil. Foi criado o Departamento Nacional de ´Aguas e Energia (DNAE), com finalidades an´alogas ao CNAEE com a Lei 4.904 de 17 de dezembro de 1965. Com o crescimento da capacidade instalada e da malha de transmiss˜ao surgiu a necessidade da interliga¸c˜ao dos sistemas que, at´e ent˜ao, eram iso- lados entre si ou com uma pequena capacidade de intercˆambio. Desta forma garantiu-se maior confiabilidade ao atendimento `a demanda bem como uma utiliza¸c˜ao mais otimiz´avel dos recursos energ´eticos. Com isso foi criado o primeiro Comitˆe Coordenador de Opera¸c˜ao Interligada (CCOI), abrangendo as empresas geradoras e distribuidoras da regi˜ao sudeste.
A d´ecada de 70 teve seu in´ıcio com 11.460 MW de capacidade instalada que aumentava rapidamente. Os sistemas estavam regionalmente interligados, destacando a regi˜ao sudeste com o maior porte. Foi criado o CCOI-Sul. No final de 1973, os CCOI‘s foram substitu´ıdos pelo Grupo Coordenador da Opera¸c˜ao Interligada (GCOI), com a finalidade de coordenar, decidir ou encaminhar as providˆencias necess´arias ao uso racional das instala¸c˜oes geradoras e transmissoras, existentes e futuras, nos sistemas interligados das regi˜oes sudeste e sul. Brasil e Paraguai assinam o Tratado de Itaipu e criam a entidade Itaipu Binacional. Criados tamb´em o Centro de Pesquisas de Energia El´etrica (CEPEL) e a Empresas Nucleares Brasileiras S.A, esta ´ultima com a finalidade de executar a pol´ıtica nuclear no Brasil. ALight Servi¸cos de Eletricidade S.A. foi nacionalizada com a aquisi¸c˜ao da Brascan pela Eletrobras.
Era de 31.300 MW a capacidade instalada do pa´ıs no inicio da d´ecada de 80, nas m˜aos de empresas predominantemente estatais e verticalizadas. O setor el´etrico foi ins- trumento de controle inflacion´ario atrav´es do controle tarif´ario levando muitas empresas ao endividamento. No entanto, o setor continuou sua expans˜ao. A usina de Itaipu entrou em opera¸c˜ao bem como a usina Termonuclear Angra 1. Entrou tamb´em em opera¸c˜ao o sistema de transmiss˜ao Sul-Sudeste, sendo o mais extenso da Am´erica do Sul e foi inaugu- rado o Centro Nacional de Opera¸c˜ao de Sistemas (CNOS) ligando os n´ucleos operacionais das empresas do setor.
Na d´ecada de 90, o pa´ıs possu´ıa 53.000 MW de capacidade instalada e mui- tas quest˜oes a serem resolvidas no tocante `a regulamenta¸c˜ao e viabilidade econˆomico- financeira do setor, que, insustent´avel, teve a expans˜ao do seu parque gerador paralisada.
Racionamentos de energia n˜ao aconteceram devido `a ocorrˆencia de cen´arios hidrol´ogicos
favor´aveis. Em 1993, foi aprovada a Lei no 8.631/93, que, entre outras medidas, equaci- onou a inadimplˆencia de empresas, estipulou o uso da RGR pela Eletrobr´as e amenizou as “morda¸cas” tarif´arias. Neste contexto, em meados da d´ecada de 90 foi instaurado o Projeto RE-SEB, com a finalidade de reestruturar o setor el´etrico brasileiro. Foram ent˜ao criados a Agˆencia Nacional de Energia El´etrica - ANEEL, assumindo, entre muitas outras, as atribui¸c˜oes do DNAEE, o Operador Nacional do Sistema (ONS), assumindo, entre outras, as atribui¸c˜oes do GCOI, o Mercado Atacadista de Energia (MAE), am- biente onde se efetivavam as atividades de comercializa¸c˜ao de energia no atacado e o Conselho Nacional de Pol´ıtica Energ´etica (CNPE), com a atribui¸c˜ao de formular e propor ao presidente da Rep´ublica as diretrizes da pol´ıtica energ´etica nacional. Nasceu a figura do consumidor livre e das comercializadoras de energia. Em mar¸co de 1999 entra em opera¸c˜ao o Linh˜ao norte-sul, interligando os sistemas norte-nordeste com o sistema su- deste. O sistema estava ent˜ao nacionalmente interligado e subdividido em 4 subsistemas:
sudeste/centro-oeste, sul, nordeste e norte.
A capacidade instalada no Brasil era em torno de 72.200 MW no ano 2000. Esta d´ecada teve in´ıcio testemunhando uma grande crise no abastecimento de energia causada por uma expans˜ao insuficiente aliada a um cen´ario hidrol´ogico recessivo. Foi decretado racionamento nas regi˜oes sudeste, centro-oeste, nordeste e em parte da regi˜ao norte, o qual perdurou at´e fevereiro de 2002. Aprovado o Novo Modelo do Setor El´etrico com a aprova¸c˜ao das leis 10.847 e 10.848 ambas de 15 de mar¸co de 2004. Foram criadas a Empresa de Pesquisa Energ´etica (EPE) e a Cˆamara de Comercializa¸c˜ao de Energia El´etrica (CCEE), esta ´ultima assumindo as atribui¸c˜oes do MAE. Foi constitu´ıdo o Comitˆe de Monitoramento do Setor El´etrico (CMSE) pelo decreto 5175 de 09 de agosto de 2004.
Foi este, brevemente apresentado, o caminho percorrido pelo Setor El´etrico Bra- sileiro, desde seu in´ıcio at´e a implanta¸c˜ao e consolida¸c˜ao do seu novo modelo que vigora at´e a presente data.
A Figura 2 resume as mudan¸cas pelas quais o SEB passou nos ´ultimos anos at´e o modelo vigente, denominado Novo Modelo (a partir de 2004).
2.3 O Modelo Institucional do Setor El´etrico Brasileiro
Sob a filosofia de se estabelecer uma ind´ustria de energia el´etrica no Brasil, em contra-ponto ao enfoque de servi¸co p´ublico de eletricidade, as bases de uma estrutura de mercado foram introduzidas com as reformas do setor e o novo modelo. Neste contexto,
Figura 2: Mudan¸cas no Setor El´etrico Brasileiro - Adaptado de (CCEE, 2012) emerge a necessidade da existˆencia de institui¸c˜oes que viabilizem a concretiza¸c˜ao de um ambiente onde a competi¸c˜ao est´a presente e com isto muito pouca regulamenta¸c˜ao seria necess´aria, concomitante com uma natureza de monop´olio natural em que muita regula- menta¸c˜ao deve existir, afim de assegurar os direitos do consumidor e a sustentabilidade econˆomica.
Os aspectos chave do tratamento do setor de energia el´etrica como um ind´ustria s˜ao (SILVA, 2001):
• O mecanismo de forma¸c˜ao de pre¸cos
• O acesso `a transmiss˜ao
• A regula¸c˜ao do setor
Sob o paradigma de mercado, a comercializa¸c˜ao de um bem p´ublico como a eletricidade necessita de regula¸c˜ao e, atrav´es de uma sinaliza¸c˜ao econˆomica consistente, o regulador orienta os agentes da ind´ustria a buscarem a eficiˆencia (SILVA, 2001).
Na forma¸c˜ao de pre¸cos ´e economicamente saud´avel que estes reflitam os custos de produ¸c˜ao. No caso de energia el´etrica, esta forma¸c˜ao depende da organiza¸c˜ao indus-
trial e das caracter´ısticas eletro-energ´eticas de cada mercado. Com um parque gerador de predominˆancia hidr´aulica, o Brasil possui um processo de forma¸c˜ao de pre¸cos ´unico no mundo. Aqui, os geradores informam suas disponibilidades e o despacho e consequen- temente o pre¸co ´e definido pelos modelos Newave e Decomp, diferentemente de outros mercados onde os geradores declaram o pre¸co pelo qual desejam vender seu produto.
O livre acesso `a transmiss˜ao ´e um requisito indispens´avel para que os consu- midores possam acessar os geradores mais eficientes e com isto promover a eficiˆencia econˆomica. Do contr´ario, alguns poucos consumidores se beneficiariam, por exemplo, da sua localiza¸c˜ao geogr´afica que eventualmente oferecesse melhores condi¸c˜oes de acesso e com isto melhores pre¸cos em detrimento das condi¸c˜oes em outras regi˜oes.
Surge ent˜ao a proposta do modelo institucional do Setor El´etrico vigente que tem como base a Resolu¸c˜ao CNPE 005 de 21 de julho de 2003 onde se destacam:
• Prevalˆencia do conceito de servi¸co p´ublico para a produ¸c˜ao e distribui¸c˜ao de energia el´etrica aos consumidores cativos
• Modicidade tarif´aria
• Restaura¸c˜ao do planejamento da expans˜ao do sistema
• Transparˆencia no processo de licita¸c˜ao permitindo a contesta¸c˜ao p´ublica, por t´ecnica e pre¸co, das obras a serem licitadas
• Mitiga¸c˜ao de riscos sistˆemicos
• Manter a opera¸c˜ao coordenada e centralizada necess´aria e inerente ao sistema hi- drot´ermico brasileiro
• Universaliza¸c˜ao do acesso e do uso dos servi¸cos de eletricidade
• Modifica¸c˜ao no processo de licita¸c˜ao da concess˜ao do servi¸co p´ublico de gera¸c˜ao priorizando a menor tarifa
Para promover a implementa¸c˜ao destas bases do modelo vigente, as v´arias ins- titui¸c˜oes que formam o SEB e suas respectivas atribui¸c˜oes de acordo com ONS (2009f) s˜ao:
• O Conselho Nacional de Pol´ıtica Energ´etica (CNPE) ´e o ´org˜ao de assessoramento do Presidente da Rep´ublica para a formula¸c˜ao de pol´ıticas nacionais e diretrizes de
energia voltadas, entre seus objetivos, para o aproveitamento racional dos recursos energ´eticos do pa´ıs, a revis˜ao peri´odica da matriz energ´etica e o estabelecimento de diretrizes para programas espec´ıficos. E ´´ org˜ao interministerial presidido pelo Ministro de Minas e Energia (MME)
• O Ministro de Minas e Energia (MME) encarrega-se da formula¸c˜ao, do planejamento e da implementa¸c˜ao de a¸c˜oes do governo federal no ˆambito da pol´ıtica energ´etica nacional
• A Empresa de Pesquisa Energ´etica (EPE) ´e uma empresa p´ublica federal dotada de personalidade jur´ıdica de direito privado e vinculada ao MME. Tem por finalidade prestar servi¸cos na ´area de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energ´etico. Elabora os planos de expans˜ao da gera¸c˜ao e transmiss˜ao da energia el´etrica
• O Comitˆe de Monitoramento do Setor El´etrico (CMSE) ´e constitu´ıdo no ˆambito do MME e est´a sob sua coordena¸c˜ao direta, com a fun¸c˜ao principal de acompanhar e avaliar permanentemente a continuidade e a seguran¸ca do suprimento eletroe- nerg´etico em todo o territ´orio nacional
• A Cˆamara de Comercializa¸c˜ao de Energia El´etrica (CCEE) ´e uma pessoa jur´ıdica de direito privado, sem fins lucrativos, sob regula¸c˜ao e fiscaliza¸c˜ao da Agˆencia Nacional de Energia El´etrica para administrar os contratos de compra e venda de energia el´etrica, sua contabiliza¸c˜ao e liquida¸c˜ao
• A Agˆencia Nacional de Energia El´etrica (ANEEL) ´e uma autarquia sob regime especial vinculada ao MME, que tem a finalidade de regular e fiscalizar a produ¸c˜ao, a transmiss˜ao, a distribui¸c˜ao e a comercializa¸c˜ao de energia el´etrica, em conformidade com as pol´ıticas e diretrizes do governo federal
• O Operador Nacional do Sistema El´etrico (ONS), por sua vez, ´e uma associa¸c˜ao civil de direito privado, sem fins lucrativos, autorizado a executar as atividades de coordena¸c˜ao e controle da opera¸c˜ao da gera¸c˜ao e da transmiss˜ao de energia el´etrica, no ˆambito do SIN.
A Figura 3mostra o relacionamento entre as principais institui¸c˜oes presentes no SEB.
Neste contexto institucional, o atual marco regulat´orio do setor el´etrico brasileiro que tem sua origem na d´ecada de 90 com o projeto Re-Seb consolida–se atrav´es das Leis
Figura 3: Estrutura Institucional do SEB, adaptado de (ANEEL, 2008)
10.847 e 10.848, de 15 de mar¸co de 2004. Neste per´ıodo os setores de energia el´etrica em todo mundo passavam por mudan¸cas no mesmo sentido (SILVA, 2001).
Na busca de uma estabilidade regulat´oria perene que cumpra os objetivos pro- postos pelo novo marco regulat´orio possibilitando a garantia do suprimento ao mercado, expans˜ao permanente e sustent´avel das atividades, sendo esta orientada pelo equil´ıbrio entre seguran¸ca, justa remunera¸c˜ao e busca da modicidade tarif´aria, foram implementadas atrav´es das institui¸c˜oes j´a mencionadas, as seguintes a¸c˜oes:
• A desverticaliza¸c˜ao das empresas do setor, obrigando as empresas a segregarem seus ativos de gera¸c˜ao, transmiss˜ao e distribui¸c˜ao em empresas distintas, tamb´em denominados Agentes de Gera¸c˜ao, Transmiss˜ao e Distribui¸c˜ao.
• A existˆencia do Produtor Independente de Energia (PIE) e do Consumidor livre.
• A cria¸c˜ao de dois ambientes de contrata¸c˜ao de energia: O Ambiente de Contrata¸c˜ao Regulado (ACR) onde a contrata¸c˜ao de energia se d´a em um pool de distribuidoras contratando energia de um pool de geradores por meio de leil˜oes promovidos pela ANEEL/CCEE e o Ambiente de Contrata¸c˜ao Livre (ACL) onde a contrata¸c˜ao se d´a por meio de contratos bilaterais entre consumidores e geradores ou comerciali- zadores. Para se contratar no ACL os consumidores devem ser classificados como
consumidores livres de acordo com legisla¸c˜ao espec´ıfica. Vallejos (2008) detalha a contrata¸c˜ao entre os agentes do setor
• Obrigatoriedade da contrata¸c˜ao de toda a energia consumida por parte dos consu- midores, quais sejam, distribuidoras, comercializadoras e consumidores livres.
• Despacho centralizado atribu´ıdo ao ONS.
• Pre¸co da energia no mercado SPOT fornecido por modelos (Newave e Decomp).
• Mecanismo de Realoca¸c˜ao de Energia (MRE) criado com a finalidade de mitigar o risco hidrol´ogico ao qual os agentes de gera¸c˜ao hidroel´etrica s˜ao submetidos.
• Um montante cont´abil de energia, denominado Garantia F´ısica (GF), facultado ao propriet´ario de ativos de gera¸c˜ao e calculado de acordo com m´etodo espec´ıfico, que lastreia os contratos de venda efetuados por este propriet´ario (BLOOT, 2011).
Neste ambiente, o despacho ´e centralizado e sob a responsabilidade do ONS.
Desta forma este decide sobre a gera¸c˜ao das usinas de grande porte, fazendo com que o propriet´ario n˜ao tenha muito controle sobre a opera¸c˜ao de seus pr´oprios ativos, maiores detalhes dispon´ıveis em Bloot (2011). Para que o despacho centralizado n˜ao prejudique o desempenho financeiro dos Agentes de Gera¸c˜ao, a opera¸c˜ao foi desvinculada da comercia- liza¸c˜ao de energia atrav´es do uso de alguns instrumentos cont´abeis como o Mecanismo de Realoca¸c˜ao de Energia (MRE) e a Garantia F´ısica (GF). Com o MRE o ONS pode operar o sistema com vistas `a otimiza¸c˜ao sem levar em conta aspectos comerciais, sendo que a estrat´egia comercial de cada agente se realiza atrav´es da gest˜ao da sua GF no ˆambito da CCEE e n˜ao da gera¸c˜ao f´ısica medida em seus geradores. Os modelos utilizados pelo ONS para o planejamento da opera¸c˜ao fornecem como subproduto do processo de otimiza¸c˜ao o Custo Marginal da Opera¸c˜ao (CMO) e a CCEE utiliza estes mesmos modelos na apura¸c˜ao do Pre¸co de Liquida¸c˜ao das Diferen¸cas (PLD) que ´e utilizado como referˆencia no mer- cado de curto prazo. As rodadas dos modelos pelo ONS e CCEE s˜ao muito parecidas possuindo pequenas altera¸c˜oes nos dados de entrada. Bloot (2011) detalhou a quest˜ao do despacho centralizado, comercializa¸c˜ao de energia, MRE e GF e a utiliza¸c˜ao dos modelos de otimiza¸c˜ao no ˆambito da comercializa¸c˜ao de energia.
2.4 O Sistema Interligado Nacional – SIN
O Sistema Interligado Nacional ´e o sistema de produ¸c˜ao e transmiss˜ao de energia el´etrica do Brasil. Com caracter´ısticas que permitem consider´a-lo ´unico em ˆambito mun-
dial, o SIN ´e formado pelas empresas geradoras e transmissoras das regi˜oes sul, sudeste, centro-oeste, nordeste e norte. Apenas 3,4% da capacidade de produ¸c˜ao de eletricidade do pa´ıs encontra-se fora do SIN, em pequenos sistemas isolados localizados principalmente na regi˜ao amazˆonica, de acordo com ONS (2012).
A produ¸c˜ao de energia do SIN ´e de predominˆancia hidroel´etrica e est´a distribu´ıda em doze bacias hidrogr´aficas espalhadas ao longo de todo o territ´orio nacional. As usinas t´ermicas, com a fun¸c˜ao de complementar a gera¸c˜ao hidr´aulica e trazer mais confiabilidade ao suprimento, est˜ao localizadas, em geral, nas proximidades dos centros consumidores.
Interligando as bacias hidrogr´aficas e usinas t´ermicas aos centros de carga e alguns pa´ıses vizinhos, uma grande rede de transmiss˜ao atravessa o pa´ıs em toda sua extens˜ao. Por estas caracter´ısticas apresentadas o Sistema Interligado Nacional ´e classificado como um sistema hidrot´ermico de grande porte. A Figura 4 ilustra o SIN.
Figura 4: Mapa do SIN, adaptado de (ONS, 2012)
Tabela 1: Evolu¸c˜ao da participa¸c˜ao das diversas fontes na matriz energ´etica
Participa¸c˜ao na Matriz Energ´etica
Fonte 2011 (%) 2015 (%) 2020 (%)
Hidro 73.4 66.8 67.3
Urˆanio 1.7 1.4 2.0
G´as Natural 8.1 8.3 6.8
Carv˜ao 2.2 2.3 1.9
Ol. Comb. 3.2 6.2 5.1
Ol. Diesel 1.3 0.8 0.7
G´as de Proc. 0.6 0.5 0.4
PCH 3.6 3.5 3.8
Biomassa 4.7 5.2 5.4
E´olica 1.1 5.0 6.7
Com um total de 144 aproveitamentos, entre estes, 69 com reservat´orio, 71 a fio d’´agua e 4 com bombeamento (ONS, 2012), a capacidade instalada hidroel´etrica do SIN em 2011, excluindo as PCHs, era de 84.736 MW, correspondendo a 73,4% de participa¸c˜ao no total do sistema. A Figura 5 mostra a participa¸c˜ao percentual de cada fonte (MME, 2011). A Tabela1mostra a evolu¸c˜ao da participa¸c˜ao destas fontes no horizonte 2011-2020 (MME, 2011).
Figura 5: Participa¸c˜ao das Fontes na Matriz Energ´etica, adaptado de (MME, 2011) O Sistema interligado Nacional est´a dividido em 4 regi˜oes geoel´etricas, com ca- racter´ısticas hidrol´ogicas e operativas distintas entre si, denominadas subsistemas (ONS, 2009f), quais sejam, Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte.
O subsistema Sudeste/Centro-Oeste ´e o maior do SIN em capacidade instalada, mercado de energia e capacidade de regulariza¸c˜ao. Em 2011, a carga deste subsistema foi de 61,5% da carga do SIN. Outra caracter´ıstica marcante ´e a sua sazonalidade muito
bem definida, sendo poss´ıvel separar o ano hidrol´ogico em 2 per´ıodos: o chuvoso, que vai de novembro a maio, e o seco nos meses restantes. No per´ıodo chuvoso os excedentes energ´eticos s˜ao armazenados no pr´oprio subsistema e, na medida do poss´ıvel, nos subsis- temas vizinhos. No per´ıodo seco importa-se eventual excedente das regi˜oes adjacentes. Os registros hist´oricos de vaz˜ao mostram uma sazonalidade semelhante `as regi˜oes nordeste e norte.
Com 1 d´ecimo da capacidade de armazenamento do Subsistema Sudeste/Centro- Oeste, o subsistema Sul ´e conhecido por n˜ao possuir sazonalidade bem definida, mesmo que apresente complementaridade com os outros subsistemas. Suas vaz˜oes possuem not´avel variabilidade fazendo a opera¸c˜ao deste Subsistema muito ligada a intercˆambios, seja importando energia em meses de baixa hidraulicidade ou exportando em meses de alta hidraulicidade. A usina de Itaipu est´a geograficamente localizada nesta regi˜ao, por´em,
´e considerada pertencente ao Sudeste/Centro-Oeste por estar hidraulicamente e eletrica- mente acoplada a este subsistema.
O subsistema Nordeste possui um mercado de energia elevado frente a sua ca- pacidade de atendimento, fazendo-o importador de energia em grande parte do tempo.
O Norte ´e o maior supridor desta energia que tamb´em ´e fornecida pelo subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
O Norte ´e o menor dos subsistemas sendo composto basicamente pela Usina de Tucuru´ı que possui uma sazonalidade marcante e semelhante `a das regi˜oes Sudeste e Centro-Oeste. N˜ao possui parque t´ermico instalado fazendo com que seja operado com base em uma curva de deplecionamento para este subsistema. Esta curva ´e constru´ıda com o objetivo de garantir o atendimento `a sua carga no fim do per´ıodo seco, quando as disponibilidades energ´eticas (vaz˜oes afluentes e intercˆambios) s˜ao insuficientes para atender a carga. Desta forma, garante-se o volume armazenado no pr´oprio subsistema destinado a assegurar o atendimento `a demanda.
A capacidade de regulariza¸c˜ao das bacias associada `a diversidade hidrol´ogica e um amplo sistema de transmiss˜ao facultam ao SIN uma capacidade de regulariza¸c˜ao plurianual, que vem diminuindo com tempo devido a quest˜oes ambientais impostas aos projetos de novos aproveitamentos (MONTE, 2009). Esta capacidade de regulariza¸c˜ao ´e o aspecto mais importante no tocante `a garantia de suprimento energ´etico de um pa´ıs que possui gera¸c˜ao predominantemente hidr´aulica.
Em um sistema de produ¸c˜ao de energia el´etrica, diferente de outros sistemas, a energia deve ser produzida no mesmo instante em que ´e consumida (FORTUNATO et
al., 1990), n˜ao havendo possibilidades reais de armazenamento em grandes quantidades.
Desta forma, a opera¸c˜ao de um sistema como o SIN ´e muito complexa e necessita de um planejamento hierarquizado em diferentes escalas de horizontes como apresenta a Figura 8. Bessa (1998) e Vallejos (2008) resumem os aspectos do planejamento da opera¸c˜ao.
De acordo com a legisla¸c˜ao vigente (10.848, de 15 de mar¸co de 2004), o ONS tem a atribui¸c˜ao de desenvolver as atividades de Planejamento e Programa¸c˜ao da Opera¸c˜ao do Sistema Interligado Nacional. Este desenvolvimento ´e feito em conjunto com os Agentes envolvidos no processo e ser´a detalhado na Sess˜ao 2.5.
2.5 O Planejamento da Opera¸c˜ ao do Sistema Interligado Nacional
O planejamento da opera¸c˜ao no Brasil teve in´ıcio com a assinatura do Tratado de Itaipu, em 1973. Nesta ´epoca iniciou-se a constru¸c˜ao dos grandes troncos de transmiss˜ao interligando as regi˜oes Sul e Sudeste/Centro-Oeste e as regi˜oes Norte e Nordeste.
O objetivo do Planejamento da Opera¸c˜ao do Sistema Interligado Nacional ´e a minimiza¸c˜ao do custo da opera¸c˜ao ao longo do horizonte de estudo, sendo este, o custo da gera¸c˜ao termoel´etrica de todo o sistema. Desta forma, o produto do Planejamento da Opera¸c˜ao ´e uma sequˆencia de decis˜oes de gera¸c˜ao hidr´aulica e t´ermica que resulta em um m´ınimo custo de complementa¸c˜ao t´ermica no atendimento `a demanda (NETO et al., 1985).
Planejar a opera¸c˜ao do SIN constitui uma tarefa de grande complexidade. Al´em dos aspectos aqui apresentados, tˆem – se as quest˜oes tradicionais do planejamento da opera¸c˜ao de reservat´orios como a n˜ao linearidade das rela¸c˜oes, a configura¸c˜ao dinˆamica, o acoplamento temporal e espacial das decis˜oes e as incertezas quanto `as vaz˜oes futuras e a demanda (PEREIRA; PINTO, 1984). As incertezas quanto aos cen´arios hidrol´ogicos futuros formam a essˆencia do conhecido dilema do operador representado pela Figura6.
A solu¸c˜ao para este dilema est´a em encontrar o equil´ıbrio entre os despachos hi- droel´etrico e termoel´etrico, atendendo a demanda de forma tal que os custos da opera¸c˜ao sejam m´ınimos e n˜ao prejudiquem a seguran¸ca no suprimento tanto no tocante `a opera¸c˜ao energ´etica (evitando d´eficits), quanto `a opera¸c˜ao el´etrica (evitando apag˜oes). A Figura 7 mostra as fun¸c˜oes de custo imediato, futuro e total, associados `a utiliza¸c˜ao dos reser- vat´orios em sistemas hidrot´ermicos. Observa-se que ao utilizar ´agua no in´ıcio do horizonte, tem-se um custo imediato baixo e um custo futuro alto, por outro lado, ao economizar
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agua no in´ıcio do horizonte tem-se um custo imediato alto e um custo futuro baixo. A
Figura 6: Dilema do Operador, adaptado de (SIQUEIRA, 2009)
curva de custo total, que ´e a soma das curvas de custo imediato e futuro, mostra o ponto onde estes custos se equilibram sendo este o ponto ´otimo para a opera¸c˜ao.
Figura 7: Fun¸c˜oes de Custo Imediato, Futuro e Total - Adaptado de (VALLEJOS, 2008) Na busca do ponto ´otimo para a opera¸c˜ao do SIN o ONS conta com uma cadeia de modelos computacionais, desenvolvidos pelo CEPEL, que promovem a coordena¸c˜ao do despacho hidrot´ermico. A fim de viabilizar os custos computacionais da modelagem de um sistema com o porte do SIN, os horizontes de planejamento foram modelados de formas distintas, de tal sorte que o detalhamento da modelagem aumenta `a medida que o horizonte de planejamento se aproxima da opera¸c˜ao em tempo real. A Figura8apresenta um diagrama a respeito.
Na etapa de m´edio prazo, definida com o horizonte de 5 anos e discretiza¸c˜ao
Figura 8: Etapas do Planejamento da Opera¸c˜ao - Adaptado de (MONTE, 2009) mensal se utiliza o modelo NEWAVE. De acordo com o Cepel (CEPEL, 2012) esta ´e a descri¸c˜ao do modelo:
“Modelo Estrat´egico de Gera¸c˜ao Hidrot´ermica a Subsistemas Equivalentes. O Programa NEWAVE resolve os problemas de planejamento da opera¸c˜ao interligada de sistemas hidrot´ermicos empregando a t´ecnica de programa¸c˜ao dinˆamica dual estoc´astica.
Esta t´ecnica permite considerar o intercˆambio entre os subsistemas como uma vari´avel de decis˜ao, evita a discretiza¸c˜ao do espa¸co de estados, permite o uso de um modelo comum de vaz˜oes sint´etica e calcula os custos marginais do sistema. O objetivo do planejamento da opera¸c˜ao de um sistema hidrot´ermico ´e determinar metas de gera¸c˜ao para cada usina do sistema, a cada etapa, que atendam a demanda e minimizem o valor esperado do custo de opera¸c˜ao. O modelo ´e utilizado para um amplo espectro de estudos de planejamento, como: informa¸c˜oes sobre o consumo de combust´ıvel; estudos de pol´ıticas comerciais; es- tudos de pol´ıtica tarif´aria; estudos de pol´ıtica de racionamento; estudos de gerenciamento da demanda e realimenta¸c˜ao ao planejamento da expans˜ao.”
Em um horizonte de 5 anos, as incertezas sobre os cen´arios hidrol´ogicos s˜ao muito importantes, com isto, no NEWAVE, estas incertezas s˜ao representadas com mais deta- lhes, enquanto v´arios outros aspectos, como por exemplo, a representa¸c˜ao dos in´umeros
reservat´orios e as rela¸c˜oes n˜ao lineares intr´ınsecas aos fenˆomenos, sofreram not´aveis simpli- fica¸c˜oes, al´em disto, outras incertezas como atrasos no cronograma de expans˜ao, varia¸c˜oes nos custos de combust´ıvel e na carga n˜ao s˜ao devidamente contempladas. Estas condi¸c˜oes sugerem que tratar a solu¸c˜ao proposta pelo modelo como ´otima pode ser question´avel (KLIGERMAN, 1992).
Segue uma apresenta¸c˜ao do modelo NEWAVE contida no seu manual (CEPEL, 2006):
O modelo de planejamento de opera¸c˜ao de m´edio prazo - NEWAVE - representa o parque hidroel´etrico de forma agregada e o c´alculo da pol´ıtica de opera¸c˜ao baseia-se em Programa¸c˜ao Dinˆamica Dual Estoc´astica. O modelo ´e composto por quatro m´odulos computacionais:
1. m´odulo de c´alculo do sistema equivalente – Calcula os subsistemas equivalentes de energia: energias armazen´aveis m´aximas, s´eries hist´oricas de energias control´aveis e energias fio d’´agua, par´abolas de energia de vaz˜ao m´ınima, energia evaporada, capacidade de turbinamento, corre¸c˜ao da energia control´avel em fun¸c˜ao do armazenamento, perdas por limite de turbinamento nas usinas fio d’´agua, gera¸c˜ao hidr´aulica m´axima e energia associada ao desvio de ´agua `a montante de uma usina hidroel´etrica.
2. m´odulo de energias afluentes - Estima os parˆametros do modelo estoc´astico e gera s´eries sint´eticas de energias afluentes que s˜ao utilizadas no m´odulo de c´alculo da pol´ıtica de opera¸c˜ao hidrot´ermica e para gera¸c˜ao de s´eries sint´eticas de energias afluentes para an´alise de desempenho no m´odulo de simula¸c˜ao da opera¸c˜ao.
3. m´odulo de c´alculo da pol´ıtica de opera¸c˜ao hidrot´ermica - Determina a pol´ıtica de opera¸c˜ao mais econˆomica para os subsistemas equivalentes, tendo em conta as incerte- zas nas afluˆencias futuras, os patamares de demanda, a indisponibilidade dos equipamen- tos.
4. m´odulo de simula¸c˜ao da opera¸c˜ao - Simula a opera¸c˜ao do sistema ao longo do per´ıodo de planejamento, para distintos cen´arios de sequˆencias hidrol´ogicas, falhas dos componentes e varia¸c˜oes da demanda. Calcula ´ındices de desempenho, tais como a m´edia dos custos de opera¸c˜ao, dos custos marginais, o risco de d´eficit, os valores m´edios de energia n˜ao suprida, de intercˆambio de energia e de gera¸c˜ao hidroel´etrica e t´ermica.
Na etapa de curto prazo, definida em um horizonte de 2 meses, com discretiza¸c˜ao semanal no primeiro mˆes sendo o segundo sem discretiza¸c˜ao, utiliza-se o modelo DE- COMP, tamb´em desenvolvido pelo CEPEL. Para esta etapa, devido ao menor horizonte,
a representa¸c˜ao das usinas ´e mais detalhada, sendo estas consideradas de forma indivi- dualizada. Para tanto, a incerteza dos cen´arios hidrol´ogicos foi desconsiderada atrav´es da utiliza¸c˜ao de um ´unico cen´ario para o primeiro mˆes. Este cen´ario ´e fornecido pelo modelo Previvaz (MACEIRA et al., 2002) desenvolvido para este fim. Segue uma descri¸c˜ao do DECOMP (CEPEL, 2004).
O modelo DECOMP foi desenvolvido pelo CEPEL para o planejamento da opera¸c˜ao de sistemas hidrot´ermicos a curto prazo empregando a t´ecnica de Programa¸c˜ao Dinˆamica Dual Estoc´astica (PDDE). No modelo de otimiza¸c˜ao desenvolvido, est˜ao incorporadas as seguintes caracter´ısticas para opera¸c˜ao do sistema hidrot´ermico:
• Caracter´ısticas gerais de opera¸c˜ao do sistema:
Cen´arios de afluˆencia; Representa¸c˜ao de patamares de carga; Configura¸c˜ao dinˆamica;
Limites de interliga¸c˜ao entre subsistemas; Contratos de importa¸c˜ao/exporta¸c˜ao de energia; Representa¸c˜ao de curvas de d´eficit por patamar; Restri¸c˜oes el´etricas; Res- tri¸c˜ao de transporte entre Itaipu 50 e 60 Hz e os subsistemas SUL/SE; Acoplamento com o modelo NEWAVE: c´alculo das energias armazenada e afluente m´edia e Re- presenta¸c˜ao de subsistemas acoplados hidraulicamente.
• Caracter´ısticas espec´ıficas das usinas hidroel´etricas:
Enchimento de volume morto; Cronograma de manuten¸c˜ao; Vaz˜ao deplecionada m´ınima; Representa¸c˜ao de Unidades Elevat´orias; Restri¸c˜oes hidr´aulicas especiais;
Restri¸c˜oes de balan¸co h´ıdrico por patamar para as usinas a fio d’´agua; Volume de espera para amortecimento de cheias; Produtividade vari´avel: Fun¸c˜ao de produ¸c˜ao energ´etica; Evapora¸c˜ao; Irriga¸c˜ao; Desvios de ´agua; Altera¸c˜ao de dados do cadastro de usinas hidr´aulicas; Tempo de viagem da vaz˜ao defluente dos aproveitamentos;
Tratamento das bacias especiais e Gera¸c˜ao de pequenas usinas.
• Caracter´ısticas espec´ıficas das usinas t´ermicas:
Gera¸c˜ao m´ınima em usinas t´ermicas e Cronograma de manuten¸c˜ao.
• Caracter´ısticas do processo de otimiza¸c˜ao:
Integra¸c˜ao com modelos de planejamento da opera¸c˜ao a m´edio prazo (NEWAVE e BACUS); Penalidades para intercˆambios entre subsistemas e vertimentos em reser- vat´orios; Revis˜ao da pol´ıtica no mˆes inicial e Estudos de Restart.
A seguir est˜ao elencados outros modelos e suas funcionalidades como apresentado em Maceira et al. (2002)