MAT 1351 : C´ alculo para Fun¸c˜ oes de Uma Vari´ avel Real I
Sylvain Bonnot (IME-USP)
2016
Transforma¸c˜ oes de gr´ aficos: transla¸c˜ oes
Transla¸c ˜oes:para cima, para baixo, para esquerda , para direita
Transforma¸c˜ oes de gr´ aficos: esticamento e reflex˜ ao
Esticamento e reflex˜ao:suponhac>1
1. y=cf(x)estique o gr´afico dey=f(x)verticalmente por um fator dec
2. (1/c)f(x)comprima.
3. f(cx)comprima horizontalmente.
4. f(x/c)estique horizontalmente por um fator dec, 5. −f(x)reflita o gr´afico em torno do eixox
6. f(−x)reflita em torno do eixoy.
Exemplos de esticamentos: com a fun¸c˜ ao co-seno / Aplica¸c˜ ao
Exerc´ıcio
Demostrar que o gr´afico de qualquer fun¸c˜ao quadr´atica pode ser obtido a partir do gr´afico de y=x2com transla¸c˜oes, esticamentos e reflex˜oes.
Alguns exemplos
Exerc´ıcio
Esboce o gr´afico das fun¸c˜oes : f(x) =3+|3x+2|, g(x) = x+13, h(x) =−4(x−2)2+5.
Fun¸c˜ao definida por partes:
Exerc´ıcio
Esboce o gr´afico da fun¸c˜ao: f(x) =3+5x se x≤2 f(x) =13+ (x−1)2se x>2.
Exerc´ıcio
Dado o gr´afico de f , esboce o gr´afico de f(3x+1), f(−x)−2.
Exemplos
Exerc´ıcio
Esboce o gr´afico de f(x) =x2+10x+27. De g(x) =|x2+2x−8|, de h(x) =|(x+1)3−1|.
Exerc´ıcio
Esboce o gr´afico de|x3−2x|. Exerc´ıcio
O gr´afico de y= √
3x−x2´e dado. Use as transforma¸c˜oes para criar uma fun¸c˜ao cujo gr´afico ´e mostrado.
A fun¸c˜ ao Piso f ( x ) = [[ x ]]
Defini¸c˜ao
A fun¸c˜ao piso ´e definida por f(x) = maior inteiro menor ou igul a x.
Exerc´ıcio
Obtenha o gr´afico de f(x) =x−[[x]].
Fun¸c˜ ao composta
Imagem def:lembra que a imagem def ´e Imf ={f(x)|x∈Df}.
Defini¸c˜ao
Sejam f e g duas fun¸c˜oes tais que Imf ⊂Dg, ent˜ao a fun¸c˜ao dada por y=g(f(x)),x∈Df
´e chamada fun¸c˜ao composta de g e f , e ´e denotada por g◦f . Pergunta:g◦f =f◦g? ou n˜ao?
Exerc´ıcio
Determine g◦f e f ◦g para f(x) =x+1, g(x) =x2.
Exemplos de composi¸c˜ oes
Encontre as fun¸c ˜oesf◦g,g◦f,f◦f,g◦ge seus dom´ınios
Composi¸c˜ oes
Exerc´ıcio
Verifique que Im(f)⊂Dge determine h(x) =g(f(x)) 1. g(x) =3x+1e f(x) =x+2
2. g(x) =√
x e f(x) =2+x2 3. g(x) = xx+−12 e f(x) =x2+3
Fun¸c˜ oes trigonom´ etricas: seno e co-seno
Teorema
Existe um ´unico par de fun¸c˜oes definidas emRchamadas senecos tais que :
1. sen0=0,cos 0=1
2. Para todo a e b, sen(a−b) = senacosb− senbcosa.
3. Para todo a e b,cos(a−b) =cosacosb+ senasenb.
4. Existe r>0tal que0< senx<x<tg(x)onde tg(x) = cossenxx. 5. Existe um menor n ´umero positivoπtal quecos(π/2) =0.
Exerc´ıcio
1. Mostre que(cosx)2+ (senx)2=1.
Exemplos
Exerc´ıcio
esboce o gr´afico de sen(2x),cos(1/x), x2. sen(1/x).
Fun¸c˜ oes Exponenciais: introdu¸c˜ ao e algumas propriedades
I Caso mais simples: paranum inteiro≥, eaum n ´umero real:
an=a.a. . . .a(n vezes)
I Caso 2:sejan>0 inteiro,a∈R: vamos definir:
a−n= 1 an.
I Casoaxondex= pq ´e racional: vamos simplesmente definir:
apq =√q
ap= (√q a)p Pergunta
Como definir axquando x ´e um n ´umero real?
Id´eia:sejax=x0,x1x2x3x4. . . (exemplo,x= π=3, 1415 . . .).
Primeiras propriedades das fun¸c˜ oes exponenciais
Conclus˜ao:para cadaa>0, existe uma func¸˜aox7→ax.
Primeiro encontro com o limite
Constru¸c˜ao de√
2: como o limite de 1, depois 1, 4, depois 1, 41 ; 1, 414 . . .
Teorema
Seja uma seq ¨uˆencia(xn)de numeros reais que ´e crescente (isto ´e xn≤xn+1) e limitada (isto ´e: existe um numero real M tal que todos os xns˜ao≤M). Ent˜ao(xn)tem um limite.
Demonstra¸c˜ao.
As partes inteiras dosxns˜ao limitadas, ent˜ao eu posso pegar a maior (sejaE∈ Z. Tem um numero na seq ¨uˆencia cuja parte inteira ´eE(vamos denotar elexN0). Todos osxncomn≥N0v˜ao ter a mesma parte inteira (porque?).
Agora: para todos os numeros depois dexN0, eu posso olhar a primeira decimal e pegar a maior (vamos denotar ela deE1):
Primeiro encontro com o limite II
Demonstra¸c˜ao.
Agora: para todos os numeros depois dexN1, eu posso olhar a segunda decimal e pegar a maior (vamos denotar ela deE2):
ent˜ao existe umxN2 cuja expans˜ao comec¸a comE0,E1E2. Todos osxncomn≥N2v˜ao tamb´em comec¸ar comE0,E1E2(porque).
Continuar assim, sem parar: a gente vai construir um n ´umero realL=E0,E1E2E3. . ., chamada olimiteda seq ¨uˆencia(xn), e denotado porL=limn∈Nxn.
Observa¸c˜ao Para cadaek = 1
10k =10−k, existe Nk∈Ntal que todos os xncom n≥Nkv˜ao satisfazer|xn−L| ≤ek=10−k
Exponencial II: propriedades
Teorema (Lei dos expoentes)
Se a e b forem n ´umeros positivos e x e y, n ´umeros reais quaisquer, ent˜ao:
ax+y=axay (ax)y =axy ax−y = a
x
ay (ab)x=axbx
Defini¸c˜ao deex: o n ´umeroe=2, 718 . . . ´e o unico tal que a func¸˜aoextem uma reta tangente de inclinac¸˜aom=1 no ponto (0, 1).
Historia:primeira definic¸˜ao dee: como limite de 1+ 1n
Exponencial III: propriedades
Teorema
1. Se a=1ent˜ao ax=1x=1para cada x∈R,
2. Se a>1ent˜ao x7→ax´e estritamente crescente (isto ´e:
x<y⇒ax <ay), elimx→+∞ax= +∞, elimx→−∞ax=0.
3. Se a<1ent˜ao x7→ax´e estritamente decrescente (isto ´e:
x<y⇒ax >ay), elimx→+∞ax=0, elimx→−∞ax= +∞ 4. Para todos a>0, x7→ax´e uma fun¸c˜ao continua.
Defini¸c˜ao A nota¸c˜ao
xlim→∞f(x) =∞
(lida como ”o limite de f(x)quando x tende a infinito ´e o infinito”)
Praticar com lim
x→∞f ( x ) = ∞
Exerc´ıcio
Mostrar quelimx→∞3x=∞.
Exerc´ıcio
Mostrar quelimx→∞x2 =∞. Exerc´ıcio
Mostrar quelimx→∞x−cos(2x) =∞.
Exponencial IV
Na verdade ja podemos demostrar tudo! Por exemplo:
Demonstra¸c˜ao.
(2) Para inteirosN1<N2, temos queaN1 <aN2, e tamb´em a1/N1 <a1/N2. Ent˜ao sex<y(ex,ys˜ao racionais) temos que ax<ay. Depois no caso geral, quandox,ys˜ao reais, ´e suficiente encontrar numeros racionaisu<vtais quex<u<v<ye mostrar
ax<au<av <ay.
Fun¸c˜ oes potˆ encia x 7→ x
αGr´afico:
Exemplos: Frequencia cardiaca e Taxa metab´ olica basal
Exemplo de fun¸c˜ao potˆencia:
Freq.Card.=K.(Peso)−1/4
(passarinho: 800 , rato: 250-450 pulsac¸ ˜oes, humano : 60-100 (mas ciclista M. Indurain tem 28 ...), cavalo:30 )
Defini¸c˜ao
A TMB (”Taxa metab´olica basal”) ´e a quantidade de energia produzida cada dia por um animal .
Defini¸c˜ao (Lei de Kleiber)
TMB=M3/4, onde M ´e a massa do animal.
Limites: que significa lim
x→af ( x ) = L?
Como ler:”o limite def(x), quandoxtende aa, ´e igual aL. Ou, tamb´emf(x)tende aLquandoxtende aa.
Outra nota¸c˜ao:f(x)→Lquandox→a.
Def. intuitiva 1:”eu posso fazerf(x)arbitrariamente pr ´oximo deL, tomandoxsuficientemente pr ´oximo dea.
Def. intuitiva 2:”a distˆancia entref(x)eLpode ser arbitrariamente pequena, tomando-se a distˆancia dexaa suficientemente pequena (mas n˜ao igual a 0)”.
Defini¸c˜ao
Seja f ua fun¸c˜ao definida sobre um intervalo aberto que cont´em a, exceto possivelmente no ponto a. A fraselimx→af(x) =L significa:
para todo n ´umeroe>0h´a um n ´umero correspondenteδ >0tal que