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Solos cultivados com cajueiro no Piauí

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Boletim de Pesquisa Nº 11

ISSN 0103-6424

Junho, 1994

SOLOS CULTIVADOS COM CAJUEIRO NO PIAUí

Augmar Drumond Ramos

Francisco Nelsieudes Sombra Oliveira

Antônio Agostinho C. Lima

Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária

•••~) Emp,e,. B",ild'a de P"qui,. AgcopccuáÚa - EMBRAPA

~"li'

Centro Nacional de Pesquisa de Agroindústria Tropical - CNPAT

(2)

Copyright © EMBRAPA-CNPAT-1994

Exemplares desta publicação podem ser solicitados à

EMBRAP A - CNP A T

Rua dos Tabajaras, 11 - Praia de Iracema

Telefone: (085) 231.7655 Fax: (085) 231.7762 Telex: (85) 1797

Caixa Postal 3761

60060-510 Fortaleza, CE

Tiragem: 500 exemplares Comitê de Publicações

Presidente: Clódion Torres Bandeira

Secretária: Germana Tabosa Braga Pontes

Membros: Valderi Vieira da Silva

Álfio Celestino Rivera Carbajal

Ervino Bleicher

Levi de Moura Barros

Maria Pinheiro Fernandes Correa

Antônio Renes Lins de Aquino

Coordenação Editorial: Valderi Vieira da Silva

Revisão: Mary Coeli Grangeiro Férrer

Normalização Bibliográfica: Rita de Cássia Costa Cid

Digitação/Diagramação: Nicodemos Moreira dos Santos Junior

RAMOS, A.D.; OLIVEIRA, F.N.S.; LIMA, A.A.C.

Solos cultivados com cajueiro no Piauí.

Fortaleza: EMBRAPA-CNPAT, 1994. 24p.

(EMBRAPA-CNPAT. Boletim de Pesquisa, 11).

1. Caj

li -

Cultura - Brasil - Piauí.

2. Cajueiro - áreas potenciais - Brasil - Piauí.

3. Solo - Unidade pedogenética. I. Oliveira,

F.N.S. colab. lI. Lima, A.A.C. colab.

fIl. EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de

Agroindústria Tropical. IV. Título. V. Série.

(3)

SUMÁRIO Pág. RESU MO 5 ABSTRACT 6 INTROD U çÃO 7 MATERIAL E MÉTODOS 8

RESUL T ADOS E DISCUSSÃO 9

- Unidades pedogenéticas 9

- Características dos solos representativos 14

- Fertilidade 17

- Identificação de áreas potenciais para o cajueiro 22

CON CL lJSÕES 23

(4)

SOLOS CULTIVADOS COM CAJUEIRO NO PIAUí

Augmar Drumond Ramos 1

Francisco Nelsieudes Sombra Oliveira 1

Antônio Agostinho C. Lima 1

RESUMO - Os solos cultivados com cajueiro foram identificados pelo

estudo pedológico das áreas produtoras do Piauí. Dados de produção de

castanha, complementados com visitas aos pomares de cajueiro, indicaram

as seguintes microrregiões produtoras: Baixo Parnaíba, Campo Maior,

Floriano, Alto Piauí e Canindé, Baixões Agrícolas Piauienses e Alto

Parnaíba. Foram definidos os parâmetros clima, solo, altitude e topografia,

que perm item determinar as áreas potenciais para a cultura. As descrições

morfológicas e as análises físico- químicas caracterizam quatro unidades de

solo representativas ao nível de Grande Grupo: Latossolo Amarelo,

Latossolo Vermelho-Amarelo, Podzólico Vermelho-Amarelo e Areia

Quartzosa. A unidade de solo que ocorre com maior freqüência e maior

extensão geográfica nas áreas produtoras de caju é o Latossolo Amarelo

Álico, textura média, em relevo plano.

Termos para indexação: cultura do cajueiro, solos, unidades pedogenéticas,

análises de solo, regiões produtoras.

IEng.-Agr. M.Se .. EMBRAPA/Centro ;\;'acional de Pesquisa de Agroindústria Tropical

(CNPAT). Rua dos Tabajaras. 11. Praia de Iracema, Caixa Postal 3761,60060-510 Fortaleza,

(5)

SOILS OF THE CASHEW CROP IN PIAUí STATE

ABSTRACT - The soils culti vated with cashew were identified through

pedological studies of land in Piauí State. Cashcw nut production data and

direct observation on the orchads indicate the following produetion

miero-regions: Baixo Parnaíba, Campo Maior, Floriano, Alto Piauí e Canindé,

Baixões Agrícolas Piauienses e Alto Parnaíba. Parameters of soil, climate,

altitude and topography were definide to determine the potencial land for

eashew erop. Profile deseription and soil analysis were done in order to

identify the rcprcsentative soils which were classified in four Great Graups:

Yellow Latosol, Red - yelIow Latosol, Red - yelIow Podzolic and Quartz Sand.

The soil which occur with higher frequency and having bigger are a is the

Alie Yel\ow Latosol, medium texture, on levei relief.

Index tcrms: cashew crop, soils, pedogenetic unities, soil analysis, producers

(6)

INTRODUÇÃO

o

cajueiro encontra-se disseminado em quase todo o

território brasileiro. A espécie AllaCardillJ71 occidelltale L., cultivada

largamente na região Nordeste, é responsável por 98% da produção de

castanha do Brasil (Penda Pessoa & Parente, 19(1).

As áreas ocupadas com cajueiro aumentaram rapidamente

durante as décadas de 70 c 80, com um crescimento na área colhida no

Nordeste de 389.021 ha, entre 1974 e 1988 (Parente et aI., 1990). Embora a

área cultivada nessa região seja grande, o rendimento da cultura vem

diminuindo ano a ano. Dados do Anuário Estatístico do Brasil mostram que

a produção passou de 570 kg de castanha por hectare em 1978, para 220 kg

em 1988, ou sej a, em onze anos houve uma queda no rendimento de mais

de 609{ (Parente et aI., 19(0).

o

decréscimo no rendimento da cultura tem sido causado

pela atuação conjunta de vários fatores, destacando-se como mais

importantes: baixo potencial genético das plantas, baixa fertilidade dos

solos, irregularidade ou escassez de chuvas e ocorrência de pragas e doenças

associadas ao manejo inadequado da cultura.

No estado do Piauí, a cultura expandiu-se mediante política

de incentivos implementada pela Superintendência de Desenvolvimento do

Nordeste (SUDENE) e pelo antigo Instituto Brasileiro para o

Desenvolvimento Florestal (IBDF), encontrando-se dispersa em diferentes

regiões com preendendo principalmente os planaltos sedimentares,

conhecidos regionalmente como chapadas ou chapadões, cuja cobertura

vegetal originalmente é constituída de cerrados ou cerradões.

De acordo com Lepsh (1987), as características de uma área

a ser utilizada devem ser conhecidas para que se possa estabelecer o melhor

sistema de manejo da cultura, objetivando a preservação do solo e a

obtenção de maiores rendimentos de forma sustentada.

Visando à identificação e caracterização dos solos foi

realizada esta pesquisa envolvendo métodos de. campo e laboratório, já

conhecidos e padronizados para os estudos de pedologia: seleção de áreas

representativas, identificação e descrição dos solos. coleta de amostras e

análises físico-químicas e de fertilidade.

(7)

Realizaram -se a caracterização e classi ficação das unidades

pedogenéticas representativas da cultura do cajueiro e o estabelecimento dos

parâmetros para definição das áreas potenciais para caj ueiro.

MA TERIAL E MÉTODOS

A metodologia consistiu de procedimentos de escritório,

trabalhos de campo e laboratório. As microrregiões produtoras foram

definidas consultando-se dados de produção de castanha de caju (Pimentel,

1991) e informações obtidas com o trabalho de campo, que complementaram

esses dados.

Foram selecionadas áreas represen tati vas da cultura do

caJuelfO em cento e vinte pomares dos municípios produtores de seis

microrregiões homogêneas do Piauí: Baixo Parnaíba, Campo Maior, Baixões

Agrícolas Piauienses, Floriano, Alto Piauí e Canindé, e Alto Parnaíba

(Fig. 1). O estudo de campo foi feito por meio de sondagens com trado,

identificação dos solos, localização e descrição morfológica dos perfis, coleta

de amostras dos perfis e amostras compostas para análise de fertilidade.

A descrição das características morfológicas dos perfis e os

dados das análises de laboratório permitiram conhecer as condições dos solos

e fazer a classificação das unidades pedogenéticas.

As análises foram feitas no laboratório de solos do Centro

Nacional de Pesquisa de Agroindústria Tropical (CNP A T) pelos métodos

descritos no Manual de Métodos de Análises de Solo (EMBRAP A, 1979). As

análises de fertilidade consistiram de determinações de rotina para fósforo

disponível, cálcio + magnésio, potássio e alumínio trocáveis; o pH foi

determinado em potenciômetro na suspensão solo-água, proporção 1:2,5. As

determinações feitas nas amostras de perfis foram as seguintes: análise

granulométrica na terra fina seca ao ar, fração areia por tamisação e argila

pelo método da pipeta; umidade a 1/3 atm e a 15 atm, utilizando-se

extratores de placa porosa; pH em água, potenciometricamente, pelo método

já indicado; condutividade elétrica determinada no extrato de saturação do

solo; carbono orgânico determinado volumetricamente pelo bicromato de

(8)

calculada multiplicando-se o resultado do carbono orgânico pela constante

1,724; nitrogênio total analisado pelo método de KJELDAHL, usando-se

para digestão os sulfatos de sódio e cobre, determinando-se por volumetria,

após retenção de NH3 em ácido bórico e destilação a vapor; fósforo

determinado em extrato de HCI 0,05N e H2S04 0,025N, pelo método

colorimétrico, utilizando-se o ácido ascórbico; cátlOns trocáveis extraídos

com acelato de amônio normal pH 7,0. Descontando-se os cátions solúveis

no extrato de saturação e determinando-se o cálcio e cálcio + magnésio pelo

método complexométrico, titulado com EDTA, encontra-se o magnésio por

diferença. () potássio e sódio trocáveis foram determinados por fotometria

de chama. () valor T (capacidade de troca de cátions) foi obtido pela soma

dos cátions trocáveis.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Unidades pedogenéticas

Foram encontradas oito unidades pedogenéticas com larga

expressão geográfica, nas áreas produtoras do Piauí, distribuídas nos

tabuleiros litorâneos e nos planaltos sedimentares do interior,

compreendendo vinte e quatro municípios em seis microrregiães diferentes

(Tabelas 1, 2 e Fig. 1). Os perfis descritos, sua classificação e localização

estão relacionados na Tabela 3. De acordo com a classificação brasileira, os

solos pertencem aos seguintes Grandes Grupos:

- Latossolo Amarelo: principal unidade em extensão geográfica e solo

dominante, nas áreas de Cerrado e Cerradão, encontrado também nas

outras áreas; .

- Areia Quartzosa: segunda maior unidade, ocorre no litoral e nas demais

áreas;

- Latossolo Vermelho-Amarelo e Podzólico Vermelho-Amarelo: ocorrem no

litoral, nas áreas de caatinga, em áreas de transição cerrado/caatinga e em

áreas de ccrradão.

(9)

MR 45 - Baixo Parnaiba

1 - Buriti dos Lopes

2 - Luiz Correia 8- Parnaiba MR46 -Campo Maior 4 - Campo Maior 6 - Castelo do Piou," 7 - Cocal 9 - PedroII 10- Piracuruca

13- S~o Miouel do Tapuio

MR51- Baixc5'esAgrícolas Piauenses

2- Expedito Lopes

3 - Francisco Santos 7 - Jaicós

11- Picos

12-Pio IX

14 - SI· Antôn ia de Lisboa

MR50- Floriano

2 - Sertolinea

5 - Floriano 8 - Jerumenha 12- Nazaré do Piauí 13- Rio Grande do Piou(

MR52- Alto Pamaiba

1 - Ribeiro Gonçalves

3 - Uruçu(

MR 54 - Alto Piaui e Canindé

3 - Canto do Bur;ti

9 - Soa JoQo do Piau! 10- são Raimundo Nonato

ESTADO DO PIAui

(10)

Tabela 1 -Áreas produtoras de caju por microrregião homogênea e município. Fortaleza, 1992. Microrregiões homogêneas

--..

-,--.---.-.---Baixo Parnaíba Campo Maior Floriano

Baixfles Agrícolas Piauienses

Alto Piauí e Canindé Alto Parnaíba I-' I-' Municípios Canto do Buriti S. João do Piauí S. Raimundo Nonato Parnaíba Luís Correia Buriti dos Lopes Campo Maior Castelo do Piauí São Migucl do Tapuio Piracuruca Cocal Floriano Nazaré Jerumcnha Rio

Grande do Piauí Bertolínia Picos Pio IX Jaicós Fco. Santos Sto. Antônio Lisboa Expedito Lopes

Uruçuí Ribeiro Gonçalves

Fonte:

(11)

Tabela 2 - Unidades pedogenéticas representativas das áreas produtoras de

caju em seis microrregiões homogêneas do Piauí. Fortaleza,

1992.

Unidades pedogenéticas

Latossolo Amarelo, Latossolo

Vermelho - Amarelo e Areia

Quartzosa, todos Álicos ou

Distróficos(*)

Latossolo Amarelo, Latossolo

Vermelho-Amarelo e Podzólico

Vermelho-Amarelo, e Areia

Quartzosa, todos Álicos ou

Distróficos(")

Latossolo - Amarelo e Areia

Quartzosa, ambos Álicos ou

Distróficos

Microrregiões (nº)

Baixões Agrícolas Piauienses (50)

e Floriano (51)

Baixo Parnaíba (45)

e Campo Maior (46)

Alto Piauí e Canindé (54)

e Alto Parnaíba (52)

(*) Podzólico Vermelho-Amarelo Álico e Distrófico aparece em alguns pomares destas

microrregiões.

(U) Latossolo Vermelho-Escuro Álico e Distrófico ocorre na região de Campo Maior.

Fonte: EMBRAPA/CNPAT

Os solos têm perfis profundos, sem impedimentos físicos,

com boa aeração natural e drenagem interna variando de boa a excessiva.

São encontradas exceções em alguns Latossolos Amarelos de textura argilosa,

moderadamente drenados, que ocorrem nas áreas de Cerrado nos municípios

(12)

Tabela 3 - Perfis de solos estudados (*).

Classificação

Latossolo Amarelo Álico,

textura média

Latossolo Amarelo Álico,

textura média

Latossolo Amarelo Álico,

textura média

Latossolo Amarelo Álico,

textura média

Latossolo Amarelo Álico,

textura média

Latossolo Amarelo Distrófico,

textura argilosa

Podzólico V crmelho - Amarelo

Tb Distrófico, textura arenosa/ média Podzólico Vermelho-Amarelo Tb Distrófico, textura arenosa/média Podzólico Vcrmelho-Amarelo

Tb Álico, textura arenosa/

média

Areia Quartzosa Álica

Areia Quartzosa Disl,Mica

Município Pio IX Rio Grande do Piauí Canto do Buriti São João do Piauí Ribeiro Gonçalves Uruçuí Parnaíba Floriano Luís Corrcia Jaicós Castelo Microrregiões Baixões Agrícolas Piauienses Floriano

Alto Piauí e Canindé

Alto Piauí e Canindé

Alto Parnaíba Alto Parnaíba Baixo Parnaíba Floriano Baixo Parnaíba Baixões Agrícolas Piauienses Campo Maior

(*) Arquivo da Área de Solos e Nutrição de Plantas - EMBRAP AICNP A T.

(13)

Alguns solos identificados no campo não foram incluídos na

Tabela 2 por terem ocorrência geográfica restrita, aparecendo associados às

unidades predominantes. Estes solos e as microrregiões em que se encontram

são os seguintes:

- Latossolo Vermelho- Escuro, textura argilosa e Latossolo

Vermelho-Escuro, textura argilosa cascalhenta, ambas unidades podendo ser Álicas

ou Distróficas: microrregião Campo Maior;

- Latossolo Concrecionário Álico ou Distrófico, textura argilosa:

microrregião Baixo Parnaíba.

Características dos solos representativos

As características dos solos foram descritas e analisadas em

perfis representativos, nas diferentes regiões. Além destes perfis,

consultaram - se também aqueles do Levantamento Exploratório

Reconhecimento dos Solos do Estado do Piauí, verificando-se as mesmas

características morfológicas e físico-químicas (EMBRAPA, 1986).

As principais características físicas e químicas dos solos são

mostradas nas Tabelas 4 e 5. Os dados dos solos foram condensados,

fazendo- se a média dos horizontes superficiais (AloU A ) e dos inferiores

(B2 ou C). Os horizontes indicam perfis profundos, com lforizontes espessos;

a textura superficial é arenosa na maioria dos casos, podendo ocorrer

também a textura média. As Areias Quartzosas apresentam todo o perfil

arenoso, enquanto os demais solos têm textura média nos horizontes

subsuperficiais e em alguns Latossolos, texturq argilosa.

A maioria dos solos tem horizontes superficiais fracamente

estruturados e em alguns casos estão compactados. Os dados de retenção de

umidade mostram que a capacidade de armazenamento de água dos perfis é

pequena, havendo acréscimo com profundidade nos horizontes de textura

(14)

Tabela 4 -Características físicas de unidades pedogenéticas representativas da cultura do cajueiro -Piauí. Fortaleza, 1992. Unidade Textura Unidades de solo Horizontes Profundo1/J 15 areiasilte argila Classes de textura (cm) atm atm(%)(%)(%) Latossolo Amarelo Ap 0-308,1 3,9 80 13 7 areia franca Álico, text. média B2 62-172+ 16,3 6,1 6517 18 f ranco-arenoso Latossolo Amarelo Ai 0-25 50 28 22franco I-' Álico t. argilosa(*) 82 80-180+ 54 7 39 argilo-arenoso U1 Podzólico V.-Amarelo AI 0-20 89 6 5 areia Tb DistrÓf. t. ar!médT) B2t 65-200+ 63 18 19 franco arenoso Podzólico V.-Amarelo Ap 0-185,0 3,3 889 3 areia Tb Distrófico t. ar!méd. B2t 60-200+ 8,6 6,0 70 10 20franco - argilo-arenoso Areia Quartzosa Ap 0-263,0 2,0 885 7 areia Álica C 85-177+ 4,2 3,1 837 10 areia franca Fonte: EMBRAPA/CNPAT (*) EMBRAP A/Serviço Nacional de Lcvantamcnto c Conservação do Solo (SNLCS). Levantamento exploratório -reconhecimento dos solos do estado do Piauí. Rio dc Janeiro: EMBRAPA-SNLCS/SUDENE-DRN, 1986. V.I. t = textura; 1-. ar/méd. = textura arenosa/média. I I I I

(15)
(16)

o

desmatamento e uso do solo com cajueiro expõem a

superfície aos raios solares e às chuvas, ocasionando compactação do solo e

diminuindo a matéria orgânica. O impacto da chuva sobre o solo e a ação

de máquinas e implementos agrícolas causam o rompimento dos agregados e

preenchem os macroporos com as partículas translocadas da superfície. Esta

condição traz prej Uí70 para a infiltração e armazenamento da água no solo e

aumenta a resistência ao crescimento do sistema radicular das plantas

(Camargo, 1983).

Os dados apresentados na Tabela 5 indicam pequena

disponibilidade de nutrientes, com capacidade de troca de cátions entre 0,7

e 5,5 mE/100g, sendo a maioria dos valores menores que 2,0 mEIlOOg. A

reação do solo nas amostras analisadas varia de extremamente ácida

(pH <4,3) a moderadamente ácida (pH 5,4 a 6,5), ficando a maior parte

dos solos no intervalo de pH: 4,3-5,3, ou seja, reação fortemente ácida. Os

níveis de alumínio trocável geralmente estão entre 0,4 e 0,7 mE/100g, o que

pode ser considerado baixo em valores absolutos; os teores mais altos foram

encontrados nos cerrados do sul do Piauí, onde são comuns valores maiores

que 2,0 mE/1 OOg. A saturação de alumínio dos solos é elevada, sendo a

condição Álica uma característica limitante na maioria dos Latossolos e

parte das Areias Quartzosas, onde é encontrada saturação entre 60% e 80%.

O conteúdo de matéria orgânica dos solos é baixo, mesmo nos horizontes

superficiais, cujos valores de carbono orgânico são inferiores a 1%,

evidenciando deficiência de nitrogênio a ser liberado para as culturas

(Madeira Neto & Macedo, 1985).

As características químicas dos solos, exceto nas Areias

Quartzosas, resultam de processos de intemperismo encontrados em regiões

de clima tropical, em várias partes do mundo (Buol et aI., 1973). Estes

processos atuando sobre o substrato geológico, constituído principalmente de

arenitos, produziram as condições atuais de acidez, elevados níveis de

alumínio trocável, baixa capacidade de troca de cátions e baixos níveis de

nutrientes.

Fertilidade

Os resultados das análises de fertilidade são apresentados nas

Tabelas 6 e 7.

(17)

Tabela 6 -Análise de fertilidade: fósforo, potássio e cálcio + magnésio em 206 amostras -áreas produtoras do Piauít"'). fortaleza, 1991. Nível Fósforo Potássio Cálcio + do magnésio Microrregiõcs: municípios ')olo Nº (rJh) Nº (%) Nº (%)

----Baixo Parnaíba: Parnaíba, Luís Correia, B 20 100,0 13 65,0 14 70,0 Buriti dos Lopes M 3 15,0 6 30,0 A 4 20,0 CX)

---Baixões Agrícolas: Picos, Pio IX, JaicÓs, B 45 96,0 38 81,0 46 98,0 Francisco Santos, Santo Antônio de M 2 4.0 8 17,0 1 2,0 Lisboa, Expedito Lopes A 1 2,0

---Floriano: Nazaré, Jcrurnenha, Bcrtolínia, B 27 93.0 15 52,0 29 100,0 Rio Grande do Piauí, Floriano M 2 7,0 11 38,0 A 3 10,0

(18)

Tabela 6 -Continuação. Nível Fósforo Potássio Cálcio + do magnésio Microrregiões: municípios solo Nº «(}( ) Nº (%) Nº (%) Campo Maior: Castelo do Piauí, São B 40 100,0 33 82,0 15 38,0 Miguel do Tapuio, Piracuruca, Cocal, M 3 8,0 24 60,0 Campo Maior A 4 10,0

1

2,0

--Alto Piauí e Canindé: Canto do Buriti, B 35 97,0 30 83,0 35 97,0 São João do Piauí, São Raimundo M 1 3,0 4 11,0 1 3,0 I-' Nonato A 2 6,0 O ~ Alto Parnaíba: Uruçuí, Ribeiro B 33 97,0 33 97,0 31 97,0 Gonçalves M 1 3,0 1 3,0

1

3,0 A B 200 97,0 162 79,0 172 83,5 Totais M 6 3,0 30 14,0 33 16,0 A 14 7,0 1 0,5 (*) Fósforo disponível, potássio c cálcio + magnésio trocáveis. B = nível baixo; M = nível médio; A = nível alto. Fonte: EMBRAPA/CNPAT

(19)

Tabela 7 -Análise de fertilidade: alumínio trocável e reação do solo -pU, em 206 áreas produtoras do Piauí. Fortaleza, 1991. Microrregiões Baixo BaixÔes Floriano Campo Alto Piauí Alto Níveis Parnaíba Agrícolas Maior -CanindéParnaíba no solo Alumínio trocável (mE!100g)

N

o

Nº (%) Nº (%) Nº (%) Nº (%) Nº (%) Nº (%) 0,3 18 90 5 11 7 24 29 73 8 22 1 3 -1,0 2 10 42 89 20 69 6 15 27 75 12 35 1,0 2 7 5 12 1 3 21 62

(20)

Tabela 7 -Continuação. M icrorregiõcs Reação do solo (pH) Níveis no solo Baixo Parnaíba Baixõcs Agrícolas Floriano Campo Maior Alto Piauí -Canindé Alto Parnaíba Nº (9{, ) Nº ((}n Nº (%) tv < 4,3 23 49 2 7 I-' 4,3 -5,3 5 25 24 51 23 79 5,4 -6,5 15 75 4 14 Totais Nº (%) 14 35 26 65 Nº (%)

13

36

23 64 Nº (%) 20 59 14 41 Alumínio: < 0,3 mE/lOOg: 68 amostras -33% 0,4 -1,0 mE/lOOg: 109 amostras -53% > 1,0 mE/lOOg: 29 amostras -14% Fonte: EMBRAPA/CNPAT pH: < 4,3: 72 amostras -35% 4,3 -5,3: 115 amostras -56% 5,4 -6,5: 19 amostras -9%

(21)

A Tabela 6 mostra que 97% dos solos analisados são

deficientes em fósforo, 79%, em potássio e 83,5%, em cálcio + magnésio. A

microrregião Alto Parnaíba, constituída pelos solos de cerrados do sul do

Piauí, apresenta 97% de amostras deficientes em fósforo,' potássio e cálcio +

magnésio. Além disso, os danos de perfis dos solos representativos indicam

baixos nÍ\{cis de matéria orgânica, portanto carência. de nitrogênio. Em

todos os casos de deficiência é necessário adicionar ao solo os respectivos

nutrientes, através de adubação e calagem.

A Tabela 7 contém os dados de alumínio trocável e pH do

solo, demonstrando que a maioria das amostras apresenta alumínio em

quantidades nocivas para as plantas e pH baixo, necessitando correção da

acidez. Observando- se a Tabela 7, verifica - se que 91% dos solos são

fortemente ácidos a extremamente ácidos. Quanto ao alumínio trocável, a

microrregião Alto Parnaíba tem os maiores níveis, com mais de 1,0

mEIlOOg em 62% dos solos estudados. Nesta mesma microrregião, 59% dos

solos são extremamente ácidos, com pH inferior a 4,3.

Identificação de áreas potenciais para o cajueiro

A identificação das áreas potenciais deve levar em conta os

seguintes critérios, que proporcionam condições favoráveis importantes para

a cultura (Ramos & Frota, 1990):

a) altitude de 600 m;

b) solo profundo, com boa porosidade e sem impedimento físico no perfil;

c) topografia uniforme e relevo plano a suave-ondulado;

d) pluviosidade média anual maior que 700 mm e temperatura média anual

acima de 21 oCo

A adoção destes critérios permite identificar as áreas

potenciais nas diferentes regiões do Estado, inclusive ao nível de

propriedade rural. As condições de fertilidade do solo não são usadas na

(22)

CONCLUSõES

As áreas produtoras estão distribuídas em 24 mUnIcípiOS

pertencentes a seis microrregiões, que compreendem grandes áreas situadas

nas regiões norte, central, sudeste e sudoeste do Piauí. As unidades

pedogenéticas represeptati vas da cultura do caj ueiro nas di versas regiões são

as seguintes: Latossolo Amarelo Álico e Distrófico, com textura média e

argilosa; Latossolo Vermelho - Amarelo Álico e Distrófico, com textura

média; Podzólico Vermelho-Amarelo Álico e Distrófico, ambos

apresentando textura arenosa/média; Areia Quartzosa Álica e Distrófica.

Os diferentes solos podem ocorrer apenas em algumas

microrregiães produtoras ou em todas elas. A maior expressão geográfica de

um solo e sua ocorrência em maior número de pomares indicam a

predominância do mesmo nas áreas produtoras, conforme relacionado na

Tabela 2. Algumas unidades de solo, por sua grande amplitude nas regiões

produtoras, devem ser destacadas: (a) Latossolo Amarelo Álico - ocorre em

todas as microrregiões, tendo a maior expressão geográfica entre as di versas

unidades pedogenéticas; (b) Latossolo Vermelho - Amarelo Álico ou

Distrófico - ocorre em todas as microrregiões, exceto Alto Piauí, Canindé e

Alto Parnaíba; (c) Areia Quartzosa Álica ou Distrófica - ocorre em todas as

regiões prod utoras.

Os solos predominantes na maioria das plantações de cajueiro

têm textura média nos horizontes subsuperficiais, condicionando boa

aeração e drenagem, e favorecendo o enraizamento do cajueiro. As Areias

Quartzosas, com maior expressão na microrregião Baixo Parnaíba, têm

textura arenosa em todo o perfil, apresentando baixa retenção de umidade e

lixiviação dos nutrientes e adubos.

O fósforo disponível é deficiente em 97% dos solos utilizados

com cajueiro, o potássio, em 79% e o cálcio + magnésio, em 83,5%.

Verifica-se também que 67% das áreas produtoras apresentam níveis de

alumínio trocável considerados nocivos para as plantas e 91% têm reação do

solo fortemente ácida a extremamente ácida, condições desfavoráveis ao

desenvolvimento e produção do cajueiro, principalmente quando associadas

aos baixos níveis de fósforo disponível, potássio e cálcio + magnésio

trocá veis.

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REFERÊNCIAS

BUOL, S.W.; HOLE, F.D.; McCRAKEN, R.J. SoB genesis and

classification. Ames: Iowa State University, 1973. 359p.

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