Boletim de Pesquisa Nº 11
ISSN 0103-6424
Junho, 1994
SOLOS CULTIVADOS COM CAJUEIRO NO PIAUí
Augmar Drumond Ramos
Francisco Nelsieudes Sombra Oliveira
Antônio Agostinho C. Lima
Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária
•••~) Emp,e,. B",ild'a de P"qui,. AgcopccuáÚa - EMBRAPA
~"li'
Centro Nacional de Pesquisa de Agroindústria Tropical - CNPATCopyright © EMBRAPA-CNPAT-1994
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RAMOS, A.D.; OLIVEIRA, F.N.S.; LIMA, A.A.C.
Solos cultivados com cajueiro no Piauí.
Fortaleza: EMBRAPA-CNPAT, 1994. 24p.
(EMBRAPA-CNPAT. Boletim de Pesquisa, 11).
1. Caj
li -
Cultura - Brasil - Piauí.2. Cajueiro - áreas potenciais - Brasil - Piauí.
3. Solo - Unidade pedogenética. I. Oliveira,
F.N.S. colab. lI. Lima, A.A.C. colab.
fIl. EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de
Agroindústria Tropical. IV. Título. V. Série.
SUMÁRIO Pág. RESU MO 5 ABSTRACT 6 INTROD U çÃO 7 MATERIAL E MÉTODOS 8
RESUL T ADOS E DISCUSSÃO 9
- Unidades pedogenéticas 9
- Características dos solos representativos 14
- Fertilidade 17
- Identificação de áreas potenciais para o cajueiro 22
CON CL lJSÕES 23
SOLOS CULTIVADOS COM CAJUEIRO NO PIAUí
Augmar Drumond Ramos 1
Francisco Nelsieudes Sombra Oliveira 1
Antônio Agostinho C. Lima 1
RESUMO - Os solos cultivados com cajueiro foram identificados pelo
estudo pedológico das áreas produtoras do Piauí. Dados de produção de
castanha, complementados com visitas aos pomares de cajueiro, indicaram
as seguintes microrregiões produtoras: Baixo Parnaíba, Campo Maior,
Floriano, Alto Piauí e Canindé, Baixões Agrícolas Piauienses e Alto
Parnaíba. Foram definidos os parâmetros clima, solo, altitude e topografia,
que perm item determinar as áreas potenciais para a cultura. As descrições
morfológicas e as análises físico- químicas caracterizam quatro unidades de
solo representativas ao nível de Grande Grupo: Latossolo Amarelo,
Latossolo Vermelho-Amarelo, Podzólico Vermelho-Amarelo e Areia
Quartzosa. A unidade de solo que ocorre com maior freqüência e maior
extensão geográfica nas áreas produtoras de caju é o Latossolo Amarelo
Álico, textura média, em relevo plano.
Termos para indexação: cultura do cajueiro, solos, unidades pedogenéticas,
análises de solo, regiões produtoras.
IEng.-Agr. M.Se .. EMBRAPA/Centro ;\;'acional de Pesquisa de Agroindústria Tropical
(CNPAT). Rua dos Tabajaras. 11. Praia de Iracema, Caixa Postal 3761,60060-510 Fortaleza,
SOILS OF THE CASHEW CROP IN PIAUí STATE
ABSTRACT - The soils culti vated with cashew were identified through
pedological studies of land in Piauí State. Cashcw nut production data and
direct observation on the orchads indicate the following produetion
miero-regions: Baixo Parnaíba, Campo Maior, Floriano, Alto Piauí e Canindé,
Baixões Agrícolas Piauienses e Alto Parnaíba. Parameters of soil, climate,
altitude and topography were definide to determine the potencial land for
eashew erop. Profile deseription and soil analysis were done in order to
identify the rcprcsentative soils which were classified in four Great Graups:
Yellow Latosol, Red - yelIow Latosol, Red - yelIow Podzolic and Quartz Sand.
The soil which occur with higher frequency and having bigger are a is the
Alie Yel\ow Latosol, medium texture, on levei relief.
Index tcrms: cashew crop, soils, pedogenetic unities, soil analysis, producers
INTRODUÇÃO
o
cajueiro encontra-se disseminado em quase todo oterritório brasileiro. A espécie AllaCardillJ71 occidelltale L., cultivada
largamente na região Nordeste, é responsável por 98% da produção de
castanha do Brasil (Penda Pessoa & Parente, 19(1).
As áreas ocupadas com cajueiro aumentaram rapidamente
durante as décadas de 70 c 80, com um crescimento na área colhida no
Nordeste de 389.021 ha, entre 1974 e 1988 (Parente et aI., 1990). Embora a
área cultivada nessa região seja grande, o rendimento da cultura vem
diminuindo ano a ano. Dados do Anuário Estatístico do Brasil mostram que
a produção passou de 570 kg de castanha por hectare em 1978, para 220 kg
em 1988, ou sej a, em onze anos houve uma queda no rendimento de mais
de 609{ (Parente et aI., 19(0).
o
decréscimo no rendimento da cultura tem sido causadopela atuação conjunta de vários fatores, destacando-se como mais
importantes: baixo potencial genético das plantas, baixa fertilidade dos
solos, irregularidade ou escassez de chuvas e ocorrência de pragas e doenças
associadas ao manejo inadequado da cultura.
No estado do Piauí, a cultura expandiu-se mediante política
de incentivos implementada pela Superintendência de Desenvolvimento do
Nordeste (SUDENE) e pelo antigo Instituto Brasileiro para o
Desenvolvimento Florestal (IBDF), encontrando-se dispersa em diferentes
regiões com preendendo principalmente os planaltos sedimentares,
conhecidos regionalmente como chapadas ou chapadões, cuja cobertura
vegetal originalmente é constituída de cerrados ou cerradões.
De acordo com Lepsh (1987), as características de uma área
a ser utilizada devem ser conhecidas para que se possa estabelecer o melhor
sistema de manejo da cultura, objetivando a preservação do solo e a
obtenção de maiores rendimentos de forma sustentada.
Visando à identificação e caracterização dos solos foi
realizada esta pesquisa envolvendo métodos de. campo e laboratório, já
conhecidos e padronizados para os estudos de pedologia: seleção de áreas
representativas, identificação e descrição dos solos. coleta de amostras e
análises físico-químicas e de fertilidade.
Realizaram -se a caracterização e classi ficação das unidades
pedogenéticas representativas da cultura do cajueiro e o estabelecimento dos
parâmetros para definição das áreas potenciais para caj ueiro.
MA TERIAL E MÉTODOS
A metodologia consistiu de procedimentos de escritório,
trabalhos de campo e laboratório. As microrregiões produtoras foram
definidas consultando-se dados de produção de castanha de caju (Pimentel,
1991) e informações obtidas com o trabalho de campo, que complementaram
esses dados.
Foram selecionadas áreas represen tati vas da cultura do
caJuelfO em cento e vinte pomares dos municípios produtores de seis
microrregiões homogêneas do Piauí: Baixo Parnaíba, Campo Maior, Baixões
Agrícolas Piauienses, Floriano, Alto Piauí e Canindé, e Alto Parnaíba
(Fig. 1). O estudo de campo foi feito por meio de sondagens com trado,
identificação dos solos, localização e descrição morfológica dos perfis, coleta
de amostras dos perfis e amostras compostas para análise de fertilidade.
A descrição das características morfológicas dos perfis e os
dados das análises de laboratório permitiram conhecer as condições dos solos
e fazer a classificação das unidades pedogenéticas.
As análises foram feitas no laboratório de solos do Centro
Nacional de Pesquisa de Agroindústria Tropical (CNP A T) pelos métodos
descritos no Manual de Métodos de Análises de Solo (EMBRAP A, 1979). As
análises de fertilidade consistiram de determinações de rotina para fósforo
disponível, cálcio + magnésio, potássio e alumínio trocáveis; o pH foi
determinado em potenciômetro na suspensão solo-água, proporção 1:2,5. As
determinações feitas nas amostras de perfis foram as seguintes: análise
granulométrica na terra fina seca ao ar, fração areia por tamisação e argila
pelo método da pipeta; umidade a 1/3 atm e a 15 atm, utilizando-se
extratores de placa porosa; pH em água, potenciometricamente, pelo método
já indicado; condutividade elétrica determinada no extrato de saturação do
solo; carbono orgânico determinado volumetricamente pelo bicromato de
calculada multiplicando-se o resultado do carbono orgânico pela constante
1,724; nitrogênio total analisado pelo método de KJELDAHL, usando-se
para digestão os sulfatos de sódio e cobre, determinando-se por volumetria,
após retenção de NH3 em ácido bórico e destilação a vapor; fósforo
determinado em extrato de HCI 0,05N e H2S04 0,025N, pelo método
colorimétrico, utilizando-se o ácido ascórbico; cátlOns trocáveis extraídos
com acelato de amônio normal pH 7,0. Descontando-se os cátions solúveis
no extrato de saturação e determinando-se o cálcio e cálcio + magnésio pelo
método complexométrico, titulado com EDTA, encontra-se o magnésio por
diferença. () potássio e sódio trocáveis foram determinados por fotometria
de chama. () valor T (capacidade de troca de cátions) foi obtido pela soma
dos cátions trocáveis.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Unidades pedogenéticas
Foram encontradas oito unidades pedogenéticas com larga
expressão geográfica, nas áreas produtoras do Piauí, distribuídas nos
tabuleiros litorâneos e nos planaltos sedimentares do interior,
compreendendo vinte e quatro municípios em seis microrregiães diferentes
(Tabelas 1, 2 e Fig. 1). Os perfis descritos, sua classificação e localização
estão relacionados na Tabela 3. De acordo com a classificação brasileira, os
solos pertencem aos seguintes Grandes Grupos:
- Latossolo Amarelo: principal unidade em extensão geográfica e solo
dominante, nas áreas de Cerrado e Cerradão, encontrado também nas
outras áreas; .
- Areia Quartzosa: segunda maior unidade, ocorre no litoral e nas demais
áreas;
- Latossolo Vermelho-Amarelo e Podzólico Vermelho-Amarelo: ocorrem no
litoral, nas áreas de caatinga, em áreas de transição cerrado/caatinga e em
áreas de ccrradão.
MR 45 - Baixo Parnaiba
1 - Buriti dos Lopes
2 - Luiz Correia 8- Parnaiba MR46 -Campo Maior 4 - Campo Maior 6 - Castelo do Piou," 7 - Cocal 9 - PedroII 10- Piracuruca
13- S~o Miouel do Tapuio
MR51- Baixc5'esAgrícolas Piauenses
2- Expedito Lopes
3 - Francisco Santos 7 - Jaicós
11- Picos
12-Pio IX
14 - SI· Antôn ia de Lisboa
MR50- Floriano
2 - Sertolinea
5 - Floriano 8 - Jerumenha 12- Nazaré do Piauí 13- Rio Grande do Piou(
MR52- Alto Pamaiba
1 - Ribeiro Gonçalves
3 - Uruçu(
MR 54 - Alto Piaui e Canindé
3 - Canto do Bur;ti
9 - Soa JoQo do Piau! 10- são Raimundo Nonato
ESTADO DO PIAui
Tabela 1 -Áreas produtoras de caju por microrregião homogênea e município. Fortaleza, 1992. Microrregiões homogêneas
--.. -,--.---.-.---Baixo Parnaíba Campo Maior FlorianoBaixfles Agrícolas Piauienses
Alto Piauí e Canindé Alto Parnaíba I-' I-' Municípios Canto do Buriti S. João do Piauí S. Raimundo Nonato Parnaíba Luís Correia Buriti dos Lopes Campo Maior Castelo do Piauí São Migucl do Tapuio Piracuruca Cocal Floriano Nazaré Jerumcnha Rio
Grande do Piauí Bertolínia Picos Pio IX Jaicós Fco. Santos Sto. Antônio Lisboa Expedito Lopes
Uruçuí Ribeiro Gonçalves
Fonte:
Tabela 2 - Unidades pedogenéticas representativas das áreas produtoras de
caju em seis microrregiões homogêneas do Piauí. Fortaleza,
1992.
Unidades pedogenéticas
Latossolo Amarelo, Latossolo
Vermelho - Amarelo e Areia
Quartzosa, todos Álicos ou
Distróficos(*)
Latossolo Amarelo, Latossolo
Vermelho-Amarelo e Podzólico
Vermelho-Amarelo, e Areia
Quartzosa, todos Álicos ou
Distróficos(")
Latossolo - Amarelo e Areia
Quartzosa, ambos Álicos ou
Distróficos
Microrregiões (nº)
Baixões Agrícolas Piauienses (50)
e Floriano (51)
Baixo Parnaíba (45)
e Campo Maior (46)
Alto Piauí e Canindé (54)
e Alto Parnaíba (52)
(*) Podzólico Vermelho-Amarelo Álico e Distrófico aparece em alguns pomares destas
microrregiões.
(U) Latossolo Vermelho-Escuro Álico e Distrófico ocorre na região de Campo Maior.
Fonte: EMBRAPA/CNPAT
Os solos têm perfis profundos, sem impedimentos físicos,
com boa aeração natural e drenagem interna variando de boa a excessiva.
São encontradas exceções em alguns Latossolos Amarelos de textura argilosa,
moderadamente drenados, que ocorrem nas áreas de Cerrado nos municípios
Tabela 3 - Perfis de solos estudados (*).
Classificação
Latossolo Amarelo Álico,
textura média
Latossolo Amarelo Álico,
textura média
Latossolo Amarelo Álico,
textura média
Latossolo Amarelo Álico,
textura média
Latossolo Amarelo Álico,
textura média
Latossolo Amarelo Distrófico,
textura argilosa
Podzólico V crmelho - Amarelo
Tb Distrófico, textura arenosa/ média Podzólico Vermelho-Amarelo Tb Distrófico, textura arenosa/média Podzólico Vcrmelho-Amarelo
Tb Álico, textura arenosa/
média
Areia Quartzosa Álica
Areia Quartzosa Disl,Mica
Município Pio IX Rio Grande do Piauí Canto do Buriti São João do Piauí Ribeiro Gonçalves Uruçuí Parnaíba Floriano Luís Corrcia Jaicós Castelo Microrregiões Baixões Agrícolas Piauienses Floriano
Alto Piauí e Canindé
Alto Piauí e Canindé
Alto Parnaíba Alto Parnaíba Baixo Parnaíba Floriano Baixo Parnaíba Baixões Agrícolas Piauienses Campo Maior
(*) Arquivo da Área de Solos e Nutrição de Plantas - EMBRAP AICNP A T.
Alguns solos identificados no campo não foram incluídos na
Tabela 2 por terem ocorrência geográfica restrita, aparecendo associados às
unidades predominantes. Estes solos e as microrregiões em que se encontram
são os seguintes:
- Latossolo Vermelho- Escuro, textura argilosa e Latossolo
Vermelho-Escuro, textura argilosa cascalhenta, ambas unidades podendo ser Álicas
ou Distróficas: microrregião Campo Maior;
- Latossolo Concrecionário Álico ou Distrófico, textura argilosa:
microrregião Baixo Parnaíba.
Características dos solos representativos
As características dos solos foram descritas e analisadas em
perfis representativos, nas diferentes regiões. Além destes perfis,
consultaram - se também aqueles do Levantamento Exploratório
Reconhecimento dos Solos do Estado do Piauí, verificando-se as mesmas
características morfológicas e físico-químicas (EMBRAPA, 1986).
As principais características físicas e químicas dos solos são
mostradas nas Tabelas 4 e 5. Os dados dos solos foram condensados,
fazendo- se a média dos horizontes superficiais (AloU A ) e dos inferiores
(B2 ou C). Os horizontes indicam perfis profundos, com lforizontes espessos;
a textura superficial é arenosa na maioria dos casos, podendo ocorrer
também a textura média. As Areias Quartzosas apresentam todo o perfil
arenoso, enquanto os demais solos têm textura média nos horizontes
subsuperficiais e em alguns Latossolos, texturq argilosa.
A maioria dos solos tem horizontes superficiais fracamente
estruturados e em alguns casos estão compactados. Os dados de retenção de
umidade mostram que a capacidade de armazenamento de água dos perfis é
pequena, havendo acréscimo com profundidade nos horizontes de textura
Tabela 4 -Características físicas de unidades pedogenéticas representativas da cultura do cajueiro -Piauí. Fortaleza, 1992. Unidade Textura Unidades de solo Horizontes Profundo1/J 15 areiasilte argila Classes de textura (cm) atm atm(%)(%)(%) Latossolo Amarelo Ap 0-308,1 3,9 80 13 7 areia franca Álico, text. média B2 62-172+ 16,3 6,1 6517 18 f ranco-arenoso Latossolo Amarelo Ai 0-25 50 28 22franco I-' Álico t. argilosa(*) 82 80-180+ 54 7 39 argilo-arenoso U1 Podzólico V.-Amarelo AI 0-20 89 6 5 areia Tb DistrÓf. t. ar!médT) B2t 65-200+ 63 18 19 franco arenoso Podzólico V.-Amarelo Ap 0-185,0 3,3 889 3 areia Tb Distrófico t. ar!méd. B2t 60-200+ 8,6 6,0 70 10 20franco - argilo-arenoso Areia Quartzosa Ap 0-263,0 2,0 885 7 areia Álica C 85-177+ 4,2 3,1 837 10 areia franca Fonte: EMBRAPA/CNPAT (*) EMBRAP A/Serviço Nacional de Lcvantamcnto c Conservação do Solo (SNLCS). Levantamento exploratório -reconhecimento dos solos do estado do Piauí. Rio dc Janeiro: EMBRAPA-SNLCS/SUDENE-DRN, 1986. V.I. t = textura; 1-. ar/méd. = textura arenosa/média. I I I I
o
desmatamento e uso do solo com cajueiro expõem asuperfície aos raios solares e às chuvas, ocasionando compactação do solo e
diminuindo a matéria orgânica. O impacto da chuva sobre o solo e a ação
de máquinas e implementos agrícolas causam o rompimento dos agregados e
preenchem os macroporos com as partículas translocadas da superfície. Esta
condição traz prej Uí70 para a infiltração e armazenamento da água no solo e
aumenta a resistência ao crescimento do sistema radicular das plantas
(Camargo, 1983).
Os dados apresentados na Tabela 5 indicam pequena
disponibilidade de nutrientes, com capacidade de troca de cátions entre 0,7
e 5,5 mE/100g, sendo a maioria dos valores menores que 2,0 mEIlOOg. A
reação do solo nas amostras analisadas varia de extremamente ácida
(pH <4,3) a moderadamente ácida (pH 5,4 a 6,5), ficando a maior parte
dos solos no intervalo de pH: 4,3-5,3, ou seja, reação fortemente ácida. Os
níveis de alumínio trocável geralmente estão entre 0,4 e 0,7 mE/100g, o que
pode ser considerado baixo em valores absolutos; os teores mais altos foram
encontrados nos cerrados do sul do Piauí, onde são comuns valores maiores
que 2,0 mE/1 OOg. A saturação de alumínio dos solos é elevada, sendo a
condição Álica uma característica limitante na maioria dos Latossolos e
parte das Areias Quartzosas, onde é encontrada saturação entre 60% e 80%.
O conteúdo de matéria orgânica dos solos é baixo, mesmo nos horizontes
superficiais, cujos valores de carbono orgânico são inferiores a 1%,
evidenciando deficiência de nitrogênio a ser liberado para as culturas
(Madeira Neto & Macedo, 1985).
As características químicas dos solos, exceto nas Areias
Quartzosas, resultam de processos de intemperismo encontrados em regiões
de clima tropical, em várias partes do mundo (Buol et aI., 1973). Estes
processos atuando sobre o substrato geológico, constituído principalmente de
arenitos, produziram as condições atuais de acidez, elevados níveis de
alumínio trocável, baixa capacidade de troca de cátions e baixos níveis de
nutrientes.
Fertilidade
Os resultados das análises de fertilidade são apresentados nas
Tabelas 6 e 7.
Tabela 6 -Análise de fertilidade: fósforo, potássio e cálcio + magnésio em 206 amostras -áreas produtoras do Piauít"'). fortaleza, 1991. Nível Fósforo Potássio Cálcio + do magnésio Microrregiõcs: municípios ')olo Nº (rJh) Nº (%) Nº (%)
----Baixo Parnaíba: Parnaíba, Luís Correia, B 20 100,0 13 65,0 14 70,0 Buriti dos Lopes M 3 15,0 6 30,0 A 4 20,0 CX) ---Baixões Agrícolas: Picos, Pio IX, JaicÓs, B 45 96,0 38 81,0 46 98,0 Francisco Santos, Santo Antônio de M 2 4.0 8 17,0 1 2,0 Lisboa, Expedito Lopes A 1 2,0 ---Floriano: Nazaré, Jcrurnenha, Bcrtolínia, B 27 93.0 15 52,0 29 100,0 Rio Grande do Piauí, Floriano M 2 7,0 11 38,0 A 3 10,0Tabela 6 -Continuação. Nível Fósforo Potássio Cálcio + do magnésio Microrregiões: municípios solo Nº «(}( ) Nº (%) Nº (%) Campo Maior: Castelo do Piauí, São B 40 100,0 33 82,0 15 38,0 Miguel do Tapuio, Piracuruca, Cocal, M 3 8,0 24 60,0 Campo Maior A 4 10,0
1
2,0 --Alto Piauí e Canindé: Canto do Buriti, B 35 97,0 30 83,0 35 97,0 São João do Piauí, São Raimundo M 1 3,0 4 11,0 1 3,0 I-' Nonato A 2 6,0 O ~ Alto Parnaíba: Uruçuí, Ribeiro B 33 97,0 33 97,0 31 97,0 Gonçalves M 1 3,0 1 3,01
3,0 A B 200 97,0 162 79,0 172 83,5 Totais M 6 3,0 30 14,0 33 16,0 A 14 7,0 1 0,5 (*) Fósforo disponível, potássio c cálcio + magnésio trocáveis. B = nível baixo; M = nível médio; A = nível alto. Fonte: EMBRAPA/CNPATTabela 7 -Análise de fertilidade: alumínio trocável e reação do solo -pU, em 206 áreas produtoras do Piauí. Fortaleza, 1991. Microrregiões Baixo BaixÔes Floriano Campo Alto Piauí Alto Níveis Parnaíba Agrícolas Maior -CanindéParnaíba no solo Alumínio trocável (mE!100g)
N
o
Nº (%) Nº (%) Nº (%) Nº (%) Nº (%) Nº (%) 0,3 18 90 5 11 7 24 29 73 8 22 1 3 -1,0 2 10 42 89 20 69 6 15 27 75 12 35 1,0 2 7 5 12 1 3 21 62Tabela 7 -Continuação. M icrorregiõcs Reação do solo (pH) Níveis no solo Baixo Parnaíba Baixõcs Agrícolas Floriano Campo Maior Alto Piauí -Canindé Alto Parnaíba Nº (9{, ) Nº ((}n Nº (%) tv < 4,3 23 49 2 7 I-' 4,3 -5,3 5 25 24 51 23 79 5,4 -6,5 15 75 4 14 Totais Nº (%) 14 35 26 65 Nº (%)
13
36
23 64 Nº (%) 20 59 14 41 Alumínio: < 0,3 mE/lOOg: 68 amostras -33% 0,4 -1,0 mE/lOOg: 109 amostras -53% > 1,0 mE/lOOg: 29 amostras -14% Fonte: EMBRAPA/CNPAT pH: < 4,3: 72 amostras -35% 4,3 -5,3: 115 amostras -56% 5,4 -6,5: 19 amostras -9%A Tabela 6 mostra que 97% dos solos analisados são
deficientes em fósforo, 79%, em potássio e 83,5%, em cálcio + magnésio. A
microrregião Alto Parnaíba, constituída pelos solos de cerrados do sul do
Piauí, apresenta 97% de amostras deficientes em fósforo,' potássio e cálcio +
magnésio. Além disso, os danos de perfis dos solos representativos indicam
baixos nÍ\{cis de matéria orgânica, portanto carência. de nitrogênio. Em
todos os casos de deficiência é necessário adicionar ao solo os respectivos
nutrientes, através de adubação e calagem.
A Tabela 7 contém os dados de alumínio trocável e pH do
solo, demonstrando que a maioria das amostras apresenta alumínio em
quantidades nocivas para as plantas e pH baixo, necessitando correção da
acidez. Observando- se a Tabela 7, verifica - se que 91% dos solos são
fortemente ácidos a extremamente ácidos. Quanto ao alumínio trocável, a
microrregião Alto Parnaíba tem os maiores níveis, com mais de 1,0
mEIlOOg em 62% dos solos estudados. Nesta mesma microrregião, 59% dos
solos são extremamente ácidos, com pH inferior a 4,3.
Identificação de áreas potenciais para o cajueiro
A identificação das áreas potenciais deve levar em conta os
seguintes critérios, que proporcionam condições favoráveis importantes para
a cultura (Ramos & Frota, 1990):
a) altitude de 600 m;
b) solo profundo, com boa porosidade e sem impedimento físico no perfil;
c) topografia uniforme e relevo plano a suave-ondulado;
d) pluviosidade média anual maior que 700 mm e temperatura média anual
acima de 21 oCo
A adoção destes critérios permite identificar as áreas
potenciais nas diferentes regiões do Estado, inclusive ao nível de
propriedade rural. As condições de fertilidade do solo não são usadas na
CONCLUSõES
As áreas produtoras estão distribuídas em 24 mUnIcípiOS
pertencentes a seis microrregiões, que compreendem grandes áreas situadas
nas regiões norte, central, sudeste e sudoeste do Piauí. As unidades
pedogenéticas represeptati vas da cultura do caj ueiro nas di versas regiões são
as seguintes: Latossolo Amarelo Álico e Distrófico, com textura média e
argilosa; Latossolo Vermelho - Amarelo Álico e Distrófico, com textura
média; Podzólico Vermelho-Amarelo Álico e Distrófico, ambos
apresentando textura arenosa/média; Areia Quartzosa Álica e Distrófica.
Os diferentes solos podem ocorrer apenas em algumas
microrregiães produtoras ou em todas elas. A maior expressão geográfica de
um solo e sua ocorrência em maior número de pomares indicam a
predominância do mesmo nas áreas produtoras, conforme relacionado na
Tabela 2. Algumas unidades de solo, por sua grande amplitude nas regiões
produtoras, devem ser destacadas: (a) Latossolo Amarelo Álico - ocorre em
todas as microrregiões, tendo a maior expressão geográfica entre as di versas
unidades pedogenéticas; (b) Latossolo Vermelho - Amarelo Álico ou
Distrófico - ocorre em todas as microrregiões, exceto Alto Piauí, Canindé e
Alto Parnaíba; (c) Areia Quartzosa Álica ou Distrófica - ocorre em todas as
regiões prod utoras.
Os solos predominantes na maioria das plantações de cajueiro
têm textura média nos horizontes subsuperficiais, condicionando boa
aeração e drenagem, e favorecendo o enraizamento do cajueiro. As Areias
Quartzosas, com maior expressão na microrregião Baixo Parnaíba, têm
textura arenosa em todo o perfil, apresentando baixa retenção de umidade e
lixiviação dos nutrientes e adubos.
O fósforo disponível é deficiente em 97% dos solos utilizados
com cajueiro, o potássio, em 79% e o cálcio + magnésio, em 83,5%.
Verifica-se também que 67% das áreas produtoras apresentam níveis de
alumínio trocável considerados nocivos para as plantas e 91% têm reação do
solo fortemente ácida a extremamente ácida, condições desfavoráveis ao
desenvolvimento e produção do cajueiro, principalmente quando associadas
aos baixos níveis de fósforo disponível, potássio e cálcio + magnésio
trocá veis.
REFERÊNCIAS
BUOL, S.W.; HOLE, F.D.; McCRAKEN, R.J. SoB genesis and
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